sábado, dezembro 29, 2007

Corvina à Portuguesa




"Suas Altezas" Cherne e Garoupa, a "Marquesa" Pescada do alto, o fugidio e quase que aurífero "Princípe" Pregado, o "Duque" Robalo, os "Condes" Linguados rosa e os "Barões" Salmonetes da nossa Costa completam a Corte piscícola mais apreciada e valorizada em todos os melhores e mais caros Restaurantes de Portugal.

Com os preços que estes peixes ditos "Nobres" atingem actualmente - atenção, sendo mesmo frescos e da nossa Costa!! - é normal que o comum dos mortais se volte para a "arraia-miúda" tipo sardinha, raia, sarda (com vossa licença) ou carapau, mas também para os peixes da chamada "segunda linha" na restauração tradicional e onde encontramos amiúde excelentes surpresas: o magnífico Sargo das rochas (o de Sagres ou da Roca é o melhor do mundo) ; o mestre Pargo legítimo, o Rodovalho; o Tamboril; o tão esquecido mas superlativo Goraz e... também a Dona Corvina que é a que nos ocupa neste momento.

Estava ainda em Cascais nas vésperas da partida aqui para a Serra quando tive ocasião de ver chegar à banca três ou quatro corvinas do alto mar, tão bem postas e brilhantes que pareciam ainda estar vivas.

De uma delas, com aproximadamente 2,5 Kg, fiz-me comprador e sem a congelar enfiei-a directamente no carro.

Muitos amigos não apreciam a Corvina cozida por causa do sabor ( e do cheiro) mais activos do que os das espécies mais "jet set" tipo pescada ou cherne, e ainda pelo facto da respectiva carne mesmo em fresca ser sempre mais escura, mas fico um pouco sem jeito quando ouço semelhante atoarda à mesma gente que depois abanca com vontade numa mesa a comer sardas (salvo seja) cozidas com grelos e cebolas...

De todas as formas e como também tinha trazido Cherne (esse sim, para cozer com couves aqui da horta, tenras e doces até mais não...) e tendo em vista evitar comparações , pensei asssar a Corvina à Portuguesa para um dos nossos almoços.


Corvina Assada no Forno à Portuguesa

O primeiro problema já o adivinharam: com o nosso forno de lenha "desactivado" desde a morte do meu Sogro , nem a Corvina cabia nos tabuleiros do forno normal quanto mais as batatas do acompanhamento...

As alternativas eram várias: em primeiro lugar partir a corvina aos pedaços, depois tentar inovar nos acompanhamentos - puré de batata à moda do Porto de Santa Maria ou arroz de grelos como se servia o peixe assado no saudoso Victor de Leça...

Como estava nesse dia eu sózinho de serviço aos tachos - a minha sogra "ajudante" saíra para compor as campas antes do fim do ano - está-se mesmo a ver o Raulzinho a tentar arranjar alternativas ainda mais - digamos - economizadoras de mão-de-obra.

Felizmente temos a sorte da colheita das batatas neste ano ser de excepcional qualidade (variedade Kanbéc, penso que holandesa) e nada mais fácil do que acompanhar a corvina assada com batatas simplesmente cozidas em àgua e a que depois se deita por cima uma cebolada\tomatada feita ao momento na frigideira.

1 - Arranja-se bem a Corvina, limpa-se por dentro e parte-se quase que até ao fundo, ficando apenas segura pela pele, em vários pedaços de acordo com o tamanho da "bicha" e do tabuleiro. Salga-se. Não se esqueçam de pôr uma mãozinha de sal nas guelras .

Tudo isto pode ser feito logo pela manhã.

2 - Faz-se então a "cama" onde o peixe vai assar, directamente no Tabuleiro: Eu uso alho cortado grosso (duas cabeças) uma folhita de louro - cuidado , não abusem porque o louro onde toca conquista logo o sabor natural do prato... - dois bons tomates maduros aos bocadinhos, mas pelados e a que tiramos as sementes, duas boas cebolas às tiras, um pedaçinho de malagueta e um pimento vermelho grande, às tirinhas finas.

Compôe-se esta "cama" com um bom golpe de Azeite do melhor e com um copo de vinho branco.

3 - Cerca de duas horas antes de irmos para a mesa acende-se o forno nos 250º. Estando a essa temperatura introduz-se o tabuleiro e reduz-se para 180º\200º. Uma meia hora depois vão ver como está e, se necessário, aumentem para os 220º até estar bem assada.

Acompanhei esta corvina com as batatas cozidas às rodelas grossas, num tabuleiro fundo onde deitei por cima a cebolada (uma puxada leve de cebola cortada fininha, às rodelas, com alho, azeite e um toque de vinagre de vinho e pimenta).

Embora pareça mal estar eu a elogiar, posso dizer que éramos 4 à mesa e que da Corvina sobraram... as espinhas.

2 comentários:

Luzia disse...

Antes demais, adorei a sua maneira de falar no peixe! é um escritor nato! Quanto à corvina, vou experimentá-la amanhã...Deus queira que também corra bem...é para mim e para o meu namorado.

Luzia disse...

Antes demais, adorei a sua maneira de falar no peixe! é um escritor nato! Quanto à corvina, vou experimentá-la amanhã...Deus queira que também corra bem...é para mim e para o meu namorado.