quinta-feira, outubro 30, 2008

Halloween para quem pode


Houve tempos em que o “Blues Café”, nas Docas, dava festas de Halloween. Fui a algumas delas e aqui estou ainda, bem vivo, para as recordar. Todavia, a proposta que faço aos poucos portugueses que “até se esquecem que existe uma crise” é um pouco mais radical…

É uma proposta de confraternização em casa, convidando para o efeito dois ou três casais amigos – no máximo – para uma noite de convívio e de boa conversa.

Existem já hoje dezenas de caterings desenhados para satisfazer qualquer tipo de desejo gastronómico em nossa casa e a variados preços. Desde o Origami Sushi Bar (91 235 3646) para uma noite de sabor nipónico, até ao site mais abrangente http://chef-domicilio.ifrance.com/ com alternativas de Chef em casa (a trabalhar mesmo na sua cozinha) ou de catering a gosto. Vale a pena passearem-se pelo site!

Mas para o verdadeiro artista o desafio é passar uma noite com os Amigos a degustarem alguma coisa que foi criada pelos anfitriões…

Então esqueçam a cozinheira da mãe ou o amigo Chef Avillez (hoje muito "de moda" no jet set afluente de Cascais) e ponham-se ao trabalho.

Não terão que sujar muito as alvas mãos, já que o que lhes proponho são sobretudo entradas e mariscos . E mais, só com Champagne para acompanhar!

Passem pelo Corte Inglês (ou pela MOY) e comprem foie gras trufado de alguma marca respeitável. Prevejam pelo menos 2 latas médias. Já que lá estão nesse sítio façam o favor de comprar mais 300g de Presunto pata negra de corte à mão e trufas de chocolate preto, muitas.

Se tiverem já pago o IRS - quem está nestas cenas se calhar nem sabe que existe IRS - percam o amor a uns 1,000 euritos (50g a 170€, mais ou menos) e tragam também para casa umas 300g de Caviar Beluga. Não se esqueçam dos blinis para acompanhar (vendem-se no mesmo sítio).

Alternativa 1: Na Praça de Cascais, no lugar do Zé Alberto, encomendem 3 lagostas nacionais com cerca de 1,5 kg cada uma. Cozam-nas com antecedência em água e uma mão cheia de sal, deixem esfriar e retirem (ou mandem retirar) os lombos e demais febras das pernas. Com uma mayonnaise (há-as excelentes já feitas, do Fauchon) embrulhem as febras e componham-nas numa travessa com gomos de tomate fresco, gomos de limão, quartos de ovo cozido e folhas frescas de alface. Decorem com as cabeças das lagostas.

Será este o vosso único “trabalho” para esta noite, para além do abrir de latas e garrafas e do torrar do pão…

Alternativa 2: Passem pelo Beira Mar (ou outro que tal) e façam a encomenda do "salpicon de langosta" com uns 4 kg na véspera. Prevejam cerca de 400€ . No noite de 31\10 basta lá irem buscar as travessas já armadas…

Salmão fumado, importado directamente da famosa "Fisheries" da Irlanda , costumava arranjar-se na MOY. Em não havendo temos sempre os estimáveis lombos de salmão imperial. Comprem 500g já fatiado, se possível. E juntem-lhe o pão negro pumpernickel da Westefália .

Vão à Mercearia Nacional ou a alguma outra garrafeira de confiança - como no Sr. Augusto da Foz do Douro - tratar dos “liquídos”…

Recebam os convidados - supomos que seriam 8 pessoas - com uma Magnum de Ruinart Blanc de Blancs (cerca de 180€) e continuem as hostilidades com 2 garrafas de Billecart Salmon Brut Rose (a 56€ cada). Terminem em grande estilo com mais duas garrafitas de um Krug Grand Cuvée Brut (160€ cada).

Recostem-se na sala a conversar e a namorar uns cálices de velho (muito velho) single malte.
Caso se despachem a tempo venham até ao antigo cabaret Maxime!

Aqui está (com a devida vénia) o anúncio do que por lá se passará amanhã:

No Maxime, feitiçaria é garantida. Silêncio e calma nem por isso. A noite é de brutos e canibalistas e as raparigas são de susto. O resultado? Uma super-festa-sangrenta. Bruto and the Cannibals dão música. As Spooky Girls Lady Gin, Go-go Lolita, Miss Scarlett, Lucky Lu, Michelle D’Orleans e as lindas mas terríveis Charisse Sisters dão uns pézinhos de dança, com strip-tease vintage, a roçar o burlesco. “Vistam as vossas roupas mais negras, afiem os caninos, façam cabeleiras com teias de aranha e tragam (ou será “traguem”) sangue!” São eles que o dizem...

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