sexta-feira, maio 06, 2016

Para Descansar a Vista, com Barca Velha de 64...

Tivemos o privilégio de receber outra vez em Portugal o Sr. Ralf Weinman, o profundo conhecedor de vinhos que é provador e gestor das adegas das mais altas personalidades, da Suiça até à China..

Desta vez o encontro foi no Beira Mar, em redor de umas "bruxas" da nossa costa e de uma cabeça de garoupa estalada no forno.  Provaram-se grandes vinhos da época moderna, sem dúvida. O "Pellada" de 2010 foi bastante elogiado, por exemplo.

Mas aquele que ficou no palato e mereceu mais elogios ao Sr. Weinman foi o Barca Velha de 1964.

Foi decantado e , por "ordem" do Ralf, bebido quase imediatamente, para não perder no ambiente os preciosos aromas.

No início apareceram os aromas terciários, como o couro, mas o vinho demonstrava desde logo que  apesar da provecta idade  certamente não estava morto. 
Apresentou nas papilas gustativas sinais de fruta, a lembrar os primeiros tempos onde todo ele devia ser exuberância,  Ginjas e morangos maduros apareciam quase por magia. Um grande senhor dos vinhos que mostrou saber envelhecer com extrema elegância.

Um portento ainda, apesar dos mais de 50 anos de vida! Um daqueles vinhos que nos faz lamentar não ter sido ainda inventada a máquina de filmar ou de fotografar sensações, tal a impressão que nos causou a todos.

Ficará na memória sensorial, bem sei, mas por quanto tempo?

Em louvor desse momento intemporal e em homenagem ao Douro,  aqui deixo um grande poema de Eugénio de Andrade, um libelo "contra a poluição e o nuclear" que afligem cada vez mais a nossa terra, de nós todos. Que tais flagelos nunca cheguem ao Douro nem  às nossas vinhas!!

(…) A poesia de Eugénio de Andrade sabe-(nos) à vitória , passo a passo, da plenitude e da esperança. Vitória conseguida de modo conscientemente precário sobre todo o negativo, mas conseguida (…)” –  As palavras são do grande mestre Óscar Lopes, um dos seus maiores estudiosos.

Para o meu Filho

Vais crescendo, meu filho, com a difícil
luz do mundo.  
Não foi um paraíso,

que não é medida humana, o que para ti
sonhei. 


Só quis que a terra fosse limpa,
nela pudesses respirar desperto
e aprender que todo homem, todo,
tem direito a sê-lo inteiramente
até ao fim. 


Terra de sol maduro,
redonda terra de cavalos e maçãs,
terra generosa, agora atormentada
no próprio coração; terra onde teu pai
e tua mãe amaram para que fosses
o pulsar da vida, tornada inferno
vivo onde nos vão encurralando
o medo, a ambição, a estupidez.


Se não for demência apenas a razão;
terra inocente, terra atraiçoada,
em que nem sequer é já possível
pousar num rio os olhos de alegria,
e partilhar o pão, ou a palavra;
terra onde o ódio é tanto e tão vil...


Besta fardada é tudo o que nos resta;
abutres e chacais que do saber fizeram
comércio tão contrário à natureza
que só crimes e crimes e crimes pariam.


Que faremos nós, filho, para que a vida
seja mais que a cegueira e cobardia?


Eugénio de Andrade


terça-feira, maio 03, 2016

O Rescaldo

E lá se passou a XXII LUBRAPEX, a Lubrapex dos 50 anos, dedicada à divulgação da filatelia de expressão portuguesa.

Este o motivo de tão grande ausência destes posts aqui no Blog.  Fui compensando com "vistas" no facebook.

À laia de rescaldo aqui ficam as impressões: 1200 faces de quadros com grandes coleções, significativa presença de público, stands de vendas com colegas do Brasil, Guiné-Bissau e Macau. Realizado o Congresso da Federação Europeia de Filatelia.

Do ponto de vista institucional correu muito bem. Impecável o acompanhamento da autarquia de Viana do Castelo, com o Sr. Presidente sempre presente nos actos oficiais.

Do ponto de vista gastronómico acho que podemos dizer que foi a "Lubrapex do bacalhau"...

Não havia jantar ou almoço de referência que não metesse o "fiel amigo"...

Por mim não fazia mal, mas admito que houve outros a quem a presença do nobre gaudídeo nos pratos já dava um certo enjoo...

No último jantar (o do Palmarés, onde foram entregue os prémios) na minha mesa os alemães já mal lhe tocaram.

Como pontos mais altos desta vertente mais plebeia que tem a ver com a comidinha, relevo a visita ao Arcoense, na vizinha cidade de Braga.  E mesmo em Viana penso que o jantar no tradicional "Laranjeira" não correu mal. Apesar ( ou por causa) do prato de bacalhau. Outra vez...

Próxima LUBRAPEX será no Rio de Janeiro, em 2019.



sexta-feira, abril 22, 2016

Para descansar a Vista



Lá foi Prince compor para outras pastagens.
Muito bem escreveu hoje no "Público" sobre ele Vitor Belanciano, a quem tiro o chapéu:

"Foi como se sintetizasse tudo o que vinha de trás (a soul de Marvin Gaye, o jazz de Miles Davis, o funk de Sly Stone, a fisicalidade de James Brown ou a pop dos Beatles) ao mesmo tempo que prenunciava quase tudo o que se seguiria na música popular".

Quando morre um artista o mundo fica mais pobre.  Aqui fica um texto belíssimo de Carlos Drummond de Andrade  sobre o amor, que nos ajuda nesta reflexão dando-nos esperança.

As sem-razões do amor

Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.


Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, abril 20, 2016

Mau serviço e boa comida?



Existem restaurantes que fazem um "teatro" do mau serviço embora tenham uma cozinha muito razoável, para não dizer boa ou muito boa.

Alguns - os que interessam - usam esta "falcatrua" como forma de atrair a clientela. São as respetivas idiosincrisias. Quem acha graça vai lá. Quem não está para aturar não pôe lá mais os pés depois da primeira vez.

Em Milão lembro-me de um chamado "Stomaco di Ferro - Mama Attila", onde o cliente chegava  era mandado sentar (mandado mesmo!) e depois não escolhia nada. Nem a comida nem a bebida.

Começam a chegar pratos e pratinhos à mesa, assim como canjirões de branco e de tinto. Quando o cliente, já aflito, pede para pararem, avisam a cozinha e lá vem o patrão para o teatro: traz uma colher de pau com um bom metro e meio, das grossas, e com maus modos pergunta o que está mal na comida.

O desgraçado do cliente bem tenta explicar que nada está mal ( o que é verdade!) mas é demais. Aí o chefe-patrão começa a vociferar e quando o cliente acha que ainda vai tudo acabar mal ,desatam todos a rir, batem-lhe muito nas costas e fazem-lhe as vontades (finalmente!).

Eu estive lá e entendi que este espectáculo é sobretudo para os clientes repetentes se divertirem. Gozam que nem uns perdidos à espera do desenlace que todos já conhecem. E na final da cena riem todos e vêm à mesa do neófito beber uns copos com ele ( e família, se ainda lá estiverem).

Aqui em Portugal muitos se lembrarão das "manias" da senhora D. Mamuda (alcunha auto-explicativa) dona do restaurante Montenegro no Porto antigo (hoje já não existe). Parte desta herança gastronómica está na Casa Nanda da Rua da Alegria, sobrinha da Mamuda.

A D. "Mamuda" tinha mau feitio e quando a chamavam pela alcunha ( era já tradicional) o prato que tivesse mais à mão ia logo na direcção do impetrante! Normalmente falhava, para que o cliente pudesse pagar a conta.

O meu Pai gostava de lá ir e a conversa era sempre a mesma:
-" Tem tripas minha senhora?"
 - "Tenho sim! Das melhores do Porto"
 - " Sabe , eu tenho alguns problemas com esse prato. Tem de ser muito bem lavado... Só em casa de confiança."
 - "Ai sim? Pois olhe, aqui nunca se lavam! Vão mesmo assim com a m**** da vaca para o tacho!"
 - "Não me diga? Venham então duas doses . Mas uma de cada vez sff"

E lá faziam as pazes...


terça-feira, abril 19, 2016

Dia Nacional da Gastronomia - A conferência de Imprensa

Foi hoje na estação da CP de Santa Apolónia. Estava toda a gente "que é gente" na área da gastronomia em Portugal. Começando pela Federação das Confrarias ( confreiras e confrades fardados e trazendo os cestos merendeiros cheios!)  com a sua presidente Olga Cavaleiro a liderar a "banda",  passando pelo Estado Maior da AHRESP e continuando pelas Direcções Regionais do Turismo e pelos outros apoiantes.

Os nossos autores Fátima Moura e Fortunato da Câmara, muito discretos, partilhavam lugares adjacentes. A grande senhora D. Maria de Lurdes Modesto sentava-se ao lado do Comendador Sr. Mário Pereira Gonçalves.

E obviamente estava presente o anfitrião deste 1º Dia Nacional da Gastronomia Portuguesa, Engº Ribau Esteves, presidente da Câmara Municipal de Aveiro.

Os CTT estão envolvidos, com Postal Inteiro e Carimbo Comemorativo "Aveiro, 29 de Maio".
E vamos ter um stand no Mercado Manuel Firmino, em Aveiro, onde será possível comprar os nossos livros e selos de gastronomia. E ainda fazer "na hora" selos e postais com a cara de quem por lá aparecer.

Não sei se sabiam, mas da última vez que os contei - quando fui fazer uma intervenção à Universidade de Coimbra - tínhamos mais de 19 milhões  de selos em circulação com este tema...

Recordo parte da dita intervenção:

"Os CTT Correios de Portugal já emitiram 73 selos e 15 blocos dedicados à Gastronomia de Portugal,  com uma tiragem conjunta de mais de 19 milhões de unidades.

Foi Portugal o primeiro país do mundo a lançar, em 1996, selos com pratos tradicionais do nosso país, debaixo da orientação de José Quitério.

E, para além disso, temos 9  livros sobre temas de gastronomia também editados, tendo sido o primeiro "Comer em Português”, de José Quitério, lançado em 1997. E os dois  últimos lançados em Abril  e Junho de  2015  -  “Conversas de Café” de Fátima Moura e “A Dieta Mediterrânea” de Fortunato da Câmara. A tiragem conjunta destes livros é superior a 55,000 exs.

Presumo que, em termos de quantidade de mensagens que circulam por todo o mundo através dos nossos selos e dos nossos livros bilingues, serão os Correios de Portugal dos mais prolíficos divulgadores dos usos e costumes gastronómicos do nosso país."

É obra! 

Viva o Dia Nacional da Gastronomia Portuguesa!
(não esquecendo o "líquido acompanhamento")

sexta-feira, abril 15, 2016

Para Descansar a Vista, por baixo do guarda-chuva...



Aproxima-se a XXII Lubrapex.

Na semana que vai entrar a Conferência de Imprensa oficial anunciadora do Evento será já na Segunda-Feira, em Viana do Castelo. E o vosso Blogger vai lá estar.

Depois disso teremos a vida normal, finalmente em Lisboa e de volta ao gabinete ( que, coitado, já sente saudades minhas). Eu, nem tanto...

Mas é bom que o gabinete não se habitue ( nem ele à minha pessoa inteira,  nem a cadeira ao meu real assento). Porque logo na semana seguinte vou acampar para Viana do Castelo. Mas disso ainda falaremos. A XXII Lubrapex será de 26 Abril a 2 de Maio.

Hoje trago-lhes um poema de chuva. Trata-se de tentar exorcizar a tempestade que não nos larga, um pouco à moda da magia "antipática"... Tanto hei-de falar de ti que te aborreces e basas...

E como estamos em ano comemorativo do grande Vergílio Ferreira aqui vai, da pena do mestre:

Cai a Chuva Abandonada

Cai a chuva abandonada
à minha melancolia,
a melancolia do nada
que é tudo o que em nós se cria.

Memória estranha de outrora
não a sei e está presente.
Em mim por si se demora
e nada em mim a consente

do que me fala à razão.
Mas a razão é limite
do que tem ocasião

de negar o que me fite
de onde é a minha mansão
que é mansão no sem-limite.
Ao longe e ao alto é que estou
e só daí é que sou.

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1' 




quarta-feira, abril 13, 2016

Há liberdade a mais?



Em Aveiro apanhei um "colega" de hotel que não se calava.

Não o conhecia de lado nenhum. Estávamos no bar, a tentar passar uma horita antes da deita e como tínhamos o "recinto" todo para nós não havia muita alternativas: ou ficava cada um no seu lado, mandando a delicadeza que déssemos uma "boa noite" solitária, ou então algum puxava do banco e sentava-se ao pé do outro.

Foi o que ele fez. Muito contra a minha vontade. Mas o respeito pela idade aparente e pelo bom aspecto  (fato completo) cortou-me o protesto.

E o dito "colega" não se calou. Começou pelo escândalo do Brasil, (percebi que era contra a Dilma e contra o "chefe" dela) , passou para Portugal e para a prisão dos da Judiciária e da Guarda Fiscal, atalhou com as buscas aos inspectores das Finanças, finalizou com as demissões do CEME e do Secretário de Estado da Juventude e Desportos, não sem antes comentar a "barbaridade" do Dr. João Soares...

Por detrás de toda a argumentação esteve sempre a sombra tutelar do "Sócrates",  essa "criatura" que mexeria todos os cordéis da teia criminosa, em Portugal e no Brasil , qual aranha mortífera! Um autêntico "cérebro do crime" de fazer inveja ao velho Moriarty.

E, para ele, havia apenas uma razão para que tudo isto acontecesse: o 25 de Abril e a "Liberdade a Mais"!!

-" É como lhe digo! Com tanta Liberdade os "Sócrates" deste mundo abusam! Pensam que tudo lhes pertence. São donos disto tudo!"

Eu ainda lhe disse que  "o dono disto tudo" era um banqueiro que se deu bem com Salazar e com "o" Sócrates. Mas a linha de raciocínio do veterano não se prendeu com tais chamadas de realidade.

- "O Salazar tinha fundos no Panamá? Tinha ou não tinha?? Já se vê que não tinha. Homem honesto! Íntegro!"

E assim me calou.

Estou numa fase da minha vida em que não costumo deixar passar as "bojardas". Tenho receio de morrer sem ter dito tudo o que devia...E  ainda mais perante boçal  demagogia, como era o caso.

Mas quando o interlocutor tem mais 15 anos do que eu, e está "aviadíssimo", o que se pode fazer?

-"Olhe, tem razão! Deixe-me ir para o quarto ver a 2ª parte do Real Madrid".

- "Faz muito bem! A Espanha é que é um exemplo! Um Rei!! É o que faz cá falta!"

Aí não me contive:

-"Pois, e uma Irmã princesa burlona e uma Tia envolvida no escândalo do Panamá!!"

O ancião olhou de lado, ignorou a tirada e pediu mais um whisky. Deve-me ter chamado "comunista" entre-dentes.

Eu vim-me embora mais satisfeito. E (não tendo SportTV no quarto) delirei com os três golitos do CR7  que fui acompanhando na SIC notícias...

Se esta noite fosse assim...

segunda-feira, abril 11, 2016

A caminho de Aveiro



Vim de Bragança neste Domingo  e já estou a caminho de Aveiro, para reunião na Autarquia sobre as festividades do Dia Mundial da Gastronomia Nacional, marcado para 29 Maio naquela cidade.

Depois darei notícias do Programa que já está alinhavado pela Drª Olga Cavaleiro e a sua Federação das Confrarias Gastronómicas de Portugal.

Os CTT fazem parte das festividades, desde a 1ª hora sempre ao lado das boas causas.

Irei dar um abraço ao Engº Ribau Esteves, que desde o lançamento do nosso livro "Epopeia do Bacalhau" - naquela altura na Câmara de Ílhavo - sempre nos manifestou enorme disponibilidade para colaborar nas nossas iniciativas.

Depois conto como foi.


sexta-feira, abril 08, 2016

Para Descansar a Vista



Já com alguma normalidade na vida - a que é possível ter nas circunstâncias - preparo a ida a Baçal neste Sábado, para as cerimónias do lançamento da emissão de selos comemorativa do Centenário do Museu do Abade de Baçal.

Francisco Manuel Alves, alma grande de transmontano, arqueólogo e historiador que ergueu esse monumento que são as memórias arqueológicas e históricas do distrito de Bragança.

Poeta transmontano estará na calha, como é lógico. Aqui fica então o enorme Miguel Torga, no seu poema "Solidão".

É um tema que me aflige, este da solidão que a idade traz consigo.  Por essa (e por outras) é que não consigo tirar a "santa" de minha casa. Enquanto pudermos lá ficará.

Solidão
Pouco a pouco, vamos ficando sós,
Esquecidos ou lembrados
Como nomes de ruas secundárias
Que a custo recordamos
Para subscritar
A urgência de um beijo epistolar
Ainda inutilmente apetecido.
Mortos sem ter morrido,
Lúcidos defuntos,
Vemos a vida pertencer aos outros.
E descobrimos, na maneira deles,
Que nada somos
Para além do seu dissimulado
Enfado
Paciente.
E que lá fora, diariamente,
Conforme arde no céu,
O sol aquece
Ou arrefece
Os versáteis e alheios sentimentos.
E que fomos riscados
No rol da humanidade
A que já não pertencemos
De maneira nenhuma.
E que tudo o que em nós era claridade
Se transformou em bruma.

Miguel Torga

quinta-feira, abril 07, 2016

Cerveja de Munique entre Amigos.



Não se confunda  Bayer ( a cidade da aspirina) com Bayern (região da Baviera, o maior estado federal da Alemanha) que é famosa pela cerveja.

O facto de existirem clubes de futebol muito conhecidos em ambas as cidades será aqui mera coincidência...

Mas hoje não falo de futebol (lá para a próxima 4ª feira veremos se falo, ou se não falo).

Falo de cerveja.

Se me derem a escolher prefiro vinho. Sem pestanejar. Mas também já bebi cervejas muito interessantes, sobretudo na Bélgica.

As cervejas de Munique mais conhecidas no mundo são chamadas " As 6 grandes":  Lowenbrau; Hofbrauhaus; Augustinerbrau; Paulaner; Hacker-Pschorr; Spaten.

Nem posso afirmar que bebi de todas. Mas na Alemanha provei com um especialista a "Augustiner Edelstoff" uma Läger de qualidade e que, apesar de me parecer um pouco doce de início, me soube bastante bem a acompanhar uma refeição típica de Munique.

Fui almoçar nessa ocasião  - 1994 - com o meu amigo Schneider , homenzarrão que encontrou em mim um parceiro ideal para as comilanças, desgostoso com os outros "clientes" de operadores postais que ele também representava, sempre a fugirem das calorias como o diabo foge da cruz.

Recordo que me "enfiou" nessa tarde pela garganta um tratado de comida bávara e de cerveja da mesma região que parecia nunca mais ter fim:  salsicha branca (weisswurst); o joelho de porco assado (schweinshaxe); a couve em "choucroute" (sauerkrat) e para provar no fim do pantagruélico festim, os escalopes panados (schnietzel).

"Unbelievable!" que era o que ele costumava dizer quando pasmava com alguma coisa...

Cada vez que eu ia à Alemanha encontrar-me com ele, era certo e sabido que vinha com mais uns 4 quilinhos... A  Natália, coitadinha,  não gostava nada.

Mas foi com o Jürgen que aprendi que uma cerveja também pode ter aptidão gastronómica.  Por muito que me custasse acreditar.

Bebi com ele umas cervejas artesanais de muita qualidade, de micro-destilarias lá para o "Hinterland"  e que ele tinha o cuidado de comprar quando sabia que eu iria aparecer. Não me perguntem pelo nome...

Este nosso amigo era um alemão francófono, que se deslocava a Lyon "para comer" de vez em quando. Fanático do restaurante dos irmãos Trois Gros , em Rouanne, tornou-se amigo de um dos donos e trazia-lhe das tais melhores cervejas artesanais bávaras para levar em troca as "poires" e "cognacs" que ele muito apreciava.

Quando vinha a Portugal eu vingava-me com o nosso peixe magnífico e com os nossos vinhos verdes. Adorava o Palácio da Brejoeira e era um dos melhores apóstolos na Alemanha dessa marca.

E do fado! Nem sei bem porquê amou a nossa canção nacional e tornou-se adepto. Até criou uma tertúlia na sua terra natal para ouvirem fado!  Por muito tempo fui-lhe mandando os discos dos novos intérpretes.

Um grande e bom amigo que a vida não tratou muito bem, profissionalmente falando. E é pena!

quarta-feira, abril 06, 2016

Bacalhau em Lisboa



Com a Primavera aproxima-se o festival "Peixe em Lisboa", que terá lugar entre 7 e 17 Abril.

Nota: PEIXE EM LISBOA é uma organização da Associação Turismo de Lisboa, com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa e produção da EV – Essência do Vinho.

Fui duas vezes a este Festival. É engraçado. Para quem não gosta de apertos nem de multidões o "é engraçado",  ou "é curioso",  ou até "é interessante",  traduzem aceitação , mas sem grandes emotividades.

Trata-se daquelas coisas das quais gostamos mas não amamos, nem de perto nem de longe...

Este festival teria algum interesse acrescido se se debruçasse também sobre o bacalhau seco.  Com a moda do "skrei" por tudo quanto é sítio é sempre melhor agora escrever "bacalhau seco" para não existirem dúvidas. 

Estou a escrever isto e se calhar algum stand terá este ano pastéis de bacalhau e pataniscas...

Quando lá fui não tinham.

Mas de uma forma geral acho que compreendem aquilo que quero dizer.

O panorama do serviço de restauração do bacalhau seco em Lisboa está cada vez pior. A maior parte dos restaurantes escolhe o produto congelado, por motivos que conseguimos compreender: menos trabalho, menos exigências sanitárias da ASAE, etc...

Já agora, para quem pretende fazer o mesmo em casa,  o menos mau ( até  acho que se pode considerar "bom") destes bacalhaus congelados e já demolhados é o da firma, passe a publicidade, Rui Costa e Sousa. Marca "Senhor Bacalhau".

Podem ler aqui sff:

http://www.srbacalhau.com/quem-somos/?title=quem-somos&idioma=pt

Mas obviamente não há nada que se compare ao Bacalhau de cura amarela, bem seco e depois demolhado em nossa casa.

Escreveram-se livros sobre a melhor forma de demolhar o fiel amigo. Parece que o segredo estará na temperatura sempre baixa da água e da necessidade da mesma ser corrente ou, pelo menos, frequentemente renovada. Isto porque o fenómeno da "demolha" liberta calor  e cheiro menos agradável.

Desde que se inventou a "máquina de demolha" -  uma espécie de serpentina de máquina de tirar cerveja , que se acopla a uma arca com um abastecimento contínuo de água filtrada - qualquer um de nós ( haja dinheiro e espaço na cozinha) tem este problema resolvido da maneira mais eficaz.

O que , se me permitem a tirada, deveria dar que pensar a muitos restaurantes com as tais preocupações de tempo, espaço e mão de obra , para fazer as coisas como deveriam ser feitas ao nível do bacalhau..

Podem ver aqui bastas ligações para estas maquinetas que podem custar em redor de 1200 euros cada uma ( mais ou menos):

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=576203

http://www.somengil.com/pt/sw_cm.html

http://www.friline.pt/imagens/produtos/demolha/001.jpg 


Dadas estas circunstâncias,  em Lisboa posso recomendar ainda o velhinho "João do Grão",  bastião que se mantêm fiel ao bacalhau demolhado em casa, quase desde os tempos de Martim Moniz! 

Claro que se estivermos a falar do outro país a Norte, outro galo cantaria...E não só em Barcelos! 
mas disso falarei noutra crónica!

terça-feira, abril 05, 2016

O nosso "Idalécio" do Panamá



Começo com uma enorme chapelada ao Prof. Manuel Sobrinho Simões, pela grande lição que deu ontem na Fundação Gulbenkian, a propósito dos 75 anos da Liga Portuguesa contra o Cancro.

Uma grande conferência que explicou a todos o que é o cancro e como a percepção da doença se modificou nos últimos anos. Com a maior longevidade é quase certo que metade da população irá sofrer de um tipo de cancro. Mas as boas notícias são que cada vez mais se pode ter uma vida completa e produtiva apesar da doença.

No outro extremo do espectro da escala temos o Panamaleaks.

Já desconfiado e preocupado com a falta de Tugas na lista a que apenas o Expresso e a TVI têm acesso em Portugal, fiquei mais descansado quando se tornou público e notório que, afinal, tínhamos um na lista.

O Idalécio do pitrol!

Ainda bem!  Não somos menos que os outros!!

Ouviste Messi? Toma lá para aprenderes!

quinta-feira, março 31, 2016

A ver Voar

Cá vou a caminho de Vila Nova da Rainha, muitíssimo bem acompanhado pelo Tenente-General Mimoso e Carvalho, o grande conhecedor de tudo quanto é detalhe da história da aviação militar no nosso país ( e não só!).

Em Vila Nova da Rainha aconteceu o nosso 1º voo militar, por esse motivo os historiadores chamam-lhe  "o berço da aviação militar":

A Lei 162 de 14 de maio de 1914,  criou a Escola de Aeronáutica em Vila Nova da Rainha, “Berço da Aviação Militar Portuguesa” .

Desse "berço" darei notícias. Que serão boas!

terça-feira, março 29, 2016

Assar Sargos no forno



O grande peixe do nosso mar para o forno é o Pargo (Pagrus,pagrus). Ficam ali sempre bem ainda o Imperador e o Goraz. Todos têm gordura suficiente nos meses bons ( e até nos outros) para aguentar a "pancada" da temperatura do forno sem ficarem ressequidos.

 E se se tratar do Sargo?  Os peixes da família Diplodus sargus, são magníficos para grelhar sem dúvida, com uma alimentação baseada em bivalves  (a quem partem a casca com os incisivos) e moluscos, o que lhe dá carne branca e firme e um sabor excelente. Mas no forno?

 Já veremos como e quando...

Tal como é normal para as famílias de peixes mais conhecidas em Portugal, também existem vários tipos de "sargo": O sargo comum, o sargo veado, o sargo prateado de lábios grossos,  a safia e o sargo preto são os mais conhecidos.

De entre estes o que é melhor para o meu gosto é o sargo preto das rochas, que se apanha em Sagres e no Cabo da Roca perto de Cascais.

Quando tivermos sorte de apanhar um peixe destes na época em que está bem gordo, e se for um exemplar a atingir os dois kg ( ou até ultrapassando, o que será raro) temos os ingredientes para um invulgar prato de forno.

 De Setembro até Fevereiro são os melhores meses para  comer estes peixes. O peixe prepara-se para o acasalamento para depois desovar em meados de Fevereiro,  está geralmente gordo e aparecem exemplares de maior dimensão. As douradas e os sargos alimentam-se nesta época principalmente de marisco (mexilhão, percebes,...) o que os faz deliciosos.

Vamos agora à receita e ao truque para que o Sargo no forno não fique com aquele mau aspecto de encarquilhado e seco.

O lume quer-se brando e as batatas do acompanhamento devem ir para o tabuleiro já "entaladas" , para que asse tudo ao mesmo tempo. Ou então partir as batatas cruas às rodelas finas...

Quando o animal for mais magro podemos abusar um pouco mais dos temperos. E assá-lo "à moda de Sines" é aceitável: fazemos um pisado com um pouco de azeite, alho e coentros , juntamente com sal grosso. Esfrega-se com esse pisado e vai depois a assar no tal forno brando a médio, com mais um fiozinho de azeite,  com tomate e cebola às rodelas no fundo, sendo as batatas previamente entaladas na panela antes de se lhe juntarem.

Mas quando apanhamos por boa fortuna o tal sargo gordo preparado para a desova?

O mínimo de tempero: sal e uma pitadinha de orégãos. Azeite do melhor e chalotas às tirinhas , em vez da cebola, para não abafar o gosto a mar. Podem pôr tomates inteiros pequeninos em redor, fazendo companhia às batatas novas já acalentadas.

 O forno deve estar previamente aquecido a 170º ou 180º.  Dessa forma o tempo de forno serão uns 45 minutos a 50 minutos. Mas deitem para lá os olhos a partir da meia hora!

Acompanhem com um branco de categoria. Porque o sargo gordo o merece.

E aqui dou algumas referências, só de grandes vinhos brancos:  Alvarinho Dona Paterna 2009, Vallado Moscatel Galego de 2010, Primus 2013,  Cortes de Cima 2013.

segunda-feira, março 28, 2016

O mundo vai acabar



De propósito não juntei nenhum "ponto" à afirmação do título. Se fosse de exclamação diriam que sou alarmista (ou pessimista).

Se fosse de interrogação passaria por pusilâmine, indeciso ou sofrendo de anancástica (transtorno de personalidade compulsiva-obsessiva caracterizada, entre outras coisas, por um sentimento de dúvida perene).

A verdade é mais comezinha. Vou explicar: nestas alturas da Páscoa todos pegamos no telefone e damos saudações aos amigos e parentes. A mim cabem-me várias "parentas" que já estão a entrar na casa dos 90's...

Uma dessas tias da província , acicatada pelas desgraças da quadra ( Bruxelas e mais o desastre de Bordéus com os emigrantes), teve a seguinte frase:
 - "Olha filho, está a morrer mais gente do que aquela que nasce. O mundo assim vai acabar."

Remoendo a observação fui ver os dados oficiais da ONU e fiquei mais descansado. Segundo as estatísticas oficiais nascem 180 pessoas por minuto e morrem 102 no mesmo período. Estamos a crescer!

Menos satisfeito fiquei quando reparei que dessas 180 pessoas que nascem por minuto em todo o mundo tantas quantas 33  veêm a luz do dia na Índia, que a este ritmo deve ultrapassar a população da China em 2031.  E ainda que nascem mais homens que mulheres (105 para 100).

Ou seja, o mundo não estará para acabar já, mas cresce mais nuns lados do que noutros, e à custa de mais pilinhas do que da "outra coisa".

Aqui na velha Europa o panorama é mais sombrio:

"A Europa possui atualmente um ritmo de crescimento populacional inferior a qualquer outro no mundo. Certos países alcançaram o crescimento zero (número de nascimentos igual ao número de mortes) e alguns outros acusam até mesmo uma regressão populacional, isto é, a população tem diminuído ao invés de aumentar. Embora não deva ser tomado como regra, de maneira geral são os países mais desenvolvidos os que apresentam crescimento vegetativo negativo. Dessa forma, o déficit populacional tende a acentuar-se em toda a Europa. 

Os principais efeitos do decréscimo populacional são o aumento do número de velhos na população total e a diminuição progressiva da população ativa (carência de mão-de-obra)."


E aqui no rectângulo? Aumentamos  - crescimento natural - cerca de 1% ao ano. E por enquanto nascem mais mulheres do que homens (obrigado!). 

Mas se tivermos em conta a população existente  e não apenas o tal crescimento natural,  o "saldo" entre os que nascem vivos e os que morrem,  Portugal foi um dos 5 países do mundo que mais perdeu população em termos relativos (Porto Rico, Letónia, Lituânia e Grécia acompanham-nos). Porquê? 

Porque os nascimentos são mais baixos do que a mortalidade somada ao saldo migratório, as emigrações estão em alta, as imigrações estão a baixar cada vez mais. O país deixou de ser atractivo para trabalhar e para os trabalhadores.  E sem esperança numa vida melhor há cada vez menos bebés.

E isso sim, dá para pensar e remoer nas noites de insónia... Como subsistirá a Segurança Social?

quinta-feira, março 24, 2016

O "antecipa"

Já viram decerto aquele anúncio sobre a velocidade de acesso à net de um conhecido fabricante, onde a namorada de um cidadão se queixa dele ser "super-rápido"? O tal cidadão que apaga as velas antes de terem cantado os parabéns?

Está bem apanhado e leva-nos a pensar se o dito cujo não será também assim tão rápido a fazer o outro  "serviço" que faz parte das relações conjugais... Talvez não, porque a companheira parece, mesmo assim, bem disposta.

Se calhar  todos conhecemos alguém que, pelo menos em parte e com menos exageros, antecipa as situações do dia-a-dia, nem tendo senso comum para apreciar devidamente "o momento", cada momento.

Devo confessar que sou um bocado assim, embora tente lutar contra essa mania. A ansiedade leva-me muitas vezes a antecipar a hora importante do evento em que devo "oficiar". A adrenalina instala-se sempre antes e, tal como se dizia dos cobardes perante o combate, "morro" mil vezes antes do assunto estar em ordem de marcha evidente.

A coisa boa que salta daqui é que acabo por esgotar essa ansiedade antes da prova e depois, quando chegam os "finalmentes" , estou mais calmo do que a tartaruga Jonathan, nascida em 1832 e ainda viva (pelo menos respira). E este bicho (considerado o animal mais velho do mundo) já se deve ralar com pouca coisa.

Uma das coisas que me ajuda a ter mais calma no meu dia-a-dia é o prazer de uma boa refeição.

Apreciar um vinho de qualidade que é bem acompanhado por pratos a preceito é um convite à boa preguiça. Não se apressem nestas ocasiões, porque ofende o mestre Cuca  (e sei do que estou a falar) e pode estragar a vossa capacidade para mais tarde recordar...

quarta-feira, março 23, 2016

O mundo em que vivemos





Trago aqui Jacques Brel para lembrar a grande Bélgica da cultura e da convivência pacífica entre todos os povos.
Um poema de amor à sua terra que, hoje, também é a nossa.
Terreno de grandes batalhas durante as Grandes Guerras, planícies que desde a antiguidade eram cobiçadas por muitos, a Bélgica dos nossos dias corporizava a ideia de Europa.

Faremos tudo para que assim continue. Não importa o quê, nem como.

Le plat pays

Avec la mer du Nord pour dernier terrain vague
Et des vagues de dunes pour arrêter les vagues
Et de vagues rochers que les marées dépassent
Et qui ont à jamais le cœur à marée basse
Avec infiniment de brumes à venir
Avec le vent de l’est écoutez-le tenir
Le plat pays qui est le mien

Avec des cathédrales pour uniques montagnes
Et de noirs clochers comme mâts de cocagne
Où des diables en pierre décrochent les nuages
Avec le fil des jours pour unique voyage
Et des chemins de pluie pour unique bonsoir
Avec le vent d’ouest écoutez-le vouloir
Le plat pays qui est le mien

Avec un ciel si bas qu’un canal s’est perdu
Avec un ciel si bas qu’il fait l’humilité
Avec un ciel si gris qu’un canal s’est pendu
Avec un ciel si gris qu’il faut lui pardonner
Avec le vent du nord qui vient s’écarteler
Avec le vent du nord écoutez-le craquer
Le plat pays qui est le mien

Avec de l’Italie qui descendrait l’Escaut
Avec Frida la Blonde quand elle devient Margot
Quand les fils de novembre nous reviennent en mai
Quand la plaine est fumante et tremble sous juillet
Quand le vent est au rire quand le vent est au blé
Quand le vent est au sud écoutez-le chanter
Le plat pays qui est le mien

Jacques Brel


terça-feira, março 22, 2016

A importância da Água

Já prevejo amigos a rirem e a pensarem que a maior importância da água é não ser necessária para fazer o vinho.

Mas o que está em causa hoje - Dia Mundial da Água - é mesmo a água necessária à vida. Vamos ler o que pensa a ONU deste recurso fundamental:

Temos que garantir soluções  de abastecimento  sustentáveis e atingir os objetivos de desenvolvimento adoptados pelas Nações Unidas:  assegurar a disponibilidade de água e o saneamento para todos, alcançar a segurança alimentar,  promover o crescimento económico sustentado, assegurar uma produção de energia a custos acessíveis,  construir infraestruturas seguras, tornar as cidades seguras e resilientes,  promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, das florestas e dos recursos marinhos e  combater a mudança do clima e os seus impactos. 

Convém dizer que, de uma forma geral,  a qualidade da água das nossas torneiras é muito boa. 

Cumprimos actualmente 98% das normas qualitativas internacionais de referência em todo o território nacional, ficando apenas a 1% do nível considerado de "excelência" das melhores rede de abastecimento do mundo. Em termos gerais do país todo! Porque nas maiores cidades já temos o ambicionado número mágico de 99% de critérios de qualidade excelente há algum tempo. Melhor do que em Paris, por ex...

E já agora refiro que em 1993 este indicador de nível civilizacional estava em Portugal apenas nos 50% em média nacional!!

Que grande trabalho fizeram entretanto as entidades envolvidas, com relevo para o Engº Jaime  Melo Baptista, Presidente da Entidade Reguladora (ERSAR). 

Este investigador português  foi distinguido em 2012 com o "Award for Outstanding Contribution to Water Management and Science pela Associação Internacional da Água". Merecidíssimo!


Louvar e respeitar  a água é também admitir que o seu consumo terá cada vez mais de ser comedido, já que a escassez deste bem está bem documentada em todos os jornais científicos de referência.

A própria ONU admite que daqui a 20 anos faltará agua para 60% da população mundial:

Dentro de 20 anos, uma proporção de dois terços da população do mundo deve enfrentar escassez de água, de acordo com a FAO, agência das Nações Unidas para agricultura e alimentação, sediada em Roma.

Segundo a FAO, o consumo de água dobrou em relação ao crescimento populacional no último século. 

Isto é que devia meter medo a todos nós...

Nota: E, já agora, sem água não havia vinho... sabiam que a água representa entre 70% a 90% da composição química dos vinhos, dependendo se são licorosos ou de mesa?

segunda-feira, março 21, 2016

Trovoada



Há dois dias que a App "Weather" do meu IPhone promete trovoada para o Estoril mas nada tem acontecido. Chuvinha tem havido, apesar do calendário apontar para o início da Primavera.
Mas raios e coriscos, daqueles que fazem estrondo e pintam o céu de branco e amarelo? Nem um.

Gosto de trovoadas desde pequeno e não consigo explicar porquê.  E não me venham com os estudos modernos com base nos "likes" do facebook, segundo os quais quem afirma "gostar" de trovoadas tem inteligência acima da média:

According to researchers David Stillwell and Michal Kosinski, the best predictors of high intelligence include liking "Thunderstorms,"
Read more at http://www.christianpost.com/news/study-facebook-like-of-thunderstorms-the-colbert-report-curly-fries-linked-to-high-intelligence-91914/#Luk64ZcgPb8zLOA6.99


Ainda o Mark Zuckerberg era  menos que um projecto do pai e da mãe e já eu gostava de trovões e de relâmpagos. E desde que aprendi a medir o tempo entre o estrondo e a luz no céu para calcular a distância a que a trovoada se encontrava,  muito melhor!

Recordo-me como se fosse hoje de uma daquelas "bernardas" passada em Alvoco da Serra, teria eu uns 11 anos, quando duas trovoadas se encontraram no meio das serranias e iluminaram a noite por mais de meia hora.  Assombroso!

Enquanto que as velhinhas rezavam a Santa Bárbara,  eu e  meu pai viemos para a rua fazer as tais medições de relógio na mão e olhar para o espectáculo. Passámos por doidos varridos, sem dúvida, mas foi aquela uma noite para nunca mais esquecer.

Admito que quem sofre na pele (agricultores, pescadores) as consequências destas coisas não alinhe pelo mesmo diapasão. Mas até cair em cima de mim o 1º relâmpago (que provavelmente seria também o último) nunca me cansarei de admirar estes fenómenos.

Há uma história curiosa sobre o vinho e as trovoadas que conto aqui: 

O nosso vizinho na Beira Alta, o Tio Santidade,  abusava do tintito (era vinho do seu, mas tinha grau como os outros) e a  mulher dele   muitas vezes tirava-lhe o  jarro da vista para que ele não se lembrasse de beber. 
Uma vez levou o tal jarro para o terraço e nunca mais se lembrou  até que desata a cair uma carga de água com raios e trovões.  Vai a senhora a correr  para o retirar da chuva , mas o mal já estava feito. Tinha entrado água lá para dentro.
O Tio Santidade, já um bocado "entornado" da cena de copos daquela manhã , tira-lhe o jarro da mão, vaza para um copo, prova e logo disse:
-"Os antigos é que tinham razão. O barulho dos trovões dá cabo de qualquer vinho! Fica todo remexido! Olhem bem para este que não se parece nada com o que bebi de manhã!"

sexta-feira, março 18, 2016

Banco CTT e Rainha Nefertiti



Cá estou de novo depois de ausência forçada.

Acham estranho o título do Post? Reparem que poderia ser ainda mais estranho: Ex-Presidente do Brasil nomeado ministro para escapar à Justiça. Cargo dura 40 minutos...

O mundo está (no mínimo) esquisito.

Nestas férias obrigatórias, por motivos de saúde da minha "santa",  perdi a abertura do nosso Banco CTT ao público em geral. Será hoje, em 52 Lojas dos Correios pelo país todo. A maior abertura de qualquer banco em Portugal.

É obra!! Que tenha muita sorte! Extensível aos depositantes (grupo onde me encontro, com um pequeno, pequenino mesmo, depósito).

Uma antiga esperança de toda a comunidade postal do país, prometida desde o início dos anos 80 do século XX e sempre contrariada devido à força da CGD nas decisões do Banco de Portugal...

E ainda dizem que em Portugal não existem Lobbys? Excepto aquele em que estamos todos a pensar?
Existiam, existem e existirão. Outros Lobbys.

Mas alguma coisa de bom caiu do chapéu do neo-liberalismo. À mistura com muita trampa , claro está. E o que de bom se aproveitou foi mesmo esta decisão de deixarem criar o Banco CTT.

O que terá a ver a Rainha Nefertiti com tudo isto?
É que parece que se terá descoberto esta semana  o túmulo da consorte de Akhenaten - o faraó apóstata, criador do belo episódio monoteísta de Tell-el-Amarna.

Onde? Por baixo e por trás do túmulo do enteado Tutankamón.

Todavia, a sombra negra das antiguidades egípcias, o nefando (ou virtuoso, conforme a tribo que o classifica) Zahi Hawass, já aqui neste Blog tipificado, pode nunca deixar provar essa teoria...

Mr Hawass promised that Mr Reeves would not be allowed to test his idea. "I will not allow - neither would any archaeologist allow - making a hole in Tutankhamun's tomb,” he said. “The tomb is very vulnerable; any hole may expose the paintings to complete collapse."

Nefertiti, conhecida pelo maravilhoso busto atribuído a Thutmoses do Museu de Berlim, é considerada uma das mulheres mais belas da antiguidade, ao nível dos mitos de Helena de Tróia e de Cleopatra.

O Banco CTT e Nefertiti alinham bem neste Post, porque se considera que o período de Tell-el-Amarna (1350-1330 AC) terá sido um dos mais ricos da história do Egipto ... Banco e riqueza vão bem de mãos dadas. E se juntarmos à equação a beleza intemporal de Nefertiti será ouro sobre azul.

Neste caso, ouro sobre vermelho. O vermelho do Correio.

segunda-feira, março 14, 2016

Intermezzo (mas não musical). É pena.



Há ainda quem se lembre dos tempos heróicos da Televisão em Portugal, quando quase todas as noites havia largos minutos em que o público era mimoseado com um "paralítico" onde se lia Interlúdio?

Vicissitudes da TV em directo. Enquanto se preparavam os programas a audiência via...nada. Só mesmo o cartaz e a música de fundo que preenchia os intervalos entre dois programas.

Pois a minha vida aqui no Blog está parecida.  Entre hospitais por obrigação filial e deveres também obrigatórios da minha profissão tenho ocupado os dias que passaram e também ocuparei esta semana que entra.

Estarei em Viseu, para a grande cerimónia comemorativa do Centenário do Museu Grão Vasco, que será ao início da noite de Quarta feira, seguida pela performance do Coro Gulbenkian na Sé  Catedral.

Logo depois vou para Óbidos, para reunião com a Autarquia sobre o programa cultural da Vila das Senhoras Rainhas neste ano de 2016 e no de 2017.

Quarta, Quinta e Sexta andarei nestas andanças. Terça é dia de hospital.  Veremos se temos boas notícias, ou pelo menos menos más...

Os posts vão ressentir-se, mas tentarei publicar "interlúdios" de onde estiver e desde que os assuntos o mereçam.

quinta-feira, março 10, 2016

Governo Sombra na Presidência!



O conhecido comentador político ( mas também poeta!) Pedro Mexia foi escolhido para ser o Assessor Cultural do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa.

Estamos desejosos por ver como os restantes membros do "Governo-Sombra" da TSF vão reagir ao assunto. Com relevo para o iconoclasta Ricardo Araújo Pereira, secundado por João Miguel Tavares e pelo moderador Carlos Vaz Marques.

O mote do programa "Eles podem, querem, mas não mandam" poderá ter de ser alterado... Há pelo menos um que de facto, manda.

Pode mandar pouco, mas manda...

quarta-feira, março 09, 2016

A gravata do Presidente



Marcelo Rebelo de Sousa estará a tomar posse dentro de minutos.

Adivinhamos a cor da gravata dele?

Um adepto do Sporting Clube de Braga poderá vir de vermelho. Um apóstolo da co-habitação e do diálogo entre todas as partes  deverá vir de azul. Azul mais claro indicará maior exuberância, azul mais escuro mais seriedade.

Um homem discreto que  queira dar a entender que não está ali para brincadeiras virá de gravata mais escura, cinzenta, por exemplo, ou bordeaux escuro, em homenagem à República

Na Televisão as cores sólidas passam melhor e os padrões menos bem. Será por isso mesmo quase obrigatório que a gravata seja lisa, ou quanto muito de padrão muito pequeno.

Numa das suas últimas entrevistas o novo Presidente assumiu ser tímido e  que em tempos teve dificuldade em lidar com a comunicação social, diz mesmo que "não pode haver o risco do Presidente aparecer numa posição de intervenção tal pública que prejudique o seu lado de magistério discreto". 

Mas logo acrescentou: "a pessoa não deixa de ser quem é: optimista, alegre, jovial, bem-disposta". E o que gostava mesmo que acontecesse era "o Braga ganhar a Taça de Portugal ao Porto e ser eu a entregá-la."

Com tanta opinião quase contraditória eu mesmo assim acho que vou pelo azul.

Será gravata azul. Veremos se errei. Já falta pouco para saber...

segunda-feira, março 07, 2016

Os CTT em Portugal , a propósito dos 500 anos



Na Sexta feira passada estive a tratar dos 500 anos das celebrações da fundação do cargo de Correio-Mor em Portugal.
Será em 2020 que se celebra esta efeméride e estamos a preparar um conjunto de iniciativas, comerciais e institucionais,  que  já a partir de 2016 e durante 5 anos recordem aos portugueses os 5 séculos em  que esta actividade de correios caminha formalmente a seu lado.

Deixo aqui um pequeno resumo do que foram esses 500 anos de vida oficial.

Foi a 6 de Novembro de 1520 que o Rei D. Manuel I – de cognome “O Venturoso” - criou em Évora o ofício de Correio-Mor do reino. O 1º Correio-Mor foi Luis Homem, cavaleiro da Casa Real.   Depois dessa data foram marcos fundamentais:
- Desde 1520 e até 1606, a época dos Correio-Mor de nomeação real.
- Em 1606 deu-se a compra do cargo (pela avultada soma de 70,000 cruzados) pela Família Gomes da Mata, aproveitando a necessidade de dinheiro sentida por Filipe II naquele tempo. Foi a primeira “privatização do serviço postal”.
- Em 1797 D. Maria I procede à reincorporação dos serviços outra vez na Coroa.
- Em 1852, durante o reinado de D. Maria II, deu-se a Reforma Postal Portuguesa, segundo o “modelo inglês” de Sir Rowland Hill.
- A 1 de Julho de 1853 começa a circular o 1º selo português.

Desde essa altura e até 2013, a entidade empresarial que se dedica ao correio  em Portugal sempre se manteve debaixo do controlo efetivo do governo do país.

A Empresa Pública Correios e Telecomunicações de Portugal inicia a sua atividade em 1 de Janeiro de 1970. Nesta altura engloba as áreas de correios, telefónica e telegráfica, exercida pelas empresas Telecomunicações de Portugal (depois PT), Telefones de Lisboa e Porto e Marconi. É a 3ª empresa do País em volume de vendas e a maior empregadora nacional, com mais de 45 000 empregados.

Os CTT autonomizam-se enquanto Operadores Postais designados, separando-se da atividade de Telecomunicações e assumem, em 1992, a forma de Sociedade Anónima de capitais exclusivamente públicos. E foi essa, até Dezembro de 2013, a sua formatação.


A 10 de Outubro de 2013 foi aprovado o modelo de privatização dos CTT, constando duma oferta em bolsa que se concretizou pela venda da maioria do capital e cotação na Euronext Lisbon em inícios de Dezembro de 2013. A conclusão da privatização deu-se em 5 de Setembro de 2014, com a alienação dos últimos 31,5% que a Parpública ainda detinha no capital da empresa. Os CTT passaram a ser uma empresa 100% privada a partir desse dia, e o encaixe total para o Estado foi de 909,2 milhões de euros, o que traduziu um sucesso absoluto da operação. Foi historicamente a 2ª vez que se privatizou o Serviço Postal em Portugal.

Nota: Na imagem o famoso " Português" de D. Manuel I.  Foi a moeda portuguesa de maior circulação mundial, reflectindo o poderio do País no apogeu da sua glória. 

Cunhada em ouro quase puro, foi uma das moedas que Vasco da Gama levou nas naus para a Índia. 

A moeda foi batida em Lisboa, Porto, Goa, Malaca e Coxim e foi cunhada por mais de quatro décadas.