quarta-feira, setembro 27, 2006

Porque é que há tantos novos vinhos e tantas novas marcas no Douro?




Numa edição especial do Jornal Expresso de 23 de Setembro , João Paulo Martins faz umas observações sobre este tema que aqui comento, pedindo-lhe desde já licença para utilizar algumas das suas ideias.

A primeira ideia é a de que a maioria desses vinhos não provém de produtores novos, mas sim de velhas casas. Mesmo os que são de novos Produtores - Poeira, Pinta's - são feitos com uvas de antigas Quintas do Douro, destes ou doutros proprietários a quem são compradas.

O principal produto da Região é o Vinho do Porto e estes Lavradores que agora surgem como produtores de Vinhos de Mesa há muitos anos que produziam uvas para o Vinho do Porto.

Essas uvas, para serem vendidas, estão sujeitas a uma contingentação chamada "benefício" que não é mais do que a autorização de venda para Vinho do Porto que é dada a certas ( não a todas) parcelas de vinha de cada produtor, de acordo com a respectiva classificação dos solos (desde A - a melhor categoria - até F).

Isso significa que cada Produtor ficará sempre com um excedente de uvas que não pode utilizar no Vinho do Porto, mas que a lei não impede que sejam utilizadas para fazer Vinhos de Mesa.

Antigamente esse excedente ou era destilado ou vendido a granel. Hoje em dia com ele fazem-se extraordinários Vinhos de Consumo não generosos.

Porquê?

Bem, porque sendo as quantidades de uvas disponíveis já de si baixas (é o que sobra...) não há motivo para poupar na selecção das mesmas uvas, na boa tecnologia e em vasilhame de madeira "topo de gama". De notar ainda que o Douro é emparcelado há muitos anos e que os terrenos sem benefício não são "piores" do que os outros, muitas vezes a falta de "benefício" traduz apenas a necessidade de se limitar artificialmente a produção para evitar excedentes de Vinho do Porto.

Tudo isto, quando somado a matéria prima excepcional do Alto Douro, dá origem a grandes vinhos, embora em quantidades (nº de garrafas) diminutas.

Aqui vai uma lista dos meus preferidos:

Pinta's 2003; Poeira 2002; Batuta 2001; Quinta da Leda Vinha do Pombal 2004; Vale Meão 2001; Fojo 2001; Duas Quintas Reserva 2003; Merije 2003.

E só estou a listar os que provei. Já existem algumas estas marcas de 2004, mas ainda não as bebi...

Um comentário:

Zé disse...

Somos um país de optimos vinhos.
Pequeno, heterógeneo em tudo,uno na diversidade...até nos vinhos...verdes únicos( brancos e uns tintos para comidas leves) e maduros.
Bairrada,Dão,Terras do Sado...Alentejo e os do Douro que são os que mais gosto.
Não sou um expert,mas sou um apreciador de vinho,não só pelo ritual,mas pela Qualidade dos Vinhos Portugueses...para mim dos melhores do Mundo...