sexta-feira, julho 03, 2015

Para Descansar a Vista...No Panteão




Resultado de imagem para Entrada do palácio de S. Bento, leões

Estou chegado de andanças muito eclesiásticas - S. Vicente de Fora e S. Pedro de Rates - carimbando a emissão dos "Caminhos de Santiago" junto de um dos meus padres preferidos, o Sr. Arcebispo D. Jorge Ortiga.

Hoje há a trasladação de Eusébio da Silva Ferreira para o Panteão, e já estive de manhã, nos Passos Perdidos de S. Bento (é só santos...) a carimbar mais uma vez...

Nota: De tanto carimbar a p*** da palma da mão já desenvolveu um calo. Ando a ver se o transformo em doença profissional...

Por acaso, e fruto de ter dormido menos de 5 horas nesta noite por ter regressado já tarde de Rates depois de quase 800 Km de carro no mesmo dia, acabei por chamar Guilherme Aguiar ao Dr. Guilherme Silva e Vice Presidente da Federação Portuguesa de Filatelia ao Humberto Coelho... Mas fora esses dislates correu tudo bem...

Aqui para nós,  não achei bem estarmos a fazer uma homenagem ao Eusébio numa sala onde a decoração proeminente dos tectos são leões...Para já não falar das bestiúnculas que se encontram à entrada, nas escaditas... Mas adiante que não estamos em Amarante.

Venham então uns versos para celebrar o Desporto .

Do grande António Aleixo ("Este livro que vos deixo") aqui vão algumas verdades.

Que já eram verdades quando foram escritas, mas que mantêm a actualidade!!

Vejam lá se não mantêm:

Desporto e Pedagogia

Diz ele que não sei ler 
Isso que tem? Cá na aldeia 
Não se arranjam dúzia e meia 
Que saibam ler e escrever. 

P'ra escolas não há bairrismo, 
Não há amor nem dinheiro. 
Por quê? Porque estão primeiro 
O Futebol e o Ciclismo! 

Desporto e pedagogia 
Se os juntassem, como irmãos, 
Esse conjunto daria, 
Verdadeiros cidadãos! 


Assim, sem darem as mãos, 
O que um faz, outro atrofia. 
Da educação desportiva, 
Que nos prepara p'ra vida, 
Fizeram luta renhida 
Sem nada de educativa. 

E o povo, espectador em altos gritos, 
Provoca, gesticula, a direito e torto, 
Crendo assim defender seus favoritos 
Sem lhe importar saber o que é desporto. 

Interessa é ganhar de qualquer maneira. 
Enquanto em campo o dever se atropela, 
Faz-se outro jogo lá na bilheiteira, 
Que enche os bolsinhos aos que vivem dela. 
 
Convém manter o Zé bem distraído 
Enquanto ele se entrega à diversão, 
Não pode ver por quantos é comido 
E nem se importa que o comam, ou não. 

E assim os ratos vão roendo o queijo 
E o Zé, sem ver que é palerma, que é bruto, 
De vez em quando solta o seu bocejo, 
Sem ter p'ra ceia nem pão, nem conduto. 

António Aleixo, in "Este Livro que Vos Deixo..." 

terça-feira, junho 30, 2015

O calor estraga os vinhos?

Os velhos adegueiros, lá na Beira Alta, não gostavam do Verão. Na sua opinião "o calor dava cabo dos vinhos".  Refugiados na adega era lá que faziam a tertúlia de Agosto (fazia fresquinho e tinham o "material" à mão de semear). E muitas vezes ali os ouvi a discorrerem sobre estas coisas.

Enquanto se esperava para o almoço  (uma horita antes) utilizava-se o clássico método do garrafão atado com uma guita e enviado para dentro do poço. Ali refrigerava até chegar à temperatura considerada adequada. Qual era ela?

Não sei bem. O método era empírico e a medida certa era a do gosto dos bebedores, dos convivas.  Lembro-me que no pino de Verão bebia-se o tinto quase que à mesma temperatura do branco, pois o velho poço não tinha termostato nem regulador de temperatura por secções...

A "regulação" era deitar o garrafão do branco lá para dentro meia hora antes do que o do tinto...

Essa era a aventura empírica dos tempos pré-ciência do vinho. Antes de chegarem os enólogos , os estudiosos do tema,  acompanhados dos seus engenheiros apologistas das vinificações a temperaturas controladas... Eram os tempos em que o Sr. Nicolau de Almeida mandava buscar gelo à Serra da Estrela para arrefecer os mostos do que viria a ser o Barca Velha clássico, dos anos 50 e 60.

Hoje em dia acho que podemos confirmar que é verdade. O calor estraga os vinhos. Estraga de mais do que uma forma.  Diminui o tempo de duração em garrafa, "ofende" o palato na altura da prova.

Já o frio apenas prejudica a prova, sendo até recomendado (sem exageros!) para ajudar a preservar as garrafas boas na adega.

Um tema neste momento bastante discutido é o da "uniformização" da temperatura do vinho a servir (tinto e branco).

Há quem defenda que, independentemente do ambiente ser de Agosto ou de Fevereiro, os vinhos terão que estar sempre à mesma temperatura (14º a 16º para os tintos mais encorpados e velhos; 12º a 14º para os tintos jovens; 6º para os espumantes e champanhes; 8º para brancos e verdes jovens ;10º a 12º para grandes brancos envelhecidos). Em média, está claro!

Mas há outros (onde por acaso eu me incluo) que acham que o ambiente tem influência , sobretudo se a prova se der em meios onde a temperatura não é condicionada. Isto porque o provador não se pode isolar da temperatura que faz, se está muito calor à mesa pode pedir ( e deve pedir) para lhe baixarem a temperatura do tinto para o limite mínimo da categoria. Se está frio , pelo contrário...

Claro que o ideal seria comer em salas preparadas para estarem sempre a 22º, de Verão ou de Inverno... Mas quem as tem lá em casa?

Imaginem uma cena tipicamente portuguesa: a sardinhada de Junho ou de Julho no meio de amigos, ao ar livre. Um assa as sardinhas (é o desgraçado do João...),  outros fazem as saladas, outros ainda tiram a pele às batatas cozidas. Algumas "mulas" sentam-se e esperam pelo prato (aqui tusso eu, um bocado embaraçado...).

Estarão debaixo do alpendre uns 32º ou 33º. Como se faz ao vinho? A nossa solução é iniciar as hostilidades com umas garrafas de espumante bruto (ao  pé do assador tem de estar sempre um flute cheio!). Continuar com um vinhão de Ponte de Lima (soberbo o de 2013). Até aqui não saímos da fasquia dos 6º a 8º...

Depois, na sossega e quando a adstringência pede um tinto a sério, lá abrimos 2 ou 3 garrafas de um tinto do Dão ou do Douro, mas jovem! Um vinho que aguente bem ser servido a 12º sem sofrer com isso. Lembro aqui dois:  Passagem (do Douro , primo do Poeira) ; Vinha Paz ( do Dão). Ambos de 2011.

segunda-feira, junho 29, 2015

A Grécia de hoje



Recordo-me mal das consequências que sofri (pessoalmente) no caso da crise de 1979\1980 (choque petrolífero).

A política dos países produtores - OPEP - que consistiu em subir os preços do barril quase 8 vezes (!!) desde 1973 , viria a criar enormes problemas de inflação nas nações industrializadas. Governos e bancos aumentaram as taxas de juro, agravando o problema de pagamento de dívidas, que ainda hoje atormentam grande parte dos países em vias de desenvolvimento. 

Nessa altura eu já trabalhava.
Dava aulas na Universidade e tinha acabado de entrar para os CTT. Mas como normalmente andava de transportes públicos (comboio e metro) não me recordo de grandes perturbações. Lembro-me do meu pai ir com o FIAT 1600 de noite para a fila do combustível, lembro-me de haver alguma contenção nas deslocações "à terra", que normalmente demoravam 5 horas e tal , e quase dois depósitos, pois o FIAT bebia como um alemão na Feira de Munique. Mas pouco mais.

Era novo, tinha acabado de casar, o mundo parecia "porreiro"...

Tenho por isso mesmo, alguma dificuldade em compreender o que espera os nossos amigos gregos a partir do dia de hoje (e em cima da "tareia" que já levaram nestes anos).

Não tomo partido.  Compreendo os dois pontos de vista:

Há quem diga que aquela gentinha grega teve anos de vacas gordas em barda e o que está agora a acontecer é o ajustamento inevitável, a caída na realidade. Há quem diga, por outro lado, que são os  euro-burocratas que estão a dar cabo do conceito humanista de Europa e que o  que vai acontecer é o início do fim do sonho, a derrocada dos ideais de Jean Monet e de Robert Schuman.

Deixando isso para lá da fronteira, uma coisa me parece certa: na Grécia ( como em qualquer país do mundo) houve pessoas que se "safaram" enquanto puderam e que estarão hoje mais ou menos a coberto da tempestade. Mas decerto que a maior parte do povo não teve culpa do que lhe aconteceu e está agora em iminente processo de retroagir dez ou vinte anos no desenvolvimento pessoal e institucional.

Há quem "empoche e ganhe " nestas alturas? Sim. E são muitos. Lembro o que aconteceu em Portugal com os famigerados cursos de formação pagos pela Comunidade Europeia... Não havia bicho careto que não se armasse em "formador da CEE". Quantos andares e casas se compraram à conta disso? E Beamers? E Mercedes?
Mas, e os outros que eram muitos mais? Os que não criaram empresas para dar formação (porque não tinham habilitações). Os que não roubaram dos Fundos Estruturais (porque a eles não tinham acesso). Os que não meteram para dentro os subsídios das cabeças de gado e dos Hectares (porque nem gado, nem terra tinham)?? E desses?  Ninguém fala??

Como sempre, desde que o mundo é mundo, serão esses milhões que sofreram, sofrem e vão sofrer.

Infelizmente , nestas ocasiões,  só se fala dos milhares que "roubaram, enganaram, vigarizaram, viveram bem à fartazana e melhor do que nós"... Não se fala dos outros.

Dos  milhões que não roubaram nem vigarizaram. Dos milhões que viveram como puderam em função das condições que lhes deram para tal. E que actualmente se vão ver aflitos com a falta de dinheiro para  farmácia, para a comida, para a escola, para a electricidade, para a água .

E aqui é que a porca torce o rabo ! São milhares os aproveitadores, são milhões os sofredores. Mas as decisões são tomadas em função desses milhares. E que se "prejudiquem" (para não dizer outra coisa) os restantes milhões  que vão com a cheia...

Não acho bem.

Como dizia o outro : "Não foi para isto que fizemos o 25 de Abril"!

Nem, digo eu, "Não foi para isto que a Europa travou duas guerras mundiais"!


sexta-feira, junho 26, 2015

Para Descansar a Vista...Na outra margem



LSB não é um anagrama de SLB! Não senhores! Trata-se das iniciais da nova proposta para dinamizar o turismo e o investimento lá na "margem sul"... O recém-criado Lisbon South Bay...
O que dizer da saloiada? Talvez desejar-lhe tantos anos de vida como teve a outra bimbalhice chamada "Allgarve". Lembram-se dela?  Eu também não , graças a Deus.

Vamos lá deixar estas "modernices" para trás e tratar de saudar os bons amigos da margem sul com um grande poeta de Setúbal, quase, mas mesmo quase, a ter homenagem com direito a selo e a carimbo na sua terra natal de Setúbal.

Nascemos para Amar

Nascemos para amar; a Humanidade 
Vai, tarde ou cedo, aos laços da ternura. 
Tu és doce atractivo, ó Formosura, 
Que encanta, que seduz, que persuade. 

Enleia-se por gosto a liberdade; 
E depois que a paixão na alma se apura, 
Alguns então lhe chamam desventura, 
Chamam-lhe alguns então felicidade. 

Qual se abisma nas lôbregas tristezas, 
Qual em suaves júbilos discorre, 
Com esperanças mil na ideia acesas. 

Amor ou desfalece, ou pára, ou corre: 
E, segundo as diversas naturezas, 
Um porfia, este esquece, aquele morre. 

Bocage, in 'Sonetos' 

quinta-feira, junho 25, 2015

Tempo de Melgas

Melga e mosquitoEncontrei informação científica sobre esta matéria (num site da "Dum-Dum" imaginem!!) mas não foi muito esclarecedora:

Melgas e Mosquitos são termos genéricos usados para designar várias famílias de insectos pertencentes à ordem Diptera e em particular, à subordem Nematocera, embora, estritamente falando,  se refiram apenas aos membros da família Culicidae. Na verdade, existem 39 géneros de melgas e mosquitos e 135 subgéneros no total, com mais de 3.200 espécies conhecidas. São insectos voadores com corpos magros e pernas longas. Os adultos raramente têm mais de 15 mm de comprimento. As larvas e pupas crescem na água.

No Verão estas bestiúnculas martirizam mais a pele das pessoas, pois será a altura em que (sempre segundo a "Dum-Dum") se encontram mais ativas.

Aqui para nós, digitei mal Dum-Dum e apareceu-me o site "Bum-Bum". Isso é que é um site porreiro Pá! Ganda site, sem melgas carago!! 

Mas tresvario e divago... Adiante que não estamos em Ipanema (hélas...).

Existe um mito urbano (e generalizável para campos e praias) segundo o qual há peles (existem indíviduos) com maior poder de atracção para estas alimárias. Seriam "pessoas de pele mais açucarada". As melgas castigariam assim as pessoas "mais doces", mais "boazinhas" e mais estimáveis.


Isso é mentira. 

Quando as noites de calor apertam e nos encontramos perto de água doce, não há ruindade ou malvadez que nos valha. Elas atacam como esquadrões de "stukas". Ai de quem se atreve a mostrar o corpo nessas alturas!

Nota: stuka é abreviatura de Sturzkampfflugzeug, o bombardeiro de mergulho  Junkers JU-87 que foi o caça mais utilizado pelos alemães na  2ª Grande Guerra.

O termo "Melga" foi depois generalizado no vernáculo da língua para também significar "indivíduo chato e implicativo; alguém que nos incomoda constantemente".  Conheço "melgas" destas que nunca mais acabam... E algumas entram todos os dias por nossa casa dentro, mesmo com portas e janelas bem fechadas, pela radio e pela TV... 

"Melga" também significa um daqueles assuntos que já não há pachorra para continuar a ver e\ou a ouvir em discussão infindável através dos meios de comunicação social.

Nesse sentido são grandessíssimas "Melgas " de assuntos: a possível participação do Prof. Marcelo nas presidenciais, a discussão do futuro de Maxi Pereira, o Dr. Rui Rio e o que fará, a nova namorada de CR7, a revista de Cristina Ferreira, a vida de Cristina Ferreira, os negócios de Cristina Ferreira, as escutas telefónicas dos USA  aos aliados (quem não foi escutado que se levante, pôrra!), quem irá para a liderança da FIFA e etc...

Quanto a esta questão da FIFA tenho por certo e sabido que será eleito quem o Senhor quiser. O mesmo em relação aos próximos vencedores da Champions , da Premier League e da Ligue 1 francesa. 

Apenas aqui em Portugal existem imponderáveis que não permitem  ao Senhor, ao  Altíssimo (aka Jorge Mendes) decidir o resultado. É o Belfodil e o Bruno da Ferramenta, por um lado, o Orelhas e sus muchachos, por outro, estando sempre à coca o Pintinho, velho mandril de rabo pelado que sabe mais a dormir que os outros todos acordados. O futebol luso é ingovernável.

Mas, Melga por Melga,  se tivéssemos  que eleger a maior Melga do reino animal (entre os vivos) o meu voto iria para uma pessoa e um assunto: a discussão sobre o Blatter (que ganda Melga!!) e quem lhe sucede,  e se o Platini avança , e que fará o Figo nessa conjuntura (com uma mulher como a dele eu sabia o que faria...). 

Go Home Blatter! Go Home!

quarta-feira, junho 24, 2015

Habemus Papam. E é verde!!



Nihil Obstat, Imprimi Potest, Imprimatur!  São estes os três passos na cega rega da aprovação eclesiástica de um texto (velho hábito a cheirar um pouco aos fumos da Inquisição), mas que ainda hoje se mantém.

Há alguns anos atrás a nova encíclica Laudato si (Louvado seja) não sei se teria passado no crivo assanhado dos rigorosos teólogos da Congregação para a Doutrina da Fé, a mais velha das nove Congregações da Cúria , a quem compete a análise da adesão das ideias escritas aos cânones.

De acordo com o Papa Francisco :
Em grande parte, é o ser humano, que dá chapadas à natureza, quem tem responsabilidade nas alterações climáticas. De certa forma, tornamo-nos donos da natureza, da mãe terra”...“o homem foi longe demais”.
Francisco traça um diagnóstico “preocupante” do meio ambiente e fala das desigualdades entre países pobres e ricos e da falta de “sensibilidade social”dos mercados e das empresas multinacionais – que exploram recursos naturais sem terem em conta as consequências que provocam nos territórios desfavorecidos".
O Papa apela a uma “maior responsabilidade sobre o planeta, cuja degradação se deve à acção humana".  Francisco insurge-se  ainda contra a “esquizofrenia permanente” e a “exaltação tecnocrática”  e critica o facto de a política e a economia não se colocarem “decisivamente ao serviço da vida, especialmente a vida humana”. “A política não deve submeter-se à economia e esta não deve submeter-se aos ditames e ao paradigma eficientista da tecnocracia”, escreve ainda Francisco, acusando a Finança de “sufocar a economia real”. Não se aprendeu a lição da crise financeira mundial e só muito lentamente se aprende a lição da degradação ambiental”.

Por acaso sempre gostei dos argentinos. Nessa matéria estou de acordo com meu mestre Quitério, um apaixonado por Buenos Aires e pelo tango. A isso junto Jorge Luis Borges e (porque não) Diego Maradona...  Os grelhados de carnes vacuns argentinas são do melhor que existe no mundo. E para terminar os grandes vinhos tintos de Malbec (Finca Adrianna ou Altamira) , que também são de cair para o lado!! 

Mas este argentino feito Papa bate tudo isso e mais alguns juntos.  Ganda Papa Chico!! Que tenha muita saúde e muitos anos de vida !  

terça-feira, junho 23, 2015

De regresso! E vim de motorizada!

Cá estou de novo, tenho logo apanhado pela frente a apresentação do nosso último livro "Motorizadas de 50 cc Portuguesas", hoje no Palácio de S. José 20 (podem ir malta!). 

A aventura dos motociclos de origem portuguesa demorou cerca de 40 anos, de 1950 até ao final da década de 90 do século passado. Durante esses anos um conjunto de empresas nacionais conseguiu “motorizar” milhares de cidadãos nacionais, quase todos trabalhadores que conseguiam a preço razoável ultrapassar um dos problemas mais complicados das periferias e das zonas rurais: a falta de meios de transporte público adequados.
Uma forma prática de chegar de casa ao trabalho nas fábricas que no rescaldo da 2ª Grande Guerra se abriam, mas também de chegar às vinhas e aos campos de cultivo, toda uma independência de movimentação pessoal que haveria de contradizer a antiga (medieval) associação psicológica e cultural entre estatuto social e o uso do meio de transporte.
Referindo-se ao período em causa  lembra o Prof. António Barreto (Mudança Social em Portugal 1960-2000): “…pela primeira vez parecia haver uma alternativa industrial ao emprego agrícola, o que implicava uma nova organização do trabalho, salários superiores e emprego durante mais tempo em cada ano. Entre 1960 e 1973 o rendimento nacional por habitante cresceu a mais de 6.5% ao ano, tendo sido esse o período de maior crescimento económico do país”.
Para ajudar a concretizar este pequeno milagre económico  contribuiu o humilde ciclomotor, nivelador de classe social, facilitador do acesso ao trabalho e ao emprego.
A motorizada de facto - e na devida proporção - democratizou a sociedade portuguesa.
Correios e meios de transporte estiveram também sempre intrinsecamente ligados. Por esse motivo os CTT Correios de Portugal aproveitaram o aparecimento dos motociclos e melhoraram em muito todos os seus circuitos de distribuição porta-a-porta. Em 1971 dá-se a regulamentação dos serviços de transportes postais e tem início a distribuição motorizada que permitirá que nenhuma população fique privada dos serviços postais.


É toda esta história que o jornalista especializado Pedro Pinto nos descreve neste livro, imensa matéria interessante nunca antes compilada sobre o mundo das motorizadas de 50 cc que, estou seguro,  interessará a qualquer leitor.

quarta-feira, junho 17, 2015

As questões da Toponímia

Penso que sabem que o nome "Cascais" derivaria do facto de ali se terem encontrado várias necrópoles neolíticas onde abundavam os vestígios de  conchas (cascas) de bivalves. Tantas eram essas "lixeiras" com cascas que se começou a referir "Cascais" para designar o local onde as mesmas se encontravam.

Bom, essa é uma das explicações... Existem outras a atirar mais para o vernáculo (tipo "calão").

Uma das que mais gosto conta-nos a história de D. Afonso Henriques, perseguindo os Mouros até ao castelo de Sintra e ali os sitiando com a sua hoste.

Consta que Dona Teresa, sua Mãe, teria acompanhado os cavaleiros cristãos e que, chegada  ao lugar que hoje é Cascais, à Praia da Rainha , nomeada em sua honra ( ganda treta, mas deixemos continuar) decidiu banhar-se nas águas aprazíveis do mar.

Não tendo trazido fato de banho, entrou assim mesmo como veio ao mundo pela baía adentro, nas barbas dos homens de armas de el-rei Afonso.

O Rei acorreu ao local e, vendo o que considerou grande aleivosia e altíssimo desmando, não está de modas. Entra pela água adentro e desata a bater na mãe (no que já tinha alguma prática, segundo se dizia).

O velho aio Egas Moniz bem o puxava de um lado e de outro, gritando em alta voz:

-"Senhor, senhor, porque lhe cascais assim?"

Esta fala foi depois repetida pelos  ricos-homens e infanções presentes na hoste:

 -" Não lhe Cascais mais Senhor! Não lhe Cascais mais!"

E pronto! "Cascais" teria assim nascido desta má acção do primeiro rei, um gajo aparentemente com problemas mal resolvidos  no que dizia respeito a esta coisa do relacionamento parental...
A Rainha não era flor que se cheirasse, sempre metida na cama com os galegos, mas pôrra! Mãe é mãe!

A não ser (e há quem o jure e trejure) que possivelmente não era D. Afonso Henriques filho do Conde e de Dona Teresa, mas sim filho do aio Egas Moniz... Teorias da conspiração que não se esclareceram completamente dado que a Scully e o Mulder abandonaram  a actividade laboral e , segundo parece da última vez que os vi, se dedicam agora à pesca...

Há também quem diga que esta propensão marginal a "aviar" tudo o que lhe aparecesse à frente tinha a ver com a educação do Afonsinho, criado na Feijoeira (bairro "típico" de Guimarães) por malta da pesada e habituado desde que abandonou as tetas ( seja lá de quem for) a andar sempre com uma moca de  Rio Maior pendurada ao pescoço, em vez da habitual chucha...

"Estórias" da história.


quinta-feira, junho 11, 2015

Emoções

Nestas férias andei pela Zona Centro. Primeiro em Coimbra, para a cerimónia de lançamento do IP comemorativo dos 75 Anos do Portugal dos Pequenitos ( com direito a Sr. Governo) , e depois uma visita a Tentugal,  à Pastelaria Afonso, para ver ( e provar) os famosos pastéis que ali são feitos respeitando escrupulosamente a receita tradicional que fez famoso o convento da terra.

Altura também para uma troca muito amigável de palavras com a Drª Olga Cavaleiro, Presidente da Confederação das Confrarias Gastronómicas de Portugal, para analisarmos a possibilidade de projectos comuns no âmbito das emissões filatélicas.

Está na forja ( digo, na Assembleia da República) a proposta de criação oficial de um Dia da Gastronomia Tradicional Portuguesa. E era engraçado comemorarmos filatelicamente a sua primeira realização, porventura já em 2016.

Em Junho ( durante as fériazinhas) tenho ainda a comemoração dos 80 Anos do Inatel (mais um Postal Inteiro)  e ainda outro Postal sobre o Dia Internacional do Ioga, sob proposta e em colaboração com a Embaixada da Índia. Mas esta cerimónia calha em cima do casamento em que serei "padrinho"...

Por isso nesse dia  alguém terá de se encarregar da "minha" caixa de carimbos de prata (Leitão&Irmão Antigos joalheiros da Coroa fecit), carinhosamente conhecida aqui nos CTT como "caixa dos sapatos"... Embora um Sr. Ministro amigo já lhe tenha também chamado "instrumento"...

Há "instrumentos" maiores (por exemplo a Tuba) mas aquela caixita já permite albergar um "instrumento" jeitoso, para aí com 30 cm... Para que é que alguém quer coisa maior? Mas divago.

Ala que estou de férias e hoje almoço com o velho amigo Prof. Carlos Fabião!

sexta-feira, junho 05, 2015

Ir de férias com os Santos



Inicio um período de férias entre esta Segunda Feira dia 8 e o dia 22 do mesmo mês.

Tenho casórios na aldeia serrana! De um deles serei o Padrinho!!

A responsabilidade é grande. Andar com a noiva no carro, sempre com um olho no cunhado e demais primos, não vão "descarrilar" no meio do "Copo de Água" ( se fosse só "de água" estava eu mais sossegado...).  O que vale é que o noivo é oficial da Guarda ( não estou a brincar!).

Posso ir espaçando os Posts aqui no Blog. Logo se vê como fica a inspiração antes e depois da preparação para os matrimónios (salvo seja!). Até já comecei a treinar a dicção para a leitura do Evangelho.

Em laia de aviso e de também de saudação às noivas e noivos aqui deixo um belo poema da minha ( e vossa) Sophia:

Contigo

Para atravessar contigo o deserto do mundo 
Para enfrentarmos juntos o terror da morte 
Para ver a verdade para perder o medo 
Ao lado dos teus passos caminhei 

Por ti deixei meu reino meu segredo 
Minha rápida noite meu silêncio 
Minha pérola redonda e seu oriente 
Meu espelho minha vida minha imagem 
E abandonei os jardins do paraíso 

Cá fora à luz sem véu do dia duro 
Sem os espelhos vi que estava nua 
E ao descampado se chamava tempo 

Por isso com teus gestos me vestiste 
E aprendi a viver em pleno vento 

Sophia de Mello Breyner Andresen, in 'Livro Sexto'

quinta-feira, junho 04, 2015

O vale, afinal, era Verde...

Temos o famoso linguista, semiólogo e filólogo Jorge Jesus em mais uma etapa da sua brilhante carreira, dirigindo-se agora com armas e bagagens para o outro lado da 2ª circular e poupando assim nas despesas de transporte e de mudança.

As razões desta alteração de percurso estão no coração. De facto é perto do órgão em causa, no bolso do peito, que  JJ costuma guardar a carteirita com os trocos.

Achei estranho, na última vez que o vi, estar o homem murmurando para si próprio:

-" Iscas Sem mãos? Junior Tikitaka? Frei Monteiro? Boi-cavalo? Evereste? Nabo com Sarro? Oriol do Rissol? Olha que pôrra! Que raio de equipa onde me meti..."

É de esperar que apoiado no ombro do grande presidente - Brutus do Coiso - estas dúvidas de início de trabalho sejam rapidamente ultrapassadas.

"Profetas da Descrença nada podem contra esta Equipa! Sobrinhos ( e tios, e primas) estão connosco! Viva a República Popular de Angola! ( e o seu mony)".

Segundo parece Luis Filipe Vieira está já a explorar o seu "Plano B".   "B" de Berço. Cidade Berço...

Mas alguns parecem acreditar que o "orelhas" estará mas é a acabar o prazo de validade dentro do clube. Leiam aqui sff:

http://comunidade.xl.pt/Record/blogs/semanada/archive/2015/06/03/o-caso-jesus-pode-ser-o-princ-237-pio-do-fim-de-lu-237-s-filipe-vieira.aspx

Voltas e reviravoltas.

Uma dúvida todavia me assola (bem escrito isto): Quando for o jogo para a super-taça mandam vir o Sub-Comissário Filipe Silva (mais os seus bastões)?  Pode ser preciso...Agora que o Guarda Abel se reformou e que o Máximo e o Barbas estão a ficar entradotes perdeu-se um bocado o respeito.

Um gajo tem que se entreter com alguma coisa e o circo das eleições ainda demora mais uns mesitos a aparecer cá no burgo para diversão dos tristes...

quarta-feira, junho 03, 2015

Três bastiões nacionais

Começando por cima: Presunto de Melgaço DOP . Produtor: Quinta de Folga (dos produtores do Alvarinho Soalheiro...) (http://www.quintadefolga.com/). De raça Bísara.

Passando para o lado: Presunto Bísaro de Trás-os-Montes. Produtor: Fumeiro do Bísaro (Gimonde)(http://www.bisaro.pt/?lang=pt&page=homepage/homepage.jsp#.VW6u1s9Viko).

E acabando em baixo: Presunto de Barrancos DOP. De raça Alentejana. Produtor: Casa do Porco Preto (http://www.porcopreto.iwork.pt/pt/produto/17/presunto-de-barrancos-dop-cortado-a-mao/).

Recomendo todos. Provei de todos e gostei de todos. São glórias nacionais que deveriam ser protegidas tal e qual como a Torre de Belém, linda jovem que perfaz 500 aninhos.

Tenho ainda uma Menção Honrosa para outro produto transtagano ( mas mais raro...).  Soledo de Mértola. (http://www.soledo.pt/pt/retalhista.php). Também ele admirável.

O que beber para acompanhar uma destas preciosidades?

Tarefa difícil que pede engenho e arte. A mais simples e diplomática forma de resolver o assunto seria a de fazer acompanhar cada um destes grandes presuntos com os vinhos tintos das suas terras: Vinhão do Minho, Tinto das Terras Frias de Trás-os-Montes; Tinto alentejano (de Portalegre para o meu gosto).

Mas porque não inventar e tentar fazer a mesma prova de copo de branco na mão?  Vinho branco sim senhores. Não me preguem na cruz sem experimentar sff!
E a alternativa que dou é um branco notável da Herdade de Portocarro (perto do Torrão). Chama-se Alfaiate.  Dele escreveu Rui Falcão:

"O vinho é um portento de austeridade, dureza, secura, extracto seco e frescura, um vinho à moda antiga que denuncia um perfil intemporal. Não tem nenhuma da frutinha tropical e sintomas de fogo-de-artifício que marcam muitos dos vinhos brancos actuais mas é um vinho sério, profundo, misterioso e que dá vontade de beber. E isso é um dos melhores elogios que se pode fazer a um vinho...".

Mas talvez mais importante do que isto tudo: bebi e gostei. Muito! Custou cerca de 13 € na Garrafeira Nacional. Colheita de 2013.


terça-feira, junho 02, 2015

A transmutação dos velhos restaurantes continua

Houve tempos em que muitos cafés clássicos de Lisboa e do Porto passaram a agências de bancos.

Em retrospectiva foram esses bons tempos, apesar dos pontapés na gramática do ordenamento urbano que essas transformações causavam...  E do ranger de dentes de muito cronista na imprensa de referência. Mas pelo menos o consumo privado ia-se fazendo, e os bancos iam angariando clientes e dinheiro.

Mais tarde viu-se  que tanto dinheiro à solta lá dentro das casas-fortes deu volta à cabeça de muito banqueiro e de muito bancário, desatando a emprestar a quem quer que fosse e sem qualquer critério. Mas isso foi depois.

 A crise de 2008 causou (também) que o fenómeno da mutação das fachadas comerciais nos centros das cidades  se tivesse invertido: fechavam agências de bancos, fechavam estações de correios, fechava o comércio tradicional de bairro, fechavam restaurantes familiares. E abriam lojas dos chineses, abriam "hamburguerias", abriam lojas de compra e venda de ouro.

Um dos últimos baluartes da restauração popular na zona da Praça D. Luis, em Lisboa,  acabou por não resistir à voracidade destes tempos.

A "Adega dos Macacos" vai ser transformada em mais uma "Hamburgueria"...

Depois de estoicamente ter sabido suportar as obras infindáveis do parque de estacionamento subterrâneo (em primeiro lugar) em frente ao mercado da Ribeira e ( a seguir) as obras da sede megalómana da "chinesa" EDP, não conseguiu enfrentar o aumento astronómico dos preços do aluguer.

O senhorio conteve as rendas durante uns 8 ou 9 anos, enquanto que o ordenamento das ruas e dos jardins esteve adiado, mas logo que a situação finalmente se recompôs afinfou-lhe a receita completa, não se esquecendo de ter em linha de conta para agravar as verbas os tais anos de contenção.

O problema é que o pouco pé-de-meia dos gerentes do restaurante foi-se esgotando nos tempos das vacas magras, quando apenas sobreviviam ao encerramento das ruas ao tráfego e à falta de estacionamentos, e não houve como esperar pela possível recuperação.

Temos assim mais uma casa de Hamburgers!  Era aquilo que mais faltava em Lisboa, como concordarão...

Uma palavra de simpatia e um abraço de amizade para o Sr. Luis que levou mais de 40 anos a atender-me.

Comecei por lá ir quando meu tio Joaquim era gerente do Fonsecas e Burnay da Rua de S. Paulo, e por vezes convidava o sobrinho universitário para almoçar com ele na Adega dos Macacos. E continuei depois, com mais frequência quando trabalhei em frente, no paradigmático edifício cor-de-rosa dos CTT , com torre de relógio.

Era uma casa honesta, onde por um prato do dia bem confeccionado e abundante, de tradicional cozinha portuguesa, se pagava cerca de 8 € e onde uma refeição completa, com vinho, queijo fresco, café e sobremesa, raramente excedia os 17 €...

Faziam por encomenda o arroz de línguas de bacalhau, o bacalhau assado e lascado à ribatejana e a carne do alguidar bem frita à portuguesa (sem a ameijoa). O peixe fresco ali da Ribeira (mesmo em frente) podia também ele ser encomendado e muitas "cabeças" lá comemos... De Cherne, de Garoupa, de Pescada, de Pargo...

Paz à sua Alma! Bom descanso para empregados e gerente!

segunda-feira, junho 01, 2015

Os "Outros"

Neste fim de semana tive de dar boleia às minhas santas que iam de visita a um sobrinho, meu primo em segundo grau, internado numa instituição particular para pessoas adultas com deficiência mental e  necessidades especiais.

Normalmente esses locais não fazem parte do nosso imaginário do fim de semana.

Mas é muito importante que existam na nossa sociedade organizações - públicas e privadas - que se preocupem com estes casos de deficiências , os quais muitas vezes se transformam em situações de grande ansiedade para pais idosos, com receio de morrer e deixarem os filhos com deficiência abandonados,  ou com medo de ficarem sem forças para manterem os cuidados em casa nestas condições.

Os "cuidadores" deste Centro onde fomos - muitos são voluntários que se chamam e são tratados como "padrinhos" - são de uma dedicação e de uma delicadeza que comove.

Este projecto específico - da CEDEMA - tenta apostar na integração na sociedade através de trabalho comunitário e da existência de um centro de dia onde os idosos da comunidade de Odivelas, onde o projecto está inserido, podem interagir com os utentes portadores da deficiência.

Um projecto científico está também em marcha, tentando investigar até que ponto a interacção dos utentes com as pessoas idosas das comunidades envolventes pode melhorar os processos cognitivos e comportamentais dos primeiros.

Obviamente que estes projectos têm de ser pagos, através da colaboração da Segurança Social e de alguns utentes que podem fazê-lo (pelo menos contribuindo com as suas pensões caso as tenham). Mas outros não têm quaisquer meios para financiar a estadia.

E aqui é que podemos entrar nós. Ajudando, está claro! Vejam aqui sff:

http://www.cedema.org.pt/textos.asp?tipo=quemsomos

No intervalo dos "comes e bebes", dos filmes e dos jogos de futebol,  manda o coração que haja algum tempo para dar atenção ao que realmente também importa.


sexta-feira, maio 29, 2015

Para Descansar a Vista

De André Breton (1896; 1966)  um belo poema: Para sempre.

Breton é uma das mais importantes figuras do surrealismo de todos os tempos. Fundador da revista "Litérature" , combateu pelos aliados na 1ª Grande Guerra  e  refugiou-se nos USA durante a ocupação alemã da França durante a 2ª Grande Guerra.

Poeta, filósofo, artista e galerista a ele se deve o lançamento na senda da arte moderna de Pablo Picasso, Joan Miró e Max Ernst, entre muitos outros.

O quadro aqui reproduzido é de Max Ernst.



Toujours
Ah voilà le retomber d'ailes inclus déjà dans le lâcher
D'emblée la voûte dans toute son horreur
Le mot polie rouillée et poule mouillée
Qui ronge le dessin de l'orgue de Barbarie

 Il n'est pas trop tôt qu'on commence à se garer
A comprendre que le phénix
Est fait d'éphémères
Une des idées mendiantes qui m'inspirent le plu» de compassion
 C'est qu'on croie pouvoir frapper de grief l'anachronisme
Comme si sous le rapport causal à merci interchangeable
Et à plus forte raison dans la quête de la liberté
A rebours de l'opinion admise on n'était pas autorisé à tenir la mémoire
Et tout ce qui se dépose de lourd avec elle
 Pour les sous-produits de l'imagination
Comme si j'étais fondé le moins du monde
A me croire moi d'une manière stable
Alors qu'il suffit d'une goutte d'oubli ce n'est pas rare
Pour qu'à l'instant où je me considère je vienne d'être tout autre et d'une autre goutte
 Pour que je me succède sous un aspect hors de conjecture
Comme si même le risque avec son imposant appareil de tentations et de syncopes
En dernière analyse n'était sujet à caution...

André Breton

quinta-feira, maio 28, 2015

Preços de Lisboa





Existem restaurantes por esse país fora que praticam os chamados "Preços de Lisboa". Outros não, têm propostas mais "maneirinhas" para o bolso do visitante.

 "Preços de Lisboa" foi um termo que comecei a usar (sem querer direitos de autor) para referir o preço elevado dos pratos e dos vinhos nas outras regiões do país, onde era suposto - em teoria - que restauradores e clientes estavam (bem) habituados a alguma contenção nas margens impostas.

Esta "teoria" tem vindo a desaparecer. A uniformização do IVA ( e a sua subida!) não ajuda a manter preços muito diferentes. E com a globalização da economia o que se verifica é que muitos hoteleiros recorrem aos mesmos fornecedores "Liedls", "Continentes",  "Makros" e outros assim, desde Vila Real de Santo António a Caminha.

Há 20 anos quem vinha da Invicta ao Porto de Santa Maria sabia que ia ao mais caro restaurante do país, e fazia gala nisso mesmo. Mas se lhe pedissem no Lusíadas, Chanquinhas, ou no Dom Manuel
 (de saudosa memória) os preços de kg (de peixe e marisco) do Santa Maria, mandava os respectivos donos ao médico da cabeça...

Claro que havia excepções: o "Fialho" sempre foi chamado a "Ourivesaria de Évora". A "Linda" de Viana do Castelo alinhava em preços pelo Guincho (mais ou menos). Para não falar dos "estrelados" do Algarve que então se começavam a destacar no panorama da cozinha criativa nacional.

Hoje, como expliquei, a norma será a harmonia das cartas de vinhos e de comidas ao longo do rectângulo . Mas continua a haver locais onde, por milagre dos proprietários ou por dedicação quase exclusiva a fornecedores locais, o preço da refeição é sempre mais convidativo do que na capital do império, mantendo-se mais ou menos constante o que enfardamos.

A carta de vinhos é sempre uma bitola interessante para julgar estas coisas. Enquanto que o Barca Velha , o Batuta e outros do tipo roçam sempre os 350 euros - independentemente da região do país -  já nos vinhos mais "normais" , embora de qualidade, se podem detectar algumas diferenças. Por exemplo, reparem nos preços do "Soalheiro". Podem ir de 18 euros a 25 euros. São quase 40% de diferença...

No "Arcoense", em Braga, casa de altíssimo nível, não detectei grandes diferenças entre aquilo que estou habituado a gastar aqui em Lisboa ou em Cascais.  Mas no também impecável "Carvalheira" de Ponte de Lima é certo e sabido que se come (até à exaustão) por cerca de metade dos preços sulistas.

Quem se abastece de vinho à porta das Adegas Cooperativas ou em produtores locais pode apresentar uma carta muito mais equilibrada ( para baixo).  Mesmo que utilizando o clássico factor de multiplicação da restauração, que por norma é já de 150%...

Um Vinhão de Ponte de Lima custa 4€ e pode ser vendido por 10€. Um Soalheiro pode custar à porta da quinta de Melgaço 8€ e, como eu disse, pode estar nas cartas a 18 € ou a 25 €...

Agora atentem nisto: Uma refeição para duas pessoas, com pata negra de Jabugo (prato grande); lavagante vivo nacional ( 1,2kg) ; Sarrabulho completo (com o arroz dito cujo e mais uma travessona de rojões, belouras, tripas, fígado e tudo o resto que é canónico); duas garrafas de verde branco Loureiro "Escolha"; 2 Pudins do Abade; 2 whiskys velhos: 2 cafés.

Quanto?

Pois...se fosse em Lisboa?  Não menos do que 250€. No Minho? 140€...

Eu gosto do Minho!!!

domingo, maio 24, 2015

A semana que entra e o mês que sai...

Na semana que começa daqui a bocadinho tenho a vida ocupada fora de Lisboa. Vou a Braga reunir com os responsáveis do Theatro-Circo (centenário este ano) e ainda com o Sr. Director do Seminário Menor, que leva já 90 anos a formar sacerdotes.
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Combinei já uma "visita" ao clássico restaurante "Arcoense", uma das catedrais de Braga. E direi como se passou. É sempre um regresso que costuma ser épico... Espero que nessa altura já possa trincar.  Por enquanto estou a dieta de "meios sólidos"...

Depois é a entrega dos Prémios AHRESP de 2014 - Venho a correr de Braga para chegar a tempo.

Antes da partida para a velha cidade romana do Sr. Augusto, na Segunda Feira, tínhamos combinado um arrozinho de línguas de bacalhau na Horta. Fugirei para lá assim que acabar a cerimónia do Carimbo Comemorativo no Picoas Plaza ligado às questões da Sustentabilidade Ambiental. E, de novo, espero bem que a p*** da cirurgia ao maxilar me permita apreciar a mestria da Paulinha.

Um gajo (moi) confia nos cirurgiões-dentistas quando nos dizem que se tratava de uma "pequena cirurgia", coisa simples... Mas  depois de estar feita e de duas horas a escarafunchar na boca da vítima, lá acabam por dizer:
"- Olhe, tome antibiótico e anti-inflamatório durante 7 dias e evite coisas quentes e frias. Coma , digo, beba líquidos..."

Um raio que os partisse a todos!!

E , já agora, devo dizer e declarar que a boca de um gajo não está feita para lá mexericarem duas mãos e dez dedos, nem dez minutos, quanto mais duas horas!!

Pôrra! Vão raspar os pêlos das pernas das legítimas com uma faca de cortar pão!! Da-se e Carago!!

Pronto. Já desabafei.

 Cabr***!

Já desabafei outra vez.

Finalmente, a partir de 5ª Feira tudo volta à vida normal e é de esperar que haja um Post nesse dia, dando notícia de tudo o que se vai passando.

As fotos no Face podem ir dando uma ideia desta vida airada.

Abraços e Beijos, consoante o sexo dos leitores e a permissão que derem.

sexta-feira, maio 22, 2015

Para Descansar a Vista


Num País onde cada vez se fala mais ( e mal) dá gosto ler meu Mestre Eugénio de Andrade.
Desta vez às voltas com um cão. Que saudades do Pinas...

 Oiço falar

Oiço falar da minha vocação
mendicante e sorrio. Porque não sei
se tal vocação não é apenas
uma escolha entre riquezas, como Keats
diz ser a poesia.
Desci á rua pensando nisto,
atravessei o jardim, um cão
saltava á minha frente,
louco com as folhas do outono
que principiara e doiravam
o chão. A música,
digamos assim,
a que toda a alma aspira,
quando a alma
aspira a ter do mundo o melhor dele,
corria á minha frente, subia
por certo aos ouvidos de deus
com a ajuda de um cão,
que nem sequer me pertencia.

 

quinta-feira, maio 21, 2015

AHRESP (e Arroz de Galinha)


Ontem estive a trabalhar na Comissão de Honra dos Prémios da AHRESP de 2014.  Teremos novidades sobre as escolhas no dia 27 de Maio, na Gala de atribuição dos ditos prémios.

Foi engraçado acompanhar os trabalhos e defender as nossas “damas” perante gente muito empenhada (todos os corpos dirigentes da AHRESP) e conhecedora. A organização do evento, muito profissional, esteve a cargo da GreenMedia.

E teve o patrocínio da Nissan, que nos possibilitou os seus novos veículos eléctricos “Leaf” para irmos almoçar ao Solar dos Presuntos, local onde (por acaso).  estava a malta do Glorioso completa . Tiraram-se fotos com o Jorge Jesus, perguntando-lhe se já tinha assinado com o Sporting… Disse que não.

Restaurantes e Hotéis são um bom sítio para cumprir o prometido e dar a receita do meu “Arroz de Galinha à Antiga”:

A matéria-prima é fundamental. Não se pode fazer um bom arroz , sápido e envolvente, com frangos de aviário. Por isso, comprem no mercado uma galinha das verdadeiras, com penas e tudo. Depois de limpa ponham-na a cozer numa panela com metade de um bom chouriço de proveniência exemplar. A outra metade é cortada às rodelas em crú e vai servir para decorar o tacho do arroz, tostando-a por cima no forno. Na panela podem deitar um fiozinho de azeite, sal, e pimenta preta.

Depois de cozida coam e aproveitam o caldo.

Fazemos de seguida uma puxadinha para fritar o arroz: cebola fininha e alho aos pedacinhos, mais um bocadinho de sal, bom azeite. Em estando alourado refrescamos com vinho  branco e metemos duas colheres de sopa de molho de tomate (já sabem que eu gosto do Barilla Olive) e uma lata de rodelas de azeitonas depois de escorrida.

A Galinha pode ser entretanto limpa de peles e ossos, para introduzir as lascas  no tacho do refogado. Ou então e para quem preferir, pode ser  simplesmente partida aos pedaços , mantendo a “vestimenta” de origem.  

Gosto ainda de introduzir no refogado um bom naco de presunto de qualidade, cortado em pedacinhos.

Apura ainda tudo por uns minutos sem introduzir o arroz.

Deita-se o arroz no tacho – que deve ser largo e de fundo bem espesso -  mexe-se bem e frita-se uns 2 minutos. Depois espevita-se o lume e entra o caldo de cozer a galinha.

Como queremos que vá ao forno mas nunca que seque em demasia, mantendo a desejada sapidez, a proporção de caldo para arroz deve ser de quase 3 para um.

Durante a cozedura testem o tempero de sal  pimenta.

Estando o arroz cozido ( e o forno previamente aquecido) destapa-se o tacho, introduz-se no forno com as rodelas de chouriço por cima e retira-se quando o chouriço estiver tostadinho.”

segunda-feira, maio 18, 2015

Alegrias peculiares


Resultado de imagem para SLB BicampeãoA alegria pode e deve ser contagiosa, mas não creio que nos “manuais de procedimentos” esteja alguma coisa escrita em como a mesma alegria deve evoluir para o vandalismo, a destruição e a pancadaria…

O SLB é BiCampeão! Vivas e barretes lançados ao ar! Abraços e beijos! Tudo a que temos direito!

Mas porquê estragar o que já é muito bom com bebedeiras descomunais, mijo na via pública, tapetes de garrafas partidas,  tiro ao alvo com pedras aos agentes, roubo e destruição de propriedade alheia?

Custa-me a compreender. Deve ser a idade…

E mesmo que entenda que este fenómenos do comportamento “bestial” das claques e das “juves” são transversais ao mundo do futebol e comuns a qualquer emblema, quando se  passa com a malta do “meu clube” fico mesmo lixado. Para não dizer outra coisa…

O comportamento dos grupos potencia sempre o desvario individual. E quer um quer o outro são muito influenciados pela copofonia.

Tenho a felicidade de viver num bairro muito calmo do Estoril. Mas como estamos relativamente perto da Escola de Hotelaria, quando há praxes ou outras movimentações académicas a malta da batina (por noma sossegada e estudiosa) deixa destapar o controlo emocional e vêm em bandos para as ruas perdidos de bêbedos, interrompendo a passagem de carros e de pessoas, deitando-se na via pública, fazendo as necessidades onde calha.

Tudo porque temos um café de bairro que faz o seu negócio vendendo álcool a rodos nestas ocasiões. Pede-se a intervenção da Guarda, já que existe a presunção que muitas das miúdas e miúdos que vimos naqueles preparos não têm ainda idade para beber.  O dono do café diz que o “desgraçam”, faz olhos carinhosos e deixam tudo em banho-maria até à próxima vez…

Terminada a “happy hour” a malta estudantil retoma a sua habitual tarefa de estudar. Andam envergonhados uns dias, mas logo passa.

São inevitabilidades do mundo moderno, dirão os mais experientes e sábios. Pode ser que sejam, mas não somos obrigados a gostar daquilo.
Eu não gosto!

sexta-feira, maio 15, 2015

Para descansar a vista

Há já algumas semanas que me tenho baldado ao poema das Sextas-feiras. Aqui me tento hoje redimir.
No dia em que se soube da morte de B.B.King (deixando a sua guitarra Lucille ”viúva”) dei por mim a pensar como têm semelhanças os Blues e o Fado.


Nem tanto na estrutura musical ou poética, mas sim na forma como são utilizados para “cantar a desgraça” ou adormecer a dor.


Se o Fado nos chegou do Brasil (defesa da origem afro-brasileira é  de Ruy Vieira Nery) e o Jazz em geral (com os Blues em particular) têm génese nas plantações de algodão (música de escravos) é possível pensar que as raízes profundas de ambas as expressões musicais estão em África.


Para rever o grande blues man: http://www.google.pt/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=video&cd=8&cad=rja&uact=8&ved=0CD4QtwIwBw&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D4fk2prKnYnI&ei=C59VVfXzBsSE7gbY8oHYDA&usg=AFQjCNFtIPxHbVkM3CD0n31m_k25EUhiQg&sig2=YnAlRqnmUfYtaIH5c4Xo-A&bvm=bv.93564037,d.ZGU

De um grande letrista do Fado – Pedro Homem de Mello – aqui fica um belo poema sobre o destino:
 

Fado
Porque é que Adeus me disseste
Ontem e não noutro dia,
Se os beijos que, ontem, me deste
Deixaram a noite fria?


Para quê voltar atrás
A uma esperança perdida?
As horas boas são más
Quando chega a despedida.


Meu coração já não sente.
Sei lá bem se já te vi!
Lembro-me de tanta gente
Que nem me lembro de ti.


Quem és tu que mal existes?
Entre nós, tudo acabou.
Mas pelos meus olhos tristes
Poderás saber quem sou!


Pedro Homem de Mello
Fandangueiro (1971)
In Poesias Escolhidas
Lisboa, INCM, 1983

quinta-feira, maio 14, 2015

Agulhas, ricos e camelos

Continuo lutando para me adaptar ao novo “aparelho”, sobretudo por ter um minúsculo écran de 13”, levezinho para transportar mas pouco prático para escrever durante horas a fio. Já vem a caminho um monitor de 20”. Até chegar estes posts serão mais pequenos.
O novo sistema operativo também não ajuda muito… Mas aqui a grande variável influenciadora é a PDI! Com o aproximar dos 60’s a malta começa a ter traços evidentes de rato toupeira. E o mundo desata a ficar cada vez mais longe. E desfocado…
Evidentemente que esta situação que envolve um queixume  traduzirá problemas de “abundância” – tal como o Jacinto de Paris, cuja melancolia perene se deveria a uma crise  de “Fartura” que o atacara desde que nascera no seu berço de ouro.
O gajo (moi) teve direito a um notebook do melhor e mais moderno que se pode comprar e ainda se queixa!
Pois queixo…Pena não ser um MacBook…
Se calhar ainda existirão portugueses cujo maior dilema na vida é a escolha da côr do Porsche ou a insuportável angústia associada a terem que decidir  entre as Maldivas e as Fiji para uma quinzena de férias…
Mas serão poucos.
A maioria tem de escolher entre o par de sapatos e as actividades extra-curriculares lá na escola dos putos.
Enquanto que muitos dos nossos velhos tomam os medicamentos dia sim, dia não, para fazer render a receitazinha.
Vivemos um tempo de apelo desenfreado ao consumo selectivo, onde se corta na comida para gastar na boutique,  a magreza é estatuto social e onde o mais importante parece ser o que se mostra e não aquilo que se é.
Pobre ou sem-abrigo é para esconder nos ghetos. “Quem os deixou vir para aqui?”
E a presunção da riqueza – apesar de BPN’s, BES,  PT’s e muitos outros etc… - continua a ser passaporte para muito vadio.
O Papa Francisco disse no Brasil: Queria bater em cada porta, dizer bom dia, pedir um copo de água, beber um cafezinho, mas não um copo de cachaça…
Todos temos que traçar um limite… Seja na cachaça ou noutra coisa supérflua qualquer.


terça-feira, maio 12, 2015

Novidades

Em Madrid correu tudo bem, mesmo incluindo a manif das Comissiones Obreras, a entrar pela cerimónia oficial dentro e a impedir a clássica carimbadela dos selos dos dinossauros dos colegas espanhóis, que muito amarelos ficaram com a ocorrência...






O Senhor Secretário de Estado, avisado a tempo do protesto, nem saíu do "coche".




Estive pouco tempo na cidade - que muito "me gusta", já agora - e o almoço foi oferecido pelos colegas, pelo que pouco adiantarei por cortesia.






 Almoçámos numa casa chamada "El Caldero", com cozinha típica de Murcia. Boa morcela de sangue, arroz de marisco assim-assim.






Antes tinha passado por uma casa de tapas - muito justamente chamada "El Cartero" - onde aviei uma sandes de Jamón pata negra e uma caña, por  isso às 14.30h a fome já não era muita.






Resultado de imagem para Selos do LinceOntem estive em Setúbal, para reunião na Câmara Municipal onde se debateu o programa do dia do Concelho - 15 de Setembro, Dia de Bocage. Estaremos presentes  com o  selo dedicado aos 250 anos do nascimento do grande Elmano Sadino. Com sobrescrito especialmente desenhado para a ocasião e carimbo a condizer.



Almocei na Taberna 490. Situada no número 490 da Av. Luisa Todi. Propriedade de uns amigos que conheci na Horta esta casinha tem muito que se recomende, como podem ter visto ontem pela "reportagem" no Face.






Ontem também foi o nosso primeiro Dia Aberto da Filatelia!!


Desde as 8.00h até às 18.00h recebemos os nossos clientes nas instalações da Rua João Saraiva, para falar com eles, para que eles pudessem carimbar as suas próprias peças , etc... Tínahmos um carimbo comemorativo desse dia também.


Mais de 50 fizeram as honras da casa. E ao fim do dia a felicidade de todos, dos que nos visitaram e do nosso pessoal era visível.





Vamos concerteza repetir.