terça-feira, julho 01, 2014

Badajoz à Vista

Lá fui e de lá vim.

Com dores e a arrastar a velha perna que, de tanto me arder,  parecia querer transformar-se em monte de brasas para alguma fogueira de S. João...

Tá na cara (melhor dito, na perna e nas costas) que a rotunda alimária filatélica deve ir devagar e devagarinho, dar tempo ao tempo e ter mais juízo na cabeça. Dito isto (que nem sei se ficou bem registado nos bancos de memória da criatura, muito dada a esquecer o que não gosta) vamos dar novidades do assunto em causa: a apresentação pública da emissão de Selos "Elvas, Fortaleza abaluartada e muralhas envolventes: Património Mundial".

Acho que a última vez que tinha parado em Elvas foi no regresso de Espanha, com saudades do "bacalhau dourado" que era mister comer na antiga Pousada. Imagino que se teria passado essa cena talvez  em 1998.

Foi engraçado ver como a cidade se transformou para melhor. Sob o impulso da candidatura a Património Mundial da UNESCO a autarquia trabalhou que se fartou. Alindou praças e vias de comunicação, recuperou centenas de casas, abriu não sei quantos museus, etc, etc...

Os impactos no Turismo local foram também grandiosos: 320% de aumento de visitantes entre 2012 e finais de 2013. São perto de 150 000 turistas por ano num local - como bem disse a Vice-Presidente - longe do mar e com temperaturas de 40 graus no Verão.

A cerimónia esteve bem composta , com quase 100 pessoas na Biblioteca Municipal e o habitual número circense da obliteração de 1º dia correu bem.

Encontrando-se encerrado para férias o conhecido Restaurante Pompílio (em S.Vicente da Ventosa, entre Elvas e Portalegre) onde desejávamos pastar, tivemos de resolver de outra forma. 

E lá fomos à Bolota, entre Borba e a Terrugem. Casa criada em cima do saber culinário de Dª Julia Vinagre e onde se continua a comer bem e alentejanamente desde a fundação, lá para o início deste século.

Infelizmente encerrava às Segundas Feiras...

Já marafados e a salivar abancámos mesmo em Elvas. Na Adega Regional;
 Rua Joao de Casqueiro.

Vulgar de Lineu, nem bem nem mal, antes pouco mais ou menos... Grelhados e bifes de perú.. Tinham bacalhaus vários na carta e muitos mariscos (em Elvas)...
Fomos pelos grelhados e vá que não vá (como diziam os antigos, a fome é o melhor tempero que existe).

Nem sempre posso entusiasmar-me com as locandas... É a vida.

segunda-feira, junho 30, 2014

O Petisco no Páteo

Hoje vou fazer uma cerimónia de lançamento de selos - Património da UNESCO: Muralhas e fortaleza abaluartada de Elvas - e pela primeira vez desde que a "gaja" me atacou vou agarrar no carro e fazer a viagem conduzindo.

O meu "senhorio" acompanha-me, não vá haver azar, e também levo a taleiga habitual de medicamentos no bucho e fora dele. Logo se verá e amanhã conto como foi.

Mas basta com as desgraças!!

Este fim de semana encontrámos um restaurante engraçado. Na Torre de Cascais, quase ao pé do antigo e de boa memória "O Azeite", embora para o lado contrário. Quem der as costas ao banco em cuja traseira ficava a entrada do "Azeite" ficará a olhar para a Travessa das Amoreiras a uns 100 metros. Arrumem o carro onde puderem (não é fácil) e procurem.

Chama-se "Páteo dos Petiscos" e vive sobretudo disso mesmo. Tem mesmo um pequeno Páteo onde se pode fumar - tarefa cada vez mais difícil hoje em dia para quem come fora de casa - e a carta é constituída em redor de vários petiscos ibéricos, desde os ovos rotos à moda do Lúcio (mas aqui com queijo) até aos pipis, moelas, camarões fritos, percebes, ameijoas, cogumelos salteados, tiras de choco fritas, croquetes de alheira, tiras de casca de batata, etc, etc...

A carne dos pregos também se recomenda.  E para além disso possui sempre uns pratos do dia e uns bifes tradicionais. Fazem uma boa Sangria de Espumante (tinta ou branca) e têm uma carta de vinhos limitada, mas com preços razoáveis.

É engraçado, o ambiente é bom (um pouco de "tias"), come-se bem e a bom preço,

Eu e o senhorio, com 7 ou 8 pratinhos de petiscos - incluindo camarão frito com alecrim -  e dois pregos, um balde de 8 minis (vêm mesmo num balde de gelo da Sagres) e dois Jamesons novos, pagámos menos de 25 euros por cabeça,

Quando chegar a altura da sobremesa (que dispenso, como sabem) a malta habitual começa a pedir o "IPedra"- É uma ardósia das escolas primárias, do tamanho de um IPad, assim baptizada!

É um ambiente informal mas , como disse, engraçado para uns petiscos depois da Praia.

Recomendável no seu género. Ficam aqui com as referências: https://plus.google.com/102247946184581502695/about?gl=pt&hl=pt-PT

sexta-feira, junho 27, 2014

Para Descansar a Vista

Ainda com os olhos cheios de Brasil (por entre as lágrimas ) é normal que o poema de hoje seja desse lado do Mar.

 Do mar moreno, como lhe chama o Prof. Adriano Moreira, o Atlântico que vai  de Sagres até ao Rio de Janeiro.

A revista literária Bula quis eleger os 10 maiores poemas brasileiros de todos os tempos. Eleitos por 50 convidados (escritores, poetas, jornalistas e críticos) .  Mas acabou por ter de escolher 24 poemas, aqueles que tinham todos tido mais de 3 citações dos votantes. A lista aqui fica:
A Máquina do Mundo”, “Procura da Poesia”, “Áporo” e “Flor e a Náusea”, de Carlos Drummond de Andrade; “O Cão Sem Plumas”, “Tecendo a Manhã” e “Uma Faca Só Lâmina”, de João Cabral de Melo Neto; “Invenção de Orfeu”, de Jorge de Lima; “O Inferno de Wall Street”, de Sousândrade; “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga; “Cobra Norato”, de Raul Bopp; “O Romanceiro da Inconfidência”, de Cecília Meireles; “Vozes d’África”, de Castro Alves; “Vou-me Embora pra Pasárgada” e “O Cacto”, de Manuel Bandeira; “Poema Sujo” e “Uma Fotografia Aérea”, de Ferreira Gullar; “Via Láctea” e “De Volta do Baile”, de Olavo Bilac; “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias; “As Cismas do Destino” e “Versos Íntimos”, de Augusto dos Anjos; “As Pombas”, de Raimundo Correia; “Soneto da Fi­delidade”, de Vinícius de Moraes.

De entre esses 24 escolho "O Cão sem Plumas" do grande João Cabral de Melo Neto, poeta e diplomata (também ele). Nasceu em Pernambuco em 1920, faleceu no Rio em 1999.

O Cão Sem Plumas

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.


O rio ora lembrava
a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.


Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.


Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem.

Sabia da lama
como de uma mucosa.

 
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.
Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.


Jamais se abre em peixes.

João Cabral de Melo Neto

quarta-feira, junho 25, 2014

Ir de Férias sem pecar

Com o tempo "maravilhoso" que faz aqui em Portugal e no resto da Europa é normal que os cidadãos nem se preocupem muito a pensar nas suas férias.

Mas  não há mal que sempre dure, e é de esperar que o Verão finalmente se anuncie da forma habitual, com Sol e com calor.

Desta forma as férias, essa inexorável obrigação anual, terão de ser cumpridas, apesar de não serem compridas...

Questões importantes parecem ser: Para onde iremos, o que devemos valorizar na escolha do local, se levamos ou não as pendurezas mais problemáticas (mães e sogras...) etc, etc...

Para o comum lusitano que está a receber o subsídio de Natal às pinguinhas e o subsídio de férias com vários descontos (a época de saldos de salários e vencimentos ainda não acabou) as hipóteses de saída não são muito animadoras, nem variadas.

Salvam-se os que têm parentes na província. A única forma de um casal de funcionários públicos ir ao Algarve em Agosto será porque os pais de algum moram e trabalham em Aljezur (ou local parecido).

Hotéis e pensões estão postos de lado pela falta de "pilim", os parques de campismo ficam reservados de um ano para o outro, e mesmo a situação mais económica que passava pelo aluguer de um quarto com serventia de casa de banho nalguma casa particular, parece que está a cair nas malhas da fiscalidade.

Já estou a ver criar-se no âmbito da Autoridade Tributária uma nova Brigada. Nome de Código: A Brigada dos Percevejos.

Debaixo do disfarce das delegações de saúde regionais esses inspectores invadiriam as casas algarvias perto do mar  sob o pretexto de procurar percevejos nos lençóis. Mas a sua verdadeira função seria saber se o casal de "Manéis" que se deita naqueles lençóis eram verdadeiramente primos dos Açores acabados de chegar, ou veraneantes que pagam.

Eu sou apologista de que todos devemos pagar os Impostos. Tenho é dúvidas  que o custo da inspecção às camas fosse inferior aos presumíveis ganhos com a operação...

Uma dica: ali para os lados  da Luciano Cordeiro ( e não só) existem outras actividades que metem camas e lençóis e que envolvem dinheiros consideráveis. Estas actividades de carácter mais horizontal  não me parece que estejam fiscalmente impolutas...

Porque não vão os nossos inspectores passear por ali? Provavelmente porque têm medo de encontrar alguém que não lhes convenha ? (melhor dito, Alguém com "A").

Para fazer férias sem pecar (fiscalmente) só vejo duas alternativas para o gajo da classe média: Chular os parentes; veranear na sua própria sala e quarto, aproveitando para passear na cozinha...

Nota final: Em Portugal o gajo da Classe Média é mesmo só um gajo. Anda a ver se o inscrevem na lista do WWF das espécies em vias de extinção.

 Cá na Lusitânia temos 5: o Sobreiro, o Lince, a Águia Imperial, a Foca-Monge e o Saramugo.

O que é um Saramugo? Anexo a foto do compadre Saramugo (habitat no Guadiana). Parece ser um bom Companheiro , ou Camarada, ou Compincha, ou seja lá o que for actualmente politicamente correcto.

terça-feira, junho 24, 2014

À espreita do Pombo-Mocho

À espreita: Numa posição ou postura que permite estar a espreitar ou estar alerta para algo.

O magnífico cartoon de Henrique Monteiro que aqui anexo traduzia uma realidade de algum tempo atrás, quando o Rei da Selva, farto de levar com a lama nos bigodes lançada pela altaneira Águia que ia à frente, começava paulatinamente a sua caminhada para o titulo.

Todos sabemos como essa história acabou. Mas louve-se o esforço!

O país Portugal também ele parece "estar à espreita" de qualquer coisita.

À espreita da revelação do 4º segredo de Fátima (que se suspeita  que explica a forma porque os jogadores da selecção nacional caem como tordos bêbedos durante os jogos).

À espreita da definição da situação interna no PS ( que se suspeita que vai demorar até ao período eleitoral, para gáudio da malta da "situação", que morre a rir por esta dádiva dos deuses).

À espreita da recuperação económica e financeira do País (que se suspeita que acontecerá naquele lugar perdido no espaço e no tempo, onde e quando duas rectas paralelas se encontrarem).

O que acho interessante nesta analogia do "estar à espreita" de alguma coisa é a postura cautelosa e observadora . Reparem no leão, como sorrateiramente tenta aproximar-se da águia, sendo possível ler-lhe já - por detrás dos olhinhos matreiros - antecipações salivares que devem envolver  galinha frita, côxas de frango assadas no forno e similares.

A postura é tudo e tudo nos diz.

 Veja-se  Paulo Bento na última conferência de imprensa, revelando pelos ombros descaídos e pelos cautelosos termos utilizados  a descrença que lhe ia na alma. Reparem na postura do nosso Capitão, a dizer as verdades incómodas depois do último jogo...

Até pode acontecer que passemos aos Oitavos de Final!! Mas se isso  se der, será contra o próprio seleccionador e os jogadores. Vê-se bem que já ninguém na Selecção acredita.

O País está (ou esteve) todo  "À Espreita" de alguma coisa boa neste Mundial do Brasil, para compensar o que de mau por cá tem acontecido.

Mas, como acontece aos maus caçadores, desta vez saíu um pombo-mocho a toda a gente...

segunda-feira, junho 23, 2014

Nem tempo, nem modos...

A chamada "Segunda Feira de chumbo" desponta no horizonte. Daquelas em que tudo parece correr mal...

Logo a abrir o resultado de uma noite mal passada. A ciática a importunar-me, lembrando-me que não estou ainda em condições de passar 5 horas sentado à espera do jogo na TV. E para quê??!!

Mal cheguei à varanda vi que o tempo estava de "feição". Temos chuva e granizo, vento e coriscos na ementa. Belo Verão!

Depois a notícia do desaparecimento de um amigo prezado.  Um abraço sentido, de pêsames,  à família do Amigo Miguel Gaspar, grande jornalista, subdirector do "Público", que nos deixou tão cedo!

Nem a bola nos alegra...  Ainda tenho  o fim das costas a doer do fraco (fraquíssimo) jogo de ontem à noite.

Por causa disso (ou por designio celeste) não havia quase nenhuns jornais à venda no quiosque à hora do costume. Deveriam ter estado todos à espera da crónica do jogo.

Até o pequeno-almoço me soube mal.  Os pasteleiros também  estavam chateados com a "faena" do Portugal-USA.

Bem vistas as coisas, diria que é um bom dia para estar na cama. Mas com a sorte que tenho ainda era capaz de levar com o estuque do tecto em cima dos c****.

Lembram-se da anedota daquele náugrafo, numa ilha deserta, que ao fim de 40 anos a desejar mulher, viu-se finalmente invadido por uma congregação religiosa feminina completa, numa altura em que já não podia nem com uma gata pelo rabo?

Dizem as bruxas da família (tenho várias)  que a forma mais racional de ultrapassar estes dias assim, é ir devagar e devagarinho, não fazer ondas, deixar passar o vento por cima dos caracóis e, sobretudo, nunca erguer a voz mais do que o necessário.

A ideia será passarmos despercebidos aos "poderes que em tudo mandam, mas não trabalham no Goldman's Sach".

Dizendo de outra forma, ao sobrenatural não financeiro.

Vou ver se resulta. Mas o problema é que tenho alguma dificuldade em passar despercebido.

Uma questão de volume...

sexta-feira, junho 20, 2014

Para Descansar a Vista no..."novo" Galito

O Sol espera pelo fim de semana e  arreda-se do pátrio rectângulo, no Brasil tem havido borrasca nas caneleiras, pelo Iraque as coisas não melhoram, na Ucrânia só tem dado jogo do pau...

Para que é que um gajo se levanta da cama??!! Para comer. Hoje será para comer.

Depois de semanas de fastio a dar ouvidos à dor (11 kg da "embalagem" do animal  já partiram à conta disto. Que saudades...) hoje é tempo de almoçar com o meu mestre Zé e aproveitar para darmos ambos  um abraço apertado ao Amigo Henrique (do Galito) que deixou a velha locanda em Carnide e se instalou esta semana um pouco cá mais para baixo, mais perto do Colombo e do Estádio do Glorioso.

Nova morada: Rua Adelaide Cabete, nº 7 D.
Como chegar:  Indo da Igreja da Luz para o Shopping e Estádio da Luz, através da Av. do Colégio Militar , viramos na segunda à direita. 100 metros sempre em frente temos o novo Galito. De carro são 3 ou 4 minutos de caminho entre este novo local e o antigo.

Boa sorte amigos!  Que bem merecem!

Para dar envolvimento poético a este acontecimento evoco António Raimundo de Bulhão Pato, o nosso "poeta gastrónomo".

Por acaso deve ter sido melhor gastrónomo que poeta, mas isso sou eu que o digo (sem saber para tanto).

IMPROVISO
Porque languida essa frente
Descai, quando a tarde espira?
Porque nesse olhar dormente
Tua alma ingenua suspira?

Porque? ai! porque? responde;
Que se amor do ceo procura,
Eil-o; em meu peito se esconde;
Vive, é teu, tens a ventura!

Verás como então brilhante,
Seduz, toma vida, inspira,
Esse teu bello semblante,
Que apenas hoje se admira!

Ilha da Madeira—Novembro de 1850.
Bulhão Pato

quarta-feira, junho 18, 2014

A insónia

Nunca deixei de dormir umas sete horitas por noite, embalado pela escolha do meu "local de conforto", sítio mais ou menos secreto que me ensinaram a "desenhar" no subconsciente antes de me entregar aos braços de Morfeu, ou de Baco, ou de outro parecido.

Ultimamente, com a impossibilidade de cruzar as pernas (devia dizer, os postes de electricidade) por causa da "coisa" , o sono anda arredio. Coisa simples, pôr as pernas em cima uma da outra e que não deveria atrasar o sono a ninguém, não é? Então esta noite tentem dormir só (enfâse no "apenas", "somente") de papo para o ar, sem se poderem virar.

Nota: Meti na cabeça que deixando de utilizar o nome da "bicha" a gaja se canse de ser ignorada e baze. "Coisa" é um termo clássico de ambiguamento.  É um bom nome para aquelas coisas que não são peixe nem carne..., o mesmo que os italianos usavam para definir o "estranho" Partido Comunista lá da Bota  - "La Cosa".

Como não quero enfardar ainda mais comprimidos em cima do balde de 5 litros que já engulo diariamente, o resultado é estar agora mais ou menos dependente da radio (via Iphone) e dos programas que se debitam pelas horas caladas.

Não imaginam o que se apanha em estações de radio mais ou menos "populares". Sobretudo as que metem os telefonemas dos ouvintes. Às vezes dá-me vontade de rir com o ridículo das situações, outras dá-me vontade de chorar com a desgraça que se derrama por aquela via.

Porque é que ouço essas coisas? Para ver se me dá o sono.

Nem sempre resulta. Vou ter de  descarregar para o MP3  um daqueles CD que existem nos aviões para pôr a "manada" a ressonar.

O problema é que lá no avião essa receita funciona bem mas só depois de 2 ou 3 whiskizitos para "acamar"... E já perdi esse hábito. Pelo menos em parte.

Nada a fazer senão aguentar a insónia e contar ovelhas. O que vale é que durmo (melhor, ocupo a cama) sozinho.

terça-feira, junho 17, 2014

Carraspana de uma tarde tropical

A  tarde de ontem podia ter sido pior.

Normalmente a terapia positiva para encarar os sintomas de stress consiste em imaginar cenários ainda piores ao que se concretizou.

Perdemos por 4 a 0 com a Alemanha. E depois? Podia ser Pior!

Suponha-se que o preparador físico da selecção se tinha enganado e durante uma noite de vertigem com uma morena trocou os garrafões e encheu as garrafas de água energética dos jogadores com caipirinhas...

Aos 10 minutos o João Pereira começou a sentir uns "calores esquisitos" e agarrou-se desesperadamente ao Götze, dizendo que "um gajo não é de ferro!".

Logo aos 37 minutos de jogo o Pepe mijava para cima das botas "Nike" do Müller, desculpando-se que "não havia pausas técnicas".

De seguida o Raul Meireles, que foi o que se tinha hidratado mais, vomitava para cima do árbitro e, admirado com a reacção deste, pôs-lhe os cornos, queixando-se amargamente da falta de "hair stylists" lá na Turquia.

O Patrício ressonava agarrado a um dos postes, O Coentrão agarrou na bola com as mãos e desatou a correr para fora do campo. Até hoje mais ninguém o viu...

O Mister Bento, nervoso demais para beber, repetia o seu mote preferido:

-"Para assistir a grandes espectáculos, vou ao cinema!  Este filme é pior que o Godzilla, Pôrra!"

Já desconfiados o Ozïl e o Hummels tiraram a garrafa das mãos do Moutinho e provaram. 5 minutos depois estavam a perguntar ao banco de Portugal "se não tinham com  Erdigen ou König sff?".

O Cristiano despiu-se e mandava ostensivamente descer as "fãs" das bancadas, com gestos autoritários.

No meio desta cegada a Alemanha ia marcando...

Como eu disse ao princípio, podia ter sido pior!

E agora?

 E agora a Europa pôe as prostitutas a render! (artigo de Pedro Tadeu no DN de hoje).
 Leiam aqui sff:
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3975241&seccao=Pedro%20Tadeu&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

Peço desculpa, mas como estou a fazer duas coisas ao mesmo tempo, enganei-me...É o multitasking...

Repito:

E Agora?

- "Corram malandros que  estão aí para isso!!"

Ou coisa parecida.

Haja esperança. E mesmo que a coisa acabe mal,  temos o aspecto positivo: Se vier a selecção mais depressa para casa ganham os clubes! É mais tempo de descanso para os seus jogadores.

Bem vistas as coisas, esta é uma grande vantagem! Para os Campeonatos de França, Turquia, Inglaterra, Espanha, Rússia e...Portugal.

É a vida. É a internacionalização. É a Troika.

Que se  lixe a Troika caraças! C*** desses alemães!

segunda-feira, junho 16, 2014

A Espuma dos Dias

Começo pelo Mundial com umas notas soltas.

 Está bonita a festa pá!

Boas entradas da Holanda, França, Argentina, Suiça, Costa Rica, Itália, México, Colômbia e Chile. O Brasil tem que fazer mais para merecer ficar com a Copa. Gostei (só um bocadinho...) dos 5 a 1 com que a Holanda "brindou" nuestros hermanos" :):):) Não gostei do Uruguay (Maxi, acalma-te pá!). Mas o pior mesmo tem sido a arbitragem, que está pelas ruas da amargura.

 E hoje se verá o que vai acontecer. Com a "raiva" a alguns alemães pelo que nos fizeram, a vontade era que houvesse outra chapa "5" a nosso favor... Mas sonhamos.
E como não consta que os nossos jogadores  tenham sofrido muito com a crise, se calhar nem lhes chega ao coração este irracional "rancor"...

Aqui na Lusitânia os "futebóis" são os Santos Populares.

Viva Alfama! Pela segunda vez ganhou o campeonato das Marchas!  Sempre gostei de Alfama. Quando era universitário, em  "puto",  ia para lá estudar, para a casa da minha colega Isabel. Depois, já Assistente na mesma Universidade,  numa fase em que gostava do ambiente mais boémio , do fado e dos cavalos, muitas noites de Sexta e Sábado passei por lá.

Que saudades desses tempos e da Rua das Escolas Gerais...Há mais de 30 anos fui muito feliz para aqueles lados, história que um dia poderei contar (antes que morra).

Mais perto da actualidade passávamos muitas vezes à noite pela Maria Jô-Jô, na Taverna d'El-Rey, para concluir alguma jantarada mais bem "aviada".  Um grupo magnífico, que ainda hoje se mantém vivo e adorando estes convívios!

 Mesmo hoje é possível apanhar a tipicidade do velho bairro.  Sem esquecer a Taverna D'El Rey, vão inspeccionar também a Tasquinha do Vadio, ou a  Tasca do Jaime, um pouco lá mais para cima  (Largo da Graça) bem assim como  outras "capelas" do verdadeiro fado boémio e vadio.

E como no Dia do Santo António não debitei Poema (estava mesmo sem vontade de deixar a "horizontal") aqui deixo hoje as primeiras estrofes que ao Santo dedicou Fernando Pessoa, na sua écloga com o mesmo nome:

Santo António

Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...

Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!
Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.

(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)

Fernando Pessoa

Nota Sanitária: Prometi que mais nada diria aqui sobre a minha condição física, mas tanta gente ( e boa) tem perguntado pela minha saúde que transformo-me hoje em "relapso.

 Armei-me em "campeão" deixei de tomar medicamentos por 3 dias e...piorou. Como me dizia o único médico em quem confio para estes achaques, referindo-se à dor ciática:

- "Vai-te habituando a conviver com a gaja, porque estas m**** normalmente vêm para ficar".

Ainda se fosse a habituar-me a viver com a Mila Kunis (foto ao lado)... A isso é que eu me podia habituar! Pelo menos enquanto durasse o "gasoil", porque quando este acabasse, chauzinho Mila, muito obrigadinho e desculpa qualquer coisinha...

quinta-feira, junho 12, 2014

Começa a Feira

No país do futebol, onde o samba serve para acompanhar as alegrias das vitórias e o "chorinho" para ajudar a passar a tristeza das derrotas (mais a bela cachaça), começa hoje a maior das feiras de vaidades do planeta: o Campeonato do Mundo de Futebol FIFA 2014.

Por estranho capricho dos deuses parece que o "povão" brasileiro não tem aderido à Copa da maneira entusiástica que era esperada.

As manifestações e os protestos de cariz social sucedem-se, os "sindicatos de interesses" estão na rua, a classe média a quem o Presidente Lula deu pernas para andar e cotos de asas para aprender a voar, começa a esticar esses cotos de asas e repara - tal como as galinhas e perus domésticos - que  o "material" fornecido é mais para mostrar, ver e ser visto, do que propriamente para o serviço...

Nota: Segundo algumas mulheres,  o mesmo acontece a certos apetrechos penduratórios avantajados da anatomia masculina. Mas adiante que não estamos em Amarante.

E em função dessas constatações politicas e sociais em redor  do Mundial, aparece a interrogação:

-" Não se encontraria melhor aplicação para gastar os dinheiros da Copa?"

Serão cerca de 9,3 mil milhões de euros... daria concerteza para fazer algumas flores na Educação, Saneamento Básico, Assistência Social, Assistência Médica. 

Apenas para termo de comparação, o nosso Euro 2004 (quantas vezes também criticado) andou pelos 800 milhões de euros, e com esse dinheiro faríamos outra vez a Ponte Vasco da Gama e mais uns bons km de auto-estrada  (que é o que mais falta faz por cá, no burgo luso).

Estou porém convencido que em começando os jogos - a partir de hoje -  o ADN do povo brasileiro deve vir ao de cima, o entusiasmo pela "redondinha" e seus "castigadores" predominará e será a fúria de ver futebol e de ver a Selecção canarinha ganhar que substituirá a fúria social dos despojados.

Tal como no Carnaval, onde,  segundo dizem os entendidos "Até pilantra, malandro e safado metem feriado".

Não sei se será assim que vai acontecer.  Espero que tudo corra bem e com sorte para Portugal. Porque, como dizia o "papa" Pinto (da Costa):

- " Para ganhar alguma coisa no futebol tens de ter boa equipa, bom treinador, ordenados em dia, bom árbitro e uma pontinha de sorte... De nada serve o Árbitro marcar penalty a teu favor se o jogador atirar à barra..."

E nisto pelo menos tinha ( e tem) o Homem razão.

Prá Frente Selecção!

Lá para o meio de Julho recomeçamos a falar das coisas sérias. Tanto aqui , em Portugal, como no Brasil...

quarta-feira, junho 11, 2014

Os Chiliques e outros "desarranjos" nervosos

No dia 10 de Junho pudemos todos presenciar um "chilique" presidencial.

Trata-se de um tipo de ataque nervoso sem razão aparente; um fricote (como diriam os irmãos brasileiros). Uma ausência (momentânea) dos sentidos com uma perda temporária das forças físicas. Um desfalecimento.

A mesma personagem "chilicou" antes.  Nos tempos antigos em que todos tinhamos  alguma medida de felicidade - falo de 1995, na tomada de posse do Engº Antonio Guterres -   o Prof. Cavaco Silva tambem desmaiara.

Nada de grave. O sintoma do nervo vagal acontece a todos. Normalmente por causa da subida dos niveis de ansiedade. E, aqui em confidência, não acham que o nosso Presidente devia estar mais habituado a apupos e a criticas nesta altura do campeonato?

Não deveriam ser umas dezenas de manifestantes, a cumprir o seu dever civico, que o impressionariam. Mas foram.

Eu não sou dado a "chiliques". Deve ser da compleição. Do volume medido em metros cubicos...

Quando me enervo e começo a perceber que estou a ficar mais ansioso do que seria  o normal, a consequência  passa sempre pela diarreia.

Diarreia verbal malta!! Nada que meta idas à privada!!

 Não consigo parar de falar! Os que me rodeiam ficam incomodados com o ruìdo da minha voz. Ao fim de algum tempo, ela ( a voz) assemelha-se  àquela "musica de elevador" que nos entra nos ouvidos sem darmos por isso e  sem percebermos  nem quem canta , nem o que cantam...

Uma "coisa"  em que fico cada vez mais semelhante ao  estimado "El Comandante" Fidel nos tempos da sua desbunda discursal.

O homem aguentava falar durante horas a fio! E bateu o seu próprio recorde em 1998, altura em que falou em pé durante 7h15m seguidas e sem descansar. Isso mesmo - sete horas e quinze minutos de falança!

Quando perguntaram a um ouvinte (que não se atreveu a levantar o c* da cadeira durante aquela maratona) o que tinha dito Fidel, este respondeu:

-" Hablò mucho y muy bien! De Cuba y del mondo todo! No faltou ninguna natiòn!"

Pudera!

Quando Fidel se dirigiu  à Tribuna da Assembleia da Organização das Nações Unidas, havia na plateia uma enorme expectativa para saber como o orador, que gostava de falar tanto, poderia restringir o seu  "parlapiè"  ao tempo máximo determinado de cinco minutos.

O nosso cubano, ao chegar diante do público e ao deparar-se com a lâmpada amarela localizada sobre a tribuna, com a finalidade de indicar que o tempo do discurso se esgotava, retirou um lenço branco do bolso e  tapou-a ostensivamente. Pôs toda a gente a rir!

Antes isso que um "Chilique"!

segunda-feira, junho 09, 2014

O Regresso do Camelo

O camelo de três pernas regressou de Rabat.

Não devem supor os leitores que a terceira perna seja uma referência despudorada e algo exagerada de um gajo à beira da terceira idade, referindo-se ao próprio corpo com traços de ironia (ou oculta função publicitária subliminar). Nada disso malta! A "terceira" perna é mesmo a velha bengala que me acompanhou na viagem tendo regressado ao lado do dono.

E que jeito me deu! Logo nos aeroportos tinha prioridade em tudo. Chegava à sala de embarque e toda a gente se levantava para me dar lugar... Em Rabat mal me viram os c**** dos meus colegas parisienses, perdidos de riso,  começaram todos a gritar "Place! Place! Place pour l'invalide!!".

Mas foi engraçado. Dorzinhas à parte.  Eu já não falava francês em público há mais de 5 anos. Imaginem ter de aguentar duas conferências de uma hora e meia cada uma, na maioria das vezes falando de improviso. E sem esquecer  a resposta às questões...

O que me valeu foi que a linguagem de muitos colegas era o árabe e o tempo que levava a tradução sempre me dava mais uns minutos a mim para ir preparando o "français de valise de carton" com que me apresentei.

Na altura em que já estava a falar outra vez  "comme il faut", arrumei a mala e vi-me embora. É sempre assim...

Da conferência - dedicada ao mundo árabe de influência francesa -  guardo a tremenda apresentação do colega do Líbano, onde os serviços postais e a filatelia tiveram de ser montados outra vez de raiz depois da guerra civil que trucidou todas as infraestruturas do país.

Do ponto de vista das "novidades" temos que reconhecer que a Realidade Aumentada está a conquistar todas as filatelias do mundo. Nós, aqui em Portugal, desenvolvemos os primeiros algoritmos de reconhecimento de imagem bidimensional em 2012, logo depois do Reino Unido e os Países Baixos, mas hoje em dia já quase toda a gente por ali anda.

Na gastronomia de Marrocos deixo um apontamento breve (comi fora por duas ou três vezes apenas, e em locais sempre escolhidos pelos anfitriões).

Parece-me haver um certo abuso do açucar e da canela em tudo - mesmo na confecção dos pratos principais. A mais conhecida preparação de origem berbere é a "Tajine", uma espécie de guisado lento feito com carnes  de vaca ou de carneiro e com legumes locais (lentilhas, feijão). Muitas vezes acompanhada por  alperces secos, tâmaras ou figos. A "Tajine" pode (ou não) incorporar "Couscous" (grãos de sêmola de trigo duro).

As batatas assadas são servidas à parte e parecem ser um "frete" que é feito aos estrangeiros que perguntam pelo acompanhamento. 

As saladas de entrada são obrigatórias e muito variadas. Legumes crus partidos em juliana e bem temperados com azeite e vinagre: palmitos, pimentos, pepinos, tomates pequenos, passas de uva, amendoas e avelâs. Encontramos a nossa salada de atum de conserva e falaram-me de sardinhas, fritas ou assadas como prato típico do Magreb (costeiro) também. Mas essas não as vislumbrei...

Uma coisa é certa e ficou comprovada: a afamada hospitalidade do Magreb não é conversa fiada. Mesmo dando de barato que estávamos entre pessoas do mesmo ofício, e que todos nos conhecíamos , a esplendorosa recepção dos amigos marroquinos ficará na memória.

Chucran! Salaam Aleikum Nadeem!

segunda-feira, junho 02, 2014

De partida para Rabat

O gozo que os leitores devem  fazer com o nome da capital do reino de Marrocos ecoa já nos meus ouvidos em antecipação. Mas como não fui eu que assim nomeei a antiga cidade imperial, tenham paciência.
O nome da cidade (do século XII ou ainda mais antiga) parece que poderá ter origem num vocábulo  beduíno que significava  "lugar onde se prendem os cavalos"  . Para outros autores, Rabat era o nome que se dava a uma fortaleza...
Seja lá o que for, é mesmo para aí que vou.

E vou fazer o quê? Vou fazer duas conferências sobre a minha filatelia. Uma será  sobre as formas de "seduzir a juventude" para esta actividade, e a outra sobre a "inovação na aproximação ao mercado".

Agora, imaginemos um tanso que vai a Rabat falar de sedução da juventude... Dá um mau aspecto do caraças! Na língua portuguesa.

Em Casablanca, onde o aeroplano me deixará,  não terei tempo de ir à procura do Rick's Café, inaugurado há 10 anos para recriar a atmosfera do mítico filme, um dos mais amados aqui do vosso Blogger,  com Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. E tenho pena...

Mas posso recriar a famosa última cena do filme, passada lá mesmo nesse aeroporto, com o Avião para Lisboa já com as hélices a rodar...

"Teremos sempre Paris".

Parto hoje e chegarei na Quinta Feira. Vou trazer novas do Magreb, das intervenções na conferência organizada pela UPU, e do que se comer por lá (beber não me parece...).

E como a "entrada" dos portugueses  em Ceuta - "Ruços Além!" - já fará 600 anos em 2015, a bem dizer posso ir já "apalpando" como os transeuntes marroquinos encaram a possível celebração do evento...

Desde que os persas desejaram comemorar a tomada de Ormuz por Afonso de Albuquerque, apesar das orelhas e dos narizes cortados, já espero qualquer coisa neste mundo esquisito.

Até Sexta feira despeço-me dos leitores com Amizade!

sexta-feira, maio 30, 2014

Para Descansar a Vista com o Combate dos Chefes...

Nesta Primavera quase tão triste como as nossas vidinhas anima-se o panorama político.

Na sua missão de entreter o Povo, e dado que acabou o Campeonato Nacional de Futebol e ainda não começou o Mundial do Brasil, os nossos políticos inventaram agora a crise no PS.

Crise de há muito anunciada e que apenas a vitória nas autárquicas fez estagnar em água morna.

Depois das Europeias vem o Carmo e a Trindade para cima do Secretário Geral (melhor dizendo, vem o Costa e o Soares).  O Secretário Geral "não tem carisma, não embriaga o povo, não entusiasma as audiências..."

Por acaso já tivemos cá no burgo um que fazia muito bem tudo isso, e depois foi o que se viu...Teve que ir para a Sorbonne.

António Costa é melhor do que António José Seguro? Teríamos que definir "melhor". Melhor não pode significar ser "melhor demagogo"! Disso já provámos e estamos agora na ressaca...

António Costa, segundo dizem,   "é mais eficaz do ponto de vista das intervenções públicas, é mais conhecido, é mais de "esquerda" e, sobretudo, não tem medo de dizer exatamente aquilo que pensa."

O grande pecado de Tó Zé Seguro talvez fosse querer estar bem com todos , sem estar mal com ninguém. E as clivagens existem. É em função delas que os votantes actuam,

Veremos como esta "caldeirada"  vai acabar. Mas até lá folgam os "maus da festa"...

E o Tio Jerónimo deve estar a rebolar de riso também.

Para dar ânimo às "bases" e enquadrar este "Combate dos Chefes",  nada como um poema do nosso grande iconoclasta que foi Bocage (a ser muito justamente homenageado em selo, já em 2015).

Nós hoje diríamos "Cada macaco no seu galho!". Naquele tempo era mais a fábula do Leão e do Porco:

O Leão e o Porco

O rei dos animais, o rugidor leão,
Com o porco engraçou, não sei por que razão.
Quis empregá-lo bem para tirar-lhe a sorna
(A quem torpe nasceu nenhum enfeite adorna): 


 Deu-lhe alta dignidade, e rendas competentes,
Poder de despachar os brutos pretendentes,
De reprimir os maus, fazer aos bons justiça,
E assim cuidou vencer-lhe a natural preguiça;

 Mas em vão, porque o porco é bom só para assar,
E a sua ocupação dormir, comer, fossar.
Notando-lhe a ignorância, o desmazelo, a incúria,
Soltavam contra ele injúria sobre injúria
Os outros animais, dizendo-lhe com ira:

«Ora o que o berço dá, somente a cova o tira!»
E ele, apenas grunhindo a vilipêndios tais,
Ficava muito enxuto.

 Atenção nisto, ó pais!
Dos filhos para o génio olhai com madureza;
Não há poder algum que mude a natureza:

 Um porco há-de ser porco, inda que o rei dos bichos
O faça cortesão pelos seus vãos caprichos.

Bocage, in 'Fábulas'

quinta-feira, maio 29, 2014

Reminiscências do Zoológico

Estive ontem  no Zoo de Lisboa entre as 9,30h da manhã e as 17,00h da tarde.

Acho que foi a vez em que lá estive metido mais tempo, mesmo contando com aquela em que o meu filho (hoje senhorio) teria uns 5 anos e por lá teve que passar, em cerimónia iniciática a que nenhuma criança naquelas idades se safava...

De manhã houve a cerimónia dos 130 anos do Zoo, com aglomerado importante de "colunáveis".

Pela primeira vez posso dizer com propriedade total que executei o meu "número das focas" no local apropriado!

De tarde, bem,  de tarde  o Fernando bem me lixou, pedindo que estivesse em directo no plateau que a RTP tinha montado no Zoo para dar uma pequena entrevista. E tive que aguentar.

O tempo mais aborrecido - por causa das dores que entretanto se acumulavam - foi enquanto esperava para a entrevista televisiva, saído da maquilhagem às 14,00h e pensando que pelas 14,30h estaria despachado, quando e afinal apenas me chamaram para o plateau perto das 16,20h.

Nesse preparo, já com a fuça enfarinhada , partilhei o espaço com uma violinista (por acaso bem boa), dois tratadores do Zoo empunhando uma arara e um lagarto (iguana basilisco, foi o que lhe ouvi chamar, mas lagarto serve bem) e uma fadista (assim, assim) com os seus acompanhantes.

O namorado, apoderado , agente, ou lá o que era, da violinista, passou a vida a mexer no Samsung Galaxy S5, tentando encontrar quem lhe vendesse o que me pareceu ser uma máquina de sumos profissional(???). Pela conversa pareceu-me que seria para a roulote da artista, talvez para animar a tournée de Verão...

Com uma artista daquela qualidade ao lado, o facto de se necessitar de uma máquina de sumos na roulotte não augura nada de bom. Acho eu... Uma questão de nozes e dentes.

A Fadista queixava-se das maquilhadoras e da falta da cabeleireira, e que não tinha tido tempo para se preparar devidamente. Os guitarristas discutiam se começavam em Dó ou Fá (não sei o quê, podia ser "sustenido".

Dessa forma - e estando o espaço ao lado da violinista já tomado - é normal que me tenha chegado para os tratadores e passado o tempo a falar sobre a Arara e o Lagarto-Iguana (este quando foi oferecido ao ZOO chamava-se Fiona, mas descobrindo-se mais tarde que era macho ainda estão à espera de lhe cunhar outro patronímico).  "A" Fiona está aí ao lado.

A Arara pelo que me recordo (velha senhora com 60 anos) dava pelo nome de Dora e  só queria que a catassem. Ela e eu.

Deve ser bom estar deitado quieto com uma mão de jovem senhora a coçar o pelo atrás das orelhas...

À minha frente estava o recinto dos chimpanzés. O macho dominante deve ter uma boa vida... Em duas horitas daquela tarde deu para ver que ali todos lhe prestavam vassalagem, machos de cabeça baixa passavam de largo, enquanto que as fêmeas  punham-se em fila... O gajo chama-se Dári, anda nisto há já muitos anos e parece que os anitos não lhe pesam... Pudera! Tomara eu.

Não falo da entrevista,  que foi o que foi.

Mas antes de sair ainda houve tempo para um episódio :  dada a minha condição de inválido arranjaram-me um "buggy" para me levar (e trazer) desde Sete Rios até lá acima, ao recinto onde a RTP tinha armado a "barraca" nesse dia. 

Atento às regras de sustentabilidade defendidas pelo Zoo questionei se o buggy era  eléctrico?

-"Não senhor. É a gasolina".

 Porquê? Para avisar pelo ruído do motor os transeuntes que circulam a pé no jardim, com crianças pela mão. Os Buggys eléctricos são demasiado silenciosos e provocam acidentes.

As vacas têm badalos, os gatos têm guizos, o ZOO tem Buggys a gasolina.

E eu devia ter mais juízo. Acho que vou arranjar uma máquina de sumos lá para casa. Pode ser que assim saia menos...

terça-feira, maio 27, 2014

Rave de ciclóstomos doeu (e não foi na carteira!)

No Domingo passado fiz uma asneira. Nesse Domingo fiz, aliás , duas asneiras. Dita a verdade toda, todinha, foram 3 as asneiras que eu fiz no passado Domingo.
 
Ando farto das dores da ciática, isso já todos sabem. E tem-me custado evitar por essa causa os almoços com os amigos, os convites para jantar com os amigos (tínhamos mais uma ida ao “deserto” combinadíssima) e coisas do género.
 
Mas como não posso (poder posso, mas não devo) evitar a minha presença nos actos oficiais do meu trabalho, o resultado prático é que cada vez estou pior.
 
Ou pelo menos não vejo melhoras, o que somado à impaciência típica da situação, é o mesmo que estar pior.
 
Dessa forma mandei às malvas os cuidados e aceitei partilhar com a Fátima e o Mário (as fotos são dele) um convite no Beira Mar para o almoço, já prometido no tempo em que o saudoso David ainda privava connosco. Afastado esteve Mestre José deste convívio, por motivos que têm a ver com o conteúdo do mesmo. Já lá chego.
 
A ideia era mostrar a quem não sabe algumas das preparações da Lampreia hoje caídas em desuso em Portugal, mas ainda vivas nalgumas zonas da nossa vizinha Galiza.
 
O Paulo Mendonça tem telhados formosos por aqueles lados, e em função disso preparou-nos um almoço só de lampreia em várias apresentações.
 
O nosso Zé não aprecia lampreia, costumando dizer com imensa piada que “ofereço gostosamente  a quem gosta o meu quinhão anual da dita cuja”.
 
Vieram para a mesa Lampreia seca recheada, Lampreia seca grelhada e arroz de lampreia ( as três asneiras…).
 
O acompanhamento foi dado por  um Dão Branco de 2010, inimitável, do Centro de Estudos de Nelas (soberbo, austero, quase granítico) e um Tinto Douro de 2010 Crasto Vinhas Velhas, também ele admirável.
 
Quem não conhecia ficou cliente. Quem já conhecia lambeu os beiços. O problema é que naquelas preparações e sem darmos por isso “gastaram-se” 4 lampreias…E gordas.
 
4 Lampreias para 5 pessoas… Ao preço de mercado façam-se as contas , que não devem ser simpáticas…
 
O meu senhorio tratou do transporte , para lá e para cá. Durante o almoço ainda me levantei algumas vezes, mas a companhia até ajudou. O pior foi quando cheguei a casa…
 
Mas não me queixo (em voz alta).  Perdoa-se sempre a dor que causa pelo bem que soube.
 
Amanhã estou no Jardim Zoológico, outra vez a estragar o que o repouso da noite ajudou a curar. É o lançamento do Postal Inteiro dos 130 Anos do Zoo. Era para estar o Presidente da Câmara de Lisboa, mas com os últimos desenvolvimentos vai o Vice. Que não tarda será o Presidente... Et pour cause.
 
E como para a semana que vem tenho de ir dar duas conferências a Rabat, tenho cá para mim que esta coisa da ciática em cima do coiro da mula (ou do camelo, com mais propriedade) veio mesmo para ficar.
 
Uma coisa é certa: esta foi a última vez que me queixei aqui no blog. Quem não tem juízo é com o  corpo que deve ir pagando.
 
Nota Final: Lá no Zoo de Lisboa a nossa Chita (os CTT são padrinhos) chama-se “DáKartas”… Escrevi aqui o nome porque amanhã vão-me entrevistar e sou capaz de me esquecer…
 
DáKartas!! Baza a correr ou ainda acabas no tacho…Amanhã chega o gordo!

segunda-feira, maio 26, 2014

As Vitórias pífias e as Derrotas amenas

O velho Rei Pirro (Pyrrhus) que derrotou os romanos em 279 A.C., na batalha de Asculum,  contando as enormes baixas sofridas referiu aos camaradas depois dessa batalha,:

 - "Com outra vitória como esta ficarei arruinado".

Não sei se José Seguro se sentiu como Pirro na noite eleitoral... Mas devia sentir-se.

Incapaz de "cavalgar a onda" do descontentamento nacional, ultrapassado por um recém chegado Marinho e Pinto fenomenal (embora não se preveja grande continuidade) e , sobretudo "emparedado" por um PCP a crescer e muito motivado, o PS fez figura amarela de Vencedor meio vencido.

Não vou tão longe como certos comentadores que já dizem ter sido a Aliança Portugal do PSD\CDS o "grande vencedor da noite" . Esses comentadores devem ter comido cogumelos alucinogénios à ceia...

Mas na verdade o resultado pior de sempre na direita , em Portugal, quase que se transformou numa amena derrota por culpa das circunstâncias noticiosas , das máquinas de fazer a notícia, que todas sublinharam Marinho e Pinto e a vitoriazinha com sabor amargo de José Seguro como os "grandes factos da noite!".

Para trás ficou a enorme conquista em votos e percentagens do PCP, a quase desaparição do BE da cena política, bem assim como a já referida "tareia" que a direita encaixou , bem disposta e a sorrir, apesar das queixadas a arder. Para já não falar da enorme e obscena Abstenção, essa sim, a grande figura destas eleições.

O contar de espingardas no PS depois das eleições deve ser tremendo. A malta ligada ao Secretário Geral deve estar como lapa agarrada ao poder e gritando "Grande Vitória!". Os "outros" devem estar todos chateados pelo facto da "vitória, embora pífia" não lhes permitir questionar já a liderança.

Quem ganhou de facto na noite de 25 de Maio?

Declaradamente o Partido da Terra com Marinho e Pinto e o PCP. Todos os outros, mesmo os vencedores absolutos, perderam votos face às autárquicas.

Uma questão deve preocupar os portugueses:

-"Se os resultados eleitorais para as Legislativas fossem mais ou menos estes, em 2015, como se formaria Governo? E como se poderia governar?"

Não é que este pensamento me tire o sono à noite (já meio quilhado com a p*** da ciática que não passa) mas , no mínimo, devia pôr a pensar  todos aqueles que têm por objectivo avaliar as alianças e as coligações nas máquinas partidárias...

Uma coisa me parece certa: Nem o PS, nem a aliança PSD\CDS, terão a maioria absoluta em 2015.

sexta-feira, maio 23, 2014

Para Descansar a Vista

Tenho andado "escondido" da ciática.  A "gaja" continua a doer, mas  tento não lhe dar importância. Acho que chamam a isto o processo de negação...

Negação ou não, o certo é que tenho vindo trabalhar todos os dias até que a dorzita me mande para casa. O que geralmente acontece pelo final da manhã. Nos dias em que há obrigação de esticar este tempo de trabalho por mais umas horas  não restam dúvidas que "o corpo é que paga".

E de que maneira...

Por estes motivos escolhi um poema de Guy de Maupassant: A Descoberta (da Ilusão)

La Découverte

J’étais enfant. J’aimais les grands combats,
Les Chevaliers et leur pesante armure,
Et tous les preux qui tombèrent là-bas
Pour racheter la Sainte Sépulture.


L’Anglais Richard faisait battre mon coeur
Et je l’aimais, quand après ses conquêtes
Il revenait, et que son bras vainqueur
Avait coupé tout un collier de têtes.


D’une Beauté je prenais les couleurs,
Une baguette était mon cimeterre ;
Puis je partais à la guerre des fleurs
Et des bourgeons dont je jonchais la terre.


Je possédais au vent libre des cieux
Un banc de mousse où s’élevait mon trône ;
Je méprisais les rois ambitieux,
Des rameaux verts j’avais fait ma couronne.


J’étais heureux et ravi. Mais un jour
Je vis venir une jeune compagne.
J’offris mon coeur, mon royaume et ma cour,
Et les châteaux que j’avais en Espagne.


Elle s’assit sous les marronniers verts ;
Or je crus voir, tant je la trouvais belle,
Dans ses yeux bleus comme un autre univers,
Et je restai tout songeur auprès d’elle.


Pourquoi laisser mon rêve et ma gaieté
En regardant cette fillette blonde ?
Pourquoi Colomb fut-il si tourmenté
Quand, dans la brume, il entrevit un monde.


Guy de Maupassant, Des vers
 

quinta-feira, maio 22, 2014

Sol na Vinha, chuva em cima dos Nabos

Este tempo meio esquisito  - que se poderia convencionar como sendo "pós-troika" apenas para gozo local  - parece que será uma forma dos poderes que em tudo mandam sem pertencer aos quadros do Goldman Sachs nos indicarem que não existem situações perfeitas: A liberdade que temos por garantida  (também a financeira) tem o seu preço.

O preço que todos estamos a pagar, quantificado em juros, tem uma data de zeros já assaz respeitável... Serão cerca de 1,9 mil milhões de euros por ano, uma gorjetazita de 5,5 milhões de euros por dia... Só à Troika! Porque se juntarmos os juros da dívida resultantes da emissão de obrigações e títulos do tesouro, etc... chegamos a valores mais perto dos 7 mil milhões de euros por ano.

Tendo a Ponte Vasco da Gama custado perto de 900 milhões de euros e o famoso Túnel do Marão perto de 450 milhões, podem os leitores fazer convenientemente estas contas.

Assim no ar e de lápis atrás da orelha será possível garantir que com o dinheiro dos juros poderia Portugal fazer buracos daqui até Andorra (ou Serra Nevada) e Pontes sobre o Tejo várias, desde as Portas do Sol, passando por Abrantes, até chegar a Lisboa (onde faríamos mais duas, para equilibrar esteticamente a cidade).

O Problema dos Juros não é nada que deva atrapalhar um Povão como o nosso, que  "passou ainda além da Taprobana", "descobriu novos mundos para o mundo" e etc...

O problema é que hoje - nas low cost - um gajo já vai ao Rio de Janeiro por menos de 700 euritos...

E à Índia por 521 euros!  O que diria o Gama?

"Carago!! No meu tempo não havia disto! Eu conto com o Continente!"

(passe a publicidade à Dª Florinda e ao Engenhêro Belmiro)

Aliás, os Juros nem são um "Problema". A não ser que chamássemos também "problema" à Serra da Estrela, que ali se encontra há mais de 200 milhões de anos e é crível que se "aguente" por mais outros 200 milhões.

São, na minha opinião, um maciço montanhoso culminante que se instituiu em Portugal.

Habituem-se a viver com eles, tal como temos que viver com o Tejo, o Douro e o Guadiana.

quarta-feira, maio 21, 2014

Cimeira Ibérica

Ontem tivemos em Lisboa os mais altos responsáveis da Filatelia dos Correios Espanhóis.

Na reunião que se seguiu muito se falou  da quebra de receitas que é generalizada a esta actividade em todo o mundo ocidental, mas sobretudo nos países periféricos, onde a prostituta da crise deu ( e continua a dar) mais que falar.

Durante a reunião ia-me sentando e levantando, conforme as dorzitas... Mas o pior mesmo foi quando tive de  levá-los a almoçar. Estar sentado durante hora e meia parecia tarefa acima da minha actual folha de especificações.

E foi mesmo. Os colegas , se não estivessem avisados, deviam ter pensado que eu tinha uma próstata muito falida, tantas foram as vezes em que me dirigi para a "privada" para dar algum alívio às costas e pernas.  Estava tão zonzo dos analgésicos que, quando saí  de vez da mesa, em vez de os ir pôr às Partidas do Aeroporto enfiei para as Chegadas, que era o Parque mais próximo.

Ainda me vou rir disto tudo. Mas por enquanto não tenho vontade.

Hoje estou de molho até às 11h. Depois vêm cá buscar-me a casa para outra cerimónia filatélica. Desta vez a homenagem a Francisco Ciera no Museu Militar.

Tenho pensado de mim para comigo o que terei feito de mal (karma lixado) para que todas estas "cerimónias de caixa de carimbos" acontecessem exactamente nesta altura de incapacidade.

Pelo menos uma conclusão tirei ( devo dizer, tirámos): há que treinar outro macaco para fazer as vénias e as mesuras, contar a história do 1º selo e respectivo carimbo e pôr a malta a rir.

Na altura em que o outro já estiver treinado passa-me a ciática. Vão ver se não vai ser assim!!

sexta-feira, maio 16, 2014

Poema da Maleita: Não tenhas Pressa Pá!

Sexta Feira, dia de "Descansar a Vista".

Estou em casa hoje a tentar emendar com descanso as asneiras de ontem e de anteontem.

Vou tentar deixar os analgésicos de lado e ver como se passam as coisas. Para já estou a aguentar.

Um poema dedicado a estas incomodidades?  Encontrei este:

Little Nuisance

There's a little  nuisance inside the walls of my brain
Oh the thoughts are driving me insane
I can't shut them off, nor close my eyes
I need to come up with a clever devise
Tricking my brain will be quite the task
I wish it would do whatever I ask
I just want to catch up on some sleep
But my thoughts are haunting me so deep
Congrats little nuisance in my mind
You're achieving your goal, one of a kind
To keep me awake and solely focused on you
I have no idea what I'm going to do


Alexandria King

E depois deste um recado de Pessoa\Alberto Caeiro para mim próprio: Não tenhas Pressa Pá!!

Não tenho pressa. Pressa de quê?
Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passa adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salta por cima da sombra.

 Não; não sei ter pressa.
Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega -
Nem um centímetro mais longe.
Toco só onde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.

 E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E vivemos vadios da nossa realidade.
E estamos sempre fora dela porque estamos aqui.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

 

quinta-feira, maio 15, 2014

Diário da Maleita 2

Ontem à noite fui impossibilitado de fazer a minha esperada "dança da bengala". A culpa foi de  um trio de cab*** alemães que devem ter confundido o Sevilha com a selecção "tedescha", por jogarem também de branco! Filhos de três grandes putanescas!

Do mal, o menos: em vez de ficar a pé a fazer o que não posso (beber uns copos à glória vermelha futebolística) fui esticar-me para o leito mais cedo.

E parece ser isso o que mais faço nestes dias: levantar-me, sentir que as dores começam, escolher entre o analgésico ou o regresso a vale de lençóis, único local onde me sinto bem.

De notar que já existiram tempos - longe na bruma da memória - onde a cama era o sítio onde me sentia muito bem... Por motivos distintos. E antes desses tempos, noutros ainda mais longínquos, tão longe que me parecem hoje mitológicos, nem a cama era precisa para nada! "Sentia-me muito bem" encostado a uma árvore, em cima de um fardo de palha , onde calhasse e houvesse companhia "à manêra".

Mas divago!

Ontem o dia até pareceu menos chato porque fui à Base Aérea da Granja fazer o meu habitual "número das focas" para comemorar os 100 Anos da Aviação Militar. E como é usual a coisa correu bem. Menos bem foi ter de aguentar sentado os discursos dos Srs Generais com a perna e as costas a arderem por dentro.

Quando cheguei a casa de boleia com o Laia estava completamente de rastos.

E hoje também tive de vir aqui ao Báltico assinar un Acuerdo muy urgente con nuestros hermanos mexicanos (apesar de se exprimirem na mesma língua não têm nada a ver com o Sevilla!).

Mas já estou de partida, que as dorzitas recomeçam.
De partida para onde? Para a cama!

 E se isto é como a droga e dá habituação? Ganda Calão!

quarta-feira, maio 14, 2014

Diário da Maleita 1

Tenho que me distrair com alguma coisa. Não há coisa mais chata do que estar em casa sem poder estar sentado. Já repararam que isso implica deixar o computador, deixar a TVCabo, ler apenas deitado?  E as horas que me obrigo a estar deitado - a tal necessidade absoluta de repouso para as vértebras - se me aliviam a dor ciática começam a incomodar as nádegas e a parte superior das costas.

Isto porque - mesmo deitado - é completamente proibido cruzar as pernas... Só estou bem, no tal repouso terapêutico, deitado de barriga para o ar com as pernas esticadas e dedos para cima. Dormir de lado é um luxo que deixei de gozar quando esta trampa começou.

Ontem fui a Lisboa "super-atafulhado" de analgésicos. Estava de tal forma que parei o carro ao lado da Casal Ribeiro, onde deixei de trabalhar há mais de 12 anos!

Mas como fui muito feliz ( e quem não foi?) naquele local, desculpa-se a distracção subconsciente.

Esqueci-me de dizer que não levava meias... Apesar das pílulas não me consegui dobrar para as enfiar nos pés.

Mas levava cuecas...  Embora muito me custasse enfiá-las também...

Uma das consequências positivas desta incomodidade é que como cada vez menos. Como tenho dificuldade em estar sentado e tento reduzir a ingestão dos cocktails de analgésicos ao mínimo, o resultado é que nunca mais comi de garfo e faca. Uma sandwich ao almoço, outra ao jantar, duas torradas pela manhã.  E fome não tenho. Álcool? Nunca mais me passou pelo estreito.

Hoje tenho de ir à cerimónia  do Centenário da Aviação Militar, na Base Aérea da Granja. O Zé Laia vem buscar-me a casa e lá iremos. Estou a reservar os comprimidos para essa altura. Mas terei de ir de bengala... Há sempre uma primeira vez para tudo.

Até amanhã que já fiquei sentado demasiado tempo.

segunda-feira, maio 12, 2014

Raios Partam A Ciática

Ciática foi coisa de que só tinha ouvido falar.  Até à madrugada de quinta feira...Até me dar com força esta dita inflamação das raízes do nervo ciático, situadas no "lombo" traseiro, ancoradas nas vértebras lombares.
Porque motivo essa inflamação acontece não se sabe bem. Ou melhor, há tão variadas causas que apenas exames profundos podem esclarecer.

No meu caso parece não ter a ver com as hérnias discais ou outras atrofias dos canais por onde passa o dito nervo ciático.  Mas mais não sei.

O que sei é que dói que se farta. Uma dor que parece queimadura ao longo da perna direita, desde a cintura até ao joelho. E que adormece a coxa completamente.

A mais chata consequência desta coisa é que me impede de estar sentado mais do que uns minutos seguidos. Sem estar sentado não posso conduzir. E nem posso estar ao computador, a não ser por breves intervalos.

Parece que o melhor remédio não cirúrgico para esta coisa é o descanso. E o tempo. E ter paciência, que é coisa que me vai faltando.

Entretanto cá vou ficando em casa - coisa que abomino - até conseguir ter coragem para pegar no carro.  As dores que senti quando fui a conduzir para o Hospital da CUF na madrugada em que me deu o "ataque", não as desejo a ninguém... E é por me lembrar delas que tenho ficado em casa.

O respeitinho é muito bonito...

Mas amanhã já me vou atrever. Acho eu.

quinta-feira, maio 08, 2014

Para Descansar a Vista

Tenho ultimamente sido menos assíduo aqui no Blogue, e há leitores que já repararam e ainda bem.

Ultimamente as minhas "avarias" pioraram. É a idade da "viatura" a dar os sinais da inescapável decadência, contra a  qual lutarei até ao fim, como é normal. O "motor" está bom e recomenda-se, mas os apoios, a "suspensão hidráulica", estão a precisar de uma reforma.

Desta vez foram os problemas no joelho e na perna direita que me obrigaram a andar pelos hospitais e a enfiar analgésicos para a veia (poderia ser pior). O tal joelho que teve a já conhecida desavença rural com o tractor ( e perdeu, como bem se lembram).

Deixemos para trás as questões de "garagem e mecânica", (sempre com factura e número de contribuinte por causa do AUDI) e louvemos o mês de Maio com poema à sua medida.

Este Maio é mês de grandes palpitações aqui no burgo: Sai a Troika, teremos Eleições e ainda as "finais" do Benfica!

Parece que só nos resta ter Esperança...

Venha de lá então - com todo o respeito! - Alcipe.

 Leonor de Almeida Portugal,  Marquesa de Alorna, teve uma vida que dava bem um filme de David Lean (A Passage to India, Lawrence of Arabia). Ninguém (ou poucos), como ela, saberiam dar valor à palavra Esperança.

Esperanças de um Vão Contentamento

Esperanças de um vão contentamento,
por meu mal tantos anos conservadas,
é tempo de perder-vos, já que ousadas
abusastes de um longo sofrimento.

Fugi; cá ficará meu pensamento
meditando nas horas malogradas,
e das tristes, presentes e passadas,
farei para as futuras argumento.

Já não me iludirá um doce engano,
que trocarei ligeiras fantasias
em pesadas razões do desengano.

E tu, sacra Virtude, que anuncias,
a quem te logra, o gosto soberano,
vem dominar o resto dos meus dias.


Marquesa de Alorna, in 'Antologia Poéticas"

quarta-feira, maio 07, 2014

Meio ano de trabalho para pagar Impostos

O excelente cartoon do "Público" - o  Bartoon - trazia hoje uma historia engraçada que glosava o número de meses (ou de dias) que o português tem de trabalhar para pagar os seus impostos. Parece que em média um português trabalha seis (6) meses com esse objectivo.

Ou seja, só a partir do dia 30 de Junho de cada ano estará "livre" .

E quando o personagem é questionado (no cartoon):
-"Até onde isto irá??!!"
A resposta é óbvia:
-"Bem, irá até ao 31 de Dezembro..."

Todavia, de momento o lusitano estará "livre" a partir de 30 de Junho de cada ano! Já falta pouco! Celebremos o Verão!

Mas..."Livre" para quê? "Livre" para gastar o dinheiro em cultura e lazer?

 Nada disso!!

 O lusitano estará sobretudo  "livre" para pagar a hipoteca da casa e do carro, "livre" para pagar as contas da farmácia, "livre" para comprar os livros de estudo do ano seguinte, e ainda "livre" para pagar as propinas do Mestrado aos filhos , que isto das licenciaturas de 3 anos à la mode de Bologne valem tanto hoje em dia como há uns anos atrás uma 4ª classe em escola de província...

Quem estiver interessado em comparar esta situação nos restantes países da União Europeia pode ver aqui:
http://ec.europa.eu/taxation_customs/taxation/gen_info/economic_analysis/tax_structures/index_en.htm

Falando apenas de países onde se apregoa e pratica esta questão importante do "Estado Social", podemos ver que os impostos sobre o rendimento de  52% da Holanda, da Dinamarca e da Espanha (para o escalão mais alto de rendimentos), os 53% do Luxemburgo e os 57% da Suécia ,   comparam bem com os 54% de Portugal.

Mas há depois os 47% da Noruega (escalão mais alto) e os  45% da Alemanha, Inglaterra e Itália... Sem falar dos 13,2% da Suíça.

Ainda se estas taxas obscenas de impostos sobre o rendimento tivessem contra-partidas sérias do lado da protecção social aos idosos e crianças, escola gratuita, saúde gratuita... Então tudo estaria perdoado.

Já tivémos tudo isso? Pois já. Foi uma das "conquistas de Abril".

Verdade seja dita: Mesmo como estamos hoje, depois das adaptações à crise e dos inevitáveis cortes disfarçados de racionalizações,  os nossos sistemas públicos de saúde e de educação podem ainda ser comparados com o que existe de melhor no mundo. Não sei (ninguém sabe) é se continuarão assim por muitos mais anos.

Dizem alguns  - que durante muito tempo estiveram calados, mas agora já estão muito "leves" outra vez,  tal como o caracol , a antecipar  festa e a "pôr os cornos ao sol" - que "se calhar foi por isso que demos com "os burros na água", depois de 40 anos a gastar na escola pública e no sistema nacional de saúde".

 A "essa gente"- que provavelmente nunca consultou médico em centro de saúde e tem os filhos a estudar no estrangeiro ou em colégios particulares - eu digo:

-"Olhe que não! Olhe que não! Foi a Corrupção e o Betão. A esperteza saloia e a impunidade judicial."

segunda-feira, maio 05, 2014

Limpem bem os pés à saída!

Nas casas antigas da aldeia o velho tapete de corda (às vezes de pneu) estava sempre do lado de fora da porta grande. Quem entrava limpava os pés.

Quem entrava e vinha do campo, ou dos estábulos, ou de "acomodar o vivo" , nem sequer entrava pela porta grande. Entrava pelas "lojas", que era o nome que se dava aos aposentos por debaixo da moradia familiar, onde se guardavam os cereais, o vinho, os utensílios agrícolas e algum motor de "curar" as vinhas.

Os tapetes de porta caíram em desuso nas cidades, com a generalização do saneamento básico e com a pavimentação das ruas. Mas ainda há quem os tenha.

Fazem um bocado de má vizinhança , quando são batidos à janela para deixar escapar o pó. Mas fora isso são artefactos úteis , embora nada devam à beleza.

Não estamos a falar das obras de arte da Manufactura de Portalegre (cerca de 30,000 euros os de tamanho médio) nem sequer dos Persas Tabriz de 70 Raj (raríssimos de encontrar no Ocidente) e sem preço. Mas estes são para pendurar na parede ou para pisar descalço,  depois de lavar os pés várias vezes com sabão e pedra-pomes.

Tapetes desses, dos "bons" , são para ricas casas e ricos-homens. Ao povo  (direi que a quase todos nós) cabe o velho protector de pneu da soleira da porta, e se tivermos sorte, algum "Arraiolos" que ficou de herança de uma tia velha.

Portugal, país que empobreceu nestes três anos de forma considerável,  sairá  do Programa de Resgate Financeiro sem Programa Cautelar ( como já se sabia há dias). Mas com o DEO "à maneira". Não se pode ter tudo, nem deixar de ter alguma coisa (digo eu). Leiam aqui o que Álvaro Santos Almeida (Ex-FMI) pensa destas coisas:
http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/alvaro_santos_almeida_deo_prejudica_9_milhoes_e_meio_para_dar_bonus_a_500_mil_pensionistas.html


De todas as formas, sair do programa sem "rede"  é bom e desejável. Não quer dizer que o País esteja bem  -  nada disso!! - mas pelo menos  ganhamos credibilidade e recuperamos algum do orgulho nacional.

Cada vez mais pobretes, mas também mais alegretes.

Os nossos credores virão cá mais vezes, as que forem necessárias para perceberem se o seu investimento está a ser bem tratado.  Mas para já é bom saber que limparam os pés à nossa porta e  partiram.

Terão limpo os pés em tapete de pneu e corda, mas quando chegarem a casa poderão  descansar os olhos nalgum Tabriz trazido do Irão via Turquia, com passagem pela Afeganistão.

Melhor seria que tivessem comprado um na Manufactura de Portalegre, mas provavelmente não têm cultura para tanto.


O dinheiro não tem pátria.. Mas também não dá cultura a ninguém. Só empresta...

quinta-feira, maio 01, 2014

Mayday, M'aidez! May Day, Primeiro de Maio

"Mayday" é a expressão mais conhecida internacionalmente para apelos de socorro, e ao contrário do que muitos pensam, não vem do inglês nem tem qualquer referência ao mês de Maio.

É uma corruptela do francês "M'aidez!" (Ajudem-me). E deve ser repetida sempre 3 vezes, para não se confundir com utilizações fortuitas via radio.

Por outro lado, a palavra May Day, Primeiro de Maio é o símbolo do Dia Internacional do Trabalhador. E antes disso mergulha a sua génese na tradição celta associada a ritos de Primavera, ao deus Beltane e a Walpurgis.

Em Maio de 1886 (3 de Maio) a polícia disparou sobre manifestantes trabalhadores da cidade de Chicago que defendiam o dia de 8 horas de trabalho. Como consequência desse acto ( e dos que se seguiram, com a prisão e condenação à morte de vários lideres dos trabalhadores) o Movimento Internacional dos Trabalhadores , reunido em Paris uns anos mais tarde, declarou esse dia como Dia Internacional do Trabalhador.

Em Portugal ficou na história o dia 1º de Maio de 1974, com quase meio milhão de pessoas a festejarem em conjunto (todas as tendências em uníssono) a recuperação da Democracia e a livre expressão da vontade de cada um.

Nunca mais esse dia teve tão bela e abrangente expressão. Nem a crise , nem  a Troika e o resto têm tido esse efeito agregador das vontades. Hoje, como noutros anos, vai a CGTP para um lado e a UGT para o outro.

Talvez seja essa a consequência da liberdade de expressão: Unicidade nunca. Dos rebanhos já foi a época. Cada cabeça sua sentença.

Sim. E de acordo. Mas foi belo sentir aquela gente toda há 40 anos atrás... Naquele lugar mas também ( e nunca o esqueço) na Fonte Luminosa, a 19 de Julho de 1975.  Eu estive nos dois lados.

"Este foi um dia de vitória. Tenhamos confiança no futuro, tenhamos confiança no nosso Povo. A revolução está em marcha e não pára.

Venceremos!»


Quem o disse?  Não foi quem estão a pensar!! Foi o Dr. Mário Soares naquela tarde de 19 de Julho. Há  muito quem se esqueça destas coisas quando o mandam para a Mitra...