quarta-feira, junho 14, 2006

Empresas multinacionais piram-se para fora da Europa Ocidental




Raios e Coriscos na relação entre o Capital e o Trabalho!


Vem isto a propósito da GM e da fábrica da Azambuja, a qual estaria a preparar o encerramento com base em Custos de Produção superiores aos de fábricas congéneres (em cerca de 500€ por cada viatura produzida, foi o valor que apareceu nos Jornais).

Também a Peugeot abandonou a Grã-Bretanha e ouve-se dizer na Imprensa Francesa que estaria a negociar com o Governo gaulês encerrar fábricas na própria França...

Quem ganharia com esta situação seriam os Países de Leste, cujas economias mais fracas permitem pagar a mão de obra muito mais barata do que na União Europeia.

Questionávamos - em Washington e entre Amigos que eram todos dos Correios de vários Países - como as empresas industriais tinham sobre os Serviços em geral e os Operadores Postais em particular esta vantagem competitiva de poderem "fazer as malas" e sair de um certo País, quando não lhes conviesse.

Os Correios de Portugal (por exemplo) não podem simplesmente encerrar as Estações e os Centros de Tratamento aqui no burgo e partir para fazer correio na Roménia...

Então disse-me o Alemão:

Raul, se não podem os Correios ir para os outros Países mais competitivos têm a possibilidade de trazer para os seus territórios Trabalhadores desses Países, a receber salários mais baixos e com menores protecções sociais. Na Alemanha o Deutsche Post, depois da privatização, já emprega quase 40 000 Checos , Eslovacos e Romenos...


Leram bem? A decisão de fazer Contratos com Empresas do tipo da "Select" - trabalho temporário - permitia já que em determinadas condições uma Empresa nacional se "livrasse" de certas obrigações sociais.

Mas agora com esta possibilidade de "importar" mão de obra de Leste, ainda por cima qualificada...

É claro que há certas actividades postais onde é preciso saber português (nem que seja para identificar as moradas) mas nos Centros de Tratamento já não sei se será assim tão necessário dominar a nossa língua logo de início.

E quando as condições de trabalho nesses Países de Leste forem semelhante às nossas (não faltará assim tanto, pois já jogamos quase de igual para igual em termos de indicadores de conjuntura) ?

"Viram-se" os Grandes Integradores para África?

É estranho que em Países como o Japão ou os USA não se ouça falar destas artimanhas..

Ai da Empresa Norte-Americana que decidisse mandar fechar uma fábrica no seu próprio País sem motivos fortísssimos, só para ganhar vantagem dos baixos salários noutro local!

E está-se mesmo a ver a General Electric a mandar vir do México 40 000 trabalhadores, ou a Honda a "importar" 20 000 chineses, não se está? ("é que é já a seguir" como dizia o anúncio...)

Farão, sem dúvida, essas tramóias, mas Fora dos seus Países.

E não acho que um Trabalhador Japonês ou Norte-Americano ganhe menos do que um Trabalhador Português...

Onde estará então o segredo?

Penso que no Conceito do que é hoje uma actividade empresarial.

Não deve servir apenas para remunerar a curto prazo o Investimento do Accionista, mas também para criar e manter emprego que dê sustentabilidade à actividade. Nem só trabalhar para pagar ao Capitalista nem só trabalhar para pagar unicamente aos Trabalhadores.

O difícil será encontrar um meio-termo adequado...

Mas alternativa parece-me tenebrosa...

Um comentário:

Anônimo disse...

São as virtualidades do mercado livre.Quando nos interessa....lembram-se dos direitos alfandegários às Importações de aço...e às quotas dos produtos agrícolas...aos sobsídios à agricultura...à política agrícola....à distruição de colheitas...
É no aproveitar que está o ganho.
É a livre circulação de trabalhadores, de mercadorias e de Capital,se possível sem qualquer condicionalismos á mobilidade e à precaridade laboral,é a criação de Valor,é concorrência,é o aproveitamento dos diferentes níveis de vida,de qualidade de vida, de necessidades...é o confronto a nível económico(como é bela a Guerra Económica) e o seu aproveitamento de estádios de desenvolvimento existentes a nível Global.
É O Mercado e a sua mão-invisível.É preciso deixá-lo funcionar....
É a globalização.... sem regras.. redunda na lei do mais forte.
É tudo uma questão de optica...a Maria pariu um moço...a senhora deu à à luz um menino... a Maria é Puta em .... a senhora D. Maria é acompanhante dos Senhores....o Quim emborrachou-se...ao senhor Manuel caiu-lhe mal a bebida...
Esta lógica e forma de de estar, é nem mais nem menos que a lógica do processo D.Branca...vai dando de uns para os outros...quem vier atrás que feche a porta...daqui a cem anos estamos todos mortos ou pelo menos a maioria...é o homem como recurso ao serviço da Economia e não a Economia ao serviço do Homem...Que raio de Sociedade é esta que cresce Globalmente cerca de 6% ao ano e em que 80% da riqueza e dos recursos é detida e utilizada por 20% que cria cada vez mais assimetrias,que gera conflitos,aonde há quem tenha falta de água,fome... e em que nas teorias do Valor considera que no Valor criado...Bola NIKE por exemplo...só 0,5% é distribuído pelo miudo Indiano ou.... que as cozeu e que trabalha 16 horas dia...são o quê?...há quem procure explicações lógicas,de Sitemas....são a realidade nua e crua do Imediatismo...quem está bem deixa se estar...chama-lhe minha filha antes que te chamem a ti...do Poder...das diferenças de Desenvolvimento.
Quo Vadis...Domine...serão os Trade Off´s ou os freakononomic´s...quem manda pode...Que raio de Sociedade..do Desenvolvimento,Conhecimento,da Informação e da Globalização....Será? ou resta-nos a Poesia....depois dos mercados de Leste...pega-se na quitanga e vai-se para África...depois para outro paneta.....