domingo, maio 24, 2015

A semana que entra e o mês que sai...

Na semana que começa daqui a bocadinho tenho a vida ocupada fora de Lisboa. Vou a Braga reunir com os responsáveis do Theatro-Circo (centenário este ano) e ainda com o Sr. Director do Seminário Menor, que leva já 90 anos a formar sacerdotes.
Resultado de imagem para restaurante arcoense braga portugal
Combinei já uma "visita" ao clássico restaurante "Arcoense", uma das catedrais de Braga. E direi como se passou. É sempre um regresso que costuma ser épico... Espero que nessa altura já possa trincar.  Por enquanto estou a dieta de "meios sólidos"...

Depois é a entrega dos Prémios AHRESP de 2014 - Venho a correr de Braga para chegar a tempo.

Antes da partida para a velha cidade romana do Sr. Augusto, na Segunda Feira, tínhamos combinado um arrozinho de línguas de bacalhau na Horta. Fugirei para lá assim que acabar a cerimónia do Carimbo Comemorativo no Picoas Plaza ligado às questões da Sustentabilidade Ambiental. E, de novo, espero bem que a p*** da cirurgia ao maxilar me permita apreciar a mestria da Paulinha.

Um gajo (moi) confia nos cirurgiões-dentistas quando nos dizem que se tratava de uma "pequena cirurgia", coisa simples... Mas  depois de estar feita e de duas horas a escarafunchar na boca da vítima, lá acabam por dizer:
"- Olhe, tome antibiótico e anti-inflamatório durante 7 dias e evite coisas quentes e frias. Coma , digo, beba líquidos..."

Um raio que os partisse a todos!!

E , já agora, devo dizer e declarar que a boca de um gajo não está feita para lá mexericarem duas mãos e dez dedos, nem dez minutos, quanto mais duas horas!!

Pôrra! Vão raspar os pêlos das pernas das legítimas com uma faca de cortar pão!! Da-se e Carago!!

Pronto. Já desabafei.

 Cabr***!

Já desabafei outra vez.

Finalmente, a partir de 5ª Feira tudo volta à vida normal e é de esperar que haja um Post nesse dia, dando notícia de tudo o que se vai passando.

As fotos no Face podem ir dando uma ideia desta vida airada.

Abraços e Beijos, consoante o sexo dos leitores e a permissão que derem.

sexta-feira, maio 22, 2015

Para Descansar a Vista


Num País onde cada vez se fala mais ( e mal) dá gosto ler meu Mestre Eugénio de Andrade.
Desta vez às voltas com um cão. Que saudades do Pinas...

 Oiço falar

Oiço falar da minha vocação
mendicante e sorrio. Porque não sei
se tal vocação não é apenas
uma escolha entre riquezas, como Keats
diz ser a poesia.
Desci á rua pensando nisto,
atravessei o jardim, um cão
saltava á minha frente,
louco com as folhas do outono
que principiara e doiravam
o chão. A música,
digamos assim,
a que toda a alma aspira,
quando a alma
aspira a ter do mundo o melhor dele,
corria á minha frente, subia
por certo aos ouvidos de deus
com a ajuda de um cão,
que nem sequer me pertencia.

 

quinta-feira, maio 21, 2015

AHRESP (e Arroz de Galinha)


Ontem estive a trabalhar na Comissão de Honra dos Prémios da AHRESP de 2014.  Teremos novidades sobre as escolhas no dia 27 de Maio, na Gala de atribuição dos ditos prémios.

Foi engraçado acompanhar os trabalhos e defender as nossas “damas” perante gente muito empenhada (todos os corpos dirigentes da AHRESP) e conhecedora. A organização do evento, muito profissional, esteve a cargo da GreenMedia.

E teve o patrocínio da Nissan, que nos possibilitou os seus novos veículos eléctricos “Leaf” para irmos almoçar ao Solar dos Presuntos, local onde (por acaso).  estava a malta do Glorioso completa . Tiraram-se fotos com o Jorge Jesus, perguntando-lhe se já tinha assinado com o Sporting… Disse que não.

Restaurantes e Hotéis são um bom sítio para cumprir o prometido e dar a receita do meu “Arroz de Galinha à Antiga”:

A matéria-prima é fundamental. Não se pode fazer um bom arroz , sápido e envolvente, com frangos de aviário. Por isso, comprem no mercado uma galinha das verdadeiras, com penas e tudo. Depois de limpa ponham-na a cozer numa panela com metade de um bom chouriço de proveniência exemplar. A outra metade é cortada às rodelas em crú e vai servir para decorar o tacho do arroz, tostando-a por cima no forno. Na panela podem deitar um fiozinho de azeite, sal, e pimenta preta.

Depois de cozida coam e aproveitam o caldo.

Fazemos de seguida uma puxadinha para fritar o arroz: cebola fininha e alho aos pedacinhos, mais um bocadinho de sal, bom azeite. Em estando alourado refrescamos com vinho  branco e metemos duas colheres de sopa de molho de tomate (já sabem que eu gosto do Barilla Olive) e uma lata de rodelas de azeitonas depois de escorrida.

A Galinha pode ser entretanto limpa de peles e ossos, para introduzir as lascas  no tacho do refogado. Ou então e para quem preferir, pode ser  simplesmente partida aos pedaços , mantendo a “vestimenta” de origem.  

Gosto ainda de introduzir no refogado um bom naco de presunto de qualidade, cortado em pedacinhos.

Apura ainda tudo por uns minutos sem introduzir o arroz.

Deita-se o arroz no tacho – que deve ser largo e de fundo bem espesso -  mexe-se bem e frita-se uns 2 minutos. Depois espevita-se o lume e entra o caldo de cozer a galinha.

Como queremos que vá ao forno mas nunca que seque em demasia, mantendo a desejada sapidez, a proporção de caldo para arroz deve ser de quase 3 para um.

Durante a cozedura testem o tempero de sal  pimenta.

Estando o arroz cozido ( e o forno previamente aquecido) destapa-se o tacho, introduz-se no forno com as rodelas de chouriço por cima e retira-se quando o chouriço estiver tostadinho.”

segunda-feira, maio 18, 2015

Alegrias peculiares


Resultado de imagem para SLB BicampeãoA alegria pode e deve ser contagiosa, mas não creio que nos “manuais de procedimentos” esteja alguma coisa escrita em como a mesma alegria deve evoluir para o vandalismo, a destruição e a pancadaria…

O SLB é BiCampeão! Vivas e barretes lançados ao ar! Abraços e beijos! Tudo a que temos direito!

Mas porquê estragar o que já é muito bom com bebedeiras descomunais, mijo na via pública, tapetes de garrafas partidas,  tiro ao alvo com pedras aos agentes, roubo e destruição de propriedade alheia?

Custa-me a compreender. Deve ser a idade…

E mesmo que entenda que este fenómenos do comportamento “bestial” das claques e das “juves” são transversais ao mundo do futebol e comuns a qualquer emblema, quando se  passa com a malta do “meu clube” fico mesmo lixado. Para não dizer outra coisa…

O comportamento dos grupos potencia sempre o desvario individual. E quer um quer o outro são muito influenciados pela copofonia.

Tenho a felicidade de viver num bairro muito calmo do Estoril. Mas como estamos relativamente perto da Escola de Hotelaria, quando há praxes ou outras movimentações académicas a malta da batina (por noma sossegada e estudiosa) deixa destapar o controlo emocional e vêm em bandos para as ruas perdidos de bêbedos, interrompendo a passagem de carros e de pessoas, deitando-se na via pública, fazendo as necessidades onde calha.

Tudo porque temos um café de bairro que faz o seu negócio vendendo álcool a rodos nestas ocasiões. Pede-se a intervenção da Guarda, já que existe a presunção que muitas das miúdas e miúdos que vimos naqueles preparos não têm ainda idade para beber.  O dono do café diz que o “desgraçam”, faz olhos carinhosos e deixam tudo em banho-maria até à próxima vez…

Terminada a “happy hour” a malta estudantil retoma a sua habitual tarefa de estudar. Andam envergonhados uns dias, mas logo passa.

São inevitabilidades do mundo moderno, dirão os mais experientes e sábios. Pode ser que sejam, mas não somos obrigados a gostar daquilo.
Eu não gosto!

sexta-feira, maio 15, 2015

Para descansar a vista

Há já algumas semanas que me tenho baldado ao poema das Sextas-feiras. Aqui me tento hoje redimir.
No dia em que se soube da morte de B.B.King (deixando a sua guitarra Lucille ”viúva”) dei por mim a pensar como têm semelhanças os Blues e o Fado.


Nem tanto na estrutura musical ou poética, mas sim na forma como são utilizados para “cantar a desgraça” ou adormecer a dor.


Se o Fado nos chegou do Brasil (defesa da origem afro-brasileira é  de Ruy Vieira Nery) e o Jazz em geral (com os Blues em particular) têm génese nas plantações de algodão (música de escravos) é possível pensar que as raízes profundas de ambas as expressões musicais estão em África.


Para rever o grande blues man: http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=video&cd=8&cad=rja&uact=8&ved=0CD4QtwIwBw&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D4fk2prKnYnI&ei=C59VVfXzBsSE7gbY8oHYDA&usg=AFQjCNFtIPxHbVkM3CD0n31m_k25EUhiQg&sig2=YnAlRqnmUfYtaIH5c4Xo-A&bvm=bv.93564037,d.ZGU

De um grande letrista do Fado – Pedro Homem de Mello – aqui fica um belo poema sobre o destino:
 

Fado
Porque é que Adeus me disseste
Ontem e não noutro dia,
Se os beijos que, ontem, me deste
Deixaram a noite fria?


Para quê voltar atrás
A uma esperança perdida?
As horas boas são más
Quando chega a despedida.


Meu coração já não sente.
Sei lá bem se já te vi!
Lembro-me de tanta gente
Que nem me lembro de ti.


Quem és tu que mal existes?
Entre nós, tudo acabou.
Mas pelos meus olhos tristes
Poderás saber quem sou!


Pedro Homem de Mello
Fandangueiro (1971)
In Poesias Escolhidas
Lisboa, INCM, 1983

quinta-feira, maio 14, 2015

Agulhas, ricos e camelos

Continuo lutando para me adaptar ao novo “aparelho”, sobretudo por ter um minúsculo écran de 13”, levezinho para transportar mas pouco prático para escrever durante horas a fio. Já vem a caminho um monitor de 20”. Até chegar estes posts serão mais pequenos.
O novo sistema operativo também não ajuda muito… Mas aqui a grande variável influenciadora é a PDI! Com o aproximar dos 60’s a malta começa a ter traços evidentes de rato toupeira. E o mundo desata a ficar cada vez mais longe. E desfocado…
Evidentemente que esta situação que envolve um queixume  traduzirá problemas de “abundância” – tal como o Jacinto de Paris, cuja melancolia perene se deveria a uma crise  de “Fartura” que o atacara desde que nascera no seu berço de ouro.
O gajo (moi) teve direito a um notebook do melhor e mais moderno que se pode comprar e ainda se queixa!
Pois queixo…Pena não ser um MacBook…
Se calhar ainda existirão portugueses cujo maior dilema na vida é a escolha da côr do Porsche ou a insuportável angústia associada a terem que decidir  entre as Maldivas e as Fiji para uma quinzena de férias…
Mas serão poucos.
A maioria tem de escolher entre o par de sapatos e as actividades extra-curriculares lá na escola dos putos.
Enquanto que muitos dos nossos velhos tomam os medicamentos dia sim, dia não, para fazer render a receitazinha.
Vivemos um tempo de apelo desenfreado ao consumo selectivo, onde se corta na comida para gastar na boutique,  a magreza é estatuto social e onde o mais importante parece ser o que se mostra e não aquilo que se é.
Pobre ou sem-abrigo é para esconder nos ghetos. “Quem os deixou vir para aqui?”
E a presunção da riqueza – apesar de BPN’s, BES,  PT’s e muitos outros etc… - continua a ser passaporte para muito vadio.
O Papa Francisco disse no Brasil: Queria bater em cada porta, dizer bom dia, pedir um copo de água, beber um cafezinho, mas não um copo de cachaça…
Todos temos que traçar um limite… Seja na cachaça ou noutra coisa supérflua qualquer.


terça-feira, maio 12, 2015

Novidades

Em Madrid correu tudo bem, mesmo incluindo a manif das Comissiones Obreras, a entrar pela cerimónia oficial dentro e a impedir a clássica carimbadela dos selos dos dinossauros dos colegas espanhóis, que muito amarelos ficaram com a ocorrência...






O Senhor Secretário de Estado, avisado a tempo do protesto, nem saíu do "coche".




Estive pouco tempo na cidade - que muito "me gusta", já agora - e o almoço foi oferecido pelos colegas, pelo que pouco adiantarei por cortesia.






 Almoçámos numa casa chamada "El Caldero", com cozinha típica de Murcia. Boa morcela de sangue, arroz de marisco assim-assim.






Antes tinha passado por uma casa de tapas - muito justamente chamada "El Cartero" - onde aviei uma sandes de Jamón pata negra e uma caña, por  isso às 14.30h a fome já não era muita.






Resultado de imagem para Selos do LinceOntem estive em Setúbal, para reunião na Câmara Municipal onde se debateu o programa do dia do Concelho - 15 de Setembro, Dia de Bocage. Estaremos presentes  com o  selo dedicado aos 250 anos do nascimento do grande Elmano Sadino. Com sobrescrito especialmente desenhado para a ocasião e carimbo a condizer.



Almocei na Taberna 490. Situada no número 490 da Av. Luisa Todi. Propriedade de uns amigos que conheci na Horta esta casinha tem muito que se recomende, como podem ter visto ontem pela "reportagem" no Face.






Ontem também foi o nosso primeiro Dia Aberto da Filatelia!!


Desde as 8.00h até às 18.00h recebemos os nossos clientes nas instalações da Rua João Saraiva, para falar com eles, para que eles pudessem carimbar as suas próprias peças , etc... Tínahmos um carimbo comemorativo desse dia também.


Mais de 50 fizeram as honras da casa. E ao fim do dia a felicidade de todos, dos que nos visitaram e do nosso pessoal era visível.





Vamos concerteza repetir.









quarta-feira, maio 06, 2015

Em Madrid. Olé!

Parto para Madrid para assistir à inauguração da XVIII Feria Nacional del Sello, onde Portugal ( e os Correios) são país convidado este ano.

Podem ver aqui mais detalhes sff:

http://www.anfil.org/

O tema da Feira de 2015, escolhido para atrair "los chicos", serão os Dinossauros. E nós vamos levar duas emissões para lançar nos dias do certame: as Etiquetas MAV's "Dinossauros que habitaram Portugal" e a emissão de selos comemorativos "Caminhos Portugueses de Santiago de Compostela".

Logo darei notícas via facebook do que por lá se passar. Incluindo "las comidas, por supuesto"!

Próximo Post na Sexta Feira ( se chegar a horas) ou então na Segunda Feira seguinte.

terça-feira, maio 05, 2015

O Jesus e o Lobo (Lopo?)

Julen Lopetegui Argote. Assim se chama o jovem treinador do FCP.  É um basco, nascido em Ateasu, Província de Guipuzcoa.

Os bascos são um povo admirável, antigo de milénios. A sua região - Euskaldunak - abrange  Navarra e País Basco em Espanha e ainda parte do Iparralde, em França. Têm uma língua própria, usos e costumes específicos.

O nome deste basco não é muito fácil de pronunciar para português normal de Lineu. Imaginem para o Sr. Jorge Jesus, treinador magnífico (para certas pessoas) mas com alguma dificuldade em dominar o idioma de Camões.

 Não direi que a sua dificuldade seja semelhante à do conhecido Paulinho dos Charters, actualmente a vender rebuçados "para a tosse" na TV, mas quase.

O homem que "empulga" os jogadores, acha que certas matérias não se discutem porque são do "forno interno do clube" e deixa a conhecida ordem para a táctica: "Vocês os quatro formem para aí um triângulo"...

Estamos a falar, se bem se lembram, do homem que depois de levar 3 a 0 do PSG confundiu na entrevista o Ibrahimovic, avançado que marcou dois dos golos, com Abramovich, dono do Chelsea.

Não acho bem que o amigo Lopetegui tenha vindo tirar desforço desta dificuldade. Seria quase como se fosse bater na avó. Sua, dele.

Deixem lá o jogo nas 4 linhas e  não se faça o Jesus maior "bode respiratório" do que aquele que já é.

Mesmo assim ganhará o campeonatozinho este ano (digo eu).  E isso, caros sócios, deve custar a muita gente. Não só aos  bascos, mas também aos "alvaladenses", bracarenses, vimaranenses e outros que tantos...

É a vida.


segunda-feira, maio 04, 2015

Provar, degustar ou comer? Depende da fome...


"Degustar" é um francesismo ( mais um) que nos chega da Roma antiga via Paris. Significa "avaliação atenta através do paladar" ou ainda  «experiência aprazível de caráter sensorial».

Nesse sentido é semelhante a "provar". Difere do "Comer" porque se ao provares não te agradar a mistela, já não terás de engolir. Comer implica continuidade, provar implica que primeiro há uma escolha.

"Pitance" - já que estamos numa de gaulicismos -  era o termo francês medieval para uma  dose de comida, normalmente fornecida aos trabalhadores do campo.  Se fosse apaladada era "bonne pitance", se nem por isso, poderia ser "maigre pitance". Mas aqueles eram os tempos em que - boa ou má, saborosa ou não -  todos engoliam.

Porque não se sabia o que traria o dia de amanhã...

A carência era tanta que "Bonne"  tanto significava "abundante"  como "saborosa"; enquanto que "Maigre" tanto era entendida como sendo "dose pequena" ou "comida mal feita".

O "pitancier" era o monge que distribuía a ração aos confrades lá no mosteiro ou convento. Não confundir com o cozinheiro!

Comprende-se assim que o "gosto pela comida",  a "valorização do degustar", é uma actividade que hoje se democratizou mas que nasceu junto das classes mais endinheiradas.

Quando Jean-Anthélme Brillat-Savarin escreveu   "La Phisiologie du Goût" (1825) - considerada a obra inventora da ciência e da arte da "gastronomia" - dirigia-se às classes altas. No seu famoso segundo aforismo:

"Les animaux se repaissent ; l'homme mange ; l'homme d'esprit seul sait manger."

Deveria ter posto um asterisco na palavra "homme d'esprit". Explicando que se tratava do homem com cabedais e dinheiro para trocos. Os outros homens tinham corpo mas  não teriam "esprit". Serviam para trabalhar e comer a referida "pitance".

Provar, degustar? Era para o proprietário. O trabalhador comia. Quando tinha sorte. E sem fantasias.

Ou não? 

Ouviram já falar de catacuzes, carrasquinhos, espargos verdes e azedas ?  Plantas dos campos que hoje são luxos, mas ontem eram comeres dos pobres? E com as quais se faziam verdadeiras obras primas da culinária regional?

Ou da forma como o camponês alentejano, com azeite e  água, coentros e alho , sal e pão duro faz um prato admirável que é a "Açorda"?

Haja imaginação. Mas dentro da razão. Porque, ontem como hoje: "Come o que tens e não o que sonhas".

quinta-feira, abril 30, 2015

O Lince Ibérico

Lançamos hoje, no CCB, a 2ª emissão que dedicámos ao "Lince Ibérico". Foi feita pelo Prof. Fernando Correia, um dos mais conhecidos ilustradores científicos da actualidade.

Desta vez a pretexto da sua reintrodução no nosso país.

Já em 1988 tínhamos feito uma outra emissão - desenhada pelo José Projecto, a quem envio um abraço de muita amizade - tendo por base tratar-se  naquela altura ( e ainda hoje) de uma espécie em vias de extinção.

Em 1988 era nosso propósito obtermos o ambicionado endorsment do WWF, o que faria multiplicar as vendas daqueles selos.

Para isso a espécie tinha que ser aceite (estando no cadastro WWF das que se encontravam em vias de extinção) e, obviamente, tinha que se comprovar que ainda existia no país.

E aqui é que " a porca torcia o rabo"... O íntegro biólogo que a Secretaria de Estado do Ambiente e Recursos Naturais ( daquele tempo) encarregara de nos dar assessoria técnica nesta matéria não estava muito convencido:

 - "Dr. Raul Moreira, olhe que o bicho não tem avistamentos em Portugal há mais de seis meses..."
 - "Mas Professor, isso é por causa de serem poucos e a Serra da Malcata também  está quase despovoada...Quem o poderia ver?"

Só me faltava argumentar que os "malcatenses", para além de serem poucos, sofriam de miopia congénita geral, ou outra coisa assim...

Na expectativa do probo biólogo (Dr. Castro Henriques) não assinar por baixo a nossa escolha da espécie - aqui para nós muito mais sexy do que o pássaro "priôlo" ou do que o peixe "saramugo" - foi necessário recorrer à dialéctica, utilizando o método socrático - de Sócrates, o velho, não confundir com o novo, embora ambos estivessem presos.

E lá consegui convencer o nosso biólogo que o lince e a sua família até podiam pernoitar (ter o apartamento) em Espanha. MAS nada impedia - e seria impossível provar - que não se deslocassem a Portugal nas suas viagens diárias em busca de alimento.

Caramelos e latas de melocotón de lá para cá, café de cá para lá ( neste caso coelhos).

A Emissão fez-se. O Presidente de Honra do WWF ( O Príncipe Filipe, Duque de Edimburgo) gostou tanto que mandou dizer ser a "mais bela" das dezenas daquele ano  que tinham o símbolo do WWF impresso.

Os colegas e amigos dos correios  espanhóis  não gostaram da nossa antecipação (queriam o lince e o WWF também nos seus selos) e vingaram-se.

Anos mais tarde lançaram uma emissão de selos dedicada a ...Viriato: Lusitanorum Rex e herói da Hispânia.

Ainda tenho essa emissão atravessada na garganta. Toscos e vingativos!

terça-feira, abril 28, 2015

A 1ª Guerra: Comemoração ou Evocação?

Andamos nisto dos selos há alguns anos. "Andamos" os Srs filatelistas mais antigos e eu próprio.

Por isso não posso vir aqui dizer disparates do tipo "não se comemoram mortes em selos" , ou "não se celebram guerras na filatelia nacional".

É mentira.  Mortes e Guerras foram retratados em selos, desde sempre.

Uma das primeiras emissões temáticas nacionais foi a de 1931, celebrando os "900 anos da morte de Santo António". E mesmo que quiséssemos fazer excepção do caso dos Santos ( que na doutrina católica começam a viver em plenitude de graça desde o dia da sua morte) o azar é que logo a emissão seguinte de 1934 foi a que celebrou o "4º Centenário da Morte de Gil Vicente" o qual ainda não foi canonizado. E mais ainda: Alexandre Herculano, Pedro Hispano (João XXI), etc, etc...

E sobre as Guerras? Muitas emissões se fizeram: A Tomada de Lisboa aos Mouros (essa malta desprezível...); A Tomada (definitiva) de Coimbra aos Mouros (outra vez esses gajos! E relapsos!); A Tomada de Évora ( é preciso dizer a quem foi tomada??).

Acontece que por estes dias se evoca a Grande Guerra 1914-1918. Portugal entrou na guerra oficialmente em 1916, embora o 1º soldado apenas tivesse pisado o teatro de operações em 1917.

Merece um selo esta efeméride? Ou não? O início da guerra ou as declarações de guerra não me parecem elementos "comemoráveis" no sentido explícito do termo.

Mas talvez fosse possível evocar neste longo período que vai de 2014 a 2018 o centenário do acontecimento de indesmentíveis efeitos e consequências globais  que foi a WWI.

Nas palavras do Sr.Tenente General  Mário Cardoso, Presidente da Comissão Coordenadora da Evocação do Centenário da 1ª Guerra Mundial , estaria em causa nunca celebrar a Guerra, mas antes:

 "Evocar o sacrifício dos portugueses chamados a lutar por objectivos entendidos como nacionais. Sacrifício feito naturalmente por soldados, mas partilhado por toda uma rectaguarda onde está incluído todo o Povo português".

E aqui, nesta forma de tratar o assunto  já eu me revejo. Evocar para nunca esquecer o que se passou , pois o esquecimento levou à WWII, como todos sabemos.

Merece um selo? Digo que sim. Na oportunidade adequada. E já agora, não deixem de consultar este site:
http://www.portugalgrandeguerra.defesa.pt/Paginas/default.aspx

segunda-feira, abril 27, 2015

Entre cravos e outras andanças

Sexta feira de autógrafos acompanhando a Fátima Moura e o nosso livro "Conversas de Café", por Coimbra e Leiria, com paragem no sempre notável "Manjar do Marquês" para recompor.

Mestre Paulo e Dona Maria de Lurdes continuam em grande, fazendo do seu restaurante um oásis de bem estar naquelas paragens. Com três gerações presentes na sala a responsabilidade é cada vez maior. Pede-se à neta (e filha) que saiba aprender e continuar o trajecto que começou - antes do 25 de Abril - num balcão de apoio a uma estação de serviço da Shell... Quem se lembra desta primeira paragem?

Já publiquei as fotos das sessões  no café "Santa Cruz" ao lado do "repouso do guerreiro" ( é o caso) e no "Espaço Eça" (Leiria). Ambas as casas são notáveis , cada uma à sua maneira. E a simpatia com que somos recebidos não cessa de me espantar.

Ali e noutros lados...

Os CTT têm uma magna reserva de credibilidade e de good-will no que respeita aos contactos com as pessoas, por esse país fora. Foram centenas de anos a respeitar os outros para sermos respeitados.

 Tomaram muitas organizações possuirem tão extraordinário "pé de meia"!

Mesmo sabendo que assim é fico sempre agradavelmente surpreendido por ver.

E agradeço: Muito obrigado!

Logo a seguir foi o Dia da Liberdade. Mais um ano a celebrar o "25 de Abril".

Desta vez a Região Autónoma da Madeira associou-se!  Saúda-se o bom senso dos responsáveis do actual Governo Regional, finalmente pondo fim a uma cega-rega que parecia birra infantil.

E como faltou poema na sexta, aqui vai o elogio em forma de verso que a importância da efeméride aconselha.

De Edmundo Bettencourt uma lufada de ar fresco, livre como o vento:

Ar Livre

Enquanto os elefantes pela floresta galopavam
no fumo do seu peso,
perto, lá andava ela nua a cavalgar o antílope,
com uma asa direita outra caída.
E a amazona seguia...
e deixava a boca no sumo das laranjas.
Os olhos verdes no mar.
O corpo em a nuvem das alturas
- a guardadora
da sempre nova faísca incendiária!

Edmundo Bettencourt - Antologia Poética



quinta-feira, abril 23, 2015

Os Livros

O Dia Mundial do Livro celebra-se esta semana. Nalguns países foi ontem, noutros será hoje.
Poder dizer bem dos livros e da leitura nem é dever ou obrigação. É um autêntico prazer. Neste caso relembro o Poeta e a fala do Gama ao Rei de Melinde:

“Mandas-me, ó Rei, que conte declarando
De minha gente a grão genealogia:
Não me mandas contar estranha história,
Mas mandas-me louvar dos meus a glória."


Tal como o Dom Vasco sinto-me com o peito inchado por escrever um Post a louvar o livro .

Existem várias ( e muito americanas)  listas de razões pelas quais devemos ler. Uma das mais engraçadas foi escrita por uma mulher e podem ler aqui:

http://www.barnesandnoble.com/blog/10-reasons-we-read-other-than-because-reading-is-the-greatest/

Na minha forma de ver o mundo ler um livro  é como espreitar para dentro de outras mentes sem nunca corrermos o risco de nos expormos ou de observar a exposição nos actores (quando vemos cinema, teatro e televisão). Temos o prazer de "cuscar" à janela sem o opróbio de sermos descobertos.

Podemos ler duas ou três linhas e com elas construir um universo paralelo de faz de conta que nos embala para uma boa noite de sono. Guardando o resto do livro para o dia seguinte.

É a oferta ideal. Também é a mais perigosa das ofertas. Tem ideias dentro.

Neste mundo de reality shows e outras obscenidades, uma ideia original é das coisas mais perigosas que existem.

A prevalência de televisão  torna as pessoas de tal forma  opacas que quem é visto com um livro pela mão toma de imediato o rótulo de "intelectual". Que piada!

"Intelectual" era o antigo teórico da ciência, por oposição aos cultores das ciências práticas. Os filósofos por excelência. Também os grandes generalistas , as mentalidades abrangentes com interesses polifacetados em Arte, História, Literatura, Arquitectura, etc...

Infelizmente  o saber amplo e generalista, a ideologia e o estudo das humanidades estão cada vez mais fora de moda . Hoje deseja-se o imediato e o que dê menos trabalho. O pronto-a -qualquer coisinha.

Compreende-se que o livro esteja em decadência. Pelo menos na sua forma física. Até eu já leio em IPad muita coisa. Mas isso, como já aqui expliquei, é mais consequência da falta de metros nas paredes...

Gostar de ler e de livros não é apenas uma questão de paixão ou de emoção. A Ciência corrobora a necessidade de ler:

"The research, (...) showed that reading literary works cultivates a skill known as "theory of mind," which may be described as the "ability to 'read' the thoughts and feelings of others."

Fonte: o ubíquo HuffPost. Provavelmente leram isto nalgum livro...

quarta-feira, abril 22, 2015

A Formação

A minha gente da Filatelia era há muito considerada "relapsa" pelos colegas dos CTT encarregues das acções de formação. A malta dizia que sim, depois desenfiava-se, depois remarcava, depois tornava a não ir... E por aí em diante.

De tal forma que eu já não tinha lata de me cruzar no elevador com os tais colegas, um bocado farto das alfinetadazinhas que (cheios de razão) me pregavam nas costas. E como (graças a Deus) superfície  não me falta, imaginem a quantidade de buraquinhos minusculos que exibo lá atrás, entre o real assento e a nuca.

O falante ( neste caso escrevente) não ajudava nada a esta festa. Estou sempre pronto a dar formação (vício maldito de ter sido professor e que nunca me vai largar, até morrer). Mas quanto a estar na outra ponta do pau (salvo seja)? Não me seduzia muito e arranjava todas as desculpas possíveis para o desenfianço.

Isto tinha de acabar. Motivo pelo qual começámos ontem com uma acção de formação. A primeira de uma série que envolverá também (um pouco mais tarde) um "team building". A ideia é pôr a quase totalidade das 57 pessoas afectas à direcção a usufruir de sessões de formação fora das nossas instalações.

Et moi aussi!! Era o que faltava!

A não ser, está claro, que apareça alguma gripe...Se um gajo está doente tem desculpa Panair (esta já faliu. Foi antes da TAP)...

Alguém sabe onde se compram? As gripes? Apenas para referência futura, está Claro!

Por isso estes Posts podem sofrer algumas quebras de regularidade. A não ser que apareça a tal gripezita.


segunda-feira, abril 20, 2015

Para Descansar a Vista...À segunda feira

Estive em Fátima (Avé Maria!) na sexta passada, motivo porque apresento hoje aqui o habitual poema "das sextas".

Um poeta fora de classificações num dia fora do normal. Está dado o mote, fazendo com que ambas as escolhas ( a do poeta e a do dia) se acompanhem.

Mas haverá categorias para a poesia ?

No início da Poética, Aristóteles anuncia que vai falar da poesia e das suas “espécies”  - Poética, tradução de Eudoro Sousa (1994) -   podendo nós admitir deste texto que, segundo o Autor, a arte da poesia se concretiza em diferentes modalidades (géneros) a partir de um modo único de realização (mimesis).

Passados uns milhares de anos a "coisa" não será assim tão "taxativa" como o mestre dos antigos a quis apresentar. Há poesia que rima, a que não rima, a que parece prosa e a prosa que se lê como se fosse poesia... E depois? Bem, depois há os poetas que resistem a qualquer tipo de classificação.

Os outsiders.

Tomem  lá , se fizerem o favor, do poeta de rua brasileiro - Mário Gomes - esta proposta:

AÇÃO GIGANTESCA

Beijei a boca da noite
E engoli milhões de estrelas.
Fiquei iluminado.
Bebi toda a água do oceano.
Devorei as florestas.


A Humanidade ajoelhou-se aos meus pés,
Pensando que era a hora do Juízo Final.
Apertei, com as mãos, a terra,
Derretendo-a.
As aves em sua totalidade,
Voaram para o Além.


Os animais caíram do abismo espacial.
Dei uma gargalhada cínica
E fui descansar na primeira nuvem
Que passava naquele dia
Em que o sol me olhava assustadoramente.

Fui dormir o sono da eternidade.
E me acordei mil anos depois,
Por detrás do Universo.

Mário Gomes

Nota biográfica sobre Mário Gomes com chapelada ao Prof. João da Mata (UFRN)

 O poeta Mario Gomes  tem como lema a liberdade. Nascido em Fortaleza no dia 23 de julho de 1947. Anda maltrapilho pelas ruas pedindo de empréstimos o que comer e beber. Poeta maldito. Vive bêbado. Irreverente viajou diversas vezes ao Rio de Janeiro e Salvador para retornar em seguida à sua terra natal. Mário é doido! Mario é preso e escapa para ser preso novamente. Mário é livre e vive a poesia em estado de miséria. O autor de “Lamentos do Ego” é um poeta metafísico para quem a poesia é vital. A vida é altamente preciosa, mas não vale nada, diz o poeta defendendo tese.

O quadro Starry night é (obviamente) de Van Gogh , mais um outsider de génio.

quinta-feira, abril 16, 2015

Há Bóinas e Barretes


Temos um vizinho lá na Beira que nunca tira a bóina da cabeça. Em 34 anos que levo de frequência daquela terra não me lembro de ter visto cabelo ou careca ao vizinho, que obviamente tem por alcunha "o Bóino".

Ainda por lá anda, e bem, embora mais amparado para a enxada o que será normal para quem conta 40 anos em cada perna.

Nas primeiras vezes em que  meti pés e cabeça na serra não percebi bem a alcunha. E recordo-me de ter perguntado à minha mulher:
 - "Porque é que lhe chamam "o Bósnio"? Passam fome lá em casa? É por ser magro?"
Estávamos na época do grave conflito nos Balcãs, da guerra civil, o que talvez perdoasse a minha confusão.
 - "Não é Bósnio ! É Bóino!!"
 - "Bóino?? De bóina?"
 - "Sim, parece que saíu da barriga da mãe com ela já enfiada na cabeça. Nunca a tira. Nem entra na igreja para não ter de a tirar."

O "vizinho Bóino" tornava-se assim mais uma estranheza da província para o imberbe  sulista, a juntar à mania de "beber um branquinho antes do almoço, porque o tinto de manhã fazia mal" e daquela senhora que era "média" e que nunca devíamos olhar a direito nos olhos... Para não falar do "Ti Zé da Viúva, endireita que sabia mais de ossos a dormir do que os médicos todos do hospital de Seia, juntos e acordados".

Há quem julgue que a "bóina" será sobretudo decoração da cabeça.

Essa gente ainda admite que a "bóina"  também poderá assumir alguma funcionalidade ao nível da proteção do coiro (digo, do couro!) cabeludo, mas é esse um argumento que não os convence inteiramente. Protecção, dizem, é  função dos passa-montanhas, dos capacetes de motociclismo, das viseiras dos soldadores.

Uma "bóina" mal comparada seria assim um protótipo ( um projecto nos primeiros dias de gestação) do que mais tarde se pode vir a transformar num chapéu alto para ir a Ascot.

Evidentemente que quem tal pensa e tal diz corre algum risco com estas metáforas, não vá  dar de frente com algum amigo basco , gascão ou beirão...

Nesses locais a "bóina"  é uma espécie de “gravata” agrícola de honra, um substituto proletário do chapéu de feltro dos proprietários rurais e dos seus "sargentos". Uma "bóina" no Norte de Espanha é um símbolo de resistência ao franquismo.  Um orgulho local!
Para já não falar das aplicações castrenses em vermelho, castanho ou preto...

Lembrei-me hoje desta história do nosso vizinho "Bóino" porque se tomou mania habitual neste país julgar cada um pelo adereço ( a bóina) atribuindo-lhe mais importância do que o fundamental (a cabeça).

Num julgamento de suposto perito internético  sobre um restaurante que não menciono, porque tenho de experimentar em primeiro lugar para depois opinar, li que " se tratava de uma casa muito bem decorada, cheia de luz e de bom gosto. Serviço muito gentil e cordial. Excelentes copos e demais atavios sobre as mesas. Clientela bonita (seja lá isso o que for). Um Must para ver e ser visto!"

Continuando mais uns parágrafos neste tom.

"E sobre a comida?" Perguntarão vossas mercês ( e eu também).

Pouco. Pouquíssimo. Umas frases no sentido de que "É uma casa ainda em processo de crescimento, tem amplo espaço para melhorar. A vontade  de experimentação do jovem chef terá resultados garantidos dentro de pouco tempo."

Aqui quase que me apetece  interrogar "E aos costumes disseram nada? Não serão os críticos parentes do dono do restaurante?"

Para quem lê nas entrelinhas, neste restaurante investiu-se demasiado na "bóina" e um pouco menos nos "miolos".
E quanto à "vontade de experimentar do jovem chef"?
Com o devido respeito ele que vá experimentando com a família. Depois de estar treinado que venha então cá para fora mostrar o serviço.

Quem vê passar o nosso vizinho diz : -"Lá vai o bóino".

Mas antes levar a orgulhosa bóina empoleirada no cocuruto do que um barrete enfiado até às orelhas!

Digo eu.

quarta-feira, abril 15, 2015

El-Rei Anão

Em Elvas apresentámos o último livro da Fátima Moura "Conversas de Café", com direito à presença do Sr. Presidente da Câmara e Srª Vereadora da Cultura.  A sessão em Campo Maior foi adiada para outra ocasião, devido a questões logísticas com as listas de convidados.

A Fátima levou o "material" para fazer um cafézinho lá mesmo na Loja dos CTT, discorrendo sobre a matéria em que se especializou.

E depois almoçámos no "Lagar", casa simples e de bom acolhimento onde se pratica uma cozinha que nos dá ideia de estarmos em nossa casa. As "Migas" eram muito boas. O vinho da casa vem lá de baixo, de Pias e não desmereceu da região de origem. Embora melhor o branco que o tinto.

Naquele lugar era mister haver sericaia e ameixas em calda. E havia.  Boas  ambas.

Não sei quanto custou, porque a nossa colega Luzia fez a partida de se antecipar à continha... Mas estimo preços recatados. Se somarmos a isso doses grandes ( a perder de vista) então resulta daqui a recomendação para visitarem. 

Para mais a casa tem visitantes interessantes: mesas ocupadas por nuestros hermanos eram muitas. E noutra estavam os amigos do Grupo de Intervenção Protecção e Socorro da GNR (GIPS).

Mas tomem em atenção que se trata de uma casa simples, repito! Guardanapos de papel e papel nas mesas.

Como chegar?

Se derem com a estátua de El-Rei Anão (D. Manuel I) desloquem-se de forma a ficarem com a mesma à vossa direita. Depois é só descer a rua e indagar.

El-Rei Anão???!!!

Pois. Parece que o dinheiro para a estátua não terá sido suficiente e então fizeram o rei com metro e trinta ( mais ou menos...).

Por mim nada a dizer. Nunca gostei muito da criatura. Saiu-lhe a sorte grande. O D. João II deixou tudo feito e este aproveitou. E até casou com a prometida do malogrado D. Afonso, único filho do Príncipe Perfeito. 

Bem feito estares para ali em Elvas em propósitos de meia leca...


segunda-feira, abril 13, 2015

Não há descanso para os ímpios (moi)

Vim de  Bragança - onde tudo correu muito bem, grande qualidade da organização por parte do Museu do Abade de Baçal - e já hoje temos o Conselho Consultivo de Filatelia, para logo amanhã ir  para Elvas e Campo Maior para sessões de autógrafos e de apresentação do nosso livro "Conversas de Café"  da Fátima Moura.

O Senhor Comendador Rui Nabeiro fará as honras em sua "casa". No Centro da Ciência do Café, recentemente inaugurado.

Não me lembro se já lhes falei do nosso Conselho Consultivo de Filatelia?

É um órgão - rigorosamente "pro bono", sem qualquer tipo de remuneração -  que reune duas vezes por ano, para se pronunciar sobre a lista de sugestões que recebemos para emissões de selos e edições de livros.

Composto por membros proeminentes da sociedade civil, oriundos de diversas áreas do conhecimento, permite aos CTT que a decisão sobre a short list a apresentar à nossa tutela sobre aqueles assuntos seja devidamente fundamentada e apoiada.

E quem são os elementos deste Conselho? Por ordem alfabética:

 - António Costa Pinto (Historiador e Politólogo - ICS da Universidade de Lisboa)
 - Carlos Fiolhais (Físico - Universidade de Coimbra)
 - Guilherme d'Oliveira Martins (Presidente do TC e do Centro Nacional de Cultura)
 - Henrique Cayatte (Premiadíssimo Designer português)
 - Henrique Leitão (Historiador da Ciência - Universidade de Lisboa - Prémio Pessoa 2015)
 - Luiz Duran (emérito Director de Arte dos CTT)
 - Nuno Crato (Cientista e divulgador da Ciência).
 - Pedro Vaz Pereira (Presidente da Fundação Portuguesa de Filatelia).

Preside o Presidente dos CTT e, quando não coincide a presidência com a tutela da Filatelia,  participa ainda o Administrador que tem a área da Filatelia.

Eu organizo e secretario os trabalhos.

Estas sessões são muito interessantes. É admirável ouvir gente de tanta qualidade exprimir as suas opiniões sobre esta matéria. Que pena não poder escrever sobre o que lá se passa.

Talvez nas minhas memórias...


quarta-feira, abril 08, 2015

150 Anos do Abade de Baçal

Parto para Bragança, onde estarei amanhã e Sexta Feira, nas comemorações dos 150 anos do nascimento de Francisco Manuel Alves, Abade de Baçal.

Figura incontornável da região transmontana, grande arqueólogo, etnógrafo e historiador da terra e das suas gentes.

Textos escritos neste blog ficam reservados para a próxima Segunda Feira dia 13. Mas vou enviando fotografias dos locais onde vou parando para petiscar.

terça-feira, abril 07, 2015

A saga dos correios em Portugal

Em 2020 comemoram-se 500 anos da actividade postal organizada em Portugal. D. Manuel I criou o ofício de correio-mor do reino em 6 de Novembro de 1520.

Destes homens tomou nome este blog, criado em 2004.

Foram 11 Correios-Mor, contando com os 4 de nomeação real, até 1604, e com os hereditários da família Mata, a partir daí e até 1798. Modernamente o Estado Novo deixou que mais dois dirigentes dos Correios assumissem esse título: Couto dos Santos e Carlos Ribeiro.

Para evocar esta data - que poderá constituir uma das primeiras menções escritas a qualquer actividade de Estado em Portugal ainda no activo - preparamos um conjunto de acções , filatélicas e outras.

Hoje levanto um bocadinho este véu, referindo-me ao programa de selos, livros e de exposições.

-  5 emissões de selos dedicados a esta efeméride ( desde 2016 a 2020, inclusive):
Figuras da história postal (2 séries); A evolução da Marca CTT; Objectos que fizeram a história dos correios; O Futuro - CTT Sociedade Aberta.
-  Um Livro temático sobre os "500 Anos do Correio" que vai conter todos os selos das emissões em causa.
-  Uma exposição alusiva aos 500 anos no Dia Mundial do Correio – a inaugurar em 9 de Outubro 2020 e a realizar na FPC.

Para nos ajudar na coordenação deste projecto fizemos apelo ao Dr. Fernando Moura, antigo curador das colecções do Museu Postal e grande conhecedor da história dos CTT. Será dele o Livro e ainda a escolha ( em conjunto connosco) dos temas de cada selo.

Muitas outras manifestações serão anunciadas sem ser do foro exclusivamente filatélico. A pouco e pouco irei dando aqui conta deste assunto.


Gosto de planear estas coisas com tempo e com calma.  Para ansiedades de última hora não contem comigo.

Acresce que em 2020 farei 65 anos. Provavelmente este será o meu último projecto de relevo aqui nos CTT. Já agora , e se não se importassem, gostaria que saíssemos ambos  bem.


O projecto dos 500 anos e eu próprio!

segunda-feira, abril 06, 2015

Ouçam!! Que disto já não se faz...

A canção "Ouçam" (sempre me pareceu "oução" dada a ênfase no verbo dada pelo vozeirão do Eduardo Nascimento) ganhou um festival em 1967 e , pelo menos durante algum tempo, ficou no ouvido dos portugueses. Tinha uma letra um bocado primária  - o Vento a mudar e ela que não voltava, etc... - que me desculpe o poeta Magalhães Pereira pela observação, mas o refrão ficava connosco.

 Há dias  acordei com ela outra vez no ouvido. Em 1967 tinha 12 anos. O dia-a-dia era simples. Eu nos Salesianos, o meu pai a trabalhar no MOP, a mãe a ensinar telefonistas nos defuntos TLP.

O Celtic ganhou em Lisboa, na Luz o único título dos Campeões Europeus da sua história. Ganharam por 2 a 1 ao Inter de Milão.

E o Sr. Manoel de Oliveira, já com 59 anos,  não filmava longas metragens desde 1962, "castigado" pela nomenklatura que se tinha atrevido a contestar. A PIDE tinha-o "referenciado".

Para convencer a Gulbenkian a financiar o novo cinema português independente  era fundamental que Manoel estivesse nessa barca. Azeredo Perdigão (conhecido "patinhas" para estas coisas dos adiantamentos, essas modernices liberais), só assinava o cheque se "Oliveira concordasse em realizar um último filme".

Aliás, a possibilidade de Oliveira realizar um "último filme" parece que seria a moeda de troca para ele próprio chegar-se à frente e apadrinhar o núcleo dos "modernos realizadores à espera do subsídio",  que integraram depois o Centro Português de Cinema.

Meu mestre Bénard da Costa teria sido o "apóstolo" desta ideia junto do Dr. Perdigão.  E este, entusiasmado pela craveira de Manoel, fora a S. Bento pedir licença para avançar.

O que foi concedido. O que era para ter sido o "último Filme " de Manoel de Oliveira, "O Passado e o Presente",  estrearia em 25 de Fevereiro de 1972.

Depois desse "último filme" o jovem Manoel (que já tinha 13 filmes e documentários feitos em 1972)  ainda tirou para fora da sua funda cartola mais 30 (!!) longas metragens e mais 14 médias e curtas...

É obra? Não amigos leitores. São muitas obras!

Nota: Porque será que a malta do Governo só pensa na cultura quando morre um artista?? Ninguém falta ao funeral... Pôrra compadres que estamos em ano de eleições!!

quinta-feira, abril 02, 2015

Para Descansar a Vista...na Páscoa

Antecipemos o poema das sextas feiras por respeito para com o dia de amanhã.

Pela primeira vez há muitos anos não vou passar a Páscoa à Serra. As "anciãs" cá de baixo não me deixam "laurear a pevide" .

A "santa" lá de cima está pior do que uma barata tonta... Mas como em Junho tenho dois casamentos lá na terra ( e num deles serei padrinho) tudo se irá compor. Acho eu.
Resultado de imagem para Easter images
Como Páscoa significa "Passagem" lembrei-me deste clássico de Carlos Drummond de Andrade: Passagem da Noite.

É um poema que reflecte algum desânimo. Mas não há mal que sempre dure!

"Clara Manhã Obrigado! O essencial é Viver!"

Espero que gostem e desejo uma muito boa Páscoa a todos!!

É noite. Sinto que é noite
não porque a sombra descesse
(bem me importa a face negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim, o grito
se calou, fez-se desânimo.

Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro
e em noite nos dissolvemos.

Sinto que é noite no vento,
noite nas águas, na pedra.
E que adianta uma lâmpada?
E que adianta uma voz?

É noite no meu amigo.
É noite no submarino.

É noite na roça grande.
É noite, não é morte, é noite
de sono espesso e sem praia.
Não é dor, nem paz, é noite,
é perfeitamente a noite.

Mas salve, olhar de alegria!
E salve, dia que surge!
Os corpos saltam do sono,
o mundo se recompõe.
Que gozo na bicicleta!

Existir: seja como for.
A fraterna entrega do pão.
Amar: mesmo nas canções.
De novo andar: as distâncias,
as cores, posse das ruas.

Tudo que à noite perdemos
se nos confia outra vez.
Obrigado, coisas fiéis!
Saber que ainda há florestas,
sinos, palavras; que a terra
prossegue seu giro, e o tempo
não murchou; não nos diluímos.

Chupar o gosto do dia!
Clara manhã, obrigado,
o essencial é viver!

Carlos Drummond de Andrade