Quarta-feira, Fevereiro 10, 2010

A Intenção das Pessoas

"-Tinha V. Excelência , Sr Carlos da Maia, intenção de ofender quando disse (ao Sr. Dâmaso Salcede) que lhe daria umas bengaladas?
 - Intenção de ofender , nenhuma! De lhe dar umas bengaladas, toda!"

E com este diálogo dos imortais "Os Maias", provavelmente mal transcrito porque estou a citá-lo de cor,  começamos uma pequena reflexão sobre "Intenções, Resoluções, Acções e ...Arrependimentos".

O que cada um diz dos outros, entre amigos , à mesa do bar , ao telefone , ou no restaurante,  ou em casa,  é do foro pessoal. Já aqui falámos disso.

O que cada qual pensaria ou teria ganas de fazer se "pudesse", se "tivesse dinheiro para..." , se "tivesse poder para isso", se "fosse ele que mandasse" e etc, etc,,, pode ser mau, muito mau e até infame de mau... mas, enquanto for apenas isso - INTENÇÕES - não virá mal nenhum ao mundo constituído pelos "outros" , os tais "terceiros" que sofreriam com a implementação das Acções que foram Intentadas mas nunca Concretizadas. Quanto muito, e se for o "intencionário" católico, tal poderá constituir um pecado por "maus pensamentos". Mas em relação a isso os nossos Tribunais não têm ainda jurisdição.




O que se passa neste caso das Escutas que envolvem PM, o Sr VARA (Varapau?) , os Penedos, a Manuela Moura Guedes, O seu Marido , a TVI e a PRISA  parece-me ser diferente: Segundo diz quem leu as tais transcrições ( pelo menos alguns dos que as leram) por lá aparecerá alguma evidência que tende a envolver a "sociedade PM, Vara e etc"   no  controlo da TVI em função da aquisição de capital da Prisa.

O que terá de ser esclarecido o mais depressa possível, para sossego de todos , é se essas evidências têm a ver com Intenções ou com Acções. Isto é, se foi transposta a barreira entre o "wishful thinking" e a concretização de um plano de controlo dos MCS em Portugal. E, obviamente, se esse Plano teve o acordo explícito do Sr PM.

Porque sempre existiram Governos(foram TODOS!) que desejaram controlar MCS, mesmo em Democracia. Porque sempre houve pressões económicas dos Governos sobre os MCS, por exemplo ao nível da colocação da Publicidade das empresas que controlavam.
Porque sempre existiram PM's, e até Presidentes da República, que deram um acordo tácito a manobras de intimidação e de pressão sobre os MCS.

E, porque não dizê-lo? Porque sempre existiram MCS que se serviram das suas audiências para "empurrar" agendas estranhas ao Código Deontológico da sua profissão. "Aquilo que é notícia" cada vez mais se confunde com "Aquilo que vende Jornais ou aumenta Audiências". E o "Interesse Público" não parece ser, algumas vezes, mais do que o "Interesse do Público,  no Escândalo, na Desgraça, na Maledicência".

E, infelizmente, a TVI era um dos piores exemplos disto tudo durante o consulado da Dª Manuela &Esposo.

Agora, uma coisa é desejar que, a  determinado indivíduo que nos despediu (por ex) ,  lhe desse uma "travadinha" que o deixasse cego, surdo e mudo...Outra será contratar um energúmeno para lhe dar um "enxerto de porrada" tão grande que assegurasse que isso acontecia mesmo, na realidade...

Isto porque, durante qualquer Jantar no tempo dos Maias, no Hotel Central, seria possível fazer e desfazer Governos, enterrar e ressuscitar Reis e Ministros, MAS tudo isso não significaria que os "Dândis e Sportsmen"  que tal alvitravam,  entre o Bucellas e o Collares,  financiassem a Carbonária que motivou o Buiça e o Alfredo Costa...

Quanto muito poderia dar algumas indicações sobre o carácter de cada um deles... Mas quanto a isso estamos conversados. Há muito tempo ( penso eu) que o País não terá muitas dúvidas sobre o carácter de quem nos governa actualmente...

Terça-feira, Fevereiro 09, 2010

Ir a banhos à (ao) Beira Mar

O retorno a um clássico dos clássicos da Linha. Um dos locais escolhidos por Sua Majestade D. Juan Carlos (ali conhecido simplesmente por "Juanito") para jantar quando regressa à Cascais da sua infância.

Costuma beber Quinta do Vale Meão (grande Tinto do Douro) e comer o que lhe dão. As mais das vezes os afamados Filetes de Pescada do Cantábrico com arroz de marisco, que são o florão desta casa.

Restaurante Beira-Mar
Rua das Flores, 6
(à Lota)
2750- 348 CASCAIS
Telefone: 21 482 73 80

Serão "Prazeres de Rei"  alguns dos pratos emblemáticos deste Restaurante:

Entradas: Gambas "à al Ajillo";  Espargos verdes com ovos e presunto; Amêijoas à Bulhão Pato, Lagosta Nacional, Lavagante Nacional, Bruxas (quando as há) , Lagostins (idem) , Gambas da nossa costa , Camarão fresco da Aguda (idem...)
 Sopas: Creme de marisco; Sopa de peixe; Creme de tomate.
 Peixe: Filetes de pescada com arroz de berbigão; Pregado frito com molho tártaro; Lampreia; Medalhões de cherne à delícia; Lulas fritas com arroz de berbigão; Robalo grelhado ou ao sal; Zarzuela de marisco; Filetes de cherne ao caril; Linguado Meunier.
 Carne: Caça; Costeleta de vitela grelhadas; Chateaubriand; Fillet Mignon; Pato com molho especial; Steak au poivre; Lombinhos de porco com puré de maçã.
 Doces: Mousse gelada de chocolate com avelãs; Cheese cake; Toucinho do céu; Mousse de manga ou maracujá; Queijo de ovo.

O Peixe aqui frito é o melhor do mundo! Pela nobreza (onde se apanha hoje o Linguado Rosa e quem sabe o que é isso?) e pela forma de o fritar  "à pobre" , isto é, sem polme, e com a temperatura do óleo ideal.  As Perdizes à Beira Mar,  só feitas com azeite, vinagre e alho, são soberbas também.

Mas para nós, meros plebeus em busca de conforto, o pretexto - nesta altura do ano - é sempre o Arroz de Lampreia, feito ali com a qualidade  e a sabedoria de quem  aprendeu com os maiores a tratar o asqueroso (à vista) ciclóstomo.

Cada lampreia inteira a 80 euros, Duas a 160 euros ( se a aritmética não me atraiçoa)... Duas dão à vontade para 6 pessoas (eu disse "pessoas"...).

Antes disso houve que provar umas postas de sável , desta vez sem a usual açorda de ovas , do melhor que se pode tragar em qualquer parte de Portugal onde se frite o Sável, a lembrar o chorado Cantinho do Ti Pedro, da Flora de gratíssima memória.

Também como entradas "entrou-se" por uns fresquíssimos lagostins mendinhos ( de palmo) os quais ainda se vão apanhando pela nossa costa e, embora não tenham a dimensão descomunal dos Lagostins de Meio Kg que fizeram a época gloriosa do João Padeiro, são bem menos enjoativos e mais firmes de carnes do que os primeiros.

Percebes das Berlengas terminaram estes conflitos iniciais, preparando o estômago para o aconchego sápido e estridente de cheiros incitadores da saliva,  que nos aguardava de dentro do tacho negro.

Ela , a Senhora Dona Lampreia, estava de se comer e chorar por mais. Eram duas, como referi. Uma delas ovada até mais não. Foi a melhor que comi este ano e uma das melhores da minha memória  (até quando a memória palatal nos consente).

Bebeu-se José Maria da Fonseca Branco da casta  Verdelho e ...Barca Velha de 99 em Garrafa magnum, oferta de um dos comensais...

Já trémulos e agarrados ao fiel Lagavullin,  a aproximar-se a uma da manhã, ainda houve alguma força para fumar um puro , beber um café e filosofar muito sobre a "choldra" , os "buracos das fechaduras", os Tribunais e a Justiça e por aí fora... Só não se falou de Bola, pois a idiosincrisia dos presentes variava entre Vermelho e Verde, e não era tida nem achada celeuma alguma depois de tão grande beatitude.

Segunda-feira, Fevereiro 08, 2010

Conspirações

















Alguns leitores têm reagido às últimas notícias que envolvem o 1º Ministro numa conspiração para "abafar" a produção dos MCS em Portugal e condicionar a actuação do PR, de acordo com as escutas publicadas no jornal "Sol"  e "Correio da Manhã". E urgem-me para falar...

Não sou, como disseram e bem, leitor assíduo do "Sol" , nem sequer do "Correio da Manhã", mas este fds obviamente que os comprei aos dois e devorei o que traziam. Também ouvi o Ricardo Costa, na SIC Notícias, fazer  um resumo das teias que teriam envolvido José Sócrates  e a PT, onde um jovem Administrador que "trataria o PM por tu" foi o encarregue de discutir com a Prisa a eventual compra da TVI. Aliás, consta que  esse Administrador - que ganha mais do que 5 Presidentes da República ou Primeiros Ministros juntos -  foi escolhido para a PT por ter chefiado o núcleo da JS que apoiava o mesmo Sócrates.  E é o tal que tem como password "Sócrates 2009" no PC lá da PT...

Estas notícias são deprimentes, para dizer o mínimo... Ninguém da ala socrática as veio desmentir - porque obviamente não podem, dado que as escutas não tarda muito podem vir a ser tornadas públicas, como já ameaçaram SOL e CM...

A defesa da honra do PM passa pela alegada ilegalidade das escutas, feitas sem cumprimento das regras constitucionais que envolvem PR e PM. É pouco... Podem ser  e serão ilegais, mas os factos que contém não podem ser desmentidos...

Existem aqui dois processos, um formal, o outro informal:

a) Primeiro, o  que tem de ser feito para saber quem furou o segredo de justiça e entregou as cassetes (mandadas destruir pelo Presidente do STJ) à Comunicação Social. Se assim continuamos o melhor será os Juízes passarem a andar de pistola à cinta, para darem a justiça na hora, omo o velho Roy Bean do Lucky Luke...

b) Em segundo lugar, o Processo de opinião pública que aclare até que ponto a tramóia que parece ter sido montada para controlo da Comunicação Social pelo PM foi avante.

As escutas, repito, foram feitas para o caso "Vara, Penedos& Cia" e dadas como irrelevantes pela Justiça superior em termos do envolvimento do PM nesse mesmo caso... Mas contém outros factos indesmentíveis...

 Salvaguardadas as devidas distâncias é quase como se um assassino fosse libertado , numa daquelas séries da TV americana, porque a Polícia quando o encontrou em flagrante delito não possuía mandato de busca para entrar na sua residência...

Este  assunto tem um peso evidente no julgamento do carácter de quem nos governa.

Podemos invocar que se estão a fazer processos de intenções, porque nada do que "se teria planeado foi executado",  mas é público e notório que foi "tentado"... E, dirão alguns mais avisados, se não foi a PT a fazer o negócio, não se teria arranjado na "pessoa" da  ONGOING  uma forma de "fazer o favor" ao Senhor PM?

O velho socialista que escreve neste Blog não é cego, surdo nem mudo e, mais do que tudo, ficou incomodado quando ouviu dizer que - nalgumas das conversas gravadas - o" Sr Vara (bancário de profissão) parecia dar ordens ao Primeiro Ministro de Portugal"...

Justiça! Clamam todos, desde Manuel Alegre até ao Professor Cavaco Silva... para quando?

Sexta-feira, Fevereiro 05, 2010

Para Descansar a Vista


Quem se Lembra de Reynaldo (ou Reinaldo) Ferreira? Mas da "Menina dos Olhos Tristes" quem não se lembrará? Um Poeta colhido pela mala suerte, morto aos 37 anos, Moçambicano de adopção. E como temos estado numa de Cavalos aqui vai um dos seus poucos poemas que existe fora do âmbito das canções: "Quero Um Cavalo de Várias Cores".

Eu também queria...

Biografia de Reinaldo Ferreira, da Imprensa Nacional de Moçambique:

Nascido em Barcelona, a 20 de Março de 1922, Reinaldo Ferreira, de seu nome completo Reinaldo Edgar de Azevedo e Silva Ferreira, era filho do jornalista Reinaldo Ferreira, o celebrado Repórter X .
Tendo vindo para Moçambique (Lourenço Marques) em fins do ano de 1941 e aqui feito o sétimo ano dos liceus, por cá se conservou, com raras e breves escapadas à Metrópole, até Junho de 1959, data do seu falecimento.

Em Março do mesmo ano declara-se-lhe um cancro de pulmão que quase fulminantemente o arrebatou.

A pouco mais do que isso se resumirá a biografia de Reinaldo Ferreira, se por biografia entendermos o conjunto de acidentes que mais vulgarmente dão nas vistas. Biografia, portanto, como tantos, quase a não tem ou a tem predominantemente interior. Obra também a não deixou publicada e o melhor que se fez é o que agora aqui se publica. Por ironia do destino o que mais alargou as fronteiras do seu nome foi o que de menos valor ele nos legou: colaboração em algumas revistas musicais, letra de uma ou outra canção de grande êxito (Menina dos Olhos Tristes, Uma Casa Portugesa) , teatro radiofónico, pouco mais.

 Sabe-se, sabem-no os amigos que com ele mais de perto privaram, que o teatro o seduzia: nele se ensaiara já, sendo certo que exista pelo menos o testemunho de uma (se não mais) sua incursão neste domínio. Muito seria quiçá de esperar neste capítulo, mas para tanto lhe foi pouca a vida.

Quero um cavalo de várias cores

Quero um cavalo de várias cores,
Quero-o depressa, que vou partir.
Esperam-me prados com tantas flores,
Que só cavalos de várias cores
Podem servir.

Quero uma sela feita de restos
Dalguma nuvem que ande no céu.
Quero-a evasiva - nimbos e cerros -
Sobre os valados, sobre os aterros,
Que o mundo é meu.

Quero que as rédeas façam prodígios:
Voa, cavalo, galopa mais,
Trepa às camadas do céu sem fundo,
Rumo àquele ponto, exterior ao mundo,
Para onde tendem as catedrais.

Deixem que eu parta, agora, já,
Antes que murchem todas as flores.
Tenho a loucura, sei o caminho,
Mas como posso partir sozinho
Sem um cavalo de várias cores?

Reynaldo Ferreira
1922/1959

Quinta-feira, Fevereiro 04, 2010

Farewell

Já tinha dado pelo gato...mas  mais rápido que a própria sombra o nosso leitor comentou. E bem!!

O Restaurante do Jockey

















Comia-se ali bem mal, infelizmente... Não que eu fosse de lá ir muitas vezes, exactamente por causa disso.  Preferia sentar-me no bar com o meu inseparável Jack Daniels e com um cachimbo ou charuto na boca (dependendo dos estado das minhas finanças) a ver os cavalos e ...os jodphurs justinhos das meninas que passavam...

Como sabem gosto muito de cavalos, e não perco uma oportunidade de os ver. A eles e ao "resto"...

E os CTT  -  cuja imagem tem muito a ver com a Mala-Posta, e com os correios a cavalo -  têm também que ser incluídos na história do Jockey, pois foi na altura do Presidente Troni que garantimos através de um patrocínio, que fosse realizado o Concurso Internacional de Saltos de Lisboa desse ano (1993\4).

 E quem foi entregar o prémio ao vencedor? Moi, obviamente...

Mas voltemos à Mesa e ao que lá se pôe...Hoje em dia e depois da notável migração de parte da equipa da Tertúlia do Paço para o Restaurante do Jockey, posso garantir-vos que o panorama é bem melhor.
Incomparavelmente melhor!

De tal modo que - imaginem - até dei por mim a lá ir apenas para manducar!

Jockey Restaurante
Soc. Hípica Portuguesa
Hipódromo do Campo Grande
Telefone - 927104008

Como se chega lá?

Bem fácil! Venham do Campo Grande, tomem a Alameda da Universidade   ( TANTAS SAUDADES DE ALI CORRER À FRENTE DOS CAVALOS DA GNR, NOUTROS TEMPOS!!) deixem a Torre do Tombo à V. direita. Depois de passarem a Reitoria metam pela direita até ao final do caminho. Chegam a uma portada com guarda e entram para as instalações da Sociedade Hípica Portuguesa. Abrandem a velocidade!! Metam depois da entrada logo pela esquerda, com boxes de um lado e doutro. Ao fim de uns 500 metros têm o Restaurante à vossa direita.

O Sr Rafael comanda a sala. Na cozinha o antigo chefe do Restaurante  Quinta dos Frades antes deste ter sido infestado por uma invasão de "Chacais" , ou lá como é  ...

No actual Restaurante do Jockey come-se boa cozinha portuguesa. sóbria, bem confeccionada, Ingredientes frescos. Peixe à maneira  e Pratos do dia aconselhados, daqueles "antigos" de tacho.

A única falha - de momento - é a necessidade dos grandes profissionais que saíram da Tertúlia treinarem melhor os "outros" que terão herdado da antiga gerência do Jockey. Mas não é nada que o tempo e a boa vontade dos oficiais não resolva.

Vamos a provas: 3  Pessoas,  Entradas de polvo em salada, prato de bom pata negra,  1 Robalo do mar assado no forno, soberbo. Iscas à Portuguesa (divinais) . 1 garrafita de Bons Ares Branco e outra de Cabriz Reserva Tinto. 3 cafés.

Tudo isto por 107 euritos.  Mas atenção ao preço (em qualquer lugar do mundo) do peixe do Mar!! Só no Robalo estavam 50 euros dos 107 ...Quem quer alimentar os vícios que pague...

Em conclusão: Recomendadíssimo. Vão Lá. Vejam as vistas. Mas, sobretudo MARQUEM com antecedência! Está sempre cheio!

E mais uma dica a quem precisa: poucos locais de Lisboa serão tão aconselhados para noite do dia 14 que por aí se aproxima! Romântico de encher o olho!!

O estranho caso do meu "Senhorio"

Houve gente que me chamou à pedra por estar a chamar nomes ao meu Senhorio. Para esses que ainda não perceberam, explico: o meu "senhorio" é o meu filho, a quem eu - num dia de inexplicável falta de senso - "fiz" a escritura da casa onde habito e da casa da minha Mãe... Ainda que esta, com os seus 80 anos de raposa manhosa, exigisse que  o usufruto até morrer fosse da própria...

Por isso estou à vontade para lhe chamar todos os nomes que me aprouver ... por isso e também porque ele  poucas vezes aqui vem ler... E se  alguns "amigos" que eu conheço lhe forem dizer para aqui passar mais vezes,  podem ter a certeza que os lixo bem lixadinhos...Podem dizer Goodbye, Farewell e Au Revoir à Lampreiazita da Sexta feira próxima.

E adiante que hoje o Mar é bonançoso e  de pequena vaga para os lados da 2ª circular!

Comentário aos dizeres dos almoços

Um Leitor nosso comenta.

Inteiramente de acordo com o que escreveu o Blogger sobre este assunto, acrescento apenas o seguinte: não me parece que saia muito bem da história a pessoa (ou as pessoas) que almoçou com José Sócrates e foi depois relatar o que ele disse. Sócrates devia ter mais cuidado com o que diz e à frente de quem o diz, mas estes intriguistas da treta também não interessam nada. E mais: Sócrates disse que Mário Crespo é um problema que tem de ser resolvido. E depois? Mandou matá-lo? Silenciá-lo? Despedi-lo? Não! O Mário Crespo continua a falar (até foi convidado para umas jornadas do CDS...), continua a ter o seu emprego e agora, se calhar, até tem mais audiência. Portanto, não vejo onde esteja mais um grande ataque à liberdade de expressão. Vejo é mais um ataque ao José Sócrates, que acontece, curiosamente, na semana do Conselho de Estado, da discussão da lei das finanças regionais e de se saber se continuamos todos a pagar os disparates do ditador madeirense (este sim, responsável por muitos e violentos ataques à liberdade de expressão e não só). deve ser coincidência...

Comentário ao comentário: E Olé que tem direito a orelhas e rabo!

Quarta-feira, Fevereiro 03, 2010

As Conversas à Mesa

Mário Crespo, que muito admiro pelas posições independentes e abertas que mantém nas suas intervenções como cronista e como Pivot do Jornal das 21h da SIC Notícias, arranjou uma tramóia em relação a uma crónica não publicada no JN,  alegadamente por nela se fazerem referências a observações do PM à mesa de um almoço, no âmbito das quais teria sido dito que ele (Mário Crespo) e que o "outro" não enfeudado da nossa vida política  (Medina Carreira) eram "problemas que tinham de ser resolvidos"...

À mesa e entre amigos pode dizer-se tudo... Até eu, sem o pensar , tenho chamado nomes feios à mesa a muita gente das minhas relações, incluindo a família mais chegada. Para já não falar dos meus superiores, que de vez em quando levam com uma roda de adjectivos capazes de fazer corar o Porteiro do Elefante Branco ... Mas adiante que o Mar está alteroso...

O meu Senhorio, por exemplo, a crer naquilo que eu lhe chamo quando me chateia, já devia ter uns enfeites na testa maiores do que um alce do Canadá na época do acasalamento...

O facto de eu dizer "O Ganda Cab... ontem fez-me isto ou aquilo" não significa que ele seja cab.. , nem sequer que eu pense que ele o é... Significa apenas duas coisas:
a) Que eu próprio tenho uma língua de trapos e devia ser mais bem educado, sobretudo à mesa.
b) Que ele, o visado, tomou alguma atitude que não agradou à entidade paternal.

Quem é que, à mesa, nunca disse : " F... que a  P... da sopa está quente comó C..." ? Sobretudo se só estão homens sentados e  se escaldarmos o céu da boca com a primeira colherada do caldo verde?

Para já não falar da bola. Hoje, por exemplo, qual o sportinguista de alma quente que - ao almoço, entre o bife à casa e o café com cheirinho -   não chamará nomes feios à senhora mãe do Carlos Carvalhal? Mas adiante que o tal Mar, já o disse, está hoje alteroso...

Falar de política à mesa, sobretudo no final de uma refeição bem aviada e prazenteirosa, quando uma letargia benigna parece que tomou conta de nós, tem grandes vantagens:
O mundo parece um local melhor para se viver. O Déficit (esse Cab de um F... de uma Grandessíssima P..."  parece-nos um fenómeno passageiro, o Desemprego está a ser bem combatido pelo Governo e pelas Empresas, o próprio clima torna-se ameno e o aquecimento global algum exagero de cientistas malévolos e desejosos de criar o caos na sociedade...

Depois aparece a conta do dito almoço.

Ora aí é que  a porca torce o rabo.  Defrontado com a realidade comezinha dos duzentos euritos para 4 refeições, o português pagante amaldiçoa várias coisas por ordem de importância:

 - A "P...da Cabeça da Garoupa, que  foi cara comá M..."
 - a choldra do país onde nasceu
 - a impunidade dos malandrins que não pagam impostos, fonte de todos os males que nos acontecem (aqui, por acaso não está a pensar mal...)
- o Governo e todos os Ministros, "cáfila de comilões e corruptos"
- os próprios amigos comensais, que, como era ele a pagar , "atacaram os pratos mais caros da ementa que nem porcos  a fuçar! E ainda por cima pediram digestivos!!" (Claro que já não se lembra que ,quando lhe toca a ele ser convidado, faz a mesma coisa, ou ainda pior).

Por estes motivos repito que não se deve ligar muito às conversas de amigos, à mesa, seja ela a de um restaurante famoso ou a de uma tasca em Alfama.

 Palavras, leva-as o vento e quando são das que se pronunciam depois, ou durante,  os almoços... Vou ali e já venho...

Mário, volta que estás perdoado!

Crise Política no Horizonte (Ilhéu)?

O Presidente da República convocou o Conselho de Estado para hoje. Nele se irá analisar a situação (política) do País. Obviamente que se deve falar das "ajudas" do Governo da República aos Governantes da Madeira e dos Açores.

Diremos que , tanto quanto nos pode ser visível neste "esconde-esconde" das relações entre Belém e S. Bento, o Sr PR dará hoje razão ao Governo da República, a Teixeira dos Santos e a José Sócrates, e aconselhará contenção nos gastos públicos, nela incluindo estas parcelas destinadas às Regiões Autónomas...

Se não o fizer será crível que o PM se demita ? Acho que não... Teixeira dos Santos talvez bata com a porta  (e quereria mesmo ir por muitos motivos sem ser este) mas José Sócrates só parte se tiver a certeza que voltará "por cima" , com uma percentagem de votos maior do que aquela que o elegeu para este mandato...

Ora as sondagens não referem essa opção. Pelo menos de momento.

Vamos ver no que dá esta intervenção Presidencial, obviamente que tomada tendo já em vista a próxima campanha para a ...Presidência. Tudo é Política, mesmo aquilo que não parece.

Terça-feira, Fevereiro 02, 2010

Cozido de grão com cardos

Já o provaram? Quando bem feito este cozido transtagano é uma coisa de lamber as bêças e chorar por mais... E muito fácil de fazer, como poderão constatar...

Aqui vai a receita em minha interpretação livre e boémia (que São Mendonça Pai me perdoe...):

É muito importante  terem em casa um Tacho largo e de bom fundo espesso, para que a cozedura lenta (fundamental para apurar o cozido) seja feita sem perigo de "pegar"...

Apanhem-se (ou mandem-se apanhar nos campos) caules de cardos tenros, limpem-se bem das folhas e dos picos agressivos. Usem luvas, está claro! Lavem muito bem.

 Tenha-se em casa salsicharia artesanal de porco preto: Toucinho, Chouriça de carne, Chouriça de sangue.

Acrescente-se as costelas e a mão de um borrego "à maneira" e mais umas mão-cheias de grão de bico previamente demolhado. Componha-se o tacho com umas batatas pequenas da terra, novas e de boa qualidade.

Nota: No caso de não haver cactos ( o mais natural...) substituam-nos por feijão verde ou, ainda melhor, por ervilhaca. Abóbora menina também é sempre bem vinda...

O Borrego e os enchidos devem ficar temperados de véspera com vinho branco, um tudo nada de massa de pimentão, louro e alho (não muito). Podem também dar uma "entaladela" ao grão de bico.

No dia da comezaina prepara-se um bom refogado com azeite do melhor, cebola fininha e alho. Quando estiver bem alourado introduz-se o grão de bico já entalado,  os enchidos  e as partes do borrego partidas aos bocados. Estufa-se por uns minutos e deitam-se seguidamente os cactos (ou o que houver) e as batatinhas novas.
Corrigimos de sal, acrescentamos com um golpe de vinho branco,coloca-se um ramo de hortelã bem fresca,  reduz-se o lume e ...aguarda-se por umas duas horitas que o cozinhado vá apurando.

Comemos esta "maravilha da terra" , comidinha dos pobres de antanho, antecedendo-a com uns ovos mexidos em azeite e espargos silvestres e bebendo um Dão Quinta da Fata 2005 touriga nacional.

Para o pobre Dão não se sentir sózinho com semelhante companhia sulista, arranjou-se-lhe amparo sob a forma de um queijo de meia cura da Arrifana de Seia.

E depois só nos apeteceu deitar nalguma rede e passar a mão por alguma gata (salvo seja) que por ali aparecesse... ele há dias em que sabe bem estar vivo!

A ASAE Comentada

Os Amigos Silvério e Paulo Mendonça comentam:

Bom dia

Eu considero que a ASAE faz aquilo que deve: cumpre a lei, o que não significa que, por vezes, não se exceda e seja mais papista do que o Papa.

Para mim, o pecado original está na legislação que, como veio recentemente no Expresso, é, em geral, mal feita e consome-nos milhões.

Caro Amigo Raúl

Como trabalho no ramo queria só fazer um pequeno reparo, é que a ASAE apenas faz cumprir aquilo que a legislação obriga, em meu entender a culpa dos excessos em Portugal estão ligados aos senhores(as) que fazem a transposição das directivas europeias, que na maioria dos casos concedem aos países a possibilidade de adaptar as directivas às especificidades locais mas estes senhores(as) que  desconhecem a realidade e as especificidades da nossa riqueza gastronómica cometem verdadeiros atentados, legislando tendo por base apenas os seus conhecimentos ao nível da nutrição, veterinária e higiene que nunca tiveram por base a realidade prática de quem todos os dias tem de confeccionar as iguarias que todos gostamos.

 A realidade é que a restauração em Portugal (muito por "culpa" da ASAE) está neste momento no que concerne à higiene e segurança alimentar em 1º lugar na Europa,  facto reconhecido pelas associações internacionais do sector, assim em meu entender o que deveria ser tornado público é quem são os iluminados que transformam directivas em lei sem atenderem às especificidades de um elemento riquissímo da nossa cultrura.Se a gasstronomia foi elevada a Património Nacional hà que a proteger e isto é responsabilidade de todos e em especial de quem tem a tutela sobre a mesma,  assim como de todos aqueles que directa ou indirectamente dela se servem e são servidos.

 
Comentário aos Comentários: longe de mim desdenhar do controlo sanitário, higiénico e etc... que a ASAE faz ( e muito bem) em todos os estabelecimentos! O que quero dizer é que cada terra terá as suas "excepções" aos regulamentos , como diz o Paulo, e se não levarmos em conta algumas dessas especificidades estamos a enterrar usos e costumes ancestrais...Reparem apenas no que acontece aqui ao lado em termos de industria artesanal de salsicharia.

Segunda-feira, Fevereiro 01, 2010

Bacalhau e a ASAE

A ASAE não proibe que se sirva nos restaurantes o bacalhau demolhado "em casa"...O que já não é permitido é congelar bacalhau previamente demolhado no próprio restaurante. Explico melhor:

Na Lista está um prato de bacalhau (ou mais ) marcados para certo dia da semana, por exemplo na Segunda feira ou na Sexta feira, dias emblemáticos para o bacalhau.

O dono do Restaurante pode preparar tudo à antiga para dar bom bacalhau aos Clientes nesse dia.  Mas  tem de vender naquele dia (ou no dia seguinte) o bacalhau todo que demolhou...

Por outro lado, se um Cliente chegar e pedir um prato de bacalhau em dia onde o bacalhau não esteja marcado em carta , forçoso será o proprietário recorrer ao bacalhau processado e congelado em fábrica,  de alguma das muitas marcas que existem...

Por esse motivo e para não terem chatices com as fiscalizações, muitos restauradores deixaram de fazer a sua própria demolha... Compram do fiel amigo processado em fábrica e já está a andar...

Que saudades do velhinho Restaurante Casais, mesmo ao pé do Jardim de S. Lázaro, às Belas Artes da Cidade do Porto, onde o bacalhau grossíssimo era conservado em centeio para assegurar uma seca ideal e depois demolhado dentro de uma rede, debaixo de uma  torneira permanentemente a escorrer para umas tinas de mármore...

Outros tempos. E o Casais,  onde comi os melhores "cabeços" (lombos grados) de bacalhau assado no forno da minha vida, tanto quanto sei, ou já fechou ou mudou de gerência...

Bacalhau do nosso Encanto

Por acaso nos  dias "circunvizinhos"  ao fds passado o vosso Blogger ia tendo uma indigestão do fiel Amigo... Vamos por partes. Logo na quinta feira almoçei no conhecido a Tertúlia do Paço, onde o prato do dia era ...Bacalhau à Gomes de Sá. Acertaram. Foi o que comi e que bom que estava!

Depois , em Ílhavo, foi uma orgia bacalhoeira num simpático e muito recomendável Restaurante, por enquanto ainda não "recenseado" pelos sites do costume... Por isso e se lá forem não o estraguem se fizerem favor!

D. Coutinho
Rua da Malhada
3830-141 ILHAVO
Telefone - 234321832

Fica esta casa junto à Ria, do lado direito da Rua da Malhada, antes de chegarmos à Rotunda que faz a ligação com a fábrica da Vista Alegre. Se se perderem perguntem ou, melhor ainda, telefonem sff.

Casa acolhedora, boas mesas, bom material de amesendação. casa pequena também,  por isso, e dado que os locais a frequentam, o melhor é sempre reservar.

Na lista tem um capítulo apenas dedicado ao Bacalhau: Línguas fritas ou panadas com arroz a escorrer, Cozido com todos, à Lagareiro. Assado no Forno. Com Broa e Presunto. E por aí fora...Serão umas 12 propostas mais ou menos... Fora o que fazem a pedido expresso, mas lá chegaremos..

Tem também uma Migas de Couve com broa, como acompanhamento,  que são de cair para o lado, bem secas, sem o habitual gosto e teor de azeite que, na minha opinião, as tornam  algo enjoativas.

Na Lista habitual tem ainda  as Enguias da Murtosa, e  tem Polvo e Peixe fresco de Aveiro, para grelhar ou cozer. Chocos pequenos grelhados ou fritos com alho, Lulas da Toneira e mais o que vier à rede, no dia-a-dia desta terra  ligada ao Mar e à faina da pesca.

5  Mortais comeram que se desunharam nessa Sexta feira: Queijinhos de cabra,  Enguias da Murtosa fritas em escabeche, e Mexilhões à espanhola como entradas. Depois  Línguas de Bacalhau, Bacalhau assado à Lagareira e Chocos na mesma apresentação, Dão Cabriz Branco e Tinto de 2007 (excelente relação qualidade preço), 2 garrafitas de cada... cafés e sobremesas, tudo por....cerca de 100 euros!

Recomendabilíssimo!! E digo-vos um segredo: Como é Ílhavo terra das secas de bacalhau, se telefonarem três dias antes de algum repasto e pedirem um prato de bacalhau com   "aquele especial" , o Sr Amarante vai à seca buscá-lo, demolha-o especialmente para V. e apresenta-o no dia aprazado , à vossa mesa e da maneira que o encomendaram. Bacalhau curado à antiga, demolhado na hora !! E não os Pascoais de triste memória que temos de aturar por esses restaurantes da Lísbia antiga, por mor das restrições Asaesticas...

Bom apetite e que se mantenha o D. Coutinho por aquelas bandas.

Quinta-feira, Janeiro 28, 2010

Para descansar a Vista

Manuel da Fonseca. Nome grande das nossas letras, mais esquecido nestes tempos do que quando travava o "bom combate"... Acontece com muitos, infelizmente.

Biografia da autoria de Luis Gaspar: nasceu em Santiago do Cacém, em 1911. Fez os estudos secundários em Lisboa, tendo se dedicado desde cedo ao jornalismo. Em 1925 publicou num semanário de província os seus primeiros versos e narrativas.


Iniciou se em poesia com a colectânea ?Rosa dos Ventos? (1940) e na ficção, com os contos ?Aldeia Nova? (1942). Ligado ao neo realismo, evoluiu no sentido de um regionalismo crescente, ligado ao seu Alentejo natal, retratando o povo desta região e a miséria por ele sofrida. Contestatário e observador por natureza, a sua escrita era seguida de perto pela censura.

Colaborou em várias publicações, de que se destacam as revistas "Afinidades", "Altitude", "Árvore", "Vértice", "O Pensamento", "Sol Nascente", "Seara Nova", os jornais "O Diabo" e "Diário" e fez parte do grupo do "Novo Cancioneiro".

Escreveu, para além das obras referidas, os volumes de poesia "Planície" (1941), "Poemas Completos" (1958), "Poemas Dispersos" (1958), os contos "O Fogo e as Cinzas" (1951), "Um Anjo no Trapézio" (1968), "Tempo de Solidão" (1973), "Crónicas Algarvias" (1986), e os romances "Cerromaior" (1943), e "Seara de Vento" (1958). Colaborou também no jornal "A Capital" em 1986, com as "Crónicas Algarvias". Preparou ainda a "Antologia de Fialho de Almeida" (1984). Manuel da Fonseca faleceu em 1993.

Menino


No colo da mãe
a criança vai e vem
vem e vai
balança.

Nos olhos do pai
nos olhos da mãe
vem e vai
vai e vem
a esperança.

Ao sonhado
futuro
sorri a mãe
sorri o pai.

Maravilhado
o rosto puro
da criança
vai e vem
vem e vai
balança.

De seio a seio
a criança
em seu vogar
ao meio
do colo-berço
balança.

Balança
como o rimar
de um verso
de esperança.

Depois quando
com o tempo
a criança
vem crescendo
vai a esperança
minguando.

E ao acabar-se de vez
fica a exacta medida
da vida
de um português.

Criança
portuguesa
da esperança
na vida
faz certeza
conseguida.

Só nossa vontade
alcança da
 esperança
humana
 realidade

Manuel da Fonseca, in "Poemas para Adriano"

Ausência na Sexta feira

Trabalhos da PORTUGAL 2010 impedem-me de aqui estar  amanhã no vosso convívio. Fica o habitual poema hoje publicado.

Ílhavo de novo

Parto daqui a pouco para o Museu Marítimo de Ílhavo, para tentarmos apressar os trabalhos de desenvolvimento do Livro sobre a nossa epopeia bacalhoeira - Frota Branca.

Estando em Ílhavo forçoso será que se coma bacalhau ao almoço...Penso eu... Logo se vê e depois comunico.

Quarta-feira, Janeiro 27, 2010

Pigs in Space


PIGS são os Países do Sul da Europa, na manhosa e racista classificação dos analistas financeiros de Wall Street, da City e quejandos antros. Explico: Portugal,Italy,Greece,Spain.= PIGS

Há também quem utilize o termo ainda mais insidioso "Club MED" para designar as mesmas terras perdidas cá para baixo, quase na África e bordejando o Mare Nostrum dos antigos...

É claro que estas classificações têm a ver com a situação financeira dos países em causa depois da crise e com os déficits notáveis que os respectivos Orçamentos de Estado apresentam neste momento.

A Grécia já nos tinha espantado com os seus inimagináveis 12,7% de déficit. a Espanha rondará os 12%, a Itália apressa-se a mostrar que está mais perto dos 11% do que dos 10%, em 2009 e, Portugal, foi ontem confrontado com o déficit declarado de 9,7%!!

A Alemanha terá 6% ; o Reino Unido mais para os 8%;  a República da Irlanda mostra companheirismo celta com os indígenas do sul, revelando ao mundo os seus notáveis 10,8%. A França teve 7,9% em 2009 e prevê 8,2% em 2010. E por aí fora...

Então porque é que marram desta maneira com a malta sulista?

Uma Explicação lógica: Será por Inveja! Porque não têm mares quentes e solzinho a  dourar a pele. Porque não existem porcos pretos nas "landes" nordestinas. E porque - SOBRETUDO - são gente habituada a cerveja e destilados, olhando com mal disfarçada raiva para os néctares , brancos e tintos, que as terras do Sul vêm oferecendo ao Mundo... Ou julgam que foi por acaso que os Deuses do Olimpo escolheram o Sul para se instalarem?

Bem, escolheram o Sul para se instalarem, mas mantêm no Norte  a respectiva assistência médica em caso de acidente ou doença prolongada... E é para as Universidades do Norte que mandam os filhos estudar... (não há bela sem senão...)

Terça-feira, Janeiro 26, 2010

Orçamento de Estado. É para valer?


CDS e PSD abstêm-se , como todos os analistas esperavam.  Orçamento passará com os votos a favor do PS\Governo , tendo contra os votos da esquerda militante .

Resta o pequeno problema das Finanças Locais e dos 80 milhõezitos que estavam "prometidos" ao Sr Dr Alberto João...

PSD não arreda pé da manigância. Teixeira dos Santos mantêm  que "para essa obra de misericórdia já deu o que tinha a dar..."

Bem sei que 80 milhões são menos do que 5 centésimas do valor global do OE de 2010, mas se estamos a falar de princípios, então  "um euro é um euro" como dizia alguém que conhecemos bem.

O que foi preciso negociar para fazer passar o OE 2010? Já sabemos que PSD e CDS apoiam (ou pelo menos calam-se) em relação ao aumento "0" na Função pública previsto para este ano.  E quanto ao resto? Qual terá sido a moeda de troca?

Lugares de Administração nas Empresas tuteladas pelo Estado? Mais apoios à Agricultura? algo a ver com a política fiscal?

Esperamos para ver. Entre outras coisas qual será a lista das Empresas Públicas a privatizar para confortar os cofres do Estado em 2010...

Será que lá encontraremos alguma com três letras apenas?

Comentário aos Americanos no Haiti

Um dos nossos leitores comenta:

A propósito: que tem ou tinha o Haiti de tão atraente, para lá viverem 40000 americanos?


Comentário ao comentário - Bem, na minha opinião tinha tudo a ver com a Agricultura Haitiana:  ou eram Zombies escravizados pelos sacerdotes Voodoos e trabalhavam nas hortas (ou lá o que é que existe nos campos agrícolas) ou então , e mais provável, seriam cultivadores de Marijuana, erva aromática e medicinal que segundo parece cresce quase que espontaneamente naquelas paragens...

Segunda-feira, Janeiro 25, 2010

Idiotices, Aldrabices e Infâmias

*Chavez, lui-même, acaba por descobrir que o Terramoto no Haiti foi "causado pelas experiências da Marinha Americana".

Comentário: é bem verdade! Já há muito tempo que eu desconfiava que existiam rebentamentos submarinos para se atingir o Centro da Terra e estudar a população neolítica que lá vive lado a lado com os dinossauros e mamutes.Parece que o objectivo será estabelecer uma colónia humana perto das jazidas de petróleo existentes nesse submundo,  e garantir que o reino do automóvel dure mais mil anos...

*O Conselho da Europa prepara-se para tomar uma posição sobre aquilo que considera ser a "maior vigarice do século": a declaração de Pandemia  da Gripe A por parte da OMS.

Comentário: Se foi vigarice não sei, mas lá que houve quem encheu os bolsos à custa disto e numa época de crise, lá isso houve... e não se podia investigar se algumas migalhas dos milhares de milhões de euros gastos pelos países na compra das vacinas não terão "escorregado" para alguns bolsos de gente da OMS? Se calhar não valerá a pena, pois a corrupção, como todos sabemos, é um fenómeno típico e exclusivo de Portugal...agora me lembro, estará algum português em lugar de destaque na OMS?

*Fidel de Castro, lá no assento etéreo onde subiu, questiona-se se a ajuda Norte-Americana ao Haiti não será uma "forma encapotada de invasão daquela ilha das Caraíbas"...

Comentário: bem, sempre é a palavra de um Zombie... Há que ouvir com cuidado antes que a lingua lhe caia para fora da boca, esta  se  desmanche e as orelhas se comecem a soltar. Apenas pergunto: Conquistar "Aquilo" para quê? Para aumentar os encargos dos USA com a Assistência Social? Para estabelecer a prática Voodoo como arma de guerra na espionagem industrial dos nossos dias'? A não ser  que exista algures na Ilha alguma passagem desconhecida para o tal submundo do Centro da Terra... É capaz de ser isso.

Não sei se lhes diga ou se lhes conte... mas de facto este Mundo está a tornar-se um local esquisito para se viver. Infelizmente ainda não há  alternativa, a não ser para viver depois da vida (para quem é crente).

Talvez seja por isso que alegorias como a de AVATAR sejam tão atraentes para um   público jovem e atraiam tantos milhões de espectadores... O western futurista de Cameron - danças com Lobos do XXXº Século, como já lhe chamaram -  traça um retrato (embora algo pieguinhas...) que mais não é do que a transposição do "Bom Selvagem" de Rousseau  para o futuro. Um futuro onde há uma "commodity" rara e valiosa (lembram-se do ouro no caso do  Far West ou da América Central?) que se encontra exactamente por baixo de uma aldeia \lugar sagrado do povo indígena. Estes - os Na'vi-   tanto podiam ser os Sioux massacrados em Wounded Knee, como os Incas violentados por Cortez... Infâmias cometidas pelo Ocidente ávido de "civilizar" os indígenas. Não tem nada de mal lembrar estas coisas antigas e fazer passar uma mensagem "ecológica" e  de respeito pelos valores autênticos, sobretudo às nossas "jubentudes" .

Muito embora eu deva confessar que quando fui ver o filme eram mais os jovens que gritavam pelo Coronel Ex-Marine que é o Mercenário odioso de serviço,  do que aqueles que incentivavam os tais "bons selvagens"...Mistérios? Ou apenas bom senso daqueles que já perceberam, na sua tenra idade,  de que lado é que está o Pão e o Vinho nos dias de hoje?

Não admira que algumas pessoas de bom senso continuem, sempre que podem,  a comer bem e a beber melhor (qualidade, entenda-se!) ... É que , se "pelo sonho é que vamos" então  importa ir de papo cheio e de bem com o mundo. E Olé!

Sexta-feira, Janeiro 22, 2010

Para Descansar a Vista

Finalmente um Poeta ainda vivo! A pedido de muitos leitores, um pouco assombrados pela poesia dos mortos, aqui vai a Elegia da Esperança de Gastão  Cruz.


Biografia sintéctica dos Editores de Gastão Cruz:

Poeta e crítico literário, Gastão Cruz nasceu em Faro no ano de 1941. Licenciado em Filologia Germânica pela Universidade de Lisboa, foi professor do ensino secundário e leitor de português no King’s College, em Londres.

Como poeta, começou por se destacar com a sua participação na revista Poesia 61, no início da década de 60, sendo autor de uma obra vasta e em contínuo crescimento.
Colaborou com vários jornais e revistas como crítico literário, tendo traduzido autores como William Blake, Strindberg e Shakespeare. Foi ainda um dos fundadores do grupo Teatro Hoje, onde encenou várias peças.

A obra de Gastão Cruz foi distinguida com inúmeros prémios, entre os quais se contam o Prémio PEN Clube de Poesia, em 1985, e o Pémio D. Dinis, atribuído pela Fundação Casa de Mateus. Em 2002, o seu livro de poesia Rua de Portugal foi distinguido com o Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores, e em 2005, com Repercussão, ganhou o Grande Prémio de Literatura dst. O seu livro A Moeda do Tempo conquistou o prémio literário Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa 2009.


Elegia da Esperança

1
Disperso disseste disseste não obstante
a treva que enquanto refresca renasce
disseste que trava e que rasga e obsta
disseste uma dor disseste
um sistema e agora de noite
relembro essa treva narrada depois
de a carne rasgar


Memória disseste e relembro e canto
e daqui te chamo pois relembro o mar
derramo e contanto que a noite levante
disperso direi disseste estarás

2
Moves as palavras que palavras são
encontro diante distante e saudade
moves as palavras agora que
o mundo pois alastra e esquece
em todas as noites do corpo contando
que corpo contém palavras mais que
continente é pois distância palavra

quanto mais um homem dizendo palavras
disperso na terra na noite do mar
quanto mais de sangue depois de dizer
que a treva se faz e pode lembrar
e pode esquecer e pode a esperança
renascer ainda que disperso canse
e cante disperso diante do mar


Gastão Cruz, in "A Doença"

Nota: A Fotografia "Elegia da Esperança" é de Sofia.

Avé César!

José Eduardo dos Santos fez aprovar a Nova Constituição da República Angolana. Nesta lei fundamental do país irmão de África consagra-se o carácter vitalício do cargo presidencial e ainda a possibilidade deste cargo ser acumulado com o de 1º Ministro do Reino (desculpem, da República!)

Tenho a impressão que nem Chaka Zulu - do outro lado do continente - teria pensado nisso na altura em que estendia a hegemonia da zagaia curta a um território tão vasto como a Europa Ocidental...

Claro que, naqueles dias, também não havia pitrol...

E, pensando bem,  nem sei já se depois de tantos anos (Chaka terá morrido em 1828) progredimos assim tanto...

Quinta-feira, Janeiro 21, 2010

Cataplana e Cia : Local a evitar?

Pelo menos ontem até foi... E explico aos leitores. Vamos todavia por partes:

Esta casa de restauração de Campo de Ourique, substituta do antigo Tico-Tico, situa-se na confluência da Rua de Campo de Ourique e da Rua Ferreira Borges, no nº 193 desta última, quase quase a dar para as Amoreiras.

Tem duas salas, R\c e cave. esta última sempre a abarrotar e , estranhamente, ou não, o R\C limpinho de manducantes...É claro que a primeira deve ser para fumantes e a de baixo para os outros...Ou vice-versa...Tal era a multidão na Cave que não consegui perceber... e como ninguém fumava, em nenhuma delas...

Na cave as pessoas eram tantas que não dava para passar entre as mesas. Ninguém que tivesse entrado no início da hora de almoço podia depois levantar-se sem incomodar vários "parceiros de infortúnio" , tal como quem quisesse sentar-se via-se obrigado a fazer a  mesma maldade à malta já atracada à "mangedoura".

Porquê isto? Se, como iniciei a conversa, a sala de cima estava quase vazia? Idiosincrisias patronais? Crença natural dos clientes, a roçar aqui a masoquismo? Terror do fumo nas ventas? Mistérios...Mas adiante.

O que se come nesta casa? Destaque para as cataplanas, como o nome indica, mas também para o Peixe Fresco. E tinham de facto uma mostra de peixe interessante, à vista dos clientes.

Na carta ( cito de memória) -Peixe: Cataplana de tamboril; Cataplana de peixes; Cataplana de bacalhau; Cataplana de frutos do mar. Peixe Cozido ou Grelhado ao momento (Pargo, Pescada, Garoupa). Polvo à Lagareiro.
Carne: Bife especial; Cataplana de coelho à antiga; Cataplana de perdiz.

Na carta apresentava-se -  como "Prato do dia" -  umas " Cabeças de Pargo cozidas com todos". Quando as pedimos,  vieram dizer-nos que só tinham uma, grande, mas que substituiam por "Cabeça de Pescada"... Nada a dizer se fosse Cabeça de Pescada que estivesse escrita no Menu, mas assim começei logo a desconfiar.

Os meus convidados comeram "Polvo à Lagareiro", que estava bem confeccionado embora parecesse  curta a dose. A Cabeça de Pescada, por seu lado,  estava de tal modo arrepiada de sal que pedia meças a um mal lavado atum de salmoura. Vinha acompanhada de três batatas sofríveis, bom feijão verde e maus grelos de couve. Trazia também   ovo cozido.


Uma garrafita de Dão Casa de Santar, duas laranjas descascadas e um abacaxi (muito frigorificado). Três cafés.

Tudo isto por cerca de 60 euros. Caro não será, mas com o barulho tremendo (ninguém se ouvia à mesa) , com a confusão ambiental, a lembrar , salvo seja, um aviário industrial na hora de servir a ração, e com o salgadiço da senhora pescada, a vontade de regressar foi tanta como a de ir a um dentista na tropa...

Sá Pinto : Acusado de Violência Infantil??!!


A Comissão para a Protecção de Menores pondera vir a acusar o antigo futebolista (e boxeur) do Sporting Clube de Portugal , depois das cenas de estalada que ontem terá protagonizado com o "levezinho" Liedson, no balneário...

De facto, e segundo dizem os jornais desportivos de hoje, depois do jogo como Mafra (???) onde os Leões ganharam por 4-3 , sofrendo 2 golitos no último quarto de hora, Sá Pinto veio acusar Rui Patrício ao balneário e terá sido o "miúdo" Liedson que defendeu o companheiro a murro e empurrão...Dados os antecedentes de Sá Pinto a resposta não se fez esperar..

Que vergonha bater assim em criancinhas!  Escolhe alguém do teu tamanho homenzinho! Talvez o Luisão...

Quarta-feira, Janeiro 20, 2010

Finalmente, o salto dos "Jotas"?

António José Seguro e Pedro Passos Coelho, dois "históricos" das "Jotas" - passe o anacronismo - podem estar a alguns passos de assumir o protagonismo que desejam e que talvez mereçam nos seus Partidos.


António José Seguro terá a tarefa mais difícil, com José Sócrates pela frente, mas cabe-lhe ir mostrando capacidades de liderança e visão política que lhe permitam ser uma alternativa credível quando o Líder cair  ( e cairá, podem ter a certeza). Ontem à noite revelou-se desassombradamente a favor da candidatura de Manuel Alegre . Palmas para ele e...paciência.

Pedro Passos Coelho tem agora uma janela de oportunidade , com o Congresso de Março e a seguir  as Directas do PSD à espreita... à sua frente pode ter Paulo Rangel, um adversário de respeito e , mais do que isso, aureolado como vencedor das europeias.

Para que estes dois "saltos em frente"   resultem em medalhas, deseja-se aos atletas treino árduo, pertinácia, ouvido atento ao que se passa no País, vistas largas e, sobretudo, mão aberta para dar e não para "arrecadar"...

Se for possível as velhas oligarquias do PSD e as novas oligarquias do PS , ambas a cheirarem um pouco a ranço, deixarem o caminho livre a estes personagens mais "frescos" , Portugal  só poderia lucrar... Acho eu, está claro.

Obama: Ano1

No mesmo dia (mais coisa, menos coisa) em que os Democratas perdem o Estado de Massachusetts para os Republicanos - coisa que não acontecia para aí há 50 anos, tratando-se de um feudo familiar dos Kennedy - Barak Obama comemorou o 1º Ano de Governo...

Mau presságio para os tempos que por aí vêm? Ou a simples constatação que quem quer fazer mudanças ao contrário de muitos "direitos" estabelecidos por várias classes tem de se preparar para estes revezes?

É normal, e aqui o dissémos, que a aura santificada de Barak Obama nos primeiros dias da sua administração tivesse de dar lugar ao cansaço rotineiro do business as usual, na altura em que todos os americanos constatassem que , embora fosse Obama uma vaga de frescura em Washington, mesmo assim nunca seria o Moisés que alguns esperavam para os levar à Terra Prometida...

E, já agora, onde seria esse lugar? Terra Prometida acho que só depois da morte... e para certos crentes .

Dificuldades no acesso (à Net...)

Como devem ter reparado tenho tido algumas dificuldades no  acesso à Internet. Estou em vias de resolução deste "conflito" com o nosso Internet provider.... a razão é simples e, para Portugal , até muito compreensível: Acabei por acreditar no que me diziam e incrementei (teoricamente) e por um preço módico,  a velocidade de acesso à Internet. Para além da tal velocidade teórica agora contratualizada no novo sistema nunca ter aparecido lá em casa ( se calhar não lhe deram o Código Postal correcto) , também existiram alguns problemas no acesso simples aos servidores..

Enfim...

Há mais "Casulos" na nossa Costa...

Dois amigos comentam o "Homem-Casulo":

Caro Raúl

Eu homem casulo me confesso.
Confesso que hoje em dia, no fim de semana se me quiserem tirar do sofá, não me convidem para bares discotecas ou eventos sociais, façam antes o convite para um almoço ou jantar, de amena cavaqueira, boas iguarias e sobretudo bom vinho. Como opção deixo a hipótese sempre em aberto de me responsabilizar pelo petisco em minha casa, sendo a taxa de admissão restringida aqueles que se fizerem acompanhar por vinho (devendo contar com duas garrafas de vinho por pessoa, uma para a refeição e outra para a cavaqueira, perdão para o queijo)
Um abraço
Paulo Mendonça

Mais um militante assumido e incompreendido do "maipleing" e do "Zapping essas duas mui nobres modadalidades indoor..
Cpts
AB

Comentário aos Comentários: Bem, eu até acho que se formássemos um Partido ganhavámos as eleições... mas para quê?

Segunda-feira, Janeiro 18, 2010

O Homem-Casulo


Poderá um Homem tranformar-se em casulo? Pergunta estranha , dirão os leitores, porventura questionando se o vosso Blogger não se terá enganado hoje de manhã, e engolido por acaso o liquído do desinfectante bucal...

Mas explico melhor: Um Homem -Casulo é aquela criatura que, depois de ter passado uma semana de trabalho intenso ( no emprego, à mesa dos restaurantes e defronte de alguns bares , ao final da tarde, com os Amigos) chega a casa na Sexta feira à noite , arruma a gravata e os sapatos afiambrados, mete por cima do corpo cansado um fato de treino velhinho e umas pantufas, assenta o real traseiro na poltrona confortável em frente ao LCD , e durante as horas que medeiam entre essa noite de Sexta feira e o alvorecer da próxima Segunda feira, apenas se mexe desse  local de conforto para o inexorável: os apelos da natureza, a comidinha caseira e ...a cama.

Conhecem por aí alguma destas criaturas?

Tenho sido ultimamente confrontado com  a aleivosa e maldosa insinuação de que me estou a transformar num Homem-Casulo...

Esta insinuação é despropositada, enganosa e totalmente incorrecta! Eu não me estou agora a  transformar em Homem-Casulo coisíssima nenhuma! Homem-Casulo já eu sou para aí há uns 10 anos (mais coisa, menos coisa)!

Mas pertenço, como seria de esperar da minha idiosincrisia, a uma espécie de Homem-Casulo distinta da habitual.  O pouco conhecido (por isso raramente observado na natureza) - Homos Casulus Diurnus Extremus -  o qual se deve distinguir do Homo Casulus Noctívagus Maximus  (durante o fds não sai da casa, ou até da cama, entre as 5 da manhã de um dia e as 21h do mesmo dia, altura em que toma banho e se dedica ao "trabalho" ) caso do meu senhorio, por exemplo, ou até do Homo Casulus Perfectus Totus , criatura que NUNCA sai de casa aos fds...

Ora os da minha espécie - devemos ser três ou quatro na Grande Lisboa, pois são os que encontro no Continente do Colombo esperando pela abertura, aos Sábados e Domingos - normalmente levantam-se às 7H (seja Domingo, Feriado, Natal ou Páscoa da Ressurreição), tomam o pequeno almoço fora ( e que cumplicidades se desenvolvem na Garret ,do lado de fora da porta, minutos antes das 8.00H...). Vão depois  às compras, estão de volta ao pátrio colchão pelas 10,30h ( máximo) e só saem outra vez da toca na manhã seguinte...

Esta minha forma de ser fimdesemanal tem sido ultimamente mal entendida, sobretudo por quem compartilha comigo  os lençóis ...

Quando acordo e me levanto ainda é de noite. Na altura das pessoas normais  darem uma voltinha e fazerem as compras da semana já estas estão arrumadinhas no frigorífico ou na despensa... e depois do almoço, quando seria mister passear de mãos dadas pelo paredão e tomar uma bebida a ver o Mar, está já o vosso amigo atroando os ares  estorilenses com uma imitação de violoncelo mal afinado de fazer inveja a Pablo Casals (que a terra lhe seja leve).

Por agravar esta minha patologia culpo muito a programação da ZON (passe a pub) e o facto de me ter rendido à BOX Digital com não sei quantas horas de gravações asseguradas. Desta forma gravo durante a semana o Fringe, as Crónicas da Sarah Connor, o Southland, o Lost, o Dr. House, Gossip Girl, a Grey Anatomy e o Mercy. E depois vejo-os de empreitada durante o fds, sem esquecer a Sony e o Mezzo, sempre com belas programações de música clássica ao Sábado de tarde...

Há que mudar!! Dizem-me amigos e companheira de luta... Estou de acordo, sobretudo ao nível intelectual... Mudarei, sim! Mas como nos ensinou  D. Sebastião na sua última fala para Cristóvão de Távora, noutra e mais grave conjuntura, Mudar sim, mas Devagar!

Quinta-feira, Janeiro 14, 2010

Mais alguns paradeiros

Recebi algumas mensagens sobre novos paradeiros "Lampreiais". Diz quem sabe, está claro!

Aqui vão eles, sendo que a recomendação não pode ser minha antes de os ter "visitado"...


 - Artur, Poço de Santiago, em Sever do Vouga .  "Só sirvo lampreia até Maio, quem não comeu, comesse!"    Telefone: 965523643 / 234551276. Esta Casa tem a característica de não servir vinho nem outras bebidas. Cada um traz a sua (as suas) garrafitas... É bom ou é mau? Acho que depende...

- Taberna da Floripes. Montemor-o-Velho. Telefone -239 680 322

- Restaurante Panorâmico, Penacova  - Largo Alberto Leitão
Telefone: 239477333

- Café Jardim- Localidade do Penso  -  Melgaço. Telefone: 251 416 303

Haiti do nosso Assombro


















Como se pega numa notícia destas? Como se fala deste tipo de acontecimento, nem que seja para lamentar? O número de mortos já passará tanto daquilo que a consciência humana permite abarcar que parecerá quase indiferente serem 100 000, 200 000 ou meio milhão...  Sejam quantos forem,  serão sempre 100 000, 200 000 ou meio milhão demais.

O Haiti do Voodoo, do compadrio e da corrupção. Da pobreza e das ruas esquálidas. O mais pobre País das Caraíbas não estaria - nem de perto nem de longe - preparado para uma catástrofe desta dimensão. E quem estaria, mesmo no Oeste "civilizado"? .

Não tinha planos de emergência, não tinha Protecção Civil, Hospitais eram poucos para as urgências do costume, e todo o pouco que ainda  havia terá ficado em cacos...

E como nos faltam as palavras nestas alturas...Talvez por isso sejam as fotografias que melhor espelham o Assombro de todos nós.

Para Descansar a Vista

Amanhã não estou por estas bandas , não farei nenhum Post, daí ter antecipado o habitual "poema das Sextas".

Hoje com Vasco de Lima Couto, o grande Poeta do Porto (falecido em 1980) que é talvez mais conhecido pelas letras de tantos fados do que pela sua obra poética.


Vasco de Lima Couto


“Preciso de Espaço”


 
Preciso de espaço
Para ser feliz
Preciso de espaço
Para ser raiz
Ter a rede pronta
Para o mar de sempre
Ter aves e sonho
Quando a terra escuta
E falar de amor
Aos tambores da luta


Ter palavras certas
No Sol do caminho
E beber a rir
O doirado vinho
Misturar a vida
Misturar o vento
E nas madrugadas

Quando o povo abraço
Para estar contigo
Preciso de espaço

Preciso de espaço
Para ser feliz
Preciso de espaço
Para ser raiz
Caminhar sem ódio
Falar sem mentiras
Ter meus olhos longe
Na luz de uma estrela
E ser como um rio
Que se agita ao vê-la

Quarta-feira, Janeiro 13, 2010

O Regresso da Bichona


Grande título Hein? Mas estejam as almas do politicamente correcto descansadas! Esta "Bichona" é a Senhora Dona Lampreia... A partir do final de Dezembro já é possível apreciá-la outra vez nos locais do costume.

Aviso importante à navegação "lampreial": Quanto mais cedo quiserem deleitar-se com este manjar dos céus (para uns, porque para outros não vale o antigo ciclóstomo sequer a água salobra onde se movimenta...) mais cara a têm de pagar... Lampreias do início de Janeiro, se portuguesas e frescas, devem sair do pescador a 30 ou 35 euros cada uma, das gordas e grandes. Depois no restaurante, se for modesto, sai o tacho da lampreia (com duas, ideal para 4\5 pessoas)  a uns 120 euritos. Se for mais de moda, aprestem-se para pagar o mesmo tachito até uns duzentos euritos, ou mais...

A dose, se servida à moda de Bordéus, deve andar este ano pelos 25 a 30 euros (3 a 4 troços, quanto mais grossos mais caros, já se sabe). A Meia-Lampreia (dose comum no Minho, em Cerveira) por uns 40 euros.

Bons poisos para este apetite insólito e sazonal, aqui perto de casa:
 - Tasca do João ao Lumiar (embora tenha mudado de gerência a qualidade não sofreu, antes pelo contrário!)
 - Restaurante Verde Mar e o seu vizinho Solar dos Presuntos, na velhinha Rua do Coliseu (R. das Portas de Santo Antão\ R. de S. José)
 - Solar dos Nunes e Isaura. Tia Matilde, está claro.
  -No  Beira Mar em Cascais, o Arroz de Lampreia a pedido (só por encomenda) é um dos melhores que se podem tragar abaixo do Douro.
 - Cima's no Monte Estoril.  Aqui é diferente, confeccionada com vinho velho e com um toque de chocolate, mas vale a pena provar.

Não recomendo outros , também porque não conheço todos... Mas os Leitores podem sempre esclarecer-me...

E lá mais para cima?

 - Almourol, Beira Rio e o estimável Chico Elias, tudo isto ao redor de Tomar.
 - O Marinheiro em Montemor-o-Velho e o Boa Viagem, no Porto da Raiva.
 - Panorama de Melgaço
 - No honrado burgo portuense o Solar do Pátio (em frente ao Mercado Ferreira Borges) e o velhinho Portucale, para além do Gaveto (Matosinhos).
 - Braseirão do Minho (Vila Meã) ou o Cantinho dos Amigos (Terreiro) os dois perto de Vila Nova de Cerveira.
 - Viana do Castelo não se fica, e "ataca" à mesa do conhecido Camelo ou na também excelente Adega do Sossego, em Paderne.
- E, no que alguns dizem ser o "Solar da Lampreia", em Entre-Os Rios? Aí pelas Pensões é que vamos: Miradouro de Entre-os -Rios, Casa das Lampreias na Torre , ou  a famosa Pensão Aliança (Penafiel).

E Pronto! Como nunca recomendo locais onde não fui, acho que não tenho mais sugestões para vos dar hoje.
















Resta uma menção ao Vinho mais adequado para tratar da digestão da animaleja... Fui muito "castigado" por Amigo conhecedor por manter a  minha escolha  do vinho verde tinto refrescado, sobretudo na sua variante  "vinhão", tão espesso e adstringente que deve limpar toda a canalização quando passa da garganta... Não sendo essa a V. escolha, que respeito, obviamente, então talvez possam ir para vinhos maduros novos, taninosos, que vão bem com a gordura típica deste prato e o seu toque de vinagre. De evitar a Touriga, com a sua componente adoçicada.

Nota:  A Foto do velho pescador  - "A Lampreia em Boas Mãos"  - é de Ana Ribeiro.

Segunda-feira, Janeiro 11, 2010

E o Comentário do Blogger

Tendo por base o Plano de 2010 o Leitor faz referência à nossa não evocação de Madre Teresa de Calcutá e de Jacques Cousteau. Em relação à primeira figura teríamos de encontrar (depois da respectiva entronização pela Igreja) uma ligação a Portugal. Trata-se, sem dúvida, de uma grande figura da Humanidade, mas quantas outras não existem sem que as tenhamos evocado? Mesmo em tempos relativamente próximos de nós? Por exemplo Raoul Follereau, o apóstolo dos leprosos, ou o Padre Dehon, com a sua obra  junto dos drogados? O  critério teria de ser igualitário e horizontalmente abrangente ...

Quanto a Jacques Cousteau tentei saber se a França ou o Principado do Mónaco fariam selos com essa grande personagem no centenário do seu nascimento, já que a relação com Portugal , embora ténue, existia por intermédio do filho.... Por estranho que pareça nem os serviços filatélicos franceses nem os do Principado vão evocar Cousteau... Será que sabem alguma coisa que nós desconhecemos? A figura não é isenta de polémicas, pelo que me foi dito...Nessas circunstâncias não me pareceu bem andar Portugal à frente de um comboio que devia ser liderado por outros.


Emissão com os Presidentes em 2010 - tentámos fazer e estudámos a hipótese de os fazermos todos , os 16, incluindo os que estão vivos. Motivos de força maior impediram esta concretização...

Emissão com os Reis de Portugal - Tem sido pedida com alguma frequência. está em estudo também. O Diário de Notícias avançou agora com uns Livros sobre todos os Reis, o que tira alguma oportunidade à nossa evocação. Fica em carteira.

Vultos da História com uniformidade gráfica - É interessante o Leitor ter feito este comentário,  porque o nosso objectivo foi exactamente o contrário, isto é evitar apresentar uma monocórdica "galeria de retratos" destes Vultos... Desta forma temos feito apelo a diversos designers e a diversas formas de expressão artística ( começámos com caricatura, como se lembra) para "agarrar" estas emissões. Não podemos agradar a todos e é pena...

Comentário ao Plano de Emissões 2010

Um dos nossos Leitores comenta o Plano deste ano:

Boa tarde.

Apesar de não estar relacionado com as "Frama", gostava de deixar aqui algumas notas e, se puder ser, obter a sua opinião sobre as ideias que aqui deixo.
Ainda não vi referências nenhumas à emissão, em 2010 de selos relativos a:

- Centenário do nascimento de Madre Teresa de Calcutá.

- Centenário do nascimento do Comandante Jacques-Yves Cousteau.


Serão emitidos alguns selos? Basta um selo para cada um. Lembremo-nos que o Darwin recebeu 6 selos, 1 bloco e um corporativo...

As consecutivas emissões de "Vultos da História e da Cultura" deviam ser graficamente idênticas, na minha opinião. No final de vários anos seria uma série nacional espectacular com todos os grandes vultos da nossa história. Assim, embora os tenhamos todos, constituem séries graficamente díspares, logo, não se podem "juntar" numa só global.

Apesar de perceber a razão de tantas séries relativas aos 100 anos da República, acho que a melhor de todas seria aquela que tivesse TODOS os Presidentes da República nestes 100 anos. Série grande, bonita, histórica. Todos os selos com o mesmo valor facial (não vamos valorizar uns presidentes mais que outros) e esqueçam os blocos que isso é pouco prático para colarmos nos envelopes (e excessivamente caros).

Depois disto tudo, 4 séries com TODOS os reis de Portugal (eles também merecem). Seria uma série por dinastia. Novamente, colecção grande, bonita, histórica, com todos os selos com o mesmo valor facial (não vamos valorizar uns reis mais que outros) e esqueciamos os blocos.
E estas séries dos Presidentes e dos Reis serviriam para pelo menos 2 livros a emitir pelos CTT!


Cumprimentos,
Mário Costa

Sexta-feira, Janeiro 08, 2010

A História das Etiquetas FRAMA

Um dos nossos leitores pede-me para falar um pouco sobre a história das etiquetas de franquia automáticas designadas por FRAMA.

Tenho sempre receio fundado que, sobre estas matérias, saibam os estudiosos do tema que me lêem muito mais do que eu, que apenas as comprava, armazenava e vendia.

Do que me lembro,  estas etiquetas apareceram no início dos anos 80 (1984? pelo menos em 84 foram "oficializadas" pela UPU) e foram utilizadas em Portugal e no resto da Europa até ao aparecimento das substitutas que ainda hoje existem.

Consistiam num rolo de papel branco (provavelmente fotosensível, mas isso não garanto, só me recordo que a impressão costumava "borrar" um pouco) que era distribuído pelas Estações de Correio que tinham as competentes máquinas Frama nos átrios públicos. Estas máquinas, orientadas por um computador interno de tecnologia muito básica, depois cortavam o rolo em pedaços de papel impressos com a franquia, quando assim solicitadas pela acção de um Cliente, que tinha de lhes enfiar moedas pelas "goelas" até atingir o valor de franquia requerido. A tecnologia era semelhante à das primeiras máquinas de bilhetes de comboio automáticas embora o fabricante destas últimas fosse a Pitney Bowes e não a FRAMA..

 Recordo-me que a tinta de impressão era vermelha, tinha tendência para "borrar" e que - no início da actividade -  tínhamos destas máquinas nos Restauradores, no Município, em Coimbra e em Faro. Depois, lá para 86 (?) na estação Principal do Funchal (Zarco) e em Ponta Delgada.

A sua retirada das nossas estações deve-se ter dado uma década depois, logo em 1990 ou por aí, para dar lugar às novas ATM's.

E pronto, sem ir aos arquivos, assim de cor, é o que me lembro sobre este capítulo da história das franquias automáticas na rede postal .

O Fabricante ainda existe ( na Suiça é a empresa mãe, mas hoje está espalhada desde a África do Sul até à Austrália) e aqui vai o endereço para quem queira saber mais:

http://www.frama.de/

Para descansar a vista


















Entremos o Ano com boas intenções. Entremos com os dois pés para a frente, em voo de pára-quedista perito em queda livre e acrobacia. Entremos também com boa Poesia.

Da melhor poesia que aqui se escreveu no rectângulo dedico aos meus Leitores "Recomeçar" , do profeta de Vila de Punhe, o grande Torga:


Recomeça….


Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.

Enquanto não alcances
Não descanses.

De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.

Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.

És homem, não te esqueças!

Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…

Miguel Torga

Comentário às Dietas

O Inspector Maigret comenta ( muitíssimo bem! ):


Petição pública (parece que estão na moda): solicita-se a imediata substituição do Dr. Francisco George no cargo de Director-Geral de Saúde pelo Dr. Raúl Moreira. Nem vacinas para a gripe, nem campanhas anti-tabágicas, nós queremos é as dietas Moreira, já! No mínimo, o ilustre autor deste blog merece o cargo (a criar) de Dietista-Geral da Nação. Dietas? Isso é para lambisgóias. Eu cá, prometo que um dia hei-de fazer dieta. A sério! Quando me fecharem num caixão, prometo que não levo nada para trincar. Nada! Nem sequer uma sandocha de torresmos. Metam-me lá só uma garrafita de Duas Quintas, mas só para estar prevenido, que nunca se sabe quem se pode encontrar. À vossa saúde!



Comentário ao Comentário: E Olé!

Quinta-feira, Janeiro 07, 2010

A Dieta do Pós-Festas
















É fatal como o Destino: chegando ao início de Janeiro não há revista de senhora que não traga a "fórmula" milagrosa para perder os quilitos que se enfiaram (não sabemos bem como; isto é, até sabemos: foi...comendo) por debaixo do cós das calças das nossas "madames"...

Até a circunspecta Sábado de hoje lá traz na capa uma chamada para um  Artigo de fundo sobre a  Dieta... Onde chegámos com estas modernices ?  O tempora O mores, diriam os clássicos... Ainda os havemos de ver a falar de sexo na mesma capa ...Ah já o fizeram também?? Então sou eu que estou um bocado fora de moda.

O Homem Português Raçudo e Intrépido, nunca se preocupou muito com estas coisas das dietas, ao contrário da sua contraparte, digamos, clássica (digo clássica para distinguir  essa contraparte com pára-choques genuínos , do fabricante, das outras contrapartes que a  modernidade não deixou de trazer a este mundo)  .

Isto é, o verdadeiro Homem Português nunca se preocupou enquanto foi Raçudo e Intrépido, porque hoje em dia a matilha de lânguidas criaturas com barbichas de 3 dias que se passeia por esses cafés (locais de perdição, já assim dizia Salazar, que segundo penso nunca teria conhecido uma "sala de chuto" ...) parece levar muito a sério a observação em primeira mão do respectivo cadáver no espelho.

O homem português moderno (não confundir com o Homem Português Moderno) é picuinhas, pergunta no restaurante se o peixe é grelhado com ou sem gordura (manifestando abjecta ignorância de gastronomia e de psicologia aplicada). Na altura de escolher a bebida por vezes pede uma Imperial,  mas logo  ordena : 

"- Mas só ma traga quando vier o prato sff!"

"Ma Traga!!..."  Que português é este senhores? Ao elanguescimento mórbido juntam também estes metrosexualizados  a ignorância da Língua!

Esta gente não me parece ser a Gente que deu novos mundos ao mundo. É certo que os Raçudos e Intrépidos morriam cedo e como pardais, com as canalizações bué entupidas de castrol (ou lá como se chama) , e com as entranhas figadais a darem berros de compaixão lá de dentro da "vinha de alhos" em que se tinham transformado...

Mas enquanto viveram, viveram! E sempre com esperança de irem vivendo sempre mais um bocadito!  Dum Vivo Spero! Já dizia o mesmo clássico (ou outro, às vezes já confundo os clássicos...). Viveram, comeram, beberam, amaram, procriaram, lutaram, mataram, e por aí fora. E deram que fazer aos médicos e aos hospitais!   Para já não dizer à Polícia , aos Bombeiros, aos Fuzileiros, aos Sargentos quarteleiros e ao Corpo Nacional de Escutas ! Nunca ninguém pensa nisto?

Estes actuais metrosexualizados fazem o quê? Escrevem num Blog?

Espera aí que isto agora não me saíu muito bem... retomo:

Estes actuais metrosexualizados fazem o quê? Visitam a "Labrador" para aí escolherem a gravata que melhor irá com o sweater grenat? Perdem horas a decidir qual a cor do peúgo que hão-de enfiar pelas estreitas canelas acima?

Um Homem só usa peúgas pretas e está a andar! O que se poupa quando algum dos pés rompe uma, já pensaram? E quando um gajo acorda de manhã ainda "mareado" já viram que não tem hipótese de escolher uma peúga de cada cor? Só grandes vantagens! Para além disso o preto dá com tudo e disfarça excelentemente a sujidade, pelo que um par de peúgas dessa cor aguenta bem 3 dias seguidos.

Mas divago...

Voltando ao ponto que gostaria de sublinhar: poder-se-ia imaginar, após lerem estas linhas,   que sou contra as Dietas...

Nada de mais errado!! Não sou contra as dietas e até as recomendo.

Ora vejam a minha sugestão para um dia típico de dieta depois das festas, tendo em atenção a máxima reconhecida de comer pelo menos 5  ou 6 vezes ao dia! E sem qualquer tipo de doces nem fruta! Os açucares contidos na fruta e nos doces são de evitar em qualquer dieta equilibrada.

Dieta de um dia típico,  Pode ser o 2 de Janeiro

Ao levantar : um Gin Tónico com pouca água tónica ( lá está a dieta...ter cuidado com as quantidades!); umas amendoas salgadas. Pode substituir o Gin por Vodka.

Pelas 11.00h:  um Café (mas curto, atenção às quantidades) e um Bagaço bem aviado, um pires pequeno a médio de  Azeitonas de Elvas.

 Almoçar imperetrivelmente às 12.30H para dar tempo de enfiar o lanche antes da Janta. Sugestões para este Almoço:  Tripas à moda do Porto. Dispensar o arroz branco que  costuma acompanhar. Beber uma garrafa de 0,75l de Tinto feito com desengaço ( o engaço sempre engrossa o vinho, e ao bebermos apenas 0,75 l estamos também a reduzir em muito a quantidade de líquido que é costume enfardar). Evitar digestivos ao almoço. Guardam-se para o jantar (bom senso e redução calórica importante!).

Pelas 16.30H o lanche: Duas  sandes de leitão e um penalty, mas pedir para lhe retirarem a pele, está provado que a pele do leitão engorda bué.

Às 19.30H o Jantar: Terá de ser Peixe, para que a dieta seja equilibrada. De preferência Peixe cozido ou grelhado, está claro! Assados Nunca! Recomendo então um Bacalhau Cozido com todos, mas onde se retiram as couves e as cenouras do acompanhamento. Apenas batatas, não mais do que 6 por pessoa, dois ovos cozidos, meio kg de grão de bico , e - vá lá para não ser tudo sacrifício - uma meia cebola também cozida. Acompanhar com salsa e alho picados miudos (está provado que são bons facilitadores do trànsito)  salpicar o prato com colorau a gosto e reguem com azeite Virgem Extra abundantemente (também facilita o trânsito). Para servir de companhia a  este sóbrio jantar ,  uma garrafa de 0,75 l de um branco da Cartuxa (passe a publicidade). Há aqui um truque de dietista: Ao evitarmos o Tinto guloso normalmente associado ao bacalhau estamos a contribuir para que a dose consumida do fiel amigo não ultrapasse uma travessa normal (70 cm, funda).

Às 21.30 um pouco de exercício:  sentar-se em frente à TV e beber um belo Whisky de malte. Mas atenção: utilizar copos de Porto e não os habituais Balões! O exercício consiste em levantar por várias vezes (as que conseguir) o copo à boca, na posição de refastelado.

E pronto: Bom Proveito e Boa Sorte para perderem mais uns quilitos... (São capazes de precisar dela...)

Quarta-feira, Janeiro 06, 2010

Viajar de Avião: o Mal necessário?












Trabalho desde os meus 21 anos, quando fiquei no ISCTE a dar aulas logo depois da licenciatura,  mas nos CTT apenas entrei quando tinha 25. Desde esse tempo - e por inerência de funções - muito tenho viajado. Era na altura em que os Correios de Portugal começavam a desenhar a sua rede de Agentes Internacionais para a Filatelia, por todo o mundo. Tínhamos contratos para assinar, reuniões duas vezes por ano para acertar objectivos e definir estratégias, havia - para além disso -  duas ou três Exposições Mundiais também por ano, muitas vezes fora da Europa, etc, etc...

Mais tarde, quando começei a interessar-me pela organização internacional da actividade, fui nomeado perito da Comunidade Europeia para MKT e Filatelia e, nessas funções, muitas vezes viajei para Bruxelas ( uma vez por mês, durante quase 5 anos) e para os novos Países que se tinham liberto da Cortina de Ferro para dar formação de Correios nas duas áreas. A UE estava na forja, o mundo parecia novo e um local admirável para trabalhar, agora que o Muro tinha caído e que todas as esperanças eram possíveis...

Mas mesmo nessa altura em que por função tinha direito a viajar em classe executiva , sempre continuei a não achar muita graça aos "aeroplanos"...

E reparem que nesses tempos  viajar de avião não tinha mais problemas do que chegar ao aeroporto e enfiar-se na cabine, no lugar designado, e depois esperar que o gentil pessoal de bordo começasse a trazer os whiskies....

Viajar de avião era e ainda é (agora cada vez pior) um mal necessário, está claro, pois  tinha tudo menos condicionantes de prazer: era apertado para "gente" como eu (acho que ainda somos "gente", mas não sei por quanto tempo mais...) , a comida a bordo era de vómito,e  se tínhamos o azar de ter ao lado uma "melga" numa viagem de longo curso nem lhes digo os tormentos que passávamos.

Havia momentos menos maus, como naquela vez em que viajava de Seul para Paris na Air France, em executiva. O único passageiro de 1ª classe - um alto dignitário de um País africano que tínhamos conhecido no Congresso da UPU da Coreia - aborreceu-se de lá estar sózinho naquelas poltronas imensas e veio pedir à hospedeira que me deixasse ir para o lado dele, para conversarmos. A Hospedeira queria era dormir (o que se compreende) e disse logo que sim... E então é que foi ver o vosso Blogger a ter acesso directo a garrafas de Veuve Cliquot das verdadeiras (não miniaturas!!) e foie gras Comtesse Du Barry...

Mas se tivesse de fazer um balanço destes 28 anos de muitas viagens, e à parte o "óbvio ululantemente importante" de nunca ter havido uma chatice séria, isto é, de  o avianito sempre me ter ido  buscar e me pousar depois sem grandes problemas (bem, pelo menos sem sequelas físicas notórias, o que já não é nada mau) não posso dizer que fiquei "fan" do transporte aéreo.

Então e hoje em dia o que é que se poderá dizer? Com as chatices monumentais que devem estar a ocorrer em todos os voos para os USA alguém terá vontade de lá ir? Mesmo que lhe dessem depois uns diazitos à borla no, digamos, Plaza de New York (vejam na  foto morcões)...

Está difícil a vida para os que têm mesmo de trabalhar fora do velho continente: há restrições quanto ao consumo de alcoól a bordo (inaudito!!) , temos de chegar ao aeroporto mais de 3 horas antes da hora da partida, são bué os atrasos devido a controlos de segurança, há cada vez mais malas que se perdem os aeroportos ( então Lisboa...) e, ainda para piorar, qualquer dia só nos deixam levar na cabine uma esferográfica BIC (em plástico, of course! E sem carga!)...

Tudo isto me leva a considerar que sendo um mal necessário viajar de avião em negócios, só quem seja maluco é que escolherá este meio de transporte para actividades de lazer... Vão de carro (Por acaso é melhor não irem de carro se se dirigirem ao Sul da Europa...). Vão de comboio (Bem...Excepto no Alta velocidade por debaixo da Mancha). Vão de barco (Sim, mas aqui não convém muito passar perto da costa da Somália...).

Raio que parta tudo! Então como é que um gajo há-de gozar as férias em segurança??!!

Resposta: em casa, a ver o Travel, muitos BluRays em alternativa, com as garrafitas do melhor que houver ao lado e a (o) mais que tudo a ronronar perto de si...Miau...

Terça-feira, Janeiro 05, 2010

O Casamento entre pessoas do mesmo sexo


Este não é um assunto do gosto  "popular"...Pelo menos tendo em vista que nos locais do mundo onde o mesmo assunto foi posto à consulta "popular", por meio de Referendo, levou sempre "tampa"...

Tudo indica que se a mesma matéria fosse avaliada em Portugal por intermédio do mesmo método referendário também seria chumbada. E, se calhar, por larga maioria.

Nestas condições porque é que a "Esquerda" insiste em fazer aprovar uma Lei que - pelo menos à primeira vista - parece ir contra a forma de sentir da maioria (se calhar até da esmagadora maioria) dos portugueses?

Não é a legalidade do processo que está em causa - sabemos que mesmo que exista uma petição de mais de 75000 assinaturas para que um assunto seja analisado na AR, esta continua a ser soberana para legislar sobre o mesmo assunto como entender - mas sim tentar perceber as "minudências" de uma questão que levanta problemas ao centro e à direita sem dúvida, mas que também não será assim tão "popular" como parece aos olhos da esquerda mais "republicana" digamos assim, para não lhes chamarmos a  " velha  esquerda", como já li em qualquer lado.

O maior problema, como muito bem disse André Freire, é que a Democracia não pode impor regras autoritárias das maiorias sobre as minorias.  Se assim fosse, víamo-nos aflitos para defender os direitos da população imigrante (por exemplo, numa altura em que muito boa gente lhes quer retirar direitos fundamentais) ou ainda sobre os direitos dos doentes infectados com HIV a trabalhar e a conviver, ou, para terminar, àcerca dos direitos dos toxicodependentes nesta sociedade onde vivemos. Para já não falar dos direitos dos "meliantes" que quebram as nossas leis e por isso são presos.

Estou seguro que, se fosse a referendo hoje uma Lei que desse ordem de isolamento  a todos os indivíduos "contaminados" com  droga ou em posse desta e que tornasse obrigatória a "limpeza" de sangue para trabalhar e para frequentar determinados locais públicos, muito provavelmente seria aprovada... E que dizer da expulsão dos imigrantes que temos, numa situação actual de desemprego como é a que atravessamos? Há dúvidas sobre os resultados?

Mas, a seguirmos por esse caminho, estaríamos a dar da Democracia Parlamentar uma ideia bem sombria... Mais parecida com o advento de Hitler na Alemanha do Pós-Guerra 14-18, onde o bom, culto e civilizado povo alemão foi, de referendo em referendo, dando poder à víbora que o havia de envenenar.

Reservávamos as Berlengas para os "sidosos", as Selvagens para os toxicodependentes "relapsos" e, quanto aos Imigrantes, das duas uma: ou vinham de bolso cheio para cá investir, ou já não saíam da Portela... Bandido que reicindisse no roubo violento seria de imediato despachado para um Hospital do Estado para se proceder à respectiva recolha de órgãos...

Imaginam quantas pessoas honestas deste País concordariam com estas medidas? Não? Olhem que assustaria qualquer um...

Federico Garcia Lorca foi morto pelos falangistas com um tiro no ânus por ser "maricon"... talvez mais por causa disso do que pelas simpatias pela República.

Não querendo chegar a esse extremo - nem a pôr essas ideias extremistas na boca dos proponentes do Referendo em análise - sempre direi:

Deixem a cada um a liberdade de escolher a forma como se quer relacionar com os outros, desde que isso não afecte os direitos fundamentais dos demais.

Quanto à Moral e aos bons Costumes - potencialmente postos em causa pela exibição pública do "obsceno" casamento - tenham em atenção que qualquer TV tem uns botanicos que permitem mudar de canal... E não estejam preocupados, pois a partir do 10º casamento gay este assunto deixa de ser notícia e tudo voltará ao habitual remanso neste Jardim à beira mar plantado.

Segunda-feira, Janeiro 04, 2010

2010 - Ano da Biodiversidade



















Comemora-se em 2010 o ano internacional da biodiversidade. Desta forma, a Assembleia Geral das Nações Unidas pretendeu aumentar a consciencialização da população do planeta para a importância da biodiversidade, através de acções de divulgação e informação. Neste contexto, é com grande satisfação que os CTT se associaram a esta nobre iniciativa, a qual procura alertar o público português para os valores da biodiversidade, para as ameaças que sobre ela pairam e para o que podemos fazer para travar a perda continua da diversidade biológica do planeta. Todos podemos e devemos participar nesta batalha, que é também a da nossa própria sobrevivência.

A expectativa dos CTT  é contribuir para que a sociedade conserve o ambiente, conciliando as especificidades sociais e culturais com a preservação da biodiversidade e com o uso sustentável dos recursos naturais.

Tendo estes aspectos em atenção, os CTT assinaram um Memorando de Entendimento com o Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, relativo à contribuição dos CTT para o objectivo europeu de “Parar a perda da biodiversidade até 2010”,

No âmbito desse Memorando de Entendimento, os CTT decidiram produzir uma agenda para o ano de 2010 sobre a temática do Ano Internacional da Biodiversidade, e para esse objectivo necessitávamos de um Parceiro com conhecimentos específicos nessa área...

Sabíamos que o Instituto Superior de Agronomia tem desenvolvido o ensino, a investigação e a prestação de serviços à comunidade na área das ciências agro-florestais, dedicando especial atenção às matérias relacionadas com a ecologia, o ambiente e os recursos naturais.  E , mais concretamente, também era do nosso conhecimento que o Centro de Ecologia Aplicada “Prof. Baeta Neves” do Instituto Superior de Agronomia (CEABN/ISA) desenvolve investigação em biodiversidade, possuindo um capital de conhecimento e experiência ímpar e valioso.

Desta forma  tomámos a iniciativa de associar tão prestigiadas instituições universitárias e de investigação aplicada à nossa ideia de celebrar a BIODIVERSIDADE filatelicamente.

Não só ao nível da Agenda 2010, mas também tendo em vista a Emissão de Selos que dedicaremos ao tema também neste ano.

Agenda 2010 dos CTT - 25 euros (numa estação de Correios perto de si...)

Sexta-feira, Janeiro 01, 2010

O Sacristão do Ano Novo


Nota Prévia: isto é ficção! Embora tenha alguns factos reais... Mas não digo quais são.

Houve tempos em que a vida de sacristão , aqui na província, era boa e recomendava-se.. Interlocutor da espalhadíssima beatice e seu intermediário junto do pároco, essa "mediação" não deixava de lhe dar galinhas e ovos, por vezes algum cabrito ou queijo da serra.

A hierarquia religiosa tinha Deus Nosso Senhor, depois os Anjos e os Santos que "intermediavam" as relações dos crentes com a Divindade, depois o Padre que "intermediava" as relações com os Anjos e Santos, em seguida o Sacristão que abria a porta do Padre, e por aí abaixo, recomeçando na beata mais poderosa da paróquia (que controlava a Irmandade) e terminando na mais jovem criancinha da catequese.

O "poder" do Sacristão era mais visível nas alturas dos baptizados, casamentos e funerais. É claro que para tudo isto era necessário falar sempre com o Padre, mas quem dava a indicação sobre a altura ideal para a entrevista era o Sacristão.

Os Padres - nessa altura -  ainda não vinham à porta despedir-se dos paroquianos e as conclusões do Concílio Vaticano II do Bom Papa João (Cardeal Roncalli) pareciam demasiado liberais para estas freguesias da serra... Boas para as cidades e para as suas "elegâncias" , talvez, mas definitivamente desajustadas da vida religiosa de locais onde ainda não havia electricidade em casa , nem saneamento básico...

Mas tudo isto ia paulatinamente mudando...

Ora um dos Sacristãos que oficiava aqui na Paróquia lá para os anos 70 - O Jorge , por alcunha "Chalana" devido à simpatia clubística -  começou a sentir amargamente o efeito dos modernismos na sua bolsa (e barriga...) . De tal forma que se atreveu a pedir aumento ao Pároco, dizendo que daquela maneira não podia sustentar a Mulher nem os filhos.

O Padre - cujo rendimento ao tempo vinha das esmolas dos crentes e dos casamentos , baptizados e funerais que fazia - respondeu-lhe que não podia.  Com a diminuição de casamentos e de nascimentos na aldeia (e sobretudo das esmolas na missa dominical, pois havia aqui muita emigração) restava-lhe esperar pela morte dos paroquianos... Mas nem aí se safaria, dado que com a construção do novo hospital e com o sistema nacional de saúde Arnault , os velhinhos iam ficando cada vez mais velhinhos...

 "-Também porque é que Vocemecê se casou? Sacristão devia ser celibatário, como os Padres, devido à dignidade da função!"

O nosso Sacristão não gostou de ouvir e , em desespero de causa, começou a servir-se de vez em quando do cofre da Irmandade, da qual era tesoureiro. Muito bom tesoureiro, aliás, pois não deixava passar nenhum Agosto que não andasse pelas casa dos emigrantes a pedir para a dita Irmandade. Et pour cause...

As Festas iam-se fazendo, os andores andavam bem ataviados, as irmãs e irmãos lá se reuniam uma ou duas vezes por ano para falarem da organização das ditas festas, mas tudo confiava no Tesoureiro, a quem nunca eram pedidas contas...

Até que o velho pároco se aposentou, dando entrada a um "homem novo"... Novo em tudo, na idade e no entendimento do relacionamento com os paroquianos. E, imaginem, de tal modo intrometido que até quis ver as contas da Irmandade!

Com o desespero na alma o Sacristão decidiu simular um roubo. Como morava ao lado da Igreja tudo lhe pareceu relativamente fácil: Iria à Sacristia já de noite, por ter ouvido algum ruído, dava uma queda que lhe permitisse mostrar alguma maleita, previamente arrombava o cofre da Irmandade e terminaria a cena com o toque a rebate dos sinos , para que o pessoal serrano testemunhasse a ocorrência.

A data escolhida para a a tramóia seria a noite de fim de ano, onde toda a gente da aldeia cozia a bebedeira apanhada à espera da meia noite.

Nessa passagem do ano geava a sério e fazia um frio de rachar. Ninguém andaria cá por fora lá para as duas ou três da manhã...

Excepto - está claro - os famosos compadres borrachos Manuel da Angélica, Zé Peido Manso (já conhecido de outras lides) e Ti Correia Môco (era surdo como uma pedra). Esta prestigiada trupe tinha andado toda a santa noite de adega em adega , e já com os tanques atestados não era uma geadazita que lhes fazia medo. Pelo contrário, até se achariam num clima tropical...

Uma (não a única) consequência das bebedeiras era a necessidade de desapertarem as braguilhas frequentemente. E, à boa maneira portuguesa, quando um o fazia lá tinham os outros dois que desabraguilhar também, regando principescamente alguma parede mais acomodatícia.

Tal era o tamanho da "cadela" com que se encontravam (ou não estivéssemos no reino dos serra-da-estrela) que não deram por estarem  encostados ao muro da Igreja numa das alturas em que deram largas (muito largas) às respectivas precisões.

Nessa altura exacta o Sacristão estava a partir o cofre à martelada, nem a 5 metros do urinol improvisado.

-"Oh Manuel tás a ouvir isto?"  perguntava o Peido Manso.
-" Tou, tou, parecem coices de mula nalguma porta".
- "Qué que vocês tão prá aí a ladrar?" retorcava o Môco, que ouvir , não ouvia nada, mas ainda via bem demais.

 O Sacristão continuava a martelar.

- "Atão isto não é alguém a bater?" tornava o Zé.
-"Ai C**** Nã me digas que mijámos na parede do cemitério e vem por aí alguma alma penada!!"
- "Tais bêbedos ou quê??!! Onde é qu'isto é o cemitério? Ainda agora estávamos à porta da tua adega Manel!"

O Ti Correia Môco, que via bem, lá olhou para cima e descortinou por entre os fumos do alcoól uma torre sineira com  cruz.

- "Querem lá ver que estamos mas é na Igreja?"
- "Oh Diabo!! vamos mas é desandar antes que alguém nos veja!"

Nessa altura o Sacristão veio para fora e deixou-se caír pelas escadas abaixo do adro, conforme tinha congeminado. Caíu e ...veio parar em cima do Zé Peido Manso, que já tinha dado corda aos sapatos primeiro que todos. Tal foi  o baque que o Zé perdeu os sentidos logo ali.

-" Ai que me mataram agora mesmo, ali na sacristia!" Gritava o sacristão.
-" Oh Chalana, Olhe que não fomos nós! Foram dois cães que ali mijaram e eu ainda os vi a fugir!" dizia o Ti Môco, sem ouvir nada das lamentações do sacristão.
-" Ai que me dói o corpo todo" repetia o desgraçado
-" DOIS CÃES , VÍRGULA, COMPADRE CORREIA! FORAM TRÊS QUE EU BEM OS VI!" reforçava o Manel, aos gritos para o outro o entender. E continuou:
- "O COMPADRE ZÉ TÁ MUITO CALADO?"
-"Olha, pôs-se para aqui a dormir!Temos que o levar para a Sacristia"
-" Para aí não que ainda podem lá estar os ladrões!" vociferava o Chalana.
-" Mas estiveram aqui ladrões?" perguntava o Manel, antevendo uma janela de oportunidade.

E logo continuou:

-"OH COMPADRE CORREIA (aos berros, já se sabe) V. TEM A CERTEZA QUE ERAM CÃES QUE ALI MIJARAM?? NÃO SERIAM OS LADRÕES DO NOSSO SACRISTÃO?"

 O Ti Môco era surdo mas não era parvo... E logo apanhou a ideia:

-"Ladrões e dos grandes! Três ou quatro! Grandes porcos! A mijarem na Igreja depois de a terem roubado! Já não há respeito! Eu ainda vi um que trazia barba!"

E foi assim que o Chalana se safou com a safadeza, arranjando quando menos o esperava três testemunhas credíveis (bem, duas, porque o Zé Peido Manso só deu de si para o almoço do Ano Novo).

2010 - O Ano da República

Comemorar o centenário da República é digno, importante e também pedagógico. De todos os acontecimentos fracturantes da nossa História de quase 900 anos contam-se pelos dedos os que tiveram assim tanta importância na vida da Nação: O nascimento de Portugal,  a crise de 1383, as Descobertas , a Restauração de 1640, a implantação da República, o 28 de Maio e o 25 Abril.  Podíamos, mais modernamente, também incluir a integração na UE e a adopção do Euro... Não sei se assim de repente me faltou algum, mas para quem não é especialista penso que está mais ou menos bem ...

A 1ª República não foi  um mar de rosas para quem vivia no rectângulo, Teve muitos problemas, tantos que mais tarde "gerou" o Estado Novo em reacção aos 16 anos de bagunça governativa e de degradação económica.  Mas a sua ocorrência teve o condão de despertar o País para as boas práticas civilizacionais: a maior participação das pessoas na vida pública, o saneamento básico e a escolaridade, a abertura do mundo das decisões políticas e económicas às mulheres (embora muito lentamente),

O voto, tal como existe hoje, é a pedra basilar de qualquer sistema político democrático e, na prática, é a pedra de toque em relação à qual avaliamos a qualidade civilizacional dos povos e das nações.

Bem sei que também é fruto da Democracia e da República, a Demagogia que criou os "Albertos Joões" deste mundo... Mas será esse um preço relativamente barato que temos de pagar pela livre expressão das opiniões e pela liberdade do pensamento e das acções.

Por estes motivos saúdo 2010 com um sentido e "tonitruante"

VIVA A REPÚBLICA!

Quinta-feira, Dezembro 31, 2009

A "Passagem" do Ano



Está um frio do caraças nesta altura e o granizo bate nos vidros que até nos faz lembrar o velho poema (alterado a gosto do artista):

Bate leve, levemente
Como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Só se for o gajo das Finanças
Que o Cobrador do Fraque não bate assim...

Mas adiante. Ainda ontem me estava a queixar que não fazia frio e que me chateava estar aqui no cume mais alto da continental portugalidade como se estivesse em remanso nalguma Veneza do Adriático... eis senão quando os deuses me ouviram - ou me leram, o que de repente me fez pensar para quem ando a escrever neste Blog - e vai daí não foram de modas e desataram ao granizado cá para baixo como quem acerta no palhaço da feira.

Estamos a olhar para a TV , passando de canal, algo incrédulos com o que o português médio sem acesso ao cabo tem de gramar todos os santos dias. A escolha parece ser entre um obsceno programa com criancinhas a cantar, ou um tal de "Ìdolos" , ou ainda mais um programa com gente a cantar ao desafio (ou lá o que seja). Valha-nos a "2" . Nem sei o que passará hoje, mas TEM de ser melhor do que isto!

O Portugal profundo das pessoas que ainda não aderiram à ZON ou à MEO deve estar cada vez mais fora de fase com o "outro" país, aquele em que vivem e legislam os Srs Ministros ... E onde  as élites (para o mal e para o bem) se passeiam com os seus próprios problemas, tão diferentes destes aqui de cima, da Beira Alta agrícola e sem industria,  nem fábricas, nem empregos...

Estamos a beber  Espumante. Começámos pelo Cava Juvé i Camps e avançamos depois para o  de moscatel galega da Casa de Sarmento,  acompanhado por uns foies gras, patês e carnes frias andaluzas, manteiga de ovelha, queijo da serra curado e de entorna, salmão da Irlanda fumado; Pão de centeio local, quentinho do forno. Tudo isto em antecipação de chegar a "Passagem do ano", altura em que se metem à boca  as doze passas e se bebe o último flute, antes de nos enfiarmos nos lençóis...

Deprimente?

Para alguns pode assim parecer. Eu, do alto dos meus 54 anos, só me apetece dizer: e que  o ano que vem seja, pelo menos, tão bom como este, com a mesma mesa farta e espumante à maneira.

É que as coisas não estão fáceis. E para quem pensa o contrário talvez faça falta um estágio aqui no País real, onde se medem as venturas do dia a dia conforme o almoçito tenha sido de sandwichs ou de comida de prato...

Estou nesta noite meio "chôcho",  é verdade. Amanhã prometo que farei do 1º Post de 2010 um grito de boa disposição e de esperança para todos os leitores.

Só amanhã...

Arroz de Tamboril em boa companhia



Estime-se um tamboril inteiro aí com uns 2,5 kg.  Comprem-se à parte dois fígados da mesma besta  - dessa e doutra, pois não conhece a ciência actual Tamboris com dupla figadeira, tal como (infelizmente) os leitõezinhos não são só feitos de costela...

Compre-se também uma embalagem de miolo de Mexilhão e outra de Camarão descascado grandinho.

Faz-se a habitual puxada com bom azeite, alho e um pouco de malagueta e sal.  Depois de alourar a cebola introduzem-se na puxada os lombos do tamboril para dourarem, dos dois lados. 

À parte já se cozeu a cabeça do bicho, aproveitou-se a água e desfiou-se a mesma cabeça, limpando-a de ossos , peles e quejandos.

Depois de dourados os lombos introduzem-se no mesmo tacho os camarões e os mexilhões. Deixamos apurar uns minutos.

Só depois introduzimos o arroz ( estufado) e fritamos por momentos, envolvendo-o nos materiais já refogados.

Acrescente-se então a água de cozer a cabeça, com todas as febras que aproveitámos,  na proporção de 3 chávenas para uma de arroz. Deixamos cozer o arroz e, lá para metade do tempo de cozedura, metemos os fígados cortados aos pedaços. Rectifique-se de sal enquanto coze.

Estando o arroz bem cozido levem ao forno quente por 10 minutos para tostar os fígados e secar um pouco o arroz.

Sirvam de imediato polvilhado de coentros frescos cortados ao momento.

Bom Proveito lhes faça! A nós soube que nem ginjas...

Votos do Amigo Paulo

Caro Amigo Raúl


Aproveito este meio para desejar ao Blogger, ao seu Senhorio e restante família, assim como a todos os leitores deste excelente Blog um Ano novo pleno de saúde, cheio de boas comezainas e de regozijo pelos objectivos alcançados ou se preferirem pelas dificuldades ultrapassadas.

Um grande bem haja

Paulo Mendonça

Amigo Paulo e família: Muito Obrigado pelos votos, que retribuo com  grande abraço!! E fazendo já a seguinte "combinação": aguardamos a chegada da Senhora Dona lampreia para tratarmos dessa ocorrência no local do costume....Seca, fumada à moda da Galicia e em arroz , pois claro!

Manhã Submersa


Submersa de água!! O que é que estavam por aí a pensar seus aleivosos? É a Inverna que não pára de atormentar estas terras, com chuva batida a vento e temperaturas indignas da Serra da Estrela neste mês: 11º às  7 da manhã... Nunca se viu disto cá por cima. Por esta altura costumam os prados acordar brancos de geada e a temperatura a roçar os 1 ou 2 grauzitos...E ainda dizem , em Copenhaga, que estas coisas do aquecimento global são para levar com calma.

Manhã Submersa de água, Obviamente!! Se bem que...

A Noite foi passada entre Amigos, como seria de esperar, tendo-se chegado a algumas conclusões notáveis lá mais para a meia noite:
a) Em primeiro lugar havia que louvar as terras e o clima de Deus nosso Senhor, que contribuíram para que este Dão fosse o que fosse.
b) Em segundo lugar, a sapiência do enólogo local, mas também a sua habitual modéstia, rodeando-se dos presságios e conselhos de gente entendida (todos ali presentes) , o que só poderia abonar em favor do resultado final.
c) Em terceiro lugar, o facto deste mosto ter sido muito acompanhado, por tardes e noites de  salutar convívio na Adega. Ora está provado (tanto quanto parecia aos presentes) que quanto mais o mosto sentir à sua volta este ambiente de confraternização, mais tendência terá para melhorar em qualidade... Houve até quem sugerisse que não estaria fora de causa equilibrar a qualidade do mosto com a do presunto e queijo consumidos nesses convívios. Mas a esse mandámos calar, por estar a esticar demasiado a "corda".

Quando começaram as cantorias " a capella" chegou a minha Sogra com uma vassoura de piassaba e lá abandonámos , melancolicamente, o local de culto.

Para mim , meu senhorio e meu cunhado, a "viagem" foi de alguns metros ( e mesmo assim...).  Agora para os Amigos que se deslocavam para fora da aldeia telefonou-se à mulher do que perdeu aos dados para os vir buscar. E ela veio, mas transfigurada como se fosse  uma das Fúrias helénicas, adivinhando-se o fato de treino por cima do pijama  e a  melena desgrenhada (esta não se adivinhava, via-se mesmo. Via-se até a dobrar).

 Agora há que preparar um lanchinho de reconciliação, já que alguém tem que vir buscar os 3 carros estacionados à porta... Será uma antecipação da passagem do ano, lá pelas 17.00h...

Entretanto vou tratar do almocinho: Arroz de Tamboril com Gambas e Mexilhão. Espero não confundir as gambas com os bocados de tripa enfarinhada dos rojões, que lá estão também no frigorífico...O melhor é esperar mais umas horitas...

Quarta-feira, Dezembro 30, 2009

Tintus Magnificus!!

Na sala do laboratório o frio era sepulcral, comparável ao silêncio que rodeava o "Xaman" de bata branca que , do seu pedestal de conhecimento específico rareava o olhar severo por entre os míseros mortais que dele esperavam sapiência e boaventura...

-"O Sr deu aqui um nome de terra que não consigo entender?"
- "Oh Sr Doutor foi Estoril,,,"
-" Mas aí há vinhas??!!"
-"Não senhor, pelo menos que eu saiba.. Só em Carcavelos..."
- Mas então??!!"
- Vim fazer a Análise ao meu cunhado e tive de dar o nº de contribuinte, como não sabia o dele ficou tudo em meu nome..."
-" Ah! Já percebi. Muito bem. Aqui tem a análise."
- " E ( depois de ler os resultados) isto pode beber-se Sr Doutor?
" "Pode sim senhor, mas com cuidado!! Sobretudo se for a conduzir a seguir! Tem aqui uma pinga do C****!"
" Olha que P***! Muito Obrigado e Boas Festas!"

Então tomem lá qué p'rá aprenderem:

Açucar: 3,4 (Extra Brut)
PH - 3,66
Acidez Volátil - 0,46
Grau Álcool - 14,5

Salvaguardadas as devidas distâncias este tinto feito em casa, da vindima do Dão de 2009, tem valores de análise comparáveis aos (por exemplo) de um Grand Malbec feito a partir de Merlot...

Ah grande cunhado que estás perdoado por me teres ido às Magnum da Passarela sem me dizeres nada!!

Vamos lá então festejar...

É de esperar o pior.

O Centro de Estudos Vitivinicolas do Dão


A famigerada análise só estará pronte hoje, o que me dá algum tempo para vos falar do Laboratório e do local onde será feita.

Afinal fomos dirigidos ao Centro de Estudos Vitívinicolas do Dão e não à Adega Cooperativa, como de início imaginei.

Este centro situa-se na Quinta da Cale, mesmo à entrada de Nelas e falar dele é o mesmo que falar do seu grande Director, Engº Cardoso Vilhena.

Tomou posse em 1958 e durantes os 30 anos seguintes foi investigador e defensor incansável da sua Região, tendo realizado um trabalho notável sobre as castas mais apropriadas para estes terrenos, com realce obviamente para a mestria com que trabalhava a nossa "casta rainha", a Touriga nacional.

Quando abandonou - por limite de idade, em 1988 - o cargo de Director do Centro de Estudos, pode dizer-se que o Dão a ele devia quase tudo. Basta ouvir o que o maior cultor da vinha na Região - O Engº Álvaro de Castro - diz dele.

Fazia vinhos notabilíssimos. Ainda tive a honra e o proveito de os provar, naquelas garrafas pesadas do tipo Borgonha, com os rótulos pretos e brancos característicos.

Naquela casa havia brancos (Encruzado?) com mais de 15 anos que se bebiam com a frescura do ano em que se tinham engarrafado...E Tintos tão extraordinários que (diz quem sabe) foi ao prová-los que a Sogrape decidiu avançar para o grande investimento na Quinta dos Carvalhais, o maior no sector na altura em que foi feito.


São nos Brancos Primus e nos Tintos da Pellada topo de gama do Engº Álvaro de Castro que ainda hoje consigo retirar semelhanças com essas "pingas" do Engº Vilhena..

Homenagem e louvor arrumados, vamos lá então buscar os resultados da análise enquanto ainda houver unhas para roer...

Terça-feira, Dezembro 29, 2009

Atum na Beira
























Desta vez dei companhia aos tradicionais Cherne, Garoupa ou Tamboril e arranjei forma de trazer para cima dois produtos antigos e de agradável petisqueira lá mais para o Sul , para os Algarves…

O tradicional Atum de Salmoura (seco e salgado) e as extraordinárias “Ventrescas” de Atum fresco, as partes da barriga que os conhecedores mais apreciam.

O velhinho Atum de Salmoura da Rua do Arsenal e da zona ribeirinha de Vila Real de Santo António é a base da Estupeta de Atum algarvia, quando desfiado finamente à mão e miscigenado com tomate ,oregãos ,azeite, vinagre e o mais que lhe queiram pôr. Também se transforma, quando compactado e depois de passagem de estufa, na Muxama ou Muchama, do árabe Musama (seco), o antiquíssimo “presunto do mar” que ainda hoje é fabricado por um resistente produtor algarvio da zona de Vila Real.

Era (talvez já não seja) um petisco típico de taberna aqui em Lisboa, e apesar da sua condição o aguentar por muitos dias em tempos sem refrigeração, não sei se seria muito conhecido no país do interior Centro e Norte. Pelo menos aqui a minha gente nunca antes o tinha provado…
A maneira clássica de o confeccionar (ver na foto) é cozido com batatas, grelos  e cebolas, introduzindo-o na panela a meio da cozedura das batatas. Obviamente que antes disso houve que o dessalgar em agua, por 48 horas, como se faz ao fiel amigo.

Mas hoje vou experimentá-lo com uma boa cebolada alhada, em azeite do nosso, deitando-a por cima da travessa funda onde já repousam as “belouras” e os lombos do Atum , ambos cozidos.

As Ventrescas são prato mais fino e para gente mais afiambrada… Normalmente são grelhadas depois de ligeiro sal dos dois lados, mas também se podem comer assadas no forno, com um pouco de tomate e cebola…

Vamos a ver como sai isto para o almoço…

Entretanto vou a caminho de Nelas para a famosa e temida “Análise ao Tinto”…

Segunda-feira, Dezembro 28, 2009

A complexa análise ao Vinho



A maioria dos mortais pensará que nada existe de tão simples do que uma análise ao vinho que está ainda nos depósitos, aguardando para ser engarrafado... Tratar-se ia de retirar uma pequena amostra do liquido em causa para um recipiente bem lavado, levà-la ao laboratório com o qual se firmou contrato - neste caso o da Cooperativa do Dão, em Nelas - e aguardar com serenidade os resultados.

Erro crasso, embora compreensível...

Aqui no sopé da Estrela o problema complica-se, e muito,  dado que o proprietário\enólogo\adegueiro necessita de algum conforto espiritual antes de empreender a perigosa jornada em demanda do Laboratório e dos seus inexoráveis resultados finais.

Trata-se, no fim de contas, do culminar de um ano agrícola - neste momento apenas a azeitona dará que fazer, lá mais para Janeiro - e para todos os efeitos a famigerada Análise é  a prova real que mede os esforços e a sabedoria do "impetrante" agricultor.

Tal como os estudantes ansiosos antes dos Exames Nacionais (bem, enfim, talvez noutros tempos) , o nosso jovem agricultor de  52 anos (jovem quando comparado com a geração anterior, que será sempre a bitola contra a qual será avaliado) estremece ao pensar no que pode acontecer "lá para Nelas, naqueles laboratórios".

Para colher ânimo em seu coração vai então convidar os Amigos e familiares para as sessões de pré-prova analítica. O que são estas sessões? São apenas convívios de adega, onde o vinho é provado à espicha por todos e onde desde logo se tecem as encomiásticas elegias ao trabalho do "enólogo" e ao resultado do mesmo, ou não fosse o mesmo  "enólogo" aquele que lhes proporcionou , para além de basta quantidade de vinho (branco e tinto, em prova ou fora dela) as competentes chouriças, queijos e lascas de presunto que são imprescindíveis ao "trabalho" da pré-avaliação vinícola...

Assim, desta forma reconfortado pelos seus pares, vai o JAEP (Jovem agricultor de elevado potencial) a caminho de Nelas e da Prova Final. Vai o JAEP mas não vai de JEEP, porque aqui na Serra, em pequeno minifundio, não chega a tanto o resultado liquido da actividade agrícola...Nem sequer a uma bicicleta a motor, quanto mais a um JEEP...

Terá sorte? Logo que se saibam os resultados não deixarei de aqui os publicar. Uma coisa,  porém, é certa: Se forem bons há que festejar ...bebendo. Se forem maus há que colher conforto e reanimar a alma...bebendo. Afinal o vinhito fez-se para isso mesmo.

Agora vamos para a Missa no Convento de Gouveia.

Domingo, Dezembro 27, 2009

Tá-se bem malta!


Ainda agora mesmo aqui cheguei a S. Martinho de Seia e já provei o vinhito branco que tanto trabalho e prosa deu no Verão passado... E bebe-se bem, posso garantir! Até bem demais ...Com os 4 grauzitos de temperatura ambiente que já estão pelas 14.00h...

Os Amigos do SP desafiam-me, dizendo que deve dar mais trabalho fazer comida do que colocar belas imagens na InterNet...

Ora peço licença para discordar. Para mim cozinhar é uma forma de terapia. Sabe-me bem estar de volta dos tachos e das panelas, ao fim de semana, em casa ou em casa dos amigos. Sei que é hoje um lugar comum falar destas cenas de temperos como sendo terapia, mas verdadeiramente devo confessar que cozinhar me sossega...

Talvez porque há sempre um objectivo definido: dar de comer , e bem, a quem nos une algum laço de amizade ou de amor. Quantas vezes o nosso trabalho de todos os dias se definha porque (exactamente!) não tem quem o compreenda, nem quem o valorize? E porque, muitas  vezes, vezes demais, essa valorização depende do conhecimento e o conhecimento, esse, está guardado dentro de quem faz e não dentro de quem avalia...

Enfim, filosofias baratas que se desfazem ternamente diante de um belo fogão , algumas cebolas, alho que baste, tomate que se preze, e boa vontade do aprendiz de "queima-cebolas"...

Este Aprendiz muito deve ao Amigo Mendonça, que o ensinava pelo exemplo, mas também a uma saudável curiosidade pelas coisas de comer e de beber, apoiada em muitos anos de "utente" desses mimos.

Passar de Utente a Cliente e deste a Cozinheiro\Fornecedor , convenhamos que é tarefa difícil...Sobretudo porque o "Je" estava mal habituado. Até aos 44 aninhos fui Utente e Cliente. Gastrónomo acho que ainda não sou...Estou a aprender com alguns dos melhores... Agora, Cozinheiro é mesmo a brincar...

 Utente é quem come o que lhe colocam à frente - "O Utente da cantina da cidade universitária". Cliente é quem escolhe o que come, Gastrónomo é quem ensina aquilo que quer que lhe sirvam, Cozinheiro\Fornecedor é o desgraçado que tem que dar de comer aos três...E às vezes ao mesmo tempo.. E às vezes estando todos os três grupos sentados na mesma mesa... Convenhamos que não é fácil...

Imaginem o filme com o "dinheiro utente"  (aquele que paga a conta, neste caso um "javardo" endinheirado) sentado à mesa com o "cliente remediado" e dando a sua direita ao "gastrónomo teso"... O Primeiro queixa.se da dourada de mar, assada, com quase 3,5 Kg, raríssima nos dias que correm, porque "está nuito rija, para peixe!"...O Segundo acha que nunca lhe passou coisa tão boa pelo estreito e o Terceiro, amaldiçoa o Chef de cozinha que foi  enfeitar de tomate e cebola,  peixe de tal nobreza...

O Chef de cozinha, que só tentou agradar a quem paga, deve dizer mal da vida dele e desejar que vão os dois extremos (Utente e Gastrónomo) entreter-se com os cornos de ambos os progenitores...

Por esse motivo e depois de mais de 25 anos de observações científicas, tenho algum pudor em passar da categoria de Cliente à de Gastrónomo...

 Para bom entendedor...

E pronto, mesmo com o frio está-se-me a secar a garganta, motivo pelo qual empreendo a dificil jornada até à Adega onde não só é o Branco que me espera, como também há que experimentar o tinto de 2009, antes de o levar a Nelas para análise na Cooperativa do Dão...

São servidos?

Quinta-feira, Dezembro 24, 2009

Para Descansar a Vista

Despeço-me de Lisboa, e de todos os Leitores, com dois poemas de Natal , neste 24 de Dezembro chuvoso que baste. São de Mestre David Mourão-Ferreira, e se um deles, o primeiro, acende em nós algum pessimismo e nos pinta a quadra de cores carregadas, o outro suaviza a mente com a lembrança gentil de tempos passados...


Feliz Natal para todos!
LADAINHA DOS PÓSTUMOS NATAIS



Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que se veja à mesa o meu lugar vazio

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que hão-de me lembrar de modo menos nítido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que só uma voz me evoque a sós consigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que não viva já ninguém meu conhecido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem vivo esteja um verso deste livro

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que terei de novo o Nada a sós comigo

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que nem o Natal terá qualquer sentido

Há-de vir um Natal e será o primeiro
em que o Nada retome a cor do Infinito


NATAL À BEIRA-RIO
É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
A trazer-me da água a infância ressurrecta.

Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
Que ficava, no cais, à noite iluminado...

Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra a terra me envolvia
E quanto mais na terra fazia o norte de quem erra.

Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me

À beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
Precisam de Jesus, de Mar, ou de Poesia?

David Mourão-Ferreira, Obra Poética 1948-1988


Quarta-feira, Dezembro 23, 2009

Desenhos de Selos

Afinal ainda cá estou hoje e amanhã, acompanhando os colegas que estão a arrumar todos os materiais filatélicos trazidos da Casal Ribeiro aqui para a Praça D. Luis I. Será trabalhar mesmo até ao final da manhã da véspera de Natal.

 Houve quem me pedisse que não me despedisse deste ano sem deixar alguns "bonecos" relacionados com a actividade filatélica, mas só encontrei disponível material relativamente moderno... Decerto que na Fundação das Comunicações , onde está em fiel depósito o espólio filatélico dos CTT, se encontram coisas mais interessantes para os Filatelistas e coleccionadores de curiosidades, mas esses materiais não estão disponíveis on line, e para tirar fotografias não poderiam V. encontrar mais patego do que eu... Quando não corto os pés aos fotografados acabo por lhes cortar a cabeça...

O Corporate das Estradas de Portugal de 2008 aqui fica. Assim como um selo de 2005 sobre a protecção das Florestas, que foi utilizado, já agora, em publicidade do Grupo Amorim. E ainda um Auto-Adesivo  (já sei que não gostam)  da emissão base de 2009.

Feliz Natal!!

Terça-feira, Dezembro 22, 2009

A Modernização da Ceia de Natal



A refeição da Noite de Natal já teve em tempos contornos mágicos, associados a uma época onde a Igreja e os seus cultos faziam parte integrante da mitologia natalícia.Pelo menos para os católicos... Ia-se à Missa do Galo - que começava algures entre as 21,30h e as 23,00h , conforme as paróquias. Deixava-se a mesa já posta com os doces da quadra - as filhoses, as fatias douradas - e o bacalhau já meio cozido com as couves, tudo   abafado em água quente numas panelas rodeadas de cobertores de papa e jornais velhos.

Quando se regressava da Igreja ia-se para a mesa e só depois da refeição se abriam os presentes dos adultos. Os das crianças seriam descobertos lá mais pela manhãzinha. Antes da "deita", lá para as 2 ou 3 da manhã, ainda era costume beber um Porto Vintage ou um Whisky velho...

Hoje em dia não sei se existirão ainda muitos portugueses que vão à Missa do Galo, e quanto à Ceia de Natal, vou ali e já venho...Transformou-se na maioria dos casos em Jantar de família (em havendo a sorte de termos a família do nosso lado).

Como - e muito bem - as mulheres já se deixaram da escravidão secular dos tachos e panelas, é usual e até divertido as tarefas dessa noite serem compartilhadas pelos comensais.

Façam o Bacalhauzinho , pois claro, mas inovem na receita. Assem-no no forno com batatas meio cozidas com a pele que depois se descascam e ficam a marinar por uma hora dentro do tabuleiro de forno onde já está o Dom Bacalhau, cebola às rodelas, muito alho picado (para quem gosta do sabor , mas não de os trincar) e azeite do melhor. Virem as postas para dourarem dos dois lados. Umas folhinhas de louro e duas malaguetas desfeitas no mesmo azeite são sempre bem vindas...

Antes ponham a "Jubentude" a trabalhar se os conseguirem afastar da TV Cabo. A preparar e a decorar as travessa de acepipes já feitos que se compraram previamente: Bom Paio branco de Portalegre,  de porco preto, fatiado fino, Presunto de porco preto, Cabeça de Xara (em havendo),  Salmão fumado , idem , idem (se comprarem em lombo sai mais barato e sabe melhor...dá é algum trabalho a cortar...), Anchovas, Muxama de Atum (se a encontrarem), Vários Patês de caça, um Foie Gras se houver ainda algum euro que dê para isso (o de pato é mais barato que o de ganso, mas... não é a mesma coisa), Ovas de Salmão (Caviar dos pobres) completam a mesa.

Contra o que é comum na mesa de todos os dias, dou o conselho de comerem primeiro o bacalhau e só depois trazerem os acepipes. A mesa fica bem composta com essas travessas e com as tradicionais broas e fritos da temporada. Bolo-Rei  ao meio, rodeado dos doces. E na seguinte coroa circular os salgados.Já sabem que odeio o cheiro a fritos em casa e na cozinha, por isso, e se forem como eu,  o melhor é comprar tudo o que é doce de fritar fora... Há a Garret do Estoril - embora para lá entrar a partir de 23\12 só com passaporte especial - mas há também a velhinha  Confeitaria Nacional e tantas outras...E não se esqueçam da casinha de pronto a comer da Pontinha: Sabores Calientes.

Para beber?

Comecem  - para o Bacalhau - com um tinto vigoroso e cheio, carnudo e cheirando a pinhas, o PAPE 2005 de Álvaro de Castro (entre 18 e 25 euros). Continuem apenas com espumantes . Recomendo o Vértice ou o Vintage da Murganheira ( a cerca de 11euritos  o primeiro, mais ou menos a  20 euros o segundo).

Terminem com o Porto Vintage de 2007 a que puderem chegar ( estará, se tiverem sorte, perto dos 50 euritos)...

Filme recomendado para a Noite de Natal, antes de abrirem as prendas: A Idade do Gelo 3. Em alternativa um clássico dos clássicos: It's a Wonderful Life,  a obra-prima de Frank Capra, com James Stewart

Bom Natal para todos!!

Nota: Nestes dias que se seguem até ao Natal não sei se vou manter esta "coluna" com a recorrência habitual...Próximo Post garantido lá para 27, do alto da Serra da Estrela  onde espero que o vinho  branco já esteja a dar boa prova, não sei se se lembram...

Segunda-feira, Dezembro 21, 2009

Política de Inverno


Dois fundadores do PS, Eurico de Melo e Fernando Ribeiro da Silva, assinam no Público de hoje uma "injunção" aos membros do PSD para que regressem aos valores que tornaram o Partido grandioso no passado, nomeadamente e cito "a predominância do idealismo do servir sobre a voracidade do protagonismo individual ou de grupos, que a nada conduz, como os últimos tempos têm dolorosamente confirmado."

Também Marcelo Rebelo de Sousa, noutro registo, não concorda com a proposta santanista de um Congresso antes das eleições para a liderança do PSD, por considerar que seria um Congresso de ajuste de contas, prejudicial ao Partido e um verdadeiro presente para José Sócrates...

O PSD está mesmo em crise... Em certa medida , e mal comparado,  lembra o Sporting desta época, com mais chefes que indios e muita ansiedade à mistura do desejo legítimo de continuar a ser um dos candidatos crónicos a governar este Portugal.

Não vai muito melhor o PS, neste afã algo estranho de antagonismo face ao PR. E, bem vistas as coisas, ninguém sabe (nem talvez mesmo ele, o querido Líder) se é intenção do Governo obrigar a que o façam cair por deterioração de condições de governabilidade, ou se confia na manutenção deste status quo meio podre.

Nunca se viu, como neste final de Outono e início de Inverno, tanto silêncio (quase ensurdecedor) dos outros Partidos: PCP, CDS e BE,  parece que - tal como os velhos abutres dos livros do Lucky Luke - espreitam pendurados na trave do saloon, à espera de saber qual o resultado do duelo na rua principal da cidade. Qual cidade? Bem poderia ser a "Toon Town" do sempre admirável "Quem tramou Roger Rabbit?"...

E o Sr PR , quem ousará dele vislumbrar os anseios e desejos reais? Porventura sua Magestade a Rainha de Inglaterra confessa aos meros mortais as suas preocupações (fundadas e legítimas)  perante a queda da Libra e o avanço do Desemprego? Obviamente que não... Então porque o faria Ele?

 É de esperar pelos Sermões (digo, Discursos) deste Natal e Ano Novo para que se consiga desbravar a floresta virgem do pensamento dos Reais Senhores Sócrates e Cavaco. Isto, está claro, se tivermos a boa fortuna desses elevados pensamentos tranformados em palavras serem inteligíveis pelos leais súbditos, o que nem sempre acontece.

E o País? Qual? Este nosso Portugal? Pois bem, está mal e recomenda-se...

Ah, já me esquecia, a Senhora Dona ( e é dona mesmo de muita coisa) Isabel dos Santos anunciou a intenção de compra de 10% da ZON, estando assim a caminho de concretiizar a Santa Trindade da hegemonia económica moderna aqui no rectângulo: Banca (BPI, etc...) ; Energia (GALP; etc...) e MCS (O Sol, e agora a ZON).

O dinheiro não tem cheiro nem Pátria, dizem...

Isso é bem verdade, mas mesmo assim ainda há quem o prefira a cheirar a peixe, do trabalho honrado na Praça da Ribeira, do que com estes neutros odores e sabores.

E pronto, estão os dados lançados para um 2010 cheio de "propriedades" para alguns e de contrariedades para os outros. O que esperavam? Em que é que este ano que se aproxima seria diferente dos demais?

Nota: A gravura do velhinho Durer sobre o Livro das Revelações e os Cavaleiros do Apocalipse NÃO está aqui por acaso...

Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

Para Descansar a Vista


Aqui fica Adrian Mitchell, o poeta do pacifismo, o escritor para crianças e para adultos, o autor de poesia, prosa e peças de teatro, infelizmente desaparecido muito perto do Natal do ano passado.

Considerado um dos mais importantes autores britânicos do século passado, Adrian Michell ficará na história como um dos mais acérrimos defensores do "homem do povo" contra a arrogância e o poder absoluto de Governos e Corporações.

DEATH IS SMALLER THAN I THOUGHT

My Mother and Father died some years ago
I loved them very much.
When they died my love for them
Did not vanish or fade away.
It stayed just about the same,
Only a sadder colour.

And I can feel their love for me,
Same as it ever was.

Nowadays, in good times or bad,
I sometimes ask my Mother and Father
To walk beside me or to sit with me
So we can talk together
Or be silent .

They always come to me.
I talk to them and listen to them
And think I hear them talk to me.

It's very simple -

Nothing to do with spiritualism
Or religion or mumbo jumbo.

It is imaginary.
 It is real. It is love.

April 18, 2006 Adrian Mitchell

Nota Biográfica dos seus Editores: Born in 1932 in north London, Mitchell was educated at various schools around the UK, before being conscripted into the RAF. These formative years helped to build his pacifism and a deeply moral understanding of injustice, which, as Kershaw noted, emerged in his writing in the form of “hard hitting political messages about the iniquity of the status quo, the absurdities of politicians, and the injustices of a western world getting richer by doing violence on poor people with few means of defence”.

Quinta-feira, Dezembro 17, 2009

O Sismo de ontem à noite


Senti-o no Estoril, pelas 1,30H (mais ou menos). Abanaram os copos todos lá de casa e estremeceu a cama.

Até pensei inicialmente, olhando para baixo:

-"Chiça amigo que estás forte que te fartas para a idade! "

Mas infelizmente foi mesmo a Dona Terra que abanou e não a velha  lesma que se teria empertigado...

E embora não me tenha tirado o sono na altura,  hoje de manhã não deixei de pensar se estaríamos todos preparados para uma tragédia parecida com a de 1755...

E , francamente, acho que não estamos lá muito cientes do que seriam as consequências, sobretudo em certos bairros degradados que se foram deixando construir ilegalmente nas periferias.

Ainda Há Coisas que funcionam bem neste Portugal

O meu BI caduca em Janeiro. Pensei armar-me de paciência e de sombrios pressentimentos sobre o futuro próximo de quem se tinha de aventurar pela selva da burocracia e pelo deserto do Cartão Único (CU...) cuja denominação foi em boa hora alterada para cartão de Cidadão (CC).

Entrei a medo na Net, no Site respectivo:

http://www.cartaodecidadao.pt/

E efectuei o respectivo agendamento. Não foi possível na primeira data marcada, mas  logo me informaram uma meia hora depois de outra data possível, a qual aceitei (sempre por mail).

E não é que quando cheguei à Loja dos Restauradores tudo estava OK e até o horário foi respeitado!!!

Aviso à Navegação: Por enquanto e nesta altura do ano (antes das férias lectivas) este serviço é mesmo eficaz, como deviam ser todos os outros.

Parabéns portanto aos envolvidos...

Nota: Estão aqui a dizer-me ao lado que é a mesma malta que adjudicou o Magalhães sem concursos... Bem, uma no cravo e outra na ferradura é ditado antigo que desculpa o ferrador e agrada menos à besta que está a ser ferrada, mas antes assim do que só tiros no mesmo pé. 

Comentário e Pedido

O Amigo Peninha diz de sua justiça:

Caro Mor,

Como temos alguns sentimentos e realidades comuns,o clube, o senhorio, e o "desgosto pelo natal, não podia deixar de partilhar a solidariedade e desejar-lhe uma "quadra Feliz e bem "quentinha".
Bolas....já me ia esquecendo, mande para a rapaziada do SP, de que é confrade, umas imagenzitas das colecções (das boas) dos correios, selos e utensílios, isso seria (desculpe o despropósito) uma rica prenda, para quem como nós vive perto de Lisboa e não tem possibilidades de se deslocar para as ver se é que podem ser vistas.

E não me venha com....eu sei que pode, num intervalinho de um pitéu ou de um namoro, isso consegue-se.
Bom e agora que já pedi uma prenda me despeço.
Peninha

Comentário: Vou ver o que se pode arranjar...Serão coisas do Museu?  Sou um bocado pézudo a colocar imagens aqui (não se esqueçam dos selos Portugal-Irão)...

Terça-feira, Dezembro 15, 2009

De novo "aquela" Quadra...


















Tenho vindo a repetir-me nos últimos anos - chegados os meados de Dezembro - o que será sem dúvida sinal de ateroesclerose e velhice acentuada...

Não gosto do Natal.

Tenho inveja de quem larga tudo nestes dias e parte em busca de outras paragens, sem mais "bagagem" do que uma companheira (ou um companheiro) desejosa (desejoso) de tirar a roupa interior logo que cheguem ao destino.

Mesmo que essa nudez seja passageira, enquanto se enfia um fato de banho para enfrentar as calmas ondas de alguma praia lá para o Sul, continuo a sentir a mesma inveja...

Perguntarão os fiéis leitores:

- "Porque é que o gajo não se pira mesmo com a namorada para o Brasil ou coisa parecida? Todos os anos é a mesma conversa de chacha e nem lá vai nem deixa que vão. Que raio de empata-bicos ..."

Haverá alguma razão no desabafo.

De facto o meu "senhorio" está criado - o que é um eufemismo para uma criatura de 1,90 de altura e de 105 Kg de chicha que não me sai lá de casa apesar dos 28 anos e de ganhar quase tanto como eu. Tá bem que a casa é dele, mas isso são pequenos detalhes.

A minha Santa Mãe, nos pequenos intervalos em que não consegue encontrar novas maneiras de me aborrecer, dedica-se à igreja e às obras de misericórdia. Ali é que ela se encontra bem e com a sua gente. Do alto dos seus 80 anos bem conservados à custa de caminhadas diárias e de muita ginástica facial (nunca se cala...) está sempre a repetir-me que "a deixe em paz, porque Natal só no tempo do teu Pai!"

Não acreditem!!! Se não lhe faço o bacalhau da véspera e o Perú do dia 25, arma-me uma barraca maior do que a do Circo Cardinal na altura em que ainda apresentava elefantes!

Então o Programa destas Festas natalícias ( já com 10 anos) será sempre o mesmo: Até ao dia 26 de Dezembro aturo a Santa, com o meu "senhorio" a pau de cabeleira. O Menino Jesus que me dê paciência...

A partir do dia 27 restam a Sogra e o Cunhado, afectos antigos de 25 anos de casado e de 10 anos de viuvez, a quem me unem laços de amizade de onde me é difícil escapar. E podem ter a certeza que já tentei. Vivem todo o ano à espera destes dias onde me reencontram ( e ao neto) com a bagageira cheia de mimos. E temos a Missa por alma da Natália do dia 28 de Dezembro (não só fazíamos anos no mesmo dia, como ainda por cima foi-me morrer entre o Natal e o Ano Novo... Que pontaria da má sorte, carago!)

A Namorada, coitada, ainda vai aguentando estas idiotices (não sei até quando) devido ao facto de ter um coração quase tão "mole" como o meu e um temperamento doce e compreensivo.

Mas admito que já estou a esticar demasiado esta corda... E uma coisa é certa: para trás mija a burra (com vossa licença).

Faço propósitos de que este será o último ano em que as coisas se passam desta maneira.
"A ver vamos", como dizia o Tio Rosa, lá de Cascais, que por acaso tinha nascido ceguinho e, por esse motivo, fartava-se de apalpar as varinas com medo de se desequilibrar quando ia à Praça...

Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

Morreu Paul Samuelson


















Paul Samuelson, o "Pai" dos Prémios Nobel da Economia - foi Professor de 8 ou 9!! no seu MIT - morreu ontem com 94 anos.


O mais influente economista da sua geração, e primeiro americano a receber o Nobel da Economia, era Keynesiano de formação clássica e por isso defensor da influência governativa na economia para controlar o desemprego e manter as taxas de juro estáveis. Estava agora na moda (outra vez) depois do descalabro dos modelos neo-liberais.

Saúda-se o grande mestre judeu, de origem polaca, e deseja-se que cá tenha deixado alguém que consiga tirar o Mundo desta vil tristeza...

Posição de Partida : A Presidência da República


Manuel Alegre parece bem posicionado para anunciar brevemente a sua disponibilidade para ser candidato a PR.


As movimentações dos últimos dias outra coisa não fazem supor.

O actual PR está meio "encolhido" , não sabemos se por causa do frio que começa a sentir-se, se por estar ainda a afinar a sua estratégia de entrada na liça...

Quem mais? Para além do óbvio, que é a Direita já ter candidato, quem será o "ortodoxo" candidato da esquerda, aquele que deveria unir todos, desde o BE ao PS, passando pelo PCP?

Mistério...

Fala-se muito de Jaime Gama, não sei se com verdade ou apenas em estilo de "wishful thinking" dos Sócrates Boys, e quejandos PC's, etc... aflitos por terem de apoiar o dissidente Alegre.

Uma coisa é certa: Vai ser engraçado acompanhar estas movimentações.

Sexta-feira, Dezembro 11, 2009

Para Descansar a Vista

















Vamos ao Alentejo, terra de poetas assombrados pela planície imensa e pelos horizontes caiados, Vamos descobrir José Duro, o "decadente dos decadentes", mais sombrio ainda que António Nobre, e deliciarmo-nos
com esta sua introspecção poética:

Em Busca

Ponho os olhos em mim, como se olhasse um estranho,
E choro de me ver tão outro, tão mudado…
Sem desvendar a causa, o íntimo cuidado
Que sofro do meu mal — o mal de que provenho.

Já não sou aquele Eu do tempo que é passado,
Pastor das ilusões perdi o meu rebanho,
Não sei do meu amor, saúde não na tenho,
E a vida sem saúde é um sofrer dobrado.

A minh’alma rasgou-ma o trágico Desgosto
Nas silvas do abandono, à hora do sol-posto,
Quando o azul começa a diluir-se em astros…

E à beira do caminho, até lá muito longe,
Como um mendigo só, como um sombrio monge,
Anda o meu coração em busca dos seus rastros…

José Duro

Da Infopédia (Enciclopédia on line) tirei esta bio: O poeta decadentista José Duro nasceu em 1875, em Portalegre, e morreu em 1899, em Lisboa. Viveu uma adolescência triste e conturbada, marcada pela tuberculose, doença que o fez sempre viver entre a vida e a morte. Foi aluno da Escola Politécnica de Lisboa e desde cedo começou a frequentar as altas rodas literárias, onde escritores como Victor Hugo, Cesário Verde, Antero de Quental e Charles Baudelaire eram reconhecidos como as grandes personagens literárias da época. Também os jovens simbolistas de Coimbra, como António Nobre, se lhe afiguravam dignos de admiração. De todos estes escritores e poetas, José Duro recebeu profundas influências, as quais se manifestam sob diversas formas na sua escrita. A obra de José Duro reflecte o seu estado de espírito sombrio, que a doença agravava, bem como a sua inserção nas estéticas decadentistas do final do século - das quais terá realizado, porventura, a concretização mais negativista em Portugal. A prostituição, a morte, a tuberculose e o desespero são os temas fulcrais da sua poesia.
Nota: Fotografia de José Luis Mendes.

Quinta-feira, Dezembro 10, 2009

Convívio de Amigos



Num dia de Dezembro, onde o Sol espreitava com algum embaraço por entre a cortina de nuvens que não nos tem largado, fomos convidados para refeiçoar em casa de um Amigo .

O pretexto foi o lançamento do Livro "Sabores da Lusofonia...Com Selos". O local da "transgressão" a casa do autor. E o cozinheiro de serviço também não deixou de ser ele!

Então, por ordem de entrada em cena, aqui vai uma síntese dos pratos que se experimentaram:

Alheiras de Montalegre tostadas no forno;morcela de Seia, idem , idem; Canja de perdiz; arroz de coelho bravo; lebre com nabos e feijão; enchidos artesanais de grande qualidade (de porco bísaro e porco preto); queijo de ovelha de Castelo Branco; marmelos cozidos em açucar e baunilha.

Para acompanhar tão nobres propostas houve que beber do melhor que havia lá em casa, "a mais " o que os outros convivas não deixaram de trazer... E se entre esses convivas estava o grande Quitério e ainda o mais entendido crítico de vinhos do país, imagine-se a cena...

Ruinart Blanc de Blancs; Pauilly Fumé ; Chateau Margaux; Numanthia del Toro; Porto Vintage de 66 Symington; maltes de Islay...

Agradecemos a todos os deuses o terem conservado o Amigo David em boa saúde, assim como o seu irmão ( porquê? Porque ao caçador irmão se devem as peças de caça degustadas).

Agradecemos ainda a possibilidade de compartilharmos tão sábia companhia de gourmets, com as suas idiosincrisias , pois claro, mas sempre enriquecendo a conversa com detalhes e histórias de comeres e de beberes, tão curiosas que deviam ser publicadas.

E pronto, mais uma refeição daquelas de fazer sonhar o triste blogger quando se senta à mesa de todos os dias olhando com algum enfado para a posta do pargo cozido acompanhado pela meia garrafita de branco de Borba.... E que nunca nos falte! (dirão alguns dos meus leitores)

E com inteira razão, mas o que querem..."pelo sonho é que vamos..."

Quarta-feira, Dezembro 09, 2009

Dia Mundial contra a Corrupção

















Só mesmo para dar um lembrete sobre a data de hoje:

9 de Dezembro - Dia Mundial da Luta contra a Corrupção.

Nunca, em Portugal ou no restante mundo (civilizado, ou nem tanto assim) se falou tanto sobre a necessidade de controlar esta "praga" dos favores a troco de dinheiro ou de outras benesses...

Mas falar parece que não tem a virtude de evitar a propagação da doença. Muito pelo contrário, a Corrupção parece incluir-se no grupo das tais "coisas" que, como diziam os antigos, lá na Beira Alta, " quanto mais se remexe mais parece que medram"

Se é o medo que guarda a vinha, tem de ser objectivamente o mesmo medo que guarde a decência das relações entre Clientes e Fornecedores, entre Estado e Utentes, entre Autarquias e Construtores Civis, entre, finalmente, Operadores do Mercado e a Autoridade Fiscal.

Faltam meios de polícia para detectar estas malandrices? Parece que o que falta são sobretudo leis mais simples, para se fazer prova fácil em tribunal destes desmandos, e uma justiça célere para dar conta do recado a tempo e horas...

O Presidente do Conselho Nacional para a Luta contra a Corrupção também é o Presidente do Tribunal de Contas - Guilherme de Oliveira Martins. O que lhe posso desejar neste final do ano - para além de muita saúde - é que , em qualquer das ocupações, nunca lhe doam as mãos nem se lhe embote o entendimento.

Força Guilherme Amigo que o Povo está contigo!

Segunda-feira, Dezembro 07, 2009

Para levar para casa - Sabores Calientes...


















É uma das vicissitudes da vida actual estarem a proliferar as casinhas que fornecem comida feita, para que o casal trabalhador ou o "desquitado" em solidão se possam alimentar como deve ser naqueles dias em que "não há já pachorra" para nada, nem para mexer nos tachos nem para engolir a proverbial tosta mista em frente à TV.

Foram provavelmente os assadores de frangos - as churrasqueiras - que mais cedo iniciaram esta tendência. Conheço alguns destes "bandeirantes" iniciadores da actividade, muitos deles obscenamente ricos por venderem frango para fora a 12 euros a unidade, quando pagam pelo mesmo aí uns 50 cêntimos...

Mas também começaram a aparecer muito bons locais de comida feita, até por encomenda, fruto da exigência dos consumidores mais esclarecidos - e que receiam com alguma razão os nitrofuranos e outras coisas que por aí nos observam do cimo dos imponentes grelhadores de carvão...

Em Cascais é já um segredo bem conhecido o Take-Away da Santa Casa da Misericórdia, onde as "tias e os tios" se abastecem regularmente, com muita qualidade, de facto, mas a preços um pouco exagerados para o ramo ( é Cascais...)
Abriu agora, há muito pouco tempo em Lisboa, ali perto da Pontinha uma outra casa do género que merece encómios e de que vos vou aqui falar:

Sabores Calientes
Rua José Farinha 38-38E Loja C - R\C
Carnide - Lisboa
Telefone - 217158476

http://www.saborescalientes.com.pt/

Neste local um pouco escondido (já indico como se pode lá chegar) não só existem os "pratos do dia" como também os clientes podem solicitar a preparação de qualquer outro prato, como aconteceu recentemente com os casos de “pato confitado em vinho do Porto” e “Leitão assado à moda de Negrais”. Uma boa notícia é que, para o Natal, está disponível no site acima indicado a seguinte informação de iguarias disponíveis para encomendar (e já com preços!):

Noite Branca (Vichyssoise quente)

Gratinado de Bacalhau com Queijo da Serra (Puré de Grão, Grêlos, Bacalhau, Broa e Queijo da Serra)

Perú Recheado (frutos secos, enchidos, azeitona, miúdos)

Supremos de Frango à São Nicolau (Espinafres, Farinheira)

Natinha do menino Jesus

Sonhos, Coscorões e Rabanadas

O casal de proprietários "sabe da poda"...

Eduarda é Mestra de cozinha na Escola de Hotelaria da Pontinha e Paulo Mendonça, de momento a trabalhar como consultor na área da Restauração, é filho do grande Mendonça que "fez" o Beira Mar e o Monte Mar em Cascais, tendo aprendido tudo o que sabe com o Mestre-Pai na cozinha dessas casas memoráveis. E à custa de muita descompostura (digo eu porque as fui presenciando...)

Recomendo plenamente, até pela razoabilidade dos preços praticados. E não se esqueçam de provar os "pastéis de massa tenra"... São soberbos! Quando os há, está claro, porque se esgotam com uma rapidez incrível.

Como lá chegar: Quem vem do Colombo ou do Hospital dos Lusiadas, vindo pela av Lusíada, deve virar á direita e tomar a Av. Marechal Teixeira Rebelo, em direcção a Carnide. Na Rotunda que encontrar depois do metro de Carnide volta para baixo na mesma Avenida (portanto agora em direcção a Benfica) e entra à direita na primeira rua logo depois de deixar também à sua direita, a velha estrada da Correia, indo dar a uma praceta. Depois de uns 100 metros, sempre a direito, dará com a Sabores Calientes aninhada na Rua José Farinha, por baixo de umas arcadas de um prédio do condomínio ali existente.

Quem vem do eixo Norte-Sul deve tomar a saída de Telheiras, virar á esquerda e enfiar pela Av. Cidade de Praga e Av. Marechal Teixeira Rebelo até chegar à Estrada da Correia e depois tudo igual.

Sexta-feira, Dezembro 04, 2009

Para Descansar a Vista


E mais uma Sexta feira no horizonte (cinzento) desta Lisboa de Dezembro... Para todos os Leitores uma poesia de Anna de Nouailles, Condessa de Nouailles, Romena de nascimento mas francesa de adopção, amiga de Proust, Jean Cocteau, Maurice Barrés, Collete... Uma das mais ilustres animadoras de saraus poéticos do seu tempo. Foi retratada por grandes pintores da época e - talvez ainda mais significativo - o seu busto foi esculpido por Auguste Rodin e encontra-se hoje no Metropolitan Museum de Nova Iorque.

A sua poesia celebra o amor e a vida, mas nos anos finais reveste-se de tons muito mais sombrios...Morre em 1933 depois de doença prolongada e está enterrada no mítico Pére Lachaise, também em Paris. Foi a primeira mulher a ser nomeada Comandante da legião de Honra, e recebeu o Grande Prémio da Académie Française, em 1921.

Le Voyage

Un train siffle et s'en va, bousculant l'air, les routes,
L'espace, la nuit bleue et l'odeur des chemins ;
Alors, ivre, hagard, il tombera demain
Au cœur d'un beau pays en sifflant sous les voûtes.

Ah ! la claire arrivée au lever du matin !
Les gares, leur odeur de soleil et d'orange,
Tout ce qui, sur les quais, s'emmêle et se dérange,
Ce merveilleux effort d'instable et de lointain !

- Voir le bel univers, goûter l'Espagne ocreuse,
Son tintement, sa rage et sa dévotion ;
Voir, riche de lumière et d'adoration,
Byzance consolée, inerte et bienheureuse.

Voir la Grèce debout au bleu de l'air salin,
Le Japon en vernis et la Perse en faïence,
L'Égypte au front bandé d'orgueil et de science,
Tunis, ronde, et flambant d'un blanc de kaolin.

Voir la Chine buvant aux belles porcelaines.
L'Inde jaune, accroupie et fumant ses poisons,
La Suède d'argent avec ses deux saisons,
Le Maroc, en arceaux, sa mosquée et ses laines…

Anna de NOAILLES

Quinta-feira, Dezembro 03, 2009

E a Bairrada ali tão perto...


Mais uma ida à Figueira da Foz , que meteu fim de semana, e aí esteve outra oportunidade para nos lambermos com o leitão bairradino...

Já sabem que - contra a grande maioria dos especialistas que juram e trejuram pela Casa Vidal - aqui o vosso Blogger não larga a Meta dos Leitões... e nem tanto por causa da qualidade intrínseca do bicho imolado nos fornos, mas sobretudo pela variedade e qualidade dos vinhos Casa de Sarmento, do proprietário, e que apenas se encontram nestas suas casas: Na Meta, na Metinha, e por alguns centros Comerciais (Amoreiras e Vasco da Gama).

Desde já vos esconjuro se abocanharem de pronto o "sarmentinho" , vinho gasoso feito sem cuidados especiais, tão típico da zona, como todos estes espumosos sem muito carácter que se bebem um pouco por todas as adegas particulares do "terroir" bairradino...

Não senhor! Não percam a oportunidade para avançarem com galhardia sobre os excelentes espumantes da Casa de Sarmento, onde, para meu gosto pessoal, sobressai o feito de Moscatel Galega, talvez por ser tão raro em terras lusas.

Antes do inevitável leitão comam uma dose de cabidela do mesmo, feita em barro e rescendendo dos perfumes celestiais que a magia e a sabedoria do homem souberam integrar em matéria prima tão franciscana como são as vísceras do pobre porco.

Depois sim, embarquem no leitão assado, com a sua salada de temporada , a batata frita e o belo pão bairradina de "teta", a estalar do forno.

Contem pelo menos com 2 garrafitas do belo espumante para três pessoas, e se uma delas não beber assim muito...

Terminem com uma bagaceira branca Casa de Sarmento, notável , e um belo café. Não tenham pressa nenhuma de se porem ao caminho. Deixem-se lá estar a ver as vistas pelo menos mais duas horitas ( et pour cause...)

Três notáveis, num destes fins de semana, beberam desta forma e comeram idem, idem, por...69,30Euros.

Trazendo para casa mais 6 garrafinhas do especioso espumante Moscatel, tão caras como... -nem sei se diga, porque vão lá e estragam-me a festa... - mas lá vai... por menos de 7 euritos cada uma...

E ainda dizem que está o Leitão pela hora da morte.

Quarta-feira, Dezembro 02, 2009

E então os Transportes Públicos ??!!

Um dos nossos Leitores não perdoa... E sobre os incómodos rodoviários ataca:

Desculpe a impertinência, mas, que eu saiba, a linha de comboio Cascais/Lisboa não sofreu qualquer interrupção, pois não? Então porque é que o senhor e o "Zé do Povo" não aproveitaram para se deslocar em transporte público? Sempre eram menos uns carros que entravam em Lisboa e podia ser que se habituassem. Andem a pé e de transporte público! Poupam dinheiro e o ambiente.

Comentário ao comentário: Não há impertinência nenhuma! E tem o leitor razão... Mas o que quer? Mais vale tentar fazer com que o Tejo corra para Espanha do que mudar os hábitos de um burro velho...

Não serão Visitas a Mais??!!


















Tenho estado ocupado a tratar do infeliz acontecimento que é a entrega de um carro para reparar depois de uma pequena colisão, por culpa de terceiros, e das aventuras que esta situação engloba, desde a peritagem e entrega da viatura acidentada propriamente dita, até à recolha de um carro de substituição, longe, muito longe da primeira oficina... e tudo isto num dia de chuva intensa, com Lisboa atafulhada de trânsito e, para piorar as coisas ainda mais, com vários trabalhadores das oficinas "de baixa" por causa da gripe...

Isto das baixas por causa da gripe , em Dezembro, também deve ter que se lhe diga... Mas não aprofundarei...

Agora um lamento "telegráfico" sobre o feriado e o fim de semana passado:

Ninguém me obriga a viver lá para a Linha, é bem certo... Mas um individuo sentir-se quase preso na sua casa ou no seu bairro, tendo de verificar se está disimpedida a A5 à hora em que a pretende cruzar, ou se a Marginal - a tal que ainda não se paga - está "aberta" ou não para se entrar em Cascais, não lembra a ninguém...

Culpa de quem? Bem, da Cimeira Ibero-Americana e depois, quase na mesma altura, da cerimónia referente ao Tratado de Lisboa...

Grande honra termos recebido tais personalidades, e etc... Compreendo. Mas não haveria forma de se fazer o mesmo sem "lixar" o Zé Povo, o tal que (por enquanto) ainda paga os seus impostos?

Há - tanto quanto sei - grandes e muito estrelados Hotéis em Lisboa onde tudo poderia ser feito sem tanta confusão e sem tanta limitação às manobras do automobilista cascaense...