terça-feira, agosto 04, 2015

Não nos ajudam a reciclar...

Resultado de imagem para Old appliances, imagesQuando - e pelos piores motivos - mudei de casa logo no início do ano 2000, resolvi o problema dos electrodomésticos que não queria  (ou não podia ) trazer para a nova casa de forma empírica mas eficaz:  Perguntei a quem comprou a casa antiga se os queriam , aproveitando logo para dizer que, quisessem ou não, eles lá ficariam no meio do apartamento. E resultou.

Ainda hoje tenho pena da cozinha que tinha mandado instalar 2 anos antes. Sobretudo do excelente fogão de 6 queimadores com um enorme forno de 80 cm. Mas como era tudo encastrado, por lá ficou ao lado daquilo que eu já não desejava...

Na casa nova está também na altura (já passaram 15 anos!) de começar a remodelar esses aparelhos. Televisões das de cinescópio ainda andam por lá a servir de emplastro na arrecadação, à mistura com torres de computadores , videogravadores  que já não funcionam ( e que quis manter por causa das mais de 200 cassetes que tinha gravadas), amplificadores antigos, receptores, pratos de gira-discos que avariaram e cuja qualidade não é assim tanta que justifique mandar arranjar o motor, etc, etc...

Quando substituímos as TV's por LCD's fazem o favor de levar as antigas. O mesmo para os frigoríficos, máquinas de lavar, etc... Mas em relação aos aparelhos "em dobra"  já o assunto carece de ser resolvido pelo próprio.

Existem em Portugal duas entidades gestoras de REEE (Resíduos de Equipamentos Eléctricos e Electrónicos). A ERP Portugal e a Amb3E.  À primeira vista parece estarem ambas mais vocacionadas para o tratamento\recolha de resíduos industriais, mas por lei são também obrigadas a receber resíduos de particulares.

Tenho questionado onde me devo dirigir para deixar aqueles "resíduos".  O local aconselhado de gestão de REEE mais perto de minha casa  é a  empresa de tratamento de resíduos "TratoLixo", em Trajouce - que pertence à rede ERP Portugal.

Uma pesquisa mais aprofundada diz-nos que apenas recebem até 15 m3  de cada cliente por entrega e ainda que os resíduos têm de estar convenientemente acondicionados no acto da entrega... E a entrega deve ser acompanhada por uma GAR (Guia de Entrega de Resíduos).

O depósito na via pública, para além de ser uma atitude muito pouco civilizada, é alvo de coima até 3,000 euros. Nunca será opção. Pelo menos para mim que tenho consciência ambiental forte.

Existe ainda a hipótese de utilizar os "Pontos Electrão", disponíveis na GALP e também em muitos Centros Comerciais (por exemplo no Cascais Shopping, ao lado da ToysRUs). São mais destinados a receber pilhas e lâmpadas, embora ali se possa também entregar material  electrónico até 55cm... Não sei é se se trata de uma medida linear ou de volume. Assumo que seja linear. Fica para verificação na próxima vez que lá for.

E assim vou estudando o assunto. Uma coisa é certa: não é muito simples, nem muito prático...

segunda-feira, agosto 03, 2015

Especialistas de generalidades: Os senhores que falam sobre tudo ( e não dizem nada)...



O avô Correia, comerciante de gado, pastor e lavrador lá para a encosta da mais alta,  veio a Lisboa conhecer a casa da neta, pouco tempo depois de nos casarmos. Seria em 1982 ou 83.

Ficou a dormir em nossa casa e em consequência da inactividade a que não estava habituado, apaixonou-se ( nos seus mais de 80 anos) pela televisão.  Uma tarde chamou-me e disse:

-" Filho, aquele gajo que ali está já por cá apareceu ontem..."
-"Sim, Avô, é o locutor do telejornal".
- " Amanhã é capaz de aparecer outra vez?"
- "Pois é. É o trabalho dele."
- " É engraçado chamarem trabalho a estar ali sentado, a falar... Coisas das cidades..."

Lembro-me sempre desta história verdadeira quando comecei a ver e a ouvir comentadores de política a fazerem comentários de futebol, de gastronomia e vinhos, de música, de vida social, obituários, e mais coisas de que não me lembro agora...

 Há quem diga que o "aproveitamento" que os vários canais fazem das mentes ao seu dispor tem a ver com a poupança, com a crise económica e financeira em que ainda estamos metidos: sai mais barato pedir ao Marcelo que vá ler uns jornais desportivos antes da noite do Domingo - já que a avença tem sempre que lhe ser paga - de que contratar mais um comentador especializado.

Mas o mais estranho é que "eles" já lá estão também. Os outros comentadores de futebol e mais desportos. E que eu saiba não são pagos à peça, mas também por algum contrato mensal a que volto a chamar ( se calhar indevidamente)  "avença".

Por mim trata-se do síndroma do "centerfold\gatefold" da revista Playboy: a malta compra a revista por causa dos artigos (na grande maioria muito bons, a sério!) ou sobretudo para ver a "desdobrada" playmate  da página central?

A playmate é o engodo para comprar a revista. O resto é jornalismo, e muito bom.

Quem se recorda da playmate de Agosto de 1980? Mas quem se poderá esquecer da épica entrevista de David Sheff a John Lennon e Yoko Ono, na mesma revista, a última que John deu em vida e considerada pelos historiadores da música a mais importante que foi publicada?
 'I don't believe in yesterday,' Lennon says. "Life begins at 40, or so they promise. And I believe in what's going to come.'" Nota: Foi uma bala, dois dias depois. 

O que é certo é que tanto compra a Playboy o voyeur à espera da menina bonita como o intelectual que quer ler mais uma grande entrevista. Por exemplo, a que o escritor Kurt Vonnegut Junior deu em  Julho de 1973, sendo entrevistador David Standish.


Da mesma maneira, a introdução de outros tópicos no discurso televisivo do "falante politicamente encartado" poderá ter por objectivo alargar o leque da audiência? Tornar o "chato e sisudo"  mais atraente para as massas?  Amenizar uma "narrativa" para a qual muito cidadão já não tem pachorra?

Haverá por aqui alguma razão que desconhecemos.  Mas que não será alheia à satisfação do grande deus das audiências.

Os "doutores mochos" palram ( é o termo) de tudo. E como quem os ouve por norma não sabe do assunto, estão à vontade para discorrer debaixo da admiração beata do espectador. São como os pregadores evangélicos que usam a Bíblia para falar de colheitas e de meteorologia.

É claro que dentro de um café, à mesa com amigos, o português é conhecido por falar de tudo e sobre tudo ter uma opinião, desde cirurgia reconstrutora da face até a centrais nucleares de fusão, passando obviamente pela "táctica" futebolística.

E muitos palermas julgam que "de futebol toda  a gente sabe".  Esses deviam primeiro tirar um curso ou dois ( de 5 anos cada um) com alguém verdadeiramente entendido.

O "Pai da Matéria" , o grande cronista desportivo Osmar Santos,  lhes diria : Sai dessa que o Jacaré te abraça garotinho!

E com razão.

quinta-feira, julho 30, 2015

Excitando as papilas

Em conversa recente com o amigo Fortunato veio à colação o texto admirável de meu mestre Quitério sobre a "Galinhola Rainha". Vem no seu último livro "Bem Comer e Curiosidades", na página 207 e dentro de um capítulo dedicado à "Caça no Prato".

100 páginas antes, na obra referida, podemos ler o enorme "Um adeus português ao bacalhau", texto emblemático amplamente citado na literatura da especialidade e que David Lopes Ramos considerava o melhor que alguma vez se escreveu sobre o "fiel amigo".

Estava a pensar combinar com a família Mendonça - lá mais para a rentrée - uma homenagem a estes dois textos que tivesse a forma de aplicação prática: com pratos e talheres. Esgrimindo argumentos mas não deixando de os intervalar com garfadas apetitosas, Sendo que umas puxam pelos outros, como se deseja e era apanágio das tertúlias gastronómicas dos homens de letras de antanho.

Este projecto devia ser considerado de interesse público (pelo escopo e abrangência) embora sirva apenas a gula dos intervenientes merendeiros. Quanto muito poderá dar origem a algum texto com que se imortalize a ocasião para a posteridade.

A ver vamos - como diria o Tio Rosa, invisual de Cascais que, pela deficiência e com a desculpa de se desequilibrar, muito aproveitava para apalpar as peixeiras lá no mercado.

Um Arroz de Bacalhau seguido pelas Galinholas à moda do Beira (estufadas em Madeira e acompanhadas com as tostas do seu paté tripeiro) ?

Duvido do primeiro prato... É de substância e pode arruinar o apetite dos comensais para o que segue.
Os pastelinhos com um humilde arroz de grelos?  Só os pastelinhos mesmo, com uma salada fria  de feijão frade ?  Enveredar pelo canónico bacalhau à Gomes de Sá?

E os vinhos para acompanhar , de forma a que fique bem o casamento de tão excelsos senhores?

Um tinto de 2011 do Douro, provavelmente. E antes? Um Primus do Engº Álvaro de Castro, um Sauzelhe do estábulo lá do lado dele? Ou um Alvarinho?

Temos ainda algum tempo para pensar, está claro, mas é com estes entretens salivosos que vou passando o tempo livre.

Só de pensar nisto já engordei mais umas 200 gramas...A imaginação é uma coisa lixada...






quarta-feira, julho 29, 2015

Chuva de Verão

Temos seca  no rectângulo, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera.  Uma "seca" que tem trazido chuva fora de tempo, como verificamos.

Para quem está de férias esta "seca" tem-se é transformado numa "seca" tipo "chatice". Ninguém sabe ao acordar se está tempo de esticar a toalha na praia ou de ficar em casa a olhar para a chuva nas vidraças e ver passar as horas.

Hoje amanheceu cinzento na grande Lisboa. E já chuviscava antes das 7h.  Nada garante que pelo meio dia não esteja já o sol a brilhar... Ou que a chuvinha se intensifique.

Há alguns anos que se acabaram as certezas antigas que "garantiam" as estações do ano e as suas características. Será do aquecimento global.


Fenómeno que muitos contestam, ansiosos para que os deixem continuar o desenvolvimento sem sustentabilidade. 

Temo que seja por aqui que a civilização (tal como a conhecemos) vai rebentar...

Leiam isto sff:


"De acordo com os dados da NASA, o ano de 2010 foi o mais quente desde que existem registos meteorológicos representativos, culminando uma série de anos anormalmente quentes (Figura 1). No último século, a temperatura média global cresceu um pouco menos de 1, de forma algo irregular, com dois períodos de aquecimento relativamente rápido (1910-1945 e 1975-presente) intercalados por um período de quase estabilização. Modelos climáticos indicam que esta evolução recente do clima global é a primeira fase da resposta do planeta à alteração da composição atmosférica resultante da queima de combustíveis fósseis, mas também da desflorestação e de outras actividades humanas, sendo expectável um aquecimento mais acentuado ao longo do século actual, com a possibilidade de criar desequilíbrios irreversíveis em componentes-chave do sistema climático. " 

Fonte: Fundação Francisco Manuel dos Santos - A Mudança Climática - Pedro Miranda

Para não acabar o Post em tema negativo (mas ficando sempre  aqui este apelo à reflexão e à nossa intervenção cívica), deixo-lhes Caetano Veloso e a sua Chuva de Verão.

Podemos ser amigos simplesmente
Coisas do amor nunca mais
Amores do passado, no presente
Repetem velhos temas tão banais
Ressentimentos passam com o vento
São coisas de momento
São chuvas de verão

Trazer uma aflição dentro do peito
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão
Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais

Podemos ser
Amigos simplesmente
Amigos, simplesmente
E nada mais

Podemos ser
Amigos simplesmente
Amigos, simplesmente
Nada mais

Trazer uma aflição dentro do peito
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão
Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais

Caetano Veloso

terça-feira, julho 28, 2015

Embirro com os "reality shows".



Eu embirro com poucas coisas, mas discordo de muitas.
"Embirrar"  é para mim sinónimo de reacção pouco racional.

"Embirramos" com algumas coisas sem saber bem porquê... Tem raízes fundas, o "embirrar".

Talvez nos traumas da infância ou da adolescência? Ou não viesse a palavra "embirrar" de "birra" , daquilo que fazem os meninos e as meninas quando são contrariados.

Já por outro lado, o "discordar" é próprio da civilização. Discorda-se de uma decisão, discorda-se de uma exposição de ideias. Discordar permite  utilizar depois o contraditório. Contrapor as nossas ideias às ideias que foram emitidas e com as quais não concordamos.

O contraditório mais natural da "embirração" é gritar: "Porque sim! Porque acho que é assim! Porque me irrita ser de outra forma!".

Já aqui expliquei que "embirro" com três coisas na restauração: quererem fazer passar por peixe do mar o que é de piscicultura, apresentar no tacho  lampreias de barragem (francesas ou canadianas) a fingir que são das apanhadas no rio, aqui em Portugal e tentarem convencer-nos que "aquelas perdizes são mesmo de caça", quando logo se percebe pela pouca consistência dos peitos que foram criadas em gaiolas.

Hoje trago à colação outra das minhas "embirrações". Mas esta é mesmo profunda!

São os "reality shows" e outras coisas parecidas: Tudo o que envolva pessoas a serem "despidas" em directo da sua dignidade para gáudio da audiência.

Bem sei que as supostas "vítimas" foram  para ali a tentar receber dinheiro e por vontade própria. Bem sei que estes programas são ímanes para a grande maioria dos espectadores e nenhuma estação de TV poderá hoje em dia passar sem eles, se quer continuar a atrair anunciantes.

Mas a minha "embirração" é irracional. Não tem em consideração aquelas verdades do mundo mediático. Não a consigo explicar. Só sei que existe e que é profunda.

Abrange as "Quintas disto e daquilo", "Big Brothers", " Master Plans", "Casas dos Segredos", " Peso Pesado" e passa depois pelos "Ídolos", "Canta para Mim", etc, etc...

Abomino aquilo tudo. Desde as cenas de nudez, sexo e de violência (as que mais agradam ao "povão") até às reacções do tipo homofóbico, revelações de segredos íntimos em horário nobre, pedidos de casamento em directo, humilhações públicas e o mais que houver ( e há!).

Consigo perceber quem  faz estas imbecilidades e até quem nelas participa  por dinheiro. O vil metal escraviza tudo e todos. E todos - incluindo eu - dele necessitamos. Não haja hipocrisias.

 Não consigo é perceber quem gosta  de ver estas indigências mentais... Mas nessa opinião estou obviamente muito ultrapassado e muito atrás do "trend" actual.

Os "Reality Shows" são a "fast food" ordinária do entretenimento.  Ocupam agora o lugar do futebol e do fado como ferramenta de alienação da populaça.  São os jogos de coliseu do Imperador Calígula transvestidos de roupagens actuais.

Estou a ficar velho. Devo estar a meio caminho do asilo geriátrico...

Imaginem vocês que ainda sou de opinião que ler um bom livro é infinitamente mais enriquecedor.

Embora também  admita que há alturas em que a "malta" quer é mesmo diversão sem introspecção. Gratificação imediata.

Uma espécie de "shots" com vínculo assegurado para a bebedeira rápida, sem passar pela fase do "vinho branco, tinto e whisky velho". Sem requinte nem maneiras civilizadas.

Consigo compreender isso. De vez em quando...

A resposta pode ser:  vejam um filme engraçado. Ou uma série de TV ( a HBO tem algumas de cair para o lado).

Nem sempre Ingmar Bergman, nem sempre Peter Jackson. Nem sempre Teixeira de Pascoaes, nem sempre Eça de Queiroz.

Os desenhos animados do  Chuck Jones (Bip-bip) ou do Tex Avery (Droopy) ainda hoje são para mim  bons substitutos do Prozac .

Somos humanos e temos direito à diversidade na qualidade.  Na qualidade!!  Sublinha-se qualidade!

segunda-feira, julho 27, 2015

A confusão

A Turquia aproveitou as eleições internas pouco favoráveis à "situação" para desviar atenções da população e soltou os "cães de guerra". Por enquanto apenas em raides aéreos sobre alvos situados na Síria, para a frente logo se verá...

No "Público" de hoje a Directora questionava os perigos de uma situação de guerra ( exactamente na  Síria) onde vários "actores" se atacavam uns aos outros no mesmo "teatro" de operações ( se há teatro, tem de haver actores).

Estado islâmico, curdos, turcos, sírios rebeldes moderados, sírios rebeldes extremistas, sírios situacionistas... Um autêntico campeonato da porrada! Mas como isto não é futebol e a malta não traz camisolas de cores diferentes, imaginamos a grande barafunda que por lá se passará.

As mulheres e as crianças estão por todo o lado. Excepto as que conseguiram fugir. E morrem todos os dias nestas escaramuças. Nem devem perceber porque morrem ou em nome de quem morrem.

Há já quem louve o ditador Bashar Al-Assad, porque enquanto "reinou" manteve o país tranquilo (à força, como todo o tirano que se preza, mas tranquilo).

E este é o perigo dos acontecimentos que presenciamos, avaliados a quente. A lição que deles se tira sem o distanciamento que o tempo permite, nem sempre é a mais racional.

Entre as vidas humanas que se cortam como ervas daninhas,  no meio dos atentados ao património mundial edificado que todos os dias acontecem, quantas invejas locais (e feudais) devem ser agora executadas  aproveitando a confusão dos tempos?

Gostaria de recordar a grande Síria de 3,000 anos de civilização.  Não para esquecer o que lá se passa agora, mas sim para enquadrar no grande rio do tempo estes eventos que - no momento em que acontecem - parecem ( e são, para todos os envolvidos) catastróficos.

Syria: the  3000-year story of what came before;  the peoples, cities, and kingdoms that arose, flourished, declined, and disappeared in the lands that now constitute Syria, from the time of the region's earliest written records in the third millennium BC, right through to the reign of the Roman emperor Diocletian in the early 4th century AD. 

Across the centuries, from the Bronze Age to Imperial Rome, we encounter a vast array of characters and civilizations, enlivening, enriching, and besmirching the annals of Syrian history: Hittite and Assyrian Great Kings; Egyptian pharaohs; Amorite robber-barons; the biblically notorious Nebuchadnezzar; Persia's Cyrus the Great and Macedon's Alexander the Great; the rulers of the Seleucid empire; and an assortment of Rome's most distinguished and most infamous emperors. All swept across the plains of Syria at some point in her long history. All contributed, in one way or another, to Syria's special, distinctive character, as they imposed themselves upon it, fought one another within it, or pillaged their way through it. 

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But this is not just a history of invasion and oppression. Syria had great rulers of her own, native-born Syrian luminaries, sometimes appearing as local champions who sought to liberate their lands from foreign despots, sometimes as cunning, self-seeking manipulators of squabbles between their overlords. They culminate with Zenobia, Queen of Palmyra, whose life provides a fitting grand finale to the first three millennia of this ancient civilization. And yet the long story of Syria does not end with the mysterious fate of Queen Zenobia. The conclusion looks forward to the Muslim conquest in the 7th century AD: in many ways the opening chapter in the equally complex and often troubled history of modern Syria. 


Ancient Syria: A Three Thousand Year History

Trevor Bryce

quinta-feira, julho 23, 2015

Para descansar a vista ...olhando já as eleições.

Estarei amanhã no Norte, pelo que antecipo o habitual poema das sextas feiras. É de Ruy Belo, o  poeta doutorado em Direito Canónico e licenciado duas vezes, em Direito e Filologia Românica.

Deixou-nos aos 44 anos, quando ainda tinha uma vida à sua frente para nos dar.

A escolha deste grande poema não é por acaso.

O período pré-eleitoral que começamos a atravessar e que teve como pontapé de saída o discurso do Sr. PR de ontem à noite deu o mote.

Ruy Belo visionou, em 1977, o que poderá vir a ser o Portugal de 2016. O Portugal futuro.

O Portugal futuro

O Portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável

Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e lhe chamem elas o que lhe chamarem
Portugal será e lá serei feliz

Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a Espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz

À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão

Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o Portugal futuro.


Ruy Belo

quarta-feira, julho 22, 2015

Limonadas e outras bebidas que não estão entregues ao demoino (coca-cola)


limalimon refresco

Tenho o privilégio de apanhar limões directamente do terraço da casa da aldeia. Basta esticar o braço e colher.

O limoeiro carregado de frutos pendura-se  e invade as escadas de acesso ao terraço. São um bocado para o casqueiro, têm a casca grossita. Mas o gosto é muito agradável. Suspeito que o meu sogro andou por ali a experimentar algum enxerto com limeiras ou até laranjeiras...

Lembrei-me de falar hoje sobre bebidas refrescantes de Verão porque o Limão (como veremos) é comum a praticamente todas elas.

A Limonada que as senhoras bebiam no Verão lá na serra era sempre feita de limões e de laranjas, na proporção de  sete ou oito limões para duas laranjas. Lembro-me que a minha sogra os espremia bem  e depois juntava açúcar amarelo e água a ferver. Mexia tudo e deixava arrefecer com um pano por cima. Só no final metia algumas pedras de gelo.

Se as laranjas forem sanguíneas podem pôr o sumo de mais uma ou duas e diminuir no açúcar.  Caso prefiram juntar uma colher de groselha em xarope, a limonada também fica bem apaladada e cor de rosa. Não se esqueçam é outra vez de diminuir no doce.

O Capilé das avós (feito a partir da avenca) pode ser reproduzido em casa - para evitar macerar as folhas da planta - tendo acesso a uma garrafa de xarope com o mesmo nome.  A "Neto Costa" tem. A "Sabores de Santa Clara" também o produz. Para obter a bebida de Capilé adiciona-se  uma colher ou duas de xarope de capilé  à casca de  um limão, pomos açúcar a gosto, mexe-se muito e  deita-se gelo. Acaba de encher com água mineral.

O Mazagran argelino (um jarro)  leva uma chávena de chá de café forte , sumo de um limão e rodelas de outro limão, um pouco de rum e o inevitável açúcar. Mexe-se muito bem e deita-se depois água com gelo para acabar de encher. Um pau de canela pode ser utilizado para aromatizar. Ou flores de anis.

Dos trópicos chega-nos o Refresco de Lima com Menta.  É uma espécie de limonada feita a partir das limas e que é depois aromatizada com folhas de hortelã-pimenta. De novo o açúcar vai a gosto do artista. Gelo e água mineral compõem o ramalhete.  A novidade é que não se extrai o sumo das limas. Estas são partidas aos bocados, como se fosse para a "caipirinha", deitadas para dentro do jarro e batidas com o açúcar e com a hortelã. A água é a última coisa a entrar, com o gelo.

Tenho insistido na água mineral - apesar dos avisos dos entendidos sobre a qualidade da água das torneiras - por uma razão mais "estética". É que a água del cano pode ser boa para beber ( e sem dúvida que é) mas se não for fervida deixa um gosto pouco agradável nos preparados onde entra " a crú". Em casa só faço gelo de água do Luso. Para não estragar o "escocês"...

Sem querer avançar pelas sangrias e outras bebidas onde o álcool já é um parceiro sério - podem sempre ir ler os posts mais antigos onde esta temática foi abordada - não me despeço sem lhes falar do chá de verão, o chá gelado que se pode fazer em casa sem ter de comprar as garrafas da Lipton's  ou da Nestea.

Estes chás - de limão, de pêssego, com menta, etc... - fazem-se sempre da mesma maneira: água a ferver  onde duas ou três colheres de açúcar (mascavado) é diluído. Depois com ela ainda a ferver mergulhamos os saquinhos de chá (eu uso chá preto). Estando a infusão feita deixamos arrefecer e deitamos o sumo de um ou dois limões, consoante o tamanho da garrafa ou do jarro.  Em estando tudo frio aromatizem com pedaços de pêssego maduro, folhas de hortelã, o que quiserem.

No caso de usarem fruta aos pedaços deixem repousar uma noite e no dia seguinte coem o líquido sem a fruta para outro jarro.

terça-feira, julho 21, 2015

A "problemática" dos pratos frios para o Verão



Salada de atum será talvez o prato frio mais conhecido e utilizado pelos portugueses actualmente.

No passado não.

Há muitos anos atrás  desenvolveu-se em praticamente todo o país  o escabeche para a conservação de peixe que não se consumia todo na mesma ocasião. Como consequência, o escabeche ( de carapaus, de sardinha, de fanecas, etc...) veio a tornar-se apetecível para o Verão, comido a frio.

No Alentejo os gaspachos eram há séculos comida de estio. Com ou sem carapauzinhos fritos.

E na Beira Alta os endinheirados (ou os remediados que caçavam) também costumavam conservar (para comer no Verão) as perdizes, enfiadas em frascos de boca larga previamente esterilizados. As perdizes eram primeiro estufadas lentamente em azeite, vinho branco e vinagre, a que se juntava a gosto cebola e uns grãos de cravinho, pimenta e sal.

Saladas frias -  como as que se servem hoje como acepipes e entradas nos restaurantes de genética mais ou menos alentejana - são novidades com um cheirinho de marketing.
Honra seja feita aos percursores (Irmãos Fialho a destacar) que de um conjunto de pratos mais ou menos  completos fizeram uma "tábua de entradas" que serve dois propósitos ao mesmo tempo: aconchega a caixa registadora e dá satisfação ao cliente.

São imensas: de pimentos, de polvo, de ovas, de fígado frito ou grelhado, etc...

Destaca-se para mim a de coelho S. Cristóvão (localidade de Montemor-o-Novo) que é assado na brasa primeiro (temperado com alho e sal) e depois cortado aos pedaços e marinado em molho de azeite, alho, vinagre e coentros.

Do Algarve chega-nos a velhinha receita dos "carapaus alimados". São bem limpos e  depois de  salgados em camadas, cozem-se. A seguir deixam-se esfriar e passam-se bem por água fria para enrijar. Só depois são filetados os lombos, tira-se a pele  e tempera-se com rodelas de alho, de cebola e salsa picada.

Em praticamente todo o país se utiliza ( há quantos anos?) a famosa receita de "bacalhau onanista " (Mestre Quitério dixit). O fiel amigo desfiado em crú e bem temperado de azeite, alho, cebola e vinagre.
O meu sogro usava bacalhau sem ser demolhado. Desfiava a posta em tiras finas, passava-as depois por água bem fria apertando bem cada tira. E só depois temperava. Imaginamos que puxaria bem ao vinho...

Um ponto comum a quase todos estes pratos frios é a utilização do azeite e do vinagre. Ou não estivéssemos num país de tradição mediterrânea.

O tradicional molho de Verão é a maionese. Dizem que criada para homenagear o Duque de Richelieu após a conquista da cidade de Mahon (1756?). É praticamente um molho universal que, se for bem feito, na sua simplicidade realça os pratos de peixe, marisco e até de carnes frias em que se coloca.

Em Portugal  usa-se a "vinagreta" (azeite, vinagre, sal, pimenta, mostarda e ervas finas, alcaparras e salsa picada) importada em tempos das Invasões Francesas (?)  para algum peixe cozido ou para o pós-modernista "peixe ao sal".

Mas para mim o verdadeiro molho "Tuga" é o molho de vilão, abundantemente utilizado na Madeira e nos Açores (molho crú, molho das vindimas, são sinónimos) para condimentar peixe. Mas também aqui no continente. Como em muitas receitas do nosso extraordinário "tesouro gastronómico nacional" as interpretações do molho de vilão são inúmeras. Faz-se com caça ou com peixe, aplica-se ao bacalhau, tem variações desde Trás-os-Montes até às Ilhas de Bruma. Pode ser utilizado frio ou quente.

Dou dois exemplos:

 No Algarve (para o atum fresco e frito, receita  antiga de Vila Real de Santo António): 

2 Malaguetas
200ml Vinho branco
Vinagre de vinho branco a gosto
2 colheres de sopa de azeite
2 a 3 folhas de louro
Orégãos ou tomilho a gosto

E em S. Miguel (para os chicharros ou para as cavalinhas):
  - Azeite
– 5/6 dentes de alho esmagados
– Duas colheres de sopa de pimenta da terra, moída
– Um copo com metade de vinho de cheiro, metade água
– Um fio de vinagre branco
– Uma mão cheia de salsa picada
– Colorau Doce
– Pimenta branca

segunda-feira, julho 20, 2015

A saga dos chinelos



Normalmente, em universos racionais, quem necessita de chinelos dirige-se a uma sapataria.
Tal como vai a uma farmácia quem precisa de medicamentos, ou a uma mercearia quem quer comprar batatas e feijão encarnado. Peixe compra-se nas peixarias, carne nos talhos. Esferográficas estão nas papelarias, cuecas e peúgas nas lojas de pronto-a-vestir.

Nem sempre foi assim.

Ainda conheci na aldeia de Alvoco da Serra uma "venda" que tinha disto tudo, desde roupa interior de homem e de senhora até bacalhau ao kg. Passando pelos artigos de retrosaria, pelas sementes da batata (e da propriamente dita) e pelo vinho a garrafão. Eram as antigas lojas provincianas de "secos e molhados" numa versão ainda mais abrangente, que incluía agulhas de costura e novelos coloridos de lã da "EFANOR".

Hoje em dia podemos também concordar que as "grandes superfícies" apresentam toda esta catrefa de artigos num mesmo local, de forma conveniente para o público em geral e "assassinante" do chamado comércio tradicional ( pós-secos e molhados).

A figura da loja "especializada" passou para o universo do modelismo ou da alta fidelidade , vivemos na era do "genérico". Desde o genérico do medicamento até ao genérico do creme para a barba. E tudo se pode encontrar no mesmo local. A única diferença face às antigas "vendas" será que esses artigos estão agora em prateleiras e corredores distintos, deixando a caixa das pastilhas "Gorila" de dar o braço à dos atacadores de botas da tropa...

Mas mesmo sabendo destas misturas que o comércio de hoje permita e apoia, deve parecer estranho ir à procura de chinelos a uma loja de mobiliário rústico...

As "santas" cá de baixo informaram-me do desejo de irem comprar chinelos, e deram-me a morada:
 -"No Vassoureiro. Lá é que os encontramos!"

Saberão (ou ficam agora a saber) que o Vassoureiro era uma loja com mobílias rústicas de pinho, ali para os lados de Alcoitão.  Era, digo bem, porque quando lá cheguei vi que tinha sido convertida para um daqueles "empórios" chineses.

Nem discuto o mistério de duas anciãs de 85 anos saberem mais do que eu sobre o destino da dita loja que já foi de madeiras de pinho, e agora é de bric-á-brac asiático. O que me faz sobretudo confusão foi saberem que lá teriam chinelos...

A não ser que entendam serem as "lojas dos chineses" uma espécie de arca de noé dos não-vivos
(não são zombies malta! Das coisas inanimadas!) onde tudo o que não respira se pode encontrar. Desde as gaiolas dos canários aos tais chinelos.

Ao fim de hora e meia (bem contada por mim, minuto a minuto) a  compra não se concretizou. Os "chinelos eram de plástico".  

Mesmo desdenhando trouxeram as "santas" alguns molhos de flores (também de  plástico, vá-se lá entender), bué de pilhas para os transistores (parece que passam a noite a ouvir a radio na cama), molas para a roupa  e ainda duas ventoinhas de pôr à janela dos carros para que o vento as faça mover (nem perguntei para que queriam aquilo. Já estava para morrer com o cheiro a lavanda da dita loja).

Saímos do "Empório de Pequim" , ou lá como aquilo se chama agora e  fomos direitos ao Continente do tio Belmiro ( parece que agora passou a ser do primo Paulinho). embora eu ainda protestasse que
-"Chinelos de pele e sola de cabedal era mesmo nas sapatarias!"

Mais de uma hora depois saímos sem chinelos  mas com pão de forma integral, bolinhos secos, courgettes e bananas, mistura solúvel de cevada e dois pacotes de chá de camomila.

Já dentro do carro pediram-me para ir então aos "outros chineses,  lá em baixo ao pé do Pão de Açúcar de Cascais,  esses é que tinham tudo..."

Pôrra Compadres!! Foram vossas mercês?  Pois eu também não. Ala para casa que o almoço fica atrasado.

Agora quase que não me falam. Mas só até Sexta à noite. Chegada a proximidade do sábado é certo e sabido que me vêm chatear mais uma vez.

O Tio Santidade, lá em cima na Serra, quando se empiteirava valentemente (era dia sim, dia não)  e se esquecia de ordenhar as cabras, vinha para a rua ouvi-las berrar  e dizia em voz alta "é sina que as cabras têm , coitadinhas...já nasceram com esta sina..."

E esta também é a minha sina, sábados e domingos...

sexta-feira, julho 17, 2015

Para Descansar a Vista...olhando para a zona Euro...



Num frenesim de orgulho pátrio várias vozes na Finlândia estão a erguer-se contra o "Euro".
Calcula-se que a economia finlandesa (pós-Nokia) terá perdido cerca de 20% da sua competitividade por deixar de poder jogar com as flutuações de moeda para exportar.

E dizem ainda que o nível de vida no país piorou depois dos 15 anos de adesão à moeda única. E  sem a  Nokia (acrescento eu).

Depois do colapso da Nokia a Finlândia exporta sobretudo petróleo e seus derivados, pasta de papel (e madeira ) e ainda aço.

Se houvesse petróleo em Portugal provavelmente também cantaríamos de galo...Melhor dito, de rena.

Alguns economistas entendem que este será o princípio do fim do euro. Outros dizem que são apenas sobressaltos da ressaca do que se passou ( e ainda está a passar) na Grécia. Leiam aqui o Economist:
"Without Greece many will conclude that the Euro zone might actually be more stable. Saddly, that is wrong! Look beyond Greece and conflict within the euro is all but inevitable. Although Greece’s departure would prove the euro is not irrevocable, nobody would know what rule-breaking would lead to expulsion. Nor would it resolve the inevitable polarisation of debtor and creditor governments in bail-outs. If the single currency does not face up to the need for reform, then this crisis or the next will witness more Greeces, more blunders and more dismal weeks. In time, that will wreck the euro and the EU itself."
E eu não diria melhor... 
Para afastar estes mau-olhados e presságios de desgraça vamos a um poema de alegria .  De Eugénio de Andrade, "Anunciação da Alegria", uma pequena jóia da nossa língua que aqui deixo:
Devia ser verão, devia ser jovem:
ao encontro da manhã ia cantando
como quem entra na água.

Um corpo nu brilhava nas areias
   corpo ou pedra?, pedra ou flor?

Verde era a luz, e a espuma
do vento rolava pelas dunas.

Soltei os olhos sobre aquele corpo,
o coração latindo de alegria.

De repente vi o mar subir a prumo,
desabar inteiro nos meus ombros.

Sem muros era a terra, e tudo ardia.

Eugénio de Andrade

quarta-feira, julho 15, 2015

Vantagens de ser Tuga comparadas com o gosto de um inglês

As redes sociais estão cheias de notícias do crítico gastronómico do Times, Giles Coren, depois deste ter "investido" contra a cozinha portuguesa, fruto de uma má experiência (segundo ele) no restaurante  londrino "A Taberna do Mercado" de Nuno Mendes.

Eu próprio , a quente, escrevi que o Sr. Giles normalmente não comeria, antes pastava que nem um boi, e que teria febre aftosa (comum às cavalgaduras).

Agora, com mais distanciamento, acho que somos um bocado pacóvios se nos pusermos todos a protestar , tipo  vaga de fundo ou  manif estudantil de 68.  São achaques de provincianismo.

Não os devemos ter porque a posição da nossa gastronomia está acima, muito acima dessas dores de "corno" (com vossa licença).

Obviamente que um crítico influencia, e sendo o do circunspecto The Times, ainda mais. Mas é apenas a opinião de uma criatura. E atrevo-me a dizer que a gastronomia portuguesa sobreviverá a isso.

O próprio Giles compara nesse artigo a pretensa má qualidade da nossa cozinha com a do seu país, gozando com o assunto. E para quem entende o humor britânico (Monty Python são aqui chamados à colação) o homem devia estar num dia de "marrar" com tudo o que lhe pusessem na manjedoura (digo, no prato) e, sem outro tema para escrever, fez disso o seu artigo.

Tenho de parar com estas analogias bovinas, senão ninguém acredita na tese que aqui defendo...

Crítico também tem prazos e crítico também tem, ocasionalmente, blackouts imaginativos.

Quem não se sente não é filho de boa gente?  Está bem, mas a melhor vingança come-se fria (agora que é Verão).

 E para além disso, sem largar a língua de Shakespeare, "Living well is my best revenge!".

Imagino o que diria Giles se estivesse  no final da tarde de Segunda feira passada, no Casino da Figueira, perante três mesas monstruosas de acepipes tradicionais portugueses ali dispostos com amor e carinho pelas Confrarias Gastronómicas do nosso país.

Desde os charutos de S. Miguel (com rótulo adequado ao dia), até ao venerável queijo da Serra, passando pelos presuntos de Vale do Sousa (de cair para o lado), pelos rojões , pelo leitão da Bairrada, pelos pastéis de bacalhau, pelos panados de vitela, pelas muitas broas (doces ou salgadas) , pelos doces conventuais em barda...

Das duas uma: ou o Sr. Giles caía nauseado, ou se rendia à desbunda...

Em qualquer dos casos a sua atitude pouco ou nada afectaria o ânimo dos presentes, demasiado ocupados a  venerar (comendo) o bodo ali  apresentado por mãos benfeitoras.

E é aqui que quero chegar. Deixem criticar. Há espaço neste mundo de Deus para todos.

Enquanto uns criticam, outros aproveitam e vão comendo...

Imaginem o horror da situação oposta: o homem dizer bem da nossa gastronomia e a mesma ser má. Mázinha mesmo, quase péssima.

Isso sim, seria um pesadelo do qual queremos acordar já! Pôrra Compadres!

segunda-feira, julho 13, 2015

É pena que os KM em terra não acumulem milhas de voo...

Estou feito um autêntico "caixeiro viajante" dos selos postais. Não paro com as deslocações, fruto das solicitações que não param de chegar.

Hoje estarei na Figueira da Foz, para assistir à apresentação formal do Dia Nacional da Gastronomia  recentemente aprovado na AR e que terá lugar no último Domingo de Maio. E vamos obviamente comemorar o 1º Dia , em Maio de 2016, com um Postal Inteiro.

A Assembleia da República resolve, nos termos do n.º 5 do artigo 166.º da Constituição, instituir o Dia Nacional da Gastronomia Portuguesa no último domingo de maio. Aprovada em 26 de junho de 2015. 
A Presidente da Assembleia da República, 
Maria da Assunção A. Esteves. 


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Estou ao mesmo tempo satisfeito pelo facto da filatelia estar na moda e das cerimónias de apresentação dos selos serem cada vez mais  procuradas por todas as entidades intervenientes, promotores das emissões e outros que por elas se sentem abrangidos.

Mas sai-me do corpinho, e com a malvada da ciática sempre a espreitar por cima da "nádega", o que posso dizer é que o amor à arte tem de ser grande para ultrapassar os incómodos.

Mas não sou hipócrita. Vingo-me das dores parando sempre que posso nalgum restaurante que valha a pena e que encontre nestas deslocações.  Et voilá o incentivo!

 Não há bem que sempre dure, nem mal que nunca acabe...

quarta-feira, julho 08, 2015

Estronços e outros que tais



Muitas vezes ouvi, lá na terra, a minha santa chamar "estronços" a certas personagens de quem não gostava muito. Sempre achei que fosse um adjectivo local.

Até que se fez luz nesta fraca cabeça: "Estronço" era uma forma popular do termo "Mastronço" (Mastronço, como sinónimo de indivíduo grosseiro, mal arranjado e sujo).

Outra expressão popular, tornada célebre por Vergílio Ferreira ( A Palavra Mágica), foi o termo "Inoque", utilizado na aldeia como grande ofensa: fulano chamou-lhe tudo! Que era um grande bruto e estúpido ! E que não passava de um grande inoque!!

Mais tarde veio-se a constatar que "Inoque" era um abastardamento popular da palavra "Inóquo", a qual, a bem dizer, não prefigura grande insulto...

A redução ou apagamento de sílaba é considerada um processo fonológico do desenvolvimento, caracterizado pela eliminação de uma sílaba ou mais sílabas durante a produção de uma palavra. Não sei se foi isto que aconteceu, mas estas ideias de simplificação populares não ocorrem apenas na linguagem coloquial. 

Ora leiam esta "novidade" sff:

Parece que uma reputada empresária brasileira do ramo editorial ( penso que se tratará da "Leya" lá do sítio) conseguiu uma avultada verba do Ministério da Cultura do Brasil para "simplificar Machado de Assis". Isto é, reescrever as obras do Mestre em linguagem "que todos entendessem, desde o rico que estudou na faculdade até ao pobre que apenas aprendeu a ler"... E começou logo pelo "Alienista" a obra-prima de Machado de Assis,onde  este nos deleita com a história de Simão Bacamarte e do seu hospício Casa Verde.

Os termos de comparação são retirados do excelente artigo "Discípula de Paulo Freire assassina Machado de Assis",  de José Maria e Silva.

Nota: Paulo Freire foi um pedagogo controverso, admirador de Mao Tse Tung e que desejava arrancar as palavras burguesas da cartilha do trabalhador, determinando a alfabetização a partir das palavras proletárias, , como “tijolo”. (Sem comentários que ainda me engasgo a rir e não acabo o Post.)

Como exemplo da estranha simplificação do "Alienista": Uma volúpia científica alumiou os olhos de Simão Bacamarte”;  ficou depois da "revisão" : “Uma curiosidade científica iluminou os olhos de Simão Bacamarte.
E ainda: Simão Bacamarte começou por organizar um pessoal de administração; e aceitando essa ideia ao boticário Crispim Soares, aceitou-lhe também dois sobrinhos”.  
E na traduçãozinha para ignorantes: “Simão Bacamarte começou organizando um pessoal de administração. Convencendo o farmacêutico Crispim Soares, aceitou-lhe também dois sobrinhos”.
Ou, por último: Isso de estudar sempre, sempre, não é bom, vira o juízo”. Após a ação revisionista: “Isso de estudar sempre, sempre, não é bom, prejudica o juízo”.

"Conquanto" (embora) fica "enquanto"; "hebreu" passa a "judeu"; "Transeuntes" são agora "Os que por ali passavam", "pasmado"  foi substituído por "espantado"...

Se a moda aqui pega, no nosso Jardim à beira mar plantado, já estou a ver os versos de Camões "adaptados" para o povo: 

As Armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana

Por Mares nunca dantes navegados

Passaram ainda além da Taprobana
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana
Entre gente remota edificaram
Novo reino que tanto sublimaram
(....)

E a versão revista e melhorada:

A forte rapaziada de Chelas  
Depois do trabalhinho no  "28"  amarelo

Tomou o cacilheiro para a Trafaria
Agarrados ao fundilho  belo
Deixando para trás  a bófia esbaforida
Esganados como cães de Niza
Esperam lá para a Caparica
Não de areia, mas de maravedis
Acabar de vez com a larica

Ganda Camões! 
Rejuvenesceu, ou melhor "ficou mais novo"!

terça-feira, julho 07, 2015

De regresso (outra vez)...

 Começo com um  voto  de sentidas condolências pela partida da Drª Maria Barroso, nossa amiga e que connosco compartilhou ao longo de muitos anos largas sessões de lançamento de selos e de livros.  A última foi a emissão que dedicámos à ACNUR (Agência da ONU para os refugiados) onde esteve também o Alto Comissário Engº António Guterres.

Uma grande Senhora, com uma vida notável, lutadora infatigável pelas causas da democracia e das liberdades, direitos e garantias,  que tivemos o privilégio de conhecer. Boa Viagem!

Depois desta nota triste o resto das notícias a comentar parecerão de uma palidez excessiva.

Mas temos a Grécia, os resultados do  referendo e as suas consequências.  Como desatar esta meada?

O circunspecto The Guardian escreve:

The next 48 hours will test Tsipras’s argument that a no vote would strengthen his hand with negotiators.
The Economist Intelligence Unit puts the chances of a Grexit (saída do Euro)  at 60%.
“The referendum result raises the stakes for both sides. It makes it more difficult for Mr Tsipras to make big concessions in order to reach agreement with the country’s creditors. It also makes it more difficult for German chancellor Angela Merkel and other eurozone leaders to make concessions to Greece because of the moral hazard arguments,” says the EIU’s Joan Hoey.
Um dos maiores problemas é o estrangulamento do sistema bancário, onde segundo parece existem agora apenas  45 euros por  cada cidadão grego em cofre... Caso o BCE não se atravesse a saída do euro será inevitável. Fala-se já de Bail-in, o que se passou no Chipre, e que não é mais do que um arresto de poupanças superiores a um determinado montante, para financiar as despesas do estado.
A grande data, a data de todas as decisões será o dia 20 de Julho, onde a Grécia deveria pagar 3,5 biliões ao Banco Central Europeu.  Se falhar esse pagamento, a "malta" de Frankfurt provavelmente fecha a torneira e o GREXIT será inevitável...
Veremos. 

sexta-feira, julho 03, 2015

Para Descansar a Vista...No Panteão




Resultado de imagem para Entrada do palácio de S. Bento, leões

Estou chegado de andanças muito eclesiásticas - S. Vicente de Fora e S. Pedro de Rates - carimbando a emissão dos "Caminhos de Santiago" junto de um dos meus padres preferidos, o Sr. Arcebispo D. Jorge Ortiga.

Hoje há a trasladação de Eusébio da Silva Ferreira para o Panteão, e já estive de manhã, nos Passos Perdidos de S. Bento (é só santos...) a carimbar mais uma vez...

Nota: De tanto carimbar a p*** da palma da mão já desenvolveu um calo. Ando a ver se o transformo em doença profissional...

Por acaso, e fruto de ter dormido menos de 5 horas nesta noite por ter regressado já tarde de Rates depois de quase 800 Km de carro no mesmo dia, acabei por chamar Guilherme Aguiar ao Dr. Guilherme Silva e Vice Presidente da Federação Portuguesa de Filatelia ao Humberto Coelho... Mas fora esses dislates correu tudo bem...

Aqui para nós,  não achei bem estarmos a fazer uma homenagem ao Eusébio numa sala onde a decoração proeminente dos tectos são leões...Para já não falar das bestiúnculas que se encontram à entrada, nas escaditas... Mas adiante que não estamos em Amarante.

Venham então uns versos para celebrar o Desporto .

Do grande António Aleixo ("Este livro que vos deixo") aqui vão algumas verdades.

Que já eram verdades quando foram escritas, mas que mantêm a actualidade!!

Vejam lá se não mantêm:

Desporto e Pedagogia

Diz ele que não sei ler 
Isso que tem? Cá na aldeia 
Não se arranjam dúzia e meia 
Que saibam ler e escrever. 

P'ra escolas não há bairrismo, 
Não há amor nem dinheiro. 
Por quê? Porque estão primeiro 
O Futebol e o Ciclismo! 

Desporto e pedagogia 
Se os juntassem, como irmãos, 
Esse conjunto daria, 
Verdadeiros cidadãos! 


Assim, sem darem as mãos, 
O que um faz, outro atrofia. 
Da educação desportiva, 
Que nos prepara p'ra vida, 
Fizeram luta renhida 
Sem nada de educativa. 

E o povo, espectador em altos gritos, 
Provoca, gesticula, a direito e torto, 
Crendo assim defender seus favoritos 
Sem lhe importar saber o que é desporto. 

Interessa é ganhar de qualquer maneira. 
Enquanto em campo o dever se atropela, 
Faz-se outro jogo lá na bilheiteira, 
Que enche os bolsinhos aos que vivem dela. 
 
Convém manter o Zé bem distraído 
Enquanto ele se entrega à diversão, 
Não pode ver por quantos é comido 
E nem se importa que o comam, ou não. 

E assim os ratos vão roendo o queijo 
E o Zé, sem ver que é palerma, que é bruto, 
De vez em quando solta o seu bocejo, 
Sem ter p'ra ceia nem pão, nem conduto. 

António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..." 

terça-feira, junho 30, 2015

O calor estraga os vinhos?

Os velhos adegueiros, lá na Beira Alta, não gostavam do Verão. Na sua opinião "o calor dava cabo dos vinhos".  Refugiados na adega era lá que faziam a tertúlia de Agosto (fazia fresquinho e tinham o "material" à mão de semear). E muitas vezes ali os ouvi a discorrerem sobre estas coisas.

Enquanto se esperava para o almoço  (uma horita antes) utilizava-se o clássico método do garrafão atado com uma guita e enviado para dentro do poço. Ali refrigerava até chegar à temperatura considerada adequada. Qual era ela?

Não sei bem. O método era empírico e a medida certa era a do gosto dos bebedores, dos convivas.  Lembro-me que no pino de Verão bebia-se o tinto quase que à mesma temperatura do branco, pois o velho poço não tinha termostato nem regulador de temperatura por secções...

A "regulação" era deitar o garrafão do branco lá para dentro meia hora antes do que o do tinto...

Essa era a aventura empírica dos tempos pré-ciência do vinho. Antes de chegarem os enólogos , os estudiosos do tema,  acompanhados dos seus engenheiros apologistas das vinificações a temperaturas controladas... Eram os tempos em que o Sr. Nicolau de Almeida mandava buscar gelo à Serra da Estrela para arrefecer os mostos do que viria a ser o Barca Velha clássico, dos anos 50 e 60.

Hoje em dia acho que podemos confirmar que é verdade. O calor estraga os vinhos. Estraga de mais do que uma forma.  Diminui o tempo de duração em garrafa, "ofende" o palato na altura da prova.

Já o frio apenas prejudica a prova, sendo até recomendado (sem exageros!) para ajudar a preservar as garrafas boas na adega.

Um tema neste momento bastante discutido é o da "uniformização" da temperatura do vinho a servir (tinto e branco).

Há quem defenda que, independentemente do ambiente ser de Agosto ou de Fevereiro, os vinhos terão que estar sempre à mesma temperatura (14º a 16º para os tintos mais encorpados e velhos; 12º a 14º para os tintos jovens; 6º para os espumantes e champanhes; 8º para brancos e verdes jovens ;10º a 12º para grandes brancos envelhecidos). Em média, está claro!

Mas há outros (onde por acaso eu me incluo) que acham que o ambiente tem influência , sobretudo se a prova se der em meios onde a temperatura não é condicionada. Isto porque o provador não se pode isolar da temperatura que faz, se está muito calor à mesa pode pedir ( e deve pedir) para lhe baixarem a temperatura do tinto para o limite mínimo da categoria. Se está frio , pelo contrário...

Claro que o ideal seria comer em salas preparadas para estarem sempre a 22º, de Verão ou de Inverno... Mas quem as tem lá em casa?

Imaginem uma cena tipicamente portuguesa: a sardinhada de Junho ou de Julho no meio de amigos, ao ar livre. Um assa as sardinhas (é o desgraçado do João...),  outros fazem as saladas, outros ainda tiram a pele às batatas cozidas. Algumas "mulas" sentam-se e esperam pelo prato (aqui tusso eu, um bocado embaraçado...).

Estarão debaixo do alpendre uns 32º ou 33º. Como se faz ao vinho? A nossa solução é iniciar as hostilidades com umas garrafas de espumante bruto (ao  pé do assador tem de estar sempre um flute cheio!). Continuar com um vinhão de Ponte de Lima (soberbo o de 2013). Até aqui não saímos da fasquia dos 6º a 8º...

Depois, na sossega e quando a adstringência pede um tinto a sério, lá abrimos 2 ou 3 garrafas de um tinto do Dão ou do Douro, mas jovem! Um vinho que aguente bem ser servido a 12º sem sofrer com isso. Lembro aqui dois:  Passagem (do Douro , primo do Poeira) ; Vinha Paz ( do Dão). Ambos de 2011.

segunda-feira, junho 29, 2015

A Grécia de hoje



Recordo-me mal das consequências que sofri (pessoalmente) no caso da crise de 1979\1980 (choque petrolífero).

A política dos países produtores - OPEP - que consistiu em subir os preços do barril quase 8 vezes (!!) desde 1973 , viria a criar enormes problemas de inflação nas nações industrializadas. Governos e bancos aumentaram as taxas de juro, agravando o problema de pagamento de dívidas, que ainda hoje atormentam grande parte dos países em vias de desenvolvimento. 

Nessa altura eu já trabalhava.
Dava aulas na Universidade e tinha acabado de entrar para os CTT. Mas como normalmente andava de transportes públicos (comboio e metro) não me recordo de grandes perturbações. Lembro-me do meu pai ir com o FIAT 1600 de noite para a fila do combustível, lembro-me de haver alguma contenção nas deslocações "à terra", que normalmente demoravam 5 horas e tal , e quase dois depósitos, pois o FIAT bebia como um alemão na Feira de Munique. Mas pouco mais.

Era novo, tinha acabado de casar, o mundo parecia "porreiro"...

Tenho por isso mesmo, alguma dificuldade em compreender o que espera os nossos amigos gregos a partir do dia de hoje (e em cima da "tareia" que já levaram nestes anos).

Não tomo partido.  Compreendo os dois pontos de vista:

Há quem diga que aquela gentinha grega teve anos de vacas gordas em barda e o que está agora a acontecer é o ajustamento inevitável, a caída na realidade. Há quem diga, por outro lado, que são os  euro-burocratas que estão a dar cabo do conceito humanista de Europa e que o  que vai acontecer é o início do fim do sonho, a derrocada dos ideais de Jean Monet e de Robert Schuman.

Deixando isso para lá da fronteira, uma coisa me parece certa: na Grécia ( como em qualquer país do mundo) houve pessoas que se "safaram" enquanto puderam e que estarão hoje mais ou menos a coberto da tempestade. Mas decerto que a maior parte do povo não teve culpa do que lhe aconteceu e está agora em iminente processo de retroagir dez ou vinte anos no desenvolvimento pessoal e institucional.

Há quem "empoche e ganhe " nestas alturas? Sim. E são muitos. Lembro o que aconteceu em Portugal com os famigerados cursos de formação pagos pela Comunidade Europeia... Não havia bicho careto que não se armasse em "formador da CEE". Quantos andares e casas se compraram à conta disso? E Beamers? E Mercedes?
Mas, e os outros que eram muitos mais? Os que não criaram empresas para dar formação (porque não tinham habilitações). Os que não roubaram dos Fundos Estruturais (porque a eles não tinham acesso). Os que não meteram para dentro os subsídios das cabeças de gado e dos Hectares (porque nem gado, nem terra tinham)?? E desses?  Ninguém fala??

Como sempre, desde que o mundo é mundo, serão esses milhões que sofreram, sofrem e vão sofrer.

Infelizmente , nestas ocasiões,  só se fala dos milhares que "roubaram, enganaram, vigarizaram, viveram bem à fartazana e melhor do que nós"... Não se fala dos outros.

Dos  milhões que não roubaram nem vigarizaram. Dos milhões que viveram como puderam em função das condições que lhes deram para tal. E que actualmente se vão ver aflitos com a falta de dinheiro para  farmácia, para a comida, para a escola, para a electricidade, para a água .

E aqui é que a porca torce o rabo ! São milhares os aproveitadores, são milhões os sofredores. Mas as decisões são tomadas em função desses milhares. E que se "prejudiquem" (para não dizer outra coisa) os restantes milhões  que vão com a cheia...

Não acho bem.

Como dizia o outro : "Não foi para isto que fizemos o 25 de Abril"!

Nem, digo eu, "Não foi para isto que a Europa travou duas guerras mundiais"!


sexta-feira, junho 26, 2015

Para Descansar a Vista...Na outra margem



LSB não é um anagrama de SLB! Não senhores! Trata-se das iniciais da nova proposta para dinamizar o turismo e o investimento lá na "margem sul"... O recém-criado Lisbon South Bay...
O que dizer da saloiada? Talvez desejar-lhe tantos anos de vida como teve a outra bimbalhice chamada "Allgarve". Lembram-se dela?  Eu também não , graças a Deus.

Vamos lá deixar estas "modernices" para trás e tratar de saudar os bons amigos da margem sul com um grande poeta de Setúbal, quase, mas mesmo quase, a ter homenagem com direito a selo e a carimbo na sua terra natal de Setúbal.

Nascemos para Amar

Nascemos para amar; a Humanidade 
Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura. 
Tu és doce atractivo, ó Formosura, 
Que encanta, que seduz, que persuade. 

Enleia-se por gosto a liberdade; 
E depois que a paixão na alma se apura, 
Alguns então lhe chamam desventura, 
Chamam-lhe alguns então felicidade. 

Qual se abisma nas lôbregas tristezas, 
Qual em suaves júbilos discorre, 
Com esperanças mil na ideia acesas. 

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre: 
E, segundo as diversas naturezas, 
Um porfia, este esquece, aquele morre. 

Bocage, in 'Sonetos' 

quinta-feira, junho 25, 2015

Tempo de Melgas

Melga e mosquitoEncontrei informação científica sobre esta matéria (num site da "Dum-Dum" imaginem!!) mas não foi muito esclarecedora:

Melgas e Mosquitos são termos genéricos usados para designar várias famílias de insectos pertencentes à ordem Diptera e em particular, à subordem Nematocera, embora, estritamente falando,  se refiram apenas aos membros da família Culicidae. Na verdade, existem 39 géneros de melgas e mosquitos e 135 subgéneros no total, com mais de 3.200 espécies conhecidas. São insectos voadores com corpos magros e pernas longas. Os adultos raramente têm mais de 15 mm de comprimento. As larvas e pupas crescem na água.

No Verão estas bestiúnculas martirizam mais a pele das pessoas, pois será a altura em que (sempre segundo a "Dum-Dum") se encontram mais ativas.

Aqui para nós, digitei mal Dum-Dum e apareceu-me o site "Bum-Bum". Isso é que é um site porreiro Pá! Ganda site, sem melgas carago!! 

Mas tresvario e divago... Adiante que não estamos em Ipanema (hélas...).

Existe um mito urbano (e generalizável para campos e praias) segundo o qual há peles (existem indíviduos) com maior poder de atracção para estas alimárias. Seriam "pessoas de pele mais açucarada". As melgas castigariam assim as pessoas "mais doces", mais "boazinhas" e mais estimáveis.


Isso é mentira. 

Quando as noites de calor apertam e nos encontramos perto de água doce, não há ruindade ou malvadez que nos valha. Elas atacam como esquadrões de "stukas". Ai de quem se atreve a mostrar o corpo nessas alturas!

Nota: stuka é abreviatura de Sturzkampfflugzeug, o bombardeiro de mergulho  Junkers JU-87 que foi o caça mais utilizado pelos alemães na  2ª Grande Guerra.

O termo "Melga" foi depois generalizado no vernáculo da língua para também significar "indivíduo chato e implicativo; alguém que nos incomoda constantemente".  Conheço "melgas" destas que nunca mais acabam... E algumas entram todos os dias por nossa casa dentro, mesmo com portas e janelas bem fechadas, pela radio e pela TV... 

"Melga" também significa um daqueles assuntos que já não há pachorra para continuar a ver e\ou a ouvir em discussão infindável através dos meios de comunicação social.

Nesse sentido são grandessíssimas "Melgas " de assuntos: a possível participação do Prof. Marcelo nas presidenciais, a discussão do futuro de Maxi Pereira, o Dr. Rui Rio e o que fará, a nova namorada de CR7, a revista de Cristina Ferreira, a vida de Cristina Ferreira, os negócios de Cristina Ferreira, as escutas telefónicas dos USA  aos aliados (quem não foi escutado que se levante, pôrra!), quem irá para a liderança da FIFA e etc...

Quanto a esta questão da FIFA tenho por certo e sabido que será eleito quem o Senhor quiser. O mesmo em relação aos próximos vencedores da Champions , da Premier League e da Ligue 1 francesa. 

Apenas aqui em Portugal existem imponderáveis que não permitem  ao Senhor, ao  Altíssimo (aka Jorge Mendes) decidir o resultado. É o Belfodil e o Bruno da Ferramenta, por um lado, o Orelhas e sus muchachos, por outro, estando sempre à coca o Pintinho, velho mandril de rabo pelado que sabe mais a dormir que os outros todos acordados. O futebol luso é ingovernável.

Mas, Melga por Melga,  se tivéssemos  que eleger a maior Melga do reino animal (entre os vivos) o meu voto iria para uma pessoa e um assunto: a discussão sobre o Blatter (que ganda Melga!!) e quem lhe sucede,  e se o Platini avança , e que fará o Figo nessa conjuntura (com uma mulher como a dele eu sabia o que faria...). 

Go Home Blatter! Go Home!