quarta-feira, julho 20, 2005

Campos e Cunha Abandona Governo

Tinha já falado há dias nas "Obras de Regime" que se avizinham e da forma como Miguel Beleza e Campos e Cunha tinham, no jornal "Público" discutido este assunto.

Aparentemente a posição ligeiramente discordante de Campos e Cunha face à oportunidade deste Investimento foi demais para a estrutura Governamental e , dada a clivagem que se verificou no último Conselho de Ministros entre os adeptos do Investimento e os da Contenção, a cadeia acabou por partir pelo elo mais fraco...

Provavelmente a história da "reforma dourada" do Banco de Portugal também ajudou a esta triste festa...

Devolver a "Alma ao Povo" à custa do "relaxo" no Investimento público foi o negócio que, aparentemente, o Primeiro Ministro apoiou em toda esta conjuntura.

Só o futuro permitirá dizer se essa opção foi certa ou errada, tendo em vista a situação actual do País. Espero - muito sinceramente - que o Engº Sócrates tenha escolhido bem.

Aquilo que me permito dizer, nesta altura, é que tenho pena da situação se ter resolvido desta maneira.

A esperança é a última coisa a morrer e vamos esperar com calma e bom senso pelo desempenho do Prof.Doutor Teixeira dos Santos.

Há muito ainda para Governar e ... vêm aí as Autárquicas e depois as Presidenciais para continuar a exercer pressão sobre o Governo e sobre o Partido Socialista, neste momento a exercer o papel de incumbente face aos "challengers" que se posicionam.

À promeira vista a nossa Tutela - Ministro Mário Lino e seus Secretários de Estado - sai reforçada desta refrega.

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POST@L

Avaliação de Desempenho

Os sistemas de avaliação de desempenho ocupam,presentemente,uma posição central no universo de ferramentas de gestão nas Empresas.
Na verdade servem,por um lado para validar os metodos de recrutamento utilizados e,por outro permitem medir o contributo individual e de equipa para alcançar os objectivos estrategicos das Empresas e,ainda identificar o potencial dos colaboradores e das equipas,diagnosticar necessidades de formação dos RH e,gerir as componente fixa e variavel das remunerações.
É particularmente evidente a importancia destes sistemas para a motivação,maior envolvimento e comprometimento dos colaboradores nos objectivos de negocio e,na criação de valor nas Empresas

Sumaria e resumidamente um sistema de avaliação de desempenho deve centrar-se:

1) Objectivos
Compreender as potencialidades do sistema
Avaliar a sua eficácia
Definir etapas de melhoria e evolução
Alinhar os diversos subsistemas de gestão de RH em coerencia com o mesmo

2) Avaliação de Competências
A sua importância no sistema
O processo de descrição de competências:
- definição de competências;
- definição de indicadores comportamentais;
- definição de metricas para aferir resultados
A construção dum sistema de avaliação com base em competências:
- identificação dos requisitos;
- elaboração do Manual do Avaliador (ambito,principios,critérios,metodo e periodicidade)
- elaboração de suportes instrumentais (ficha de avaliação,definição operacional de competências)

3) A Entrevista de Balanço da Actividade
A sua importância nos processos
O papel do avaliador na mesma:
- utilizar comportamentos adequados a cada fase da avaliação;
- postura facilitadora da comunicação com o avaliado;
- saber ouvir e reformular questões para aprofundar informação;
- saber gerir um conflito ou uma objecção;
- fechar a entrevista e obter compromissos de melhoria
Elaborar um plano de progressão assente em compromissos

Esta minha visão considera as pessoas um activo fundamental,diferenciador e gerador de valor para os negocios,cabendo a cada gestor a sua condução e,à iniciativa individual de cada colaborador assegurar o seu autodesenvolvimento permanente.Assim as Empresas terão um melhor posicionamento no mercado,maior responsabilidade social e,ganharão,por certo,vantagem competitiva.

Raul Santos Rocha

POST@L

Gastronomia 2



Tinto, Branco, Peixe ou Carne ? Finalmente o Fim :) :) :)


Devemos servir grandes vinhos a quem não está preparado para os apreciar? Esta questão é difícil pois envolve elementos de sobranceria e snobismo que não me são pessoalmente simpáticos. No fim de contas, quem somos nós para classificar os outros quanto ao grau de conhecimento enológico? Por outro lado, alguém mete nas unhas de um recém encartado um Ferrari Enzo?

Deve existir um certo bom senso nestas coisas que nos permita também crescer, e fazer crescer os outros, do ponto de vista do conhecimento dos vinhos, sem preconceitos de “grandes sábios”. Recorda-se que em provas cegas, feitas por especialistas, algumas vezes foram vinhos menos conhecidos (de marcas menos cotadas) os que se classificaram melhor. Uma das razões para esses resultados – para além da óbvia qualidade intrínseca do produto – foi não ter existido a influência do rótulo ( e do Marketing e das Relações Públicas) no “paladar” do provador.

Quanto aos “grandes sábios” nestas matérias, não resisto a contar uma história passada com um amigo meu, comprador de vinhos aos lavradores há mais de 30 anos. Costumava este amigo convidar pessoas muito entendidas e com tribuna em jornais especializados para provar e analisar as suas compras do ano, antes da comercialização. Numa dessas alturas dois desses especialistas discordavam sobre o estágio do vinho em causa, defendendo o primeiro que aquele teria sido feito em carvalho “Limousin”, durante 2 anos, e apregoando o segundo que, sim senhor, tratava-se de um estágio de 2 anos, mas em carvalho americano.
O meu amigo, conhecedor do vinho e dos hábitos de quem o produzia, meteu as mãos nos bolsos e virado para uma janela disse em voz baixa: “estagiou em cimento e do bom!”

Madeira ou cimento, tinto ou branco, beba-se o primeiro golo e aprecie-se com cuidado. Se esse trago nos der imediatamente uma sensação de bem-estar e de felicidade, temos vinho! Caso necessitemos de procurar muitos adjectivos para embelezar a prova e enfeitar o vinho, passemos à garrafa seguinte porque a primeira não fez história!

TGV e OTA - mais uma "acha para a fogueira"

Os pontos levantados pelo António Acc. Campos são sem dúvida importantes. Para os CTT prosseguirem uma estratégia de Internacionalização a existência de meios de comunicação rápidos e eficientes (e on time) parece ser fundamental.

Ainda me lembro dos problemas que tínhamos com os horários dos Aviões para garantir o cumprimento da Qualidade de Serviço para o Correio Internacional...

O que nos leva à pergunta seguinte: Então e a OTA?

Novo Aeroporto, melhores condições de handling, mas mais afastado de Lisboa e do Centro de Tratamento...

Quem se abalança a fazer aqui as suas observações?

terça-feira, julho 19, 2005

Clientes Contratuais dos CTT

Está na altura de dedicarmos mais tempo, esforço e meios à gestão das Carteiras dos Clientes contratuais dos CTT.

Depois de uma fase da vida da Empresa em que se enfatizou o investimento na remodelação dos Pontos de Venda da Rede de Retalho e na Frota, por via da aplicação da Nova Imagem ( assunto a discutir proximamente neste Fórum) penso, muito sinceramente, que deveríamos prestar a maior atenção possível ao desenvolvimento de medidas de Fidelização dos nossos Clientes Contratuais.

Tenho estado ultimamente - e por motivos mais particulares do que de trabalho - em contacto com alguns Clientes nossos e deduzo dessas trocas informais de opiniões que se perdeu um pouco o espírito de "pôr o Cliente em primeiro lugar" que era apanágio da forma dos CTT estarem neste mundo dos negócios.

Alguns problemas de "miscasting" em relação às escolhas dos actuais responsáveis pelo contacto?
Uma gestão superior que não investia na aproximação pessoal aos Grandes Clientes?


O Diagnóstico pode e deve ser feito, mas o mais importante é recuperar o tempo "perdido" e voltar a conquistar os níveis de confiança que já tivemos com os Clientes.


Estarei, por outro lado , a confundir a "Nuvem com Juno"? Bem sei que só falei com quatro responsáveis de Clientes nossos, o que não constitui uma Amostra representativa, mas não me consigo livrar - pessoalmente - da sensação de que se trata de um fenómeno infelizmente mais abrangente...


Alguém quer comentar?

POST@L

Os Elefantes Brancos e os CTT - 1

O Raul Moreira traz para este fórum de discussão: os “elefantes brancos” (OTA e TGV)

Como penso que um deles (TGV) interessa muito aos CTT, aqui vai a minha posição:

Comecemos por um pouco de História:
De forma a “defendemo-nos” melhor das invasões “europeias” no final do século 19 (não esquecer que as terríveis invasões francesas tinham ocorrido há poucas dezenas de anos...) os governos espanhol e português decidiram que a bitola (distancia entre carris) da sua rede ferroviária seria diferente das restantes... e mais larga.

Esta atitude fez com que a Península Ibérica ficasse “isolada” da rede europeia.
Na fronteira espanhola-francesa os passageiros e mercadorias eram transbordados porque os comboios “não passavam”.

Posteriormente foram encontradas soluções de compromisso
- Comboios que permitiam andar nas duas linhas
- rede em bi-bitola (na prática são três carris que dão para os dois tipos de comboios...)

No entanto estas soluções são... provisórias e a sina ibérica é mesmo inserir-se na bitola europeia.

Os espanhóis já estão a fazer esta mudança... com a sua rede TGV bem como na modernização da restante rede.

Assim sendo uma das decisões importantes a tomar por Portugal será a dimensão da bitola, embora a nossa margem da manobra seja nula...

A opção “bi-bitola” não permite velocidades de circulação muito elevadas – daí as dúvida na ligação Lisboa-Porto:
- linhas independentes implica custos mais elevados... mas TGV a 300 e tal Km/h
- “Bi-bitola” implica velocidades mais baixas... solução que poderá inviabilizar o TGV (ficaria com velocidades semelhantes ao "pendular")

Assim sendo:
- há muitas dúvidas na ligação Lisboa-Porto.
- na ligação a Espanha as respostas estão encontradas: bitola europeia e linhas autónomas

O que é que os CTT têm a ver com esta discussão?
Para a nossa empresa interessa estarmos inseridos numa rede europeia TGV permitindo transportar os nossos produtos em transportes alternativos ao aéreo.

Os Elefantes Brancos e os CTT - 2

Colocada de parte a questão da bitola logo ”aparece” outro problema:
1- TGV só para passageiros?
2- TGV misto para passageiros e mercadorias?

É uma outra questão importante:

A opção mista implica:
- uma rede que permita suportar pesos mais elevados – o que a torna mais dispendiosa
- velocidades de circulação mais baixos

Esta opção tem que ser tomada logo de início.

a) Se o TGV é para competir com os aviões, então a velocidade é um ponto importante
b) A viabilidade económica do processo também é importante... Segundo os Espanhóis o TGV só é rentável com 5 milhões de passageiros/ano – o que poderá ser difícil de atingir...

A ligação Lisboa-Madrid, via Badajoz, poderá permitir uma ligação em rede a Sines – aproveitando este importante porto como terminal europeu.

Assim sendo tudo aponta para que a opção seja TGV misto (passageiros e mercadorias) – solução que interessa aos CTT.

Mas será que temos esta “liberdade” para escolher o que queremos?

Parece que não – como não tomamos nenhuma opção (há anos que estas dúvidas deveriam estar totalmente esclarecidas) os espanhóis resolveram “desvalorizar” a ligação Madrid-Badajoz – tornado-a “mista”.

Assim sendo se Portugal optar pela ligação a Badajoz... quer queiramos quer não – a opção será... mista

Os Elefantes Brancos e os CTT - 3

O interesse dos CTT

Se a opção TGV for pela solução mista (passageiros e mercadorias) a ligação a Espanha bem como à Europa é uma oportunidade para os CTT
Simultaneamente a compra por parte dos CTT da empresa espanhola Tourline obriga-nos a pensar a Península Ibérica como um espaço único.

Para nós, CTT, a Espanha deverá deixar de ser considerada como mercado “Internacional” passando a ser “Regional”

Temos que deixar de pensar somente em cidades como Lisboa, Porto, Braga, Setúbal para juntar a estas Madrid, Barcelona, Bilbau, Sevilha, etc. etc.

A rede de transportes deve aproveitar todas as possibilidades – rodoviária, aérea e também a opção ferroviária (TGV).

A “nossa” rede ibérica (comercial e operacional) deveria ser equacionada como um todo – terá que ser estudado os fluxos de tráfego (existentes e potenciais), repensar em localização de Centros de Tratamento, captação de novos clientes, etc., etc.

Como conclusão defendo um TGV misto
– para trafego de passageiros,
– para utilização do terminal Sines,
– para as nossas exportações (Auto-Europa e outros)
– para os CTT

POST@L

Gastronomia 2 (Continuação)

Branco ou Tinto, Peixe ou Carne? (2ª Parte)

A segmentação dos mercados nacionais e internacionais e as campanhas de marketing têm muita influência na forma como os vinhos (e as outras bebidas) estão, ou deixam de estar, “na moda”.
Recorda-se, por exemplo, a importância dos mercados nórdicos no aumento das vendas dos vinhos brancos (apesar do clima...) e ainda a extraordinária subida de preços de certos “Portos Vintage” provocada pela adesão do mercado Norte Americano a esta bebida. Já não se fala da especulação desenfreada que disparou o consumo ( e o preço...) de “Champanhes” e “Espumantes” em torno do fenómeno da passagem do milénio e que todos nós presenciámos.

Desta forma, não parece possível separar os hábitos de consumo das técnicas empregues pela indústria para promover os seus produtos. Lembro-me uma vez de estar num restaurante do Porto e presenciar uma cena interessante entre o escanção e uma jovem senhora: o escanção tinha-lhe dado a provar um “Quinta da Gaivosa 95” (talvez um dos melhores tintos do Douro na altura) e a senhora respondeu “não é mau, mas não se compara aos vinhos alentejanos!”
A senhora em questão “bebia” regiões e não vinhos! (Louve-se “en passant” a eficácia da estratégia de marketing dos produtores alentejanos).

Nestas circunstâncias recorremos aos clássicos – Brillat-Savarin, Carême, Trois Gros, Mestre João Ribeiro - para nos ajudarem a desbravar esta selva gastronómica em que voluntariamente nos metemos. Segundo os seus ensinamentos qualquer refeição, quer em termos de comida quer em termos de vinhos, devia crescer em complexidade de sabores e até no grau de elaboração dos pratos, do princípio para o fim.

Serviam-se primeiro os vinhos leves e depois os mais encorpados, serviam-se primeiro os vinhos brancos e depois os tintos, serviam-se primeiro os vinhos mais novos e só depois os mais velhos, serviam-se primeiro os vinhos secos e só no final os vinhos doces. O único vinho capaz de acompanhar uma refeição do princípio até ao fim era – na altura – o Champanhe.

Contudo, para que o resultado fosse gastronomicamente harmonioso as iguarias servidas teriam de estar ao nível da bebida escolhida! Pareceria ridículo, e até de muito mau gosto, fazer acompanhar um prato tão simples como “carapaus fritos com arroz de tomate” por um Pol Roger Cuvée Winston Churchil...
Nos dias que correm, onde normalmente uma refeição é composta por uma entrada, um prato de peixe ou de carne e uma sobremesa, torna-se difícil aplicar as regras de tempos mais antigos, criadas para refeições onde se serviam entre cinco a sete pratos distintos.

Algumas coisas, porém, continuam a ser rigorosamente iguais:

a) A noção do equilíbrio entre a qualidade do vinho servido e a do prato escolhido.
b) A ideia do crescimento na complexidade dos sabores, do princípio para o fim da refeição.
c) A influência das estações do ano no paladar.
d) A necessidade de ajustarmos os vinhos à experiência e ao conhecimento enológico dos nossos convidados.

Falámos já dos dois primeiros pontos, pelo que gostaríamos de elaborar um pouco mais em relação aos dois últimos.

No Verão, em alturas de muito calor, deveremos optar por vinhos brancos ou por tintos novos, não estando reunidas as condições que nos permitiriam apreciar devidamente um grande tinto velho. Comem-se mais peixes e pratos leves, abusa-se das saladas – óptimas para a saúde mas grandes inimigas do vinho – apetecem-nos os vinhos verdes, brancos como aperitivo ou para acompanhar mariscos e peixes grelhados, tintos para a sardinha, para o carapau e porque não para o bacalhau?

Nos tempos em que a mesa vogava mais ao sabor das estações do ano, em Outubro começavam os meses da caça no prato, servida com as melhores especialidades das garrafeiras.

A galinhola, a perdiz estufada e a lebre merecem um tinto a condizer. Para o meu gosto aconselharia um DADO 2001 (mistura de uvas do Dão e do Douro – Dick Niepoort) ou um PAPE, magnífico Dão feito com uvas das Quintas da Passarela e da Pellada, do Produtor Álvaro de Castro para a primeira, um Douro Quinta de la Rosa reserva 2000 para a segunda e um Alentejo Conde da Ervideira Reserva 2001 para a última.

Um prato tão emblemático como o “Cozido à Portuguesa” deve comer-se em Dezembro ou mais além, quando as couves estiverem prontas na horta, acompanhado (por exemplo) por um Bairrada “DIGA?” vinho excelente do produtor Campolargo.


Em Janeiro prova-se o queijo da Serra ou de Serpa, sempre a merecer um tinto de eleição – Barca Velha 95 para os mais afortunados ou Reserva 2000 Quinta dos Roques, também de grande gabarito e a preço mais gentil – ou então, para alguns gostos, um Porto Vintage (se conseguir encontrar beba um Fonseca Guimaraens de 1976 e verá que se sente mais próximo do céu).

Em Fevereiro e Março aparecem as Lampreias (cozinhadas e acompanhadas com verdes tintos. Experimente, se encontrar, o Quinta de Carapeços ou o Ponte da Barca da casta Vinhão).
E o Sável, que não obstante ser peixe aguenta-se perfeitamente com um tinto (por exemplo um Adega Pegões Reserva de 2001) ou com um Branco de respeito, como o Quinta dos Carvalhais Encruzado, o Baron de B ou o Redoma Branco, para falarmos de um Dão, Alentejo e de um Douro, respectivamente. Todos estes excelentes também para os grandes peixes no Forno.

(Continua)

Comentário Político

Depois do artigo do Sr. Ministro das Finanças no "Público" de Domingo passado, com muita matéria para reflexão, mesmo para aqueles que com ele discordam, tive mesmo agora acesso à versão on line do mesmo Jornal (infelizmente passou a ser paga) mas de hoje, 19\7, onde li outro artigo de antologia do prof. Miguel Beleza sobre a "proliferação dos Elefantes Brancos" no nosso País.

Para além da peça jornalística estar muito bem escrita e com humor, a tese que dela transparece tem a ver com a muito relativa influência das obras ditas "de Estado" - no caso vertente o novo aeroporto da Ota e o TGV - para de facto servirem de relançamento à Economia.


Do ponto de vista puramente teórico não tenho competência para ajuízar da justeza destas dúvidas, mas de um outro ponto de vista, digamos que mais "sócio-político" , consigo compreender que o objectivo destes projectos, em alturas de recessão e de crise de identidade como é a actual, também seria (diria mesmo, quase que exclusivamente) definir um "ponto fulcral" de desenvolvimento que se tornasse farol para a população portuguesa, dando alento à sociedade civil e , na medida em que criam emprego, contribuir para devolver parte da alegria de viver a muitas famílias.


Neste processo de "devolver a alma aos Portugueses" torna-se difícil avaliar só do ponto de vista económico-financeiro os projectos em causa.


Fica-me, contudo, sempre um pensamento insidioso na cabeça: não será tudo isto um mero fogo fátuo de propaganda, criado para permitir aos Poderes constituídos mais alguns meses de preparação face ao "sufoco" que por aí virá?


Lembremo-nos do Euro 2004 e dos picos de auto-estima nacional que se alcançaram nessa altura, para que, 1 ano depois, estivéssemos assim como estamos actualmente...


"Nem só de Pão vive o Homem". É verdade. Mas em sociedades onde o "Básico" está garantido...
É claro que se faltar o Pão (leia-se a Saúde, a Educação, os Salários, a Segurança, etc...) volta tudo à lei da selva...

Gastronomia 2

BRANCO, TINTO, PEIXE OU CARNE?

A escolha do vinho adequado a cada prato constitui, nos dias que correm, um assunto em que se especula tanto e onde parecem existir peritos em número tão grande como os treinadores de bancada que exercitam o seu direito democrático à liberdade de opinião (sobretudo crítica) todas as segundas feiras junto dos amigos.

Nesta matéria podemos falar de opções fundamentalistas, representadas pelo grupo tradicional dos “branco para o peixe” e “tinto para a carne” e, no extremo oposto, a pandilha revolucionária dos que “bebem o que lhes apetece qualquer que seja a comida”.
Não estaria completa esta introdução ao problema sem uma referência às criaturas para quem “vinho é tinto, branco é refresco” e que manifestam a sua inclinação desdenhosamente com a conhecida frase “como não havia vinho, bebeu-se branco”.

Parece, infelizmente para os produtores, armazenistas e comerciantes da especialidade, estar em vias de extinção a subespécie dos intrépidos bebedores de vinho que – sem temer a cor ou a qualidade do inimigo – o despachavam rapidamente e em força pela goela abaixo até verem o fundo ao barril.
Foi esta gesta gloriosa substituída, na sua maior parte, pelos “ingestores” (gestores que estão na moda) de álcoois brancos, castanhos ou matizados com mais de 40ºGL, de hábitos sobretudo nocturnos e que podem ser encontrados visitando abrigos para navios (as Docas).

No meio de tanta confusão como nos podemos arrogar o direito de recomendar o que quer que seja em relação a matéria tão controversa sem correr o risco de ofender não só gregos e troianos mas também lusitanos, celtiberos, romanos, visigodos, cimérios e outros marcianos?

Propomos, pois, o seguinte: leiam, se fizerem favor, os comentários que seguem nos próximos dias e, no fim, façam o que lhes der na realíssima gana sem mais um pensamento sequer para com este escriba.

segunda-feira, julho 18, 2005

POST@L

Trabalho e Saúde... física, mental e organizacional

Atenção ao texto do Carlos Capela que anexamos

Devia ser lido e discutido.

Realço esta afirmação: " ... os bons locais para trabalhar são espaços potenciais de conciliação da saúde organizacional com a saúde física e mental dos seus membros... "

É uma afirmação que não colide com:
- a agressividade comercial;
- a melhoria contínua da produtividade;
- a procura da satisfação dos clientes;
- o combate à concorrência ;
- o sucesso económico na empresa

O "Trabalho e Saúde" são armas que as boas empresas devem utilizar no dia-a-dia.
Boas leituras
Espero que o Carlos Capela "apareça" mais vezes.

O CORREIO-MOR FEITO PELOS SEUS LEITORES

Do nosso colega e amigo Carlos Capela recebemos o seguinte texto que consideramos muito importante:

CONFIANÇA

À semelhança de anos anteriores, a revista EXAME publicou em Janeiro passado a lista das 20 Melhores Empresas para Trabalhar em Portugal – 2005.

Nos três primeiros lugares da lista surgem, por esta ordem, a Microsoft, a BP e a Mapfre.

Empresas como a Microsoft, a BP, a Mapfre, a Bristol-Myers Squibb, a Merck Sharp & Dohme, a Diageo, a General Electric, a Johnson & Johnson, a Delloitte, a Jazztel, a Ericsson, as portuguesas Real Seguros e Somague, a DHL e a TNT no segmento dos courrier, para referir apenas alguns exemplos, têm ocupado regularmente uma posição de destaque entre as Melhores Empresas para Trabalhar em Portugal, ao longo das diferentes edições desta iniciativa.

Algumas ocupam também um lugar na lista das 100 Melhores Empresas para Trabalhar na União Europeia.

O que têm de especial estas empresas?

A lista das Melhores Empresas para Trabalhar tem por base os resultados da avaliação realizada anualmente pelo Great Place to Work Institute.

O projecto Great Place to Work teve origem nos EUA, há cerca de 20 anos. Mais recentemente, veio a ser apoiado pela Comissão Europeia no quadro de iniciativas comunitárias visando estimular a assunção da responsabilidade social das empresas.

A abordagem desenvolvida pelo Great Place to Work Institute baseia-se no princípio, sustentado em resultados da investigação, de que a confiança entre os dirigentes e os colaboradores é o factor mais importante que caracteriza os melhores locais para trabalhar. O «melhor local para trabalhar» é aquele em que os colaboradores confiam nos gestores, têm orgulho no que fazem e gostam das pessoas com quem trabalham.

O modelo subjacente tem em consideração cinco factores ou dimensões:

· Credibilidade, Respeito e Justiça, que, em conjunto, constituem a Confiança;
· Orgulho, no sentido positivo de identificação com o trabalho, com a equipa, com a organização e com o projecto empresarial;
· Camaradagem, no sentido da existência de uma atmosfera de trabalho amigável, descontraída e solidária.

Na dimensão Credibilidade são tomadas em consideração a ética e consistência na prossecução da visão e da estratégia da organização, a racionalidade, transparência e coerência das decisões, a comunicação franca, aberta e acessível, a coerência entre o discurso e a acção, a competência na coordenação dos recursos humanos e materiais.

O Respeito (pelas pessoas) envolve o apoio efectivo ao desenvolvimento profissional dos colaboradores, nomeadamente através do acesso a formação, o envolvimento e participação nas decisões que têm a ver com o trabalho e com o projecto empresarial, a promoção de um ambiente de trabalho saudável e seguro, a demonstração de apreço pelo trabalho bem realizado ou empenhamento para além do exigido, o respeito pela vida pessoal dos colaboradores e o equilíbrio entre a vida profissional e familiar, assim como a inexistência de quaisquer formas de pressão ou discriminação ilegítimas exercidas sobre os colaboradores.

A Justiça (ou Equidade) tem sobretudo em consideração um tratamento justo e equilibrado para todos, em termos de reconhecimento e recompensas, a imparcialidade e ausência de favoritismos nas contratações, promoções e nomeações e a possibilidade de acesso a instâncias de recurso ou de arbitragem independentes e isentas.

Existe um largo consenso em como um clima de confiança entre os dirigentes e os colaboradores, o respeito pelas pessoas, o envolvimento e participação nas decisões, a consistência e transparência das práticas de gestão, favorecem interacções de trabalho mais positivas, maior produtividade e melhores resultados. Existem, aliás, estudos que sugerem que As Melhores Empresas para Trabalhar apresentam também melhores resultados económicos e mais valor para o accionista. A lista das empresas “seleccionadas” parece constituir uma prova disso.

De uma forma geral, estas empresas procuram desenvolver «boas práticas» de cidadania organizacional e de relacionamento com os seus stakeholders e com a comunidade, baseadas em políticas de Responsabilidade Social Empresarial claras, participadas e amplamente difundidas, internamente e externamente.

Para além de uma política de Responsabilidade Social, possuem, na maior parte dos casos, um «código de conduta» e políticas claras, documentadas e acessíveis de desenvolvimento de recursos humanos, de educação e formação, de saúde e segurança, de gestão de riscos, de defesa do ambiente, de combate a formas de pressão ou discriminação ilegítimas, para mencionar apenas algumas das mais importantes.

Os dados da investigação - e o bom senso - sugerem que "os bons locais para trabalhar são espaços potenciais de conciliação da saúde organizacional com a saúde física e mental dos seus membros. As empresas que descuram a saúde física e psicológica dos seus colaboradores podem comprometer as suas próprias saúde, competitividade e longevidade".

Os gestores que ambicionam construir empresas saudáveis e com elevado desempenho, necessitam, antes de mais, de estar atentos ao modo ético, íntegro, coerente e justo como actuam, à razoabilidade e transparência dos processos e das decisões, à forma equilibrada e justa como reconhecem e recompensam o desempenho, às oportunidades de aprendizagem e de desenvolvimento que proporcionam aos seus colaboradores e ao modo como envolvem e promovem a participação dos colaboradores nas decisões que têm a ver com o seu trabalho e com o projecto empresarial.

Regressando aos CTT, a aprovação de uma «Carta» de Princípios Gerais de Política da Sociedade é um bom ponto de partida.

Carlos Capela

Referências:

Rego, A. (2005). “Bons locais para trabalhar”, stress e bem-estar afectivo no trabalho. Documentos de Trabalho em Gestão, Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial, Universidade de Aveiro.

Sondagens para as Autárquicas

Alguns Colegas que se lembravam da "aventura" que protagonizámos antes das últimas Eleições Legislativas, onde nos foi possível prever os resultados ao nível de rigor das grandes empresas do ramo, utilizando apenas meios amadores, perguntam-me se não poderei fazer o mesmo para as Autárquicas que se avizinham...
O problema é que nesta altura do ano não tenho matéria prima disponível (leia-se "alunos") para fazer as entrevistas telefónicas que seriam necessárias.
Isto partindo do princípio que me abalançava a fazer previsões apenas sobre Lisboa, Porto e Cascais, dadas as limitações decorrentes dos processos Amostrais em causa.
Recomendo que leiam e comentem as observações do Doutor Pedro Magalhães, no seu excelente "margens de erro".
O link está disponível no sidebar aqui ao lado...

sábado, julho 16, 2005

POST@L

Publicidade TMN – uma boa oportunidade para os CTT

Transforme os seus MMS em postais e envie-os pelo correio prioritário
Custo por postal 2€

Esta sim, uma bela jogada

Desconheço se os CTT estiveram envolvidos neste processo.
Seja como for espero que a Vodafone e a Optimus sigam este exemplo.

Espero também que os CTT estejam cúmplices deste processo para que:
1 - o trafego seja devidamente acondicionado, pré-tratado e bem encaminhado;
2 - possa haver horas de corte excepcionais
- quer ao longo da semana (próximo das 22.30h para todo o país)
- quer ao fim de semana (domingo à noite) de forma a “apanhar” todo o tráfego deste período (que não pode ficar com distribuição somente à terça-feira).

Não consigo identificar qualquer fronteira....

sexta-feira, julho 15, 2005

SAMPAIO PEDE MAIS DISCUSSÃO SOBRE A EUROPA

Aqui vai a minha posição e ponto de partida para uma discussão mais ampla:
1 – Defendo um BI comum para todos os Europeus;
2 – Defendo uma política externa comum;
3 – Defendo um exercito comum (independente da NATO);
4 – Defendo uma Europa verdadeiramente comum onde os aspectos sociais sejam valorizados;
5 – Defendo uma Europa Comum onde os aspectos “pequeno-burgueses” da defesa das fronteiras, da independência sejam colocados em causa em nome de bens comuns.;
6 – Defendo uma Europa Comum sede de Criatividade e Inovação – onde a mais valia seja o "Conhecimento" e NUNCA a mão de obra barata;
7 – Defendo uma Europa que seja modelo de sociedade para todo o mundo;
8 – Defendo uma Europa sinónimo de tolerância e paz;
9 – Defendo uma Europa que seja casa comum plural e diversificada.

QUE MUNDO TEREMOS DAQUI A 30 OU 40 ANOS?

Um “bloco Chinês”?
Um “bloco Indiano”?
Um (ou dois) bloco(s) americano(s) (Norte e Sul)?

E neste quadro como será a Europa?
Continuamos a ter países como nos séculos 17 a 20?

E para fazermos uma ligação à nossa empresa CTT:
Qual será o nosso posicionamento neste espaço daqui a 15 - 20 anos?
Haverá obrigatoriamente: parcerias, acordos, aquisições, fusões e teremos no máximo 3 a 4 empresas de Correios em toda a Europa - concorrentes em todo o espaço global. – muitas delas misturadas com as DHL, Federal Express, TNT, etc., etc.

Será um mundo diferente!

Sobreviveremos?
Somente sendo uma empresa economicamente saudável, dinâmica, progressiva, inovadora, agressiva comercialmente, líder no mercado, na criatividade, nos processos, na mudança e onde seja estimulante trabalhar.

quinta-feira, julho 14, 2005

POST@L

O "Conhecimento" - um activo nas empresas

Que distingue duas empresas?

Há várias formas
- a tecnologia
- as instalações
- os processos
- os clientes
- a facturação
- a economia e a sua saúde financeira

mas também poderá ser um segredo – tal como a Coca Cola – que não é o mais normal

No entanto em condições idênticas há algo que pode fazer a diferença:

APOSTAR NOS SEUS TRABALHADORES,
APOSTAR NO “CONHECIMENTO”

O “conhecimento” é um activo que as empresas têm e que não aparece “explícito” nos seus orçamentos ou nos seus balanços.

Devemos valorizar o “conhecimento”

POST@L

Gastronomia 1

Em Louvor do Bísaro


Amantes incondicionais do Leitão assado à moda da Bairrada, fomos desafiados por um grande conhecedor da matéria para provarmos, em sua casa, o dito petisco mas de matéria prima bísara, uma das duas únicas raças autóctones de suínos existentes em Portugal. A outra, que merece também respeito e carinho (e porque não um outro artigo?) é a raça alentejana\ibérica do "porco preto de montado".

Segundo o nosso amigo era essa raça a existente na Bairrada em tempos antigos, sendo à sua conta que cresceu a fama do prato emblemático bairradino.

O que seria um leitão transvestido em bísaro? Pesquisa simples junto do site do Ministério da Agricultura (Divisão de Produção e Melhoramento Animal) informa-nos que se trata de um suíno que se encontra nos dias de hoje principalmente em pequenas explorações agrícolas, do tipo familiar, de cor branca malhada de azul acinzentado, com a garupa estreita, descaída e pouco musculada. Estão actualmente registados no livro genealógico da raça - cuja entidade gestora é a Associação Nacional de Criadores, com sede na Casa do Povo de Vinhais - pouco mais do que 200 animais, o que o torna numa raça em vias de extinção, a necessitar de protecção oficial.

Com uma distribuição geográfica quase que limitada ao extremo Norte do nosso país, convinha percorrer esses caminhos de Torga, para além dos montes, para melhor nos familiarizarmos com o assunto.

O Solar do Porco Bísaro encontra-se perto do Parque Nacional de Montesinho, em Gimonde, Montalegre e Vinhais. Nessas latitudes o maior e melhor aproveitamento que se faz do animal é no fumeiro tradicional do Montesinho, que se declina em Salpicão de Vinhais, Chouriça de carne de Vinhais, Alheira de Bísaro, Azedo Bísaro(chouriço de pão), Butelo Bísaro, Salpicão Bísaro, Untaça Salgada Bísaro, Costela fumada Bísaro, Presunto Bísaro e... páro aqui que já enchi o teclado do computador de saliva...

Não encontrei referência específica à utilização do leitão dessa raça em assado tradicional, na sua região. Para essa nobre aplicação gastronómica teríamos de rumar a Sul. Foi o que fizemos e aqui estamos para dar testemunho da prova.


Para um leigo a maior diferença entre o leitão bísaro e o leitão mais utilizado no assado à moda da Bairrada (normalmente de raças mais produtivas importadas do Oriente) encontra-se no desenho das formas do corpo, mais angulosas no bísaro e mais arredondadas no outro leitão; bem assim como no teor da gordura entre a pele e a carne. Enquanto que o leitão comum apresenta um manto de três a quatro centímetros de gordura corporal, no bísaro essa gordura dificilmente chegará a metade da espessura referida. Por outro lado, fruto do processo de engorda e também das características genéticas da raça, o bísaro é mais musculoso, de carne mais firme.

Admitindo que o processo da assadura é mesmo o tradicional da Bairrada, executado por um mestre assador sem pressas, como foi no caso em apreço, temos de dizer que a prova do bísaro superou as expectativas.

A suculência da carne, não da gordura , esteve bem em evidência durante a refeição, a pele estaladiça não desmereceu do conjunto e mesmo convidados que confessavam não serem amantes do Leitão assado à moda da Bairrada concordaram que estavam perante uma experiência gastronómica diferente..

Não consigo falar de comida sem referir os vinhos que lhe fizeram a corte, pois nos parece que nenhuma experiência gastronómica digna desse nome tem valor só com uma das componentes.

Neste caso beberam-se espumantes naturais da Bairrada, vinificados pelas Caves Aliança – Tinto de 1999 e branco (pasme-se!) de 1996 – agradabilíssimos os dois, mas com vantagem para o mais antigo, prova real de que um espumante nobre, feito com amor e sabedoria, não tem prazo de validade estipulado.

Com os queijos do Alentejo (de Niza, de Évora e de Serpa) provou-se com reverência um grande (enorme) tinto da Bairrada : Reserva de 1980 do Sr. Engº Dôres Simões. Suave na boca como a penugem de um pêssego de boa estirpe, este extreme de Baga mantinha, aos 22 anos de idade, um bouquet e um corpo deliciosos. É um dos tais vinhos que deve ser bebido entre bons amigos pois é demasiado precioso para ser oferecido a simples conhecidos.

Antes de terminar não podemos ignorar a “pergunta de um milhão de dólares”: qual é o melhor leitão assado á moda da Bairrada? O actual ou o bísaro?

Na minha opinião acho que devemos pôr a tónica na palavra “diferente”.

De facto, tenho quase a certeza de que o gosto adquirido pelos actuais amantes do assado bairradino, treinados em inúmeras refeições onde compareceu à chamada o leitão “moderno”, não se adaptaria facilmente ao gosto do bísaro. Teriam sempre a ideia de que estavam a provar pratos diferentes, tal a distinção entre as características sápidas dos dois tipos de leitões após o processo de transformação.

Na óptica de que a variedade da paleta gastronómica só enriquece o património das regiões – como dizia El Rei D.José I , noutro enquadramento, está claro, “nem sempre rainha, nem sempre galinha!” – deixem-nos dizer que viva o bísaro, na sua dupla missão de fonte de enchidos celestiais e de assados bairradinos, mas que tenha também longa vida e boa fortuna o leitão “moderno” à moda da Bairrada, para gáudio dos seus muitos admiradores. Neste mundo há espaço para os dois e ainda bem que assim é.

quarta-feira, julho 13, 2005

POST@L

"Não me tragam problemas, tragam-me soluções!!"

Esta frase - que já não sei bem de onde é oriunda - tem tendência para se repetir de cada vez que um Director ou um Administrador se reune com os seus colaboradores, qualquer que seja a Empresa.
Porventura eu próprio já a terei dito aqui nos CTT...


Vem esta introdução para falarmos um pouco sobre duas novas iniciativas - que devo louvar - da actual gestão da nossa Casa:
a) O Fórum de Discussão Interno na IntraNet (Pasta "Negócios", Pasta "Fóruns de discussão")
b) A iniciativa de criar um Fórum Permanente de Inovação e de Criatividade, do tipo "caixa de sugestões", para que todos os Trabalhadores dos CTT tenham a possibilidade de propor melhorias aos actuais processos ou até inovações absolutas.


Bem, com estas iniciativas estamos (estarão os Promotores) a querer que "lhes tragam Problemas" ou que "lhes tragam Soluções"? Parece que o mote, nos dois casos vertentes, é dado à busca de Soluções, o que se compreende e é perfeitamente normal (de Problemas estaremos todos cheios...).


Todavia - na minha opinião - não se deve esquecer a necessidade de fazer sempre a priori um bom diagnóstico de levantamento de problemas. Não há nada como um bom problema para aguçar o engenho...


Riscos que se podem vir a correr se não começarmos pelos Problemas:
- Encontrar Soluções para problemas que não existem.
- Encontrar Soluções (mais complicadas) para problemas que já têm Solução simples


Não se riam! Já cá andamos há tempo suficiente para saber que tudo isto é possível.


Conto só uma história (editada para não ferir susceptibilidades nem a Ética do nosso Blogue) que tive ocasião de testemunhar:


" Andávamos há já algum tempo a tentar resolver o problema do tempo da distribuição das cartas de correio normal, para Clientes Individuais - os quais, na altura, não representariam mais do que 7% do tráfego aceite.


O caso era o seguinte: embora a Distribuição fosse muito próxima do D+3 para quase 95% das cartas (que era o acordado ) um Senhor Muito Importante achou que tínhamos já condições para garantir, com algum investimento, o D+2 em probabilidade quase que idêntica (92% se não me engano) e assim poderíamos vir para a "Rua e fazer umas flores" de Relações Públicas e de Comunicação com a nossa qualidade.


Quando alguém se lembrou de perguntar aos Clientes Individuais o que, de facto, queriam, foi um escândalo: Queremos que diminuam o tempo sim, mas das Filas de Espera nas Estações! Quanto às cartas, D+3 está muito bem para as nossas necessidades.


Lá teve de se meter na gaveta (terá sido depois aproveitada para o Correio Azul?) uma Solução para um Problema que não existia... Pelo menos do Ponto de Vista do Cliente"

FERROVIA - 3

FERROVIA - 2

Caro António
Regressei há pouco da Eslováquia onde verifiquei que tanto nesse País como na República Checa a Ferrovia ainda é a principal linha condutora do correio (Rede Primária e parte da Secundária).
Inquiri os responsáveis locais que me disseram:" A Eslováquia não tem petróleo, pelo que a Ferrovia faz mais sentido em termos de Custos actuais ou futuros e ainda em termos Estratégicos, não vá a Rodovia ser objecto de limitações dentro de alguns anos, em função da evolução internacional dos preços e da acessibilidade do Petróleo
"Fiquei a pensar... Quem diria, em 1980 que o Paradigma do Transporte poderia ser de novo modificado?
Raul

Comentário:
A Rede Ferroviária Portuguesa não é boa – como tal não nos podemos comparar com a Eslováquia.
Por outro lado as nossas características em termos de qualidade (correio azul, verde, etc.) “exigem” ligações a horários tais que implicariam “comboios exclusivos” – situação que provavelmente tornariam os custos muito elevados.
O que já me parece mais pacífico seria a utilização da ferrovia para transporte de material vazio, material de armazém e eventualmente trafego de 2ª velocidade
Verificamos no desenho em anexo como é a Rede de alta velocidade na nossa vizinha Espanha. Neste país as condições são muito diferentes.
A nossa previsível ligação TGV a Espanha pode alterar o modelo de transporte internacional.

POST@L

Código de Ética de "O Correio-Mor"

1. Este Código de Ética é de adesão voluntária e constitui, pela sua própria natureza, um referencial evolutivo. As Regras nele contidas definem o Enquadramento recomendado pelos Criadores e principais Dinamizadores deste Fórum de troca de ideias, doravante referidos como “Gestores do Blogue”.

2. Objectivos do “O Correio-Mor”

a)
Promoção da troca livre de conceitos entre Trabalhadores dos CTT, Clientes e Fornecedores, baseada no pleno exercício da responsabilidade democrática e da liberdade individual de cada participante e tendo como limite as normas que o bom senso e os bons costumes ditarem.
b) Dinamização do desenvolvimento sustentado da Empresa CTT Correios de Portugal S.A., desde que se garanta sempre a salvaguarda:
- Dos valores nucleares da Segurança e da Confidencialidade de informação empresarial critica, e
- Do Bem Estar dos Trabalhadores,
c) Alcançar os objectivos do Accionista sem esquecer o pleno exercício da Responsabilidade Social que é devida às Populações.
d) Contribuir para a divulgação das “boas práticas” de gestão em todas as Áreas da vida da Empresa, tendo por finalidade implementar uma Cultura de Excelência que permita manter a liderança no Sector: “Ser sempre a 1ª escolha de qualquer Cliente para satisfazer as suas necessidades de Comunicação”


3. Valores e Visão dos “Gestores do Blogue”

Os dinamizadores desta iniciativa defendem os grandes princípios Humanísticos que foram (e são ainda hoje) bandeira do Sector Postal em todo o mundo, nomeadamente:
a) O Respeito pelos Clientes, Trabalhadores e Fornecedores dos CTT
b) O Desenvolvimento pessoal de todos os Colegas, combatendo todas as formas de discriminação baseadas em questões étnicas, religiosas, de género, políticas ou quaisquer outras
c) A Solidariedade para com as Comunidades populacionais onde a Empresa desenvolve o seu Negócio.
d) A Criação de Valor garantindo o acréscimo do bem estar dos Trabalhadores e a preservação do Meio-Ambiente
e) O Respeito integral por uma Ética empresarial baseada na adopção de práticas negociais transparentes, leais e estritamente respeitadoras da lei no relacionamento com Clientes, Trabalhadores e Fornecedores.

4. Modelo de funcionamento

a) Esta plataforma não pode ser utilizada como suporte a promoções individuais ou de grupo, mas sim constituir um local livre e democrático – aberto a todos - de debate de ideias
b) O “Correio-Mor” deve ser um espaço virado para o futuro, positivo e afirmativo sem todavia nunca esquecer o que foi o passado dos Correios de Portugal
c) Existe um grupo de “Gestores do Blogue” que têm acesso livre ao mesmo, podendo introduzir “post´s”.
d) Os “Gestores do Blogue” são individualmente responsáveis pelos textos que inserem
e) Os comentários que os Leitores vierem a fazer podem ser “realçados” no texto principal (tendo que ser em cor azul). A transposição poderá ser efectuada por qualquer dos “Gestores do Blogue” ficando este como responsável pela eventual edição do texto
f) Os “post´s” deverão ser, tanto quanto possível, textos pequenos para criar mais apetência à sua leitura
g) Não deverão ser feitas afirmações injuriosas para qualquer Trabalhador, Cliente ou Fornecedor dos CTT, incluindo os seus dirigentes ou Administradores, passados, presentes ou futuros. O “Correio-Mor” foi criado para debater conceitos e apresentar novas ideias e não para alimentar polémicas de cariz pessoal..
h) Após a “estabilização” do grupo de “Gestores do Blogue” só serão admitidas novas candidaturas com a aprovação dos existentes (por consenso maioritário) .

Um Sinal de Maturidade

Com o sucesso desta iniciativa, que superou as expectativas dos primeiros promotores, um conjunto de Colegas reuniu-se para pensar melhor sobre o futuro do Blogue e decidiu publicar um Código Deontológico para todos os Participantes .
Não se coarta a Liberdade de ninguém, como poderão constatar a seguir, apenas se solicita que o bom senso e o respeito pelas pessoas e pelas entidades sirvam de linhas condutoras a este Fórum de discussão.

terça-feira, julho 12, 2005

POST@L

Transporte Ferroviário

Há cerca de 15 anos os Correios Portugueses deixaram de utilizar os transportes ferroviários pelos seguintes motivos:
1 – Horários não compatíveis com as suas necessidades;
2 – Custos de transbordo elevados (Centros de Tratamento localizados longe dos terminais ferroviários);
3 – Pouca flexibilidade no processo;
4 – Não cumprimento dos horários acordados.

O custo não era um factor negativo.

Os estudos da época indicavam que só para distâncias superiores a 300 Km se justificava a opção ferroviária

Passaram-se vários anos
O custo do combustível é muito mais elevado
As questões ambientais estão na ordem do dia
Os processos logísticos foram todos alterados

Parece-me que, nem que fosse somente para o transporte de material vazio, a opção ferroviária deveria ser equacionada.

segunda-feira, julho 11, 2005

POST@L

TGV – Também nos interessa esta discussão

No que se refere ao TGV discutem-se três questões:

1 – Existência ou não desta rede ferroviária
2 – Trajecto
3 – Rede só para passageiros ou também para carga

Neste terceiro ponto a opção TGV com possibilidade de transporte de carga (que implica custos mais elevados e velocidade menor) interessa aos CTT na medida em que poderíamos utilizar este transporte quer numa óptica Ibérica quer mesmo como alternativa a algumas ligação aéreas.

É um assunto ao qual nos deveremos manter atentos e interessados.

POST@L

SREBRNICA – mais de 600 mortos foram hoje a enterrar

Foi “aqui” mesmo ao lado... há 10 anos nós, os Europeus, fomos incapazes de apoiar as populações indefesas

Fomos cúmplices de tudo o que se passou nas Repúblicas da Ex-Jugoslávia.

- O reconhecimento por parte da Alemanha de um dos estados precipitou o conflito;
- A impossibilidade de pressão, apoio e controlo por parte dos países desenvolvidos e civilizados;
- A impotência das tropas Holandesas que estavam nesta localidade ao serviço das Nações Unidas – “trocaram” 24 Holandeses reféns dos Sérvios por 5.000 refugiados sob sua protecção.

Homens e rapazes, separados das mulheres e crianças, foram executados.

Desde a 2ª Guerra Mundial que não se verificava na Europa tamanha atrocidade.

Nestes dias de dor pensemos que a vida é tão valiosa seja para os habitantes de Nova York, Madrid, Londres, Bagdade ou de Srebrenica.

Não podemos alterar o passado – mas podemos influenciar o futuro!

Adesão (de Clientes) ou Obrigação?


Há quase 500 anos que os CTT Correios de Portugal mantém com os seus Clientes uma relação especial, baseada no cumprimento de um serviço público essencial – o transporte de mensagens ou de objectos.
Do ponto de vista dos Clientes essa relação era de carácter obrigatório, já que nenhuma outra entidade podia prestar serviço semelhante no território nacional.

A qualidade do serviço que prestávamos era definida pelas normas que enquadravam o serviço público e geralmente assegurada através de mecanismos internos de auto-controlo. Convém aqui dizer que o espírito de corpo desenvolvido pelos profissionais de correios e o seu grande sentido da responsabilidade contribuíram tanto ou mais do que os aspectos focados para dotar o País (e os Clientes) de um serviço postal de qualidade, ao nível do que melhor se fazia (e faz) na Europa e no Mundo.

Nos dias de hoje, mesmo do ponto de vista legal e institucional, aproximamo-nos de uma situação onde o Cliente vai poder, finalmente, escolher. Já o fazia abertamente em relação às encomendas e correio urgente, passou a poder exercer essa escolha também em relação ao correio não endereçado e dentro de algum tempo o mesmo se passará com todo o correio endereçado.

Nestas novas circunstâncias concordaremos todos que o mais importante dos desafios para os actuais CTT consistirá em assegurar a fidelidade dos seus Clientes, de forma a garantir que continuarão connosco após a liberalização completa da actividade.

Trata-se de transformar uma relação de “obrigação” numa outra relação dita de “adesão”.

Por outras palavras, deixar de contar com o Cliente que nos utiliza porque não tem outra alternativa, para passar a contar com o Cliente que nos escolhe livremente porque temos o melhor serviço postal ao melhor preço do mercado.

Este assunto reveste um interesse muito particular para os CTT Correios de Portugal, pois é exactamente nos produtos onde os nossos Clientes já podem exercer livremente o seu direito à escolha que nós temos vindo a apresentar os resultados mais preocupantes.


Numa visão horizonte de carácter mais pessimista não é de todo impensável congeminar um País onde os nossos concorrentes tomariam conta da distribuição postal nos principais centros urbanos, deixando para os CTT a tarefa da distribuição nos locais de Portugal mais excêntricos. As consequências para a nossa rentabilidade da existência de uma situação semelhante arrepiam...

Não só o nosso “negócio” é um negócio de pequeníssimas margens unitárias, que sobrevive graças ao volume do tráfego e que por isso se sente ameaçado com qualquer erosão, como, por outro lado, os custos decorrentes da distribuição fora dos grandes centros são muito maiores.

Para os que pensam ser este cenário altamente improvável, peço-lhes o favor de analisarem o desenvolvimento de situações semelhantes em Países bem próximos de nós...

Não tenhamos qualquer dúvida: todas as vertentes mais rentáveis da actividade postal estarão “debaixo de fogo” logo que a conjuntura legal o permita.

Por outro lado, não poria demasiada confiança nas posições até aqui conquistadas pelos CTT no mercado. Os Clientes respeitam aquilo que somos, mas exigem ser surpreendidos todos os dias: novos produtos para novas necessidades, preços mais baixos, qualidade de serviço sempre a níveis superiores. Quem quer ser líder não se pode limitar a defender posições conquistadas. Tem de provar todos os dias que é o melhor.

Devemos conquistar a adesão dos Clientes não só porque somos os mais antigos, ou os mais simpáticos, ou ainda os de maior notoriedade, mas pura e simplesmente porque também somos os melhores naquilo que fazemos.

Ser o melhor significa ter o melhor produto ao melhor preço do mercado, ter a melhor assistência pós-venda e o melhor relacionamento com o Cliente e comunicar impecavelmente tudo isso sem distorções!

sexta-feira, julho 08, 2005

POST@L

RECURSOS HUMANOS - 1

Imaginemos uma história:

São convidados algumas centenas de quadros para uma acção de formação.
Durante este período é efectuado um inquérito relativo aos seguintes pontos:

- Stakeholders (item relacionado com estabelecer, refinar, monitorizar)
- Cultura corporativa (item relacionado com: definir, publicitar, “energizar)
- Unidades Organizacionais (item relacionado com envolver, unificar, ligar)
- Grupos (item relacionado com: focar, unificar, ligar)
- Pessoas (item relacionado com: capacitar, envolver)

Detecta-se que os valores médios encontrados são todos inferiores a 2,8 (numa escala de 1 a 4).
Segundo os parâmetros se algum item fosse inferior a 3 a empresa deveria tomar decisões importantes para alterar esta situação.

Perante a gravidade deste diagnóstico que é que se deveria fazer?
Provavelmente muitas coisas, nomeadamente:
- identificar projectos;
- galvanizar equipas;
- dinamizar “ideias revolucionárias”;
- redefinir objectivos;
- etc.
Uma coisa é certa: na empresa desta história há espaço para muito trabalho.

POST@L

A DÚVIDA – para que serve este blogue?

Os blogues são uma “coisa” recente. Há blogues que existem com diferentes objectivos: – de promoção pessoal, de generalidades, de crítica musical, de poesia, de “boatos”, de humor, anónimos, etc.
Assim sendo, porquê um blogue interno e essencialmente virado para questões de Correios?
- Promoção pessoal?
- Défice democrático de discussão interna?
- Ausência de local de discussão?
- Branqueamento de posições anteriores?

Temos honestamente que reconhecer a possibilidade de todos estes itens serem verdadeiros e possíveis.
Defendo, e para que não hajam dúvidas, que o local para discussão dos diferentes temas é dentro da empresa e liderados pelos diferentes dirigentes.

Assim sendo, que fazer?
Participarei activamente, para além deste blogue, no fórum interno que existe na IntraNet dos CTT. Se entender que o(s) espaço(s) interno(s) corresponde(m) às minhas expectativas a minha participação no “Correio-Mor” deixa de ter significado.

Defendo esta posição em nome duma cumplicidade com a empresa que nunca deixou de existir.

quinta-feira, julho 07, 2005

TERROR? - NÃO!

LONDRES, 7 de Julho 2005

SEJAMOS INTELIGENTES

O terrorismo não se combate com o dedo no gatilho, nem humilhando e esmagando os outros


Inteligência ao poder!

Notícias do Mundo: Os Atentados em Londres 7 Julho 2005

"Os Deuses vendem quando dão,
Compra-se a glória com desgraça.
Ai dos felizes, porque são
Só o que passa!

Baste a quem baste o que lhe basta
o bastante de lhe bastar!
A vida é breve, a alma é vasta:
Ter é tardar."

in "Mensagem"

Amigos, o que dizer destas notícias? Soltaram de novo os "cães da guerra" para desgraça dos trabalhadores, dos pobres, dos indefesos, dos tristes deste mundo que ocupam os transportes públicos nas horas da tragédia.

O objectivo do terrorismo é o Terror. Mais nada.
Sem nexo, sem estratégia de conquista de poder, sem luta de classes, sem esperança,

Como se defronta esta violação de princípios, esta dessacralização da vida, este egoísmo supremo que consiste em privar da vida alguns infelizes apenas para chocar os outros, que somos todos nós?

Continuando a apreciar o cheiro de romanzeiras e o sabor de algodão doce em noites de Verão. Prezando a Amizade e brindando à vida, em boa companhia. Rindo muito e sempre, por bem.

"The sun will rise again!"
Tolkien

"O sonho é ver as formas invisíveis
Da distância imprecisa, e, com sensíveis
Movimentos da esperança e da vontade,
Buscar na linha fria do horizonte
A árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte -
Os beijos merecidos da Verdade"

in "Mensagem"

quarta-feira, julho 06, 2005

POST@L

LOW-COST nos CTT - 2

As Empresas que optam por sistemas “Low-cost” têm como objectivo combater a concorrência e/ou dificultar o aparecimento de novos operadores.
Nunca por pensarem que as suas margens sejam “demasiado elevadas”.
A "provocação" que fiz ao lançar este tema para a discussão não implica que pense estarmos no momento exacto para implementar esta solução.
Não sei quando deverá ser implementada. Não tenho informação.
Penso que a empresa deve estar preparada com antecedência suficiente para que, se necessário, implementar esta medida.
A liderança no mercado passa também pela capacidade de antecipação.
A concorrência está atenta.

O CORREIO-MOR FEITO PELOS SEUS LEITORES

Relativamente ao Post "LOW-COST nos CTT" foram introduzidos dois comentários, que realço

Amigo António,
A implementação de uma funcionalidade de atendimento remoto de Pequenos Clientes Contratuais, utilizando técnicas de TeleVendas e de TeleMKT através do Contact Center, é já uma forma de procedimento de "Low Cost" que foi proposta ao Conselho do "anterior regime" e por este contrariada.Penso, em boa verdade, que é inevitável a respectiva concretização mais cedo ou mais tarde...
Raul



Provavelmente o low cost é algo que mais tarde ou mais cedo chegará a vias de comunicação que ainda não foram 100% exploradas.A questão que coloco e assinalando a minha opinião da inevitabilidade dessa situação de técnicas apuradas de low cost(embora não consiga prever o horizonte temporal), é a seguinte: "Quem chegará 1º à meta? E que estruturas têm presentemente capacidade para aproveitar as suas ineficiências transformando-as em claras e rentáveis oportunidades?"".É importante não esquecer que quem 1º começa, modela o mercado e quem segue na frente gere a vantagem.
Filipe Porto

POST@L

Comentário VPC e CTT

Um pequeno Post para dizer que concordo com o Raul.
Temos que nos lembrar que também aqui deve haver segmentação – o modelo de distribuição de encomendas em “zonas dormitório” não tem que ser (melhor: não pode ser) idêntico em “zona rural”, “zona comércio” ou mesmo “cidades de pequena dimensão”.
Tem que haver modelos diferentes para realidades diferentes.
Devemos também aproveitar as sinergias de “grupo” - assim não podemos ver a problemática das “encomendas” desligadas da distribuição de objectos chamados “médios ou grossos” que tem aumentado... e que têm problemas idênticos na fase final do ciclo operativo

O Correio-Mor visto pelos seus Leitores

Faço destacar uma (importante) observação do colega Carlos Anjos sobre o meu comentário anterior à Distribuição domiciliária de Encomendas:

"Querem os CTT resolver esta questão das Encomendas de uma forma que nos satisfaça? A minha Empresa não deseja procurar outras alternativas...”

Sobre esta frase que considero exemplificativa da importância e crédito que os nossos clientes depositam nos CTT dando-lhe as condições para serem arrojados e criativos, ou seja promoverem a INOVAÇÃO.

Esta frase fez-me lembrar o desafio que em tempos a Banca nos colocou na expedição de correio internacional. Na altura era responsável por este segmento e a DHL um concorrente indirecto mas que resolveu atacar o correio internacional de volume, concretamente a Banca e as seguradoras que aderiram rápidamente a um novo paradigma de taxação, o peso total ao Kg em vez de objectos.Confrontados com a perda imediata de quota e querendo resolver a situação, a Banca contactada pelos CTT colocou a seguinte questão:"Querem os CTT resolver esta questão do correio Internacional de uma forma que nos satisfaça? A minha Empresa não deseja procurar outras alternativas...”

Na altura a resposta foi imediata, inovadora e revolucionária com a criação do BUSINESS MAIL de base exclusivamente contratual, tendo os CTT recuperado toda a quota de mercado perdida e a Banca honrado a sua palavra não procurando ou desenvolvendo outras alternativas.A resposta a novos desafios, certamente dificeis e complexos vai continuar a estar nas seguintes variáveis:RAPIDEZ DE REACÇÃO, CONHECIMENTO, CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO

Resposta ao "Comentário VPC e CTT"

a) Uma das primeiras coisas que me veio à cabeça para contradizer ( no bom sentido) a afirmação de que “4 ou 5 Milhões de Encomendas por ano não justificariam um novo Conceito de produto para a Distribuição domiciliária” foi a de que se os CTT não resolverem este assunto podemos ter a certeza de que alguém o vai resolver por nós e , ao mesmo tempo, “meter no bolso” estes Clientes...

b) Bem, de facto não seriam sequer 4 ou 5 milhões de objectos que estariam em causa numa perspectiva “ceteri paribus” (se nada mais fizermos) mas sim apenas 0,5 Milhões, que é o número das Encomendas (cerca de 11%) que actualmente são enviadas ao domicílio... Até me atrevo a dizer que corremos o risco de serem cada vez menos, se nada mais fizermos...!

c) Ainda me recordo – porque foi na minha presença - quando o Administrador Delegado de uma das mais importantes Empresas de Catálogos a operar em Portugal nos disse, antes de enveredar pela hipótese dos Pontos de Encontro e da “Adicional” para o domicílio: “ Querem os CTT resolver esta questão das Encomendas de uma forma que nos satisfaça? A minha Empresa não deseja procurar outras alternativas...”

A nossa resposta, na altura, foi pouco mais do que ambígua devido ao facto de aguardarmos a implementação do sistema de T&T para as Encomendas , e o resultado está à frente de todos nós...
O Mercado, por norma, tem horror ao vazio e se nós (CTT ou ctt Expresso) não encontrarmos forma de resolver os problemas do Cliente, este não vai demorar muito a encontrar alternativas.

d) Por outro lado, parece-me demasiado redutor estarmos a imaginar que este Mercado dos Objectos Médios e Grossos com domicílio não será impactado pela dinamização do E-Commerce. É aqui que vai residir a grande oportunidade de Negócio para a próxima década, e é bom que estejamos previamente preparados para a “agarrar”...

e) Quanto à Rentabilidade, nem sempre uma operação de domiciliação é - do ponto de vista da rentabilidade - uma função simples do Volume global anual de Objectos. Sê-lo-á, sem dúvida, do Volume de Objectos por Destino e por Unidade de Tempo (entendendo-se por destino um "bairro" ou um "eixo de via" nas grandes cidades; ou uma localidade nas pequenas aglomerações populacionais).

Admitindo-se que o Transporte na Rede Primária seria feito pela Rede já existente, do ponto de vista do contacto com o Cliente é esta uma Operação "talhada" à medida do "outsourcing" de Distribuição, como os nossos concorrentes bem sabem. E se resulta para eles porque não há-de resultar no nosso caso?

COMENTÁRIO - III Reflexões sobre a VPC e os CTT

Um Colega enviou-nos um Comentário muito interessante sobre esse texto.

Vou aqui dar-lhe destaque, pedindo aos outros Leitores que o comentem enquanto preparo uma resposta que traduza o que penso sobre o assunto:

" Na maior parte são boas ideias, mas valerá a pena alterar o actual ou criar um novo modelo de Operação/Distribuição domiciliária tendo em conta que estamos a falar, na melhor das hipóteses, de 4 a 5 milhões de Encomendas por ano???

Onde estará a rentabilidade dessa solução? "

05 July, 2005

terça-feira, julho 05, 2005

POST@L

POST@L

LOW-COST nos CTT

Constactamos a todo o momento o aparecimento de serviços “Low-cost” seja nas companhias de aviação, seja nos telemóveis, etc.

Pensemos primeiro o que está na base dos serviços “Low-cost”:
- custos operativos mais baratos
- aproveitamento de capacidade disponível
- ausência de contacto pessoal na venda do serviço
- utilização da Internet

E nos Correios? Será possível aplicar a mesma “receita”?

Provavelmente sim,

Sejamos revolucionários
Sejamos criativos

POST@L

III - Reflexões sobre a VPC e os CTT - (quase uma Conclusão)


Recordo que tínhamos dito anteriormente que os serviços que, actualmente, eram mais solicitados aos CTT pelos grandes Clientes desta actividade eram a Distribuição Domiciliária dos Catálogos\Publicidade, bem assim como a Entrega do produto final ao Balcão das nossas Estações.

Teríamos já mais dificuldade em competir com as diversas “concorrências” ao nível da Recolha de Fundos dispersos (Cobranças) e nas Entregas Domiciliárias de Objectos\Encomendas em mão.
E não só em Qualidade de Serviço como também em Preço: de facto o EMS tem qualidade e vai a casa normalmente até encontrar o Cliente, mas não ao preço a que os Mailers estão habituados a comprar a entrega dos seus produtos. Por outro lado a Cobrança Postal é mais lenta a libertar fundos e mais cara por operação do que a utilização do MultiBanco. Tem todavia vantagens financeiras face aos Cartões de Crédito e Cheques bancários para os Clientes Primários, mas não como factor de atractividade dos Clientes Secundários.

Na medida em que um Catálogo Publicitário de 500\700 páginas e de 3 ou 4 Kg já tem dificuldade em caber nas caixas de correio, o método de distribuição deste objecto (embora classificado como DM, onde a entrega domiciliária faz parte do padrão de serviço) na prática assemelhava-se mais ao de uma Encomenda ao balcão, com Aviso. (Preciso de falar sobre os Custos de Operação que este procedimento acarreta, face ao simples depósito em caixa? É que o Cliente paga-nos exactamente o mesmo...)

É claro que os catálogos mais pequenos, intermediários (relances de campanhas ou promoções) já não sofriam deste problema, podendo ser inseridos directamente nos receptáculos. Penso até que, hoje em dia e para ultrapassar essa questão, praticamente todos os catálogos tem sido formatados pelos Clientes Mailers para caber nas Caixas de Correio (o que também nos deve fazer perder dinheiro com a quebra nos pesos?)


As nossas Operações , com relevo para a Distribuição, estão vocacionadas para um padrão de Serviço que já não está perto do padrão da vida de todos os dias da comunidade trabalhadora que constitui a esmagadora maioria dos Clientes finais (secundários) dos Mailers.

Por norma já ninguém está em casa quando passa o Carteiro Distribuidor. Então das duas uma, ou o objecto cabe na caixa de correio – e continuamos o bom serviço de antigamente, ou não cabe. Aqui é que começam os problemas...

Na óptica da Comodidade do Cliente Final (nosso Cliente Secundário) criou-se o serviço SIGA (muito boa ideia) para reencaminhamento de objectos não entregues , mas contra pagamento do mesmo Cliente final. Os números actuais apontam para cerca de 100 000 pedidos de SIGA por ano, para um Universo Teórico anual de cerca de 22 Milhões de Avisados – Registos e Encomendas (Conclusões do relatório Last Mile – Engº Luis Filipe Santos). Taxa de Utilização Média Teórica : 0,454% (Serviço existe desde Outubro de 2003...)

Na óptica do Cliente Primário criaram-se alternativas como o Pré-aviso telefónico de entrega, a distribuição fora de horas, ao fim de semana ou agendada, etc... mas estas são normalmente associadas a produtos Topo de Gama da cttExpresso e custam caro aos Clientes Primários. De todas as formas a sua taxa de utilização, embora superior, tanto quanto sabemos, em termos relativos à dos Pedidos de SIGA por ano, não deixa de representar um quantitativo absoluto bastante moderado.

Como conclusão, ainda em esboço, permito-me dizer que os CTT ainda não “tiraram da cartola” uma solução barata e concorrencial (e rentável para todos, Clientes e CTT) para o Sector da Venda por Correspondência quando o respectivo paradigma passar pela entrega “em mão” e já não pelo depósito em receptáculo postal.

Temos de o fazer a Curto ou , quanto muito, a Médio Prazo, sob pena destes (e doutros Clientes) entregarem as suas Encomendas definitivamente a outros Operadores mais eficazes do que nós.

Custa a ouvir e a ler, não custa? Mas é a verdade pura e simples, pelo menos tal como eu a entendo...

Notícias do Mundo: lançamento de Clube Político e Republicano "Loja de Ideias"

Lança-se amanhã, no Museu da Resistência perto do Hospital de Santa Maria e do ISCTE, pelas 21,30H, um Clube de Reflexão Política à maneira dos velhos Clubes Cívicos e Republicanos da 1ª República - Loja de Ideias. Estarão presentes o Dr. Mota Amaral e o Dr. António José Seguro, e será arguente da Conferência de lançamento o Prof. Doutor Andrés Malamud (Investigador CIES\ISCTE).

Aqui mostramos a ideia dos promotores:

"O clube «Loja de Ideias» convida-o/a a estar presente na sua apresentação pública, na Biblioteca-Museu República e Resistência, no dia 6 de Julho, pelas 21.30h.O clube «Loja de Ideias» apresenta-se como uma iniciativa não partidária e não ideológica e tem como objectivos contribuir para a construção de novos espaços de debate e intervenção política, fora dos círculos institucionais, visando uma melhor e oleada articulação entre a sociedade civil e a sociedade política e partidária; em suma, contribuir para a melhoria da relação entre o cidadão e a Cidade.

Agenda:

21.30 h – Apresentação do clube «Loja de Ideias»
21.45 h – Conferência «O sistema eleitoral português: que reforma?».Moderador:Professor Doutor Andrés Malamud (politólogo CIES/ISCTE)
Participantes:
Dr. José Reis Santos (Investigador / Representante do clube «Loja de Ideias»)Professor Doutor André Freire (Politólogo, ICS/ISCTE)
Dr. António José Seguro (Deputado, Partido Socialista)
Dr. Mota Amaral (Ex-Presidente da Assembleia da República)
Representante a indicar pelo Partido Social-democrata
22.45 h – Debate aberto ao público."

Para quem desejar familiarizar-se com estas temáticas aqui fica o endereço do Blog afecto :
lojadeideias@blogspot.com

II - Reflexões sobre a VPC e os CTT (Continuação)

Por Favor liguem este Texto com o Alerta do Acc. Campos sobre o E-Commerce visto como oportunidade para os CTT...

Já falámos sobre como o paradigma da distribuição postal terá tendência para se afastar das mensagens – onde a concorrência tecnológica é cada vez mais activa - para se concentrar nos objectos médios e grossos que – por enquanto – não podem ser obra de “desmaterialização” à moda do Star Trek (“beam me up Scott”). Quem quer o Presunto “pata negra” ou o conjunto de DVD’s em casa, terá de depender da distribuição física, em mão, desses objectos.

Como é que tal ocorrência irá modificar o panorama da Venda por Correspondência e do MKT Directo? De que forma essas modificações nos hábitos de consumo, tendo por base impacto publicitário via InterNet ou SMS irão influenciar a actividade dos CTT?

O MKT Directo era visto nos CTT como uma actividade geradora de margens consideráveis, uma vez que consistia numa função complexa, integradora de funcionalidades postais que começavam pela Publicidade\DM (ou até antes disso, pelo desenho da operação e pelo GeoMKT) , continuavam com os RSF’s, passavam pelo envio da mercadoria ao Cliente Final\Secundário, e encerravam com a recolha dos dinheiros da venda através da Cobrança Postal.

Nessa medida deveríamos até ter activado o “Princípio da Subsidariedade” para com certos Clientes: se a sua inter-relação com os CTT fosse de tal ordem que ganhássemos na actividade global, poderíamos negociar um Preço de Grupo, mais favorável para com o Cliente e que tivesse o inestimável objectivo de o Fidelizar!

Defendi várias vezes esta solução, com a ideia do “Prime Contractor” para o conjunto da actividade do Cliente face aos CTT Grupo (incluindo todas as participadas) , e como sabem, não pude convencer a Gestão do acerto das minhas opiniões...

Fazemos notar que, já hoje em dia, grandes Clientes (Primários) dos CTT escapam a esta cadeia integradora pela adopção de alternativas de contacto com os seus Clientes (Secundários) utilizando uma rede de Pontos de Contacto para entregas da mercadoria, utilizando concorrentes nossos para o Domicílio, usando e abusando dos recebimentos por Cartão de Crédito, Multibanco ou através de cheques múltiplos, em diferido. Na prática continuam a utilizar os CTT principalmente em duas vertentes:
a) A Publicidade (envio dos Catálogos) – que, como vimos poderá estar mais ameaçada num futuro de médio\longo prazo.
b) A entrega de algumas Encomendas ao Balcão e ao Domicílio, quando tal se revelar mais eficaz.

Mesmo que estudos independentes sobre esta matéria comprovem que a InterNet (e muito menos os SMS) não são actualmente opção para envio\consulta de material publicitário de “grande fôlego” como são os Catálogos, podemos admitir que a evolução tecnológica das NTI ao nível de capacidade de armazenamento de dados – onde a norma para os PC’s em casa é já de 200GB para o disco rígido – e de rapidez na transmissão da informação – a caminhar para os 16MB para certos “InterNet providers”, poderá configurar uma situação onde o manuseamento de informação de grande porte será eficaz dentro de alguns anos.

Desta forma teríamos, a um nível temporal horizonte a que atribuímos uma probabilidade alta de ocorrência:
a) Funcionalidades onde já somos actualmente a escolha “menos boa” dos Clientes de VPC (SFPostais\Cobranças e Entrega Domiciliária) – teriam tendência a extinguir-se.
b) Funcionalidades onde actualmente somos mais ou menos “bons” (Distribuição de DM, entrega ao Balcão) – teriam que entrar em linha de conta com a concorrência . Os preços seriam obrigados a baixar e as Margens iriam “por aí abaixo”...


(Continua dentro de alguns dias...)

Convite Teresa Correia - Forum CTT

Achei muito boa ideia o Convite que nos foi feito colectivamente pela Colega Teresa Correia para também colaborarmos num novo espaço de "pensar" os CTT, criado no âmbito da nossa IntraNet (tanto quanto sei) e chamado "Forum CTT".

Quase que me atrevo a dizer à Teresa que faça o favor de "se servir" dos Textos já publicados no nosso Blog, e que utilize os que mais lhe interessarem para "alimentar" o novo espaço e suscitar comentários.

segunda-feira, julho 04, 2005

POST@L

PRINCÍPIOS GERAIS DA POLÍTICA DA SOCIEDADE - 1

No documento elaborado pela Administração relativo aos Princípios Gerais da Sociedade um dos pontos referidos é:
"Qualidade de Serviço Percebida Pelos Clientes"

Aqui vai uma contribuição para: "A Qualidade dos Avisados"

A qualidade de serviço percebida pelos clientes é um factor muito importante para qualquer empresa.
Os "avisados", como sabemos, são objectos postais que por uma qualquer razão não são distribuídos no domicílio e ficam retidos num "estabelecimento" à espera que o cliente os vá recolher.
À partida o "avisado" por si só é já um ponto negativo pois significa, entre outras razões, que poderemos estar na presença de horários de distribuição não coincidentes com as necessidades dos clientes...

Tradicionalmente os "avisados" eram somente encaminhados para as Estações de Correio.
Ao longo dos últimos anos esta "rede" foi (e bem) alargada a outro tipo de estabelecimentos que não os CTT.
- Com uma "rede mais fina" melhoramos a acessibilidade;
- Alargamos o horário de acesso do cliente aos nossos serviços;
- Diminuimos as filas de espera;
- Retiramos em simultâneo "ocupação" às Estações de Correio permitindo que estas fiquem mais disponíveis para serviços de maior valor acrescentado.

Sendo uma solução boa não se percebe porque é que o Posto existente na proximidade da Fonte Nova em Lisboa tenha sido desactivado (mantendo-se no entanto como "Posto de Correios")... tendo o cliente que se deslocar a uma estação de Correios longe do domicílio, de difícil acesso e com todos os problemas atrás identificados.

Os clientes desta zona de Lisboa sentem com esta decisão uma perda de qualidade de serviço.

Em vez de "concentrar" os avisados nas Estações deveríamos alargar ainda mais a rede de estabelecimentos para melhorar o acessibilidade.

A inauguração do referido "posto" foi acompanhada por um folheto publicitário onde informava esta mudança bem como inventariava as vantagens para os clientes... No entanto aquando da sua desactivação há poucas semanas nada foi dito aos clientes...
Para os clientes "descobrirem" o novo local dos avisados teriam que procurar essa informação... no "carimbo".

Em termos de Qualidade de Serviço foi uma decisão, no mínimo, discutível.

POST@L

COMPRAR ON-LINE - UMA OPORTUNIDADE PARA OS CTT

Segundo o Diário Económico de 29/7/2005 "... os Portugueses gastaram entre 292 a 594 milhões de euros em compras efectuadas através da Internet no ano passado".
Em 2003 o valor foi de 77 milhões o que representa um enorme aumento.
De acordo com o mesmo jornal "existem em Portugal entre 765 mil a 1,5 milhões de consumidores on-line

"Uma oportunidade para os CTT - efectuar a distribuição destes objectos.

No entanto estes clientes que compram on-line não estão dispostos a ir levantar as suas compras numa qualquer Estação de Correios. Nesta opção perde-se um das virtudes da compra on-line - a acessibilidade.

Estes clientes "exigem" que a distribuição seja efectuada quando existem destinatários em casa.

Uma oportunidade e um desafio para os CTT.

O CORREIO-MOR FEITO PELOS SEUS LEITORES

Aqui vai um comentário feito pela Teresa Correia (da Comunicação dos CTT), a quem agradecemos. É bom registar a existência de diferentes espaços de discussão do futuro desta empresa que também é nossa. Participemos pois!

É bom sentir que se rompeu a cortina da indiferença e que se buscam espaços de diálogo por de um correio melhor. vamos discutir a Empresa que somos se possível também no seu interior para trazer mais gente à reflexão? a partir de agora no fórum "Pensar a Empresa" no Portal CTT. Este é um desafio que lanço aos bloguistas do Correio-Mor
Teresa Correia

I - Reflexões sobre Venda Por Correspondência e os CTT

(Tal a grandeza deste Tema que exige espaço para várias intervenções)

A actividade de Venda por Correspondência ensinou muitas coisas aos CTT.

a) No passado – anos 70 e 80 - foram as empresas como as Selecções do Reader’s Digest, a Verbo Postal, o Círculo de Leitores, as Colecções Philae, etc.. que transmitiram aos CTT a forma como já interagiam com os Operadores Postais em outros países onde trabalhavam nesta área, quase que obrigando os CTT a enveredarem por uma política de modernização e de abertura de mentalidades, para não perderem o “comboio” dos Países mais desenvolvidos nesta matéria. Depois, fomos nós exemplos para outros países mais imobilistas e seguidores do “dixit” da UPU.

b) Mais perto de nós (anos 90) foi sem dúvida a entrada em Portugal das três Grandes Empresas de Catálogos (La Redoute, VPC Trois Suisses e Quelle-La Source) que veio dar outro dinamismo a esta actividade específica, trazendo para a mesa de negociações com os CTT todo um dossier em torno das Encomendas Postais e da forma como o respectivo serviço (tradicionalmente “mal visto” no seio da actividade postal) se poderia modernizar e adaptar aos desejos desta nova Clientela.

c) Actualmente os CTT intentam – ao nível do conceito de produto - separar a actividade dos Grandes Mailers (catálogos ou outros) da de MKT Directo de menor volume, dirigida a pequenos e médios utilizadores e visando um mercado que não tenha apenas a Venda pelo Correio como objectivo final, mas que utilize as funcionalidades CTT de MKT Directo noutras fases da sua cadeia de valor – Preparação de Projecto, GeoMarketing, Listas, Publicidade, contactos comerciais, Relações Públicas, etc...

Esta nova filosofia teve por base a noção de que os Grandes Mailers queriam sobretudo um produto de correio simples, barato e eficaz, mas nunca muito evoluído tecnicamente, para evitar inflacção de preços. As suas infraestruturas faziam já (e bem) muitas das actividades de “Valor Acrescentado” que os CTT se propunham oferecer a outros Clientes menos especializados nestes assuntos.

Tendo em conta que algumas das Empresas de que falei atrás praticamente inventaram o “Negócio” da VPC no Mundo, seria estranho (para não dizer absurdo) virem agora os CTT a ensinar o “Padre Nosso ao Vigário” em termos desta actividade e destes Clientes.
Para os Mailers devem os CTT limitar-se a fazer bem, com padrão e barato o seu trabalho tradicional. Com domicílio ou sem domicílio, ao gosto do cliente final. Com recolha de fundos ou não, ao gosto do cliente final.
Principal Objectivo: a minimização das devoluções “fechadas” isto é, dos objectos devolvidos ao Remetente por não ter havido contacto com o cliente final do Mailer.

Por outro lado, a dinamização da utilização de técnicas de Marketing Directo por parte de Empresas pequenas e médias que não dominam o Know How específico poderia (deveria) constituir outra trave mestra da nossa actuação, sendo admitido que o Mercado Português de Venda ou de Publicidade Directa ainda não tem os níveis de desenvolvimento dos congéneres europeus, medidos por número anual de objectos de publicidade nas caixas de correio nacionais.
Neste segmento deveriam os CTT actuar de forma pedagógica, mostrando como a utilização do meio DM tem vantagens, em determinadas condições, sobre os outros Media tradicionais.

Mas, o advento do E-Commerce e a previsão de que o negócio do futuro dos Operadores Postais será sobretudo a entrega de Objectos Médios e Grossos e já não o negócio das mensagens, veio baralhar um pouco estas teorias. Com o futuro a posicionar-se mais na óptica de uma Operação de Porta-a-Porta com contacto físico, e não com um simples “depósito” em caixa de correio, devemos repensar maduramente a nossa estrutura tendo por pano de fundo as “Adicionais”, “ChronoPosts” e outros que não deixarão de aparecer para comer – ao Sábado, ao Domingo e fora de horas - o filet mignon (Lisboa , Porto e outros dormitórios)...

(Tem continuação um destes dias)

CTT Adquirem Tourline em Espanha

  • Todos os que trabalham na Casa tiveram decerto acesso à notícia:
  • "CTT adquirem 100% do capital da empresa espanhola Tourline, por 28,5 Milhões de Euros. A Tourline dedica-se ao Correio Expresso e actua em todo o território espanhol, tendo facturado, em 2004, 88 Milhões Euros e distribuído 5,5 Milhões de objectos"
  • Esta "internacionalização" do negócio CEP não é ideia nova. Ainda me lembro do Engº Ricardo Braga, na gestão Emílio Rosa dos CTT, ter ido a Barcelona e a Vigo estudar a aquisição de uma Empresa local de transportes expresso.
  • As razões por detrás desta política prendem-se com o reconhecimento - inevitável - de que o Mercado de Transporte e de Distribuição de Objectos é cada vez mais Ibérico e cada vez menos português ou espanhol.
  • E não só o Mercado CEP!!
  • Temos de entender que o futuro dos Correios enquanto actividade dirigida ao segmento empresarial e com produtos desenhados estritamente para esse segmento, passará também, mais cedo ou mais tarde, por ter uma abrangência Ibérica.
  • Não se trata só de irmos a Badajoz buscar correio às Empresas "do lado de lá" para distribuir cá, mas sim de pôr em prática uma estratégia de conquista do mercado internacional outbound de Portugal para Espanha e inbound de Espanha para Portugal e assegurar que temos meios de distribuir com qualidade e de forma "time certain" em todo o território espanhol e português, sem intermediação nem acordos bilaterais.
  • Terreno aberto para a criatividade e dinamismo das Áreas de MKT e Vendas da cttexpresso e dos CTT-Correios. Boa Sorte e Bom Vento Amigos (mesmo que sendo vento de Espanha...)

sábado, julho 02, 2005

POST@L

CONTRADITÓRIO - ALBANO (4)

“Quem deve escrever os Princípios Gerais da política da sociedade"

Também aqui não concordo contigo.
Não podemos estar sempre a dizer:
- quando não dizem nada é porque não dizem nada.
- quando dizem algo é porque deviam estar calados...

Segundo o CA:
“... foi decidido solicitar a convocação de uma Assembleia Geral (...) para deliberar e aprovar os Princípios Gerais da Política da Sociedade”

Parece-me bem!

CONTRADITÓRIO - ALBANO (3)

“Guerra de Gerações"

Julgo que não há "conflito de gerações" e se houver temos que o transformar em "conflito de competências".
Nunca senti que os mais novos estivessem à espera que a geração anterior “morresse” para ocuparem os diferentes cargos de responsabilidade.
Muitos deles pela sua competência e dedicação tiveram oportunidades para liderar processos e pessoas mesmo “sem matar o pai”

CONTRADITÓRIO - ALBANO (2)

“Sequenciamento"
Estou de acordo contigo. Este processo deve ser visto em conjunto com a segmentação que a Distribuição deve exigir do Tratamento.
Trafego cada vez mais segmentado por destinatários de forma a permitir maior flexibilidade à distribuição permitindo, entre outros itens, a existência de horas diferenciadas de contacto com os clientes.
É na Distribuição que temos que “ganhar o campeonato” pois é:
- a área onde existem mais RH
- uma das áreas onde estamos em contacto com o cliente

CONTRADITÓRIO - ALBANO (1)

Regimes de “outsourcing”
Existem empresas de sucesso que “compram fora” – e não significa que tenham perdido capacidade de liderar processos e/ou tenham deixado de liderar mercados (Coca Cola, Microsoft, Auto Europa, DHL, TNT, etc.).
Existem também empresas que erradamente perderam o seu “core” ao optar pelo sistema de “outsourcing”.
Tenho abertura para admitir que em alguns casos devemos “comprar fora”.

Em princípio o regime de outsourcing deverá dar-nos maior flexibilidade, maior margem para responder às variações de fluxos de trafego, permitir que nos concentremos no principal, deixemos o acessório bem como tenhamos melhores custos (há que não esquecer este importante item).

A questão é: onde parar? - depende. Das circunstâncias, do interesse estratégico da empresa, de como responde o mercado, do grau de maturidade da empresa, da concorrência, dos nosso custos, dos preços de mercado, etc. etc.

A existência de “outsourcing” não deverá implicar a perda do conhecimento interno nomeadamente de engenharia de processos, de saber comprar, de controlar ou mesmo de ter capacidade para mudar a estratégia.
Tem que haver conhecimento e liderança interna.
Significa (este item é muito importante) que devemos ter muito mais exigência e atenção quando não coordenamos directamente as actividades.

A decisão de recorrer a “outsourcing” não pode ser por “estar na moda" mas sim porque é "melhor para a empresa".
E há casos em que é. Outros não.
Temos que ter abertura para admitir ambas as hipóteses.