segunda-feira, dezembro 22, 2008

O Natal e o Ano Novo


Mais uma vez o vosso Blogger ruma à Beira Alta dentro de uns dias para só regressar a 5 de Janeiro.

Farei Posts lá de cima, do Maciço Central, mas não prometo que seja todos os dias...vai depender não só da vontade mas sobretudo da minha ocupação sazonal nesta quadra, que é - como sabem - estar sempre de serviço aos fogões e aos tachos...

Gostaria de deixar uma mensagem de Esperança aos nossos fiéis leitores neste fim de ano e quando sobre todos já se parecem abater as nuvens infaustas da crise .

Todos nos avisam para nos prepararmos para o pior - a começar pelo Primeiro Ministro - e de facto é crível que as grandes consequências da "chafurdagem" que muitos "banqueiros " fizeram nas nossas costas só apareçam realmente na economia real lá para o meio do ano que vem.

Mais racionalidade nos gastos, menos ostentação e mais juizo nas decisões de compra, são desejos que manifesto a todos para 2009. E sempre, mesmo sempre, com a saúde à frente de tudo!

Mas não se esqueçam também de alimentar o sonho. Ainda não custa dinheiro sonharmos com dias melhores e fazermos desses sonhos aquilo que nos permite encarar o dia-a-dia com sorrisos nos lábios.

Um dos meus propósitos para 2009 é exactamente investir naquilo que depende de nós e não custa assim tanto dinheiro - se é que custa mesmo algum : na Amizade, no Amor e no reforço das boas relações entre todos, na família e no emprego.

Dêem largos passeios junto ao mar com o vosso "significant other" , de preferência com as mãos dadas. Aproveitem a falta de dinheiro para sair, e reinventem os serões em família, nem que seja para discutirem a "situação" e dizerem mal de tudo e de todos.

Comam e bebam bem, sem exageros. Tornem-se criativos na cozinha e à volta dos Tachos e Panelas. Verão como sabe bem e é fonte de alegria familiar ocuparem-se todos do planeamento e da realização das refeições, sobretudo das dos fins de semana...

Leiam muito. Emprestem sempre os livros uns aos outros e comentem aquilo que leram.

E não vivam sem amar...o tempo é demasiado curto para perdermos essa oportunidade!

Administração de CHC de novo nos Jornais pelas piores razões


A imprensa tem trazido nos últimos dias mais desenvolvimentos sobre os Processos que as diversas Inspecções - do MOPTC, das Finanças - e que o próprio Ministério Público levantaram à gestão de CHC aqui nos CTT entre 2003 e 2005.

Para além do caso já célebre do imóvel de Coimbra que se "auto-reavaliou" em algumas horas , depois de vendido duas vezes (e no mesmo Notário!) , fala-se agora do Contrato de renovação da Frota feito com uma Empresa do Grupo BPN (ai, ai...) em condições mais desvantajosas do que as apresentadas por outro consórcio e depois de pareceres contrários expressos pelos gestores dos CTT...

A minha posição sobre esta matéria é conhecida: Investigue-se fundo e nada se deixe por esclarecer, doa a quem doer. A empresa tem mais de 500 anos de actividade e não pode (nem deve) andar nas "bocas do mundo" por estas trapalhadas...

E, só desejo que aqui as coisas não se passem como no Processo da Casa Pia, onde está encontrado o "grande satã" na figura patética e bacoca do BiBi...

Não queria acordar um destes dias e descobrir nos jornais que - afinal - o grande culpado dos desvarios nos CTT já cá não está neste mundo...

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Refeições de Emergência


Quem é que já não passou pela situação algo desagradável de estar em casa, lá pelas 19.00H a antecipar um chá com torradas para a noite , quando lhe entram pela porta dentro 3 ou 4 amigos ou familiares da provincia que não se podem mandar "retirar" ?

E há que dar-lhes jantar, pois na "santa terrinha" a malta alimenta-se 4 vezes por dia e chá com torradas nem servirá para os doentes, quanto mais para os sãos de corpo...

Tenham sempre em casa algumas coisas com que acautelar um problema destes:

Batatas Primor (daquelas que se comem com a casca depois de bem lavadas). Para 4 pessoas 1,5 kg
Ventrescas de Atum em Azeite (é a carne da barriga do atum em conserva. Comprem das do Continente - marca branca , são um pouco mais caras do que o atum em lata normal, mas verão que valem a pena). Uma lata por cabeça.
Pasta de azeitona preta ou verde, 3 latas
Mostarda de Dijon à antiga , meio frasco
Uma lata de grão de bico já cozido, das grandes.

Misturem bem a mostarda de Dijon e a pasta de azeitona em quantidade suficiente para encher uma chávena almoçadeira, normalmente meio frasco de mostarda para 3 latas de pasta de azeitona das pequenas. Ponham num "Pirex" de ir ao forno as ventrescas de atum previamente escorridas, esfareladas à mão e misturadas nas batatas Primor e no grão. Cubram ( melhor dizendo, envolvam) na pasta que fizeram .

Vai ao forno quente durante uma hora para assar bem as batatas. Retirem e decorem com azeitonas pretas descaroçadas e com ovo cozido aos gomos.

Acompanhem com um Rosé de qualidade - por exemplo o Ázeo de João Brito e Cunha, do Douro. É um tipo de vinho que aguenta melhor a acidez da mostarda.

Vão ver que todos gostam.

quinta-feira, dezembro 18, 2008

A Deflacção estará a chegar?

Muitos pensam que a baixa generalizada dos preços é uma boa coisa para o consumidor individual e, por isso, se interrogam porque "carga de água" os economistas tanto temem que a "inflacção" - o aumento dos preços - se transforme em "deflacção" , que é o seu oposto.

O problema não está tanto nesse decréscimo de preços, mas sim naquilo que o ocasionou.

Normalmente só se baixam os preços quando o mercado já não absorve os bens e serviços aos preços tabelados . É, por esse motivo, a deflacção um sintoma preocupante de uma economia estagnada onde o comércio abdica das suas margens legítimas para "não perder tudo". Sinais exteriores deste fenómeno , que se evidencia pela dificuldade em escoar stocks de mercadorias, são os Saldos a toda a hora, os Descontos Antes do Natal, os pagamentos a prestações sem juros... E por aí fora.

Por norma estas situações de "deflacção" estão também relacionadas com o aumento do Desemprego e respectivas consequências para a economia em geral, com relevo para a baixa de consumo que provocam, já que as economias familiares das famílias atingidas têm de se concentrar no essencial e deixar de se preocupar com o supérfluo.

O reerguer da Economia tem de passar pelas Empresas, pela sua saúde financeira e económica, permitindo-lhes pagar bem e empregar melhor, injectando assim na economia real o dinheiro para o consumo que tanta falta já faz...Mas para que isto aconteça é urgente o apoio dos bancos Comerciais, sobretudo ao nível do crédito a conceder.

Nos USA o Dólar já é "dado" no mercado primário, isto é, o Banco central já empresta aos bancos Comerciais a juro praticamente nulo e aqui na Europa este "preço do dinheiro para os bancos" andará ainda pelos 2,5%, mas a tendência no futuro será a mesma.

Mas então porque é que os Bancos comerciais não se apressam a emprestar eles próprios o dinheiro a baixos custos às PME's e Famílias?

Por causa dos riscos que estas situações de crise trazem consigo. Em economias em depressão o risco do incumprimento por parte de quem pede emprestado é bastante maior do que em economias estáveis. Daí as cautelas e os vários pares de luvas que o sistema bancário utiliza para analisar os pedidos de crédito, individuais ou de PME's.

Parece esta situação uma "pescadinha de rabo na boca"? Pois parece, e o complicado é encontrar uma ferramenta económica que quebre este círculo vicioso para o transformar em círculo "virtuoso"...

Não há "receitas de cozinha" para resolver isto, mas as possíveis soluções passam - na sua maioria - pelo Investimento Público na economia, à laia de "empurrão" inicial que quebre a inércia da economia estagnada e traga confiança ao mercado.

Já cá nos tardam as obras de regime... Não transformem isto noutro Alqueva sff...

quarta-feira, dezembro 17, 2008

Um Soneto de Outono

Uma incursão do vosso Blogger pelos atalhos da poesia onde por vezes se perde...


Tem o fim deste Outono tão pouco encanto
Ao vê-lo assim de neve , chuva e espanto
Sem bem que se colha do céu cinzento,
Que muito bem passaria por Inverno de pranto

E porém numa destas tardes frias de Dezembro
Um cheiro de Agosto certos lábios acharam
Debaixo do teu pulso fino e pequeno

Para onde outros lábios os mandaram

E sem que se pudesse prever tal
O inebriante rumor do teu sangue

Tornou-se mar, e ondas e sal

Enganando assim os olhos fechados
De quem nem sabia que Amor colhia
Ao beijar-te docemente, nesse final de dia.



Vem aí outra vez o Santana!!


Dizem que quando Júlio César regressava a Roma depois das suas conquistas não tardava muito que esse regresso fosse anunciado em comunicados anónimos espetados no Fórum, da seguinte forma:

"Fechem as Vossas Mulheres! Está de volta o velho libertino!"

Não será agora bem o caso (enfim...) mas o certo é que o "menino-soldado", o do "colinho" e outras coisas mais , vem por aí fora fazer guerra eleitoral à maioria que, com o PS à frente, tem vindo a gerir os destinos da Capital do Império (perdão, da Nação).

Manuela Ferreira Leite escolheu bem? Porventura escolheu o que lhe parecia o menor dos males tendo em vista o reforço da tão necessária coesão do seu Partido...

É muito interessante - um autêntico paraíso para os especialistas em Sondagens - tentar adivinhar agora o que se vai passar, num momento como o actual onde ainda pouco ou nada se sabe da forma como as forças antagónicas se vão apresentar ao voto popular alfacinha.

Irá Santana contar com o apoio expresso e inequívoco do Paulinho das Feiras , ele que ( vade retro Belzebu!) enfrenta agora uma inóspita revolta das suas hostes, correndo mesmo o risco de passar a quarta força parlamentar (os tempos do Partido do Taxi...)?

E António Costa? Como se vai apresentar? Sózinho? Numa coligação que inclua PC e Verdes? De que forma os resultados do congresso da esquerda não alinhada e as declarações de Manuel Alegre poderão pesar no voto dos lisboetas?

E, mais importante que isto tudo, os resultados de Lisboa anteciparão os resultados da votação para a Assembeia da República?

O Populismo de Santana, que já sabemos que ganha votos, vai-se opor a um Racionalismo revestido de seriedade, que é o posicionamento habitual de António Costa.

A sobriedade de estilo do segundo chegará para ganhar? Ou, pelo contrário, teremos Lisboa nas mãos da demagogia delirante por mais uns anos?

Alea jacta est!
Nota: Caricatura por cortesia de Sapo.Fotos.

terça-feira, dezembro 16, 2008

O Madoff


Agora descobriu-se que tinha andado por aí - nos USA - um Sr. Madoff que até foi Presidente do NASDAQ e que geria um Fundozito de Investimentos com alguns problemas...

Tantos quantos 50 mil milhões de dólares de problemas, para ser mais concreto...

O Fundo não tinha era "fundilhos" e lá se foram as poupanças de mais não sei quantas criaturas para o esgoto. Entre elas - e é o que mais nos custa - as de algumas associações de beneficência.

Moral da História? Um mal nunca vem só e quando o mar bate na rocha quem se lixa é sempre o mexilhão...
O Madoff - que tinha fama de ter a mais bem "ornamentada" agenda de moradas e telefones de New York - está preso e não é crível que os seus muitos amigos multimilionários ou do jet set o vão visitar. Nem também os dirigentes das associações que levou à falência, mesmo as de caridade judaica que era a sua fé particular...
Terá sempre a alternativa de escrever as memórias e de as vender seguidamente para guião de algum filme... Isto se o deixarem muito tempo vivo, lá na prisa onde o vão meter. O dinheiro costuma ter um braço ainda mais longo do que o da lei...

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Os Donos das Coisas


Vem esta crónica a propósito do simpósio da esquerda "não alinhada" do último fim de semana e da forma como a "outra esquerda", mais ortodoxa, reagiu.

O Tio Jerónimo, visivelmente incomodado, falava de "casamentos e de baptizados e do convite que não fora feito"... E que "teriam para lá umas ideias, mas que não chegava".

E - digo eu - com isto arrogava-se a posse da Esquerda verdadeiramente de esquerda.

Do lado do PS lá veio o comentador de serviço, o Tio Santos Silva, dizer que "sim, tinha ouvido falar da reuniãozinha deste fds, mas que o lugar do Manuel Alegre naturalmente seria no PS e quanto ao resto, pois haveriam por lá algumas ideias e mais nada..."

Outro que se acha dono da verdadeira Esquerda

Quanto ao Congresso , Simpósio, ou lá o que foi, pouco tenho a dizer, excepto que me pareceu ler nas entrelinhas dos seus proponentes uma certa arrogância quanto à ideologia que defendem: Eles seriam os únicos mortais que - em Portugal, quiçá no Mundo - podem vir a público falar de Esquerda e de programas de Esquerda. A esquerda é deles e de mais ninguém! O resto é ortodoxia soviética , anarquismo fora de prazo ou ainda social democracia capitalista encapotada.
O Tio "Sabe Tudo" Rebelo de Sousa, esfregava as mãos de contente e contava já os votos que Alegre y sus muchaxos retirariam ao PS em 2009: "podem ser 7% ou mesmo 8%, se assim for o PSD tem hipóteses de discutir a eleição com José Sócrates! Terá é de fazer uma convenção agora na Primavera para unir as Hostes!"

E nestas afirmações todos também reconhecemos uma certa arrogância de quem pensa que é o único dono da verdade, de toda a verdade...

Esta coisa dos Homens (e Mulheres) pensarem que são donos de coisas mais ou menos intangíveis deve ter começado na infância e na adolescência, e depois - por falta de cuidados dedicados do foro psicanalítico - assim se viram projectadas para a Idade Adulta certas ilusões de grandeza que melhor seria terem para sempre ficado fechadas no baú dos brinquedos.

E não estou apenas a falar de política! Numa Empresa é comum existirem debates sérios sobre quem será, de facto, o "dono do Cliente" ... Ou sobre quem é o "dono do Produto" ... E por aí fora.
Responsabilidade , que é um tema conexo mas que afastam destas discussões a 7 pés, é que nunca ou raramente é debatida... Dono da Empresa para receber a parte dos Lucros todos gostaríamos de ser, mas dono da mesma Empresa para arcar com a responsabilidade social da falência ou dos prejuízos?? Dono para gastar em carros de luxo? OK!! Dono para pagar do seu bolso os ordenados em atraso? Bem, está na altura de bazar...

Neste enquadramento gritar que se é "dono" da esquerda" faz tanto sentido como afirmar-se que somos "donos" da chuva ou do bom tempo... Teremos alguma responsabilidade colectivamente - e cada vez maior - na origem das alterações climáticas que fazem chover ou fazer sol, mas daí a afirmarmos que somos - pessoalmente - responsáveis por ter chovido "pra burro" no fds passado vai uma grande diferença...

Ninguém é dono de uma ideologia, nem mesmo aquele que a criou como sistema político ou filosófico, pois da interpretação e colocação em prática das teorias resultam novos desenvolvimentos, avanços em veredas não previstas pelo ideólogo e não sonhadas pelo Politólogo que as comenta ex-post, de serviço às radios, jornais e TV's

E termino perguntando: nestas circunstâncias quem será o "Dono do Voto político"? O Povão que vota, o Comentador que o orienta ou o Político que é eleito??

Na prática acho que todos julgam - com sinceridade e cada um à sua maneira - que são eles os verdadeiros "donos"...

Mas nenhum será, com verdade, "Dono" dos votos dos outros. Apenas do seu próprio e único voto. O Voto é singular e da consciência do votante, não uma coisa plural que possa ser comprada ou vendida.
Na intimidade do "santo dos santos" da democracia, dentro da secção de votos, deve estar apenas o cidadão , uma esferográfica e um boletim de voto.
Esperemos que para sempre.

sexta-feira, dezembro 12, 2008

O despertar do sentimento

O sentimento desperta também nas tardes da nossa existência, sem o alarido juvenil que empolga todos os sentidos, numa algazarra de gaivotas antecipando o festim, mas com a sorrateira investida de um gato que - sem darmos conta e vindo não sabemos de onde - está já enroscado aos nossos pés. E que difícil é tirá-lo de lá...

Penélope

Mais do que sonho: comoção!
sinto-me tonto, enternecido,
quando, de noite, as minhas mãos
são o teu único vestido.

E recompões com essa veste,
que eu, sem saber, tinha tecido,
todo o pudor que desfizeste
como uma teia sem sentido;
todo o pudor que desfizeste
a meu pedido.

Mas nesse manto que desfias,
e que depois voltas a pôr,
eu reconheço melhores dias
do nosso amor.

David Mourão-Ferreira

terça-feira, dezembro 09, 2008

Blogger no Porto


Para assistir e participar no lançamento do Postal Inteiro Comemorativo dos 60 Anos da Declaração Universal dos Direitos do Homem, uma organização do Museu de Imprensa do Porto, à qual os CTT se associaram.


Novo Post na Sexta Feira.

Em torno do que se lê - Alçada Baptista


Aos 81 anos Mestre Alçada Baptista deixou-nos este fim de semana. Digo deixou-nos porque a morte deste grande personagem das letras portuguesas foi assim uma coisa mansa e digna, própria de um homem que - sendo crente no interior de si - dizia que não temia a morte, embora a achasse "...uma chatice, que nos tira da apreciação das coisas boas que a vida tem".

Era formado em ...Direito (quem diria!!??) e levou uma vida inteira a pugnar pelas coisas em que acreditava. Fundou a "Moraes" e a revista "O Tempo e o Modo"; diz quem melhor o conheceu que tal era a sua dedicação àquilo que fazia que ficou cheio de dívidas para que estes seus "filhos do intelecto" continuassem a laborar.

Lidei com ele na altura em que nos escreveu - em 1989 - "Um Passeio por Lisboa" para o Clube do Coleccionador dos CTT, livro com fotografia (extraordinária) de Luis Filipe Cândido.

Um Senhor das letras, obviamente, uma extraordinária pose de alfacinha convicto e militante que amava esta sua Lisboa como poucos embora tivesse nascido na Covilhã.

Jornalista, assessor de Veiga Simão no Ministério da Educação caetanista, opositor ao regime de Salazar às claras, criador do Instituto Português do Livro, era no fim de contas e como muito bem conta o Livro que lhe foi feito em homenagem sentida, um "Amigo de todos Nós" :

"António Alçada Baptista. Tempo afectuoso – Homenagem ao escritor amigo de todos nós», volume de textos publicado em 2007 em sua homenagem, onde 45 personalidades, de familiares a escritores, catedráticos e políticos, escreveram sobre a importância da obra de Alçada Baptista e o que a sua figura inspirou.
De ente eles: Eduardo Lourenço, Mário de Carvalho, Teolinda Gersão, Dinis Machado, António Ramos Rosa, Mário Soares, Pedro Roseta e Edgar Morin.

Adeus Mestre e até ao próximo encontro por aí nalguma tertúlia celestial dedicada à literatura.
Nota: "Cacilheiro na Praça do Comércio" é uma tela de Ana Sofia Santos.

domingo, dezembro 07, 2008

Board da FIP fiscaliza andamento da PORTUGAL 2010

Neste fim de semana prolongado a Federação Portuguesa de Filatelia e os CTT receberam aqui em Lisboa o Board da Federação Mundial de Filatelia, 8 membros que vieram ver o andamento do trabalho para a realização da PORTUGAL 2010.

Ficaram hospedados no Hotel Oficial da exposição no Parque das Nações, e não deixaram de analisar também as instalações da Feira Internacional de Lisboa, mesmo ali ao lado, onde a Expo se vai realizar.

Ontem as reuniões foram na Direcção de Filatelia, na sala reservada para o Secretariado da PORTUGAL 2010.

Partem todos amanhã, mas para já as impressões recolhidas da viagem foram muito boas.

Óptima opinião sobre o Hotel, à distância de um pequeno passeio dos Pavilhões da Feira Internacional, e também sobre Lisboa.

Nesta ocasião não deixou o vosso Blogger de lhes dar também a conhecer algo da gastronomia Portuguesa.

Para um grupo tão heterogéneo, que incluía várias etnias e idades, a decisão foi levá-los ao

Tertúlia do Paço
Rua Fernando Lopes Graça 13 A
1600-067 LISBOA
Telefone - 217 581 456
Casa relativamente nova, em Telheiras , bairro novo e onde já encontrávamos o "Jacinto" de bom acolhimento.

Este A Tertúlia tem também um acolhimento de 1ª classe e matéria prima - sobretudo peixes e mariscos - acima de qualquer suspeita.

Durante os almoços são típicos pratos de Lisboa que se oferecem aos manducantes, desde a dobrada ao cozido à portuguesa, passando pelos bacalhaus ( tem um simples bacalhau cozido com grão que é de se lhe tirar o chapéu pela qualidade da múmia pisciforme empregada).
Sempre à mão a saborosa canilha ou as ameijoas cristãs de excelso sabor e textura.
Naquele Jantar que oferecemos ao Board da FIP começámos com petiscos da casa: Ameijoas à Bulhão Pato, pratinhos de pata negra cortado à mão, cogumelos com gambas, gambas com alho, requeijão com doce de abóbora. Para estas entradas um branco de Estremoz: Quinta do Carmo de 2006.

Depois Robalos em crosta de sal, o que parecia mais inócuo (obviamente que dentro do muito bom que podíamos oferecer) para tanta gente diferente. Resultou e com palmas!

Um Tinto da Quinta da Fata , Dão novo a bom preço e de boa qualidade, acompanhou este peixe.
Sobremesas conventuais variadas e fruta em travessas, cafés e chás...

Preço médio não chegou a 60 euros por cabeça. E comeram mesmo muito bem!

sexta-feira, dezembro 05, 2008

Para Descansar a Vista

No habitual recanto de poesia das Sextas feiras uma pequena jóia de Ângelo de Lima, poeta um pouco esquecido do nosso património cultural, mas que li e reli numa escolha avisada de Eugénio de Andrade para a sua "Antologia Pessoal da Poesia Portuguesa"..

EU ONTEM VI-TE…

Andava a luz
Do teu olhar,
Que me seduz
A divagar
Em torno a mim.
E então pedi-te,
Não que me olhasses,
Mas que afastasses,
Um poucochinho,
Do meu caminho,
Um tal fulgor
De medo, amor,
Que me cegasse,
Me deslumbrasse,
Fulgor assim.

Ângelo de Lima
1872 – 1921

quinta-feira, dezembro 04, 2008

O que é e para que serve um SmartPhone?


O consumismo desvairado e as estratégias de MKT descobriram novas necessidades de comunicação para o cidadão. Ninguém sonha já com um tempo em que o mais simples dos portugueses não estivesse comunicável, sempre, e à simples distância de um bolso de casaco ou de uma mala de senhora levada ao ombro.

E, no entanto, mais de metade dos portugueses nasceu, cresceu e viveu nesse mundo dos telefones de "baquelite", onde a comunicação pessoal necessitava suporte físico imóvel e\ou a figura do carteiro para intermediar o relacionamento.

Neste momento em que, por efeitos da crise, as grandes operadoras de rede móvel assumem que pela primeira vez estão a vender menos telemóveis, embora a cobertura do país com esses objectos seja pouco menos do que estarrecedora, diverti-me a passear os olhos pelos catálogos Premium de Natal das mesmas Operadoras, onde encontrei ( era fatal) a figura relativamente recente do SmartPhone.

Um SmartPhone é assim uma espécie de um cruzamento entre um telemóvel e um Computador Portátil levado ao limite inferior no que diz respeito ao adjectivo "portátil". Podemos discutir se o IPhone representado na imagem é de facto um SmartPhone ou outra coisa qualquer (mais "coisa" talvez...) mas para os efeitos do desenvolvimento do raciocínio não tem relevância.

Têm estes aparelhos SmartPhones grosseiramente a dimensão de um TMóvel, mas executam ligações aos "e-mail account services" do cidadão, permitindo a recepção e envio (em tempo real) de mensagens e ainda o "passseio" pela InterNet. Para além disto estão carregados com o Windows Mobile ou outros sistemas operativos proprietários (como o da BlackBerry) o que permite gerir agendas, executar cálculos em Excel, receber e ler documentos ou apresentações em Power Point, e por aí fora.

Imaginem a reacção de um cidadão dos meados do século XX a quem fosse dito: "Olhe, está aqui um aparelho que lhe vai permitir trabalhar 24h por dia, em casa ou no emprego, nas férias ou em trabalho, durante a noite ou durante o dia. Em Portugal ou no Estrangeiro. E a Empresa ofereçe-lho com o maior gosto!"

Provavelmente esse cidadão não ficaria muito satisfeito com a ideia ... Éramos nessa altura - penso eu - mais ciosos da nossa independência e do nosso "espaço privado", o qual não se confundia com o "espaço público onde ganhávamos a vida."

Mas hoje em dia aqueles profissionais quadros médios ou superiores (poucos) que não recebem estes aparelhos do "dono", correm para os comprar a título individual - a pronto ou a crédito - como se fossem para uma padaria a comprar pão quente à noite para acalmar a ressaca...

Tornaram-se estas maquinetas símbolos de status, tal como os automóveis ou as roupas de marca, e competem com os relógios de qualidade na corrida ao pódium masculino das vaidades da "season".

Sejam os inevitáveis IPhones para a malta das artes e profissões liberais, o BlackBerry para os executivos que não dispensam o "push mail" estejam onde estiverem, os HTC para investigadores e cientistas, ou os Nokia da série 9 para os... "nokios" (são aqueles portugueses que não conseguem fazer uma simples chamada sem ser num Nokia, quanto mais algum trabalho mais pesado...)

E serão mesmo estes aparelhos necessários? Fará parte do novo paradigma da gestão de empresas ou de carreiras andar com um computador no bolso do casaco (se calhar daqui a algum tempo no bolso da camisa, ou mesmo dentro do fato de banho)?

A Pergunta é obviamente sem nexo. Nesta época em que vivemos a "necessidade" inventa-se e complica-se a cada dia que passa. O "supérfluo" passa por imprescindível e a "aparência" conta mais do que a realidade. Pelo menos nestas camadas sociais onde nos movimentamos...

Até quando?

quarta-feira, dezembro 03, 2008

O Movimentismo Inorgânico


Dei pouca atenção ao Congresso do PCP que ocorreu neste fim de semana, pois estive fora e depois , no feriado, decorreram as cerimónias do Dia do Selo.

Todavia houve ainda tempo para ouvir (em gravação de trabalho do meu "senhorio") o discurso final do Secretário Geral Jerónimo de Sousa.

Para além do que me pareceu ser o retorno à velha linha dura e crua do Partido A.C. (antes de Carvalhas), notei também que o discurso do Líder "regrediu" (ou evoluíu, depende dos pontos de vista...) para os famosos estereótipos do tempo da "cassete".

Uma frase sobretudo encheu-me as medidas, Foi quando Jerónimo de Sousa gritava sobre uma coisa chamada "Movimentismo Inorgânico". E nem percebi bem se era a favor ou contra "aquilo"...

O que seria o "Movimentismo Inorgânico"??!!

Depois de algumas horas de pesquisa aqui trago aos meus fiéis leitores - que já nem dormiriam descansados a matutar sobre a tirada magistral - o significado que consegui obter para o arrevezado impropério.

A investigação levou-me às origens: foi no Jornal "Renovação Comunista" e num Artigo de Cipriano Justo que encontrei as pistas para desvendar semelhante "boutade". Aqui vai a frase :

"As organizações partidárias que venham a constituir-se no rescaldo de movimentações inorgânicas dificilmente conseguirão enraízar as suas propostas e desenvolver uma identidade programática se escolherem a vida da federação de causas, porque o que separa a bondade das vontades é a escolha, o seu sentido e a sua abrangência: quais são as classes e os grupos sociais em causa, qual a natureza do modelo económico e o sistema de garantias sociais..."

Por outras palavras, Jerónimo gritava contra os movimentos de cidadãos "de boa vontade, com ideias no lugar certo" mas - pecado capital perante a ortodoxia - fugidos ao enquadramento rígido de um Partido Oficial ... Era um aviso às tentações dos Manuéis Alegres, e quejandos, alguns até dissidentes do próprio PCP...

Ora Amigo Jerónimo, o tempo dos Sovietes já passou. Tenha santa paciência e abra as portas e janelas do seu velho reduto para deixar entrar o ar fresco.

Isto, é claro, se a crise não der a estas ideias retrógradas um apoio de votos como não se via há muitos anos... E, a bem dizer, até eu receio estes efeitos colaterais que - para a esquerda e para a direita - são oportunidades para vingar a mais perfeita e descabida demagogia de Estado.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Um Fim de Semana em boa Companhia


O pretexto para estar com os amigos é sempre aquilo que quisermos. Desta vez foi o "funeral" às últimas garrafas de Barca Velha 1999 que me sobraram .

Rumo à progessiva Vila de Cabeça das Mós, ao local onde o Amigo Álvaro passeia a sua retirada antecipada das lides da grande cidade.

Cabrito assado no forno, Queijo da Serra e fumeiro alentejano de Porco Preto fizeram as honras do almoço.

Para começar as hostes vínicas o novíssimo Espumante Rosé de 2005 da Sogrape (Quinta dos Carvalhais). Tal como o anterior está excelente, de bolha fina e persistente e de grande amplitude olfativa.

Seguiu-se um Branco de qualidade, o Douro Quinta da Casa Amarela de 2007. Pêssegos divinos a encher a boca, num vinho muito equilibrado e com um toque de madeira adequado.

As três senhoras Barca Velha estiveram sublimes. Não sei se foi da companhia, ou se o tempo gélido e quase que permanentemente chuvoso teve também alguma coisa a ver com o assunto, mas o certo é que nunca este magnífico vinho nos soube tão bem. Corpo ainda para durar, frutos vermelhos, framboesas e morangos silvestres, bouquet de aquecer a alma.

Para fazer comparação abriu-se ainda uma relíquia de 1995 da mesma "estrebaria" mas, infelizmente, este Barca Velha irmão mais velho do primeiro, perdeu em tudo para o "caçula".

O tempo não perdoa...

Quando é que devo abrir as (poucas) garrafitas que comprei de 2000? A vontade será não esperar tanto como com as de 1999 e fazer já uma avançada no ano que vem...

Entretanto já encomendei também o Quinta do Crasto Vinhas Velhas de 2005 que foi considerado pela Wine Spectator , o 3º vinho de mesa melhor do mundo em 2008. Vamos lá a ver duas coisas:

a) Quando encomendei ainda não tinha saído o prémio, e se me subirem o preço à conta disso vou berrar como um camelo com sede...

b)Pior ainda do que isso será dizerem-me que já não o arranjam, pois estará a ser armazenado pelos especuladores...

A ver vamos e quando o provar aqui deixarei também o meu testemunho.

segunda-feira, dezembro 01, 2008

Mensagem do Dia do Selo




Esta a mensagem que dediquei ao Dia do Selo 2008:

A utilização dos selos postais nas correspondências, em cumprimento da missão para que foram criados há mais de 150 anos, e que era testemunharem como recibo o valor do transporte postal dos objectos, é cada vez mais rara.

Para esta situação contribui, em muito, a alteração do paradigma da manipulação em grande escala de objectos postais. De facto, e para falar só de Portugal, mais de 6 milhões de correspondências entram diariamente na Rede dos CTT Correios de Portugal, sendo fundamental que o respectivo tratamento, transporte e distribuição ocorram no mais curto espaço de tempo possível de forma a serem cumpridas as normas de qualidade acordadas a nível nacional e internacional.

As máquinas altamente sofisticadas que hoje em dia - nos nossos Centros de Tratamento - lêem automaticamente os códigos postais de destino, a uma velocidade de muitas dezenas de milhares de cartas por hora, foram construídas para ler e imprimir códigos de barras e não para obliterar ou carimbar os selos postais.

Também nas Estações de Correio de todo o mundo são bem mais morosas e ineficazes - em termos de produtividade - as tarefas de vender selos, recortando-os das folhas em que estão impressos, ou de aceitar as cartas com selos colados e que devem ser obrigatoriamente carimbadas, de preferência com carimbos bem visíveis e limpos.

Nestas condições, falando meramente de organização industrial, o selo postal estará a tornar-se um atavismo, uma fonte de problemas para os peritos em Organização e Métodos dos Operadores Postais de todo o mundo…

E, contudo, aqui estamos a celebrar mais um Dia do Selo Postal com o apoio integral dos CTT, Operador Postal incumbente de Portugal…

Não existe contradição, se formos mais fundo na análise da questão.

O “velho” Selo Postal pode ser – e é – um abencerragem, uma glória antiga de uma civilização mais calma que, aparentemente, só atrapalha a produtividade dos tempos modernos, mas ao mesmo tempo não deixa também de ser a característica mais marcante da actividade postal em todo o mundo, das únicas, para não dizer a única, que ainda permite diferenciar verdadeiramente o Correio dos outros operadores postais seus concorrentes.

E, como tal, a sua importância enquanto “contribuinte liquido” para o valor de marca CTT é inestimável. Isso mesmo perceberam todos os Colegas de Correios estrangeiros já a viver em situação de concorrência – Nova Zelândia e Suécia, por exemplo – fazendo da Filatelia e da emissão de selo postal um dos factores mais marcantes da diferença entre eles e os concorrentes: os concorrentes emitem “Rótulos” mas apenas o Correio “verdadeiro” está autorizado a emitir “Selos”.

Desta forma, e de uma maneira muito clara, foi a própria “modernidade”, que teria aparentemente condenado à extinção o selo postal, a mesma que trouxe dentro de si, com a liberalização generalizada da prestação de serviços postais, os argumentos para – ao contrário – fazer do herdeiro do ”Dª Maria” a bandeira do Operador Postal CTT neste início do 21º século. E por muitos anos ainda.

Raul Moreira
Dia do Selo
1 de Dezembro de 2008

Dia da Independência Nacional e do Selo de 2008

O tempo passa rapidamente, parece que foi ontem que aqui escrevi sobre a Independência Nacional, as tendências iberistas de alguns notáveis e sobre o Dia do Selo, celebrado naquele ano de 2007 em Estremoz.

Hoje é aqui em Lisboa que se comemoram, em festividades organizadas pelo Secção Filatélica do Sporting Clube de Portugal na sala VIP do Estádio de Alvalade e integrando a Exposição Filatélica Comemorativa do 5º Aniversário do Estádio de Alvalade XXI, a FILAPEX.

Um Abraço ao João Paulo Jorge pelo trabalho que teve em organizar um programa completo deste evento e logo em Alvalade!

Lá terá este benfiquista confesso de ir à cerimónia no campo do "adversário"...mas é por bem e a bem da Filatelia em Portugal. E honra ao Sporting por ter esta actividade no seu portfolio desportivo!

sexta-feira, novembro 28, 2008

Para Descansar a Vista


Ao sabor do vento aqui vos deixo um curto poema da grande Sophia:


Assim o amor


Espantado meu olhar com teus cabelos
Espantado meu olhar com teus cavalos
E grandes praias fluidas avenidas
Tardes que oscilam demoradas
E um confuso rumor de obscuras vidas
E o tempo sentado no limiar dos campos
Com seu fuso sua faca e seus novelos
Em vão busquei eterna luz precisa
Sophia de Mello Breyner

A doce brisa da nostalgia

Num dia de reencontros tive ocasião de visitar um local onde não ia , seguramente, há muitos, muitos anos: a minha infância.

Nas duas últimas semanas reatei a amizade e a convivência com duas amigas dos meus tempos de rapaz, a quem sempre me ligou muita amizade, mas que se encontravam de mim separadas pelo tempo e pelas circunstâncias, embora não tanto assim pelo espaço.

Foi pretexto a edição por uma delas de um livro:

O Grande Livro dos Chefs
Fatima Moura
Editora Quimera

Nesse livro tecem-se saborosas histórias sobre as vidas e o talento de 14 Chefs de cozinha, dos maiores que trabalham hoje em dia em Portugal. Obviamente que - estando o meu interesse centrado também nestes assuntos da gastronomia e da restauração - mais cedo ou mais tarde havíamos de nos encontrar... Só não sabia , quando a Fátima me telefonou, que era a mesma Fátima com quem eu tinha brincado há uns ...38 anos.

Por acaso a história até foi mais rebuscada, com o Quitério amigo a aconselhar a Fátima para falar com o "Raul lá dos correios, boa praça!" sobre a necessidade do chef do Pestana Valle-Flor encontrar um editor para um original seu.

Ao falar de mim à escritora despertou nela um interesse sobre se seria ou não o mesmo Raul de outros tempos.

Nesse reencontro teve papel preponderante outra grande amiga minha do mesmo tempo, a minha melhor amiga de infância, também ela algo separada do meu circuito de adulto, aqui mais fruto das escolhas que ambos fizémos, tanto do ponto de vista pessoal como profissional.

O tempo que hoje temos não será tanto como aquele que já tivémos - e sobre este assunto já ontem à noite se discorreu bastante - mas a doce brisa da nostalgia tem ainda uma influência preponderante sobre as nossas percepções e, de uma maneira ou de outra, estes reencontros não serão mais do que o abrir do pano para um novo espectáculo... Mesmo que os actores não tenham já nas pernas a vivacidade da juventude...

E, ao meio dos cinquenta, quem poderá dizer que não é bom encher mais uma vez os olhos de estrelas?

quarta-feira, novembro 26, 2008

A Crise está escondida?


Quem frequenta com alguma avidez a FNAC e quejandos, sempre à espreita do último DVD ou do Livro que nos amenize a solidão dos fds , não deixa de reparar e de elogiar a estratégia de MKT que é montada pelo gigante francês, obviamente que por alinhamento com o que se passa nos outros países onde estão. E mesmo que ao lado, na Worten por exemplo, se paguem os mesmos DVD's a um pouco menos, o facto é que não deixamos - pelo menos eu não deixo - de continuar a ser clientes FNAC.

Neste final de Novembro alinhavam-se concertos gratuitos com a Maria João e o Mário Laginha e com o Luis Represas. Nos escaparates das novidades e das recomendações cheira-se já o Natal, desde os jogos de computador, com mais uma versão da Laura Croft "underworld", até aos DVD's e aos Livros. Nos velhos CD's a "biblioteca" clássica aumentou e de que maneira, assim como as prateleiras do Jazz... Obviamente que tudo isto se passa tendo em vista "armadilhar" o cliente que por ali entra e aumentar as vendas. Mas se é bem feito deixo-me sempre ir com gosto nesse "engano ledo e cego". E não sou só eu...Ontem à noite, estive 10 minutos à espera para pagar nas caixas, e estavam 3 abertas...

Vem esta introdução a propósito de uma reflexão de um dos meus amigos ontem ao almoço. Trata-se de um industrial francês mas de origem alemã, que veio instalar-se em Portugal exactamente em 1974 e por cá sempre ficou desde essa altura, gerindo uma empresa que montou de raiz.

Segundo ele "esta crise - por enquanto - é mais inventada do que real, e não se nota assim tanto na contenção do consumo em Portugal". E mais, assevera que possui informações (bancárias, segundo me apercebi) segundo as quais "o comércio em Lisboa terá tido em 2008 um dos melhores anos de sempre em termos de vendas".

Não posssuo dados reais para desmentir ou confirmar o que ouvi... Mas uma coisa me pôs a pensar: é que , na FNAC ou nos outros lados que frequento, não noto de facto menos gente a comprar.

E alguns dos "meus" restaurantes - Solar dos Presuntos, Galito, Tertúlia do Paço, etc... estâo sempre cheios.

E ainda, no ano passado, telefonaram-me da perfumaria onde compro as prendas de Natal quase todas, oferecendo uma promoção de 50% se fizesse lá as compras em determinado dia de Novembro, e neste ano, nada...

Estará a crise por enquanto, e ainda bem, "adiada"? Ou serão estas observações meras conjunturas tiradas de uma amostra enviezada pela classe social?

Como especialista de Pesquisas de Mercado é evidente que não me permito generalizar com base nestas conversas ou experiências , nem, por outro lado, nas queixas dos comerciantes, porque essas são recorrentes todos os anos, haja ou não haja subprime afundado ou bancos a falir...
Mas enquanto não há dados sobre o consumo privado de Novembro e de Dezembro não temos outros meios de saber. E uma coisa é certa: ou a crise ainda não bateu aos bolsos dos portugueses, ou então a malta lusa endoidou...

terça-feira, novembro 25, 2008

Louvor do Fialho


Tendo deixado aparecer primeiro - et pour cause - a crónica do Zé Quitério no Expresso sobre a ida a Évora e o reencontro (mais dele) com o Fialho, já estou hoje mais à vontade para falar da mesma aventura onde tive a sorte de ser um dos convivas...

Já nos apercebemos da crónica de Sábado passado que um dos 4 almoçantes estava com a "víscera estragada". Era o David, queixando-se amargamente dos exageros que experimentou em casa de Dirk Nieepoort, provando numa noite não sei quantos vinhos do grande especialista.

Fui o primeiro a chegar e, convicto do segredo que o Zé quer sempre imprimir a estas suas demandas, apenas disse que esperava alguns amigos, mas que eram gente de respeito... a filha do Gabriel, que estava infelizmente em casa acamado com uma crise de asma , mandava nesse dia nos fogões. Uma menina (hoje com dois filhos) que conheci muito bem em Cascais quando ela estava a tirar o curso na escola de Hotelaria.
Faziam ainda parte da campanha: O Zé, o David Lopes Ramos e o Pedro Rodrigues (proprietário do Vírgula).

Começámos com pouca pujança, mas logo em níveis de excelência, com pastéis de massa tenra, empadas de galinha, croquetes de carne e pata negra de boa e especiosa cura. Avançámos depois para a degustação propriamente dita.

Não sei se sabem, mas neste tipo de refeições para "avaliar" moradas e cozinheiros é costume pedirem-se uma série de pratos que depois são divididos por todos os convivas, cada um deles dando seguidamente a sua opinião.

Nesta ocasião veio Pescada cozida para o coitado do David, cujos olhos até choravam a olhar para o resto... E nós os três avançámos para : sopa de cherne à alentejana (soberba) ; pézinhos de coentrada (bons de morrer) ; perdiz à moda do Convento de Alcantara (excelente, mas bicho meio aviárico); arroz de pombo (sápido qb) e terminámos com o Borrego assado no forno (esplendoroso).

Obviamente que quer o Zé ,quer o David (quer também o vosso amigo blogger, mas num outro registo) são amigos desta casa e "compagnons de route" do Amor e do Gabriel, mas o certo é que nos deu muito gosto ver que a Casa Fialho está ainda ali para as curvas e, mais do que isso, que tem já na Filha do Gabriel mão segura e braço de timoneiro que nos auguram uma calma passagem do testemunho quando e se tal for necessário.

Vinhos? Bem, o dinheiro do "Balsas" só estica até determinado ponto, pelo que houve que fazer alguma contenção e depois uma batotazinha. Assim começámos com um branco sem pretensões, do ano, da Pesseguina e evoluímos para um Tinto Soberana da gama média. Para o final o raulzinho fez-se à estrada e ofereceu à mesa uma garrafa do novíssimo Mouro de rótulo de ouro de 2005 e que nos deixou de boca à banda e a cair para o lado em tudo, desde o preço - 95€ no restaurante, cerca de 50€ na produção - até à extrema qualidade .

Por acaso o Produtor - Miguel Louro - que estava na mesa ao lado - logo se sentou ao pé de nós, discutindo as qualidades deste seu último "menino de ouro" porventura o melhor alentejano que me passou pelo estreito nos últimos anos. Negro, retinto, de força hercúlea, cheio de especiarias e tabaco, ao fundo uma promessa de frutos pretos e de baunilha, promessa essa que nos vai fazer esperar uns 3 ou 4 anos para vermos se se concretiza.

Acabámos em beleza com uns doces conventuais e um malte velho.

Quando saímos de Évora, já pelas 18.00 (!) vínhamos todos com uma beatitude espelhada na chapala que até parecíamos uns frades capuchinhos saídos do refeitório em dia gordo...

segunda-feira, novembro 24, 2008

As Cólicas Presidenciais e o BPN


O Presidente, Professor Doutor Cavaco Silva, não gostou de andar pretensamente nas bocas do mundo pela ligação ou ligações que teria (ou não teria) ao BPN de má memória.

Vai daí publicou no site da PR uma nota onde reafirma que nunca recebeu salários nem qualquer outro tipo de dinheiro do dito Banco, e nos dá conta que a sua única ligação com o BPN era como Cliente, sendo este um dos 4 bancos onde detinha as suas poupanças, "geridas localmente por especialistas dos mesmos bancos". Porquê estes 4 bancos e não outros? Nada temos a ver com isso, como é óbvio... Provavelmente terá sido por conselho de amigos...

É claro que ninguém em seu perfeito juízo suspeitaria que o PR tivesse andado a fazer pela vida em conúbios com o Dr. Oliveira e Costa, seu Secretário de Estado de antanho, nem será de bom tom ou sequer racional insinuar que qualquer 1º Ministro deve ser responsável pelos actos dos seus Ministros "ad aeturnum", desde que saiam dos seus Governos...

O problema não é esse!

O problema é que o Dr. Dias Loureiro enriqueceu à custa do BPN ou da Sociedade Lusa de Negócios, como afirmou diante das câmaras da RTP , andou socializando com o actualmente arguido Presidente do Banco em viagens algo estranhas pelas Caraíbas e Costa Rica, e está nomeado Conselheiro de Estado pelo PR Cavaco!

Não será ainda arguido , nem sequer culpado de nada, mas "à mulher de César não se exige apenas que seja honesta, mas também que o pareça"...

Ora Dias Loureiro não parece honesto. Pode sê-lo mas, peço desculpa, a mim não me parece que o seja.
Atentem na história de enriquecimento pessoal que nos contou na TV... Algo despudorada em momentos de crise onde há muitos portugueses a passar fome e sem emprego, nao acham? Eu achei.
Qual o mortal que , sendo pobre ou remediado enquanto estava no governo, depois de sair dele e no prazo de 2\3 anos, arrecada apenas a trabalhar mais de 1,3 milhões de contos (também confissão do Dr. Loureiro) ? Conhecem muitos? Eu não.
Alguém pode dar a receita deste enriquecimento subito e notório? E, coitado, sendo perfeitamente honesto e não um qualquer "Isaltino", não deixou de transferir para Portugal as suas muitas mais valias em Marrocos, pagando impostos sobre as mesmas. E como as obteve em primeiro lugar? Não temos nada com isso? Pois, mas não fomos nós que começámos essa conversa.

E se - depois desta história de milhões de contos - ainda se prova que mentiu sobre a entrevista que teve com António Marta, no Banco de Portugal? Não deveria ser arguido?

Por esse motivo eu esperava do Sr. PR algum distanciamento em relação ao seu Amigo de sempre. Mas não. Enfureceu-se por julgar que o implicavam numa trama com a qual obviamente nada tem a ver, excepto ... ter um Conselheiro de Estado, esse sim, nela envolvido...

É claro que estas coisas da Justiça têm os seus quês e porquês - veja-se a vergonha da Casa Pia .

Mas ainda sonho com o dia em que neste País se faça justiça sem ter medo de Partidos ou de compadrios...

sexta-feira, novembro 21, 2008

Para Descansar a Vista


Uma visita , que já tardava, a Herberto Hélder, nome maior da poesia portuguesa mais recente, um dos mestres de Eugénio de Andrade e de tantos outros. Nascido em 1930 , na Ilha da Madeira e felizmente ainda vivo, embora protegendo nos últimos anos o seu anonimato a todo o custo, foi este Grande Poeta um marginal na forma de encarar a vida e de com ela se relacionar.
"Tenho de inventar a minha vida verdadeira" disse ao Expresso em 1994, provavelmente a última vez em que concedeu alguma entrevista e anuiu a ser fotografado.


Se houvesse degraus na terra...

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.

Herberto Helder

Correio-Mor

Mais uma vez o nosso Blog vem citado no Público;

Caderno 2 edição de hoje.

quinta-feira, novembro 20, 2008

seis a dois....


Teve Queiroz o seu tempo de tolerância à frente dos destinos da selecção nacional.

Acho que já basta. A partir daqui tem de levar na cabeça como qualquer treinador que - como ele - só tem arrancado resultados duvidosos... Nestes jogos todos ganhou duas vezes: contra a Malta e contra as Ilhas Faroe. Por muito que se respeitem estas equipas convirá assumirmos que é pouco. É muito pouco.

E falhou dois jogos importantíssimos, contra a Dinamarca em casa (perdeu) e contra a Albânia também em casa (empatou miseravelmente).

Levar 6-2 do Brasil até pode não querer dizer grande coisa - todos nos recordamos dos 7-1 do Sporting ao Benfica e mesmo assim o Benfica foi campeão nacional nesse ano - agora levar 6-2 depois dos resultados anteriores e jogando mal, mesmo muito mal, é que me parece concludente.

Carlos Queiroz não terá - em minha opinião - condições para se manter muito mais tempo como Treinador Principal. Não tem o carisma de Scollari, os atletas não estão com ele. É um teórico a quem os grandes clubes nunca entregaram a liderança em campo exactamente porque não lhe viam "pinta" de ganhador.

E as coisas são mesmo assim... Há quem seja muito bom na análise e depois deite tudo a perder no jogo e , ao contrário, há quem não se ocupe de esquemas nem de tácticas cientificamente trabalhadas mas quando chega ao campo, ganha!

O ideal seria ter dois personagens na mesma equipa, o Queiroz a preparar e um outro a liderar...

Mas quem ? perguntarão os leitores... Lá para os lados da Arábia e do Egipto existe o Manuel José... Nunca se lembram dele talvez porque tem a boca grande e é incómodo para o poder instituído - leia-se, para a Federação...
A Selecção está enferma. Urge encontrar uma cura. E rapidamente.

quarta-feira, novembro 19, 2008

A Tia Manuela e a "Alternância Democrática"

Pois pareceria que a Tia Manuela teria comido algo que não concordou com ela (com o seu intestino, para ser mais preciso).

Então aquilo diz-se minha Senhora? Seis meses de Ditadura e depois mais seis meses de Democracia...Eu próprio sou pela saudável alternância Democrática, mas assim também acho exagero!

E tenho uma dúvida... Quem é que "organizaria" os primeiros seis meses? Talvez pelo método da moeda ao ar...

Estou já a ver a coisa. Nos primeiros seis meses organizados, por exemplo, pelo Tio Jerónimo, abafavam-se uns mânfios da direita no Campo Pequeno, fechava-se a TVI e a SIC , deitava-se fogo à Editora do Público, nacionalizava-se a Banca e o Tio Belmiro.

Nos seis meses seguinte nada se fazia (era a democracia, discutiam-se as medidas anteriores).

Nos outros seis meses a seguir era a vez do Paulinho das Feiras controlar o Barco: Privatizava-se o Tio Belmiro, fechavam-se uns gajos da esquerda no Campo Pequeno , anunciava-se uma tournée nacional de conferências pelo Ex Presidente Georges W. Bush (dívidas antigas...), nacionalizava-se o Expresso para que o 1º Ministro o pudesse dirigir (anseios antigos...) e à Banca nada se fazia por que dava jeito a nacionalização.

Nos seis meses a seguir nada acontecia, excepto a discussão sobre as medidas anteriores.

A seguir era a vez do Dr Louçã exercer o músculo... Os portugueses que pudessem piravam-se para Espanha. Os outros que cá ficavam eram arregimentados para a reforma agrária e a das pescas. Todos os Jornais eram fechados. As televisões unificavam-se debaixo da sigla TVPUIS (Televisão do Portugal Único e Indivisível Sempre). O futebol era nacionalizado. Os casamentos de Santo António passavam a ter duas versões , a normal e a Gay. Os banqueiros e industriais eram fechados no Campo Pequeno.

Nos seis meses seguintes, nada...A não ser a queixa e pedido de indemnização compensatória à Provedoria de Justiça , feita pela Sociedade gestora do Campo Pequeno , com base no facto de nenhum touro querer lá entrar agora depois de ano e meio de desbunda e poluição da arena...

Acho que já perceberam como isto funcionaria...

Peninha Comenta o PIB e o RNB

Pois é, só faltou uma coisinha de que já ninguém sabe o valor. Refiro-me aos capitais (remessas dos emigrantes que saiem do país). Outrora, como dizia o "saudoso", "se bem me lembro", era uma fatia substancial que entrava e os poderes públicos contavam com ela; Agora será uma fatia, cujo valor se desconhece e que não fica cá.
Coisas da globalização e das economias ..... não é?
Peninha

Comentário ao comentário: é bem verdade Amigo Peninha... virámos pátria de acolhimento dos imigrados. E se nos queixamos nós, como estarão os locais de onde eles saem?!

terça-feira, novembro 18, 2008

A brincar com coisas sérias

O PIB (Produto interno bruto, a riqueza que criamos aqui em Portugal) até subiu, mas o RNB (o rendimento nacional bruto, isto é a parte do PIB que fica dentro das nossas fronteiras) estagnou.

Esta a conclusão do artigo de fundo de economia do Público, jornal que, por estes dias, melhor encarna a resistência ao Governo socrático.

Não é por isso que o compro, mas sim pela qualidade de alguns colaboradores, com relevo para o André Freire, Pedro Magalhães e por aí.

Ora o RNB parece ser - para alguns economistas - um melhor sintoma da qualidade de vida dos portugueses do que o PIB, já que é através do Rendimento Nacional Bruto que se medirá (em média) o que fica nas carteiras de cada um.

Em 2007 o PIB por habitante foi de 15 358€ e o RNB de 14755€. Em 1995 os mesmos indicadores foram de 8494€ e 8477€. Isto é, em 12 anos, afastaram-se estes dois indicadores um do outro cada vez mais.

É isto sintoma de "empobrecimento" dos autóctones? Em termos comparativos sim.

O que significa a riqueza ir para fora? Normalmente está associada a duas coisas:
a) ao Investimento de grandes companhias portuguesas no estrangeiro, sobretudo nas economias emergentes - como Angola e Brasil .
b) ao facto de muitas companhias a actuar em Portugal já serem, de facto, pertença de grupos estrangeiros ,como a PT por exemplo, o que leva a que os resultados sejam transferidos para os detentores desse capital. No fim de contas, e de uma forma geral, às contra-partidas do Investimento estrangeiro em Portugal

Porque é que vai para fora essa riqueza? No primeiro caso da fuga do Investimento, porque as condições de remuneração dos capitais serão melhores nesses países emergentes do que em Portugal, por isso é que também fecham fábricas estrangeiras no Vale do Sousa para se irem abrir no Cambodja...No caso das participações estrangeiras na economia portuguiesa, porque os detentores do capital têm de ser remunerados estejam onde estiverem. É essa a lei do mercado.

Como se pode alterar esta "sangria"? Pelo Investimento em Portugal. Privado, de nacionais ou de estrangeiros, mas sobretudo pelo Investimento Público.

Oh Amigo Sócrates constrói lá o Aéreo, mais a Ponte nova e o TGV a ver se isto muda!

Mas rapidinho, antes que os berberes avancem por aí acima...

Nota: Na fotografia uma antevisão da Feira da Golegã daqui a uns anos...

segunda-feira, novembro 17, 2008

Jantar de Família

Não era bem família, família, mas era como se fosse. Aproveitando o amável convite da proprietária do Beira Mar para as tradicionais Galinholas ("qué raras son...") e tendo por pano de fundo a publicação do 1º livro do meu "senhorio", fez-se um desafio a alguns Amigos para se deslocarem no Sábado passado a Cascais para um jantar festivo que antecipou um pouco as festas de fim de ano.

Com licença da Dª Lurdes levei os vinhos:


- Branco - Casa de Santa Vitória 2006 (1º prémio do Concurso de Vinhos do Alentejo) poderoso, cheio de textura, sabor a pêssegos maduros, notável!

- Tinto - Quinta de Roriz Douro Reserva de 2004 - Era uma incógnita este tinto, do qual apenas sabia ter vencido a prova cega realizada na garrafeira do CCB entre os Pintas, Poeiras, Vale Meão e outros que tais do mesmo ano.... E a qualidade viu-se mesmo e provou-se. Austero ainda na boca , secando um pouco o palato. Não guloso como tantos dos seus irmãos feitos para agradar de imediato, mas de grande dignidade estrutural. Frutos pretos, poucos, e um pouco de pimenta. Auguro-lhe um grande - enorme futuro...

Para acompanhar estes "molhados" de grande categoria a resposta em "secos" teria de estar de igual para igual:

- Percebes da nossa Costa, incomparáveis de frescura , cozidos no momento.
- Caldeirada de lavagante nacional. Uma pequena puxada em azeite (extra virgem do melhor!) de lavagante fresco partido aos pedaços, com cebolinhas e um toque de pimentos.
- Galinholas estufadas à moda do Beira Mar, com castanhas, chalotas pequenas, batatas assadas e arroz dos seus miúdos.
- Torradas com manteiga composta de Galinhola (o famoso patê feito com os intestinos) e no final as cabeças das "bichas" para chupar a mioleira (só para os entendidos).

Para terminar este Jantar de Sábado um gole de Lagavullin e um puro cubano Epicure nº2.

Aqui vai, para quem se interessar, a indicação do livro do meu senhorio:

"Para uma Melhoria da Representação Política"
André Freire
Manuel Meirinho
Diogo Moreira

É da Sextante Editora e - na minha opinião - constitui uma boa leitura para noites de insónia... (ainda sou despejado lá de casa.)
Espero que ele não publique muito mais, porque se eu tiver de dar um jantar destes sempre que há livro , mais vale começar a aprender a lavar pratos ou candidatar-me a Administrador do BPN... (pôe-te na Fila!)

sexta-feira, novembro 14, 2008

Para Descansar a Vista


Nesta Sexta Feira de sol - e com a água já a escassear no Alentejo - um olhar sobre aquilo que deveria ser o Inverno num poema de amor perdido de Jorge de Sena, olhando das Américas este Portugal que o desdenhou em vivo para o recuperar depois de morto:

Glosa à Chegada do Inverno

Ao frio suave, obscuro e sossegado,
e com que a noite, agora, se anuncia
depois de posto, ao longe, um sol dourado
que a uma rosada fímbria arrasta e esfia...

Da solidão dos homens apartado,
e entregue a tal silêncio, que devia
mais entender as sombras a meu lado
que a terra nua onde se atrasa o dia...

Recordo o amor distante que em mim vive,
sem tempo ou espaço, e apenas amarrado
à liberdade imensa que não tive,

e que não há. Como o recordo agora
que a luz do dia já se não demora,
se apenas de si próprio é recordado?


Jorge de Sena

quinta-feira, novembro 13, 2008

A Recessão Técnica e a Escassez do Petróleo


Veio nos Jornais , no início da semana passada , a notícia :

PIB português deverá diminuir 0,3 por cento no terceiro trimestre deste ano, face ao três meses anteriores, e registar uma nova contracção, de 0,1 por cento, no quarto trimestre de 2008.

A Comissão Europeia prevê que, no final do terceiro trimestre de 2008, o conjunto da Zona Euro com seis países europeus, Alemanha, Irlanda, França, Itália, Estónia e Letónia, tenham entrado em recessão técnica.

No final do quatro trimestre, para além de Portugal, juntam-se a esta lista Espanha, Lituânia, Hungria e Suécia e o conjunto dos 27.

Hoje é notícia e glosa do editorial de José Manuel Fernandes - no Público - que o preço do Petróleo irá de novo subir face às contingências do processo de extracção do mesmo. Segundo parece, sem mais e maior investimento na tecnologia de extracção os poços actuais já deram o que tinham a dar em termos de rentabilidade. E os novos poços (Brasil e a Petrogal) necessitam ainda mais de investimentos até serem rentáveis eles também.

A recessão técnica - quebra sucessiva em dois trimestres adjacentes do valor do PIB - pode vir a ser recuperável desde que o País em causa sacuda a economia com medidas de conjuntura, mas para o fazer rapidamente é muito importante que tenha parceiros comerciais fortes e dispostos a absorver produto.

Ora neste caso da Europa o grande problema resulta do facto das "grandes economias" com destaque para a Alemã, estarem também elas já neste comboio dos malditos... Com quem se vão - então - fazer as trocas comerciais inversoras da recessão?

Quanto à quebra na produção de petróleo - e admitindo que esta é estrutural e tem já a ver com a escassez do bem - estamos no reino do desconhecido, ou como se costuma dizer em economês, entramos na "twilight zone".

Pela primeira vez deparamos com um limite não ultrapassável ao desenvolvimento humano: a falta da energia mais utilizada no mundo e para a qual ainda não existem substitutos credíveis em quantidade e rentabilidade dos respectivos factores de produção - por muito que nos doa a todos nós, já educados no respeito pelas alternativas energéticas limpas.

E a forma de ultrapassar esta questão fundamental não está resolvida.

Infelizmente - e sendo a natureza humana aquilo que é - em vez de esforços titânicos das maiores economias mundiais para atenuarem o gasto energético e procurarem rentabilizar tecologicamente alternativas, antevejo grandes conflitos e guerras pelos campos petrolíferos num futuro não muito distante...

Nunca mais - e nisso estou de acordo com o editorialista do Público - a sociedade das nações será aquilo que já foi em termos de abundância de recursos e de dolce far niente dos priveligiados que tiveram a sorte de ( e a insensatez) de gastar da Terra o que esta tinha, fosse muito ou pouco.

quarta-feira, novembro 12, 2008

Em substituição da Golegã


Costumo todos os anos tirar um ou dois dias de férias por alturas do S. Martinho, para ir à Golegã.

Mas este ano um conjunto de circusntâncias alteraram-me os planos.

Em primeiro lugar a arreliadora gripe que não me larga, e que não aconselharia uma ou duas noites "ao léu" lá pelo Ribatejo.

Depois , o facto de no ano passado ter ficado algo decepcionado com a logística da Festa... Carro muito longe do centro, quase 45 minutos para "furar" entre os milhares de pessoas para chegar à manga, etc...

Finalmente , as vicissitudes da combinação de um almoço com os "maiores" da crónica gastronómica e de enologia em Portugal, sendo muito difícil encontrar tempo útil para reunir estes Amigos no mesmo dia e à mesma hora. E o dia que calhou foi exactamente ontem, 11 de Novembro.

Substituiu-se assim a ida histórica à Golegâ por este almoço de provas de vinhos e de troca de informações com quem sabe (Zé Quitério, David Lopes Ramos e João Paulo Martins).

Em prova estavam:
- Dois Champagnes (Bollinger Milesimé 1997 e Ruinard Grande date 1998) e uma cava (Juve Y Camps Gran Reserva 2004) - vieram todas de minha casa.
- Uma Magnum Barca Velha de 1995 (a última que me sobrou)
- Uma Magnum "mistério" trazida pelo JPM
- Duas Pintas 2005 (também da minha adega)

Escolhido o clássico "Solar dos Presuntos" pela afabilidade da carta e serviço, pelo facto de ser central a todos os convivas e, ainda, por ter espaço reservado (sala exclusiva) para este tipo de confraternização onde se podem fumar uns Havanos.
Comeu-se:
- Santolas ao natural e gambas frescas do Algarve (soberbas)
- Cracas dos Açores (quem se lembra de as comer em Lisboa!!??). Vejam a foto mais em cima para quem não sabe do que estou a falar.
- Pargo assado no forno (para alguns)
- Arroz de cabidela para outros.
- Queijo da Serra para acompanhar o resto dos vinhos
- Lagavullin e havanos "Epicure" nº 2.

Os vinhos estavam todos muito bem, com excepção do Champagne Bollinger (Hélas!!) que estava já demasiado oxidado para beber. Fez jus à antiga lei dos espumosos: "ao fim de 4 anos só se guardam à responsabilidade do dono".

O Senhor Barca Velha apresentou-se excelente, com os seus 13 anos de vida. Obviamente que não falamos de vinhos à Parker, cheios de vida, espremidos no máximo e alcoólicos que baste, mas numa referência toda ela feita de elegância.

O Vinho Mistério não era mais do que uma Magnum de Vale do Ancho de 2006. Gordo, cheio de frutos pretos e chocolate. Adivinha-se um grande alentejano! E eu dei com a região na prova cega!....

Jornada de amizade e confraternização que ocupou bem um destes dias de férias!

segunda-feira, novembro 10, 2008

Mais Comentários ao Selo Personalizado

Parabéns pela reflexão mon ami. Leitura perfeita! A fórmula de franquia "Selo Personalizado" embora não possua o SELO de qualidade emitido pela UPU, vingará e o modelo/versão actual sofrerá muitas mutações. Há que ser realista: este segmento de mercado é rentável, muito rentável; o processo já não terá marcha-atrás. Claro que os "timoneiros" que ocupam importantes cargos nos organismos nacionais e internacionais apoiarão esta política dos Correios: à maioria, só interessa organizar grandes exposições e promover as suas colecções clássicas e temáticas – uns verdadeiros amantes da medalhística.

Coleccionarão eles estes produtos? Sem as verbas dos Correios – leia-se filatelistas e, agora, também, doutro tipo de clientela – a coisa seria bem complicada…Uns pensa(va)m que a divulgação e promoção da filatelia passaria pelos Clubes, exposições e política filatélica. Outros há, que julgam que o futuro passará pela ordem inversa. O futuro dar-nos-á a resposta.

Cumprimentos,
Fernando Bernardo

Caro Correio-Mor:


Julgo que a sua opinião é sempre de ter em conta, e sobretudo Esta, considero-a bastante equilibrada e concordante em muitos aspectos com a minha, muito embora defendamos interesses tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes. Sem nenhum "tique", poderia subscrever o que opina.

PS- Esta última parte vai-me trazer... alguns "amargos".
Paciência.
Saudações,
Peninha

Comentário aos Comentários:
Uma única coisa ficou por dizer. A velocidade de transição do actual coleccionismo filatélico para o coleccionismo do Sec XXI (leia-se, com a "personalização") não será a mesma em todos os Países europeus , nem terá o mesmo sucesso em todos os lados. Esta é a variável ainda não quantificada que poderá "baralhar" as nossas opiniões e dar ainda espaço - por muitos anos - ao coleccionismo como o conhecemos.

E não nos esqueçamos das consequências da Crise económica! Numa actividade como esta, que não faz falta para alimentar o corpo nem para curar as doenças ou pôr um telhado por cima das cabeças, é mais provável que a crise afecte a compra "por impulso" - já de si considerada como "de luxo" - do que afecte as compras daqueles Filatelistas que , com fidelidade e há muitos anos vêm alimentando o espírito com os selos que adquirem...

Mas o Futuro o dirá melhor do que qualquer de nós...

sábado, novembro 08, 2008

A minha opinião - Selo personalizado

Embora a minha opinião de pouco valha, o certo é que , perante as novidades que vi e ouvi em Berna e com a maioria dos Países desenvolvidos da Europa a investirem nesta alternativa ao selo postal tradicional, achei bem fazer uma reflexão mais funda sobre esta temática tendo em atenção aquilo que eu penso poder vir a ser o futuro:

a) Em primeiro lugar convém dizer que o "selo personalizado" ainda é um fenómeno típico dos países desenvolvidos ocidentais. E muito "europeu" (enfim, também dos USA). Japão e China, por exemplo, não têm e não apoiam este tipo de alternativas por enquanto. Em África não existe. Na América Latina começa agora a levantar curiosidade...

b) Em segundo lugar é evidente que é atraente do ponto de vista do MKT postal. Trata-se de um desenvolvimento de um produto antigo - a Filatelia - que estava contido numa série de regras e constrangimentos face à dimensão dos Planos anuais e face aos Temas escolhidos para os selos.

Neste momento e partindo do princípio que só colecciona este tipo de selo quem o desejar efectivamente, a única restrição para o desenvolvimento desta actividade será (serão) as do próprio mercado: os Operadores Designados terão a tendência de apresentar este selo como se se tratatsse de um produto como os outros, com campanhas de publicidade e de promoção que se justifiquem face ao potencial de vendas.

c) Em terceiro lugar ainda não está explicado qual o efeito de substituição\canibalização que este tipo de nova "oferta" terá face ao selo tradicional. Os Filatelistas vão migrar de um para o outro? Continuarão a comprar os dois? Não sabemos.

Parece - pelo menos assim o dizem os colegas mais avançados nestes aspectos - que o selo personalizado explora segmentos de mercado até aqui não vocacionados para o coleccionismo filatélico, mas todos sabemos - e aqui em Portugal também - que nos últimos tempos são exactamente esses segmentos de mercado de "não coleccionadores" que mais compram filatelia nas estações, por impulso...

d) Por fim, o êxito comercial que pode vir a ter - traduzido em subidas do volume de vendas do negócio Filatelia em todos os Operadores Designados - terá como consequências que os "poderes que mandam" não se possam alhear desta alternativa... E quanto mais dinheiro a Filatelia dos Operadores Postais angariar como negócio mais também (pelo menos em teoria) poderá investir na actividade... Daí que organismos como a FIP e a IFSDA , por exemplo, não deixam de apoiar estas iniciativas esperando colher , ao final do dia, a sua quota-parte de benefícios.

Gente tão insuspeita como o Sr. Paul Sussman ,Presidente da Associação Comércio Filatélico de França e Co-Presidente da IFSDA disse , à minha frente, em Berna: "Avancem , vendam e façam dinheiro, mas não se esqueçam de o reinvestir nas Exposições e no apoio global à Filatelia no Mundo."

E por agora fico por aqui, ressalvando mais uma vez que referi atrás apenas a minha opinião pessoal e os sentimentos com que fiquei depois da reunião em causa.

sexta-feira, novembro 07, 2008

Comentário Selo personalizado

O Sr Silvério comenta:

Bom dia
Muito interessante o tema .Já agora não foi discutido no forum a forma como o selo personalizado é concretizado em cada país. Integral, chamo-lhe eu, como o nosso ( Espanha, Austria, Finlândia,...) ou sob a forma de vinheta com os Australianos um pouco à semelhança dos nossos Corporativos? É que pelas regras da FIP a vinheta é irrelevante.

CSilvério

De facto esse aspecto pareceu irrelevante também no âmbito da discussão, já que muitos países têm ambos os aspectos (com vinheta ao lado ou personalização dentro da moldura) ao gosto do Cliente! Enquanto que outros decidem apenas por uma ou por outra forma.

Em França começaram com vinheta e evoluiram para uma forma integral, por exemplo. Em Portugal, Finlândia e Áustria só existe a forma integral , e por aí fora.

Forum sobre o Selo Personalizado

Agradecendo a todos os que desejaram as minhas melhoras (Amigo Peninha , obrigado!) aqui venho então dar testemunho do que se passou em Berna.

Vou distinguir neste texto o Resumo das apresentações (que foram 7!!) e farei depois noutro Post o meu comentário.

De uma forma geral o selo personalizado é comercializado pela maioria dos Operadores Postais Designados (esta a nova forma de dizer "correios tradicionais" na UPU) dos Países desenvolvidos. Contaram-se mais de 30 respostas afirmativas ao inquérito que a UPU realizou sobre o tema.

O nível de desenvolvimento deste produto varia muito em cada país, desde aqueles que apenas utilizam o selo personalizado para o segmento individual da população - celebrando amores, nascimentos, animais de estimação, etc... - até àqueles países que distinguem já dentro do selo personalizado vertentes diferentes como a do personalizado individual (aquele que primeiro se referiu) a do personalizado temático (que não é mais do que uma extensão do Plano anual de Emissões desse País) e do personalizado empresarial ( glosado em distintas opções como a do personalizado vocacionado para Recolha de Fundos para ONG's, vocacionado para acções de Publicidade, de Promoção e Relações Públicas de Empresas privadas, etc...).

A maioria dos Operadores Postais Designados apenas comercializa, por enquanto, o selo personalizado individual.

Outros, como a Espanha, a Croácia, Portugal, etc.. já têm as suas variantes de personalizado temático ou empresarial, para além dos individuais.

Na TNT (operador privado designado nos Países Baixos) e nos Correios austríacos está este Produto muito mais desenvolvido, tanto em variantes como na qualidade da respectiva apresentação.

Do ponto de vista da técnica de produção normalmente os operadores Postais designados começam pela impressão a laser e depois migram - consoante o êxito obtido - para a produção em off-set ou até em roto-gravura, o que permite uma qualidade gráfica indistinguível da dos selos do programa filatélico "oficial".

Qualquer Operador Designado enquadra legalmente este tipo de franquia. Existem em todos os países leis próprias que codificam o código de ética , a capacidade do produto para franquear objectos postais, a forma de apresentação , os Grafismos obrigatórios, etc...

Quanto ao sucesso de vendas deste produto: Desde a TNT que clama vender mais de 2 milhões de Euros com os seus programas de personalizado temático, passando pela Finlândia, país pioneiro que vende por ano 40 milhões de personalizados individuais, até ao Royal Mail que admitiu algum desconforto com o relativo insucesso do lançamento dos seus personalizados (a que chamam "smilers" no Reino Unido)...

Oferta Pública do Selo personalizado: os selos personalizados individuais são exclusivos do cliente que os comprou, assim como os selos personalizados empresariais. Apenas depois de circulados entram no dominío publico. Os selos personalizados temáticos são propostos aos Clientes e ao Público em geral como se fossem selos dos planos anuais "oficiais".

De notar que aquilo que chamamos em Portugal "corporate " é uma derivação de um selo do plano já existente, e não tem nada a ver com o que se designa internacionalmente por "personalizado empresarial". Este último não está ligado ao plano anual de emissões e é exclusivo do Cliente que o encomendou.

Reacção dos Filatelistas e das suas Associações (clubes, etc..): de boa a muito boa - de novo a experiência de Operadores Designados como a Espanha, Finlândia, Áustria e TNT na Holanda, países onde as associações Filatélicas são clientes do produto, emitindo um selo por ano com o seu emblema, até (de novo) ao Reino Unido onde a recepção dos filatelistas não foi boa...

Ideias a reter da reunião: o Selo Personalizado veio para ficar. Será uma alternativa para vender mais produto e temas mais apelativos para o público face aos Planos anuais filatélicos demasiado protegidos pela regulamentação e - de per si - também já muito cheios de selos e de emissões.

Será coleccionável (ou não) dependendo da vontade dos Filatelistas.

Aparecerá inevitavelmente em colecções a competir em circuitos FIP. Os jurados FIP têm já instruções - pelo que me foi dito particularmente - para os considerar e avaliar "como qualquer outro tipo de selo"...

E mais,o selo personalizado temático é normalmente apresentado aos detentores de Planos filatélicos (contas-correntes) junto dos Operadores Designados, como complemento do Plano Anual de Filatelia. E desses "coleccionadores com plano" há quem os compre e há quem não lhes ligue nenhuma... mas não nos disseram qual a taxa (ou taxas) de adesão em cada País onde isto já acontece-

quinta-feira, novembro 06, 2008

Obama for ever!


Apenas um apontamento - nos intervalos da ressaca de gripe que trouxe de Berna - para louvar a escolha dos norte-americanos e esperar, penso que como todos os habitantes deste planeta com boa vontade, que prevaleçam nesta nova administração os valores de Humanismo, Liberdade e Responsabilidade (sobretudo ecológica) que me pareceram algo distantes dos propósitos da política de Georg Bush.

Foi, em minha opinião, um presente de Natal adiantado que todos recebemos...

Só espero que as infinitas esperanças depositadas neste ícone anteontem eleito não sejam demasiado pesadas para a sua verdadeira humanidade... Barak Obama é apenas um homem, e como tal sujeito a errar...

Para já há que celebrar a Vitória e as suas consequências enormes de todos os pontos de vista...


E talvez lembrar que eu próprio, há um ano atrás, tinha já antecipado neste Blog este acontecimento...