quinta-feira, julho 24, 2014

Na CPLP: O coiso, o Obiang, ou lá o que é...

Teodoro  - que significa etimologicamente Dádiva Divina :):):):) - Obiang esfregava as mãos de contente quando saíu de Dili, embora um bocado maçado com as incomodidades e com a dieta local.

Dili não é Malabo, obviamente! Faltam as amenidades que mais preza o Sr. Presidente. Boas e grandes prisões (sobretudo Grandes), matadouros de "porcos compridos", alvos vivos para dar mais ânimo à correcção das miras das K47, o cheirinho permanente e apetitoso a petróleo, apenas disfarçado por alguns barbecues privados onde assam peças de carne suspeitas...

"Aquilo" foi descoberto por portugueses  e começou a ser colonizado também por tugas. Depois, lá para 1778, em virtude de uma disputa com nuestros hermanos sobre territórios de aquém e de além Atlântico (África e América do Sul) lá se fez a troca : Para Portugal a colónia de Sacramento no Uruguay e a Ilha de Santa Catarina no Brasil, Para Espanha um vasto território em África,  limitado pela foz do  Niger  e até ( incluindo) o actual Gabão.

No dito território  existem 3 línguas oficiais: ( espanhol,  a lingua francesa e, a partir de ontem, também a portuguesa).  Mas se alguém for para lá falar espanhol ninguém o percebe. Imaginem se for a falar francês ou português... O povão fala em dialectos mais ou menos tribais.

O desgraçado do povo vive há mais de 35 anos debaixo da opressão da família Obiang, onde Teodoro "Dádiva de Deus" se mantém Presidente e Chefe de Governo desde 1979. Têm um 1º Ministro, mas é para trabalhar e fazer o que lhe dizem.

A constituição de 1982 até reforçou os amplos poderes ao Presidente, incluindo a nomeação e destituição dos membros do gabinete, elaboração das leis por decreto, dissolver a Câmara dos Representantes, negociar e ratificar tratados e convocar eleições legislativas.

 O Sr. Presidente, coitado, um mouro de trabalho,  ainda é comandante-em-chefe das forças armadas e ministro da Defesa. Admite-se, por isso, que precise de se alimentar bem.

Leiam aqui algumas notícias sobre o Senhot Obiang (Dádiva Divina):
http://www.dinheirovivo.pt/economia/interior.aspx?content_id=3750110

Pois é isto que agora está na CPLP. O que diria Camões? 

Já o disse - e bem - na estância 99 do Canto IV:

"Já que nesta gostosa vaidade
Tanto enlevas a leve fantasia,
Já que à bruta crueza e feridade
Puseste nome esforço e valentia,
Já que prezas em tanta quantidades
O desprezo da vida, que devia
De ser sempre estimada, pois que já
Temeu tanto perdê-la quem a dá:

segunda-feira, julho 21, 2014

No Congresso de Geologia do Porto estará o Blogger

Vou a caminho não tarda. O vosso blogger ainda não "assentou" da viagem a Braga e já está de novo de mala aviada para a Invicta. Desta vez sozinho, porque o senhorio ou se fartou (o mais natural) ou então tem mesmo algum compromisso para amanhã em Lisboa. 

Vou lançar a Emissão comemorativa do Ano Internacional da Cristalografia (ONU). Um assunto que interessa a todos nós - apesar do título algo obscuro. Basta recordar que a engenharia de semi-condutores encontrados nos omnipresentes chips e a própria engenharia genética se apoiam nesta ciência.

Leiam aqui sff:

O IX Congresso Nacional de Geologia (IX CNG) é a mais importante reunião científica na área das Geociências em Portugal. Este é também o primeiro Congresso Nacional que irá acolher o 2º Congresso de Geologia dos Países de Língua Portuguesa (2º CoGePLiP). O IX CNG/2º CoGePLiP será organizado pelo Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto de18 a 24 de julho de 2014.

Os desafios, com que se depara atualmente a Geologia, fazem com que este evento seja subordinado ao tema "Desenvolvimento Sustentável da Terra: Novas Fronteiras".

Gosto sempre de reencontrar o Porto. Tenho memórias antigas da cidade e dos muitos amigos que por lá encontrei, normalmente à mesa dos restaurantes emblemáticas do velho burgo: o Escondidinho, o Portucale (do saudoso Sr. Azevedo), o Chanquinhas (em Matosinhos) e o D. Manuel (este já não existe). Para não falar dos mais populares Abadia, Nanda ou Casa do Victor (de Leça e igualmente defunto, pelo menos com a gerência que lhe fez a fama).

Fico a dormir no Porto hoje porque as costas assim o obrigam, motivo pelo qual só voltarei aqui ao Blog na Quarta Feira. 

Boas Férias ou bom trabalho! 

sábado, julho 19, 2014

De Júlia em Júlia, com estrelas no olhar

Tudo deve ter começado lá para 600A.C., quando os primeiros membros da ilustre família patrícia (Gens Julia) vieram para Roma depois da destruição de Albalonga.

Mais tarde nasceu o velho Júlio César (muito dado ao convívio, dentro e fora de casa) e ainda mais tarde - lá para 16 A.C. - o seu filho adoptivo deu nome a Braga. Este era um bocado mais morcão do que o primeiro César, mas - como todos os cínicos de todos os tempos - viveu e reinou que se fartou.

Na Falperra de Braga há o grande restaurante "Dona Julia". E na Trofa ( a meia hora de bom caminho) há o restaurante "Julinha". Também ele grandioso.

As senhoras mentoras destas casas de bem comer eram ( são) Júlias. Uma ainda trabalha na cozinha do Dona Julia. A outra ensinou o que hoje se faz na outra casa, Julinha da Trofa. O filho (Sr. Fernando, no Julinha ) e irmão (Sr. Manuel no Dona Júlia) têm um legado nas mãos tão importante (mutatis mutandis) como os da já referida Gens Julia, à qual se calhar ainda estão ligados :):):)

Ambos estes restaurantes  têm uma apresentação e recepção de clientes exemplares. Ambos possuem - no mais alto grau - o culto pela qualidade da matéria prima que pôem nas mesas. Ambos acarinham, mimam e desfazem-se em cuidados face ao transeunte ali entrado.

A cozinha minhota (melhor dito, bracarense) é interpretada da melhor forma nas duas casas. Os vinhos do Douro e Verdes têm papel preponderante nas cartas, a preços muito razoáveis.

As contas - para lisboeta - são extremamente doces. Duas alimárias comendo e bebendo do bom e do melhor (Douros grandes reservas de 2011, espumantes de verde, maltes, etc...) não chegaram a pagar mais do que 50 euros cada um. Em Lisboa? Para serviço,  qualidade e variedade semelhantes? Ponham lá sff 80 euros por cabeça.

O que separa estas duas instituições? Engraçado que encontro mais pontos comuns do que distinções, para além das óbvias como a localização e a facilidade em  dar com estes tesouros nacionais... E as esplanadas! Onde a da Dona Julia se destaca por permitir uma vista soberba sobre Braga.

Talvez no capítulo dos peixes frescos do nosso mar haja alguma vantagem na esplendorosa montra frigorificada do Dona Júlia. Mas essa vantagem é contrariada pelo transcendente bacalhau das Ilhas Faröe que se pode comer no Julinha.



A Costela de vitela mendinha (arouquesa ou maronesa) desfaz-se na boca e é um petisco de mandar rezar uma missa (ou duas) na vetusta Sé de mais de 900 anos! E existe na Dona Júlia e na Julinha!

Tanto num como no outro, a filosofia de trabalho é sempre virada para a satisfação do cliente.

De notar ainda que, para além do cultivo das tradições das suas terras,  estas mansões do prazer mastigatório  têm também toques de modernismo: No Dona Julia uma sala dedicada ao Sushi, com sushiman formado na arte. Na Julinha, vale a imaginação criativa do Chef, sempre à volta com as melhores maneiras de apresentar pratos simples (por exemplo, um pimento vermelho recheado de farinheira e gratinado, soberbo).

E ainda por cima, nestes tempos militaristas em que nos encontramos, pode-se fumar nos dois restaurantes, em salas próprias para tal.

O Paraíso em duas versões? Ainda por cima "quase ao lado" uma da outra?

Não serei eu que contrarie esta afirmação. Uma coisa é certa: na altura de planear uma visita ao antigo domínio dos Senhores Acebispos Primazes das Espanhas, torna-se obrigatório prever dois almoços. Um em cada uma destas casas. E não digo almoço e jantar porque tal só seria humanamente possível se os convivas fossem ainda relacionados com o gigante Gargântua e seu filho Pantagruel.


  1. Julinha Restaurante
  2. Endereço: Rua Doutor Avelino Moreira Padrão 1771,  TROFA
    Telemóvel:252 419 763

Restaurante Dona Julia 
Morada: Via da Falperra (EN 309)
Código Postal: 4710 670 NAVARRA
Tel: 253270826

quarta-feira, julho 16, 2014

Em Braga com dois Arcebispos!

Parte o blogger para Braga, apresentando amanhã, pelas 21.30h, no Museu Pio XII, a série de selos comemorativa de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, Beato e grande arcebispo primaz.

Faremos um Carimbo especial "Braga" para este efeito.

Dom Jorge Ortiga, o actual Arcebispo Primaz, gostou da ideia e estará presente nesta ocasião. Que maravilha para nós podermos contar com ele!

Estão todos convidados, está claro!

Para lá iremos de manhã cedo eu e o meu senhorio, actualmente transvertido de "motorista" do inválido!

Cedo porquê? Bem, primeiro que tudo há que chegar a tempo e horas ao local do repasto almoçal. E depois, porque o blogger ainda tem de parar pelo caminho, com as dores nas costas.

Para já está previsto que o Almoço será no Dona Júlia do Sameiro. E o resto logo se verá. Mas há a suspeição que não será necessário jantar...

Uma coisa é certa: pastéis de bacalhau do "Cantinho" serão encomendados para "aviar" no Sábado!

As duas santas senhoras (irmãs catatuas) estorilistas esperam ansiosamente pela entrega, não perdoando atrasos nem esquecimentos aos "carteiros" de serviço.

No regresso ao Estoril, na sexta feira, podemos passar antes pelos "Castelhanos" ou pela "Julinha" da Trofa.

Logo se vê, porque a maravilha destas ocupações no meio das férias é que não há pressa. Nem para ir, nem para vir.

Novas desta excursão serão dadas no Sábado.

Entretanto não se esqueçam de tomar banho sff! (de mar, está claro!)

terça-feira, julho 15, 2014

As Sardinhas

Têm vindo a fazer-me fosquinhas literárias com as sardinhas. Literárias porque publicadas  nas redes sociais, está claro!

Que já estão boas. Agora é que é bom comê-las! Olhem que não deixem para mais tarde, etc, etc...

Enquanto esperamos a habitual convocatória para Abrantes  ( tenho pingas de qualidade para levar e acompanhar!) vamos hoje aproveitar  a Terça Feira para sardinhar.

Provavelmente em Setúbal ou Sesimbra, fazendo o percurso  pelas 12,30h para evitar as filas da Costa.

Segundo o Correio da Manhã (não confundir com "manha") a sardinha está cara este ano:

A preço de ouro. Foi assim que a sardinha foi vendida em algumas lotas do País. Em Matosinhos, o local onde atingiu valores mais altos, a sardinha chegou aos 17 €/kg, preço 20 vezes mais alto do que o normal.

O Sr. Joaquim Piló (do sindicato dos pescadores) explica:

 Nestes dias  há muita procura, mas não tem havido grande quantidade de sardinha. A falta de peixe resulta da seca, que reduz o fornecimento de alimento, e também das restrições impostas pela União Europeia.  E depois  há um limite de pesca .
 O ano passado foi possível pescar 55 mil toneladas de sardinha. Este ano o máximo são 36 mil toneladas. - Estes preços acima dos dez euros  ocorrem três ou quatro vezes por ano, na altura dos Santos Populares. Depois baixa o preço - 60 cêntimos por quilo é o preço médio anual.

Parece que escolhi mal o dia para ir sardinhar... Não tenho é dado pela tal "seca" invocada pelo Sr. Piló... Seca? Só se for de futebol. Choveu até 24 de Junho!!

Para terminar uma receita minhota. As "Costeletas de Sardinha" , aqui de acordo com a receita de D. Antonieta:

  • 12 sardinhas médias
  • 100 g de pão ralado
  • 2 ovos inteiros
  • sumo de 1 limão
  • pimenta q.b.
  • sal q.b.

Começa-se por tirar a cabeça às sardinhas, que se abrem a meio pela parte da barriga.
Depois, com muito jeitinho para não moer o peixe, extrai-se a espinha.
Coloca-se a dúzia numa travessa e tempera-se com sal, pimenta e limão, deixando repousar durante uma hora para apuro do tempero.
Passa-se o peixe, em seguida, por ovo batido e pão ralado e leva-se a fritar.
Sirva com feijão frade e molho verde.

 

Bom Proveito!

segunda-feira, julho 14, 2014

Acabou a Feira, começam as Férias

Fim de festa. Ganhou quem se esperava.  Glória aos Vencedores e Honra aos vencidos.

Torci pela Argentina na final de ontem. Gosto sempre de apoiar os underdogs... É um traço de personalidade que mantenho.

A equipa alemã foi melhor? Sim.  E mereceu levar o caneco para Berlim.

Mas para mim o futebol é também feitiço e improviso, drible de pernas tortas (Mané Garrincha) e golos metidos  a meias entre homens e Deus (Maradona).. Trocar esta imprevisibilidade magnífica pela máquina bem oleada  e preparada que é a equipa alemã,  não sei porquê parece-me que deixa o futebol um pouco mais pobre e menos mágico.

Todavia, quando chegamos aos "finalmentes" e questionamos se, para o dia-a-dia e protecção de filhos e netos, confiamos mais numa obra de arte  da estética transalpina ou num veículo  meio morcão de aspecto, mas montado  na Alemanha e com engenharia alemã, para onde nos voltamos? Havendo dinheiro, está claro..

As coisas práticas da vida são importantes , mas deve haver lugar para o sonho. E sonhar é imaginar  alto e largo, a cores e com estereofonia.

Como comecei hoje uma semanita de férias posso dar-me ao luxo de divagar e escrever umas possidonices.

Entre as idas ao mercado de Cascais ( que está soberbo! Cheio de Lojas e recantos gastronómicos) e a preparação calma dos nossos almoços em casa ocuparei o tempo.

De tarde? Ler.  Ler muito como se a vista fosse ( e , como tudo o resto, é) um bem perecível que convém aproveitar ao máximo..

E vamos aqui falando. Até amanhã!



sexta-feira, julho 11, 2014

Para Descansar a Vista ...

De Jorge de Sena um soneto que nos leva a pensar no que ainda estará escondido por detrás das três letras mágicas que estão agora na moda pelas piores razões - BES.

Até há já quem as traduza como:  Bactéria Em Saldo! Bazem!!

Mentir? Todos mentimos, até o Governo (ou sobretudo o Governo?) . Vejam o que o velho cowboy pensava do assunto ali em cima.

Mas brincar às casinhas com o dinheiro dos pobres parece demasiado abuso para ficar impune.

Esperem lá! Estamos em Portugal!  Tinha-me esquecido por momentos.

Volta Salgado que estás PERDOADO.

E Jorge de Sena viveu nos USA... Pátria do Madoff, Lembram-se dele?

Então aqui vai:

Génesis
De mim não falo mais: não quero nada.
De Deus não falo: não tem outro abrigo.
Não falarei também do mundo antigo,
pois nasce e morre em cada madrugada.

Nem de existir, que é a vida atraiçoada,
para sentir o tempo andar comigo;
nem de viver, que é liberdade errada,
e foge todo o Amor quando o persigo.

Por mais justiça ... Ai quantos que eram novos
em vão a esperaram porque nunca a viram!
E a eternidade... Ó transfusão dos povos!

Não há verdade: O mundo não a esconde.
Tudo se vê: só se não sabe aonde.
Mortais ou imortais, todos mentiram.

Jorge de Sena

quinta-feira, julho 10, 2014

O Congresso Internacional dos Dominicanos na Sociedade de Geografia

A O.P. (Ordem dos Pregadores), conhecida por Ordem dos Dominicanos, tem má fama na península ibérica, em resultado do envolvimento dos frades em causa na nefanda Inquisição.

Tomás de Torquemada era dominicano mas, mesmo antes do seu nascimento  foi à Ordem que o papa Gregório IX em 1233 confiou a tarefa de julgar os herejes. 

Porque  Inquisição não houve só uma,  mas três: a relacionada com a heresia dos Cátaros no século XII, a da Espanha no século XVI ( de onde deriva a portuguesa) e a de Roma (Santo Ofício).

Pouco se divulga publicamente - embora a moderna historiografia esteja segura quanto ao caso - que na maior parte dos países foram os poderes políticos, o Rei e seus ministros, que utilizaram e geriram os meios e os  tribunais da Inquisição para cumprimento das suas agendas políticas da época, muitas vezes à revelia dos clérigos nomeados para os processos.

E quanto aos métodos, à tortura e à morte pelo fogo em Autos-de-Fé, convém também saber que os resultados práticos destas actividades foram muito menores em Portugal e em Espanha do que os números homólogos, ano a  ano, causados pelas penas dos tribunais ditos civis.

Leiam aqui sff:

Agostinho Borromeu, historiador que estudou a inquisição espanhola pontua: "A Inquisição na Espanha celebrou, entre 1540 e 1700 (160 anos), 44.674 juízos. Os acusados condenados à morte foram apenas 1,8%(804) e, destes, 1,7%(13) foram condenados à morte em 'contumácia'( queima de bonecos)".

Evidentemente que nem se discute o opróbio e a vergonha relacionados com a morte pelo fogo destes 13 infelizes! Mas para relativizar convém também saber que os que foram mortos  à ordem dos  tribunais civis no mesmo período terão sido mais do que  mil vezes esse número...

Tal fama de inquisidores - acompanhada por algum proveito, mas nem todo o que lhe querem dar -  tem por vezes feito esquecer o verdadeiro trabalho destes Frades na preservação da cultura.

Considerados os historiadores, bibliófilos e arquivistas da Igreja  - muitas vezes designados por Ordo Doctorum por causa da erudição dos seus membros - ainda hoje , e  mantendo sempre  os votos de despojamento de bens terrenos, são os dominicanos responsáveis (entre outros) pela custódia dos arquivos secretos do Vaticano,   constituidos por  um registo imenso de memória das relações do
cristianismo com a história da humanidade em diferentes épocas.

O grande Arcebispo Primaz de Braga , Beato D. Frei Bartolomeu dos Mártires foi Dominicano, tal como o seu biógrafo Frei Luis de Sousa.  E mais perto de nós Frei Raul Rolo, provincial e historiador da O.P em Portugal e membro da Academia Portuguesa de História.

Pois esta gente  de muitos e avultados saberes estará na Sociedade de Geografia, entre 23 e 26 de Julho,  reunidos em Congresso Internacional. Serão muitas as intervenções científicas de valor, pelo que recomendo a vossa presença. Vejam aqui mais detalhes sff:


http://www.ft.lisboa.ucp.pt/resources/Documentos/CEHR/Enc/enc/2014-07-23a26_CongressoOsDominicanos-Call.pdf

quarta-feira, julho 09, 2014

9 horas de alcatrão

Ir e vir do Estoril a Figueira de Castelo Rodrigo dá mais ou menos 9 horitas por estrada, parando e andando.  Porque a coluna (a da besta, não  falo do obelisco da Praça dos Restauradores) assim o exige.

E temos que concordar que, embora hoje seja mister diabolizar o homem, se não fosse a "sanha betânica" de José Sócrates, este percurso demoraria mais ainda.

A sessão solene comemorativa dos 350 Anos da Batalha da Salgadeira (Castelo Rodrigo) foi muito interessante. Para além do Sr. Presidente da  Câmara  falou o Prof. Braga da Cruz, o General VCEME e o General Ramalho Eanes, em representação do Sr. PR.

A descrição da táctica e do desenrolar da batalha fez pôr os cabelos do peito em pé a muito ouvinte (onde me incluo). Levámos um banho de patriotismo e de anti-iberismo tão grande  que até agora ainda não me saíu do sistema...

Uma coisa é certa: naquela ocasião e para fazer o que fizeram, decerto que estávamos perante homens com pesada "fruta vermelha" no sítio e mulheres de barba rija !!

Não me contenho sem contar o seguinte: Originalmente tinha sido convidado um "key note speaker" da Universidade Complutense de Madrid, mas este à ultima hora deu o dito por não dito e não apareceu.

Pudera! Foram convidar um professor espanhol para falar de uma batalha onde os castelhanos levaram porrada até vir a mulher da fava-rica... Era como se eu fosse a Marrocos discursar sobre Alcáçer-Quibir...

Há malta que às vezes não pensa. Mas adiante.

Que dizer de Figueira de Castelo Rodrigo?

 Come-se carne excelente, dizem-nos que  é  Mirandesa, embora um pouco distante do verdadeiro "solar da raça" (Bragança, Vinhais, Vimioso...). Mas é de sabor magnífico e tenra.

Os vinhos desta zona do país - Beira Interior - são difíceis. Talvez por se tratar  de uma zona de confluências e influências, entre o Douro, a Terra Fria e o Dão.

 Existe nos brancos a casta "Síria" ( no Alentejo chama-se Roupeiro) que permite fazer vinhos leves, frescos e de bom bouquet. Desta gostei bastante, bebido em garrafas da marca "Beyra"  e fazendo complemento a outra casta típica daqui, a "Fonte Cal" (vinificação de Rui Reboredo Madeira).  Mas dos tintos ( e salvo melhor opinião) não fiquei cliente.

No regresso - para lá fomos pela A23, de regresso viémos pela A25 - passámos por Viseu para almoçar no Santa Luzia, onde me vinguei dos tintos com um admirável Quinta da Pellada de 2011 a acompanhar o cabrito assado.

E apenas vos digo isto: comprem-no agora! Por cerca de 18 euros a garrafa está muito bem em relação qualidade\preço. E vai subir! Como todos os Tintos desse ano grandioso. Outra dica: Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2011 ainda se encontra a menos de 25 euros. E o Superior do mesmo "estábulo" e do mesmo ano, a 17 euros!

Do Santa Luzia, ex-libris do Dão com a sua carta de vinhos onde as referências a esta região ultrapassam a meia centena de marcas, mais uma vez  só posso dizer bem.

 É daqueles locais onde regressamos sempre com vontade, seguros que ao sair, depois da refeição,  ficamos sempre com  boas memórias.

sexta-feira, julho 04, 2014

Em Figueira de Castelo Rodrigo

Na próxima semana avanço para Figueira de Castelo Rodrigo logo na Segunda Feira,    e há que dormir por lá porque fazer 400km depois das 19h já não é para o meu dente.

Por isso só contem comigo na próxima Quarta Feira!

Celebramos os 350 anos da Batalha de Castelo Rodrigo, por alturas da Restauração.

Os Heróis desse tempo, homens e  mulheres que garantiram com o seu sangue a independência nacional - apesar de bastamente ultrapassados em número e materiais -  bem merecem este memorial.

Deixo aqui uma pequena descrição do acontecimento, por cortesia da Câmara Municipal de Figueira:

"Para tentar sacudir a pressão dos ataques portugueses a sul, o comandante de Ciudad Rodrigo (praça que pela sua importância na guerra contra Portugal foi inicialmente governada pelo Duque de Alba e era na altura comandada pelo Duque de Ossassuna), decide retaliar atacando a norte, onde não há forças portuguesa em numero.
Manda sair as suas forças que eram constituídas por cerca de 5.000 homens, 70 cavalos e 9 peças de artilharia. Essa força vai atacar a fortificação portuguesa de Castelo Rodrigo, onde se encontravam 150 soldados portugueses, que enviaram pedidos de auxílio para apoio contra as forças invasoras, pois Castelo Rodrigo está apenas defendida por uma muralha medieval.

Uma força portuguesa comandada pelo governador da Beira, Pedro Jacques de Magalhães foi reunida à pressa para marchar sobre Castelo Rodrigo vinda de Almeida a sul.

Entretanto, os 150 defensores de Castelo Rodrigo defendem-se como podem, praticamente sem armas e especialmente sem comida. As forças portuguesas que vinham em seu auxílio eram inferiores em numero, e contavam com cerca de 2.500 homens, 500 cavalos e 2 peças de artilharia.

As tropas portuguesas estão em Castelo Rodrigo na manhã de 7 de Julho, porque se aproximaram dissimuladamente das forças castelhanas durante a noite.
Os portugueses sabem que as forças castelhanas, avisadas da movimentação portuguesa também vão receber reforços que já estão em Ciudad Rodrigo, reforços que são constituídos por 1000 infantes e 300 cavalos, os quais deverão de seguida marchar em apoio das forças castelhanas do Duque de Ossassuna.

Mas na manhã de 7 de Julho, o ataque português, de surpresa e de flanco, permite tomar os canhões do exército castelhano que caíram de imediato nas mãos dos portugueses. As forças portuguesas aproveitam a sua vantagem em termos de cavalaria, para tentar desorganizar as linhas inimigas.

Os castelhanos segundo os relatos da época resistiram ao primeiro embate, mas perante uma situação táctica extremamente negativa não resistiram ao segundo.
A batalha ainda decorreu durante a manhã e parte da tarde, com acções por parte da infantaria portuguesa tendo o comando das forças espanholas ordenado a retirada em completa desorganização.

Além de toda a artilharia castelhana, foram ainda tomados os seus víveres e cargas. Na sua retirada, o Duque de Ossassuna foi perseguido pelas forças portuguesas e hostilizado pelas populações da região.

A batalha de Castelo Rodrigo, é também conhecida como Batalha da Salgadela, por ter ocorrido num lugar com aquele nome."


Nesse tempo eram os cavalos (tripulados!)  que ganhavam as batalhas! 
Hoje são as cavalgaduras dos drones comandados à distância...
É a guerra em versão vídeo games.

Em função destas e doutras cenas de estalada pelas zonas da raia, finalmente lavrou-se em pedra a lei da península: Portugueses e Castelhanos, querem-se como os macacos: Cada um no seu Galho!


E assim ficámos até aos dias de hoje.  A malta do Jamon por lá e a gente do Presunto Bísaro por aqui.

Mas está tudo bem mudado, nuestros hermanos vêm buscar as porcas (com vossa licença) ao Alentejo e nós compramos-lhes a eles a charcutaria de qualidade...

É a economia global ibérica... Que me parece ser-lhes mais favorável de momento. Pelo menos no diz respeito a porcos e chouriços.

Por mim tudo bem, mas enquanto me lembrar do Benfica-Sevilha não me falem da Andaluzia carago!!

A Galicia já é outra coisa.... Marisco  das Rias Bajas (Arousa, Vigo ou Pontevedra!!) isso é que vale a pena... Olhem lá para a travessa  se fizerem favor...

Tanta conversa apenas para justificar uma travessa de marisco excelente a ilustrar o Post?

Então o que querem?

Em Castelo Rodrigo só se for marisco de sequeiro... E se calhar a falar marroquino.

O  humilde caracol, pois claro!

Também gosto! Mas não é a mesma coisa...

Para Descansar a Vista

Neste Verão envergonhado lembrei-me de vos dar um poema sobre a Vergonha.

A boa vergonha é importante e necessária. É uma espécie de polícia sinaleiro das nossas acções, criticando atitudes menos positivas e pensamentos mais virados do avesso,.. Acontece até que as grandes almas chegam a ter vergonha de si próprias pelos actos dos outros.

Este é o caso de hoje.

O seu autor, figura notável das letras , da cultura e da política brasileira, democrata e filólogo, é bem conhecido pela frase:

A liberdade não é um luxo dos tempos de bonança; é o maior elemento da estabilidade.

Trata-se de Benedito Rui Barbosa, o grande diplomata e escritor brasileiro, a "Águia do Congresso de Haia" (a 2ª Conferência de Paz do século passado) o qual escreveu este poema notável que aqui deixo, reflectindo que tão pouca coisa mudou desde essa Primavera de 1907...

Infelizmente!

Vergonha de ser Honesto

Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
actos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',
voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino

e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo deste mundo!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'.

Rui Barbosa

quinta-feira, julho 03, 2014

Mais um Prémio para a Filatelia dos CTT

Porquê fingir distanciamento e alguma sobranceria?  Não vale a pena armar ao pingarelho. Aquela atitude "Dorian Gray" que finge que "isto" não interessa nada?
 
- "Que maçada, mais um prémio. Já nem tenho prateleiras em casa para pôr os diplomas..."

Isso não é para mim. Ganhámos mais um ASIAGO e eu gostei tanto deste como dos outros todos!

Parabéns ao Professor João Machado, um grande, enorme,  designer de todos os tempos e nações.

E Parabéns à minha gente, aos nossos 59 trabalhadores, que continuam a manter acesa esta chama de qualidade que nos distingue há já tanto tempo.

Sem esquecer todos os que entretanto se reformaram , mas estavam cá em 2013, quando o selo vencedor foi emitido!

Agora vou lavar (outra vez)  a boca. Ando a babar-me desde ontem...

Aqui fica a notícia oficial:

" Os CTT foram hoje distinguidos com um dos mais importantes prémios internacionais de filatelia, o Grande Prémio Asiago de Arte Filatélica. Esta distinção, na categoria de Turismo, premeia o selo de 0,36€ da emissão “Ano Internacional da Estatística”, 2013, da autoria do Professor João Machado.

Os CTT, através do seu departamento de filatelia, todos os anos, procuram divulgar nos seus selos motivos de elevado interesse nacional ou internacional, homenagear personalidades ou comemorar factos históricos.

Criados em 1970, estes Prémios também conhecidos como os “Óscares” da Filatelia são dos mais conceituados do Mundo, e são outorgados com o alto patrocínio do Presidente da República de Itália.

É sexta vez que Portugal, através dos CTT, recebe este reconhecimento internacional, tendo sido distinguido nos anos de 1978, 1992, 2005, 2007, 2010 e agora em 2013.

Neste ano, a cerimónia de entrega dos prémios vai desenrolar-se a 6 de Julho, na vila de Asiago, dando reconhecimento ao mais alto grau de desenvolvimento artístico dos selos emitidos em 2013."

quarta-feira, julho 02, 2014

Em homenagem a Sophia

Poeta não morre.  Ser poeta é "ser mais alto, ser maior do que os outros... é ser mendigo e dar como quem seja Rei..."

O poeta pode cair por terra, porque é feito da matéria perecível de toda a humanidade. Todavia as ideias ficam, a obra deve ser lida, transmitida e comentada.

Sophia de Mello Breyner Andresen foi ( e é) um dos maiores poetas portugueses (ela não gostava que lhe chamassem poetisa).

Compartilha o meu espaço de conforto, aquele paraíso particular  a que gostaria de ascender  depois desta vida terrena, juntamente com Camões, Pessoa, Herberto Hélder, Florbela, Alexandre O'Neil e poucos mais.

Hoje é o dia em que a "nomenklatura" portuguesa  achou por bem dar-lhe como local de repouso final  o panteão nacional.

Como se ela precisasse de mais esta homenagem dos poderosos, depois de uma vida  de impecável solidez cívica , a dar voz aos humildes.

A terra lusa tem destas coisas. Só se lembra de louvar as grandes almas depois de mortas.

Por vezes leva tempo esta consideração póstuma. Em relação a Sofia levou 10 anos, mas ao pobre Luis de Camões levou tanto tempo que, quando deram pela falta de respeito,  nem sabiam já em que vala comum lhe tinham enterrado os ossos...

Mas deixemos passar.   O que interessa é que Sophia estará para sempre viva nos seus poemas. E aqui vai hoje um deles:

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.



terça-feira, julho 01, 2014

Badajoz à Vista

Lá fui e de lá vim.

Com dores e a arrastar a velha perna que, de tanto me arder,  parecia querer transformar-se em monte de brasas para alguma fogueira de S. João...

Tá na cara (melhor dito, na perna e nas costas) que a rotunda alimária filatélica deve ir devagar e devagarinho, dar tempo ao tempo e ter mais juízo na cabeça. Dito isto (que nem sei se ficou bem registado nos bancos de memória da criatura, muito dada a esquecer o que não gosta) vamos dar novidades do assunto em causa: a apresentação pública da emissão de Selos "Elvas, Fortaleza abaluartada e muralhas envolventes: Património Mundial".

Acho que a última vez que tinha parado em Elvas foi no regresso de Espanha, com saudades do "bacalhau dourado" que era mister comer na antiga Pousada. Imagino que se teria passado essa cena talvez  em 1998.

Foi engraçado ver como a cidade se transformou para melhor. Sob o impulso da candidatura a Património Mundial da UNESCO a autarquia trabalhou que se fartou. Alindou praças e vias de comunicação, recuperou centenas de casas, abriu não sei quantos museus, etc, etc...

Os impactos no Turismo local foram também grandiosos: 320% de aumento de visitantes entre 2012 e finais de 2013. São perto de 150 000 turistas por ano num local - como bem disse a Vice-Presidente - longe do mar e com temperaturas de 40 graus no Verão.

A cerimónia esteve bem composta , com quase 100 pessoas na Biblioteca Municipal e o habitual número circense da obliteração de 1º dia correu bem.

Encontrando-se encerrado para férias o conhecido Restaurante Pompílio (em S.Vicente da Ventosa, entre Elvas e Portalegre) onde desejávamos pastar, tivemos de resolver de outra forma. 

E lá fomos à Bolota, entre Borba e a Terrugem. Casa criada em cima do saber culinário de Dª Julia Vinagre e onde se continua a comer bem e alentejanamente desde a fundação, lá para o início deste século.

Infelizmente encerrava às Segundas Feiras...

Já marafados e a salivar abancámos mesmo em Elvas. Na Adega Regional;
 Rua Joao de Casqueiro.

Vulgar de Lineu, nem bem nem mal, antes pouco mais ou menos... Grelhados e bifes de perú.. Tinham bacalhaus vários na carta e muitos mariscos (em Elvas)...
Fomos pelos grelhados e vá que não vá (como diziam os antigos, a fome é o melhor tempero que existe).

Nem sempre posso entusiasmar-me com as locandas... É a vida.

segunda-feira, junho 30, 2014

O Petisco no Páteo

Hoje vou fazer uma cerimónia de lançamento de selos - Património da UNESCO: Muralhas e fortaleza abaluartada de Elvas - e pela primeira vez desde que a "gaja" me atacou vou agarrar no carro e fazer a viagem conduzindo.

O meu "senhorio" acompanha-me, não vá haver azar, e também levo a taleiga habitual de medicamentos no bucho e fora dele. Logo se verá e amanhã conto como foi.

Mas basta com as desgraças!!

Este fim de semana encontrámos um restaurante engraçado. Na Torre de Cascais, quase ao pé do antigo e de boa memória "O Azeite", embora para o lado contrário. Quem der as costas ao banco em cuja traseira ficava a entrada do "Azeite" ficará a olhar para a Travessa das Amoreiras a uns 100 metros. Arrumem o carro onde puderem (não é fácil) e procurem.

Chama-se "Páteo dos Petiscos" e vive sobretudo disso mesmo. Tem mesmo um pequeno Páteo onde se pode fumar - tarefa cada vez mais difícil hoje em dia para quem come fora de casa - e a carta é constituída em redor de vários petiscos ibéricos, desde os ovos rotos à moda do Lúcio (mas aqui com queijo) até aos pipis, moelas, camarões fritos, percebes, ameijoas, cogumelos salteados, tiras de choco fritas, croquetes de alheira, tiras de casca de batata, etc, etc...

A carne dos pregos também se recomenda.  E para além disso possui sempre uns pratos do dia e uns bifes tradicionais. Fazem uma boa Sangria de Espumante (tinta ou branca) e têm uma carta de vinhos limitada, mas com preços razoáveis.

É engraçado, o ambiente é bom (um pouco de "tias"), come-se bem e a bom preço,

Eu e o senhorio, com 7 ou 8 pratinhos de petiscos - incluindo camarão frito com alecrim -  e dois pregos, um balde de 8 minis (vêm mesmo num balde de gelo da Sagres) e dois Jamesons novos, pagámos menos de 25 euros por cabeça,

Quando chegar a altura da sobremesa (que dispenso, como sabem) a malta habitual começa a pedir o "IPedra"- É uma ardósia das escolas primárias, do tamanho de um IPad, assim baptizada!

É um ambiente informal mas , como disse, engraçado para uns petiscos depois da Praia.

Recomendável no seu género. Ficam aqui com as referências: https://plus.google.com/102247946184581502695/about?gl=pt&hl=pt-PT

sexta-feira, junho 27, 2014

Para Descansar a Vista

Ainda com os olhos cheios de Brasil (por entre as lágrimas ) é normal que o poema de hoje seja desse lado do Mar.

 Do mar moreno, como lhe chama o Prof. Adriano Moreira, o Atlântico que vai  de Sagres até ao Rio de Janeiro.

A revista literária Bula quis eleger os 10 maiores poemas brasileiros de todos os tempos. Eleitos por 50 convidados (escritores, poetas, jornalistas e críticos) .  Mas acabou por ter de escolher 24 poemas, aqueles que tinham todos tido mais de 3 citações dos votantes. A lista aqui fica:
A Máquina do Mundo”, “Procura da Poesia”, “Áporo” e “Flor e a Náusea”, de Carlos Drummond de Andrade; “O Cão Sem Plumas”, “Tecendo a Manhã” e “Uma Faca Só Lâmina”, de João Cabral de Melo Neto; “Invenção de Orfeu”, de Jorge de Lima; “O Inferno de Wall Street”, de Sousândrade; “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga; “Cobra Norato”, de Raul Bopp; “O Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles; “Vozes d’África”, de Castro Alves; “Vou-me Embora pra Pasárgada” e “O Cacto”, de Manuel Bandeira; “Poema Sujo” e “Uma Fotografia Aérea”, de Ferreira Gullar; “Via Láctea” e “De Volta do Baile”, de Olavo Bilac; “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias; “As Cismas do Destino” e “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos; “As Pombas”, de Raimundo Correia; “Soneto da Fi­delidade”, de Vinícius de Moraes.

De entre esses 24 escolho "O Cão sem Plumas" do grande João Cabral de Melo Neto, poeta e diplomata (também ele). Nasceu em Pernambuco em 1920, faleceu no Rio em 1999.

O Cão Sem Plumas

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.


O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.


Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.


Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.

 
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.
Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.


Jamais se abre em peixes.

João Cabral de Melo Neto

quarta-feira, junho 25, 2014

Ir de Férias sem pecar

Com o tempo "maravilhoso" que faz aqui em Portugal e no resto da Europa é normal que os cidadãos nem se preocupem muito a pensar nas suas férias.

Mas  não há mal que sempre dure, e é de esperar que o Verão finalmente se anuncie da forma habitual, com Sol e com calor.

Desta forma as férias, essa inexorável obrigação anual, terão de ser cumpridas, apesar de não serem compridas...

Questões importantes parecem ser: Para onde iremos, o que devemos valorizar na escolha do local, se levamos ou não as pendurezas mais problemáticas (mães e sogras...) etc, etc...

Para o comum lusitano que está a receber o subsídio de Natal às pinguinhas e o subsídio de férias com vários descontos (a época de saldos de salários e vencimentos ainda não acabou) as hipóteses de saída não são muito animadoras, nem variadas.

Salvam-se os que têm parentes na província. A única forma de um casal de funcionários públicos ir ao Algarve em Agosto será porque os pais de algum moram e trabalham em Aljezur (ou local parecido).

Hotéis e pensões estão postos de lado pela falta de "pilim", os parques de campismo ficam reservados de um ano para o outro, e mesmo a situação mais económica que passava pelo aluguer de um quarto com serventia de casa de banho nalguma casa particular, parece que está a cair nas malhas da fiscalidade.

Já estou a ver criar-se no âmbito da Autoridade Tributária uma nova Brigada. Nome de Código: A Brigada dos Percevejos.

Debaixo do disfarce das delegações de saúde regionais esses inspectores invadiriam as casas algarvias perto do mar  sob o pretexto de procurar percevejos nos lençóis. Mas a sua verdadeira função seria saber se o casal de "Manéis" que se deita naqueles lençóis eram verdadeiramente primos dos Açores acabados de chegar, ou veraneantes que pagam.

Eu sou apologista de que todos devemos pagar os Impostos. Tenho é dúvidas  que o custo da inspecção às camas fosse inferior aos presumíveis ganhos com a operação...

Uma dica: ali para os lados  da Luciano Cordeiro ( e não só) existem outras actividades que metem camas e lençóis e que envolvem dinheiros consideráveis. Estas actividades de carácter mais horizontal  não me parece que estejam fiscalmente impolutas...

Porque não vão os nossos inspectores passear por ali? Provavelmente porque têm medo de encontrar alguém que não lhes convenha ? (melhor dito, Alguém com "A").

Para fazer férias sem pecar (fiscalmente) só vejo duas alternativas para o gajo da classe média: Chular os parentes; veranear na sua própria sala e quarto, aproveitando para passear na cozinha...

Nota final: Em Portugal o gajo da Classe Média é mesmo só um gajo. Anda a ver se o inscrevem na lista do WWF das espécies em vias de extinção.

 Cá na Lusitânia temos 5: o Sobreiro, o Lince, a Águia Imperial, a Foca-Monge e o Saramugo.

O que é um Saramugo? Anexo a foto do compadre Saramugo (habitat no Guadiana). Parece ser um bom Companheiro , ou Camarada, ou Compincha, ou seja lá o que for actualmente politicamente correcto.

terça-feira, junho 24, 2014

À espreita do Pombo-Mocho

À espreita: Numa posição ou postura que permite estar a espreitar ou estar alerta para algo.

O magnífico cartoon de Henrique Monteiro que aqui anexo traduzia uma realidade de algum tempo atrás, quando o Rei da Selva, farto de levar com a lama nos bigodes lançada pela altaneira Águia que ia à frente, começava paulatinamente a sua caminhada para o titulo.

Todos sabemos como essa história acabou. Mas louve-se o esforço!

O país Portugal também ele parece "estar à espreita" de qualquer coisita.

À espreita da revelação do 4º segredo de Fátima (que se suspeita  que explica a forma porque os jogadores da selecção nacional caem como tordos bêbedos durante os jogos).

À espreita da definição da situação interna no PS ( que se suspeita que vai demorar até ao período eleitoral, para gáudio da malta da "situação", que morre a rir por esta dádiva dos deuses).

À espreita da recuperação económica e financeira do País (que se suspeita que acontecerá naquele lugar perdido no espaço e no tempo, onde e quando duas rectas paralelas se encontrarem).

O que acho interessante nesta analogia do "estar à espreita" de alguma coisa é a postura cautelosa e observadora . Reparem no leão, como sorrateiramente tenta aproximar-se da águia, sendo possível ler-lhe já - por detrás dos olhinhos matreiros - antecipações salivares que devem envolver  galinha frita, côxas de frango assadas no forno e similares.

A postura é tudo e tudo nos diz.

 Veja-se  Paulo Bento na última conferência de imprensa, revelando pelos ombros descaídos e pelos cautelosos termos utilizados  a descrença que lhe ia na alma. Reparem na postura do nosso Capitão, a dizer as verdades incómodas depois do último jogo...

Até pode acontecer que passemos aos Oitavos de Final!! Mas se isso  se der, será contra o próprio seleccionador e os jogadores. Vê-se bem que já ninguém na Selecção acredita.

O País está (ou esteve) todo  "À Espreita" de alguma coisa boa neste Mundial do Brasil, para compensar o que de mau por cá tem acontecido.

Mas, como acontece aos maus caçadores, desta vez saíu um pombo-mocho a toda a gente...

segunda-feira, junho 23, 2014

Nem tempo, nem modos...

A chamada "Segunda Feira de chumbo" desponta no horizonte. Daquelas em que tudo parece correr mal...

Logo a abrir o resultado de uma noite mal passada. A ciática a importunar-me, lembrando-me que não estou ainda em condições de passar 5 horas sentado à espera do jogo na TV. E para quê??!!

Mal cheguei à varanda vi que o tempo estava de "feição". Temos chuva e granizo, vento e coriscos na ementa. Belo Verão!

Depois a notícia do desaparecimento de um amigo prezado.  Um abraço sentido, de pêsames,  à família do Amigo Miguel Gaspar, grande jornalista, subdirector do "Público", que nos deixou tão cedo!

Nem a bola nos alegra...  Ainda tenho  o fim das costas a doer do fraco (fraquíssimo) jogo de ontem à noite.

Por causa disso (ou por designio celeste) não havia quase nenhuns jornais à venda no quiosque à hora do costume. Deveriam ter estado todos à espera da crónica do jogo.

Até o pequeno-almoço me soube mal.  Os pasteleiros também  estavam chateados com a "faena" do Portugal-USA.

Bem vistas as coisas, diria que é um bom dia para estar na cama. Mas com a sorte que tenho ainda era capaz de levar com o estuque do tecto em cima dos c****.

Lembram-se da anedota daquele náugrafo, numa ilha deserta, que ao fim de 40 anos a desejar mulher, viu-se finalmente invadido por uma congregação religiosa feminina completa, numa altura em que já não podia nem com uma gata pelo rabo?

Dizem as bruxas da família (tenho várias)  que a forma mais racional de ultrapassar estes dias assim, é ir devagar e devagarinho, não fazer ondas, deixar passar o vento por cima dos caracóis e, sobretudo, nunca erguer a voz mais do que o necessário.

A ideia será passarmos despercebidos aos "poderes que em tudo mandam, mas não trabalham no Goldman's Sach".

Dizendo de outra forma, ao sobrenatural não financeiro.

Vou ver se resulta. Mas o problema é que tenho alguma dificuldade em passar despercebido.

Uma questão de volume...

sexta-feira, junho 20, 2014

Para Descansar a Vista no..."novo" Galito

O Sol espera pelo fim de semana e  arreda-se do pátrio rectângulo, no Brasil tem havido borrasca nas caneleiras, pelo Iraque as coisas não melhoram, na Ucrânia só tem dado jogo do pau...

Para que é que um gajo se levanta da cama??!! Para comer. Hoje será para comer.

Depois de semanas de fastio a dar ouvidos à dor (11 kg da "embalagem" do animal  já partiram à conta disto. Que saudades...) hoje é tempo de almoçar com o meu mestre Zé e aproveitar para darmos ambos  um abraço apertado ao Amigo Henrique (do Galito) que deixou a velha locanda em Carnide e se instalou esta semana um pouco cá mais para baixo, mais perto do Colombo e do Estádio do Glorioso.

Nova morada: Rua Adelaide Cabete, nº 7 D.
Como chegar:  Indo da Igreja da Luz para o Shopping e Estádio da Luz, através da Av. do Colégio Militar , viramos na segunda à direita. 100 metros sempre em frente temos o novo Galito. De carro são 3 ou 4 minutos de caminho entre este novo local e o antigo.

Boa sorte amigos!  Que bem merecem!

Para dar envolvimento poético a este acontecimento evoco António Raimundo de Bulhão Pato, o nosso "poeta gastrónomo".

Por acaso deve ter sido melhor gastrónomo que poeta, mas isso sou eu que o digo (sem saber para tanto).

IMPROVISO
Porque languida essa frente
Descai, quando a tarde espira?
Porque nesse olhar dormente
Tua alma ingenua suspira?

Porque? ai! porque? responde;
Que se amor do ceo procura,
Eil-o; em meu peito se esconde;
Vive, é teu, tens a ventura!

Verás como então brilhante,
Seduz, toma vida, inspira,
Esse teu bello semblante,
Que apenas hoje se admira!

Ilha da Madeira—Novembro de 1850.
Bulhão Pato

quarta-feira, junho 18, 2014

A insónia

Nunca deixei de dormir umas sete horitas por noite, embalado pela escolha do meu "local de conforto", sítio mais ou menos secreto que me ensinaram a "desenhar" no subconsciente antes de me entregar aos braços de Morfeu, ou de Baco, ou de outro parecido.

Ultimamente, com a impossibilidade de cruzar as pernas (devia dizer, os postes de electricidade) por causa da "coisa" , o sono anda arredio. Coisa simples, pôr as pernas em cima uma da outra e que não deveria atrasar o sono a ninguém, não é? Então esta noite tentem dormir só (enfâse no "apenas", "somente") de papo para o ar, sem se poderem virar.

Nota: Meti na cabeça que deixando de utilizar o nome da "bicha" a gaja se canse de ser ignorada e baze. "Coisa" é um termo clássico de ambiguamento.  É um bom nome para aquelas coisas que não são peixe nem carne..., o mesmo que os italianos usavam para definir o "estranho" Partido Comunista lá da Bota  - "La Cosa".

Como não quero enfardar ainda mais comprimidos em cima do balde de 5 litros que já engulo diariamente, o resultado é estar agora mais ou menos dependente da radio (via Iphone) e dos programas que se debitam pelas horas caladas.

Não imaginam o que se apanha em estações de radio mais ou menos "populares". Sobretudo as que metem os telefonemas dos ouvintes. Às vezes dá-me vontade de rir com o ridículo das situações, outras dá-me vontade de chorar com a desgraça que se derrama por aquela via.

Porque é que ouço essas coisas? Para ver se me dá o sono.

Nem sempre resulta. Vou ter de  descarregar para o MP3  um daqueles CD que existem nos aviões para pôr a "manada" a ressonar.

O problema é que lá no avião essa receita funciona bem mas só depois de 2 ou 3 whiskizitos para "acamar"... E já perdi esse hábito. Pelo menos em parte.

Nada a fazer senão aguentar a insónia e contar ovelhas. O que vale é que durmo (melhor, ocupo a cama) sozinho.

terça-feira, junho 17, 2014

Carraspana de uma tarde tropical

A  tarde de ontem podia ter sido pior.

Normalmente a terapia positiva para encarar os sintomas de stress consiste em imaginar cenários ainda piores ao que se concretizou.

Perdemos por 4 a 0 com a Alemanha. E depois? Podia ser Pior!

Suponha-se que o preparador físico da selecção se tinha enganado e durante uma noite de vertigem com uma morena trocou os garrafões e encheu as garrafas de água energética dos jogadores com caipirinhas...

Aos 10 minutos o João Pereira começou a sentir uns "calores esquisitos" e agarrou-se desesperadamente ao Götze, dizendo que "um gajo não é de ferro!".

Logo aos 37 minutos de jogo o Pepe mijava para cima das botas "Nike" do Müller, desculpando-se que "não havia pausas técnicas".

De seguida o Raul Meireles, que foi o que se tinha hidratado mais, vomitava para cima do árbitro e, admirado com a reacção deste, pôs-lhe os cornos, queixando-se amargamente da falta de "hair stylists" lá na Turquia.

O Patrício ressonava agarrado a um dos postes, O Coentrão agarrou na bola com as mãos e desatou a correr para fora do campo. Até hoje mais ninguém o viu...

O Mister Bento, nervoso demais para beber, repetia o seu mote preferido:

-"Para assistir a grandes espectáculos, vou ao cinema!  Este filme é pior que o Godzilla, Pôrra!"

Já desconfiados o Ozïl e o Hummels tiraram a garrafa das mãos do Moutinho e provaram. 5 minutos depois estavam a perguntar ao banco de Portugal "se não tinham com  Erdigen ou König sff?".

O Cristiano despiu-se e mandava ostensivamente descer as "fãs" das bancadas, com gestos autoritários.

No meio desta cegada a Alemanha ia marcando...

Como eu disse ao princípio, podia ter sido pior!

E agora?

 E agora a Europa pôe as prostitutas a render! (artigo de Pedro Tadeu no DN de hoje).
 Leiam aqui sff:
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3975241&seccao=Pedro%20Tadeu&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

Peço desculpa, mas como estou a fazer duas coisas ao mesmo tempo, enganei-me...É o multitasking...

Repito:

E Agora?

- "Corram malandros que  estão aí para isso!!"

Ou coisa parecida.

Haja esperança. E mesmo que a coisa acabe mal,  temos o aspecto positivo: Se vier a selecção mais depressa para casa ganham os clubes! É mais tempo de descanso para os seus jogadores.

Bem vistas as coisas, esta é uma grande vantagem! Para os Campeonatos de França, Turquia, Inglaterra, Espanha, Rússia e...Portugal.

É a vida. É a internacionalização. É a Troika.

Que se  lixe a Troika caraças! C*** desses alemães!

segunda-feira, junho 16, 2014

A Espuma dos Dias

Começo pelo Mundial com umas notas soltas.

 Está bonita a festa pá!

Boas entradas da Holanda, França, Argentina, Suiça, Costa Rica, Itália, México, Colômbia e Chile. O Brasil tem que fazer mais para merecer ficar com a Copa. Gostei (só um bocadinho...) dos 5 a 1 com que a Holanda "brindou" nuestros hermanos" :):):) Não gostei do Uruguay (Maxi, acalma-te pá!). Mas o pior mesmo tem sido a arbitragem, que está pelas ruas da amargura.

 E hoje se verá o que vai acontecer. Com a "raiva" a alguns alemães pelo que nos fizeram, a vontade era que houvesse outra chapa "5" a nosso favor... Mas sonhamos.
E como não consta que os nossos jogadores  tenham sofrido muito com a crise, se calhar nem lhes chega ao coração este irracional "rancor"...

Aqui na Lusitânia os "futebóis" são os Santos Populares.

Viva Alfama! Pela segunda vez ganhou o campeonato das Marchas!  Sempre gostei de Alfama. Quando era universitário, em  "puto",  ia para lá estudar, para a casa da minha colega Isabel. Depois, já Assistente na mesma Universidade,  numa fase em que gostava do ambiente mais boémio , do fado e dos cavalos, muitas noites de Sexta e Sábado passei por lá.

Que saudades desses tempos e da Rua das Escolas Gerais...Há mais de 30 anos fui muito feliz para aqueles lados, história que um dia poderei contar (antes que morra).

Mais perto da actualidade passávamos muitas vezes à noite pela Maria Jô-Jô, na Taverna d'El-Rey, para concluir alguma jantarada mais bem "aviada".  Um grupo magnífico, que ainda hoje se mantém vivo e adorando estes convívios!

 Mesmo hoje é possível apanhar a tipicidade do velho bairro.  Sem esquecer a Taverna D'El Rey, vão inspeccionar também a Tasquinha do Vadio, ou a  Tasca do Jaime, um pouco lá mais para cima  (Largo da Graça) bem assim como  outras "capelas" do verdadeiro fado boémio e vadio.

E como no Dia do Santo António não debitei Poema (estava mesmo sem vontade de deixar a "horizontal") aqui deixo hoje as primeiras estrofes que ao Santo dedicou Fernando Pessoa, na sua écloga com o mesmo nome:

Santo António

Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...

Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!
Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Fernando Pessoa

Nota Sanitária: Prometi que mais nada diria aqui sobre a minha condição física, mas tanta gente ( e boa) tem perguntado pela minha saúde que transformo-me hoje em "relapso.

 Armei-me em "campeão" deixei de tomar medicamentos por 3 dias e...piorou. Como me dizia o único médico em quem confio para estes achaques, referindo-se à dor ciática:

- "Vai-te habituando a conviver com a gaja, porque estas m**** normalmente vêm para ficar".

Ainda se fosse a habituar-me a viver com a Mila Kunis (foto ao lado)... A isso é que eu me podia habituar! Pelo menos enquanto durasse o "gasoil", porque quando este acabasse, chauzinho Mila, muito obrigadinho e desculpa qualquer coisinha...

quinta-feira, junho 12, 2014

Começa a Feira

No país do futebol, onde o samba serve para acompanhar as alegrias das vitórias e o "chorinho" para ajudar a passar a tristeza das derrotas (mais a bela cachaça), começa hoje a maior das feiras de vaidades do planeta: o Campeonato do Mundo de Futebol FIFA 2014.

Por estranho capricho dos deuses parece que o "povão" brasileiro não tem aderido à Copa da maneira entusiástica que era esperada.

As manifestações e os protestos de cariz social sucedem-se, os "sindicatos de interesses" estão na rua, a classe média a quem o Presidente Lula deu pernas para andar e cotos de asas para aprender a voar, começa a esticar esses cotos de asas e repara - tal como as galinhas e perus domésticos - que  o "material" fornecido é mais para mostrar, ver e ser visto, do que propriamente para o serviço...

Nota: Segundo algumas mulheres,  o mesmo acontece a certos apetrechos penduratórios avantajados da anatomia masculina. Mas adiante que não estamos em Amarante.

E em função dessas constatações politicas e sociais em redor  do Mundial, aparece a interrogação:

-" Não se encontraria melhor aplicação para gastar os dinheiros da Copa?"

Serão cerca de 9,3 mil milhões de euros... daria concerteza para fazer algumas flores na Educação, Saneamento Básico, Assistência Social, Assistência Médica. 

Apenas para termo de comparação, o nosso Euro 2004 (quantas vezes também criticado) andou pelos 800 milhões de euros, e com esse dinheiro faríamos outra vez a Ponte Vasco da Gama e mais uns bons km de auto-estrada  (que é o que mais falta faz por cá, no burgo luso).

Estou porém convencido que em começando os jogos - a partir de hoje -  o ADN do povo brasileiro deve vir ao de cima, o entusiasmo pela "redondinha" e seus "castigadores" predominará e será a fúria de ver futebol e de ver a Selecção canarinha ganhar que substituirá a fúria social dos despojados.

Tal como no Carnaval, onde,  segundo dizem os entendidos "Até pilantra, malandro e safado metem feriado".

Não sei se será assim que vai acontecer.  Espero que tudo corra bem e com sorte para Portugal. Porque, como dizia o "papa" Pinto (da Costa):

- " Para ganhar alguma coisa no futebol tens de ter boa equipa, bom treinador, ordenados em dia, bom árbitro e uma pontinha de sorte... De nada serve o Árbitro marcar penalty a teu favor se o jogador atirar à barra..."

E nisto pelo menos tinha ( e tem) o Homem razão.

Prá Frente Selecção!

Lá para o meio de Julho recomeçamos a falar das coisas sérias. Tanto aqui , em Portugal, como no Brasil...

quarta-feira, junho 11, 2014

Os Chiliques e outros "desarranjos" nervosos

No dia 10 de Junho pudemos todos presenciar um "chilique" presidencial.

Trata-se de um tipo de ataque nervoso sem razão aparente; um fricote (como diriam os irmãos brasileiros). Uma ausência (momentânea) dos sentidos com uma perda temporária das forças físicas. Um desfalecimento.

A mesma personagem "chilicou" antes.  Nos tempos antigos em que todos tinhamos  alguma medida de felicidade - falo de 1995, na tomada de posse do Engº Antonio Guterres -   o Prof. Cavaco Silva tambem desmaiara.

Nada de grave. O sintoma do nervo vagal acontece a todos. Normalmente por causa da subida dos niveis de ansiedade. E, aqui em confidência, não acham que o nosso Presidente devia estar mais habituado a apupos e a criticas nesta altura do campeonato?

Não deveriam ser umas dezenas de manifestantes, a cumprir o seu dever civico, que o impressionariam. Mas foram.

Eu não sou dado a "chiliques". Deve ser da compleição. Do volume medido em metros cubicos...

Quando me enervo e começo a perceber que estou a ficar mais ansioso do que seria  o normal, a consequência  passa sempre pela diarreia.

Diarreia verbal malta!! Nada que meta idas à privada!!

 Não consigo parar de falar! Os que me rodeiam ficam incomodados com o ruìdo da minha voz. Ao fim de algum tempo, ela ( a voz) assemelha-se  àquela "musica de elevador" que nos entra nos ouvidos sem darmos por isso e  sem percebermos  nem quem canta , nem o que cantam...

Uma "coisa"  em que fico cada vez mais semelhante ao  estimado "El Comandante" Fidel nos tempos da sua desbunda discursal.

O homem aguentava falar durante horas a fio! E bateu o seu próprio recorde em 1998, altura em que falou em pé durante 7h15m seguidas e sem descansar. Isso mesmo - sete horas e quinze minutos de falança!

Quando perguntaram a um ouvinte (que não se atreveu a levantar o c* da cadeira durante aquela maratona) o que tinha dito Fidel, este respondeu:

-" Hablò mucho y muy bien! De Cuba y del mondo todo! No faltou ninguna natiòn!"

Pudera!

Quando Fidel se dirigiu  à Tribuna da Assembleia da Organização das Nações Unidas, havia na plateia uma enorme expectativa para saber como o orador, que gostava de falar tanto, poderia restringir o seu  "parlapiè"  ao tempo máximo determinado de cinco minutos.

O nosso cubano, ao chegar diante do público e ao deparar-se com a lâmpada amarela localizada sobre a tribuna, com a finalidade de indicar que o tempo do discurso se esgotava, retirou um lenço branco do bolso e  tapou-a ostensivamente. Pôs toda a gente a rir!

Antes isso que um "Chilique"!

segunda-feira, junho 09, 2014

O Regresso do Camelo

O camelo de três pernas regressou de Rabat.

Não devem supor os leitores que a terceira perna seja uma referência despudorada e algo exagerada de um gajo à beira da terceira idade, referindo-se ao próprio corpo com traços de ironia (ou oculta função publicitária subliminar). Nada disso malta! A "terceira" perna é mesmo a velha bengala que me acompanhou na viagem tendo regressado ao lado do dono.

E que jeito me deu! Logo nos aeroportos tinha prioridade em tudo. Chegava à sala de embarque e toda a gente se levantava para me dar lugar... Em Rabat mal me viram os c**** dos meus colegas parisienses, perdidos de riso,  começaram todos a gritar "Place! Place! Place pour l'invalide!!".

Mas foi engraçado. Dorzinhas à parte.  Eu já não falava francês em público há mais de 5 anos. Imaginem ter de aguentar duas conferências de uma hora e meia cada uma, na maioria das vezes falando de improviso. E sem esquecer  a resposta às questões...

O que me valeu foi que a linguagem de muitos colegas era o árabe e o tempo que levava a tradução sempre me dava mais uns minutos a mim para ir preparando o "français de valise de carton" com que me apresentei.

Na altura em que já estava a falar outra vez  "comme il faut", arrumei a mala e vi-me embora. É sempre assim...

Da conferência - dedicada ao mundo árabe de influência francesa -  guardo a tremenda apresentação do colega do Líbano, onde os serviços postais e a filatelia tiveram de ser montados outra vez de raiz depois da guerra civil que trucidou todas as infraestruturas do país.

Do ponto de vista das "novidades" temos que reconhecer que a Realidade Aumentada está a conquistar todas as filatelias do mundo. Nós, aqui em Portugal, desenvolvemos os primeiros algoritmos de reconhecimento de imagem bidimensional em 2012, logo depois do Reino Unido e os Países Baixos, mas hoje em dia já quase toda a gente por ali anda.

Na gastronomia de Marrocos deixo um apontamento breve (comi fora por duas ou três vezes apenas, e em locais sempre escolhidos pelos anfitriões).

Parece-me haver um certo abuso do açucar e da canela em tudo - mesmo na confecção dos pratos principais. A mais conhecida preparação de origem berbere é a "Tajine", uma espécie de guisado lento feito com carnes  de vaca ou de carneiro e com legumes locais (lentilhas, feijão). Muitas vezes acompanhada por  alperces secos, tâmaras ou figos. A "Tajine" pode (ou não) incorporar "Couscous" (grãos de sêmola de trigo duro).

As batatas assadas são servidas à parte e parecem ser um "frete" que é feito aos estrangeiros que perguntam pelo acompanhamento. 

As saladas de entrada são obrigatórias e muito variadas. Legumes crus partidos em juliana e bem temperados com azeite e vinagre: palmitos, pimentos, pepinos, tomates pequenos, passas de uva, amendoas e avelâs. Encontramos a nossa salada de atum de conserva e falaram-me de sardinhas, fritas ou assadas como prato típico do Magreb (costeiro) também. Mas essas não as vislumbrei...

Uma coisa é certa e ficou comprovada: a afamada hospitalidade do Magreb não é conversa fiada. Mesmo dando de barato que estávamos entre pessoas do mesmo ofício, e que todos nos conhecíamos , a esplendorosa recepção dos amigos marroquinos ficará na memória.

Chucran! Salaam Aleikum Nadeem!

segunda-feira, junho 02, 2014

De partida para Rabat

O gozo que os leitores devem  fazer com o nome da capital do reino de Marrocos ecoa já nos meus ouvidos em antecipação. Mas como não fui eu que assim nomeei a antiga cidade imperial, tenham paciência.
O nome da cidade (do século XII ou ainda mais antiga) parece que poderá ter origem num vocábulo  beduíno que significava  "lugar onde se prendem os cavalos"  . Para outros autores, Rabat era o nome que se dava a uma fortaleza...
Seja lá o que for, é mesmo para aí que vou.

E vou fazer o quê? Vou fazer duas conferências sobre a minha filatelia. Uma será  sobre as formas de "seduzir a juventude" para esta actividade, e a outra sobre a "inovação na aproximação ao mercado".

Agora, imaginemos um tanso que vai a Rabat falar de sedução da juventude... Dá um mau aspecto do caraças! Na língua portuguesa.

Em Casablanca, onde o aeroplano me deixará,  não terei tempo de ir à procura do Rick's Café, inaugurado há 10 anos para recriar a atmosfera do mítico filme, um dos mais amados aqui do vosso Blogger,  com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. E tenho pena...

Mas posso recriar a famosa última cena do filme, passada lá mesmo nesse aeroporto, com o Avião para Lisboa já com as hélices a rodar...

"Teremos sempre Paris".

Parto hoje e chegarei na Quinta Feira. Vou trazer novas do Magreb, das intervenções na conferência organizada pela UPU, e do que se comer por lá (beber não me parece...).

E como a "entrada" dos portugueses  em Ceuta - "Ruços Além!" - já fará 600 anos em 2015, a bem dizer posso ir já "apalpando" como os transeuntes marroquinos encaram a possível celebração do evento...

Desde que os persas desejaram comemorar a tomada de Ormuz por Afonso de Albuquerque, apesar das orelhas e dos narizes cortados, já espero qualquer coisa neste mundo esquisito.

Até Sexta feira despeço-me dos leitores com Amizade!

sexta-feira, maio 30, 2014

Para Descansar a Vista com o Combate dos Chefes...

Nesta Primavera quase tão triste como as nossas vidinhas anima-se o panorama político.

Na sua missão de entreter o Povo, e dado que acabou o Campeonato Nacional de Futebol e ainda não começou o Mundial do Brasil, os nossos políticos inventaram agora a crise no PS.

Crise de há muito anunciada e que apenas a vitória nas autárquicas fez estagnar em água morna.

Depois das Europeias vem o Carmo e a Trindade para cima do Secretário Geral (melhor dizendo, vem o Costa e o Soares).  O Secretário Geral "não tem carisma, não embriaga o povo, não entusiasma as audiências..."

Por acaso já tivemos cá no burgo um que fazia muito bem tudo isso, e depois foi o que se viu...Teve que ir para a Sorbonne.

António Costa é melhor do que António José Seguro? Teríamos que definir "melhor". Melhor não pode significar ser "melhor demagogo"! Disso já provámos e estamos agora na ressaca...

António Costa, segundo dizem,   "é mais eficaz do ponto de vista das intervenções públicas, é mais conhecido, é mais de "esquerda" e, sobretudo, não tem medo de dizer exatamente aquilo que pensa."

O grande pecado de Tó Zé Seguro talvez fosse querer estar bem com todos , sem estar mal com ninguém. E as clivagens existem. É em função delas que os votantes actuam,

Veremos como esta "caldeirada"  vai acabar. Mas até lá folgam os "maus da festa"...

E o Tio Jerónimo deve estar a rebolar de riso também.

Para dar ânimo às "bases" e enquadrar este "Combate dos Chefes",  nada como um poema do nosso grande iconoclasta que foi Bocage (a ser muito justamente homenageado em selo, já em 2015).

Nós hoje diríamos "Cada macaco no seu galho!". Naquele tempo era mais a fábula do Leão e do Porco:

O Leão e o Porco

O rei dos animais, o rugidor leão,
Com o porco engraçou, não sei por que razão.
Quis empregá-lo bem para tirar-lhe a sorna
(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna): 


 Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes,
Poder de despachar os brutos pretendentes,
De reprimir os maus, fazer aos bons justiça,
E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça;

 Mas em vão, porque o porco é bom só para assar,
E a sua ocupação dormir, comer, fossar.
Notando-lhe a ignorância, o desmazelo, a incúria,
Soltavam contra ele injúria sobre injúria
Os outros animais, dizendo-lhe com ira:

«Ora o que o berço dá, somente a cova o tira!»
E ele, apenas grunhindo a vilipêndios tais,
Ficava muito enxuto.

 Atenção nisto, ó pais!
Dos filhos para o génio olhai com madureza;
Não há poder algum que mude a natureza:

 Um porco há-de ser porco, inda que o rei dos bichos
O faça cortesão pelos seus vãos caprichos.

Bocage, in 'Fábulas'

quinta-feira, maio 29, 2014

Reminiscências do Zoológico

Estive ontem  no Zoo de Lisboa entre as 9,30h da manhã e as 17,00h da tarde.

Acho que foi a vez em que lá estive metido mais tempo, mesmo contando com aquela em que o meu filho (hoje senhorio) teria uns 5 anos e por lá teve que passar, em cerimónia iniciática a que nenhuma criança naquelas idades se safava...

De manhã houve a cerimónia dos 130 anos do Zoo, com aglomerado importante de "colunáveis".

Pela primeira vez posso dizer com propriedade total que executei o meu "número das focas" no local apropriado!

De tarde, bem,  de tarde  o Fernando bem me lixou, pedindo que estivesse em directo no plateau que a RTP tinha montado no Zoo para dar uma pequena entrevista. E tive que aguentar.

O tempo mais aborrecido - por causa das dores que entretanto se acumulavam - foi enquanto esperava para a entrevista televisiva, saído da maquilhagem às 14,00h e pensando que pelas 14,30h estaria despachado, quando e afinal apenas me chamaram para o plateau perto das 16,20h.

Nesse preparo, já com a fuça enfarinhada , partilhei o espaço com uma violinista (por acaso bem boa), dois tratadores do Zoo empunhando uma arara e um lagarto (iguana basilisco, foi o que lhe ouvi chamar, mas lagarto serve bem) e uma fadista (assim, assim) com os seus acompanhantes.

O namorado, apoderado , agente, ou lá o que era, da violinista, passou a vida a mexer no Samsung Galaxy S5, tentando encontrar quem lhe vendesse o que me pareceu ser uma máquina de sumos profissional(???). Pela conversa pareceu-me que seria para a roulote da artista, talvez para animar a tournée de Verão...

Com uma artista daquela qualidade ao lado, o facto de se necessitar de uma máquina de sumos na roulotte não augura nada de bom. Acho eu... Uma questão de nozes e dentes.

A Fadista queixava-se das maquilhadoras e da falta da cabeleireira, e que não tinha tido tempo para se preparar devidamente. Os guitarristas discutiam se começavam em Dó ou Fá (não sei o quê, podia ser "sustenido".

Dessa forma - e estando o espaço ao lado da violinista já tomado - é normal que me tenha chegado para os tratadores e passado o tempo a falar sobre a Arara e o Lagarto-Iguana (este quando foi oferecido ao ZOO chamava-se Fiona, mas descobrindo-se mais tarde que era macho ainda estão à espera de lhe cunhar outro patronímico).  "A" Fiona está aí ao lado.

A Arara pelo que me recordo (velha senhora com 60 anos) dava pelo nome de Dora e  só queria que a catassem. Ela e eu.

Deve ser bom estar deitado quieto com uma mão de jovem senhora a coçar o pelo atrás das orelhas...

À minha frente estava o recinto dos chimpanzés. O macho dominante deve ter uma boa vida... Em duas horitas daquela tarde deu para ver que ali todos lhe prestavam vassalagem, machos de cabeça baixa passavam de largo, enquanto que as fêmeas  punham-se em fila... O gajo chama-se Dári, anda nisto há já muitos anos e parece que os anitos não lhe pesam... Pudera! Tomara eu.

Não falo da entrevista,  que foi o que foi.

Mas antes de sair ainda houve tempo para um episódio :  dada a minha condição de inválido arranjaram-me um "buggy" para me levar (e trazer) desde Sete Rios até lá acima, ao recinto onde a RTP tinha armado a "barraca" nesse dia. 

Atento às regras de sustentabilidade defendidas pelo Zoo questionei se o buggy era  eléctrico?

-"Não senhor. É a gasolina".

 Porquê? Para avisar pelo ruído do motor os transeuntes que circulam a pé no jardim, com crianças pela mão. Os Buggys eléctricos são demasiado silenciosos e provocam acidentes.

As vacas têm badalos, os gatos têm guizos, o ZOO tem Buggys a gasolina.

E eu devia ter mais juízo. Acho que vou arranjar uma máquina de sumos lá para casa. Pode ser que assim saia menos...