sexta-feira, setembro 19, 2014

Para Descansar a Vista

Quero hoje dar-vos um poema escocês, daqueles que mesmo só de o ler já estamos a ver os kilts esvoaçantes e a gaita de foles a marcar a carga sobre as colinas (Braveheart...).

Mesmo sabendo que ganhou no referendo a segurança da permanência no regaço materno de Sua Majestade Britânica...

Poesia é imaginação. Por isso estou-me marimbando para o resultado do referendo e levanto bem alto a saia do kilt em sinal de desprezo para os casacas vermelhas (deve fazer um frio do caraças. pois segundo a tradição os Highlanders nada mais traziam por baixo para aconchegar as partes...).

Robert Burns (1759 - 1796) é talvez o mais conhecido e apreciado poeta escocês de sempre.  Começou  a vida artística seguindo os preceitos do Romantismo, mas por causa dos princípios políticos que sempre defendeu em vida, é hoje considerado percursor dos movimentos liberais e socializantes do século XIX e XX. Em 2009 foi votado pelos seus conterrâneos como a maior personagem da história da Escócia.

Do grande Robert Burns, poeta e socialista avant la lettre,  aqui vai Red, Red Rose (os nossos cravos também são vermelhos):

O my Luve's like a red, red rose
That's newly sprung in June;
O my Luve's like the melodie
That's sweetly play'd in tune.

As fair art thou, my bonnie lass,
So deep in luve am I:
And I will luve thee still, my dear,
Till a' the seas gang dry:

Till a' the seas gang dry, my dear,
And the rocks melt wi' the sun:
I will luve thee still, my dear,
While the sands o' life shall run.

And fare thee well, my only Luve
And fare thee well, a while!
And I will come again, my Luve,
Tho' it were ten thousand mile.
                            

quinta-feira, setembro 18, 2014

Desabafos Gastronómicos

Nas minhas andanças culinárias tento conciliar as dietas alimentares de duas anciãs que já passaram dos 84 , de um galifão de 32 anos esfomeado e de uma pessoa de bom gosto e média idade (não confundir com a idade das trevas!) que tem de ser maestro desta orquestra de câmara..

Nem sempre é fácil. O "senhorio" o que quer é assados de forno, sobretudo carne. As velh** (digo idosas) o que querem é peixe... e o queima cebolas o que quer é que não lhe cansem a beleza mais do que o normal, preferindo por isso fazer arrozes, que sujam menos louça e (suprema virtude) evitam o ter de descascar batatas ...

Já houve Domingos em que tive de apresentar na mesa duas travessas (melhor dito, uma travessa e um tacho). Na travessa vinha um bife alto de atum grelhado com batatas cozidas com a casca, no tacho estufei garoupa e camarões com cenouras, alho francês e batatas.

Normalmente tento sempre a diplomacia de forma a que se alcance um compromisso: Carne ao Sábado, Peixe ao Domingo (porque tenho mais tempo).
Mas quando a "equipa sénior" decide ir às compras no Sábado, utilizando o motorista de serviço, e apesar disso quer comer às 12,30H?
Aí temos o caldo entornado... E muitas vezes comeram frangos assados do galego que se lixaram, porque eu posso ser muitas coisas, mas não sou (ainda) o super-homem.

A velh** (digo, a "idosa") mãe é mais esquisita de boca. Toda a vida teve quem lhe fizesse a comidinha e está mal habituada. No fim de semana passado recusou-se liminarmente a alinhar num arroz de carnes e couves à moda da Tia Alice (de Fátima), pelo que foi servida de dois ovos estrelados com salsichas...

E por que é que se  recusou a alinhar no arroz? Porque "nunca tinha comido tal coisa, e não come nada que não conheça...". Enfim...

O problema é que estas exéquias obrigam-me a planear os almoços dos fins de semana, coisa que abomino! Fim de Semana é para fazer na cozinha o que me apetece quando acordo.  E sorte tem a equipa abancadora na minha mesa da sala de jantar porque gosto de mexer nos tachos... Se não comiam era ***** ( não posso escrever).

Hoje é Quinta Feira. Logo à noite já me começam a chatear , "O que é que se come no Sábado? E no Domingo?".

Um prato de sandwiches de buracos de queijo sem pão! Mas isto é só da boca para fora...

No fim de contas EU também tenho de comer. E bem, porque estou em fase de crescimento (intelectual).

quarta-feira, setembro 17, 2014

A seca

Antes que os amigos pensem que endoidei de vez ( o que poderia acontecer neste mundo estranho onde vivemos) esclareço que a "seca" a que me refiro não é a da falta de água.

A águinha  de S. Pedro tem caído (não confundir com a "águiazinha" , a qual também caíu ontem no relvado, mas levantou-se, embora manca de uma asa).

Direi até que o santo das chaves adormeceu no Inverno passado, e se calhar ainda não acordou, motivo pelo qual as estações do ano andam um bocado baralhadas... Por mim tudo bem, por que já não me interessa muito ir a banhos de mar. O meu problema é mais com o vinho...Porque se chove na vindima temos o caldo entornado... Até lá, antes e depois, chova tudo o que tem que chover.

Mas não, amigos. A "seca" do título tem a ver com o sentido literário que era usado pelo mestre de nós todos, Eça de Queiroz:

-"Achei-me tão cansada, depois de jantar, veio-me uma preguiça... Mas então partires assim de repente!... Que seca! Dá cá a mão!"
(Os Maias)

"Seca" como coisa aborrecida ou entediante , ou ter de aturar uma pessoa maçadora e importuna.

Todos temos destas "secas", nuns dias mais, noutros dias menos... A mim acontece-me muitas vezes ter de sorrir sem vontade, ter de falar bem e de forma cortês quando o que me apetecia era virar as costas à pressa. São "ossos do meu ofício". Quem os não tem?

Ora "um caso se deu" onde a visão presunçosa do erudito sabichão alfacinha (moi) , já a adivinhar uma tarde  e noite de uma "ganda seca" , se virou contra o feiticeiro.

Num dia (já longe no tempo, era eu jovem ...) tive de receber um senhor norte-americano aqui nos CTT. Ele vinha bem recomendado, mas a forma como se apresentou no escritório era um bocado duvidosa: trazia o cabelo bem comprido, jeans e botas de cowboy de ponteira metálica (que eu nunca tinha visto, só nos filmes). Até tive para lhe perguntar se deixara o cavalo preso à entrada da Casal Ribeiro...

A criatura vinha  recomendada pelo nosso agente nos USA, Mike Buttler, que me dissera ao telefone se eu lhe podia apresentar um agente imobiliário. O "cowboy" queria comprar uma casita no Algarve perto de um campo de golf.

Estávamos numa época em que os cartões de crédito eram pouco utilizados (havia restrições às movimentações de dinheiro, impostas pelo Banco de Portugal) e  poucos teriam  visto em acção o American Express Platina, quanto mais um certo AMEX  Centurion (na gíria conhecido pelo "black card").

Levei o "homem" a jantar ao Reijos, na Rua Direita de Cascais, que era o restaurante preferido dos americanos na linha, local onde tinham "acampado" muitos dos engenheiros yankees que vieram para a construção da Ponte sobre o Tejo.

Nessa noite de assombro, começei logo por ver na mesa principal do Reijos, Sir Clive Sinclair (inventor do Spectrum). Era capa da Times e da Economist, pelo que dei logo pelo homem.

Depois, bem , depois foi quando o "cowboy" insistiu em pagar o jantar, e deu o tal blackcard ao meu amigo António, proprietário do Reijos...

Ao princípio o António olhava desconfiado para aquilo... Depois telefonou para o apoio ao cliente, e quando acabou, chamou-me de lado para perguntar se o senhor americano não desejaria comprar-lhe o restaurantezinho...

O cowboy afinal , vim depois a saber, era um herdeiro de uns poçitos de pitrol lá para o sul da Califórnia...

Nem tudo que luz é ouro? Pois, mas o oposto também é verdadeiro!!

segunda-feira, setembro 15, 2014

Metamorfoses

A borboleta do Novo Banco foi uma opção de MKT interessante. É agradável à vista, simboliza a mudança, e tem asas para voar.

Claro que quando se soube da demissão da gestão Vitor Bento a malta começou logo a gozar com o período curto de vida da dita cuja... Mas os técnicos de MKT que desenharam o símbolo e a campanha não poderiam adivinhar que havia já rombos abaixo da linha de água no navio que se encontravam a aparelhar para nova viagem.

Nem eles, nem nós... "Vender à Pressa" não é o mesmo que "Estabilizar para depois Vender". Alguém percebeu mal?  Precisam-se otorrinos?  Ou mudam os alcatruzes da nora conforme os ventos do poder?

Não sei bem se todos percebem a gravidade da situação, que tem sido "escondida" do público em geral? Fala-se que a retirada de depósitos da instituição em causa atingiu 10 mil milhões de euros em 2 meses e meio, cerca de um terço da totalidade dos depósitos.

É muito. É talvez demais, se tivermos em conta os ratios exigidos pelo BCE.

E agora? Depois da nova reviravolta do carrossel?

A minha Tia toda a vida teve o dinheirinho no BES. Depois destas confusões ainda o manteve no mesmo sítio,  dizendo a toda a gente que com 84 anos já não tem paciência para muita mudança...Mas quando viu a demissão do Dr. Bento mandou-me logo dizer que na segunda feira (hoje) tinha que lá ir "falar". E como o balcão da CGD é uns metros abaixo, na mesma avenida, dá para entender.

Nesta segunda feira  quanto mais dinheiro irá sair do banco?

Entendo que a "venda a correr" poderá evitar ainda maiores desvalorizações da instituição, mas o que questiono é quem - no seu perfeito juízo - o irá comprar nestas circunstâncias?

Depende do preço, dirão os entendidos... E aqui é que a porca (com vossa licença) torce o rabo...

Quem precisa de vender depressa sujeita-se ao princípio da hegemonia do comprador.

Metamorfose por metarmofose estávamos talvez a precisar mais da imagem da rã... Animal muito habituado à água, a meter água por todos os buracos...

sexta-feira, setembro 12, 2014

Para Descansar a Vista ...no Outono

Em tempo de Outono que terá chegado este ano umas semanas adiantado (alguém viu por aí o Verão?) deixo-vos um poema também ele outonal.

Melancólico e pensativo, propenso a passeios por entre as folhas caídas no chão e a apanhar o odor da chuva na terra molhada e das castanhas no assador.

Em uma Tarde de Outono

Outono. Em frente ao mar. Escancaro as janelas
Sobre o jardim calado, e as águas miro, absorto.
Outono... Rodopiando, as folhas amarelas
Rolam, caem. Viuvez, velhice, desconforto...

Por que, belo navio, ao clarão das estrelas,
Visitaste este mar inabitado e morto,
Se logo, ao vir do vento, abriste ao vento as velas,
Se logo, ao vir da luz, abandonaste o porto?

A água cantou. Rodeava, aos beijos, os teus flancos
A espuma, desmanchada em riso e flocos brancos...
Mas chegaste com a noite, e fugiste com o sol!

E eu olho o céu deserto, e vejo o oceano triste,
E contemplo o lugar por onde te sumiste,
Banhado no clarão nascente do arrebol...

Olavo Bilac, in "Poesias"

quinta-feira, setembro 11, 2014

Um petisco

Poucos portugueses apreciam a Ventresca de atum ou de bonito. O problema não é que não gostem, mas sim que nunca provaram...

Trata-se de um produto gastronómico de grande qualidade, muito valorizado em Espanha e nos outros países  mediterrânicos, mas que aqui em Portugal (tirando talvez o caso de Vila Real de Santo António) não aparece referenciado nos nossos "calhamaços" da especialidade.

O que é mesmo a Ventresca? Trago aqui a definição de "nuestros hermanos":

Se trata de una pieza con forma triangular, que está situada en la parte inferior del pez, en la zona próxima a la cabeza. Su nombre, ventresca, alude a la parte del atún donde está situada, la zona del vientre del atún, aunque también se utilizan otras denominaciones, como ventrisca, ventrecha, mentresca, barriga, ijar o ijada, todas ellas correctas, y más o menos frecuentes, según la zona geográfica en la que nos encontremos.
Las características peculiares de la ventresca que le dan su reputación de exquisitez, son: su proporción de grasa, que le aporta un sabor mucho más intenso, fino y delicado que el resto del pescado, su carne de textura gelatinosa, y su laminado, idóneo para preparar aperitivos, conservas y para cocinar en el horno.

Basta ainda referir que nos mercados que a apreciam é bem mais cara que os lombos de atum fresco... E que aqui em Portugal não é muito fácil de encontrar... Todavia tentem falar com os responsáveis da peixaria onde se abastecem para pedir esta iguaria. Reservando pode ser que tenham sorte. Eu às vezes encontro-a na peixaria do Corte Inglês.

O Paulinho do Beira Mar prepara magnificamente esta Ventresca, fresca está claro!  E no forno. Em casa já a fiz também, utilizando uma receita de Cádiz que dou aqui com todo o gosto:

Uma Ventresca de atum pequeno dá para duas pessoas. Sendo médio ou grande obviamente que serve mais pessoal.

Preparamos primeiro um molho com azeite virgem, salsa e alho esmagado. Bate-se numa tigela ou coloca-se dentro de um "biberon" para utilizar mais vezes em saladas ou grelhados. Quem gostar meta-lhe dois "chumbinhos" de malagueta.

A Ventresca tem de ser muito bem limpa da pele que traz num dos lados e que amarga. Ou peçam que a tirem na peixaria, ou têm de tratar disso em casa...

Depois de bem limpa, sem espinhas, deitem umas pedrinhas de sal, salpiquem generosamente com o molho e ponham no forno (previamente aquecido a 200 graus) durante uns 15 minutos.

Mas cuidado! Este é um dos tais pratos que tem de estar "au point"! Se demasiado assado seca por completo! Por isso vão tirando do forno, aproveitam para borrifar de ambos os lados com o molho  e testem a cor.

Quando começar a corar um pouco apaguem o forno e ponham na mesa. Deve ser servida imediatamente, com umas simples batatas cozidas com a pele ou há quem goste mais com o acompanhamento típico do bacalhau (couves ou bróculos, grão e batata), mas neste caso sem ponta de colorau, cebola ou alho picado!! Quanto muito salpiquem de pimenta preta moída na altura e temperem as batatas com o molho que serviu para "lambuzar" a Ventresca.

Para companhar este petisco gosto de um tinto novo e carnudo, experimentem com o Vallado tinto de 2011 (colheita) ou o  Assobio tinto Douro de 2011 (Herdade do Esporão produz).

Bom apetite!!

quarta-feira, setembro 10, 2014

A atracção do consumo

Depois do espectáculo que foi ontem à tarde (10h da manhã na Califórnia) a apresentação dos novos IPhones 6 e 6Plus e ainda a introdução do novíssimo AppleWatch, que até teve direito a intervenção exclusiva dos U2, dei por mim a pensar como pode o mero mortal evitar enredar-se nestas malhas que o consumo do século XXI vai tecendo...

Os produtos são muito atraentes, os materiais, as especificações  e o design (não foi por acaso que o Vice Presidente para o design da Apple esteve bem em evidência) são, como disse ontem no Face, "de cair para o lado"... Mas precisamos mesmo, mesmo daquilo?

Eu uso um IPhone 4 que herdei do meu senhorio quando este "evoluiu" para o "5". Tem uns 3 anitos  e meio e serve perfeitamente. O velhinho Blackberry "oficial" já só utilizo ao fim de semana, para não me esquecer do interface, e mais como sinal de alguma nostalgia, daqueles tempos em que a BB competia ombro a ombro com a Nokia e com a Apple. Quem se lembra? :):):)

Ontem à noite, ébrios com a magnitude e a eficácia da apresentação,  já se falava cá em casa do Apple Watch e do IPhone 6... Para comprar lá no início de 2015.

Para quê? Não seria muito melhor pôr as massas de lado para investir no novo iMAC, que deve estar por aí a chegar em Novembro com especificações de arromba? E esse sim! É um instrumento de trabalho...

Dirão alguns que para vestir o homem (ou a mulher) não é preciso smokings Versace nem tailleurs Chanel... Existe ainda a La Redoute (que saudades...).

E que para ver as horas qualquer Swatch (de design também ele aprimorado) faz o serviço por 70 euros, ou menos...

E ainda, que para movimentar o corpo tanto serve o SMART como o Porsche Carrera 4S...

Mas "eles" andam por aí. E enquanto andarem alimentam o ego dos felizes possuidores e o sonho daqueles que o mais perto que poderão chegar desses objectos será se trabalharem como "voituriers" num restaurante de luxo.

Posição Social (ou procura dela), Moda, Status e Poder para comprar definem as variáveis que influenciam a evolução do mercado do luxo.

Mas será o universo Apple um condomínio de luxo, reservado aos banqueiros de investimentos e aos seus clientes?

Não senhores!! E aqui talvez a razão do formidável sucesso da empresa: convencer quase todo o mundo (1º mundo sobretudo e social climbers do resto)  que é possível possuir os seus produtos com um pequeno esforço financeiro.

Os produtos Apple de grande consumo estão "quase" ao alcance de muitos trabalhadores, embora o "esticar" do braço para vencer a distância possa custar menos refeições, menos idas ao cinema, mais meias solas e menos sapatos novos...

Numa palavra, sacrifícios.

Valerão a pena? E na resposta a esta pergunta está a linha que separa os  indefectíveis "fans" da Apple e os outros...






segunda-feira, setembro 08, 2014

Vai mas é aprender um ofício que pr'á bola não prestas!

Nas aldeias  as pessoas de mais idade tinham antigamente dois sonhos para os filhos rapazes (era o obscurantismo): tirarem um curso superior ou terem uma carreira como futebolistas.

O curso superior para os pobres era assim como que uma quimera que se vislumbrava ao longe. Mas muito ao longe mesmo. Porque não era apenas o custo do curso propriamente dito! Era a mesada que significava ter o filho a comer e a dormir na cidade  .

Nesse sentido os pobres de Lisboa, Porto ou Coimbra tinham mais sorte...

A saída mais airosa para um rapaz estudioso que tivesse tido o azar de ter nascido na província de pais pobres (e aqui pobres eram todos os que não possuiam terras, fábricas e coisas desse género) era ir para o Seminário e continuar por lá os estudos.

Claro que havia sempre a "outra" saída: transformar o "puto" num Eusébio da Marmeleira. Metê-lo a jogar nos campeonatos regionais à espera que algum olheiro reparasse nele.
Levá-lo a treinar ao Palmense, Sporting da Covilhã ou ao Olhanense (dependendo da geografia), de forma a que - admitindo o "jeito natural" - dentro de 3 ou 4 anos viesse o mânfio para Faro ou para Viseu e daí desse o salto para Lisboa ou para o Porto.

Devemos dizer que menos, muito menos, eram esses bafejados pela sorte  e pelo "jeito natural" que acabavam no SLB, FCP ou no SCP, do que os outros que, apesar de tudo, conseguiam ter acesso ao ensino superior.

O Pai da província, ao ver que afinal e não obstante todos os treinos, o "puto" rematava mal, fintava pior e à conta dos maçitos de  "Definitivos" não tinha pulmão para correr o campo, acabava sempre por lhe dizer:
-" Vais mas é aprender um ofício que pr'á bola não prestas e pr'a estudar não há dinheiro!"

E acabava assim o moço , uns anos depois, como serralheiro, carpinteiro de limpos, mecânico ( se tivesse sorte) ou  servente de pedreiro (o mais normal).

Ontem, depois de ver o jogo com a Albânia,  dei por mim a pensar quantos carpinteiros de limpos não se teriam perdido em Portugal, com a má escolha feita pelos pais, cegos de amor pelas pequenas habilidades dos filhos...

Sendo que a ênfase deve ser posta na palavra "pequenas", pequeninas mesmo....

sexta-feira, setembro 05, 2014

Para Descansar a Vista

Ontem não passei por aqui, os trabalhos para o projecto do Dia Mundial do Correio, à volta com a exposição das Tapeçarias de Portalegre assim o obrigaram.

Mas hoje aqui estou para vos dar poesia (queriam dinheiro? Tenham paciência...).

Na altura em que se aproximam os 250 anos de nascimento de Manuel Maria Barbosa du Bocage, aqui vão mais alguns poemas do Elmano Sadino:

Retrato próprio

Magro, de olhos azuis, carão moreno,
Bem servido de pés, meão na altura,
Triste da facha, o mesmo de figura,
Nariz alto no meio, e não pequeno.

Incapaz de assistir num só terreno,
Mais propenso ao furor do que à ternura;
Bebendo em níveas mãos por taça escura
De zelos infernais letal veneno:

Devoto incensador de mil deidades
(Digo, de moças mil) num só momento,
E somente no altar amando os frades:

Eis Bocage, em quem luz algum talento;
Saíram dele mesmo estas verdades
Num dia em que se achou mais pachorrento.

Bocage 

Já Bocage não sou!... À cova escura

Já Bocage não sou!... À cova escura
Meu estro vai parar desfeito em vento...
Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
Leve me torne sempre a terra dura.

Conheço agora já quão vã figura
Em prosa e verso fez meu louco intento.
Musa!... Tivera algum merecimento,
Se um raio da razão seguisse, pura!

Eu me arrependo; a língua quase fria
Brade em alto pregão à mocidade,
Que atrás do som fantástico corria:

Outro Aretino fui... A santidade
Manchei!... Oh! Se  me creste, gente ímpia,
Rasga meus versos, crê na eternidade!

Bocage

Nota: Vitral com a imagem de Bocage é da autoria de Isabel  Fidalgo.

quarta-feira, setembro 03, 2014

Tapeçarias de Portalegre e Dia Mundial de Correios 2014

A Manufactura de Tapeçarias de Portalegre é uma lenda viva do saber fazer nacional na arte da tecelagem.

Em quase 70 anos de existência foram executadas cerca de 3.400 tapeçarias, baseadas em mais de 2.500 cartões originais e perfazendo um total de aproximadamente 12.700 m2.  As tapeçarias de Portalegre espalharam-se pelo mundo podendo hoje ser encontradas em todos os continentes. 
São mais de 200 os pintores, portugueses e estrangeiros, que trabalharam com a Manufactura de Portalegre.

Os mais importantes técnicos franceses de tecelagem quando vieram a Portugal, no final dos anos 50, admiraram a técnica e a perfeição conseguidas com o ponto de Portalegre. Mais tarde, foi o próprio Jean Lurçat que considerou as tecedeiras de Portalegre “as melhores tecedeiras do mundo” vindo a fazer tecer em Portalegre, até à sua morte, um grande número das suas tapeçarias.

A ligação dos CTT a esta tradicional Manufactura é interessante.

Por um lado são os CTT proprietários de 11 Tapeçarias de Portalegre, destacando-se duas de Vieira da Silva. seis de Carlos Botelho e uma de Luis Filipe de Abreu que tem a particularidade de ser uma das três únicas tapeçarias feitas em Portalegre com desenho curvo.
 
Por outro lado, vamos emitir no próximo dia 9 de Outubro - Dia Mundial de Correios - uma série de selos baseada nas Tapeçarias de Portalegre, dando cumprimento  à nossa obrigação de constituirmos uma das  “memórias históricas do País”,  evocando personagens, histórias e patrimónios do maior relevo, que fazem parte do que há de mais profundo e genuíno na unidade e na cultura portuguesas.
 
Nesse próximo 9 de Outubro , na sede da Fundação Portuguesa das Comunicações, vamos inaugurar uma Exposição das Tapeçarias de Portalegre (que inclui as que são propriedade dos CTT e mais algumas que figuram nos selos). E dessa exposição será feito um Catálogo (com os selos dentro).
 
Nota: Tapeçaria de Portalegre sobre quadro de Vieira da Silva " Bibliothéque" 1980

terça-feira, setembro 02, 2014

O preço dos vinhos

O preço dos grandes vinhos portugueses tem paulatinamente subido.

Uma garrafeira de renome tinha na montra o vinho do Douro "Legado" de 2009 por 259 euros, enquanto que uma outra loja do mesmo género anunciava mais glórias vitivinícolas da mesma região acima dos 300 euros:  por 399 euros o Barca Velha 2004, e por 325 euros o Quinta do Crasto Vinha da Ponte 2000.

Tendo em atenção esses preços para garrafitas de 75 cl, quase que nos parece oferecido o Batuta (Dirk Niepoort) double magnum (3litros) de 2011 , por 280 euros...

Mas se sairmos do Douro e formos para o Alentejo, a "estatuária" local com direito a banho de ouro também está bem representada. O Pera Manca começa nos 350 euros para o ano de 1990 e pára nos 179 euros para o ano de 2010. O Quinta do Mouro rótulo dourado de 2007 (um grande vinho alentejano) está a uns "míseros" 59 euros. Tudo em 75 cl.

Situando-nos no ano por todos glorificado de 2011 existem grandes vinhos disponíveis a preços muito mais convidativos.  O Dona Berta Sousão Reserva Especial de 2011 que foi medalha de ouro no concurso de vinhos do Douro e teve 90 pontos "parker", ainda se conseguia comprar (antes dos prémios) abaixo dos 30 euros. O Passadouro Touriga Nacional 2011 que na  Essência do Vinho ficou em 6º nos melhores vinhos portugueses desse ano, compra-se ainda abaixo dos 20 euros. Para terminar, o Dão Quinta da Pellada de 2011, paradigma da região, está por cerca de 25 euros.

E o meu (não sei se vosso) problema é o seguinte:

A partir deste nível de qualidade, e com o vinho deitado em garrafa ou frasco de vidro sem rótulo, quem consegue distinguir a diferença de gosto, de prazer bebível,  que justifiquem pagar 10 vezes mais por um daqueles vinhos preciosos com que começei esta conversa?

O mais que eu poderei dizer será : "Muito bom! Magnífico vinho!". Mas isso direi de todos! Até daqueles tintos dos vinte  e tal euritos atrás referenciados, desde que bem servidos, em copos decentes e à temperatura ideal...

Nunca mais me esqueço daquela história de muito alta fidelidade que envolvia o mais caro amplificador de válvulas que se fazia nos anos 80 - Ongaku (AudioNote).  Podem ler aqui sff:
http://www.audionote.co.jp/en/products/power_amplifier/ongaku.html

Pois essa maravilha de alta fidelidade que custava perto de 100 000 USD (isso mesmo!!) para ser apreciada em pleno necessitaria de um ouvido tão apurado como o de um maestro de orquestra sinfónica devidamente treinado... Por cerca de 350 USD um Cambridge Azur 351A (desde que bem integrado) deixaria perfeitamente satisfeito qualquer comum mortal audiófilo que não tivesse o tal "ouvido fenomenal"...

O Preço é só qualidade testada e validada realmente pelos nossos sentidos, ou é também ( e sobretudo) Marketing? Ou seja, boa publicidade, história e tradição, raridade provocada, embalagem cuidada e críticas a condizer??!!

segunda-feira, setembro 01, 2014

Perús cinéfilos


Este Post não é - antes fosse ... - sobre o filme de animação "Free Birds" de 2013, no qual dois perús de diferentes persuasões têm de pôr de parte as respectivas querelas para arranjar forma de tirar o "perú" dos menus de Natal (Thanksgiving , melhor dito).

Os viciados em cinematografia inventaram a palavra  Perú ("turkey") para designar um filme que é mau de mais para ser verdadeiro. Normalmente os "turkeys" são gozados nas redes sociais de forma expressiva, não faltando os comentários incisivos e as comparações malévolas.

Existem até alguns destes "turkeys" que por serem tão maus, mesmo tão maus, acabam por se transformar em objectos de culto. Por exemplo, o impagável "Attack of the Killer Tomatoes", de , 1978, o qual começou por ser um filme de terror sobre uma invasão alienígena, mas como estava cheio de parvoíces, do princípio ao fim,  acabou por ser visto (ainda hoje) como uma paródia aos filmes do género.

Tudo isto vem a propósito de ter passado o dia de ontem em casa, à espera do derby futebolesco, vendo o filme "Noé" (Noah no original).

Nunca vi coisa tão mal feita. Já não tinha forma de descansar o real assento no sofá, tal a incomodidade que o cab*** do filme me causava. Vi-o até ao fim, na suposição que semelhante purgatório serviria em alto grau para descontar nos tempos que irei passar no verdadeiramente dito cujo depois de morto, mas tenho de confessar que foi esse um esforço e peras... peras não, marmelos, e dos verdes, que são mais amargos.

Não tem esse filme ponta por onde se lhe pegue...A descrição mais verídica que li dele (depois da sessão estar consumada) foi mais ou menos isto:  "Noah  and the hard rock Transformers meet the Village People? What an incoerent load of shit!".

Outro site mais "manso" descreve assim aquilo:Noah meets Transformers meets Mad Max meets Waterworld."

Perante esta salsada de anjos caídos que pareciam gigantes de pedra post-apocalípticos e de diálogos inenarráveis, pôe-se a questão: Anthony Hopkins estavas assim tão à rasca de massas para teres entrado naquilo?

Enfim...Perante aquela coisa do "Noé" até parece que o filme que vi na véspera  - "Godzilla 2014" -  apesar de ser também ele mauzinho , por comparação seria digno de ser oscarizado...

Acabando com décadas de hostilidade entre a humanidade e o histórico monstro, neste remake o velho Godzilla acaba aliado dos humanos, combatendo bravamente contra o casal de M.U.T.O's (Massive Unidentified Terrestrial Objects) que por ali aparece, os ditos MUTOS são consumidores frequentes de radioactividade e grandes engolidores (sobretudo a fêmea, sem ofensa!) de misseis intercontinentais...

Enfim, não é todos os dias que se fazem 59 anos e um gajo também tem direito a uma tripezita de vez em quando. Uma coisa é certa: cogumelos daquela marca que meti no arroz de marisco de Sábado, nunca mais os compro. 

Livra!! Comprar Noés na FNAC e tirar Godzillas da Net?

Bezana por bezana prefiro o velho Lagavullin e um filme dos Marretas...

sexta-feira, agosto 29, 2014

Para Descansar a Vista com Fernando Guimarães

"O poeta Fernando Guimarães venceu a primeira edição do Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes concedido pela Associação Portuguesa de Escritores e pela Câmara de Amarante.

O júri constituído por António Mega Ferreira, Fernando Martinho e José Manuel Mendes decidiu, por unanimidade, atribuir o galardão ao livro "Os Caminhos Habitados" editado pela Afrontamento.

“Um livro que exprime, na renovação e no aprofundamento, a consistência de toda uma obra, aqui conseguida segundo uma precisão até organizativamente notável”, pode ler-se no comunicado da Associação Portuguesa de Escritores, que elogia ainda a “exigência formal e uma concisão e densidade raras na poesia portuguesa contemporânea.”


Venha de lá então um poema, ou dois,  do grande poeta portuense Fernando Guimarães para este dia de final de Agosto.

PÁGINA
Principiamos a ler. O rosto inclina-se. Ainda separadas,
algumas das letras estremeceram.

Tudo aquilo que se sente
é a respiração que fica à sua volta.

O ar destina-se às palavras
e também ao silêncio.

A luz que chega pode explicar-nos
melhor o que se passa. Os olhos sabem-no.

Daí a pressa
com que se aproximaram dela, até se tornar o que se leu
mais nosso.

Depois repousamos um pouco. Uma das mãos
estende-se e vai ao encontro de outra página.

Esta será maior.

AUTO-RETRATO
Está incompleto. Ainda se vê metade do rosto. Sabe-
mos como se acentua junto dos olhos a mesma sombra.

Os lábios fecham-se; à sua volta, um halo apenas: continuam
afastadas as pregas da cor, o rumor trazido pela luz.

Há um contorno que pode tornar-se nítido.
É tudo o que se
procura.

Depois esperamos que venha a respiração ao encontro dessa superfície
até se encontrar um nome.

É o meu. Se quiserem podem esquecê-lo agora.

 

quinta-feira, agosto 28, 2014

Crendices

Eu nunca fui muito de acreditar em presságios, maus olhados, adivinhações, e coisas parecidas.

Do lado da família da Natália , pelo contrário, tais crendices eram habituais. Muitas mulheres da Beira Alta, para além de terem o médico de família e a farmácia, o "endireita" e a mercearia da terra, também tinham a sua "bruxa" de confiança.

Mesmo aqui no Estoril, a minha mãe e a minha tia também são dadas a este tipo de crendices, motivo pelo qual perguntei a mim  próprio muitas vezes se estes "fenómenos", por serem quase sempre protagonizados por mulheres, também não serão mais valorizados pelo mesmo sexo...

Bruxas, videntes, cartomantes, leitores de palmas da mão, etc... as mais das vezes são mulheres. A minha avó paterna adorava estas coisas e, tendo vivido no início do século XX, recordava-se muito bem como se organizavam saraus para que as senhoras pudessem estar entretidas com estas "séances", em redor de um Tarot.

Na Europa esteve este assunto muito em moda no século XIX e início do século XX, mas a história das aventuras do homem e da mulher para além do véu da ciência natural começou há milénios. Leiam (caso lhes interesse) :"Histoire de la divination dans l'Antiquité", de Auguste Bouche-Leclercq.

"Un mercenaire de l'insolite? Un explorateur de phantasmes? Un alchimiste des apparences? Un médiateur de l'au-delà?
Pour le consultant, la voyance est un besoin de s'exprimer avec quelqu'un qui sait vous écouter, et sait partager. Et prenant sur ses épaules, le temps de la consultation, le fardeau de celui qui souffre, il le libère de son angoisse. Il compatis à sa douleur, il s'initie à ses phantasmes, il partage sa solitude."
Georges de Bellerive

Sem desejar comprar guerras inúteis, sempre vou dizendo que entre a descrição feita por Bellerive e a actividade de um bom psicólogo actual, sobretudo da escola de Jüng, irá pouca diferença?

O que todos queremos é alguém que nos convença que amanhã, e depois, e depois, tudo vai correr melhor...

E pagando bem a quem nos diga isso , ainda mais nos convencemos que será verdade. Estamos a comprar um remédio para a doença que nos aflige...

Por esse motivo é que os pobres sempre desconfiaram de remédios baratos...Se era barato não devia prestar para nada.

quarta-feira, agosto 27, 2014

O coice de certas mulas

Um Coice sempre foi a pancada para trás realizada por certos quadrúpedes. Mas dada a falta de quadrúpedes qualificados (que marcham mesmo com as quatro patas) nas ruas das nossas cidades, hoje em dia torna-se a velha palavra mais um  sinónimo de brutalidade, de alguma resposta dada com falta de educação.

Dizem os entendidos que o mais valente coice do reino animal é o da girafa, capaz de abrir o crâneo a um leão (com juba e tudo) se o encontrar no caminho.  Os engenheiros mecânicos explicam o assunto com a dimensão da perna da bicha, de mais de 2 metros de altura, o que aliado ao efeito do potente gluteo maximus (talvez o mais poderoso músculo do corpo) permite dar um pontapé para trás de efeitos devastadores.

Já o grande Eça celebrava a palavra no seu "A Ilustre Casa de Ramires":

"..E Gonçalo enrugou a face, a sua risonha e lisa face, para declarar secamente que Corinde não pegava com Santa Ireneia! Entre as duas terras corria muito justificadamente a Ribeira do Coice, e que o senhor André Cavaleiro, e sobretudo Cavalo, era um animal detestável que pastava na outra margem!"

Mas hoje o caso que aqui trago é mais a utilização da palavra "coice" na gíria moderna: Ser alguém maltratado por uma pessoa sem educação e grosseira. Levar uma patada, metaforicamente falando.

O desaforo público parece ter-se tornado perfeitamente normal. Faltas de respeito, atrevimentos fora de contexto, palavras escolhidas para ferir a honra de terceiros, e por aí fora.

Ainda se estas actividades de diarreia verbal descontrolada se dessem por norma na Assembleia da República, compreenderia. No fim de contas trata-se de uma espécie de moderno Coliseu onde quase tudo é permitido,  até chamar nomes feios aos espectadores da Galeria...

Mas em actividades pretensamente comerciais? Por gente que tem "porta aberta" e aparentemente necessita de clientes pagantes?

Bem sei que simpatia é uma coisa e subserviência é outra. E que a época do "atento, venerando e obrigado" já passou... Mas que diabo! Quem quer comprar e pergunta delicadamente tem direito a uma resposta amável!!

Num destes dias observei uma senhora já de uma certa idade a ser ignorada e tratada com grande sobranceria por uma jovem atendedora numa loja da ZON (hoje NOS). Fiquei varado... É que agora há concorrência na venda dos telemóveis...

Depois ainda questionam porque é que a FNAC sobrevive? Sobrevive porque treina o pessoal a respeitar o cliente sempre , e em primeiro lugar.

Traduzo livremente de Harvard:

"Alguns vendedores tendem erradamente a adoptar uma postura agressiva em contacto com o público. Isso pode atemorizar o consumidor, deixando-o menos propenso a comprar. Pior ainda: ao perceber que é tratado apenas como um degrau que se pisa rumo aos objectivos de  vendas, o cliente sente-se desprestigiado e ganha uma razão para optar pela concorrência."

Dizem que Sócrates (o antigo!!) passeava por Atenas quando um individuo, que o detestava por alegadamente estar a ensinar filosofia ao filho, lhe deu um pontapé na perna sem mais aviso.

O filósofo nada fez.

Estranhando os amigos a sua pacatez perguntaram-lhe por que não respondera?

"- O que haveria eu de fazer? Depois de dado o coice, estava já dado.
 - Pelo menos devia levar o energúmeno à justiça!
 - Se ele ao dar coices revela ser jumento, quereis que leve um jumento à justiça?"

Grande Sócrates ( o velho!!!) que ainda hoje muito nos ensina...

Claro que a forma de responder civilizadamente é nunca mais pôr os pés em semelhante estrebaria onde ocorreram os ditos "coices".

terça-feira, agosto 26, 2014

Meet? Compreendite!!

A malta nova é danada para a brincadeira. Todos sabemos disso.

Mas quando a brincadeira deixa de se limitar aos bailes no Garage, visitas à 24 de Julho ou percursos pedestres no mais alto dos bairros, e passa ao jogo da naifa?

Reparem que não serei eu a tentar impor limites à utilização das armas brancas. Tudo depende daquilo que estamos a falar... Um canivete suiço é uma coisa, um "chino" é outra bem diferente...

Não há alentejano nem beirão de uma certa idade que não ande sempre com um canivete no bolso. O canivete serve para cortar o queijo rijo, vandalizar o "dorsal" dos presuntos pendurados na adega, talhar uma rolha mais rebelde ou aparar os cornos de alguma cabra (esta inventei eu...).

Um canivete é uma coisa boa para ter à mão. E em caso de haver borrasca, os danos que com ele se podem inflingir serão limitados eles também.  A lâmina é curta...

Lá na Serra da Estrela ficou célebre a zanga de dois irmãos que, já tendo bebido mais do que o costume, desataram a desafiar-se de canivete em punho, face a face. E como a bebedeira lhes baralhava a frase, a única coisa que se ouvia (até que lhes atiraram dois baldes de água fria por cima dos c*** ) foi:

- "Pico ti, pico mim!!"

Mas isso são outras histórias de uma gente mais velha que muito barafustava com os copos de vinho,  normalmente por causa da água (vejam lá a estranheza), mas que de facto nunca se "picava" .

Quando havia azar do sério a arma preferida era a enxada. Com essa é que se faziam grandes mossas nas cabeças alheias.

Actualmente está na moda o "meet". O "Meet" convoca as tribos de hoje, tal como o tam-tam convocava as tribos de anteontem, lá para o Congo, na altura da revolta dos homens-leopardo.

Convoca-se o "Meet" para quê?

Pois, quanto a isso já  existem várias versões. Há quem diga que é só para a "curte", há quem jure que é para partir cabeças e roubar.

E eu pergunto: não seria mais normal inscreverem-se numa "Juventude" futeboleira qualquer? Ali já sabem que ao fim de semana têm esse tipo de saraus...

A malta nova tem de  conviver,  tem de dançar. Tem de curtir e tem de amar. Tem de viver.

Mas também tem de estudar e tem de ter direito ao trabalho... tem de ter esperança no futuro!

E aqui, se calhar,  é que a porca torce o rabo... Com vossa licença...

segunda-feira, agosto 25, 2014

Notícias e noticiazinhas...

Na falta de assunto político interessante os gurus dos MCS,  televisivos e outros, comentam-se entre si.

É uma espécie de reconhecimento que a sobrevivência da espécie implica que haja sempre assuntos interessantes para analisar. E se estes, fruto da estação do ano, não aparecem, então temos que os inventar.

Inventam os comentadores - debaixo da capa analgésica das "fontes", ou ainda pior, do "disseram-me" - aquilo que, ou nunca foi dito, ou foi apenas assobiado em surdina para ver se o peixe mordia o anzol.

E depois, claro que os outros artífices do mesmo ofício não largam aquele "osso" que em boa hora lhes foi lançado, reverentes e obrigados . E deixando entender que à próxima lhes caberá a eles "deitar o alimento para a gamela comum".

 Penso que todos tivemos já experiência de outros exemplos interessantes deste género de "autofagia" de certas sociedades,  limitadas aos poucos sócios que por lá ainda passam. 

Tentando manter-se à tona da água para sobreviver, cada vez mais se fecham sobre si próprias.

Quem não assistiu a eventos onde os respectivos membros - à falta de melhor - se premeiam uns aos outros, ano sim, ano sim? Ou quando , nas sessões públicas, são feitos repetidamente elogios ao "orador que me precedeu" ou ao "ilustre sócio aqui presente "?

São típicos de organizações que deixam de ver o mundo para simplesmente se contentarem em olhar para o respectivo umbigo. Alguns centros de estudo das nossas universidades, algumas vetustas e digníssimas (pelo seu passado) Sociedades...

O problema é que o "povão" gosta do escândalo, ama o espectáculo, delira com as muitas desgraças (dos outros) e em surdina aprecia que lhe dêem a conhecer os podres mais podres da sociedade...

E se houver uma semana em que , por sorte, não aconteceu desgraça forte de milhares de mortos ou mais algum cambalacho de truz urdido por algum malvado banqueiro?

Ignoram-se os noticiários e passa-se a sintonizar a  "outra"TV.

A Benfica TV, a Porto Canal, a Sporting TV, está claro!

E o Jesus ter sido expulso passa a ser a notícia que nas semanas passadas tinha sido o "buraco" no BES...

Ainda se fosse a expulsão de Nosso Senhor do Paraíso (à moda dos enredos que já não se aturam do "Sobrenatural" dos irmãos Winchester) vá lá que não vá!! Isso sim! Seria Notícia...

sexta-feira, agosto 22, 2014

Para Descansar a Vista: "Excitações literárias"

Meu mestre Herberto Helder está outra vez nas bocas do mundo por causa do seu último livro "A Morte Sem Mestre".

Parece que a mudança de uma editora "pura" , muito grata aos cultores da língua e seus praticantes mais austeros, para uma editora considerada "comercial" (da Assírio e Alvim para a Porto Editora) ajudou a alimentar esta polémica.

Será já HH um poeta "comercial"? Ter-se-ão perdido as características de rude honestidade e de despojo material que deram origem à lenda e ao mito de HH?

E onde está o valor íntegro e absoluto dos seus poemas? Mascarado pelas novas embalagens de papéis metálicos e "CD's" falantes?

Leiam aqui um texto do jornal público sobre a matéria que me parece ser esclarecedor:

"O mais recente livro de Herberto Helder, A Morte Sem Mestre, lançado esta segunda-feira com a chancela da Porto Editora — numa edição que inclui um CD com cinco poemas ditos pelo autor —, está a dividir opiniões, mesmo entre leitores que tinham apreciado sem reservas o anterior Servidões (2013). Num poeta que parecia ter-se tornado, sobretudo desde a publicação de A Faca Não Corta o Fogo, em 2008, um caso de consenso crítico quase absoluto, este acolhimento díspar é desde logo surpreendente.
Mas A Morte Sem Mestre é um objecto suficientemente estranho para provocar reacções desencontradas. Há um efeito de exposição da circunstância biográfica ainda mais radical do que em Servidões, passagens cuja força parece residir num exasperado e despido confessionalismo – “e eu que me esqueci de cultivar: família, inocência, delicadeza,/ vou morrer como um cão deitado à fossa!” –, mas também alguns desses poemas que, logo à primeira leitura, e antes de quaisquer digestões mais reflectidas, sabemos imediatamente que são geniais. Pela energia e pelo ritmo, pelo poder imaginativo, pela invenção verbal, mas também por um efeito de estranheza que é paradoxalmente acompanhado pela intuição de que batem certo com a mais funda verdade da obra. Poemas que não se pode imaginar mais ninguém a escrever, mas para os quais nunca estamos preparados, mesmo que tenhamos lido toda a poesia do autor."

Por mim, só direi o seguinte: Tomaram muitos senhores ou senhoras escritoras e poetas de 84 anos estar ainda a provocar estas celeumas por causa da sua produção literária naquela bonita idade!!


Porque eu sou uma abertura,
porque as noites cruzam os cometas,
porque a minha pedra com os lados frios contra as faúlhas,
porque abre as válvulas e se queima.

Alguém com os dedos na cabeça dando a volta à criança,
metendo-lhe mais força pelo fogo,
criança com um rastilho:
ou muita resistência na armadura, ou
peso, ou muita leveza, ou
dulcíssima:
ou fósforo, enxofre, pólvora, sopro, a farpa de outro
- e o ourifício que traz para o visível
o segredo: gota
com a trama de pedra calcinada em torno,
a pedra só abertura pela potência
de um pouco de pólen
oculto.

Porque riscam com áscua,
porque até à linha pulmonar as labaredas a iluminam,
porque um hausto de sangue a ilumina em toda a linha cardíaca,
porque as pontas irrompem do núcleo
do ouro pequeno.

Herberto Helder, Ofício Cantante – Poesia completa, 2009

Nota: O retrato de HH é de Francisco Penteado

quinta-feira, agosto 21, 2014

A idade não perdoa

Tenho tido até aqui boa memória. Recordo-me de coisas do passado longínquo mas também do passado recente. Lembro-me de detalhes, nomes e de números.

Ou, melhor dizendo, lembrava-me...

Dei por mim há uns meses a "empancar" no discurso , ficando à procura de certos pormenores - sobretudo nomes - que parece terem desaparecido do "disco rígido".

Este é um problema da meia idade que afecta pessoas em todo o mundo.
Leiam aqui sff um excerto interessante de um artigo sobre o tema, da autoria da Prof. Cathryn Jakobson Ramin:

"One type of forgetfulness is so prevalent, not to mention demoralizing, that just about everyone over 40 complains about it. I refer to the very public cognitive failure known as blocking, or blanking, when names refuse to come to mind and words dart in and out of consciousness, hiding in dark closets just when you need them.

In his landmark book, The Seven Sins of Memory, the eminent Harvard memory expert Daniel Schacter, PhD, notes that the concept of blocking exists in at least 45 languages. The Cheyenne used an expression, Navonotootse`a, which translates “I have lost it on my tongue.” In Korean it is Hyeu kkedu-te mam-dol-da, which in English means “sparkling at the end of my tongue.”

In midlife, resolving the “tip of the tongue” dilemma grows increasingly challenging. The brain volunteers words that begin with the same letter, items that are the same color or shape, and, my favorite, words with the same number of syllables—all of which gum up the works.

Unfortunately, blocking is most common in social situations, when anxiety and distraction combine to kidnap a chunk of your already challenged working memory.


Roman aristocrats avoided the problem by always traveling with a nomenclator, an alert slave whose duty it was to supply his master with the names of acquaintances as they were encountered. In the film The Devil Wears Prada, magazine editor Miranda Priestly relies on her young assistant, Andy Sachs, to produce the names of party guests."

Reparem como os espertalhões dos romanos descobriram como resolver o assunto (meu sublinhado)!! E como essa esperteza saloia "espirrou" até aos nossos dias.

A resposta  é andar sempre acompanhado por alguém que:
a) Seja mais novo e mais "fresco".
b) Tenha algum grau de sujeição ao "esquecido". Escravo, empregado, filho ou filha...

Talvez seja por isso que eu ando quase sempre com o meu "senhorio" atrás?

Nunca tinha pensado nisso.

O melhor é o gajo não ler este Post ou ainda reclama dinheiro...

quarta-feira, agosto 20, 2014

O que é um vinho de Espadeiro??

A receita de ontem falava de vinhos Rosés e acrescentava à confusão um outro de casta espadeiro, que por ser "rosado" de aspecto não quer dizer que seja Rosé de fabrico...

Já aqui falei sobre este assunto da produção de Rosés, com a colaboração de gente entendida. Podem recuperar esses Posts antigos de 28 e de 29 de Junho de 2006.

E quanto ao Espadeiro, e outros ( se os houver) vinhos de cor salmonada mas sem terem sido sujeitos ao processo de "sangrar" o mosto ou à forma (mais moderna), de controlo do tempo e da carga de pressão da uva?

Na prática a casta Espadeiro já produz vinhos desmaiados naturalmente, não sendo necessário nem sangrar o mosto, nem controlar o tempo de contacto e a pressão das películas das uvas tintas com o mosto, processo habitual de fabricar rosés.

Também produzem vinhos naturalmente sem cor carregada as castas Rufete (Douro e Dão) e Alvarelhão (Monção, Douro e Dão), ambas tintas e antigas. Quem as conhece? Quem já as bebeu?

João Paulo Martins diz-nos que existirão mais de 200 castas de uvas aptas a vinho , tradicionais portuguesas.

É uma riqueza fenomenal que ainda está pouco aproveitada. Trata-se provavelmente da maior concentração mundial de castas distintas em tão limitado território.

O guia The Oxford Companion to Wine descreve o país como um verdadeiro “tesouro de castas locais”.

Mas, apesar disso, fora o Alvarinho, Touriga e Encruzado , pouco mais temos exportado com sucesso... e o desconhecimento sobre as nossas castas mais características é grande desde que se saia dos respectivos "solares".

Há muito trabalho a fazer... Mas trabalho que pode dar muito prazer!

 Nota: A Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes esclarece:
Espadeiro Spacer
Spacer 
Descrição Abreviada  :
Casta tinta de qualidade, recomendada em grande parte da Região Demarcada, com excepção da Sub-Região de Monção e concelhos (6) mais a sul da Região; muito produtiva e rústica; dá origem a vinhos de cor rubi clara a rubi, de aroma e sabor a casta e acídulos.
É também conhecida por «Padeiro(a)» na zona de Basto, por «Espadão» em Monção, por «Espadal» em Santo Tirso e por «Murço» ou «Areal» em Amares, é ainda conhecida por «Cinza», «Farinhoto», «Nevoeiro» e «Tinta dos Pobres». 
 

terça-feira, agosto 19, 2014

Comer ao ar livre

 O vento tem sido predominante neste Agosto, pelo menos aqui na chamada "linha", mas mesmo assim continua a ser atraente fazer uma ou outra refeição "al fresco".

O vento incomoda, levanta as toalhas, derruba os copos de plástico (por isso nunca os usem!) deita os guardanapos de papel para o chão (mais um motivo para usarem de pano). Embora, por outro lado,  baixe a temperatura ambiente. Não se pode ter tudo...

"Al fresco" sim, mas  com cuidado para não voarem as perucas, capachinhos, panamás, bóinas e outros chapéus.

Quem tem terraços e quintais pode aproveitar. Quem não tem utilize as esplanadas, que as temos boas e para todos os preços.

Na Beira Alta só podemos comer no terraço pela tardinha, porque os calores das horas de sol alto não o permitem de outra forma, mesmo com sombra por cima das cabeças.
Suponho que a mesma receita seja válida nos outros locais deste nosso país, dando corpo à ideia que comer no exterior será sobretudo um privilégio do entardecer .

Ressalvo alguns paraísos, onde a sabedoria árabe continua a imperar sob a forma de fontes, pequenos lagos e riachos correndo pelos pátios, o que aliado às sombras naturais das latadas permite almoços dengosos e de autêntico sibarita, a deitar o olho para a otomana espreguiçadeira... lembro-me de um local assim , em Sevilha. No Hotel Alphonso XIII, antes de ter caído em decadência.

As sardinhadas e churrascos são sempre boas apostas para estas refeições ao ar livre. Excelentes ocasiões para o convívio e para cada qual meter as mãos à obra, seja fazendo as saladas, seja estando de serviço às brasas do carvão (balde de gelo ao lado,  com cervejas enfiadas,  é aqui de rigor  para refrigério do assador de serviço).

Eu devo confessar que sou pouco apto para grelhar nas brasas. Falta de treino, mas sobretudo falta de paciência. E como sou ansioso (outros dirão "esganado") acabo por tirar do lume o material ainda sem estar no ponto da assadura.

Esse "ponto ideal de assadura" deve ser uma coisa que deveria fazer parte dos curricula no MIT lá em Massachussets, tal a dificuldade em alcançá-lo...

Por exemplo, segundo os especialistas "a sardinha quer-se branca e suculenta por dentro,  dourada e estaladiça por fora, pele solta e carne firme".

E quanto ao processo da  grelha leiam só isto:

Há, primeiro, que sacudir o peixe do sal; levá-lo inteiro à grelha, enquanto o fogo já se encontra no ponto. O carvão calcula-se em relação à quantidade de sardinhas a assar. A grelha entra, fica e sai da brasa no momento exacto, no ponto em que a sardinha assa uniformemente, soltando o pingo de gordura. O pão recebe a sardinha ainda quente, fumegante, soltando a pele e deixando perceber a carne branca e deliciosa.

Assunto para especialistas, obviamente. E que deixarei de bom grado a esses especialistas! (Força João Alves!! Nunca se cansem as tuas mãos desta labuta abençoada!)

Para mim, e se sou eu a ter de tratar do assunto manducal no exterior,  do princípio até ao fim, prefiro ir por outros caminhos. Que têm sobretudo a vantagem de se poder preparar a refeição com antecedência, sem a pressão do momento certo que as brasas exigem.

Sugestão para um jantar de Verão comido "al fresco":

Para comer: Uma salada fria de feijão frade com ventrescas de atum (atum da barriga enlatado) e ovo cozido, uma mayonnaise de garoupa com ervilhas, cenouras e camarões. Um ou dois queijos merendeiros de Sousel, partidos às fatias. Melão gelado, bem maduro. De preferência casca de carvalho.

Para beber: Comecem com um Gin tónico (está cada vez mais em moda experimentar diferentes tipos de Gin). E continuem com um rosé de vinho verde. Ou o Espadeiro da Quinta dos Ingleses, ou o Rosé da Adega Cooperativa de Monção. Qualquer deles fica abaixo dos 4 euros (!) e são um delicioso refresco para estas noites mais quentes.

A minha mayonnaise de camarão e garoupa é para ser feita por solteiros sem pretensões a chefs!!
O truque para poupar dinheiro é comprar uma garoupa inteira, para aí com  2 kg, pedir para partirem a cabeça com respeitável "gola" para noutra ocasião cozermos tradicionalmente ou estalar no forno, e trabalhar a mayonnaise com as restantes postas e rabo.

Para além da garoupa ser fresca e de  também comprar o melhor miolo de camarão a que puder deitar as mãos, para o resto recorro ao material embalado. Ora vejam aqui sff, para 4 pessoas:

Um pacote de ervilhas e cenoura baby congeladas (existem no Continente).
 2\3 batatas grandes
1 cebola
1 kg de garoupa inteira, postas grandes e rabo
1/2 limão
cebolinho q.b.
1 frasco grande  de mayonnaise ( para mim a melhor ainda é a Hellman's)
 2 embalagens de  camarão 15\30 (se o encontrarem)
 1 embalagem de tomate cherry
 2 ovos XL
 salsa em rama q.b.
 uma lata de azeitonas pretas sem caroço
 
Cozemos as postas da garoupa com um fio de azeite, sal, cebola. Deixamos arrefecer, limpamos de peles e espinhas e  desfazemos em lascas. Cortamos as batatas em  cubos  e levamos a cozer durante 20\25 minutos.  Cozemos também os ovos, as ervilhas e cenouras até estarem "al dente". Arrefecemos tudo, com  água fria no passador.

Temperamos depois , batendo  a maionese com o sumo de limão. Juntamos a garoupa lascada, metade do camarão descascado e o cebolinho picado aos legumes e envolvemos com a maionese.
Decoramos com tomate cherry, azeitonas pretas, ovo cozido, o restante camarão e salsa em rama.

Bom proveito malta!

segunda-feira, agosto 18, 2014

Para Descansar a Vista

Fora do dia habitual, por causa do feriado, aqui fica hoje o momento de poesia por conta de Fernando Pessoa, revestido das roupagens de Alberto Caeiro.

Escreve o poeta: "Deve haver muita cousa...Para termos muito que ver e ouvir".

Até BES e Montepios, BPN's e quejandos? Se calhar sim. Até esses. Para que se note a diferença entre os "bons" e os "maus"....

O problema é que, nos dias de hoje, já não há quem seja bom nem mau de todo...antes assim-assim, pouco mais ou menos...

É um mundo de café com leite, mais ou menos escuro... O "maschiato" da moda...


No Entardecer dos Dias de Verão

No entardecer dos dias de Verão, às vezes,
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece
Que passa, um momento, uma leve brisa...
Mas as árvores permanecem imóveis
Em todas as folhas das suas folhas
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão,
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria...
Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem!
Fôssemos nós como devíamos ser
E não haveria em nós necessidade de ilusão ...
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida
E nem repararmos para que há sentidos ...
Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo
Porque a imperfeição é uma cousa,
E haver gente que erra é original,
E haver gente doente torna o Mundo engraçado.
Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos,
E deve haver muita cousa
Para termos muito que ver e ouvir ...


Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLI"

quinta-feira, agosto 14, 2014

Em Coimbra para tomar um café

Fui mais uma vez a Coimbra, tentando ultimar os preparativos que nos permitam começar a pensar numa emissão filatélica comemorativa dos "Cafés Históricos de Portugal".

Porquê em Coimbra? Porque foi ali que nasceu a ideia de um "Roteiro" dos tais cafés, saída da cabeça do Dr. Vitor Marques, proprietário (e descendente dos fundadores) do Café Santa Cruz, no Largo 8 de Maio, implantado desde 1923 à beirinha do local onde repousam os ossos do 1º Afonso Rei e do seu filho Sancho.

Leiam aqui sff:

http://opcaoturismo.pt/wp/?p=4113

Na esteira da série sobre a "Rota das Catedrais" , que pretende fazer o percurso de Norte a Sul - incluindo Açores e Madeira - sobre as catedrais portuguesas, esta nova aventura da nossa filatelia teria por objectivo dar a conhecer no país e no estrangeiro os nossos cafés mais antigos, de mais nomeada, com mais histórias para contar.

Falo do Majestic, do Santa Cruz, do Piolho, da Brasileira, do Nicola, da Versailles, do Paraíso de Tomar, do Arcada de Évora, do Calçinha de Loulé e por aí fora...

O problema será seleccionar, porque se incluirmos todos os cafés  mais antigos, com ou sem referências literárias e de arquitectura exterior ou interior relevante, conseguimos reunir mais de 30...

Abençoado país que tanto café bebe (ou bebia).

Imaginem se fossem tascas... Aqui seriam mais de 300...

terça-feira, agosto 12, 2014

As "narcejas" das férias de Verão

Narceja ( gallinago gallinago) , a que voa e que se come ( e é de cair para o lado) é um bicho pássaro invernante, próprio das zonas húmidas. Lindo de ver a voar em grupo, mais lindo ainda de ver no pratinho (com desculpas aos naturalistas e eco-cientistas).
Prima da galinhola, divide com ela o trono da mais apetecível espécie  venatória que se pode caçar legalmente no nosso país. Digo eu...

Mas as "narcejas" a que me refiro no título são outras... Refiro-me às bebedeiras, berlaites, mocas, barrascos, pifos, borracheiras, camoesas e por aí fora. Um festival de álcool que antigamente - nos dias da juventude insensata, universitária - assinalava o início das férias de Verão.
A "Queima das Fitas" (no final de Maio) servia de treino, mas a verdadeira "encabadela da machada" (não confundir com "encavadela" que tem todo um outro sentido mais carnal) só se dava na altura em que a malta se via livre dos exames, tendo os mesmos corrido mais ou menos bem.

No meu caso o local do crime era normalmente o Algarve, a Praia de Monte Gordo ainda civilizadamente limpa de multidões, areia a perder de vista, mar azul esverdeado, algum dinheiro na algibeira (melhor dito, nos calções), amigos para conviver e amigas para namorar.

Comíamos uvas durante o dia, compradas no mercado, aos quilos, para poupar as "massas" para a noite. E esta era passada normalmente na discoteca do Vasco da Gama, recentemente inaugurado e que era o habitat favorito da "jeunesse dorée" alentejana e portuense ali a banhos.

 Mas isso era para depois. A primeira noite de liberdade, fora dos pais e até fora das namoradas oficiais (que ficavam em Lisboa, pois os bons costumes da época não as permitiam acompanhar os machos) era vivida todos os anos como se fosse a última noite que passávamos na terra...

Dormíamos na areia, tomávamos o primeiro banho de mar sem ir à cama (o que era bom para a ressaca) e antes dos bens pensantes, bem falantes se aproximarem dos toldos e chapéus de sol já nós tínhamos debandado para o parque de campismo, para curar o que restava da bezana monumental que assinalava o início das férias.

Mais tarde, já a trabalhar, mudei as agulhas do campismo para o hotel e de Monte Gordo para Vilamoura, onde um amigo mantinha um barco de recreio - o Sea Wolf.  Também aqui a primeira noite das férias costumava ser fortemente assinalada, agora de forma bem mais burguesa, sentado à mesa do Akvavit a beber vodkas na companhia do patrão sueco ( e esplendorosa mulher...) e só terminando a noite já com o sol alto, a sair do velho Patacas Bar, local de culto onde todos os "pielas", novos ou velhos, se encontravam no final da noite como se viessem ao engodo. Pareciam lulas com os olhos a brilhar...

Nota: Este "Patacas Bar" foi o local onde - diz a a lenda  - pai e filho ficaram ao balcão, a beber  ao lado um do outro sem se reconhecerem, tal o tamanho das cadelas que ambos traziam pela trela. Duas verdadeiras Serra da Estrela! E de pêlo comprido!!

Hoje estou domesticado. Mais que domesticado, tenho até algum receio destas cenas que metem copos a mais e consequentes ataques aos fígados e outras vísceras.  É a idade...

Mas a memória fica.

- "La culture, c'est ce qui reste dans l'homme lorsqu'il a tout oublié".
(Émile Henriot ).

De certeza que assim é. Mas acrescentarei:

- " E as recordações dos dias de ouro do fim da adolescência".

segunda-feira, agosto 11, 2014

Não era preciso partir a Taça!

A malta de vermelho anda ansiosa . Depois de terem ganho (suando) uma taça e talvez um guarda-redes ontem à noite, a alegria foi tanta que na sofreguidão de abraçar o troféu...deram cabo dele.

Há aqui duas interpretações.

Em primeiro lugar pode ser que, nos tempos de crise que correm, o material de que são feitas as Taças se tenha vindo a deteriorar: Ouro,  Prata Dourada, Prata, Bronze, Estanho, Aluminio, Folha de Flandres.

Por outro lado, é também possível que as idas diárias ao ginásio tenham inchado a musculação dos jogadores, que assim dobrariam metal como se fosse papel (bem preparados se o futebol fosse luta livre...).

O que me parece das imagens é que foi mesmo azelhice... O Paulo Lopes subiu à trave da baliza como se fosse a "chita" do Tarzan, sem se lembrar que a verdadeira chimpazé tinha outros argumentos naturais técnico-tácticos. E pumba.

 De todas as formas o que conta é o resultado. Parabéns Benfica! Só não era preciso partir a p**** da Taça...

Nota Final: Se puderem e souberem esclareçam-me... Quem , naquela equipa que ontem ganhou nos penalties, estará "escalado" para marcar golos nos 90 minutos da praxe? Algum guarda-redes suplente?? Talvez por isso tenha sido cooptado para adjunto do Jesus a antiga glória Minervino Pietra...

sexta-feira, agosto 08, 2014

Para Descansar a Vista... Neste Verão

O tempo que faz e há-de fazer é negócio dos deuses.

Longe de mim misturar a foice em seara alheia. A César o que é de César.

A única coisa que cabe ao mortal marafado com a tragédia das férias à chuva, será dar graças aos céus por não ser cliente do mau banco...

E se for? Se tivesse sido? Bem, carpir as moléstias também não consta que tenha dado pontos aos tristes...

De uma maneira ou doutra tenho para mim que se sempre fomos farroupilhas não será a queda de alguns bancos que nos fará estremecer.

Essas dores de alma estarão para aqueles que sendo pobres, ainda não são os "pobres dos pobres". São os médios. Quem se lixa é o mexilhão. Não é o berbigão nem a ameijoa grada...

Porque os outros que sempre foram ricos... Nas Maldivas, Caimãs, Jerseys ou Luxemburgos hão-de encontrar almofadas e colchões.

No fim de todas as contas, l'important c'est la rose...

Venha então poema a condizer do meu mestre José Afonso:

Que amor não me engana

Que amor não me engana
Com a sua brandura
Se de antiga chama
Mal vive a amargura

Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia

E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito

Muito à flor das águas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira

Em novas coutadas
Junto de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera

Assim tu souberas
Irmã cotovia
Dizer-me se esperas
O nascer do dia

José Afonso


quinta-feira, agosto 07, 2014

Em louvor do Robalo

Tive ( e acho que ainda tenho, chiça!!) dois amigos com o apelido Robalo. Um distinto colega do ISCTE e um outro distinto colega dos CTT, que depois fez carreira na PT.

Mas não é deles que hoje aqui trato. É do Robalo peixe mesmo. Do famoso "Loup de Mer" (para alguns Lubine) que enche as medidas de qualquer apreciador de peixe fresco.

Falar deste peixe é o mesmo que dar a conhecer ao país a figura típica do Tó Simão, um dos últimos pescadores artesanais de Cascais, o homem que conhece tão bem este peixe e as suas manhas que ao longo da sua carreira de pesca - mais de 35 anos - terá sido o maior fornecedor desta  "raça" para as mesas dos bons restaurantes da linha.

Mas atenção! Falo de pesca artesanal, com linhas! Nada que meta (nem a sonhar) aparelhos de arrasto!! Acho que menos mal fez à população "roubalar" o amigo Tó Simão em toda a sua vida de mar do que um arrastão numa semana e meia de trabalho!

Um dia , no Beira Mar, conseguimos espantar (o que não era fácil) o saudoso David Lopes Ramos, ao apresentarmos estes peixes da faina do Tó daquela madrugada, quase vivos, rijos de tal forma que pegando-se-lhes pela cauda nem dobravam! 

Nota: O Robalo está em alturas de reprodução de Janeiro a Março. Respeitem isso sff.

As duas  maneiras clássicas de preparar o Robalo para quem gosta de comer  - esta é uma farpazinha à malta dos "grelhadinhos" :):):) - são, ou no forno ou em arroz dito à "mestre de traineira" ou , mais simplesmente, "à pescador".  E aqui, nesta menção aos cozinhados, há ainda que salientar o caso de alguns restaurantes de Matosinhos, onde tradicionalmente o robalo de forno é acompanhado por arroz "fêmea", de grelos. Abençoados!

O Porto de Santa Maria fazia o Robalo no forno com puré de batata e era delicioso. O Beira Mar faz o mesmo Robalo com as chalotas e as batatas novas assadas e é de cair para o lado!

As receitas de Robalo no Forno são conhecidas. Aqui o único conselho é JAMAIS usarem tiras de presunto ou outro enchido por cima de tão divinal carne branca!! Sendo este um crime que devia ser punível por lei.

Quanto ao arroz de Robalo "à pescador" deixo aqui a receita que normalmente utilizo em minha casa.  Não ponho tomate para não carregar no gosto final. Pimento verde, sim. E sendo dos doces ainda melhor.

A vantagem deste arroz é que podemos aproveitar robalos com menor dimensão, embora eu recomende (se possível) que se afastem dos de viveiro, por causa da consistência da carne que durante a puxadinha é mister manter-se bem firme.

Arroz de Robalo para 4 pessoas

Numa panela dêem um apertão a 2 robalos partidos ao meio, com cerca de 750 g cada um. Temperem apenas com sal e um fiozinho de azeite.

Reservem a àgua. Limpem o peixe de espinhas e da pele e partam em bocados grossos. Escolham bem a carne das cabeças.

Num tacho de fundo espesso façam uma leve puxadinha com pimento doce verde, chalotas, allhos e um raminho de salsa. Juntem pimenta preta a gosto e uma mão de sal pequena.
Em apurando juntem os pedaços de robalo e um copo a Porto de vinho moscatel. Deixem alourar um pouco mais. Deitem depois o arroz ( eu uso arroz estufado, mas o carolino é sempre alternativa) e fritem o mesmo dentro da puxada por uns momentos.
Acabem deitando a água de cozer o Robalo na proporção de 3 partes de água para uma de arroz. Para 4 pessoas aconselho uma chávena e meia almoçadeira de arroz e , portanto,  4 chávenas e meia de água.
Rectifiquem de sal e deixem cozer até o arroz estar al dente.
Depois apaguem o lume, envolvam o tacho num pano de cozinha grosso e deixem abrir mais uns 5 ou 10 minutos em cima do bico já apagado.

Vai para a mesa no mesmo tacho, que podemos decorar com salsa picada.

Bom Apetite!

Para acompanhar um vinho Branco de classe e trapio: um Encruzado 2010, um Quinta dos Carvalhais Reserva 2010, ou um Condessa de Santar 2005.  Os três do Dão. Qualquer um de se lhes tirar o chapéu!

quarta-feira, agosto 06, 2014

SLB e BES, o fim de uma bela amizade...

As relações entre os três grandes e o banco que já era são conhecidas. Qualquer dos clubes seria financiado pelo BES ( e também pelo BCP) a vários níveis, embora a dimensão do financiamento e da subsequente "exposição" de cada clube ao colapso a que assistimos não fosse a mesma.

Se olharmos para os dados oficiais (ou, melhor dito, oficiosos, tal como aparecem em certos blogues ditos "especializados") o FCP estaria exposto a 10 milhões, o SLB a perto de 70 milhões e o SCP a mais de 85 milhões de euros.

Desta forma não se entende porque motivo só se observa o Benfica a caminhar para o mercado todos os dias com a alcofa dos jogadores, tal e qual como se fosse uma saloia (salvo o devido respeito) com as galinhas e os ovos castanhos lá da horta para vender...

Há quem explique que para além dessa "exposição" ao colapso do BES - que é comum aos três - o SLB teria mais um problema relacionado com a existência de um fundo de gestão (a quem pertencem direitos de alguns jogadores) e que era totalmente , ou em grande parte, propriedade do  ESAF Espírito Santo Fundos de Investimentos Mobiliários.

Para manter os jogadores no clube  é necessário que o próprio clube resgate os diversos "passes" quanto antes, encerrando o fundo. Ou então que venda os jogadores que por lá ainda se encontram... E partilhando o produto da venda com o investidor ESAF (80%?)

Estou a falar de uma coisa chamada "Benfica Stars Fund". E que deve ter dado um jeito do caraças quando se tratava de "antecipar" receitas... Mas agora...Pumba!

No meio disto tudo, bem diz o "outro":

- "Bem sei que estas coisas do pilim são assuntos do forno interno do Clube, mas não resisto a meter a colherada. Eu cá sou Jesus, mas há milagres que não consigo fazer! Queriam o Paris Chã Germã não? Eu é que não serei o bode respiratório disto tudo! Os jogadores não jogam a pinners carago!Para os jogadores se empulgarem tem de haver pilim! É antigo comómundo pôrra! Ou querem só contratar jogadores manetas por causa dos pénaltes na ganda área?!! Da-se! Tou-me a ir para Antenas não tarda nada! "

Bem dito!! Tás quase a chegar ao estilo do Eça de Queiroz!

terça-feira, agosto 05, 2014

A Ressaca do dia seguinte

Os filmes "The Hangover" ( A Ressaca) que começaram em 2009 e vão já na 3ª edição são uma paródia!

O primeiro relata a história de um grupo de amigos que reunem em Las Vegas para a festa de despedida de solteiro de um deles, mas quando acordam no dia seguinte a bebedeira foi de tal ordem que não só ninguém se lembra do que passou na noite anterior  como parece que perderam o noivo em parte incerta... Para compor a desgraça, no quarto , com eles, está um bébé que ninguém sabe quem é, e um tigre vivo dentro do roupeiro.

Mas não é desse tipo de "ressaca" que quero hoje falar, embora recomende vivamente que vejam estes filmes.

Falo da "ressaca" que se segue a um episódio marcante  - na sociedade ou na vida privada - como foi o de Domingo e Segunda feira, o filme de terror ao vivo que passámos em Portugal à volta do Banco Espírito Santo.

A "ressaca" no sentido de reacção ao acontecimento.  Há quem reaja rapidamente, e há o Banco de Portugal e a CMVM...

Leiam aqui sff um interessante artigo  sobre a auditoria externa ao BES e a forma como o Banco de Portugal reagiu (com a rapidez de um cágado): http://www.asjp.pt/2014/08/04/kpmg-avisou-banco-de-portugal-sobre-novo-buraco-no-bes/

O que se ficou a saber hoje sobre a solução encontrada para este caso de polícia, foi que os Bancos que irão arcar com a responsabilidade de recapitalizar o "Novo Banco" de nada sabiam sobre a decisão do BdP...

Os bancos não querem falar publicamente sobre a solução encontrada para o Banco Espírito Santo. Sabe-se que a opção de colocar o encargo da injecção no fundo de resolução, financiado pela banca, não agradou os banqueiros. Que o fizeram saber a Carlos Costa.

Questionados pelo Negócios, os bancos mantiveram-se em silêncio. Caixa Geral de Depósitos, Banco BPI e Banif fizeram saber que não irão fazer, por agora, comentários sobre o que aconteceu com o banco e a sua divisão em Novo Banco, com os depósitos e créditos bons, e em banco mau, com os activos tóxicos. O Banco Comercial Português remeteu para o Banco de Portugal quaisquer questões sobre o tema.

A procissão ainda não passou a porta da Igreja... Enquanto os detalhes sórdidos vão-se fazendo esperar, para gáudio de uma populaça ávida de distracção e de sangue nesta silly season, aqui deixo - com chapelada - o cartoon de Henrique Monteiro sobre o inevitável tema deste Agosto: o Novo banco!


segunda-feira, agosto 04, 2014

Uma Chatice

Estou em Seia, para o funeral da minha afilhada. Apesar de ser um daqueles casos em que pedimos que o desfecho seja tão rápido quanto for possível, a morte é sempre traumática, sobretudo em pessoa ainda tão nova.

O mistério da morte nunca deixa de impressionar, Porquê os filhos antes dos pais? Porquê os bons antes dos maus? Porquê tanto sofrimento para um desfecho adivinhado há meses atrás?

Devíamos nascer com um botão "liga\desliga".  Mas não nascemos. E é pena...

Desculpem lá, mas hoje não tenho muita vontade de brincar, como imaginam.

Amanhã será um novo dia.