quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Catedrais de Portugal

Recebemos hoje os primeiros livros "Catedrais de Portugal", do Arqº António Saraiva, com prefácio do Sr. Bispo da Guarda. Vão agora para a nossa logística, para serem numerados e neles se colocarem os selos.

Na capa (só podia!) uma imagem magnífica do órgão da milenar catedral de Braga! A mais antiga Catedral Portuguesa em funções. O venerando edifício paleo-cristão de Idanha-a-Velha (Castelo Branco) , que precedeu a construção da Sé de Braga,  infelizmente está em ruínas.

As nossas 27 Catedrais são milagres da devoção medieval revelados em Obras de Arte, pilares do céu definidores da paisagem urbana, marcos de memória e de agregação das nossas gentes, de Norte a Sul do País, do Litoral ao Interior, incluindo as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores. 

Para concretizar esta presença tangível do sagrado na terra empenharam-se as mais bem preparadas mentes de então, coordenando os trabalhos das respetivas “fabricas” que tinham património e rendimentos próprios, em grande parte proveniente de doações testamentárias. Foi uma grande aventura a sua construção, prolongando-se ao longo de séculos, criando escolas de mesteres e dando trabalho a muito milhares de portugueses.
Era um projeto onde todos colaboravam, desde o pobre, com o trabalho, até ao nobre com as suas doações.

As Catedrais Portuguesas, todas e cada uma elas, «Têm um inestimável valor religioso, histórico, artístico, cultural, simbólico e patrimonial», como muito bem foi referido no Acordo que reuniu o Mistério da Cultura e a Conferência Episcopal Portuguesa no projeto ímpar de recuperação e desenvolvimento — a Rota das Catedrais — criado, não apenas para acudir a situações de mais evidente degradação, mas sobretudo para alcançar a capacitação plena das Catedrais, através de uma qualificada intervenção de recuperação e conservação.

Desta forma, não seria possível aos CTT Correios de Portugal, cuja vertente filatélica tem a obrigação de constituir a «Memória Histórica da Nação», nas palavras do Professor Oliveira Marques, ignorar este grande projecto, profundamente nacional pela abrangência, pela larga partilha de saberes e pela recuperação de tantos aspectos culturais de invulgar importância.

Por todos estes motivos, fizemos três emissões de selos postais, em 2012, 2013 e 2014, retratando as Catedrais do nosso país, e editamos agora um livro sobre esta temática, tão grandiosa pelo significado como pela imponente presença física destas edificações nas nossas cidades.

Agradecemos a todos aqueles que nos ajudaram a concretizar esta aventura editorial, aos designers e impressores, às Dioceses que colaboraram e disponibilizaram conteúdos, mas sobretudo ao autor, Arquiteto António Saraiva, pela robustez dos seus conhecimentos e pela visão muito pessoal que nos transmitiu sobre este assunto e a Sua Excelência Reverendíssima o Sr. Bispo da Guarda, que nos deu a honra de prefaciar esta obra.

Custa 37€ e estará numa loja de Correios perto de si a partir de 24 deste mês. Contem 26 selos de correio nunca usados.

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

A Quaresma e a ajuda que podemos dar aos outros



 Começa hoje o período de 40 dias que antecede a Páscoa e que se costuma destacar por apelos ao jejum, partilha de bens e penitência.

Falo obviamente para quem é católico. Mas mesmo para quem não pratica ou sequer segue esta religião existem normas de vida em sociedade que são intrinsecamente respeitáveis, cruzando as diversas esferas  das classes sociais e as diversas formas de estar no mundo. Entre elas o apoio a quem mais precisa.

Nesse sentido dou aqui conhecimento da mensagem do Sr. Arcebispo de Braga,  solicitando que as comunidades católicas  façam da Quaresma um tempo de partilha e compromisso com a Igreja e com o bem da sociedade. E declarando ainda  que deveríamos destinar a renúncia quaresmal  (o dinheiro que gastaríamos em consumos supérfluos nestes dias)  ao Fundo Partilhar com Esperança.
Este fundo de acção social da Diocese de Braga tem sido responsável por uma ajuda notável aos casos mais graves de pobreza que afligem a região, complementando aquilo que as ajudas de estado não podem já fazer ou não são suficientes para fazer. Nomeadamente o apoio a:
- Novos desempregados;
- Situações de pobreza escondida;
- Situações de doença crónica ou prolongada;
- Famílias monoparentais.
Gosto muito do Sr. D. Jorge Ortiga. Católicos e gente boa de outras crenças (ou não crentes) reconhecem nele a cultura e a sabedoria, a grande simplicidade, o respeito inabalável pelos seus princípios e uma maneira muito "chã" de chamar os verdadeiros nomes às coisas. Mesmo quando são aquelas coisas que os poderes constituídos não gostam muito de ouvir. 
No auge da crise dos refugiados foi dele uma das primeiras declarações a favor da recepção  em Portugal : " A Igreja está preparada para os receber".
Um grande Arcebispo, para uma grande cátedra.

segunda-feira, fevereiro 08, 2016

Brincar ao Carnaval?


Nunca gostei de carnavaladas.

E reparem que sou do tempo em que o Sr. Teodoro "das Malas" convidava a Claudia Cardinale e o Mauríce Chevalier para abrilhantarem o corso do Estoril... Tempos em que este Carnaval do Estoril competia , na Europa, com o de Veneza e com o de Nice. O Carnaval do Rio de Janeiro já nessa altura pertencia a outra liga.

Os meus pais insistiam para que me mascarasse, porque era "moda", toda a gente o fazia. E eu irritava-me, amuava e devia passar os mais tristes 3 dias do ano armado em "campino" ou em "toureiro" de trazer por casa...

Isto durou até ao meu grito pessoal de "Independência ou Morte", que não foi dado nas margens do Ipiranga como o do D. Pedro, mas ficou famoso à beira da Praia da Poça. Teria eu uns 12 para 13anos.

Mascarar-me nunca mais. Se insistissem, eu trataria de dar cabo da fantasia nem que fosse rebolando com ela pelo chão. E como as ditas cujas se alugavam, acho que consegui que a entidade paternal visse a razoabilidade do pedido do "Je". Poupava dinheiro ao erário familiar e deixava de passar uns dias desgraçado.

O meu filho (e senhorio) penso que se mascarou algumas vezes a pedido da escola onde andava, mas nunca com o meu entusiasmo e dedicação. A Natália é que tratava disso. E como a criatura saiu a mim nalgumas matérias ( excepto na simpatia clubística) cedo essas bernardas também acabaram.

Claro que na adolescência tardia que eu tive, quando já ganhava o meu ordenado na faculdade e ainda vivia com os meus pais, essas noites de Carnaval eram apenas mais um pretexto para a perseguição às miúdas. Nessa quadra  a cama parecia uma promessa mais longe que perto, que seria utilizada lá para a Quarta Feira de Cinzas.

Houve um Carnaval em que alugámos uma casa na Costa da Caparica e - juro - nem vi a cor dos lençóis dessas camas nas duas noites que por lá passámos. Perguntarão os mais atrevidos "Se não viu a cor dos lençóis como resolveu o "resto do assunto". Ou assuntos?"

A resposta é que os "assuntos" foram-se resolvendo noutras paisagens. Com  destaque para os tapetes do chão. Sem esquecer a banca da cozinha, pois já nesse tempo me entretia muito com os tachos...

Já mais tarde, enquanto os CTT trabalhavam na Terça Feira de Entrudo  - durante anos este feriado foi trocado no nosso AE pela véspera de Natal - criámos um grupinho que nesse dia ia sempre almoçar uma feijoada de cabeça de porco. Na Casal Ribeiro eram famosas as cenas da Manuela atrás do Sr. Novo, (o nosso motorista) a tentar maquilhá-lo ,e ele a fugir aos gritos "Isso não D. Manuela! Isso não!". E a Isabel Galrito normalmente disfarçava-se de homem, metia uma cenoura  bem à vista na braguilha e ia visitar as salas dos outros colegas.

Ou seja, mesmo que nunca fosse fanático do Carnaval, a pose desses dias mais endiabrados não deixava de influenciar o meu comportamento, sobretudo se a envolvente o merecia.

E hoje? Sopas e descanso?

Está mais para aí do que para outro lado. A única fuga ao comportamento habitual é que mantenho em minha casa a tradição da feijoada ( com feijoca grossa da Serra da Estrela) para o almoço da Terça Feira Gorda.

Quanto ao resto? Nem me dá para ver na Globo o desfile no Sambódromo...

É a idade.

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Para Descansar a Vista



A poesia das sextas-feiras tem hoje que se bater com os aniversários de Cristiano Ronaldo, Neymar e Carlos Tevez...

Para já não falar do "nosso" Francisco Galamba que, tanto quanto sei, não joga à bola profissionalmente (pior para ele), mas sempre vai tomando conta dos nossos desenhos de selos e de artes finais de livros...

Poesia em redor da bola só podia ser um poema de Vinicius de Moraes sobre o imortal Mané Garincha -  "o anjo das pernas tortas".

Manoel Francisco dos Santos,  nasceu em Pau Grande ( e Olé!) e tinha as pernas deformadas. A perna direita tinha mais 6 cm do que a outra, por isso arqueava. Quando nasceu tinham dúvidas que pudesse andar  mas depois não só andou como correu e driblou.
É ainda hoje considerado o maior ponta direita que existiu e um dos melhores jogadores de futebol do mundo.

Pessoa humilde e com dificuldade para memorizar tácticas e nomes, chamava a todos os defesas encarregues de o marcar "João".

Na final do mundial da Suécia (1958) em que o Brasil ganhou 5 a 2 com um festival da dupla Garrincha-Pelé, Mané chamava "João" ao atleta sueco Börgensson  a toda a hora e este mais tarde escreveu que tinha ficado chateado porque  pensava que o estavam a mandar para algum sítio feio...

E aqui vai poema:

O ANJO DAS PERNAS TORTAS

A um passe de Didi, Garrincha avança
Colado o couro aos pés, o olhar atento
Dribla um, dribla dois, depois descansa
Como a medir o lance do momento.

Vem-lhe o pressentimento; ele se lança
Mais rápido que o próprio pensamento
Dribla mais um, mais dois; a bola trança
Feliz, entre seus pés — um pé de vento!


Num só transporte, a multidão contrita
Em ato de morte se levanta e grita
Seu uníssono canto de esperança.

Garrincha, o anjo, escuta e atende: — Goooool!
É pura imagem: um G que chuta um o
Dentro da meta, um l. É pura dança!

Vinicius de Moraes

quinta-feira, fevereiro 04, 2016

Sobre os enchidos, a carne e a OMS



Ainda estou um bocado ressacado de um monumental cozido à portuguesa que "entranhámos" em
casa de um bom Amigo, pelo que não sei se terei distanciamento e frieza suficientes para me pronunciar sobre assunto tão sério como a da questão das carnes vermelhas,  dos fumados, e sua relação com a saúde pública.
Mas é sabido que depois da questão do botulismo nas alheiras de certo produtor ( e que ia levando ao descalabro total da região produtora) faz falta uma reflexão sobre esta matéria que tenha em atenção as variáveis todas.

Sobre as carnes, processadas ou não, o que diz o relatório oficial é o seguinte:

O consumo de carne vermelha, como vaca ou porco, foi considerado como “provavelmente carcinogénico para humanos” e o consumo de carne processada, como salsichas, fumados ou enlatados, como “carcinogénico para humanos”, concluiu o relatório da agência internacional da Organização Mundial de Saúde que se dedica ao estudo do cancro (International Agency for Research on Cancer, IARC).

Vamos pôr o assunto em perspectiva:
- Segundo os mesmos relatórios oficiais, o consumo de carnes processadas pode ser responsável por cerca de 34 000 mortes por ano no mundo.
- Mortes causadas anualmente por acidentes de viação são 1,5 milhões , o tabaco é responsável por 1 milhão de mortes, o consumo de álcool explica 600 000 mortes e a  poluição fará mais de 200 000 mortes, também anuais. A gasolina com chumbo matava mais de 150 000 ao ano.

Não estou a ver os terráqueos a deixarem de passear ao ar livre, a deixarem o "carocha" em casa ou a cortarem totalmente com a "pinga", nas suas formas de vinho, cerveja, vodka, etc... Apesar do risco medido para próprios e terceiros ser muito maior nessas "actividades" do que com o consumo das carnes vermelhas ou processadas...

Uma coisa é a saúde pública, outra será a saúde privada, de cada um de nós. A poluição, o fumo do tabaco, a gasolina com chumbo* ( até 1986 no mundo civilizado. Mas ainda se utiliza no "outro" mundo) , são assassinos reconhecidos de terceiros, para não dizer de multidões. O álcool é-o potencialmente, quando por exemplo um condutor se mete num carro bem "aviado". 

Quem come um chouriço de vez em quando, numa feijoada,  ameaça  os outros? Só se for pela possível escapatória de gases pela porta dos fundos... Mesmo assim não morrerão. Podem é ter de basar dali, algo incomodados.

E quanto aos riscos reais para os próprios consumidores? Fizeram-se contas às probabilidades de risco de cancro colorretal com o consumo de carnes processadas.  Essas contas, feitas por especialistas no Reino Unido,  são assim:
Entre as pessoas que comem pouca ou nenhuma carne há 56 pessoas em cada mil no Reino Unido que podem desenvolver cancro colorretal.  Entre as pessoas que comem muita carne processada haverá 66 pessoas em cada mil que podem desenvolver este tipo de cancro.

Parece que o busílis da questão estará na quantidade e na frequência destes consumos. Um marmanjo que se alimente de enchidos de manhã, à tarde e à noite tem mais probabilidades de adoecer com estas maleitas. Mas também se está a pôr a jeito, com essa alarvice. Um cidadão que coma de vez em quando o toucinho no cozido ou a farinheira nas favas é tão provável que morra disso como da queda de um frigorífico em cima da cabeça ao passar por baixo de um prédio em mudanças.

 Atribuíam ao sábio Claude Lévy-Strauss , mestre dos antropólogos da Sorbonne, esta frase:  "Se um gajo (ele escrevia "mec" ) não quer ser comido pelos antropófagos, não convém que veraneie na Papua-Nova Guiné.  Mas se for para aí é mais provável que morra de insolação. Claro que ainda pode ser devorado depois de morto. Para isso é que lá estão as minhocas...".

Moral da história:  Morrer, morremos todos. Alguns cheios de saúde, outros não...

*Recordo aos leitores a questão nefanda da gasolina com chumbo , de como foi "legal" durante mais de 40 anos, matando cerca de 150 000 pessoas por ano ,  até que a lei a proibiu em 1986, devido aos esforços do grande ambientalista e cientista Clair Patterson.

Podem ler aqui os detalhes dessa cabala contra a saúde pública que foi montada pela Troika (salvo seja) GM, Du Pont e Standard Oil com o objectivo de recolher lucros chorudos à conta de uma maior eficácia da combustão nos motores da época:

http://www.thenation.com/article/secret-history-lead/


quarta-feira, fevereiro 03, 2016

As vacas gordas e as outras...

Há semanas em que tudo nos parece aparecer ao mesmo tempo, por vezes as coisas boas em catadupa, outras vezes as menos boas...

Se me permitissem escolher acho que preferia uma distribuição mais equilibrada da chuva e do solzinho... mas não temos essa competência.

Nesta semana tive - por enquanto - duas refeições extraordinárias. Uma no Beira Mar, às voltas com um tacho de Arroz de Lampreia excelente;  e depois no Jockey, preparando a festa do Dia Nacional da Gastronomia na presença de um impecável "Jarret de Veau" no forno.

No Beira Mar sobressaiu ainda o "bucho" caseiro da Raia, a Morcela da mesma proveniência, e os admiráveis percebes e santolas ali mesmo apanhados no Cabo da Roca. Cortesia da Fátima Moura e da Dª Lurdes.

No Jockey para além do joelho de  vitela assada ainda tivemos direito a favas guisadas com superior competência, e houve no final uma  "rave" de sobremesas (quem lá estava percebia da poda, era a Drª Olga Cavaleiro da Federação das Confrarias Gastronómicas). Tudo aplaudido.

Mas tive também algumas decepções, começando por um tinto Reserva de 2011 da casta Sousão, da Real Companhia Velha. Esperava muito mais do que aquilo que revelou no copo: falta de alma, corpo discreto... Que pena... E por quase 40 euros a garrafa nas lojas? Imaginem nos restaurantes...

Nesse capítulo dos líquidos salvaram-se duas boas novidades: o espumante "Único" da Murganheira e o tinto do Douro "Duvalley" , ambos de 2011.  Magníficos!!

Falámos de projectos novos no âmbito da edição gastronómica e da divulgação.  Com a Fátima Moura, em Cascais. E, em Lisboa,  com a Drª Olga e o seu colega Dr. Couceiro (da confraria do Queijo da Serra), juntamente com o Engº João Pereira da "TerraProjectos", que fez connosco a emissão de selos sobre a Fruta Portuguesa Certificada, com sucesso absoluto.

A AHRESP foi madrinha e os CTT o padrinho destas confabulações. E mais haverá para dizer proximamente, mas temos de ir preparando o caminho.

Para continuar bem a semana há hoje um "petisco" feito por queridos amigos: uns coelhos bravos com míscaros da Guarda...estou já salivando.

Penso que compreendem como se torna difícil comparar semanas destas - em que tudo parece ir acontecer ao mesmo tempo - com outras onde nada há a assinalar deste ponto de vista gastronómico mais especial.

Depois do Carnaval - que para mim gastronomicamente falando chegou mais cedo - virá a Quaresma.

Após a desbunda carnavalesca, o festival romano da “carne” em todos os seus aspetos rabelaisianos mas também sexuais, inicia-se com a Quaresma um período de mais calma para o estômago, fígado e outras vísceras.

Com estas práticas de alguma prudência pretende-se dar descanso ao corpo e centralizar o espírito.

Mesmo fora de considerações morais ou religiosas, a sua observação para crentes e não-crentes tem a vantagem de preparar o saco das tripas para mais e melhores (devemos ser otimistas) aventuras à mesa (e fora dela).

E depois da Quaresma regressará a Páscoa, no esplendor dos primeiros borregos e queijos da serra do ano.

Vacas gordas e as magras. É assim a vida.

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

Sem tino



Falo de "tino" (juízo, prudência) . Não escrevi "Tino", diminutivo de Vitorino.

Nome que pertence  ao candidato presidencial da freguesia de Rans (não confundir com rãs). Mas também a Vitorino de Almeida e a Vitorino Nemésio, a Vitorino Magalhães Godinho e a Vitorino Froes, o grande cavaleiro tauromáquico de Alfeizerão.

Há "Tinos" que foram Vitorinos, mas também há cada vez mais (infelizmente) muita gente "sem tino".  Gente com pouco ou nenhum juízo e que estende a sua influência aos meios de comunicação social.

E nem pensem que se trata de um fenómeno puramente nacional!! Nada disso. Estão as nossas CM-TV e TVI Reality muitíssimo bem acompanhadas por canais estrangeiros nesta tarefa de deitar poeira para os olhos do povo.

Este Domingo embarquei numa orgia de zapping enquanto vigiava os fornos, e  dei por mim a ver e ouvir "coisas" que não lembrariam ao diabo (com vossa licença).

 Começo pelo canal História, onde gente circunspecta quer  fazer-nos acreditar que o calendário Maia fora elaborado com a intenção de prever a criação do Great Hadron Collider (o maior acelador de partículas do mundo, explorado pela agência nuclear europeia CERN), seguido de mais um episódio no mesmo canal sobre a recente interpretação "científica" do Jardim do Éden como um laboratório genético onde se tentara criar um híbrido de primata e de réptil ( a serpente bíblica...).

Ainda mal refeito dei por mim a ver um episódio no Discovery com imagens do que foi considerado pelos "peritos" presentes em estúdio uma "sereia". Melhor dito, um "sereio" , dado que a face da criatura era mais para o macho. Esta "sereia" foi vista e filmada em vários lugares. Desde o México e o Brasil até a Moçambique e a Israel. Há até um autarca israelita que oferece 1 milhão de USD a qualquer turista que vá lá para as suas ilhas e descubra "provas irrefutáveis" da existências das sereias que foram filmadas...

Os "cientistas" acham que se tratará de uma nova espécie de homo sapiens, o "homo aquaticus". São mais visíveis agora devido às experiências da marinha norte-americana utilizando sonares cada vez mais potentes...

Não me entendam mal, eu sou adepto de um bom filme de ficção científica ou de terror. Mas apresentar às pessoas essas conclusões dentro do enquadramento de programas pretensamente científicos e pedagógicos? Homessa...

O problema é que 70% ou 80% dos telespectadores gostam daquilo, a ter fé nas sondagens. "Aquilo" sendo um cabaz de telenovelas, reality shows, incêndios em directo, mais as crónicas dos assassinatos e dos roubos da noite passada...

Os restantes 20% contam pouco para as guerras das audiências. Nem devem existir.  A RTP 2 assume-se como o último bastião de quem se senta para ver TV fora do cabo com alguma qualidade. Nem sei por quanto tempo aguentará aquele tipo de programação...

A NetFlix e os outros fornecedores de programas de TV em streaming directo da Internet - sobretudo filmes, séries e ainda documentários - podem ter o futuro assegurado cá no burgo se o comportamento dos canais ditos generalistas e populares disponíveis continuar ao mesmo nível?

Bem, sim, para os tais 20% de "esquisitóides" onde me incluo. Cada vez mais o "entretenimento em minha casa" passa por ser cada um de nós ( eu e o meu senhorio) a escolher o que queremos ver, quando queremos ver.

Agora, prefiro entreter-me com  o Godzilla (mesmo o de 2014) a ver no Discovery mais uma série de episódios sobre o Carchoron Megalodon, um "peixito" de 20 metros e  50 toneladas que terá existido há 20 milhões de anos, mas que segundo parece ainda veraneia por alguns dos nossos mares de hoje, possivelmente atraído pelo canto e pela  presença das sereias...

sexta-feira, janeiro 29, 2016

Évora e o Correio em Portugal


Tive que me deslocar ontem a Évora para falar com responsáveis da Câmara Municipal sobre as  comemorações dos "30 Anos de Évora Património Mundial" e aproveitei para falar um pouco sobre a data histórica dos "500 anos do Correio em Portugal". 




A criação do ofício do Correio-Mor do Reino deu-se a 6 de NOV de 1520, exactamente no palácio D. Manuel, em Évora, por D. Manuel I.

Por esse motivo os CTT têm um programa de comemorações com emissões de selos e ainda outras acções mais generalistas, o qual começa em 2016 e terminará em 2020, com a edição de um livro temático sobre o assunto.

Em 2016 a 1ª série de selos comemorativa dos “500 Anos do Correio” terá como figuras principais D. Manuel I e o seu palácio em Évora, motivo pelo qual se aproveitou para solicitar à edilidade algumas facilidades de acesso ao palácio D. Manuel I e aos arquivos que possam existir sobre a respectiva construção e evolução no tempo.

Pode vir a ser equacionada a apresentação desta série de selos ser feita também em Évora, a partir do dia Mundial de Correios – 9 de Outubro de 2016 – data em que está previsto ser o 1º dia de emissão na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa.

Os CTT fariam para esta primeira série de selos sobre os “500 Anos do Correio” um carimbo especial dedicado à cidade de Évora.

Com estes assuntos "do espírito" bem resolvidos foi altura de ir tratar dos do "corpo".

Como havia algum receio ( e fundado, tenho que confessar) do que se passava no clássico restaurante Fialho, depois da passagem de testemunho à segunda geração, e tendo-se finado o grande senhor da gastronomia nacional que foi Gabriel Fialho, tomámos o rumo da Travessa dos Mascarenhas para tirar a prova real ao assunto.

Neste dia estava presente na sala e na cozinha a Lena Fialho, o que se revelou ser trunfo de mão neste baralho. Tudo o que aconselhou e veio para a mesa estava soberbo. Perdiz de escabeche, migas de espargos verdes, carne de porco alentejano com ameijoas ( o pumo da discórdia em visita anterior) e por aí fora. Os genes não mentem. A Lena está uma cozinheira, ou melhor dito, uma organizadora da cozinha de mão cheia 

Exame passado com distinção. Prova-se que o dono tem de estar ao pé da vinha para que as uvas cresçam melhor. Isso é sempre verdade, mas ainda mais na restauração. Há exemplos em Lisboa que o provam. E mais não digo porque  sou amigo dos impetrantes ausentes dos tachos e dos fornos e ainda espero que se emendem ...

Em relação ao Fialho ainda ficámos a saber que a família tinha acabado de comprar o Hotel D. Fernando, juntando-o ao outro pequeno Hotel que já possuíam à entrada da cidade e ao restaurante propriamente dito. 

Fiquei satisfeito com a progressão destes meus amigos na vida, mas lá me voltou a inquietação... 

Haverá "sombreiros"  suficientemente grandes  para albergar tantas "ovelhas" lá debaixo quando chove? Porque quando está o tempo de ananases toca-se bem o gado sem mais engulhos...

Pelo que reitero a necessidade de não abandonarem o restaurante pelos outros afazeres! Ali nasceram, foi ele que os financiou, levou dezenas de anos a tomar fama merecida. E é um património do país a preservar.

Até por respeito pelos que já partiram. Por isso tudo estou seguro de que tudo vai correr bem.

quarta-feira, janeiro 27, 2016

Patrimónios Mundiais Portugueses



Comemoram-se este ano os 30 anos do dia em que a cidade de Évora foi considerada património mundial pela UNESCO. Foi em 1986.

O Bloco especial que a pintora Maluda fez para os CTT nessa ocasião foi considerado o "melhor selo do mundo de 1986".

Antes de Évora, em 1983,  tivemos o centro histórico da cidade de Angra do Heroísmo nos Açores e a Paisagem Vinhateira do Alto Douro.

Depois desses anos "heróicos" tivemos mais 12 patrimónios materiais (locais) listados em Portugal e  4 como patrimónios imateriais: Fado, Dieta Mediterrânea, Cante Alentejano e a Arte Chocalheira.

Os CTT realizaram ou vão realizar selos postais de todos eles. Estamos atualmente a colaborar com a edilidade de  Serpa na emissão do "Cante". Para 2017 sairá a "Arte Chocalheira".

Amanhã estarei em Évora para reunião com a Câmara Municipal sobre o que fazer para assinalar os 30 anos desta efeméride.  Depois darei notícias.

terça-feira, janeiro 26, 2016

Habemus Presidente!



Com a devida distância de 48 horas para permitir a reflexão antes da altercação, aqui trago a crónica dedicada ao rescaldo das eleições presidenciais.

Não sei se pensam como eu, mas raramente me senti tão pouco motivado por umas eleições, fossem elas quais fossem... Acho até ( e passe o exagero) que me entusiasmei mais quando votei para os órgãos sociais do Grupo Desportivo Estoril-Praia.

Tentei perceber as razões de semelhante atitude, um pouco estranha dado que ( até por defeito de fabrico da minha formação) sempre gostei de me envolver  nestas coisas das sondagens e previsões de resultados eleitorais.

Não será pela falta de importância do acto em si, pois obviamente as Eleições Presidenciais são muito importantes.
Não será também por uma certa "fadiga de mais do mesmo", pois se queremos ser governados em democracia não importa quantas vezes seguidas votamos. Quantas mais melhor. Bem bastou o que se passou antes de Abril.
Por fim, não será ainda porque me atingiu a doença do conformismo político-partidário. A "sezão" que atinge aqueles cansados da vida que acham que,  venha quem vier, o mundo já não melhora. Nem para eles nem para as suas famílias. Não estou nem nunca estarei "conformado". Era o que faltava!

Então porque é que se instalou aquela apatia estranha - diria a "malaise" -  que me fez olhar para este processo eleitoral quase como se se passasse num aquário, estando eu cá de fora a olhar para as extravagâncias dos "peixes" à disputa pela ração?

Pode ser mistério. Mas depois de muito pensar acho que foi por dois motivos:
 - A fraca qualidade de alguns protagonistas.
 - A fraca qualidade das campanhas em si.

Não se aguenta um bombardeamento de 15 dias (fora o resto) de 10 candidatos a dizerem as coisas mais estranhas, na maioria das vezes ( e aqui não abro exepções) sem pinta de conhecimento político e estratégico sobre os objectivos de uma campanha. Amadores no mau sentido. Todos eles.

Ganhou o menos mau? Não foi isso! Ganhou o que teve mais tempo de campanha. Teve mais ou menos 15 anos de campanha, na TV e em horário nobre... Quem poderia competir com isto?

Maria de Belém só deu tiros nos pés (pés, joelhos, joanetes, calcanhares...). Sampaio da Nóvoa nunca se conseguiu demarcar das boas intenções de um avô ou tio sábio, mas a quem não se liga nenhuma porque , francamente, não conta para nenhum campeonato. Marisa Matias teve um bom resultado porque é atraente e sabe falar aos mais novos.

Apenas estranhei os 4% de Edgar Silva. Na minha opinião - a ver vamos - pode indiciar que as hordas fiéis do PCP estão prestes a mandar para casa do diabo mais velho o célebre "acordo de governo" a três...

Tino de Rans? Devia ter tido mais votos até! É o candidato do país Correio da Manhã, Quinta das Celebridades e outras dessas escórias que nos enfiam pela garganta (enfiam, salvo seja. Que desse xarope nunca tomei. Prefiro a tosse.)

Como será a convivência do país, do 1º Ministro, do Governo, com o novo Presidente?
Peço licença para citar Eduardo Lourenço, numa frase que recuperei no blog de Seixas da Costa: 
"O Marcelo é uma figura que, desde há vários anos, está como que numa janela a fazer comentários sobre o país que passa na rua, lá em baixo, E, por vezes, nessa mesma rua passa também o próprio Marcelo Rebelo de Sousa, sobre o qual, com naturalidade, ele também se pronuncia".  

E mais não digo. Habemus Presidente! Ainda é primo do Nicolau.  Do Nicolau Maquiavel, está claro.

Finalmente "Iznogood" chegou ao califado!


sexta-feira, janeiro 22, 2016

Segunda Feira na Guarda



Um aviso de "não publicação" do post na próxima segunda feira, por estar na Guarda em reunião  preparatória da apresentação do nosso próximo livro temático "Catedrais de Portugal", escrito pelo Arqº António Saraiva e prefaciado pelo Sr. D. Manuel Felício, Bispo da Guarda.

Dentro de pouco tempo, numa loja de correios perto de si.

Centenário da Aviação Militar

Mais um Post para falar do centenário da Aviação Militar em Portugal.

Este é para ilustrar a cerimónia do dia 20 de Janeiro, no Museu do Ar, onde o Sr. CEMFA inaugurou uma exposição filatélica de aero-filatelia - peças soberbas do nosso amigo João Soeiro - ao mesmo tempo que se falava da importância do serviço postal militar (SPM) durante a guerra colonial.

Grandes especialistas discorreram sobre o tema, não se esquecendo de nos relatar as histórias magníficas que marcaram estes episódios da chegada do avião com as cartas e os aerogramas aos locais mais afastados das ex-colónias, tornando-se este, em muitos casos, o mais importante episódio da guerra para os soldados, se excluirmos as próprias acções de combate.

De uma das vezes o piloto era "maçarico" e tinha posto o saco de correio em cima das "mercadorias" que levava para o batalhão. Ali chegado um furriel entrou apressado pela carlinga adentro com as cartas a expedir numa mão, inquirindo afanosamente pela "correio que vinha".

Retirado este, nunca mais ninguém viu os militares daquele batalhão... O piloto bem queria ajuda para descarregar o porão, mas nada...a malta estava toda nos bivaques a ler a correspondência ou a remoerem o desgosto de nada terem recebido...

Apenas a ameaça de partir imediatamente sem descarregar a cerveja que trazia terá feito reconsiderar as tropas aquarteladas.

Na próxima viagem o piloto já ia avisado. Quando chegou e viu o habitual furriel a inquirir pelo "correio" disse-lhe logo:

- "Olhe, está ali por baixo da outra carga".
- "Por baixo?!"
- "Pois é. Sem tirarem primeiro as caixas não conseguem lá chegar...tenha paciência porque eu também já a tive quando cá vim no outro dia...".

quarta-feira, janeiro 20, 2016

Museu Grão Vasco



Amanhã estarei em Viseu, para reunião com o Director do Museu Grão Vasco sobre o seu centenário ( do Museu, não do Director!) que se cumpre este ano.

Podem ver aqui uma abordagem sobre o riquíssimo património disponível nesse Museu:
http://www.patrimoniocultural.pt/pt/museus-e-monumentos/rede-portuguesa/m/museu-grao-vasco/

Grão Vasco foi um dos primeiros pintores portugueses a
assinar os seus quadros, embora ainda subsista alguma
polémica sobre a autoria de determinados trabalhos.

O que hoje se chama "mestre de Viseu poderá até não ter
nascido na cidade do granito mas foi aqui que passou grande
parte da sua vida.

Sabemos de certeza que em 1506 já era mestre pintor e talvez já o tratassem por Grão Vasco, como ficou conhecido para a posteridade.

Sobre Grão Vasco dizem os entendidos:

Considerado um dos principais responsáveis pela renovação da pintura portuguesa no século XVI, o pintor Vasco Fernandes transformou-se, no século XVIII, num pintor-herói à escala nacional, atribuindo-se-lhe a autoria de praticamente toda a pintura antiga. Este fenómeno de exaltação da figura do pintor poderá explicar-se pelo facto de ter inaugurado um período brilhante da pintura portuguesa, numa região onde não havia qualquer tradição e pelo fascínio que o realismo da sua linguagem exerceu sobre as sucessivas gerações de espectadores. 

Uma curiosidade: O primeiro trabalho de Grão Vasco de que há registo foi o retábulo da capela- mor
da Sé de Lamego que executou por “350$000 réis, 100 alqueires de milho e 2 pipas de vinho”.

Como se observa, já o vinho tinha naquela região alguma importância há 500 anos atrás...

Viva o Dão!!

terça-feira, janeiro 19, 2016

O fim nem sempre está escrito



Acabar de escrever um livro ou um artigo é sempre, para mim, a parte pior da "encomenda".

Começar também não é fácil, há aquela questão da "angústia do escriba perante a folha branca" agora transformada pela tecnologia em "écran branco". Mas esta  - pelo menos no meu caso - resolve-se rapidamente.

O truque que uso para começar é desatar a escrever mesmo que sem ter nada a ver com o assunto. E ao fim das primeiras linhas lá arranjo forma de dar a volta ao texto e entrar dentro dos carris .

Mas para acabar uma obra criativa temos que decidir se o final deve ser moralista, eufórico, optimista, realista ou ainda do tipo duvidoso, aquele em que deixamos ao leitor a interpretação final do sucedido.

Como aqueles episódios um pouco datados sobre o Monstro do Loch Ness onde se provava que a criatura era uma invenção ao longo dos minutos de visionamento, mas onde a última imagem do documentário era um pescoço alongado a vir ao de cima do lago, no meio da neblina...

O mais engraçado é que quando começo a escrever nem sempre sei qual será o final do texto.  E do muito que tenho lido sobre o assunto, parece que assim acontece também com escritores de sucesso -  com quem não me comparo, obviamente!!

 Aliás, os filmes de Hollywood são revistos em sessões especiais de teste para avaliar qual o "fim" que mais agrada aos espectadores. O muito dinheiro investido obriga a que se tomem precauções para assegurar a rentabilidade da operação.

O "fim" pode ser ainda um assunto que desagrada aos escritores, na maioria das vezes porque se apaixonam pelo texto e não querem acabar a obra. São exemplos Tolstoi no "Guerra e Paz" e mais perto de nós Tolkien no "Lord of the Rings".

Há livros (e filmes, já agora) que acabam mal. Pelo menos para mim.
Dou como exemplo de filmes "Sinais" e "A 9ª Porta" , já para não falar do clássico "2001 Odisseia no Espaço".
E quanto a livros?  Não gostei do final de "Hucleberry Finn" (desculpa lá amigo Twain) nem sequer do final do "Monte dos Vendavais". E, em português, tenho que dizer que Alves Redol poderia ter acabado de outra maneira o seu magnífico "Barranco de Cegos".

É claro que temos de ter em atenção a frase mais que conhecida (e sábia) de Jules Michelet: 
Le but n’est rien. Le chemin, c’est tout." Nem sempre é o final que interessa. Mas sim a forma como lá se chega. 
E isto também pode ser verdadeiro noutras matérias. Acho eu.

segunda-feira, janeiro 18, 2016

Coisas boas nunca são demais?



Dizia um escritor francês,  gastrónomo famoso (de memória penso que foi Brillat-Savarin),  que pela forma como um aficionado pronunciava a palavra "Bom" quando se dirigia a algo que comia ou bebia logo nos apercebíamos se se tratava, ou não, de um gastrónomo requintado: -"Oh la la! c'est si bon". 

E o sibarita da mesa faria rolar o último "m" por entre os lábios entreabertos e de olhos fechados.

Ultimamente não me tenho entusiasmado muito com comes e bebes fora de minha casa.  Desta forma a exclamação de aprovação suprema não tem saído. Pode ser pela antiga razão que era atribuída pelo fiel escudeiro Grilo ao mal estar do seu senhor Jacinto, o príncipe da boa-ventura: "Sua Excelência sofria de fartura...".

Sofrer de fartura  neste enquadramento é estar tão habituado a comer do bom e do melhor de tal forma que essas coisas deixam de entusiasmar.  E atenção! Quando escrevo do bom e do melhor não quero dizer do mais caro e do mais notório! Bom e Melhor em sentido absoluto. Tanto o carapau de escabeche como o pastel de bacalhau com um competente arroz de grelos entram nestas "medições", a par do resto que custa muito mais euros ( se calhar demasiados).

A cura pode ser ( devia ser) um mês ou dois de dieta forçada, em que apenas comesse saladas e sopas, grelhados com legumes cozidos e coisas dessas. E bebesse água.

A parca refeição , 50 ou 60 vezes repetida, teria o condão de purgar o corpo e o espírito, preparando devidamente o glutão para futuros desmandos. Um pouco como aconteceu  quando saí do Irão pela primeira vez, depois de 6 dias a água e coca-cola (de origem turca). Quando chegámos ao avião da Lufthansa, já no ar, acho que nunca um Jack Daniels me tinha sabido tão bem... Um ou cinco (a recordação desse momento é difusa)...

Houve quem se lembrasse disto antes do vosso blogger.  Desde o século IV que a cristandade celebra a Quaresma  como tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. E também nas outras religiões antigos preceitos higiénicos aconselham a que exista um período anual de abstinência e de introspecção. O Ramadão (nono mês do calendário muçulmano), o jejum ritual budista, etc..

A Quaresma segue-se ao Carnaval -  festival carnívoro, reminiscência das saturnálias romanas, onde era costume subverter a ordem social estabelecida, por entre banquetes de fazer dobrar as tábuas das mesas. 

Neste ano de 2016 o início da Quaresma será a 10 de FEV, com a Quarta feira de Cinzas.

Já tomei boa nota e vou ter em consideração. 

A partir de 10 de FEV.  Ainda falta...


quinta-feira, janeiro 14, 2016

Belas Artes e Matosinhos na Agenda



Amanhã vou para Matosinhos para mais uma reunião com os proprietários da mais antiga industria de conservas de Portugal - "Ramirez" - cuja 1ª fábrica foi inaugurada no ano de entrada em circulação do 1º selo português, 1853.
Desta coincidência vai sair uma ideia engraçada para a filatelia nacional, com saída reservada lá mais para o 3º trimestre deste ano.

E hoje passo ao final da tarde pelo Palácio da Ajuda - o herdeiro espiritual e físico da chamada "Real Barraca" mandada erigir por D. José em madeira, cheio de medo de habitar edifícios de alvenaria depois do terramoto de 1755.

Comemoram-se os 180 anos da Academia Nacional das Belas Artes, e teremos postal com carimbo comemorativo. Será também a estreia protocolar deste Governo na "difícil" tarefa da obliteração do postal. Terá a honra das primícias o Ministro da Cultura, Dr. João Soares.

O Pai dele era perito nestas coisas dos carimbos e até mandava chegar para trás os ministros para ter mais espaço para manobrar o "instrumento". Bons tempos esses.

Por estes motivos amanhã não passo por aqui, pelo que deixo já hoje o habitual "poema das sextas".

E como ontem foi dia de aniversário de Charles Perrault, o parisiense que foi pai e avô dos contos de fadas, aqui  fica um "conto de fadas", da nossa Florbela Espanca:

Conto De Fadas

Eu trago-te nas mãos o esquecimento
Das horas más que tens vivido, Amor!
E para as tuas chagas o ungüento
Com que sarei a minha própria dor.

Os meus gestos são ondas de Sorrento...
Trago no nome as letras duma flor...
Foi dos meus olhos garços que um pintor
Tirou a luz para pintar o vento...

Dou-te o que tenho: o astro que dormita,
O manto dos crepúsculos da tarde,
O sol que é de oiro, a onda que palpita.

Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez!
Eu sou Aquela de quem tens saudade,
A princesa de conto: "Era uma vez..."


Florbela Espanca

quarta-feira, janeiro 13, 2016

Dia Nacional da Gastronomia 2016



Recordo que este ano de 2016 será o primeiro em que se vai celebrar o Dia Nacional da Gastronomia Portuguesa.

Será a 29 de Maio (último Domingo de Maio) conforme a Resolução da Assembleia da República n.º 83/2015. Parece que fora o caso dos votos de pesar, terá sido esta a única, ou uma das únicas, resoluções aprovadas por unanimidade e aclamação na nossa AR. E bem.

A Presidente da Federação das Confrarias Gastronómicas de Portugal - Drª Olga Cavaleiro - está já a tratar dos preparativos para esta celebração, e os CTT estarão presentes com um Postal Inteiro e um Carimbo Comemorativo.

Aproveito para tirar o chapéu ao trabalho da Presidência da Federação das Confrarias. Sem essa preparação de dossiers e sua explicação a todos os grupos parlamentares não teria sido possível ter-se alcançado este objectivo com tanta convergência. 

Parece - ainda a confirmar - que o local desta primeira celebração será Aveiro. Acho muito bem que assim seja.

Porque o Presidente da Câmara,  Dr. Ribau Esteves,  já provou que apoia este tipo de iniciativas com entusiasmo e porque os CTT têm uma equipe em Aveiro que não tem apenas 5 estrelas, já as ultrapassou largamente!

Aguardemos pela confirmação e também pelas próximas notícias sobre este assunto em que , pessoal e institucionalmente, quero estar bem envolvido.

Na última vez que estive em Aveiro (mais precisamente na Esgueira) tirei saudades de uma caldeirada de enguias com açafrão, num restaurante simples mas muito agradável chamado "Jardim das Estátuas". Deixo aqui a receita tradicional, para quem se atreva a mexer nas "bichas" ainda vivas... A Receita é do Roteiro Gastronómico de Portugal (Editorial Verbo). Faço notar que "pó de enguia" é o açafrão misturado com um pouco de pimenta branca e que "unto" é o toucinho gordo da barriga do porco.

Caldeirada de Enguias à Moda de Aveiro

Para se amanharem as enguias, retiram-se as cabeças, lavam-se em várias águas e raspam-se para se retirarem todos os resíduos viscosos (galheiras). Cortam-se em bocados.
Descascam-se as batatas e cortam-se às rodelas - tanto mais grossas quanto as enguias o forem. Descascam-se e cortam-se as cebolas ás rodelas.
Num tacho largo põem-se as enguias, as batatas e as cebolas, em camadas alternadas. Cada camada é regada com azeite e temperada com alho, louro, salsa, pós de enguia, sal e pimenta. Corta-se o unto em fatias finas e dispõe-se por cima. Rega-se com um copo de água. Tapa-se a caldeirada e deixa-se cozer entre 20 a 30 minutos.
Depois das enguias cozidas - reconhece-se pela consistência -, retira-se o unto e esmaga-se com sal grosso. Junta-se o vinagre a esta papa, que se dilui depois com duas conchas do caldo da caldeirada - estas conchas de caldo devem apanhar o máximo da gordura da caldeirada. Este preparado tem o nome de «moira» e é deitado sobre as enguias e as batatas.
Do resto do caldo da caldeirada faz-se uma sopa, a que se junta apenas pão torrado e um ramo de hortelã.


terça-feira, janeiro 12, 2016

Um dedal de "espírito"





A palavra "tumbler" cedo se começou a utilizar nos países anglo-saxónicos para significar um copo para qualquer tipo de bebida servida nas tabernas,  mas mais tarde  generalizou-se para definir também uma medida de whisky (ou de whiskey).   O tal copo tinha de ter fundo chato e ser de paredes finas.  Parece que foi inventado no século XIX por um carpinteiro, que terá levado o molde em madeira a um vidraceiro e lhe pediu para repetir a proeza em vidro.

O mais conhecido e apreciado copo para whiskys velhos é o de formato em tulipa (dito na Escócia "Glancairn") que aparece na gravura.
Mas muitos mais existem desde que se entenda fazer coabitar o "espírito" com a água, nas suas várias formas. Temos o "Old Fashioned", o "Long drink", o "On the rocks", etc...

Cá em Portugal desenvolveu-se o copo para vinho do Porto - existem até uns desenhados pelo mestre Siza Vieira - mais ou menos do mesmo modelo do que a túlipa, mas com caule alongado para que o toque da mão não vá contaminar a temperatura  do vinho.

Os Cognacs e Brandys são bebidos em copos do tipo "Balão", mais côncavos e de pé curto, desenhados para concentrar o poderoso bouquet e serem aquecidos pela concha das mãos.

Em relação aos álcoois mais plebeus  - bagaceiras, cachaças, poires, eux de vie, schnaps, vodka - é normal bebê-los em copos do tipo "dedal".  Com mais ou menos capacidade. O conhecido "copo para shot" que faz figura de ator principal em todas as  discotecas.

O que queria aqui compartilhar convosco é como a  forma do copo pode influenciar a apreciação da bebida.  Mesmo no caso dos destilados, pois já sabemos que para os vinhos essa é uma verdade indesmentível.

Nota: Leiam aqui o site da Riedl, que muito nos informa sobre esta questão: 
http://www.riedel.com/all-about-riedel/shapes-pleasure/content-commands-shape/

Um copo mais estreito, daqueles ditos de  "escorregar" , não permite apreciar as camadas de sabores e de odores que se libertam de um grande whisky ou cognac. Mas se bebermos um bagaço mais rústico por um copo de feitio em túlipa ou em balão podemos ficar enjoados pelo cheiro a "lagar" que dele se desprende com alguma violência.  Quase ninguém gosta do cheiro a bagaço, embora haja quem aprecie o gosto.

Evidentemente que quanto mais neutro for um destilado - por exemplo uma vodka muito pura, sem fruta - menos odores terá e menos necessidade haverá de copo em túlipa.

Se conseguirem encontrar uma especialidade da Ilha de Islay, como o excelente Bunnahabhain de 16 anos engarrafado pela "Signatory" , experimentem prová-lo em copo de túlipa com um fio de água à temperatura ambiente ( o gajo tem 52º) , e comparem com a mesma bebida em copo alto.

 Em prova cega duvido que os identificassem com sendo iguais.

segunda-feira, janeiro 11, 2016

Um elefante na sala




Quando um assunto incomoda de tal forma que evitamos falar dele ( embora toda a gente saiba do que se trata) costuma dizer-se que "está um elefante na sala".

Não se sabe bem a origem desta frase. Parece que terá sido o New York Times a usá-la pela primeira vez em 1959, numa frase em que falava do financiamento do sistema educativo (imaginem!!):
"Financing schools has become a problem about equal to having an elephant in the living room. It's so big you just can't ignore it."

Lembro-me de uma vez em que estava a família toda à mesa na quinta da Beira Alta, no almoço do Ano Novo. Alguns dos primos mais novos tinham apanhado uma "cadela" tão grande na véspera que se notavam perfeitamente os olhinhos ainda piscos e o ar enjoado com que encaravam o cabrito no forno. Para além disso espirravam de minuto a minuto.

Tinham ido para S. Romão passear pela aldeia com uma garrafa de espumante na mão, a comer e a beber até ser dia. E apanharam duas carraspanas: a do álcool e a constipação derivada de passarem várias horas ao relento.

Os tios e os sogros  desconfiavam da  saída noturna que tinha durado até de madrugada,  Mas  porque não queriam dar escândalo à frente do lisboeta (moi) ali presente e que tinha acabado de casar lá em casa, a  "cadela" da véspera era o tal "elefante na sala".

Lembrei-me desta frase idiomática para ilustrar a campanha eleitoral para a Presidência da República que começou ontem, dia 10 de Janeiro.

Sobretudo a a posição  do PS, para quem a situação ideal era que não houvesse campanha, de tal forma parecem incomodados pela necessária escolha de um candidato.

Ter dois será melhor do que não ter nenhum? Dar liberdade de voto na 1ª volta ( as tais "primárias de esquerda") em Maria e Nóvoa manifesta o mais puro sentimento democrático?

Até poderíamos acreditar que sim, sobretudo ao nível do discurso das ideias, em teoria. Mas esta prática não deixa de soar relativamente mal.

A verdade transmutada em  "elefante na sala" é que não houve tímbalos (tintins, tomat***)  para escolher em tempo devido. E face ao adiantar do processo a escolha salomónica acabou por ser: "deixa-os ir e depois se vê quem sobra para a segunda volta".

Se houver segunda volta! Pois aqui é que a porca torce o rabo. 

A posição do PS favorece a abstenção, disso não tenham dúvida. 

Em eleições que não possuem uma clivagem ideológica forte e posições bem extremadas, sobe a percentagem de abstencionistas porque os eleitores não se ralam com a escolha. 

E a abstenção favorece quem? Dizem os manuais que favorece sempre quem vai à frente nas sondagens. Esse mesmo. O Tio Marcelo !

Nota: Caricatura de Pedro Ribeiro.

sexta-feira, janeiro 08, 2016

A importância de saber escrever e ler para crianças

Na viagem que fiz a Esgueira (Aveiro), para apresentar o livro infantil " A Magia das Cartas" , fui acompanhado pela  autora, a Drª Margarida Fonseca Santos.

Os quase 600 km de viagem de ida e volta pareceram 60, tal a qualidade da conversa.  Mas foi quando chegámos  ao Centro Cultural da freguesia de Santa Joana que entendi porque é que existem pessoas que sabem falar com crianças e outras que infelizmente não têm esse dom.

Não sei se esta faculdade é inata ou adquirida. Mas mesmo para pessoas com  "jeito" , deve dar muito trabalho passar do "jeito" à realidade de uma acção em frente  a quase 200 crianças, com sucesso notável.

Quem me conhece sabe que nunca me intimidei para falar em público. Quando dava aulas na faculdade aos primeiros anos de Matemáticas Gerais cheguei a ter turmas com 180 alunos, nas aulas magnas.  Mas isso parecem "pinâtes" , como diria o Jorge Jesus, comparado  com uma plateia de 200 crianças entre os 6 e os 8 anos. Podem acreditar!

Por isso tenho que louvar a postura da Drª Margarida, que sentada numa cadeira e sem outro apoio que não fosse um microfone, entreve a dita plateia ( silenciosa!!) durante quase meia hora, enquanto lhes contava uma história deliciosa sobre uma folha de papel deixada na secretária de um escritor na véspera de Natal.

Porque hoje é sexta feira, e em memória desse momento que nunca mais vou esquecer, aqui deixo um poema dedicado às crianças de todas as idades. É de Ruy Belo e chama-se "Proposições sobre crianças":

A criança está completamente imersa na infância 
a criança não sabe que há-de fazer da infância 
a criança coincide com a infância 
a criança deixa-se invadir pela infância como pelo sono 
deixa cair a cabeça e voga na infância 
a criança mergulha na infância como no mar 
a infância é o elemento da criança como a água 
é o elemento próprio do peixe 
a criança não sabe que pertence à terra 
a sabedoria da criança é não saber que morre 
a criança morre na adolescência 
Se foste criança diz-me a cor do teu país 
Eu te digo que o meu era da cor do bibe 
e tinha o tamanho de um pau de giz 
Naquele tempo tudo acontecia pela primeira vez 
Ainda hoje trago os cheiros no nariz 
Senhor que a minha vida seja permitir a infância 
embora nunca mais eu saiba como ela se diz 

Ruy Belo, in 'Homem de Palavra[s]' 

quinta-feira, janeiro 07, 2016

Há por aí quem pense que sabe de vinhos?

Na Terça feira recebemos em Lisboa (num almoço no Jockey) uma personagem admirável.

Trata-se de um dos maiores especialistas mundiais em vinhos, antigo perfumista numa grande casa francesa e que mais tarde utilizou as enormes capacidades olfactivas para se transformar num dos melhores provadores e conhecedores de vinhos de todo o mundo.

É o Sr. Ralf Weinman. Pessoa essencialmente discreta, que apenas tem 20 clientes em todo o mundo (alguns nem divulga devido a serem facilmente identificáveis pela altíssima notoriedade) desde o Golfo Pérsico até à Alemanha ( sua terra natal),  passando pelos USA, Suiça e Reino Unido. Para esses "pobrezinhos" aconselha a comprar, constrói de raiz as caves de vinhos e ainda os visita regularmente para testar a evolução das garrafas.

Eu, que entre amigos achava que percebia alguma coisa de vinhos, levei nesse almoço uma "abada" ainda maior do que os 6 a 0 que o SLB e o SCP "ofereceram" na Luz e em Setúbal ontem à noite...

O "homem" sabe de tudo. Identifica os grandes anos de Porto Vintage no copo ( na Garrafeira Nacional já deixaram de fazer apostas com ele...Quando chegava e começava a brincar com o dono, "limpava" tudo). Explica os defeitos de certos vinhos atuais , mais feitos à base de processos químicos do que com arte e paixão.  E defende tenazmente a qualidade dos vinhos com muitos anos de garrafa, desde que bem feitos e armazenados em condições.  Adora os grandes brancos alemães, Rieslings e Gewürztraminer (Roter Traminer), com anos e anos de engarrafamento.  E se possível apenas compra garrafas Magnum. Desde que as haja...

No seu castelo na Alemanha possui cerca de 28 000 garrafas, entre as quais se podem encontrar as maiores preciosidades deste mundo vínico, desde os Romanée-Conti de 37  (25,000 usd) até aos míticos Bordeaux Médoc de 1961 (mais de 6,000 usd). Porto Noval Nacional compra dos modernos (fora o que lhe oferecem) várias garrafas de cada vez que sai. Dos anos antigos , tem todos.

É tão esquisito no sabor das coisas que mete na boca que faz o seu próprio salami, a partir de porcos criados na Córsega, e tem duas variedades!

Trouxe para este almoço uma garrafa de litro e meio de Riesling de um pequeno produtor (na imagem). É um vinho admirável de 2011, que provámos em primeiro lugar à temperatura ambiente (cerca de 12º) e depois mais refrescado para 9º.  O mais fresco foi bebido em copo de boca mais larga e o mesmo vinho com mais três graus em copo de prova. Foi incrível a diferença que se sentiu.

O produtor chama-se Koelher Ruprecht. E é um vinho relativamente barato. Cerca de 60€ em Magnum.

Recusou um Mouchão moderno (enfim, de 2008) por ter um pequeno defeito . E do Dona Francisca Reserva Douro de 2012 tivemos que abrir 2 garrafas até se dar por satisfeito. Depois disse: "This bottle Ok.  Not excellent, but allright".

Foi um daqueles almoços que não se esquecem e que nos mete na linha da "perspectiva real das coisas"... Afirmar saber de vinhos ao lado deste monumento é como se um professor de física do liceu  se quisesse comparar com o velho Albert (Einstein).

terça-feira, janeiro 05, 2016

Dia de Reis em Aveiro



No  Auditório da Junta de Freguesia de Santa Joana  - Av. Afonso V,  Santa Joana,  3810-203 Aveiro - pelas 10H30, realiza-se amanhã ( Dia de Reis) uma sessão que deverá ser muito engraçada sobre o nosso último livro dedicado às crianças: a Magia das Cartas, de Margarida Fonseca Santos.

Terá a participação do Centro Social de Santa Joana Princesa onde um grupo de idosos e crianças irão recriar uma pequena peça de teatro de 40 minutos sobre este 1º livro filatélico da uma nova colecção : « A MINHA HISTÓRIA DE NATAL».

Irei com a Autora e faremos depois da peça uma sessão de autógrafos para os presentes.

Sobre este Dia de Reis recordo a história antiga que justifica serem apenas três os soberanos presentes na gruta do Menino Jesus. 

Aqui existem duas versões (para não complicar). 

A versão erudita bíblica  cuja fonte é o  evangelista S. Mateus e de onde se retira que  Melchior era rei da Pérsia. Gaspar , Rei da Índia e Baltazar, Rei da Arábia. De notar que para outros  estudiosos da Bíblia estes "Reis" seriam todavia simples seguidores de Zoroastro, estudiosos do céu e das estrelas.

E a da devoção popular que passou para os barristas dos presépios. Nesta última  a procissão dos Reis Magos queria representar a adoração por todos os povos da terra, mas como no início apenas se conheciam três continentes ( África, Europa e Ásia) os Reis convocados para estarem presentes nos primeiros presépios da época de S. Francisco,  foram apenas esses três - Melchior, Gaspar e Baltazar.
Depois dos descobrimentos portugueses e espanhóis houve barristas ( entre eles Machado de Castro) que não estiveram de modas e "meteram" mais um Rei mago no Presépio, representando a "América". Este apresenta-se nalgumas expressões formais montado num lama do Perú. 


segunda-feira, janeiro 04, 2016

De 2015 para 2016

Neste primeiro dia de trabalho do ano é normal pôr em primeiro lugar o que fizemos no ano passado, o que deixámos para trás  e ainda aquilo que queremos vir a fazer.

Do ponto de vista do trabalho foi um ano de 2015 muito bom.

Tivemos 3 prémios internacionais de design de selos e um prémio de edição, com possibilidade deste se transformar ainda noutra coisa maior e melhor, quando for o concurso mundial dos livros  "Gourmand"  na China.

* A folha comemorativa dos 500 anos de Vesalius (emitida em 2014) foi duplamente premiada em 2015 na categoria de impressão em relevo “Talhe Doce”. Teve um 3º lugar em Bruxelas e foi considerada a melhor do mundo (1º lugar) em Madrid.
* Grande Prémio ASIAGO 2015 categoria Turismo (em Vincenza, Itália), atribuído à emissão “Instituto Geofísico de Coimbra” de 2014:
* O Livro “Viver Portugal com o Mediterrâneo à Mesa”, de Fortunato da Câmara, foi considerado o Best Mediterranean Cuisine Book de 2015 em Portugal, e ficou qualificado para competir com os restantes livros internacionais (vencedores "Gourmand" em cada país) dentro da mesma categoria, mas a nível mundial.

Aliás, a "colheita" de 2015 dos nossos livros foi de grande qualidade. Recordo aqui os títulos e autores:
“Conversas de Café” , de Fátima Moura;
Motorizadas Portuguesas de 50cc”, de Pedro Pinto.
“Viver Portugal com o Mediterrâneo à Mesa” , de Fortunato da Câmara
“Do Mar Oceano ao Mar Português”, coordenação de Mário Ruivo
“O Meu Álbum de Selos 2015”, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada
“A Magia das Cartas” , de Margarida Fonseca Santos
“ Portugal em Selos 2015”, de Jorge Martins

Conseguimos editar 7 livros num ano. Livros feitos à moda antiga, com cuidados especiais em todos os processos de fabrico, impressão e acabamentos de gama alta e (obviamente) textos a condizer com tudo isto.  É obra!

Também homenageámos condignamente José Pedro Martins Barata e seu pai, o mestre Martins Barata, com uma exposição e catálogo a eles especialmente dedicados. Uma justíssima vénia aos pais  artísticos da moderna filatelia em Portugal.

Para 2016 posso levantar a ponta do véu em relação a alguns aspectos da nossa actividade

Em primeiro lugar será o ano em que celebramos os 50 anos das exposições filatélicas  LUBRAPEX, as bilaterais (Portugal-Brasil) mais antigas do mundo e que são hoje abertas a toda a lusofonia. Esta LUBRAPEX dos 50 Anos será em Viana do Castelo, entre 25 de Abril e 1 de Maio.

Vamos editar os seguintes Livros Temáticos:
 . "A Rota das Catedrais" de António Saraiva
 . "Jesuitas, Construtores da Globalização" de José Eduardo Franco e Carlos Fiolhais 
 . "Simetria Passo a Passo: Um olhar sobre a Calçada à Portuguesa", de Ana Cannas da Silva
 . "Vinhas Velhas de Portugal", de Carlos Antunes e Anabela Trindade

Sobre as emissões de selos podemos dizer que se tratará de um ano com ênfase na diplomacia filatélica, já que fomos solicitados para fazer Emissões Conjuntas com a Índia, Vietname, Filipinas, e França.  

Também a Alemanha e a Áustria nos pediram para se associarem a Portugal em 2016 numa emissão de tema comum dedicada aos "Santuários Marianos da Europa".Com esta emissão começamos a abordar os 100 anos das Aparições em Fátima, com data marcada para 2017 e visita papal prevista.

2016 será ainda o ano em que começam a sair os selos comemorativos dos 500 Anos do Correio em Portugal, num conjunto de 5 edições entre 2016 e 2020, em princípio todas elas desenhadas à moda antiga pelo pintor Carlos Possolo.

Mais novidades interessantes vamos ter. Por exemplo, uma emissão dedicada à "Industria Conserveira Portuguesa", no âmbito da qual queremos fazer uma edição especial de selos que serão apresentados ao público dentro de latas de conserva especialmente fabricadas para este efeito...

Bom ano para todos , sobretudo para os que se interessam por esta antiga actividade da emissão  de selos  e da edição de livros.