sexta-feira, dezembro 30, 2005

Só acontece aos outros...


Mais de metade dos portugueses mantêm relações sexuais com indiferença ante os riscos da sida, segundo os resultados de um inquérito EXPRESSO/Eurosondagem.

Com efeito, 52,2% dos inquiridos responderam que a ameaça da doença não condiciona (ou condicionou no passado) a sua actividade sexual. Um sentimento mais assumido pelas mulheres (60,2%) do que pelos homens (44%).

Esta atitude de alheamento em relação aos perigos da enfermidade está também patente na resposta sobre o preservativo: um terço dos entrevistados (33,5%) diz que nunca usa, enquanto 28,8% só o fazem em certos casos.
EXPRESSO

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Pour le plaisir des yeux

Amadeu de Sousa Cardoso

Ary dos Santos

Natal

Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e comboios de luar
E mentes ao teu filho por não poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão

Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre de uma mulher

Ary dos Santos

sexta-feira, dezembro 23, 2005

O Bloguista Vai para a Beira Alta - Regresso a este Blogue a 3 de Janeiro

Amigos Leitores,

Vou para Seia entre o Natal e o Ano Novo.

Até ao meu regresso passem todos bem e tenham muita saúde (para além dos vinhos que vos fui recomendando neste ano também não se esqueçam dos guronsans, pankreoflats, hepaquifas e legallons - protectores hepáticos, defensores estomacais e reconstituintes) .

Um Santo Natal e uma Excelente Ano Novo para todos!!

Os Vinhos e Comidas do Ano Novo e da Passagem de Ano

Depois de ter demorado alguns dias a cozer a Grandessíssima Perua apanhada no decorrer da execução cuidadosa e rigorosa da Receita de Perú constante no Post anterior, o cozinheiro e suas hostes familiares preparam-se para resolver um Dilema:

Passar o Fim de Ano fora ou dentro da sua casa?

Com os Filhos normalmente não se conta nesses dias. Irmãos e irmãs, Primos e Primas, Sogros, Pais e Mães são envolvidos na equação.

Analisadas as hipóteses possíveis - e tendo em atenção a Crise - decidiu-se adiar para o ano que vem a reserva de mesa para 15 pessoas na Hotelaria de luxo, a uns módicos 350€ por cabeça, e pôr em marcha a "Operação Ano Novo em Casa".

Estamos a 28\12 (supomos...) e é altura para começar a comprar o que se vai comer e beber na Passagem e no Dia de Ano Novo.

Passagem do Ano
No meu caso não faço comida "a sério" para a véspera, para dar mais espaço ao convívio familiar e para tornar possível ter a mesa posta (e bem posta) durante toda a noite sem necessidade do "tira prato e pôe prato e mete lá na máquina e já não temos travessas que estão a lavar".

Abasteço-me de Patês, Foie gras e de fumados (peixes e carnes).

Dou aqui uma dica interessante (e passe a publicidade): O Grupo Aucham - Pão de Açucar, tem produtos deste tipo e de marca própria com uma qualidade muito razoável e a preços que não se comparam com os praticados no Corte Inglês e outros para as grandes marcas de Foie Gras e de Patês , como as do Fauchons, Rogier, etc... O Salmão fumado Irlandês Aucham tembém é muito bom.

Não me esqueço dos queijos - Serra ou Serpa, Azeitão, S. Jorge para as tapas. Aqui gasta-se um pouco mais se quisermos ter material de primeira. O Serra está a ap. 23€ o Kg, assim como os outros do mesmo gabarito.

Se possível (depende da "massa") encomendo um bom Presunto cortado à mão. Mas aqui não há volta a dar-lhe: deve ser Espanhol, Pata Negra ou Bolota e não se compra por menos de 110€ o Kg (e pode ser muito mais caro...). Junto-lhe um Paio do Lombo de idêntica origem e dois ou três salpicões de porco Bísaro, de Montezinho. Tudo fatiado tão fino quanto for possível.

Normalmente faço as minhas próprias tostas no forno, com pão rústico fatiado. Tem a vantagem de se irem fazendo e de estarem sempre quentes.
Por acaso ainda tenho em Alcabideche padaria artesanal para este tipo de pão a que se chama "de Mafra", mas nos super-mercados já se compra um pão especial bom para este fim.

Compôem a mesa Frutos secos, Laranjas, Maçãs Bravo de Esmolfe e Ananaz dos Açores - desde que se encontre bem maduro. É sina dos desgraçados dos continentais levar com os ananases de estufa ainda não amadurecidos, e que se tornam intragáveis se consumidos nesse ponto.

Convém ter Caldo Verde feito de véspera, para ser só aquecer lá mais para o fim da noite. Hoje em dia é fácil fazer esta sopa confortável para o estômago, já que se compram as couves já lavadas e migadas.

Quanto aos Vinhos para a Passagem do ano, e para evitar misturas que afectem o estômago, já de si ainda castigado pelos excessos do Natal, recomendo usarmos SÓ Espumantes.

Começando pelos novos e leves (o excelente Branco de Uvas Brancas Loridos, da Bacalhoa é uma boa opção).

Para a Meia-Noite nada melhor - em Portugal e com vinhos Portugueses - do que abrir uma ou duas garrafas do Espumante Rosé da Quinta dos Carvalhais de 2002.

Para fechar a noite, antes de deitar, um Espumante Nacional mais evoluído, como o Grande Reserva Vértice de 1999 ou de 2000.


Dia de Ano Novo

Existe uma tradição (parola mas justificável pela hora da "deita" na véspera) de que as famílias portuguesas comem fora no dia de Ano Novo.

Nada de mais errado!! Os restaurantes, mesmo os de preços superiores estão a abarrotar, a qualidade do atendimento e da comida ressente-se, espera-se horas a fio para sermos servidos, Enfim, é tudo mau!!

Coma-se em Casa nesse dia e deixem-se os Restaurantes para serem apreciados noutras alturas.

Como resolver então a questão das horas tardias a que nos levantamos? O Cozinheiro - embora nunca se embebede visivelmente dada a prática adquirida nestas lides báquicas - também tem direito a curtir a cama!

Sugiro que se faça aqui um pouco de batota, tal como para o Caldo Verde da véspera, e que se escolham as coisas comestíveis de acordo com estas restrições.

Deixemos o Cabrito ou a Perna de Borrego no Forno para outro Fim de Semana onde haja mais vagar e, para desenjoar da carne e dos enchidos, foies gras, etc... proponha-se a um Público (muitas vezes ingrato) uma... Caldeirada!!

A batota consiste em que a Caldeirada, com tudo para ser feito em cru, pode estar já de véspera num panelão, no frigorífico ou até numa Cave, com a tampa do Tacho bem atada, só à espera de ir para o Lume!

Na véspera, pela tarde, enquanto a malta menos habilidosa corta os enchidos e prapara a mesa com o resto dos acepipes, O Cozinheiro:

Retira ameijoas das brancas (as menos caras) e pôe no fundo de um Tacho grande até o cobrir completamente. Em cima das ameijoas coloca grandes e grossas rodelas de boa cebola. Por cima batata cortada também em rodelas grossas, Tomate maduro e fresco, Pimentos das duas cores, um ramo com salsa e coentros, alhos novos em corte grosseiro, malaguetas, e ... é começar a pôr o Peixe às postas. Deita-se Vinho Branco que baste, no máximo 20 cl.

Como gordura apenas Azeite!! Do melhor! Trás-os Montes, Murça, etc, etc, etc,

Recomendo que se compre um Tamboril inteiro para aproveitar os fígados (é mais barato e a cabeça serve para fazer um arroz magnífico, para outra vez) e que se junte uma posta por pessoa de pargo ou garoupa. Continuamos com lulas da traineira (não congeladas) e com pedaços de Safio e de Raia, também um por pessoa. Por mim nada mais ponho. Este peixe deve entrar no Tacho às camadas, alternando com as batatas e Tomate fresco aos bocados e Cebola.

Uma mão cheia de Sal grosso e... cerca de uma hora de lume forte, sem nunca mexer mas abanando uma ou outra vez o tacho para despegar..

Se tudo estiver nos conformes estamos à mesa por volta das 14.00H, tendo-nos levantado pelas 1200H .

Nada mau, não acham?

E quanto aos Vinhos para a Caldeirada? Cabe aqui tudo : Brancos ou Tintos como mais agradar ao freguês.

Recomendo Brancos mais evoluídos, como o Madrigal da Quinta do Monte D'Oiro, o Foz de Arouce ou o Quinta de Carvalhais Encruzado.

Em Tintos, precisamos de corpo mas não de aromas secundários ou terciários que denotam velhice. Tintos vigorosos e novos, como o Quinta do Vale de Dª Maria Douro, em garrafa Magnum de 2002 a 65€ ou ainda Confradeiro, Reserva Douro de 2002, a €15.

Manda a tradição que se "desgaste" a Caldeirada com uma boa bagaceira branca. Não conheço melhor, em Portugal, do que as que são feitas com engaços de cepas de vinhos verdes:

Palácio da Brejoeira , Alderiz ou Casa dos Cunhas são boas hipóteses.

Boas Festas para todos!!

João Araújo dá Receita Original para Perú de Natal

O nosso Amigo J. Araújo, cheio de sentimentos natalícios , não quis deixar de colaborar no receituário típico da Quadra, enviando-nos esta receita de Perú que parece ser , no mínimo, "envolvente":

RECEITA DE PERÚ COM WHISKY

Ingredientes: 1 garrafa de whisky (do bom, é claro!) 1 perú de aproximadamente 5 kg Sal, pimenta e molho verde a gosto 350 ml de azeite extra-virgem 500 g de bacon em fatias Nozes moídas q.b.

Modo de preparar: Envolver o perú no bacon e temperá-lo com sal, pimenta e molho verde a gosto. Massajá-lo com azeite.

Pré-aquecer o forno durante aprox. 10 minutos.

Beber uma boa dupla dose de whisky enquanto aguarda. Colocar o perú numa assadeira grande.

Sirva-se de mais duas doses de whisky.
Dar os retoques de elegância ao bicho: Aprumar-lhe o peito, empinar-lhe as asas e meter-lhe um bocadinho de salsa na cloaca (vulgo Cu) depois de, se assim o entender, previamente a ter devidamente limpa.

Mamar mais uma, milhor, talbez duas dosses do tal whisky caté é de boa qalidade, hein?
Ajustar o terbostato na marca 3 e, debois de uns binte bidutos, bonha para assassinar. Digu, assar a ave.
Beber bais uba dose de whisky.

Debois de bais beia hoda, fornar a prozeder à cabertura e controlar a asssadura do pato.
Tentar zentar na gadeira, zervir-se de uooooootra dosssse boa de whisky.

Gozer (?), gosturar(?), gozinhar (?), sei lá, f***-se lá o bedú.
Deixááár o vilho da buta do carbito ou galo ou o c****** no vorno bor ubas boas 4 a 8 horaz.

Tentar dirar a berda do cuelho ou berú, sei lá, de lá do couso… do corno… du forno.

Bandar bais uba boa dosssse de whisky pa dentro. Dendar nobabente dirar o cabrããão do berú do vorno, borgue na bribeira denndadiiiva dãão deeeeeeeuuuu.

Begar o berú, que gaiu no jão, e enjugar o vilho da buta gom o bano de limparrr o jão e gologá-lo duba pandeja, no caissote do lisso ou em galguer oudra bôrra, bois avinal, vozê até nem gossssssssta buito dessssa berda de bedú!
Brontos!

F***-ssssssse que tou zêco...

Maizum viskito pada limpade a guela!
Aaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!! Qa voa vinguita, …da-se!
Hic!

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Os Vinhos para as Festas

Mal parecia deixar por alguns dias o vosso convívio sem falar um pouco nos Vinhos para as Festas que se aproximam.

Véspera de Natal - Para o Bacalhau sugiro um Vinho alentejano novo Tinto, mas encorpado e com "raça": "Monte das Servas Reserva Seleccionada de 2003" .

Um Porto Vintage Fonseca Guimaraens de 1967 para acabar a noite com os fritos do costume, ou - no meu caso - um balão de Lagavullin Malte de 16 anos da Ilha de Islay para ajudar à desgraça...

Dia de Natal - Para quem ainda apresenta dois pratos à mesa - Um Peixe em Filetes, e o Cabrito ou o Perú - sugiro:

Filetes de Pescada - Quinta de Camarate Branco Seco 2002 (leve e aromático)
Foz de Arouce Branco de 2003 (este muito mais "vinho", se bebido de olhos fechados parece um Tinto...

Cabrito Assado - Uma Novidade de altíssimo Nível - Meruje 2003, Vinho Tinto do Douro feito especialmente por Dirk Niepoort para a "Lavradores de Feitoria". A €32 está um Espanto!!

Perú Assado - Para o McDonalds ambulante temos de beber um Vinho "vinhão" cujos sabor e bouquet esmaguem a insapidez da carne. Ora experimentem lá um Gouvyas de 2003 do Douro (a €35) ou um Vinha Paz Reserva de 2003 (Dão excelentíssimo) a cerca de 32€.

Amanhã falarei dos Vinhos para o Fim do Ano!

terça-feira, dezembro 20, 2005

Soares - Cavaco

Vencedores:
à direita: Cavaco
à esquerda: Alegre, Louçã e Jerónimo

Soares é arrogante.
É o dono da bola: ele é que sabe, ele é que manda.

A sua postura favoreceu Cavaco

Como ajudar a transformar o Perú (ou similar) em algo comestível

Já aqui disse o que era um Perú. Ave de tenra carne (sobretudo as peruas novinhas. Atenção que não há aqui segundas intenções!!) que vivia em tratamento ambulatório nas planícies e que comia frutos, couves, milho, etc...

Essa ave, excepto para alguns priveligiados, acabou.

Conto uma história curiosa:

Tinha casado há muito pouco tempo e ia passar o Natal, pela primeira vez, à quinta dos meus sogros na Beira Alta. A minha sogra criava perús, patos, galinhas e porcos (com vossa licença) lá na quinta e complementava-lhes a dieta de milho produzido na quinta com alfaces (no verão) e couves (no Inverno) . Matou-se a perua escolhida para o Natal de véspera, depois de a terem embebedado com boa bagaceira, depenou-se e deitou-se num alguidar de barro, com água, vinho branco , rodelas de laranja e de limão.

Antes de me deitar passei pela cozinha e fiquei assustado com o que vi. Subi para o quarto e falei com a minha mulher:"Oh Natália, não sei o que havemos de dizer à tua Mãe. Tanto trabalho com a perua e o animal estava doente...
- "Doente?!"
- "Sim. Está toda amarela , deve ser icterícia..."

Imaginem a risada que foi à conta do Alarve de Cascais que só tinha visto perus no supermercado, brancos como a neve depois de mortos e depenados!

Agora voltando ao tema, como se disfarça um Perú de aviário em algo agradável ao palato?

Comçamos a pensar no assunto, no mínimo, 48 horas antes da refeição.

O Banho de imersão de 24h, em água, rodelas de laranja e de limão é obrigatório. Antes disso, e em vez de misturar vinho branco na água, lavo muito bem o Perú com o vinho.

A seguir esfrego-o todo com "massa de pimentão" e com "massa de alho" (preparado com sal e alho amassados em conjunto). A "massa de alho" já se compra em qualquer super mercado sem problema. A "massa de Pimentão" é que é mais difícil de arranjar, pois na grande maioria as comerciais não têm qualidade. Tentem nalguma boa mercearia ou charcutaria. Eu utilizo a que compro no El Corte Inglês, mas quando vou ao Alentejo ou à Beira tento comprá-la nos mercados locais.

Fica assim mais 24h.

No dia do Almoço acendemos o forno nos 210º logo às 7.00H. Meia hora depois mete-se o Perú. Costumo colocar algumas nozes da melhor banha possível em cima da ave, bem assim como duas ou três malaguetas vermelhas.

Nota sobre a Banha: há quem utilize margarina. Desde que fui convidado para visitar a fábrica de margarinas da Lever fiquei-lhes com um enjoo tão grande que nunca mais a pude utilizar. Banha, Azeite ou Manteiga é o que recomendo. Mas a banha, para o caso vertente de um animal de aviário, tem mais sabor...

Quando há recheio - picado mandado fazer no talho com um chouriço de carne, 150g de vitela, 150g de porco, temperados com sal e pimenta, a que se juntam dois pães embebidos em leite - introduz-se no bucho do Perú nessa altura.

Quando não há (o que prefiro) enfio um Limão partido ao meio e muito bem lavado nos "interiores" do animal.

Rego o perú com bom vinho da Madeira.

Em princípio e por causa da "massa de alho" não precisa de mais sal. Mas vão provando o molho...

Vamos virando o Perú e regando sempre com o Madeira. Demora cerca de 5 horas a assar, para uma ave de perto de 5 Kg. Espeta-se um palito para termos a certeza. Quando sair seco está assado.

Antes de servir abre-se a janela da cozinha e deixa-se o Perú "a constipar" alguns minutos. Serve esta operação para estalar a pele.

E pronto, lá se consegue disfarçar a coisa...

A Gastronomia Inevitável da "Saison"

Estejam descansados que não vou falar só de Perú, ave que era de carne delicadíssima quando selvagem nas suas origens Ameríndias, ou mesmo quando , já domesticada e aqui em Portugal, viajava em bandos e comia da terra o que lá havia, no Alentejo e no Ribatejo.

Hoje é um McDonald´s ambulante alimentado a farinha de peixe...

Venho sim e obviamente, falar um pouco da Tradição do Natal: Consoada e Dia de Natal em terras portuguesas.

Aqui começa o problema, porque existe só um Natal, mas há várias formas de o celebrar gastronomicamente, de acordo com as regiões do País.

Desde a célebre refeição de Natal do Minho - que segundo Ramalho Ortigão, "desbancava todos os banquetes de Paris" - até às formas alternativas que os transtaganos têm de celebrar a mesma data.

Quando a Missa do Galo ainda era mais do que um episódio social compreende-se que não havia muito tempo, na véspera de Natal, para estarem as donas de casa atascadas na cozinha.

A mesa ficava posta de tarde - e assim se mantinha até aos Reis - e a comidinha da ceia tinha de ser escolhida para ser integrada no ritmo da liturgia.

Quando a Missa era à meia-noite, comia-se antes. Quando a Missa era às 21.00H comia-se depois.

Daí que o "fiel amigo" fosse "apertado" em breve fervura, assim como as batatas e as pencas (couves portuguesas) para depois da chegada da Missa ser apenas necessário um quarto de hora para começar a ceia.

No Norte o Polvo, em filetes, destrona o Bacalhau cozido como Ceia preferente.

Ainda antes de deitar fazem-se os fritos: filhoses, rabanadas, sonhos de abóbora, etc... bebe-se um Porto Vintage ou um Grogue, feito com Vinho Verde, açucar e canela.

A "deita" nunca se fazia antes das 2h ou das 3h da manhã.

Começava o Dia de Natal com mais outra Missa - desta vez às 10.00H ou às 11.00H - e vinha-se tratar do almoçinho.

Para quem se deitou tarde, almoçavasse "roupa velha " feita com as sobras do bacalhau da véspera e das couves.

Ao Jantar (ou ao almoço dos bem dormidos) : Cabrito serrano com batatinhas pequenas, no Norte e Centro; Lombo de Porco ou Caça, no Alentejo e Sul. E o tal Perú que se introduziu nos nossos hábitos alimentares a partir do Século XIX, um pouco por todo o País.

Em Trás-os -Montes era tradição fazer neste dia o Cozido Rico, onde entravam todas as espécies de carnes de vaca e de porco, frescas ou fumadas. Também - o que é curioso - em certas localidades Algarvias.

Sobremesas tradicionais eram o Leite Creme queimado no fogão com ferro em brasa e o Arroz Doce, numas terras sem ovos, para comer junto com o leite-creme, noutras com as gemas incorporadas.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

As sondagens e as desistências


Como observador não gostei nada da investida dos amigos de Mário Soares apelando à desistência dos restantes candidatos de esquerda

Será que este apelo é mesmo sincero?
Será que querem mesmo a desistência?

Na minha opinião a resposta é: Não.

A desistência dos três candidatos não gera mais votantes do que a soma das partes... sendo até mesmo provável que alguns se abstivessem.

Mas se a resposta é não, pergunta-se: Porque esta investida?

Este apelo cria um “facto político”: cria a sensação de não haver dúvidas que o Mário Soares passa à segunda volta.
E com este movimento gera-se a desmotivação, a descrença e o desânimo nas outras candidaturas de esquerda.

Consequência imediata: é uma ajuda forte para que finalmente nas sondagens Soares descole do Alegre.

Esta é a minha leitura
E continuo a afirmar que não gosto deste tipo de golpes baixos

Picasso - "Uma mulher que chora"

Para Sorrir

Com a devida Vénia aos Amigos do "Loja de Ideias"e a "Geo Sapiens":

Aqui vai uma sugestão para ser atendido com prioridade nos Hospitais Portugueses.

Está doente?

Dirija-se a um hospital.

E diga que lhe morreram as galinhas todas.

Fazem-lhe todos os exames....

e com sorte ainda aparece na televisão.

Eleições Presidenciais - A Análise dos "Apelos" e outros "Gritos de Alma"

Assistimos ontem e já hoje a uma série de "apelos" de gente grada do Partido Socialista, com o objectivo de unir a Esquerda logo à primeira volta e de contrariar desta forma a supremacia expectável de Cavaco Silva, vencedor "avant la lettre" e que poderá "malgré lui" ganhar as Eleições logo a 22 de Janeiro, sem necessidade nenhuma de 2ª Volta.

É importante percebermos duas coisas:

1) Todos os Partidos estão na posse de elementos sobre o comportamento eleitoral em Janeiro com maior índice de "refrescamento" - isto é, mais actuais - do que as Sondagens que vêm a público em datas certas.

Desta forma parece óbvio que o Horizonte "Vitória de Cavaco à 1ª Volta" deve estar cada vez mais pré-determinado com base na monitorização quase diária que os Partidos mandam fazer das intenções de voto dos Portugueses.

Eu próprio já aqui o afirmei em Posts anteriores: "parece-me difícil, no âmbito da minha experiência, que quem parte com esta vantagem venha a perder as Eleições, mas tudo depende da Campanha e dos Debates"

Ora os Debates têm sido tão estimulantes como o último filme do Manoel Oliveira (perdoe-se-me a comparação, mas fui vê-lo e sei do que estou a falar...)

2) Por outro lado, quem garante que a existência de dois candidatos apenas - Reparem que não me pronuncio sobre quem seria à esquerda o oponente de Cavaco! - dará menos probabilidade à Vitória de Cavaco à 1ª Volta?

A resposta está na Abstenção:

a) Dirão uns - "Idas às Urnas a dois são mais dramáticas, as posições extremadas geram mais polémica e mais ruído mediático, a Abstenção, nessas condições tem tendência a diminuir"

b) Mas, dirão outros - "Com a retirada voluntária de alguns candidatos da Esquerda as hostes respectivas desmotivam-se, os Eleitorados naturais perdem algum interesse, a Abstenção terá tendência a aumentar por esses factores".

O engraçado é que ambos os fenómenos a) e b) se verificam ao mesmo tempo, como o prova a literatura mais actualizada e credível sobre esta matéria!!

Mas este "jogo" não tem soma nula! Isto é, o número dos que se motivam mais com a extremação de posições não é igual ao dos que se desmotivam com o abandono dos seus candidatos!

O Problema está em saber qual o factor (positivo ou negativo face à Abstenção total) pesa mais no caso vertente!

Eu, por enquanto, não arrisco prognósticos.

Prometo, como já é costume, dar a minha opinião sobre Vitória ou não de Cavaco à 1ª Volta e ainda sobre quem será o candidato da Esquerda mais votado (reparem que não digo "o que passa à 2ª Volta...") quando tiver os meus últimos resultados de Sondagem, entre 15 e 18 de Janeiro.

Homenagem a um Grande Erudito

Dei ontem um pulo à Gulbenkian para assistir ao início das Conferências que recordam a memória de Padre Manuel Antunes (Companhia de Jesus) insigne Ensaísta, Professor da Faculdade de Letras de Lisboa, Filósofo, Historiador e (talvez) o maior Professor de Humanidades (Antiguidade Clássica) que tivemos. Foi Redactor e depois Director da Brotéria, onde começou a escrever, tendo-nos deixado uma série de Livros notáveis.

As aulas do Padre Manuel Antunes estavam cheias até aos corredores, de diversas pessoas que nada tinham a ver com a Faculdade... Quase que não sobrava espaço para os verdadeiros alunos!

Nessa altura eu era Estudante do ISCTE e já fazia questão de estar presente quando os meus horários o permitiam.

Manuel Antunes foi convidado para ensinar na Faculdade de Letras por Vitorino Nemésio e era grandioso ver - nas suas aulas - logo nas primeiras filas, Nemésio, David Mourão-Ferreira, Virgínia Rau (só para citar alguns dos grandes professores de Letras da altura) e o Padre Manuel Antunes aflito com a honra: " Oh Senhor Professor para que se esteve a incomodar? Venha aqui para a frente para a mesa..."

Comunicador nato e um grande espírito de erudição (leccionava História da Antiguidade Clássica, no Curso de Filosofia da FL) foi também um Homem moderno, aberto aos ventos de mudança e que saudou a Revolução de Abril - em entrevistas na rádio e nos jornais - como perfeitamente benéfica para arejar as empoeiradas salas de aula do Ensino Superior.

Bem fez o Senhor Presidente da República por se ter associado a esta justíssima homenagem!

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Soares 0 - Alegre 0



Soares odeia todos os que discordam dele.


Soares trata o Alegre da mesma forma como lidou com o Zenha.

Transpira ódio.

Não gosto deste tipo de atitude.

Rapto do Serralho... em vez do debate Cavaco - Jerónimo

Estreada com grande sucesso em Viena em 1782, o Rapto do Serralho é considerada por muitos como a primeira ópera alemã. Quando o imperador ouviu esta obra, na noite de estreia, acrescentou ao seu elogio que "ela contém um número muito grande de notas". O compositor teria respondido que se tratava de "tantas notas quanto eram necessárias",

Vejamos a história contada nesta Ópera:
Belmonte desembarcando na costa turca à procura de sua noiva Constanze, raptada juntamente com Blonde, sua criada, e Pedrilho, valete de Belmont.
Presa na residência do paxá Selim ela é cortejada mas não se entrega, mesmo sob a ameaça de tortura. Passando-se por um arquitecto famoso o namorado trama a libertação da amada, com apoio do seu valete, mas são surpreendidos na fuga.
Ao se revelar filho de Lostados, governador de Oran, seu inimigo, o paxá vê possibilidade de vingança, mas acaba perdoando Belmont, pois não quer se igualar ao governador, cuja crueldade despreza.


A história dos Árabes na Península Ibérica mostrou que eram muito mais tolerantes que os que vieram depois...
Esta tolerância não tem nada semelhante às condenações à morte que são exercidas em vários países, nomeadamente nos EUA.


Ontem mesmo Stanley Tookie Williams foi executado.
Mesmo em prisão iniciou um trabalho destinado a combater a violência de gangs juvenis (ele foi um líder dum gang que espalhou a violência em LA). Publicou livros, um site na Internet, nomeado várias vezes para o Nobel da Paz e embora em todo o mundo houvesse pedidos de clemência o governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger (tal como nos filmes) não perdoou.

Como são muito diferentes estas duas histórias!

terça-feira, dezembro 13, 2005

Reconhecimento Internacional dos Vinhos Portugueses

Tenho vindo a recolher informação dispersa mas consistente sobre artigos (citados em Portugal ou na Net) de jornais e Revistas especializadas estrangeiras sobre o panorama enológico de Portugal.

Ora vejamos:

a) Wine Enthusiast apresentou a sua lista dos 100 melhores vinhos do Mundo em 2005. Quatro eram portugueses (já aqui citados).
b) New York Times considera os Vinhos portugueses como "The next Big Thing".
c) Wine Spectator (talvez a mais conceituada Revista do mundo sobre Vinhos) colocou uma Empresa Portuguesa no grupo das 20 Empresas mundiais do ramo com melhor e mais consistente relação qualidade\preço (Caves Aliança).
d)Wall Street Journal fez uma prova de 50 vinhos portugueses, todos retirados das prateleiras de lojas e super-mercados de NY, e todos por menos de 20 USD, tendo concluído que "combinam muito bem com uma extraordinária variedade de pratos e são mais baratos do que os outros".
e) Rough Guides (Edição de 2005) considera que "o País vive num isolamento esplêndido(!?) e os seus vinhos são hoje reconhecidos pela excelência"

As escolhas do NYTimes de Grandes Vinhos portugueses aqui ficam como curiosidade:

Excelentes
Vale Meão 2001
Vinha do Fojo 1998
Pintas 2001
Gaivosa 1997

Muito Bons
JMF Domini 2000
Quinta da Manuela 2000 (Crasto)
Quinta dos 4 Ventos 2000

Se pensarmos que, há 4 ou 5 anos atrás apenas o Grande Senhor do Douro "Porto - Quinta do Noval Nacional" aparecia referenciado como um dos melhores vinhos do mundo nos seus anos de Excelência, como 1994 ...

Percorremos um caminho longo e difícil, e estamos - diria eu com alguma humildade - às portas do reconhecimento enológico internacional, mesmo assim muito atrás da França, EUA, Espanha ou da Itália e já ultrapassados pelo Chile e pela Austrália.

Vamos a ver se não nos deixamos inebriar por estes preâmbulos e deitar tudo a perder quando chegarmos aos "finalmente"...

segunda-feira, dezembro 12, 2005

2.140 > 30.000?


Segundo Bush morreram no Iraque:
2140 Americanos...
e 30.000 Iraquianos (mais ou menos...)

Há, no entanto, imensas diferenças:

Os americanos são um número preciso, têm nome, família, história, funerais pagos, etc.

Os Iraquianos, são um qualquer número.
Não contam!
E segundo organizações independentes as mortes são cerca de 100.000.

Dolorosos números em nome da democracia

Alegre 1 - Louçã 0

Um mau debate com desempate na fase final.

As Malheiras, O Senhor Palhares e o Nosso Paulo Palhares

O mundo é Pequeno para tanto Português... Ora tomem lá este Comentário do Amigo Paulo Palhares sobre a gastronomia de Viana:

Caro Raul

Fico muito satisfeito pela recepção gastronómica com que um parente meu te presenteou. O meu avô Manuel Palhares, natural da freguesia de Lara, Concelho de Monção, foi para Angola em fins do sec. XIX e aí teve numerosa prole, sendo eu um dos seus descendentes.

Pela citação a família Palhares ( ramos europeu e africano) agradece.

Paulo Palhares

O Erro na minha Amostra

Alguns Colegas têm posto em causa o facto de não se mencionar o Erro do Processo Amostral que é utilizado nestas minhas previsões "académicas".

Lembro que o Erro das Sondagens publicadas é, grosseiramente, calculado em função da dimensão da Amostra.

Erro = Ao Inverso da Raíz Quadrada de "n".

O pressuposto deste cálculo é uma Amostragem Aleatória, com probabilidades teóricas semelhantes para o Sucesso e para o Insucesso. Falamos em probabilidades semelhantes pois são as que Maximizam a Variância do estudo, constituindo assim a hipótese mais pessimista possível, dentro do mesmo enquadramento amostral. Chama-se a isto "jogar à defesa".

Para apenas 230 Entrevistas o Erro calculado desta forma aproximar-se-ia dos 7%. O que é muito grande face ao habitual.

Mas...Quando a constituição da Amostra não é Aleatória e é bem feita, segmentada por variáveis que nós pensamos ser bem ajustadas à explicação dos comportamentos, a sua dimensão não condiciona demasiado os resultados!

É este o segredo da boa Amostragem: Adivinhar que dimensões\variáveis condicionam a tomada de Decisão.

Simplesmente, nestes casos de procedimentos não aleatórios a Estatística não nos permite calcular o Erro associado ao Estudo...

Não é que ele (erro) não exista! Existe sempre, mas não sabemos dimensioná-lo ANTES do acontecimento (A Eleição) se verificar.

Apenas "Depois" das Eleições podemos ter a noção se acertámos ou se errámos...

Presidenciais - A Segunda Volta

Resultados "quentinhos" mandados agora da faculdade para complementar os de há pouco...

Cavaco Silva - 68%
Manuel Alegre - 32%

Cavaco Silva - 67%
Mário Soares - 33%

Nada de novo se não uma consistência face aos tremendos "empates técnicos" anteriormente relevados em duas questões essenciais.

a) Cavaco ganha à Primeira Volta ou não?
b) Soares ou Alegre para uma hipotética Segunda Volta?

Importa dizer que estes e os outros Resultados previsionais foram calculados com base em entrevistas realizadas entre 6 e 11 de Dezembrom portanto com já alguma influência dos debates.
Mas lembro a todos o texto magistral de Pedro Magalhães, no seu Margens de Erro, sobre a influência dos Debates no Voto Popular...

Próximas (e últimas previsões) entre 13 e 18 de Janeiro.

Presidenciais 2006 - As nossas Previsões

Mais um capítulo das Previsões feitas com base num Processo Amostral sui generis, por entrevista telefónica mas limitado (pela falta de verba...) a 230 entrevistas feitas por alunos, no âmbito de uma formatação pedagógica.

Já sabem que indecisos, etc... foram divididos pelos Candidatos com base em pressupostos específicos, onde entra o resultado das últimas Legislativas.

Cavaco Silva - 50%
Manuel Alegre - 20%
Mário Soares- 20%
Jerónimo de Sousa - 6%
Francisco Louçã- 4%

Empate Técnico de Mário Soares e de Manuel Alegre
Cavaco continua com hipóteses de ganhar à 1ª Volta, mas perde algum terreno.

Observação Importante - a Abstenção está ao mesmo nível... O que é mau sinal para a esquerda vista como um todo; menor abstenção obrigará a uma segunda volta quse que de certeza...

Os Aristocratas Esquecidos - Generosos de Portugal

De facto (vide Post do A.A.Campos) nem só de Porto vive o panorama dos grandes vinhos licorosos ou generosos de Portugal:

O da Madeira , excelente sobretudo o que é feito de "canteiro".

O Moscatel da península de Setúbal (JMF ou Bacalhoa)

E o antiquíssimo Carcavelos, agora em vias de extinção depois do falecimento do Dr. Bulhosa.

Não devemos, contudo, tirar mérito à respectiva utilização na alta gastronomia. Nem que seja pela publicidade gratuita que fazem aos Vinhos...

O problema está em que muita gente utiliza nas preparações gastronómicas "arremedos" de vinhos, sejam eles Portos ou Madeiras, ao invés de investir em produtos de grande qualidade ( e que, passe a graça , também servem para ir consolando o "queima cebolas" de serviço com o que vai ficando na garrafa...)

domingo, dezembro 11, 2005

Vinho da Madeira


O Raul desafia um leitor a falar de vinhos do Porto... ou se calhar Generoso e/ou Douro...
Perante esta proposta, e como madeirense, não posso ficar estático:

Os portugueses continuam a beber pouco Madeira mas há algo que é preciso que se diga: um velho Madeira, com mais de cem anos é, regra geral, melhor e apresenta mais saúde que um Porto com a mesma idade. São vinhos absolutamente magníficos e que merecem ser conhecidos porque não é admissível que um português não conheça um dos melhores vinhos generosos que se fazem no Mundo... (João Paulo Martins 2002

Boas propostas (O mesmo João Paulo Martins em 2006)

Blandy 1975 (Verão quente...)
Prova de 2005 – Perfeito no aroma, rico e cheio de notas de fruto seco e tons marítimos. Belo equilíbrio na boca, perto da perfeição, em virtude da proporção de todos os elementos.
Classificação 8 (num máximo de 8)

Bual 1964
Prova de 2005. Ganhou com os anos em casco, uma austeridade que é notável; todo ele está redondo, mas externamente vigoroso no aroma, impondo um perfil cheio de fruto seco. Muito bem proporcionado e redondo na boba, é um Bual muito afinado e cheio de personalidade...”

Classificação 7/8
Pode ser comprado na
Rua dos Ferreiros, 191,
9000-082 FUNCHAL

E não me venham dizer que o vinho da Madeira só serve para... temperos.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Louçã 3 - Cavaco 1

Finalmente algo semelhante a um debate.

Um Desafio a um Leitor nosso

Talvez não saibam, mas temos como Leitor assíduo deste nosso Blogue um dos maiores conhecedores (não profissional) da temática de Vinhos do Porto, sobretudo de Vintages, dos quais tem - segundo me parece - uma colecção notável!

Ora esta temática do Vinho do Porto será - com pena minha - uma das que menos investiguei no panorama vitivinícola de Portugal, sem dúvida por - confesso - não ter sido habituado a apreciar esse nosso Ex-Libris em casa de meus Pais.

Blogue com peças de gastronomia e enologia, publicado em Portugal, e sem referência ao Vinho do Porto parece heresia!

Para a frente Amigo !

Manda-me os Posts que eu Publico!

Comentário aos "peixes de Viana"

O Amigo João Araújo comenta com graça o Post sobre a "Taverna do Valentim":

"Finalmente um dedicado a doentes como eu. Peixe tem mercúrio, mas colesterol não.Tem sido um gratíssimo prazer visitar este blog. E não só por ser de amigos.

João Araújo
08 December, 2005"

Os CTT e a Dimensão Digital da Actividade Postal

Alguns Colegas e Amigos nossos fazem a seguinte Proposta que anexo:


OS CTT COMO OPERADOR MVNO

1. Na década de setenta, quando nos acolheu no seu seio, a Empresa ainda se dedicava ao transporte de correio (as correspondências, mas também as encomendas) e de telecomunicações.
Um pouco mais tarde, justamente quando no início dos anos noventa a fileira digital se separou da fileira postal, muito poucos terão sido os que então pensaram que uma nova reaproximação entre estas duas entidades seria uma mera questão de tempo.
Pois bem, o anúncio feito pelos CTT da prevista oferta ao mercado da CEPU aí está para nos provar a todos que, definitivamente, esse momento de reaproximação entre as duas fileiras entretanto chegou.

2. Sendo desde sempre adeptos incondicionais desta reaproximação, vimos transmitir a nossa perspectiva face aos objectivos que têm vindo a ser enunciados pelo PCA de oferta pelos CTT de produtos e serviços como MVNO (Mobile Virtual Network Operator).
De agora em diante pretendemos trazer ao conhecimento de todos alguns dos resultados dos estudos que temos vindo a fazer sobre este assunto; por ora, apenas resumiremos a base do que pensamos actualmente sobre o que poderá ser a oferta do MVNO dos CTT.
Os serviços incluirão aplicações em voz, dados e vídeo-conferência (a televisão não entrará no pacote da oferta).
A rede principal a utilizar será a do espectro radioeléctrico (incluindo as redes terrestre e por satélite).
O principal factor de sucesso do MVNO dos CTT consistirá na oferta às empresas de produtos diferenciadores e inovadores desenvolvidos para nichos de mercado de âmbito geográfico nacional (a oferta será do tipo de valor acrescentado, evitando-se assim o mais possível a venda exclusiva dos serviços básicos; desta forma teremos em vista não canibalizarmos os clientes dos MNO, nem alterarmos a sua escala, nem, finalmente, exercermos pressão sobre os preços); o desenho dos produtos visará sobretudo o segmento empresarial, na perspectiva B2C.
Haverá que considerar diversos grupos de produtos: "recuperação" das mensagens da fileira postal, negócios empresariais, negócios de base social (o "serviço digital universal"?), etc.

O pacote oferecido não poderá esquecer a chamada indústria dos conteúdos.

O(s) nosso(s) parceiro(s) deverá(ão) ser escolhido(s) com base na avaliação de diversos factores, sendo que alguns deles estão imbrincados entre si: preço de acesso ao MNO, qualidade, tecnologia (GSM? CDMA? outra?), terminais, quadro regulatório, etc.
A escolha do(s) parceiro(s) deverá entrar ainda em linha de conta com a adopção da estratégia considerada como sendo a mais adequada para alcançarmos os objectivos de longo prazo, face à forma de evolução mais provável do complexo quadro regulatório.

3. A entrada decidida da Empresa neste universo novo é urgente por diversas razões, algumas das quais são óbvias (chamada de atenção especial para o embrião que representou para este nosso trabalho o facto do Zé Manel Paz sempre ter trabalhado na rede radioeléctrica dos Correios).

Fazemos votos para que este debate se instale e desenvolva rapidamente e permita trazer ao conhecimento de todos o entendimento do que deverão vir a ser os formatos das modernas formas de envio de mensagens que surgirão em resposta às tecnologias e aos paradigmas das primeiras décadas do século vinte e um".

ACÍLIO GODINHO, ALBANO ROSA, JOSÉ MANUEL PAZ e PAULO PALHARES

quarta-feira, dezembro 07, 2005

Gastronomia em Viana : O Segredo das margens do Lis

Hesitei se deveria ou não escrever este comentário gastronómico.

Há tanta casa de altíssimo nível, mas mal preparada para as enchentes de público e que se tem "afundado" exactamente por causa da invulgar afluência e da pressão sobre a cozinha e sobre o serviço...

Mas, a quem quero eu enganar? Este Blog não é o Expresso!! Façam o favor de se servir das minhas recomendações, Ó dezenas de Leitores fiéis que nunca constituirão forma de pressão numérica que se veja ! Bem feito para os outros milhões que não terão acesso a estas "pérolas" da minha sabedoria...

Situem-se nos Correios de Viana - Estação Central na Av dos Combatentes, e não as modernas instalações lá mais para cima a caminho do IC1.

Vamos dar a direita aos CTT e começemos a descer a Avenida.

A uns 100 metros - sempre pela direita - encontramos a famosa e antiga Rua pedonal Manuel Espregueira, onde se alberga grande parte do comércio local.

Avancemos uns bons 500 metros nessa rua até chegarmos a um Largo com Igreja, o Largo de São Domingos.

Tomemos à esquerda a Rua Góis Pinho e, quando deparamos com o Café MuKaba viremos nessa esquina , à direita, para a Rua Monsenhor Daniel Machado, pequena viela que nos lembra a Mouraria (para quem é de Lisboa).

Mais 500 metros de caminho, mas agora com os olhos bem abertos! Sensivelmente a meio da Rua em causa , à direita, enconmtra-se uma discreta e pequena porta verde e janela da mesma cor, com pequeno letreiro indicador de que estamos perante a "Taverna do Valentim".

Acharam difícil? Então tentem encontrar esta Taverna à noite e a chover a cântaros...

Casa pequena (daí o intróito desta crónica) na posse da mesma família há mais de 80 anos.
Peixe, só peixe: fresco como o Mar o dá!
Mesmo assim tem pouca variedade, se não existir encomenda prévia. Mas..

Ali comi o melhor arroz de peixe que já passou por esta garganta!!
Com vinhos verdes (numa carta de pouca escolha) café e sem sobremesa - já não havia espaço! Dois viandantes pagaram a enormidade de ... 22€

Aproveitem e não divulguem muito!

terça-feira, dezembro 06, 2005

Pour le plaisir des yeux

Chagall

Braga-Parques à conquista de Lisboa...

Quem é que pode (sabe) explicar as negociatas que decorrem em Lisboa com os terrenos do Parque Mayer e da Feira Popular?

Os habitantes desta cidade têm o direito de saber a resposta!

A Gastronomia em Viana - Parte 2

A tradição familiar , quando em Viana do Castelo, mandava os Moreiras comer na Cozinha das Malheiras, Restaurante na Rua Gago Coutinho, à Praça da República, mesmo no centro de Viana, onde pontifica na Sala há mais de 20 anos, o estimável Senhor Palhares.

Foi o que fiz nesta altura da visita a Vile de Punhe, jantando na véspera do Dia do Selo na "casa do Sr. Palhares".

Come-se muito bem nas Malheiras, sobretudo a Lampreia (que era a perdição de meu Pai) e o Sável .

Será um dos poucos Restaurantes em Portugal onde a escabechada de Sável pode ser encomendada para peixes inteiros de 2 ou 3 Kg (claro que têm de ficar 3 dias ou mais dentro do escabeche, para amolecer as espinhas e impregnar o sabor).

Não estávamos em Fevereiro ou em Março, por isso as propostas foram outras: Santola no seu Carro e Filetes de Pescada com Arroz de Tomate.

A primeira receita é típica de Viana e consiste numa Santola impressionantemente fresca e de bom tamanho, cozida ao momento e cujo recheio é depois complementado apenas com ovo cozido, molho cor de rosa (m. cocktail cá em Lisboa) salsa finamente picada e um tudo nada de sal e pimenta (piri-piri para quem gosta).

Tem de vir quente para a mesa (sinal de que foi mesmo cozida na altura) e , quando o bicho está bem cheio e ovado, é um monumento da cozinha nacional.

Os simples Filetes de Pescada são um Amigo antigo deste vosso cronista. Tenho registados os melhores restaurantes do País onde esta simples preparação da Pescada atinge os cumes da perfeição "lucular": Beira Mar em Cascais; Restaurantes António (a Leça) e Aleixo (a Campanhã), no Porto.

O segredo deste prato consiste em só servir peixe fresco, em não salgar nem temperar em demasia (um simples fio de sal mesmo antes de fritar é suficiente), em cortar os filetes grossos de pescadas com mais de 3 Kg e, finalmente, em saber fritar ao ponto, sem escurecer o polme.

Estes das Malheiras, embora não cortados tão altos como eu aprecio, estavam impecáveis de fescura e de fritura mesmo no ponto.

Não houve sobremesa, mas provou-se um Presunto de Melgaço, artesanal (sim, parece que ainda existe presunto em Restaurantes de Portugal para além do Pata Negra...) delicioso.

O Vinho , nas Malheiras, é sempre o Verde particular, Alvarinho ou Loureiro, de Lavrador Amigo do Sr. Palhares. A Aguardente de Vinho Verde envelhecida em casco, idem idem.

Com isto tudo, mais um café ( e o Hotel era a 100 metros a pé, fiquem descansados) paguei € 76 para duas pessoas.

Obrigado Amigo Palhares!

Viagem a Vila de Punhe - Parte 2

As celebrações do Dia do Selo conseguiram reunir, em Vila de Punhe, no Salão Nobre da Junta de Freguesia local, mais de 150 Filatelistas vindos de todo o País, desde Santo André até Caminha (que fica perto...).

À primeira vista nada disto parece ser de mais, e até pareceria de menos para uma actividade com tantos "pergaminhos", mas quem, como eu, já presenciou muitos Dias do Selo tristonhos e apáticos, mesmo em Lisboa e no Porto, tem de reconher que as "hostes filatélicas" estavam neste ano bem motivadas!

E tantas crianças ocupando as primeiras filas do anfiteatro!

Essa foi a minha maior alegria: ouvir miúdos de 11 anos a falar de Filatelia e a fazer perguntas sobre as melhores formas de expor as suas colecções!

O enquadramento mediático, com jornalistas do Porto, de Viana e de Aveiro também foi inesperado (nada como descentralizar para obter cobertura jornalística!).

A presença do Vereador da Cultura da Câmara Municipal de Viana, que discursou, também não é normal nestas circunstâncias ...

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Pour le plaisir des yeux

Chagall

Alegre 2 - Cavaco 1

A Gastronomia da Visita a Vila de Punhe - O Manjar do Marquês (à Ida)

Lembram-se todos do Restaurante da Nacional 1, entre Leiria e Pombal, famoso pelos filetes de bacalhau e pelo arroz de tomate? Na altura em que não existia Auto-Estrada, e nas viagens para Seia, era minha paragem obrigatória para dar alento às quase 6 horas que demorava desde o Estoril até chegar às portas de casa dos meus sogros.

Ora bem, esse Restaurante está bem e recomenda-se!!

Para além do imenso balcão que acomoda os "Passantes" com menos tempo para comer, possui uma sala de jantar de aspecto muito cuidado, com bom serviço e excelente "amesendação" - cadeiras, mesas, toalhas e talheres de fazer inveja a muitos "Restaurantes de luxo" que existem em Lisboa.

Tem uma Cozinha de muito bom nível, feita pela Mãe do proprietário, mas, sobretudo, tem uma carta de vinhos e um serviço de vinhos ímpares: pelo gosto que o dono da casa pôe nesta vertente da sua oferta gastronómica, e ainda pela seriedade com que marca os Grandes Vinhos portugueses na sua carta.

Em mais parte nenhuma (daquilo que conheço em restauração) vi tão bons vinhos a preços tão próximos dos praticados no comércio de retalho!

Provei as entradas da casa (Tabuleiro com salada de bacalhau, salada de Polvo, croquetes, rissóis, pastéis de bacalhau a sair da frigideira e salada fresca de pepino, pimento e tomate). Continuei por um bacalhau assado no forno (excelente esta posta, comprada em Aveiro segundo me disseram).

Bebi um flute de espumante Bruto Vértice e uma garrafa de Foz do Arouce Tinto de 2001 (enfim, deixei metade por motivos óbvios).

Com um café paguei €35!! Imaginem o Foz de Arouce 2001 a 18€ por cada garrafa e o flute do Vértice a 2€!! Já comprei o mesmo Tinto em Garrafeiras por 15€...

Boa Comida, excelentes Vinhos a preços Honestíssimos: vale a pena o desvio de cerca de 15 minutos que se faz vindo na A1 e saindo no desvio "Pombal". Depois é só seguir os letreiros que indicam o "Manjar do Marquês"

Memórias de uma visita a Vila de Punhe - Barroselas ; Parte 1

O Dia Nacional do Selo comemorou-se este ano em Vila de Punhe, por iniciativa da FPF e tendo como objectivo incentivar o trabalho notável que nessa Vila próxima de Viana do Castelo tem feito o Prof. Marcial Passos com os Alunos da escola E.B2,3/S de Barroselas.

Constituem alguns destes alunos um Núcleo Filatélico Juvenil que expôe e já ganhou prémios em Barcelona, competindo com os melhores de Espanha na sua categoria.

Aproveitou-se a ocasião para Homenagear o grande Humanista, Poeta (Castro Gil é o seu pseudónimo) e Professor Catedrático de Humanidades e Linguística Amadeu Rodrigues Torres, filho da mesma localidade.

"Selos Postais, rémiges tensas de gaivotas,
Frémitos de andorinha ou solto maçarico
Ou cegonhas gentis carregando em seu bico
Mensagens e ânsias mil de resguardadas quotas."

Castro Gil

sábado, dezembro 03, 2005

EUA bem acompanhados...



Ontem foi executado o milésimo condenado à morte nos EUA.

Nesta, como em muitas outras atitudes condenáveis , este país está bem acompanhado...



Em 2004 foram executadas:
3400 pessoas na China
159 no Irão
64 no Vietnam
59 nos EUA

Os regimes mais injustos espalhados pelo mundo têm os EUA como exemplo a seguir...

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Manuel de Brito


Antes do 25 de Abril e mesmo sem capacidade económica para comprar qualquer quadro, já frequentava a Galeria 111, ali ao Campo Grande.

Em homenagem ao Manuel de Brito escolhi duas grandes artistas portuguesas que expuseram nesta galeria por diversas vezes.

Paula Rego e Graça Morais

quarta-feira, novembro 30, 2005

Morreu um senhor!

Desapareceu Manuel de Brito, o maior galerista do país e grande amigo da Filatelia e dos Correios de Portugal.

Múltiplas vezes a ele recorremos para reproduzir imagens nas nossas edições.

Bons ventos te levem Amigo Manuel de Brito!

terça-feira, novembro 29, 2005

Fernando Pessoa - 70 anos

Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão,
Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem de muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atrás de si a orla vã do seu fumo.
Vem entrando, e a manhã entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos de trás dos navios que estão no porto.
Há uma vaga brisa.
Mas a minh´alma está com o que vejo menos,
Com o paquete que entra,
Porque ele está com a Distância, com a Manhã,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Com um começar a enjoar, mas no espírito.
Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente (...)

ODE MARÍTIMA – Álvaro de Campos

Comentários Enológicos

1) O El Corte Inglês abriu uma loja "Gourmet" na Quinta da Beloura (entre Cascais e Sintra) a tempo das compras do Natal.

Vão lá ver os vinhos e as gourmandises para esta época do ano e, se tiverem coragem, comprem algumas das coisas que estão em exposição. Os Foie Gras e salmões fumados irlandeses são uma tentação...

Estão lá dos melhores vinhos que se fazem não só neste país como também em Espanha. Os preços é que são um problema... Mas é importante conhecermos os preços, por uma questão de cultura geral e para nos prepararmos para as cartas dos restaurantes.

2) Ainda está à venda nalgumas lojas da cadeia Pão de Açucar (eu encontrei em Alfragide) um grande e barato (relativamente) vinho alentejano: Monte das Servas Colheita Seleccionada 2003 a 8.99€!! A não perder!!

3) Está quase impossível encontrar nas lojas um dos mais afamados Vinhos do Dão dos últimos anos, concorrente do PAPE 2001 e do Garrafeira 2000 da Quinta dos Roques: Vinha Paz Reserva 2003. Encontra-se o Vinha Paz normal, mas não a Reserva.

Pelo telefone identifiquei uma garrafeira (a do Campo Alegre, no Porto) onde ainda existem algumas garrafas a perto de 24€.

O Bloguista vai a Viana. Posts regressam na Segunda Feira 5\12

Para assegurar a participação dos Correios no Dia Nacional do Selo Postal e Congresso da Federação Portuguesa de Filatelia parto para Barroselas amanhã.

Próximo Post : Segunda Feira, 5\12.

Espero trazer notícias da notável gastronomia Minhota!

segunda-feira, novembro 28, 2005

Ernst Schade

Chamo novamente a atenção para o website deste meu amigo.
www.ernstschade.com
A não perder!

A Tradição da Golegâ - Versão Raul

Frequento a Golegâ desde que me lembro.

Meu Avô paterno era aficionado de Touros e de Cavalos e muito cedo habituou o neto a essas andanças: chovesse ou fizesse sol o S. Martinho era sempre na Feira.

Com o passar dos anos, e depois do meu Avô ter falecido, continuei a honrar essa tradição familiar, embora com algumas adaptações aos tempos que correm. A mais importante talvez diga respeito à maior sensibilidade que eu tenho face aos consumos "dentro da Feira", com relevo para as àguas-pés , cervejas, etc... dos quais partilho com muita parcimónia.
Meu Avô tudo bebia e tudo comia e nunca dei que lhe fizesse mal...

Por norma marco sempre Almoço no Chico Elias (em Algaravias, à saída de Tomar) no dia em que vou à Feira. A Dª Céu, excelente cozinheira que aprendeu em casa de Mestre José Quitério, faz uns pratos deliciosos e que não se comem em mais lado nenhum (é claro que tudo só por encomenda) dentre eles destaco o Coelho na Abóbora e o Bacalhau com carne.

Depois vou para a Golegâ, onde costumo chegar por volta das 16.00H. Daí até voltar para Lisboa (lá para as 24.00H) é só ver se encontro Amigos de outros tempos e banquetear os olhos com os cavalos e as amazonas que preenchem a Manga do Arneiro.

Quando se janta (nem sempre, depende dos petiscos partilhadas nas "casetas" dos criadores ) é num restaurante "móvel" que a Companhia das Lezírias desloca para a Feira e onde se pode comer um decente "arroz de costela" acompanhado pelos vinhos das Lezírias.

Na Feira tudo se perdoa: o mau serviço dos restaurantes, as casas de banho impróprias, os preços inflaccionados, os encontrões e as grandes "cadelas" (parecem serras-da estrela) que por lá se vislumbram à medida que cai a noite.

Há algo de mágico na Golegâ, sobretudo em noites onde o frio e a fumaraça dos assadores de castanhas nos dão a ideia de que caminhamos por fantasmagóricos "moors" escoceses retirados de uma novela gótica. Nem falta o cheiro de cavalos e o ruído dos cascos para dar ambiente!

O problema é a partida: ter o cuidado necessário para fazer uma "autoavaliação alcoólica" ou, ainda melhor, compartilhar os prazeres da Feira com quem beba pouco.

Este ano tudo correu da melhor maneira possível. Boa Feira (enfim, não foi das melhores dos últimos anos, mas muito razoável) Bom Almoço (sempre insuperável o Chico Elias) e regresso a casa sem qualquer problema.

Espero que para o ano seja também assim.

Artigo de Albano Rosa

O Amigo Albano dá a sua opinião sobre os Sistemas de Informação modernos e o Tráfego Postal em declínio:


CIPOST - O PPR DA FILEIRA POSTAL

A ameaça colocada pela fileira digital à fileira postal em Portugal é mais forte do que em muitos outros países: por um lado, as mensagens de conteúdo individual - as potencialmente mais ameaçadas - são a maioria; por outro lado, as mensagens de marketing directo - correio contacto e DM - sempre apresentaram uma enorme debilidade estrutural, já que apenas representam 4% do valor global do orçamento das empresas em publicidade, isto é, nada.

Creio que o grande factor de ameaça proveniente da fileira digital tem a ver, sobretudo, com o tamanho das mensagens; no entanto, no caso do correio contacto - em que a maioria das mensagens são grandes - assistiremos também a uma mudança para mensagens efectuadas através de "mobile devices", porque o paradigma social mudará para contactos muito simples e curtos, típicos de 1.ª vaga (como nas batalhas), continuando a 2.ª vaga a ser efectuada depois em DM, mas já com muito maior grau de eficácia do que acontece actualmente no retorno da campanha, decorrendo tal facto das bases de dados usadas, que passarão a ser obtidas a partir do endereço postal concedido pelo destinatário em resposta à 1.ª vaga; em resultado desta mudança na forma de obtenção das bases de dados, a dimensão média de cada campanha de DM será reduzida em mais de 50% face aos valores actuais (ainda assim, uma boa conjugação digital-postal poderá no entanto vir a aumentar de forma significativa a actual quantidade de campanhas de DM).

Como resultado do somatório de todos estes fenómenos - e ainda de outros que seria fastidioso estar aqui a enumerar - estou em crer que dentro de cerca de 10 anos o universo postal terá sido reduzido, no mínimo, em cerca de 50% face ao seu valor actual.

Neste cenário de "velhice" importa prepararmos o futuro, por forma a que a morte nos chegue da forma o mais suave possível; espero voltar em breve ao assunto do ataque da fileira digital à fileira postal numa perspectiva de "ressurreição" da Empresa, mas por agora vou cingir-me apenas à fileira postal.

A qualidade média dos meios humanos nas operações continuará a baixar, porque cada vez mais haverá menos tráfego e cada vez mais teremos que contratar pessoas em regime precário, por forma a que elas não prejudiquem os nossos próprios empregos; esta perspectiva corporativa é legítima e não vejo forma de lhe dar a volta.
Por exemplo, os operadores dos equipamentos de tratamento acompanharão sem dúvida este fenómeno de abaixamento de qualidade.

Por outro lado, os fornecedores dos equipamentos usados nesta indústria passarão também eles a ter muitos problemas, o nível do apoio pós-venda prestado degradar-se-á e tenderá a ser cada vez mais caro.
Neste cenário de morte anunciada, aos órgãos de manutenção dos Centros de Tratamento - CIPOST - será reservado um papel cada vez mais proeminente, sendo necessário que consigam assumir, muitas vezes sózinhos, uma boa parte das capacidades dos fornecedores do equipamento e até dos próprios operadores dos mesmos; a cadaverização de equipamentos será um facto (serão necessários menos máquinas) e a aquisição atempada de quantidades importantes de hardware de reserva é um factor a ter em conta; finalmente, a formação dos técnicos ganhará uma importância extrema.

Convirá assim que a Empresa reflicta nesta problemática e crie e mantenha uma estratégia permanente de valorização das equipas dos CIPOST, já que, a partir de certa altura, deverão passar a ser eles os maiores garantes futuros do funcionamento da fileira postal.

Ainda que a área da engenharia possa continuar a sofrer globalmente um declínio acentuado - como tem vindo aliás a acontecer nos últimos tempos -, é necessário que os CIPOST - cujas funções são justamente a última etapa da área da engenharia - sejam uma excepção a confirmar a regra.


Albano Rosa

domingo, novembro 27, 2005

É hora de atacar


Há dias na TSF ouvi o presidente do ACP defender a publicidade da BMW afirmando que, ao contrário do que diziam diversas associações cívicas, não promovia a agressividade.
Parecia um advogado a defender um cliente mesmo sabendo que ele não tinha razão...

É hora de atacar
Pergunta: atacar quem?
. os outros condutores?... tal como inúmeras pessoas fazem.
. os peões?... muitos morrem assim.
. a estrada em excesso de velocidade?

ATACAR é sinónimo de agressividade.

Após a ACA-M ter apresentado uma queixa por desrespeito ao Código de Publicidade a BMW, numa atitude inédita, resolver retirar o referido anúncio.

Tal como num meu comentário relativo a excesso de velocidade, que tanto incomodou o Raul Moreira, neste caso há uma atitude em que a publicidade aposta em apelar a comportamentos ilegais e perigosos na estrada.

A publicidade é um instrumento importante na transformação de comportamentos culturais.

Mesmo sendo publicidade gratuita não tenho qualquer problema em dizer: Parabéns BMW.

sexta-feira, novembro 25, 2005

António do Barrote - Um regresso ao Alentejano na Pontinha

Fui Amigo do saudoso António Cordeiro (dono do Barrote Atiçado) e acompanhei a transferência deste para as novas instalações - também na Pontinha mas na Urbanização nova em frente às "garagens" do Metropolitano de Lisboa, à direita de quem vem do C.C. Colombo.

Já até aqui tinha recomendado o Cozido de Grão deste Restaurante.

Por motivos muito longos para estar aqui a enumerar mas que se prenderam também com o luto pela morte do António, deixei de frequentar o Barrote por 7 ou 8 meses.

No regresso à casa "António do Barrote" encontrei a D. Rosa na cozinha e o Mário (irmão do António) nas mesas, como de costume, o que me deixou tranquilo.

Convém saberem que o António Cordeiro era um grande cozinheiro rústico, que fazia jus à sua terra natal (Borba) e que aprendeu numa grande escola de restauração alentejana, ainda hoje disponível em Lisboa: o "Galito" de Carnide.

Sua esposa Rosa juntou aos conhecimentos práticos da cozinha do Barrote a teoria da Escola de Hotelaria e damos agora notícia dos resultados.

As entradas alentejanas apresentaram-se com coelho S. Cristóvão, pimentos vermelhos e verdes em vinagrete, torresmos do rissol e paio de Borba.

Não gostei muito do Paio, demasiado seco para o meu gosto. Das outras entradas (de bom paladar) apenas achei que havia algum azeite a mais nos molhos de acompanhamento.

Comemos em seguida Cozido de Grão (sempre às quinta feiras) e perdiz de escabeche desfiada e dessossada com batas fritas às rodelas finas. Muito bom o Cozido, com enchidos de qualidade e honrada sapidez do caldo das couves, grão e abóbora a embeber as carnes de porco e vaca servidas à parte. Como sabem este Cozido come-se com uma colher...

A perdiz de escabeche era de tiro, mas obviamente criada em aviário e solta algum tempo antes de ser abatida. Dentro do que tenho visto por aí (autênticos "frangos" alimentados a ração a que dão o nome de perdiz) devo confessar que estava muito boa!

Sobremesas a puxar para a Região Transtagana, mas para mim marmelada caseira e uma tira de queijo de Serpa.

Bebeu-se Terras de Zambujeiro Tinto de 2000. Excelente vinho da zona de Borba , mas caro na Loja e obviamente ainda mais caro no restaurante...

A alternativa - da mesma Herdade - a preços mais católicos, chama-se Monte do Castanheiro.

Já agora lembro que o mesmo produtor ainda tem um "topo de gama" chamado simplesmente "Zambugeiro" e ( diz quem o provou) que será melhor do que o Pera Manca... A provar proximamente à conta do subsídio de Natal.

Três pessoas, com cafés e dois Whiskies e sem vinho pagariam à roda de 80€.

Como se beberam duas garrafas do Zambugeiro lá teve a conta de chegar aos 160€...

Boas notícias para os Amigos do António (que deixou muitos). Temos "António do Barrote" à maneira e com cozinha honesta a que apenas algumas correcções de pequena monta dariam ainda mais alto estatuto.

Mensagem de Albano Rosa

O nosso amigo Engº Albano Rosa termina aqui a história dos "bebedouros" de Cabo Ruivo.

E teve um final feliz...


BEBEDOUROS EM CABO RUIVO (fim)
Tinha prometido vir dar-vos conta da conclusão entretanto dada a este assunto.
Recordo que estava em causa a possibilidade de se instalarem garrafões amovíveis no edifício de Cabo Ruivo em lugar de bebedouros frigoríficos; o custo da primeira opção é cerca de 30 vezes mais caro do que o custo da segunda.
Felizmente, neste caso imperou o bom senso na decisão que foi tomada.
Que seja um bom augúrio.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Manuel Alegre




As sondagens não têm ajudado Soares.

Em desespero de causa(?), e esgotado o ataque esquerdista a Cavaco, Soares vira-se contra Alegre...

Não havia necessidade...

Schubert

Embora nem todos se conheçam, há um grupo de 30 pessoas que se encontram meia dúzia de vezes por ano.

Que fazem estas pessoas juntas?

Ouvem música clássica ao vivo interpretada pelo Quarteto Lacerda.

Antes das actuações Alexandre Delgado (violeta) explica, como só ele sabe fazer, os diversos andamentos e conta também diversas histórias.

Hoje estavam acompanhados por um outro violoncelo.

Foi extraordinário ouvir o Quinteto de Cordas em Dó Maior D. 956. de Schubert

Sondagens Para as Presidenciais

Ainda não tenho resultados do meu Projecto - devido à falta de verbas só posso fazer três sondagens. Já fizémos uma e estou a guardar as outras duas para a 1ª semana de Dezembro e para depois das Férias do Natal, 2 ou 3 de Janeiro, nas vésperas das Eleições.

Entretanto dou notícia das sondagens da Católica e da Markteste de hoje, onde se observam comportamentos algo contraditórios:

- na Markteste: Cavaco perde terreno. Alegre distancia-se um pouco de Soares
- na Católica: Cavaco ganha terreno e garante a Maioria Absoluta à 1ª Volta. Soares aproxima-se de Alegre.

E agora Maria?

Há que esperar o início oficial das Campanhas, mas deixo já aqui uma reflexão: se estes resultados acontecem quase que sem Cavaco "abrir a boca" o que será quando começar a
abri-la??

quarta-feira, novembro 23, 2005

Pour le plaisir des yeux

Chagall

Libération em greve

O periódico Libération (reconhecido como de esquerda) está a utilizar os mesmos métodos que o capitalismo neoliberal – resolver os problemas financeiros à custa do emprego...
Os trabalhadores são tratados como pastilhas elásticas: mastiga-se e quando já não servem... deitam-se fora.
Os maus exemplos aprendem-se depressa...

Champagne ou Espumante? Preços e Qualidade em discussão

Mantenho que hoje em dia se fazem, em Portugal, vinhos espumantes novos de método tradicional (sem adição de gás) tão bons como os franceses da Região de Champagne.

Esta afirmação tem uma palavra no meio que é essencial para se compreender este fenómeno: a palavra "novos" no sentido de não serem vinhos garrafeira ou grandes reservas. Destes, em espumosos, não há tradição em Portugal nem, se calhar, sabedoria para os fazer...

De facto, as grandes casas nacionais ( Murganheira, Sogrape, Quinta da Bacalhoa) para citar apenas algumas, têm produtos de grande qualidade e a preços muito apetecíveis. Dou como exemplos de excelência o Espumante da Quinta dos Carvalhais, Rosé magnífico de 2002 a € 16 ou o superlativo Loridos Branco de Brancas 2001 da Quinta da Bacalhoa, ainda mais barato.

Um Champagne francês de gama média-baixa (como o Taitinger Brut Resérve sem data) já custará € 23 e não se nota a diferença.

Um Moet&Chandon Brut Impérial também nos custa à roda de 27€ e, sendo um bom produto, na minha opinião não vale a diferença para os dois espumantes nacionais que mencionei acima.

Mas... com o que até agora referimos ainda nem nos aproximámos da grande aventura dos Champagnes de Excelência absoluta:

Começo pelo meu favorito para as grandes datas: Ruinart Blanc de Blancs (Entre 80 € e 110€, dependendo dos anos, e vende-se em Portugal).

Continuo dando notícia do que já provei - quase sempre em França e em ocasiões de carácter social onde era convidado - e com preços estimados que retirei da Net (não me responsabilizo se em Portugal não forem exactamente os mesmos):

Krug Brut Millésimé de 1989 a 220€
Veuve Clicquot Vintage Réserve 1990 a 360€
Pol Roget Cuvée Sir Winston Churchil de 1998 a 140€

Estes Vinhos da Região de Champagne não têm, por enquanto, comparação nenhuma com o que se faz em Portugal. São de uma outra Liga...

Por isso, quando nos referimos aos Champagnes e Espumantes numa só frase há que ter em conta aquilo de que estamos a falar...

Como dizia um Amigo meu: "há carros e depois há automóveis" (lá venho outra vez com a conversa das 4 rodas que tanto irritou o meu Amigo A.Acc. Campos!! )

terça-feira, novembro 22, 2005

SIDA

No final de 2003 havia 37,5 milhões de pessoas infectadas com o HIV/SIDA.
Em 2005 este número aumentou para 40,3 milhões

Em Portugal são mais de 50.000

A protecção é a melhor solução

Pour le plaisir des yeux

ManRay

Sou pela Lentidão - Na Gastronomia: Viva a Slow Food!!

Quanto tempo demora a preparar um cabrito no forno à moda da Beira Alta?

Na véspera preparo os temperos: Num tabuleiro deito azeite, massa de Pimentão, louro, muito alho finamente picado, cebola em tiras fininhas, três chalotas, salsa, três ou quatro malaguetas vermelhas e bom vinho branco.

É claro que o Cabrito só deve ser temperado estando à temperatura ambiente. No caso de o termos congelado o "planeamento" tem de começar 48 horas antes: 24H para descongelar e 24H para tomar o gosto do tempero.

O Cabrito fica depois a marinar 24 horas antes de ir para o forno.

Para ficar mesmo bem, com a carne a sair dos ossos e com a pele bem estaladiça e tostada por cima costumo acender o forno no dia seguinte, por volta das 07.30H e colocá-lo na temperatura 170º.

Introduzo o Cabrito meia hora depois. Uns minutos antes salgo (nunca se deve salgar a carne de véspera, pois perde qualidades, seca...)

Vou depois virando de 45 em 45 minutos, regando sempre com o molho dos temperos. É este o grande segredo das carnes assadas no forno: virar amiúde e regar com o molho.

Pelas 12.00H introduzo as batatinhas novas no mesmo tabuleiro (se couberem) ou noutro em que preparei um molho idêntico ao da carne.

Mudo o cabrito para baixo (se forem dois tabuleiros) e ponho o forno no máximo.

Costumo usar a velha medida da restauração: uma mão cheia de sal em cada tabuleiro (batatas e cabrito).

Aguardo mais uma hora e está pronto para servir às 13.00H.

Bom Apetite e acompanhem com um Dão PAPE 2001

Quando acabarem de comer vão ver que "só querem uma rede para se estenderem e um gato para passarem a mão" como dizia o grande Vinicius de Moraes!

segunda-feira, novembro 21, 2005

Não esquecer, não perdoar!

Fui criticado por alguns colegas do PAGE (UCP) pois nos anteriores posts só fiz referencias a ditaduras de direita.
Aos meus queridos amigos anexo um conjunto de ditadores para todos os gostos que não devemos esquecer nem perdoar...

domingo, novembro 20, 2005

Não esquecer, não perdoar!



Franco morreu hà trinta anos.

Ainda hoje dia se procuram os milhares de desaparecidos na Guerra Civil, enterrados em valas comuns.

Devemos lembrarmo-nos destes crimes para que não se repitam.

R.Kapa

Não esquecer, não perdoar!

O julgamento de Nuremberga.

No julgamento dos criminosos da 2ª guerra mundial o juiz Robert Jackson fez votos para que, na segunda metade do século XX, nos esquecêssemos dos assassinos, das deportações, das mortes, da escravidão, dos responsáveis por tantas crueldades e tantos outros crimes.
Propôs também ao tribunal que este tivesse uma conduta de total imparcialidade e integridade, de forma a que a posteridade o pudesse elogiar por ter representado todas as aspirações da humanidade que se preocupa com a justiça.

Os EUA rapidente se esqueceram: não dão aos presos de Guantámano os direitos de defesa que todos devem ter... mesmo que sejam considerados criminosos...
O TPI não deve servir somente para condenar dirigentes da ex-Jugoslávia...

sexta-feira, novembro 18, 2005

Raul em contramão 2



Ninguém defende a censura!

Exige-se que perante um acto criminoso não sejamos cúmplices.

Que condenemos as atitudes dos falsos heróis que se vangloriam dos seus excessos e da forma como fogem às autoridades!

Não contem comigo para sorrir perante estes actos!

Conheço bem os argumentos dos que afirmam seram os veículos modernos muito seguros a 180 ou 200Km/h.
Conheço também os estudos que referem quantos metros são necessários para bloquear um veículo a esta velocidade.
Li também as estatísticas que reconhecem que o álcool e o excesso de velocidade são as duas maiores causas dos acidentes de trânsito.
Conheço também as estatísticas com o nº de mortos nas estradas...

Porque será que estas mesmas pessoas quando circulam Espanha ou França têm atitudes diferentes? Provavelmente porque a mãe do motorista... ficou em Portugal....

Quinta da Bacalhoa - Visita de Trabalho com Laivos de Enologia

A Quinta da Bacalhoa tem uma história notável que não valerá a pena aprofundar aqui.

Para enquadramento da importância histórica basta termos a noção de que pertenceu a um filho de D. Francisco de Albuquerque e de que, na opinião de Mestre Joaquim Rasteiro, " possui o maior e melhor acervo de azulejaria primitiva portuguesa do mundo".

Foi desde a altura em que um casal de Norte-Americanos - Mr. e Mrs Scorville - se apaixonou pela Quinta da Bacalhoa e a comprou aos antigos proprietários (cerca de 1973\74) que se começou a produzir em Portugal um Vinho Tinto à moda de Bordéus (região mítica de quem o casal Scorville era aficionado).

O Grande Senhor do Vinho que era e é, felizmente, o Engº Francisco Avillez plantou cepas de Bordéus (Cabernet Sauvignon e Merlot) na propriedade e ao fim de uns anos já se produzia o "Quinta da Bacalhoa".

Tudo isto a propósito do Luiz Duran e eu próprio termos sido convidados pelo Sr. Comendador Joe Berardo para almoçarmos na Bacalhoa e discutir colaboração de carácter filatélico para o futuro.

O Comendador agarrou no monumento deixado pelo casal Scorville (que vendeu recentemente as suas participações e a quem temos todos de agradecer o que fez pelo Património Nacional) e , com o seu bom gosto e a sua capacidade financeira notável está a transformar os terrenos, as vinhas e o próprio Palácio, num respeito intransigente pelas traças originais.

Dá gosto (e recomenda-se) uma visita ao antigo Pavilhão que foi construído para as Selecções do Reader's Digest em Azeitão e ver como tudo aquilo está agora adaptado ao Turismo enológico, com jardim japonês, adega e loja de vinhos, sem esquecer os magníficos azulejos - todos etiquetados - espalhados pela Adega e recintos interiores.

Num Lago artificial nadam carpas japonesas, patos bravos e cisnes australianos, à sua volta estão replantadas Oliveiras com 2000 anos que o Comendador Berardo salvou do Alqueva. Só por isso mereceria estátua (na minha opinião, pois sou daqueles que veneram a Oliveira, dádiva de Atena e símbolo da Paz)

Nos locais onde se anichavam os magníficos e insubstituíveis Medalhões em baixo relevo de Terracota de Luca De La Robbia, que foram roubados dos Jardins do Palácio, estão agora "imitações" do mesmo material, feitas expressamente em Itália.

O único medalhão sobrevivente está no interior das caves do Palácio em exposição permanente.

Sabem que a Interpol detectou que um dos roubados terá sido vendido em Londres, nos anos 80, por Meio Milhão de Libras? Existiam mais de 20...

Ao Almoço provaram-se os Vinhos da Casa:

Excelente Espumante Natural Blanc de Blancs Loridos Extra Bruto (das propriedades da Estremadura).
Notável Quinta da Bacalhoa 2001 - talvez o melhor dos últimos anos.
Muito Bom Moscatel Velho de 25 anos.

O Topo de Gama ainda em afinação - Palácio da Bacalhoa - foi por mim comprado posteriormente e provado em casa.

Quem, como eu, tinha (e acho que ainda tenho) algum desdém pelas castas estrangeiras plantadas em Portugal - porque estariam a tirar o lugar e a impedir a divulgação das nossas castas autóctones - não pode deixar de ficar surpreendido, pela positiva, com o resultado de uma mescla de Cabernet e de Merlot em Terras de Setúbal\Azeitão!

Este "Palácio da Bacalhoa 2000" que se vende por 18€ na Loja de Vinhos da Bacalhoa (Imperioso visitar!!) "bate-se" quase de igual para igual com as minhas memórias de um Cheval Blanc de Bordéus!! Mesmo admitindo que a memória é selectiva é um feito extraordinário para um Vinho ainda em afinação.

E estamos a falar de um Grande Senhor de Bordéus que se vende (em anos normais) a mais de 500€ por garrafa!

Qual o dever do Cronista? Falar dos Factos ou Não Falar? Eis a Questão!

Amigos Leitores,

Lembro-me que quando o Princípe Carlos de Inglaterra fez 40 anos, e conhecida a sua aversão às "más" notícias que enchiam as primeiras páginas dos jonais britânicos, a prenda que os Jornalistas do seu Pais lhe ofereceram nesse dia foi... Não relatarem notícias desfavoráveis!!

Ele era só o Salmão a subir de novo um Tamisa despoluído, ele era as Mães solteiras a ganharem estatuto social preferente, ele era o Aquecimento Global em regressão, etc...

Claro que no dia seguinte os jornais traziam o dobro das más notícias: as do dia anterior e as do próprio dia... Mais alguns desmentidos...

O que quero dizer é que não é possível deixar de relatar só porque não convém, porque é politicamente incorrecto, ou porque pode não agradar aos leitores e ferir a sensibilidade das virgens impolutas (se ainda as houver fora das páginas da literatura de cordel).

Imaginem que o Senhor que citei tinha dito ao Almoço que nunca passava dos 80 Km à Hora na A1 apesar de conduzir um Porsche ou um Ferrari. Também seria notícia pelo insólito da questão.

O problema é que não foi isso que ele disse!

Lembram-se de como a Comissão de Censura "embelezava" este País nos anos 60 e 70, retirando das páginas dos Jornais tudo o que dava uma imagem "feia" de Portugal? Até os crimes de sangue não existiam...

Lembram-se de quando Salazar mandou a Polícia retirar das ruas , à força, todos os Mendigos (e interná-los na Mitra) quando Isabel II visitou Lisboa, para não dar aspecto de país miserável?

Amigo A.Acc. Campos, não falar do que se passa é pior e mais perigoso do que ignorar a realidade... É este o País onde vivemos e não vale a pena pretender que estamos na Suécia.

Aqui para nós, e apesar de tudo o resto, eu também não trocava!

quinta-feira, novembro 17, 2005

Raul em contramão



No norte da Europa quando alguém se vangloria das suas performances ao volante é criticado duramente.

É uma atitude cultural diferente da nossa. O excesso de velocidade é considerado um CRIME!

No dia em que houve um grave acidente de automóvel (3 mortos) o Raul publicita as façanhas do presidente do Colégio de Fundadores de Serralves nessa mesma auto-estrada e as formas de como fugir ao pagamento da multa.

Raul, tens que reconhecer que foi um mau momento teu...

Espero que um dos três mortos neste acidente não tenha sido a mãe do motorista do referido prevaricador... que seguia ao volante dum veículo a mais de 200 Km/h.

Temos que lutar contra estes criminosos!

Fim de Tarde depois de Serralves - 15 de Novembro

Depois de mais um lançamento de uma Emissão de Selos com pompa e circunstância, na Fundação de Serralves , e já a seguir a ter levado os "patrões" ao aeroporto, pude finalmente usufruir de uns momentos de distensão para dissipar o stress acumulado.

Vamos lançar (ainda não acabou) 7 emissões filatélicas neste mês de Novembro, o que me parece ser Record Nacional absoluto! Entendam a minha necessidade de descompressão...

Esplanada em frente ao D. Manuel, na Foz do Porto.

18.30 H . Já escurece o horizonte marítimo que dali se avista.

Um dos últimos Cohibas Millenium (Edição especial de torpedos) que me sobraram da caixa que comprei em 2000 em Havana, e um Jack Daniels em copo a "on the rocks" com duas pedras de gelo e água lisa.

Atrás de mim o pianista arranca os acordes iniciais do "Summertime" e começo a reviver os momentos altos deste dia :

- A organização da Exposição dos originais de João Machado logo às 10.00H
- A chegada das individualidades para o Lançamento
- A organização do Posto de Correio, com a colaboração do Alexandre e de uma lindíssima Colega da estação de Pedro Hispano ("meteu num sapato" as profissionais contratadas por Serralves como "hotêsses" do evento)
- Os discursos, a Obliteração dos Selos, a visita guiada à exposição.
- O almoço formal em "petit comité" com o Presidente de Serralves, O Presidente do Colégio de Fundadores de Serralves;o Presidente dos CTT, etc...
- A peça de Teatro "Philatelie" da parte da tarde, cumprimentos aos actores.

O Pianista passa para "in Your Eyes" e peço outro Jack Daniels.

Recordo a conversa animadíssima de um dos comensais, o qual, apanhado algumas vezes em excesso de velocidade na A1 (tem um ou dois Ferraris e um Porsche 911 Turbo) costuma "passar" as multas à mãe do seu motorista (senhora de uns respeitáveis 65 anos mas com carta de condução - não sabemos por quanto tempo mais...).
De uma das últimas vezes foi a senhora admoestada pelo Juiz :"Na sua idade devia de ter mais juízo! Apanhada a 204Km\H!!"

Ouço os acordes inesquecíveis de "As Time goes By", apetece-me ainda outro Jack mas não posso.

Tenho de ir ainda essa noite a Barroselas por causa do Dia do Selo e regressar a Lisboa.

Chegada prevista para as 02,00H.

No dia 16\11 - 5 horas depois - tenho "formação" às 07.00H no CDP da Rua da Palma, com o Sr. Barros. Será meu colega aluno o Hernâni...

Vou, por respeito ao Sr. Barros e ao Hernâni.

E é isto a vida de Trabalhador... Nem só de Festas (ou de Jack Daniels) vive um Homem...

quarta-feira, novembro 16, 2005

Liberdade na Internet discutida na Tunísia

a) EUA, o mesmo país que tem prisões onde tortura prisioneiros, é o maior defensor da liberdade na Internet...

b) Tunísia, o País anfitrião deste evento, tem nos últimos dias proibido a venda do jornal Libération... simplesmente porque este órgão de comunicação social publicou artigos que não são bem vistos pelo governo local...

terça-feira, novembro 15, 2005

Novembro – o mês da Qualidade?




Totalmente em desacordo.



Todos os meses deveriam ser:
de Qualidade,
da Qualidade,
com Qualidade,
para a Qualidade,
sempre, sempre ao serviço dos clientes
que são quem nos pagam os ordenados... todos os meses!

segunda-feira, novembro 14, 2005

Ernst Schade


Já aqui falei sobre este meu amigo holandês, fotógrafo entre outras grandes virtudes.
Hoje chamo a atenção para o seu website www.ernstschade.com.
Pode-se apreciar várias fotografias perfeitamente excepcionais.
A não perder

Companhia do Azeite - Restaurante Recomendado!!

Seguindo uma informação de Mestre José Quitério, depois de reunião e almoço conjunto na Quinta Feira passada, aproveitei o fim de semana para experimentar um novo (tem cerca de 4 meses de abertura) Restaurante em Cascais.

Convém os meus leitores saberem que Quitério costuma ser parco nos encómios, e que quando recomenda é porque foi várias vezes a um local e nunca de lá saíu defraudado.

Este "A Companhia do Azeite" situa-se na localidade da Torre, mesmo por detrás da Agência do BES do mesmo sítio. Atenção que é mesmo preciso entrar no parque de estacionamento logo à direita do BES!

Para cautelas aqui vai o telefone - 21 486 84 00

Para lá chegarmos temos apenas que apanhar a Auto-Estrada de Cascais (A5) sair no nó de Alcabideche, tomar a Circular exterior de Cascais (terceira via a contar da saída da A5) chegar às rotundas de Birre e, ao passar pela segunda - a rotunda do MacDonald's (T'arrenego!!) - tomar a direcção Cascais\Torre.

Nesta casa - chauvinista ao extremo do bom gosto - apenas se comem pratos típicos de Trás-os-Montes, só feitos em Azeite e com Azeite. Vinhos há e muito bons, mas também apenas de Trás-os-Montes e do Douro! As batatas vêm de Trás-os-Montes, o Azeite é transmontano, as couves vêm do mesmo sítio. Enfim, e como nos confessaram os proprietários, o grande problema desta Casa não é a cozinha nem a confecção, mas sim a logística do abastecimento.

Por isso é sempre preferível marcar e verificar se têm os pratos que nos interessam, não vá a carrinha ter-se atrasado...

Não se escolhem pratos de uma Ementa, com é normal nos outros restaurantes. Existem aqui várias hipóteses do dia, que convém sempre esclarecer primeiro quais são. Depois, em volta dessas propostas constrói-se a refeição, com mais ou menos entradas e sobremesas.

Quando lá estive comemos Posta à Mirandesa - de altíssimo gabarito, a lembrar a saudosa Gabriela de Sendim, cuja proprietária tinha um bigode notável . Aliás já a sua Mãe tinha barba (suiças) como um sargento de Lanceiros 2 - ambas cozinheiras excepcionais.

Também se comeu Bacalhau assado com batata a murro, que não resultou tão bem , mas por culpa da qualidade do malvado Fiel Amigo, alto mas que não lascava.

As entradas foram: alheira, bola de presunto, pastéis de massa tenra, presunto e paio trasmontanos.

De sobremesas provou-se pudim de ovos, requeijão, compota de tomate e leite creme. Tudo muito bom, talvez destacando o requeijão de origem.

Com um Vale-Pradinhos Tinto de 2001, e dois cafés mais um Chivas Regal , pagaram dois comensais a módica quantia de 74€.

Nada mau para o que se engoliu!

sábado, novembro 12, 2005

FÁTIMA PINTO

1980
Parece que foi há meia dúzia de dias...
Fátima Pinto acabava de participar na II Bienal Internacional de Arte de Vila Nova de Cerveira . Comprei-lhe um quadro. Penso mesmo que terá sido a sua primeira venda (10 contos em suaves prestações...).
Depois desta exposição Fátima nunca mais parou.
Hoje é reconhecida, no mundo da pintura, como um dos grandes valores portugueses.
Participações na Bienal de Cerveira, três vezes no ARCO em Madrid, na Arte Lisboa, etc.
Tem obras nas colecções do Porto de Lisboa, Banco de Portugal, CGD, etc.
Na minha pequena colecção de pintura tenho 4 obras dela... sou um felizardo.

Fátima Pinto tem uma nova exposição À sombra do Sabugueiro na Galeria Palmira Suso, (Rua das Flores, 109 – Chiado, Lisboa)
A não perder

Antes sê-lo


A Filatelia pode e deve existir para além da Postagem.
Não sou um purista conservador que não possa admitir a existência duma tiragem somente com fins filatélicos.
Qual o problema? O suporte legal ou a não existência de clientes?
A sobrevivência da empresa também passa pelo aproveitamento de todos os nichos de mercado (culturais ou outros).

Por exemplo:
Acho muito bem que o selo com o Álvaro Cunhal não seja colocado em circulação... pois, se o for, já estou a imaginar uma fila de fascistas para tentar obliterar o selo...

A obliteração, como sabemos, é um acto violento. Sempre que numa Estação é obliterado um selo... o prédio estremece...

Em 50 anos de ditadura não conseguiram "obliterá-lo"... não será agora que o vão conseguir...

IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez)

Acabemos de vez com toda esta hipocrisia

A Clínica de los Arcos em Mérida recebe por ano mais de 2 mil portuguesas... um número que ao longo dos anos tem vindo sempre a aumentar .