terça-feira, novembro 27, 2007

As Dúvidas da "Meia-Idade"


Não sou medievalista e por isso podem ficar descansados porque não vou escrever sobre esse período relativamente obscuro da evolução europeia - obscuro para alguns, luminoso para outros, dependerá das perspectivas...

Também - e embora seja adepto assumido de J.R.R. Tolkien - não penso divagar sobre a "Midlle Earth" onde o Senhor dos Anéis fazia a vida negra aos heróis do nosso encanto.

Não senhor, "Meia-Idade", neste contexto, significa mesmo a meia idade do cronista, aquela transição que se quer infindável dos 50 anos para os 70 anos, o período de tempo em que se fazem - por norma - balanços de vida e se deitam as contas ao que nos faltará ainda fazer e ao que foi já feito.

Nesta altura da vida há Homens que reagem de forma distinta.

Para os americanos (ou europeus) bem de vida e metidos no (ou que gravitam ao redor do) Show Business e das artes em geral estará na altura de comprar um Porsche. De preferência descapotável.

Porquê? Penso que é um dos mistérios insondáveis da ficção ocidental, milhares de vezes repetido em filmes, séries de televisão e na literatura.

Admito que o Porsche tenha um apelo juvenil e viril, muito James Dean (que como sabem se matou ao volante de um) .

Admito até que essa aquisição possa também ter a ver com vontade de fazer a "grande jornada" ao modo de Jacques Kerouac (lembram-se do livro "On the Road", da Beat Generation, da contra-cultura norte-americana dos anos 60?). Embora nesse caso, e dada a relativa limitação da autonomia do Porsche, melhor seria comprar-se um Volkswagen Passat a Diesel que garantiria pelo menos 1000Km sem abastecer (obviamente que com muito menos glamour...)

Outros Homens menos afortunados financeiramente ( e não sei se levados a esse extremo pelo mesmo tipo de motivação) em vez do Porsche comprarão uma Bicicleta de Montanha.

Outros ainda inscrevem-se num Ginásio - de notar que há dúvidas sobre se será para melhorar o "tónus muscular", se para espreitar o corpo das companheiras de infortúnio modelado pela Lycra dos maillots de treino.

Muitos divorciam-se, ou então optam pela saída mais cobarde: arranjam um caso com alguma colega de escritório ou com a "vizinha" da máquina de musculação.

Ouvi dizer que existem até alguns - provavelmente poucos, mas não há estatísticas fiáveis como podem imaginar - que aproveitam esta época outonal da sua existência para "mudar de clube" , "sair do armário" , o que quer dizer na prática " modificar a respectiva inclinação sexual".

Outros ainda desatam a comprar lingerie ousada para as mulheres legítimas, marcam fins de semana românticos a dois, insinuam comportamentos na intimidade que não passavam pelo "estreito" da "cara metade" há mais de 30 anos e que a fazem até marcar de imediato uma consulta no psiquiatra para ele, suspeitando - e com alguma razão- que o querido sofrerá de senilidade precoce.

Os que têm famílias estruturadas, com mulher e filhos e alguns até já com netos a caminho, parece que - contra o que seria de esperar - serão os mais afectados por estas alterações "espirituais" que precedem a andropausa mas que com ela muitas vezes se interligam.

Poderá estar em causa o "último assomo do leão ferido de morte" ou a "Carga da Brigada Ligeira", o que lhe quiserem chamar para indicar este último levantar (salvo seja) do ego masculino, da virilidade e da "Ombridad" antes da morte do libido e da atenuação da tendência predatória pelo sexo oposto (seja ele qual for).

Não sou psicólogo nem sexologista (God forbid!) mas de todas as formas e depois de estudadas estas tendências entre amigos e conhecidos chego à conclusão que estas atitudes à primeira vista " anormais", serão no fim de contas bem normais e até saudáveis, apenas um prólogo para o inevitável "prestar de contas" de nós para nós mesmos que é comum na velhice que se respeita a si própria e que é respeitada.

Deixemos brilhar no céu pelas últimas vezes o fogo de artifício da juventude gloriosa e preparemos o terreno para o jogo das memórias dos anos mais maduros.

Como dizia o meu Amigo Rodrigo: "o ideal seria trocar a mulher de sessenta por três de vinte, mas depois tínhamos de comprar um manual de instruções para reaprender o que fazer com elas..."

E, acrescento eu, "vários baraços de corda para as prender e um aumento do pé-direito da casa onde habitássemos , por motivos óbvios..."

Jean-Anthelme Brillat Savarin, clérigo e gastrónomo (Rei de todos os gastrónomos) postulava que era nos "anos de ouro " da sua existência que o erudito dado aos prazeres da mesa tinha as suas horas de glória: pela experiência acumulada que lhe permitia escolher mais sensatamente, pela bolsa mais recheada que lhe permitia gastar mais com produtos de primeira qualidade e pela educação do gosto, que lhe permitia comer e beber apenas o que verdadeiramente lhe agradava.

Ora estes conselhos, se pensarmos bem, não só se aplicam à gastronomia como a quase todos os aspectos da nossa vida.
Aos 50, ou aos 60, a vida começa a ser demasiado curta para se beber mau vinho, para aturar pessoas de quem não gostamos, para ver e ouvir o que não queremos Amigos!

Provavelmente é a altura das nossas vidas em que seremos mais Livres. Já pensaram nisto assim?

segunda-feira, novembro 26, 2007

Para Descansar a Vista



As palavras

São como um cristal,
as palavras.

Algumas, um punhal,
um incêndio.

Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.

Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.

E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

Lá se foi a Fusão BCP-BCI



Ontem à noite começou-se a saber que os Bancos em causa não chegaram a acordo. O motivo oficioso mais provável deve ter sido a discordância face ao valor de troca das acções de cada um deles.

Sabe-se já que accionistas de prestígio do BCP iriam votar contra a Fusão nas condições propostas (Berardo, pois claro, mas também a La Caja, etc..).
Não sei se o facto do CEO passar a ser alternante entre BCP e BCI, ao invés de ser dado para sempre ao BCI enquanto que a Presidência do Banco iria para o BCP, teve alguma influência também no desenrolar do projecto, mas eu - pessoalmente - acho que sim.

Fernando Ulrich não estaria muito entusiamado em partilhar estratégias com Filipe Pinhal... E quanto à Presidência do Banco, isso é um pouco como as funções da Rainha de Inglaterra... Preside a algumas cerimónias formais e representa a Instituição . Mas gerir, nada.

E para o comum dos mortais, foi bom ou foi mau?

Mais concorrência e menos concentração são sempre e de uma forma geral melhores para o Cliente individual.
Perdeu o País a ocasião de possuir uma Instituição bancária capaz de ombrear com as maiores da Europa?

Olhem que não...Mesmo os dois reunidos seriam ainda um bamco Médio na Península Ibérica e pequeno na Europa... Essa é a nossa escala e a escala do nosso País e não convém que nos esqueçamos disso.

sábado, novembro 24, 2007

Mais Respostas a outros comentário sobre Política Filatélica

Peço desculpa ao nosso Leitor Fernando Bernardo (da Suiça) por não transcrever aqui todo o seu extenso comentário, mas como sabem está o mesmo disponível à distância de dois cliques.

Dos 3 anteriores responsáveis pela Filatelia Portuguesa de que me lembro (porque os conheci pessoalmente) nenhum é filatelista (ou foi, porque o Engº Vaquinhas Cabral infelizmente já faleceu).

O 1º Presidente da WADP ou AMDF (em inglês ou em francês) Frank Daniels, grande Director de Filatelia da Bélgica e que foi um pouco meu mestre nestas lides - embora, na sua modéstia ímpar de grande senhor da Filatelia Mundial , fosse a mim que ele chamava isso - também não era (pelo menos até se reformar) filatelista.

Penso que, se pensarmos todos um bocadinho compreenderemos a razão. É que essas pessoas (incluindo eu próprio) estão tão perto da "produção", tão perto dos Artistas e das provas, dos enganos e dos ensaios, etc... que a sua integridade deve estar acima de qualquer suspeita.

E, como sabemos, à "Mulher de César não se exige apenas que seja honesta, mas também que o pareça".

Por isso não sou filatelista e nem um simples ajuntador de selos me considero. Aquilo que tenho em casa é uma colecção de todos os Livros de Filatelia que lançámos desde 1983. E a razão é simples, porque foram projectados por mim , desenhados pelo Luiz Duran e aprovados pelo Leiria Viegas. Foi o meu 1º trabalho, ainda "puto", para os Correios de Portugal. E dele me orgulho como de nenhum outro.

Sobre as Emissões em demasia já falei: cada vez maior notoriedade institucional da Filatelia. É o Governo, é o Sr. Presidente da República, é a Assembleia da República (como agora para o caso da Cortiça com lançamento em 28 de Novembro, ideia do presidente Jaime Gama), etc, etc, todas essas individualidades a solicitarem selos para comemorar alguma coisa.

E, pedindo desculpa se estou a magoar alguém, acho que este interesse é muito benéfico, pois faz a Filatelia sair do âmbito dos especialistas e passar para o grande público. Eu (nós) nunca vendemos tantos selos ao balcão das Estações de Correio. Mesmo que não circulem todos (embora muitos deles o façam) é bom ter a nossa "gente" do nosso lado e a saber o que são selos e como são...

Porque deixámos de lançar selos em Talhe Doce? Porque a INCM deixou de ter essa tecnologia, e ainda porque o tempo necessário para fazer uma gravura fora de Portugal era de aproximadamente 6 meses. A fazermos quase duas emissões por mês não era possível darmos conta do recado...Mas tenho boas notícias. A tecnologia de gravação manual evoluiu e hoje já é possível fazer "Talhe Doce" mais rapidamente. Como a CARTOR (gráfica alternativa à INCM com que trabalhamos) domina essa tecnologia nova pode ser que apareça uma ou outra série executada dessa forma ...

Acabar a carreira de filatelista em Dezembro de 2010... Bom o ideal seria não acabar e continuar connosco, mas já que tem mesmo de acabar este relacionamento de tantos ( e bons, permito-me acrescentar) anos , então acho que escolheu bem.

E , se tiver alguma paciência, ainda lançaremos uma ou outra série em "TALHE DOCE" antes de 2010 - ou mesmo lá perto. Para matar saudades das obras de arte dos anos passados.

2010 será, sem dúvida, um marco para a Filatelia Portuguesa. Altura em que , se calhar (atenção que se me citarem eu não escrevi nada...) podemos eleger pela primeira vez um português para Presidente da Federação Internacional de Filatelia.

Com os CTT (eu, ou quem na altura lá estiver) na WADP e outro "portuga" na FIP quem nos parará?

sexta-feira, novembro 23, 2007

Resposta - Plano de 2008


Muito Obrigado ao nosso Cliente Miguel pelo comentário.

Eu, de facto, não sou filatelista. Mas penso que compreendo a grande maioria das considerações feitas pelo Miguel.

a) Uma Emissão Base deve ter, em média, 5 anos de circulação.

A actual veio substituir a das "Máscaras" (tendo esta durado apenas 2 anos). Tivemos algumas reacções negativas por parte de Clientes que se sentiram melindrados pela simbologia "profana" associada às "Máscaras" e ao seu significado antropológico. Todavia não deixámos de concluir o projecto de edição das mais representativas "Máscaras" portuguesas.

Penso que os Transportes Urbanos será um tema bastante conseguido do ponto de vista estético e nunca antes abordado nesta vertente das cidades, embora "Transportes"- de uma forma geral - tenha sido um tema já utilizado anteriormente, mas ao fim de 150 anos de selos qual é que ainda não o foi??

b) Sobre as Emissões que evocam grandes acontecimento internacionais em 2008 recordo apenas que o Estatuto do Selo Postal português (Decreto-lei nº 360\85 ) taxativamente aconselha a que a filatelia não deixe de os celebrar, como forma de divulgação destas iniciativas a toda a nossa população.

Uma solicitação que a empresa desde logo acarinhou pois o selo é visto pelos Correios, precisamente, como uma expressão gráfica dos nossos bens patrimoniais e um mensageiro privilegiado dos temas nacionais ou internacionais que nele são focados.

Além disso, a política filatélica dos CTT tem-se pautado por uma estreita consonância com todos os interesses nacionais. É do interesse nacional alertar todas as pessoas para a importância das calotes polares na nossa vida, bem assim como para os problemas ambientais que ameaçam a nossa "casa global" que é o Planeta Terra, etc, etc...

E esta política de edições tem sido concretizada através da evocação de factos e feitos relevantes do passado e do presente, da divulgação de campanhas de teor social ou de alerta para a necessidade da preservação da natureza. São preocupações que hoje já ultrapassam os limites do nosso rectângulo, tornando-se perfeitamente globais

Como dizia o outro, o mundo hoje em dia não é mais do que o nosso quintal...

Circuito da Boavista porquê? Bem, foi a 1ª Prova realizada em Portugal que contou para o Campeonato do Mundo de Velocidade (na altura ainda não havia Fórmula 1) , mas fora disso também nos dá a oportunidade da fazer selos (espero que magníficos) com automóveis de corrida da época... quem não gostaria de os ter? Até eu que não sou filatelista...

c) O valor facial dos selos tem de estar de acordo com as tarifas postais. Também temos de fazer selos de composição, como sugere o nosso Leitor e vamos fazê-lo este ano que se avizinha.

Selos de 1€, ou de 2€ correspondem a programas de produção normalmente muito caros e são utilizados na postagem para Registos Internacionais ou para envios internacionais simples de cartas em escalões acima das 20g.

Selos, como o da Cortiça, onde cada folha custou 50 vezes mais caro do que uma folha de selos normal, não podem ter um facial baixo. Blocos com tiragens limitadas a 60,000 são caríssimos de produzir também e o respectivo facial deve ser adequado a esse custo industrial e (lá está) a algumas necessidades postais.

d) Concordo que o Valor Facial Total do Plano em cima dos 100€ por ano pode parecer excessivo, mas recordo também que é inferior a "meia bica" por dia. Será tudo uma questão de perspectiva. Tanto fará falta para a nossa vida do dia-a-dia pôr de parte 30 ct. por dia para investir num selo como em "meia bica"...

Os CTT preparam-se para serem anfitriões e únicos financiadores de uma das maiores (talvez da maior) exposição filatélica Mundial de 2010, sob o signo das Comemorações do centenário da República Portuguesa.
Estes Planos um pouco superiores aos 100€ são uma das formas de fazermos face aos custos tremendos dessa organização, mas não consigo deixar de pensar que o futuro da filatelia passará por estas iniciativas e que, portanto, este esforço que é pedido a todos os filatelistas valerá bem a pena.

e) E porquê tantas Emissões por ano? Nos anos 80 e 90 estávamos limitados a 16 ou 18 emissões por ano, e agora já andamos mais perto das 25!!

Muito certo e, por um lado, tomara eu que assim não fosse, pois teria muito menos trabalho e muitas menos preocupações... E ganharia o mesmo!


Mas, por outro lado, esta "aceleração" não é mais do que a constatação de que a Filatelia Portuguesa deixou o armário onde estava alojada há dezenas de anos e tornou-se " cidadã deste mundo".


Foi descoberta (finalmente) pela "Sociedade Civil" - seja ela o Governo ou as Empresas ou as Instituições de Carácter não Lucrativo - que a acarinham e utilizam cada vez mais na divulgação dos seus programas e actividades. E pressionam os cTT em conformidade...

Se pensarmos um bocadinho até que não é mau estarmos assim no meio das atenções...

Claro que tem também os seus pontos negativos, mas não há "almoços de graça" não é?





Comentário ao Plano de Emissões 2008

O nosso leitor Miguel, a quem peço desculpa pelo atraso na publicação deste seu comentário, o que se deveu muito simplesmente ao facto de só hoje ter reparado nele, comenta o Plano 2008:

Um pouco tarde mas gostaria de deixar a minha opinião. Concordo com todos aqueles que dizem que os CTT produzem emissões a mais.

Gosto da maioria plano para 2008, bastante melhor que o deste ano, mas não há de haver maneira de alguém me conseguir justificar temas como "ANO EUROPEU DO DIÁLOGO INTERCULTURAL", "50 ANOS DO CIRCUITO DA BOAVISTA","ANO INTERNACIONAL DO PLANETA TERRA" ou "ANO POLAR INTERNACIONAL".

Mais ainda, duvido que alguém que não um filatelista tradicional (i.e. aquele que compra um selo de cada) esteja particularmente interessado nas duas primeiras emissões. Eu compreendo que a filatelia é um negócio mas este excesso de emissões começa a tornar o custo proibitivo.

Pessoalmente, penso que excepto em casos especiais, não devia haver mais que uma emissão nova por mês, i.e. cerca de metade das actuais emissões. E porquê tantas repetições temáticas: quantas orquídeas ou faróis existem em território nacional? Porque não fazer uma homenagem à calçada portuguesa ou às personagens mais famosas da literatura portuguesa (eu, em particular, gostaria de ver uma dedicada às personagens queirosianas)? São temas válidos, e que ainda não foram utilizados.

Não sei se o director de filatelia é um filatelista, mas eu sou. E presumo que como muitos, os meus primeiros contactos com selos foram as emissões bases que circulavam quando começaram a coleccionar. No meu caso foram os “Instrumentos de trabalho” e as casas. Mas duvido que alguém se sinta atraído pela série corrente actual (também ela uma repetição de temas emitidos em meados da década de 90).

É visualmente e tematicamente desinteressante – a menos que a politica seja substituí-la já em 2009. Estas séries deviam circular durante muitos anos (dez? doze?) e tornarem-se parte do imaginário colectivo, à semelhança do cavaleiro D. Dinis ou dos Machin no Reino Unido.

Uma série base dedicada a escritores portugueses, fazendo um paralelo à dos navegadores? E por que não criar selos com valores de correcção? Um selo de €0,15 dava algum jeito, e não só para cobrir a diferença entre um selo de correio norma e correio azul.

Porquê emitir todos os anos os mesmos valores, quando se pode fazer novas impressões dos desenhos antigos? Há assim tanta necessidade de selos de €1 ou €2 ou é só para saquear a bolsa dos filatelistas?

Miguel Santos
27 October, 2007


Interessantes e muito pertinentes questões a que vou tentar responder no Post seguinte.

O outro "Palhaço de Deus"

Morreu Maurice Béjart.


Para alguns ficará apenas a estranha história da sua visita a Portugal (penso que foi em 1968) e poucos dias depois do asssassinato de Robert Kennedy .


Antes e nos intervalos do espectáculo que deu aqui em Lisboa, na Fundação Gulbenkian, Maurice proclamava mensagens de revolta contra a intolerância e qualquer tipo de ditadura. E foi aplaudido 20 minutos seguidos!

Por ter tido essa coragem Salazar expulsou-o do País. Dizem os entendidos que foi esse o principal motivo pelo qual o Presidente da Gulbenkian Azeredo Perdigão cortou relações com Oliveira Salazar.

Depois do 25 de Abril , Béjart foi de imediato convidado a fazer o mesmo espectáculo e, é claro, veio e encantou e eu estava lá para ver, já no Coliseu, o seu "Romeu e Julieta".

Mas Béjart não foi apenas um grande coreógrafo. Foi sobretudo um revolucionário da dança e um visionário do espectáculo.

As suas ideias nem sempre resultaram do ponto de vista artístico. Por exemplo, é conhecida a forma como dirigia e escolhia os bailarinos, abdicando muitas vezes das grandes figuras mundiais para escolher valores ainda não testados junto das grandes audiências.

Alguns diziam que seria por apostar na juventude e na renovação. Outros diziam que era porque no "seu" espectáculo estrela só devia haver uma : ele e mais ninguém.

Embora muitos doutos críticos e personalidades "bem falantes" tenham nele visto (até na aparência física) ares de Mefistófeles , o que Béjard secretamente adoraria, penso que é o título do Ballet que escreveu em 1971 em louvor de Nijinsky - "The Clown of God" - que lhe deve ser atribuído nesta saída de cena aos 80 anos.

Que descanse em Paz.

Em louvor da tropicalidade


Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure. (Até um dia meu anjo)

Vinicius de Moraes

quinta-feira, novembro 22, 2007

Comentário ao nosso Apuramento

Um dos nossos Leitores Comenta:

Por muito que nos custe, temos que admitir o óbvio: falta alguém com classe e crédito que "carregue às costas" a nossa selecção.

Creio que não é necessário avançar com um ou dois nomes para...Qualidade!? Qualitativamente, que mais poderíamos esperar da selecção com uma linha média formada por jogadores com estas características?

Quanto a Scolari: é diferente (pra melhor) dos outros porque é forte no trabalho psicológico e teve a coragem de não se submeter ao depravado poder instituído; tecnicamente, não acrescentou nem trouxe nada de novo; fora das quatro linhas, é o que se vê e sabemos, i.e., uns abominam, outros apreciam e outros ainda, nem tanto...

Restar-me-á o consolo das emoções que só o futebol nos proporciona, observar (mais uma vez!) o país num grande palco europeu e observar a vaga de compatriotas a pintar de vermelho e verde o território helvético.

PORTUGAL! PORTUGAL!
Saudações Filatélicas,
Fernando Bernardo (Suíça)

Muito Obrigado Amigo Fernando e Boa sorte para a sua actividade na Suíça!

Selecção no EURO... mas sem deslumbrar...

Estamos no EURO!!!

Estar estamos, mas porque é que não jogámos melhor e convencemos os adeptos de que somos, de facto, das melhores Selecções a apresentarem-se na Suíça e na Austria para o ano que vem?

Parabéns a todos, começando pelo Treinador (mau feitio...viram a conferência de Imprensa de ontem?) e acabando nos Jogadores.
Mas fica a noção que o nosso "futebolão" se está a transformar num "futebolzinho" e isso custa-me.

Ontem até não jogámos mal, fomos "certinhos e delicadinhos", mas a Finlândia ajudou, não tendo sido um adversário à altura de um jogo onde tinha obrigatoriamente que ganhar, mostrando-se "mansa e mole" até dizer chega... O que vai acontecer quando encontrarmos algumas das selecções "hard core" que também se apuraram?

O Sargentão Scollari não tem que se enfadar porque criticam as exibições. Afinal de contas - e embora lhe custe a acreditar - antes de ele ter chegado a Portugal já cá se praticava futebol.

Podem dizer que Figo e Rui Costa não são facilmente substituíveis e que o que interessa hoje em dia são os resultados e não as exibições.
Certo, mas sem grandes exibições, grandes golos, grandes jogadas e grandes defesas dos guarda-redes, perde-se a magia associada a este jogo desde sempre e que o tornou o mais popular do mundo.

E se a magia "ao vivo" se perde o melhor é passarmos a jogar nas consolas o UEFA Soccer Championship 2008. Aí, pelo menos, há emoção!

quarta-feira, novembro 21, 2007

Aço de "Toledo" não provou ser como o pintam


Crónicas e notícias ( até meu Mestre Quitério) tinham enchido este Restaurante do Lumiar de encómios: boa comida, preços franciscanos adequados à crise, doses avantajadas, boa e honesta recepção "à portuguesa".

Neste final de mês o trabalho fora do meu poiso habitual tem sido tanto que raramente me encontro a comer nos locais habituais, e hoje não foi excepção.
Aproveitando a oportunidade de estar perto do Atelier do Amigo Acácio lá fomos experimentar esta velha (e conceituada) casa de restauração.

Restaurante Toledo
R. Alex. Ferreira 34A/B Lisboa
1750-012 LISBOA
t: 217593760

Muito fácil de encontrar este restaurante, mesmo em frente ao balcão do Millenium junto ao Jardim do Lumiar, e com estacionamento relativamente difícil.

Casa atraente, com chão em calçada portuguesa e amesendação (talheres e etc...) de qualidade que baste mas sem deslumbrar.

Entradas de paio alentejano (bom) e de queijo (mau, frigorificado em demasia).

Prato principal escolhido por todos foi Cozido à Portuguesa (era prato do Dia nesta Quarta Feira).
Infelizmente não subiu ao pódium dos melhores Cozidos de Lisboa, ainda liderados pelo Poleiro.

Relembro o Pódium LISBOA \COZIDOS do ano passado: 1º Poleiro; 2º Galito (à alentejana); 3º Solar dos Presuntos.

Este do "Toledo" nem chegou aos calcanhares dos mais modestos, mas excelentes, Cozidos homólogos do Polícia, ou do Funil.

O principal defeito foi a fraca qualidade dos enchidos (eram industriais) e ainda o facto de, no capítulo das couves, só incluir repolho e este - tal como o nabo e a batata (branca e de má qualidade) - vir quase a desfazer-se por demasiado tempo de panela.

Quantidade apenas suficiente (sem espantos) onde duas doses e meia deram à vontade para os três convivas e dariam à mesma para mais um. Preço também maneirinho, de 15€ por dose.

Para beber Tinto D. Rafael de 2005, excelente na sua simplicidade e a preço módico de 12€

Sem sobremesas e com 3 cafés pagou-se 70€ .

Preço justo mas que deixou um "travo" relativamente amargo devido às expectativas que se tinham criado. Talvez o Cozido não tenha sido a melhor escolha para ajuizar da qualidade da cozinha e decerto que se farão mais algumas tentativas de lá comer antes da eventual exclusão desta casa da nossa companhia.

Este Toledo, por enquanto, não se confirma como comedouro no mesmo nível superior das belíssimas lâminas da Cidade a que foi colher o nome...

Talvez para a próxima se altere a nossa opinião. Hoje não.

terça-feira, novembro 20, 2007

Ainda a "Praga" das Consultorias

Amigos ( alguns Colegas) feridos de asa e lembrando-se de tempos recentes e miseráveis aqui nos CTT não deixaram de louvar o Post de ontem.

É evidente que quem - como eu - tem um horror figadal às generalizações, processos de intenções e aos "julgamentos colectivos", é imperioso que diga que nem todas as Empresas de Consultadoria serão como as "pintei" ontem, nem todos os Consultores terão a mesma posição confortável de seguir o rumo de estudos anteriores sobre as mesmas matérias e de espremer os "desgraçados" dos quadros indígenas.

Mas - e falo de acordo com a minha experiência pessoal - não me lembro de ter lidado com estas situações de recepção a assessores ou a consultores de fora sem que as mesmas não se tivessem pautado, mais cedo ou mais tarde, pelas "cavalagens" que referi.

E mais, a qualidade das empresas de consultoria media-se geralmente pela forma e muito menos pelo conteúdo das suas conclusões.

Como estas conclusões dos "peritos exteriores" eram publicadas em relatórios de muitas páginas, bem apresentados e decorados, e como as Apresentações Power Point das mesmas eram (essas sim) profissionais q.b. , todo o povão embasbacado era suposto bater as palmas e baixar as orelhas em veneração profunda e ainda agradecer aos céus termos podido comprar tais pérolas de sabedoria por um preço tão "vantajoso".

Enfim... Penso que já perceberam que o assunto me incomoda e só peço, se fizerem favor, para não me darem mais " gasolina" para alimentar a combustão destas catilinárias que me pôem quase que a "espumar da boca" .

É que o "Mocho" nem no prato sabe bem. Chiça!

A não ser que seja o famoso "pombo-mocho" mas essa é outra história (de caçadores e de copos ).

segunda-feira, novembro 19, 2007

A mania dos Consultores


Fui apanhado de surpresa pela crónica do Arqº. José António Saraiva no Semanário que dirige.

Era sobre os Consultores – no caso vertente daqueles que fazem consultoria sobre Comunicação Social escrita ou não. Na opinião do Senhor Director qualquer Empresa de Comunicação Social que, nos últimos anos, tivesse feito apelo a uma Consultoria e lhe tivesse seguido os ditames, estava muito pior do que antes da “consulta”. E dava exemplos: O Correio da Manhã, a SIC, o Expresso, etc…

Normalmente não gosto de ler o Arqº. Saraiva. Tem duas páginas do Sol reservadas para ele e nelas expõe pormenores da sua vida pessoal ou do seu percurso como jornalista e director de jornais como se fossem crónicas que realmente interessassem ao Leitor .

Parece ser (porque não o conheço pessoalmente fica o “parece”) pessoa bastante “cheia de si própria” e até com alguns tiques de “Adónis da escrita”, remirando-se eternamente num espelho das suas próprias vaidades sem ligar ao que o comum dos mortais possa vir a pensar de semelhante ( e, digamos, tão estranho,) comportamento.

Mas vi-me a concordar com ele e com a sua posição de desconfiança face à vaga de consultadorias e de assessorias que parece ultimamente enxamear as nossas empresas e até o próprio Governo.

O “Mestre Mocho” como o consultor é muitas vezes conhecido , traz para a empresa que vem ajudar um conhecimento limitadíssimo da sua história e do seu percurso, apoia-se geralmente nos quadros da mesma empresa – a quem espreme miseravelmente para obter os dados de que necessita – faz o seu relatório apoiado pelos “alinhamentos “ de outros relatórios feitos em Londres ou em Paris pelos Consultores da Empresa-Mãe que já trabalharam em firmas do mesmo ramo e, no final, mete ao bolso umas centenas de milhares de €…

Nada mal, não acham?

Então porque é que se continuam a dar tão bem, em Portugal e noutros países, estas “aves de arribação”?

Só vou elencar as “razões malditas”, pois acho que todos sabemos os motivos plausíveis para estas contratações, que têm sempre mais ou menos a ver com “uma visão mais fresca e independente, de fora para dentro, sem vícios de antiguidade etc, etc, etc”.

Hipótese 1 – Servem para desculpar ou justificar decisões de gestão pouco pacíficas. São a “desculpa” dos erros de gestão ou das “decisões de gestão por motivos políticos”.

Hipótese 2 – Contribuem valentemente para o financiamento dos Partidos (dos Partidos que montam Governo, entenda-se, não dos “Verdes” ou do “BE”) e por isso há necessidade que “o trabalhinho não lhes falte…” para que nunca se arrependam da boa acção.

Hipótese 3 – Constituiriam formas alternativas de aumentar os rendimentos dos gestores que a eles fazem apelo (como não sei, apenas desconfio).

Escolham os meus leitores a explicação ( ou o Mix delas) que acham mais verosímil .

sexta-feira, novembro 16, 2007

Porque não Conde??


O Visconde que deu nome ao Jardim Central de Cascais terá sido Joaquim António Velez Barreiros, 1º Visconde de Nossa Senhora da Luz , Título instituído por D. Pedro V.

Uma família de nobreza "moderna" que deveria ter sido olhada de soslaio pelos antigos Senhores de Cascais - Casa fundada em 1370 cujo primeiro Marquês e 6º Conde de Monsanto foi D. Álvaro Pires de Castro.

De todas as formas o que aqui está em causa é a recepção que o vulgar mortal - brasonado ou não - deverá ter quando se aproxima do "casarão" que alberga o Restaurante Visconde da Luz, vulgarmente conhecido pelo cascavélico habitante de Cascais como , simplesmente, "O Jardim".

Restaurante Visconde da Luz
Jardim Visconde da Luz
Cascais (no centro, ao lado da CGD)
Tele - 214 847 410

O que se come no "Jardim"?

Peixe: Açorda de marisco; Amêijoas à Bulhão Pato; Arroz de marisco; Arroz de Tamboril; Bacalhau à Lagareiro; Bacalhau com natas; Bacalhau cozido; Peixe cozido; Filetes de Pescada; Lulas; Peixe ao Sal; Peixe assado no forno; Peixe grelhado; Bacalhau assado; Sopa de Peixe; Parrilhada de peixe e Cataplana de Mariscos.

Carne: Cabrito Assado; Caça; Carne de porco à Alentejana; Carnes grelhadas; Costeleta de novilho e Cozido à Portuguesa.

Doces:Tarte de Noz, Semifrio de Avelã; Toucinho do Céu e Pudim Flan

Começamos por dizer que o marisco e o peixe do dia são fenomenais e a preços condizentes com essa qualidade. Esta casa foi fundada por antigos empregados do Mestre João Padeiro - quem ainda se lembra deste Ex-Libris de Cascais dos anos 60 e 70, hoje infelizmente deslocado para o Guincho pela mesma família, mas sem a chama e as glórias de outrora?

Mestre João Padeiro tinha a fama de ter o melhor Linguado e o melhor Lagostim de Cascais. e estes seus aprendizes fazem o possível para manter essa tradição de excelência.

É natural que com os Lagostins Grandes a sairem da Lota a mais de 60€ o Kg será difícil que qualquer restaurante os venda por menos de 100€.. .O que, a bem dizer, não os tornará o prato com mais saída desta casa (ainda por cima estão cada vez mais raros, fruto da poluição e da "raspagem" que é feita das costas ribeirinhas pelo arrasto indevido).

Mas o Linguado, o Robalo, a Dourada Marinha etc, apreeentam-se ainda aqui com todo o fulgor possível em pescado selvagem (à porta fica qualquer que seja o peixe de "aviário". É norma da Casa desde que abriu.)

Um segredo: um dos actuais cozinheiros do Jardim aprendeu com Mestre Mendonça, no Monte Mar (Guincho). Peçam-lhe para lhes fazer um daqueles arrozes caldosos a saber a mar, com camarão vivo e ameijoa. Experimentem depois acompanhá-lo com um Linguado rosa de bom tamanho "frito à pobre", isto é, sem ser passado por ovo antes da fritura, e digam-me se não ficam no paraíso por algum tempo...

Pata Negra de muito boa qualidade também é apanágio da casa, bem assim como a Santola descascada ao natural (excelente como entrada).

Por estranho que pareça tem também esta casa muita ( e fundada) fama no tratamento das carnes. Se houver Cabrito no Forno, não hesitem. É um dos melhores que se podem comer para os lados da Grande Lisboa.

Com uma garrafeira de grande porte e a preços habituais (quero dizer, para o carote...) é usual o transeunte pagar - tendo alguma atenção ao que bebe, mas com uma entrada de Santola, prato principal de peixe do mar e sobremesa conventual - cerca de 60€. Se for para os Lagostins o melhor é fazer uma "ligação directa" ao cofre da CGD que é mesmo ao lado...

Não é barato, mas com a qualidade que se comprovou deveria este Visconde ser, no mínimo, Conde.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Comentário do Alandroal

O nosso amigo Francisco agradece a referência:

Muito obrigado a ambos. Bem hajam
Francisco Tátá

De nada Amigo!

Vá lá tomando conta das coisinhas boas que o Alentejo ainda tem para comer e para beber que um dia destes vamos fazer-lhe uma surpresa!

Clonagem Humana mais próxima


Notícias de ontem à noite fazem eco que foram já clonados com sucesso nos USA embriões de macacos.

Embora a ONU prepare um Documento onde advoga a proibição total da clonagem reprodutiva humana, penso que todos estamos convencidos que desde que exista a possibilidade técnica , alguém , nalgum local, fará o resto.

Até hoje tem sido muito discutida a clonagem dita "Terapêutica" que poderá ser utilizada para a produção de células estaminais com usos tremendos na industria farmacêutica, distinguindo-a da "outra", a clonagem "Reprodutiva" , essa sim geralmente sujeita a opróbio público.

Matéria tão sensível como esta está ligada (e partilha as técnicas laboratoriais) ao conhecimento cada vez mais profundo do genoma humano e à possibilidade deste ser "trabalhado" à medida do freguês.

As duas tecnologias poderão permitir a "perpetuação" de certos genotipos preferentes embora saber "quais serão?" e "quem os escolhe? " sejam dúvidas pertinazes que me assolam.

As Tecnologias ainda agora estão no início do seu desenvolvimento e sem dúvida que faltarão alguns anos para que a prática se revele viável, mas se colocarmos de lado as proibições e as questões éticas , as consequências - para quem puder pagar esta tecnologia no futuro - são de estarrecer: filhos "feitos à medida", livres de doenças do foro genético e com QI e características físicas à vontade dos Pais...

Acabava-se com a tipologia física "fora de moda" , como a obesidade, e seria até possível escolher a cor da pele!

O meu problema é que com a vulgarização dessa tecnologia (daqui a 100 anos, ou mais) a bio-diversidade humana pode-se perder e deixar às motivações Psico-sociais, como o "Status" ou o "Fashion", o futuro da espécie .

Esta não parece ser a melhor opção!!! Basta pensar quem - hoje em dia - define essas coisas. Quem são os "opinion leaders" para a "aparência física": jogadores de futebol, actores e actrizes de cinema., etc..

Já cá não estarei para o ver, claro, mas se estivesse desejaria sempre poder ecoar o grito de revolta d'el Rei D. José ao seu confessor: "Nem sempre Galinha, nem sempre Rainha, Padre!"

Vive la Diférence! E Viva o Gordo!

quarta-feira, novembro 14, 2007

Para sorrir - Elogio da Preguiça


A velhice consiste simplesmente em ter mais coisas feitas do que coisas para fazer.

Mas é claro que quem nunca fez nada ou pouco fez verá sempre à sua frente um oceano de coisas para fazer e - atrás de si - um pequeno riacho de coisas feitas...
Ou seja, ainda é muito bem capaz de morrer sem nunca ter sido verdadeiramente "velho" nesta acepção...

Os preguiçosos profissionais são "novos" praticamente desde que nasceram e essa "juventude " vai durar - se tiverem sorte e face às novas tecnologias e recursos da ciência médica - para aí uns 80 anos no mínimo...

Que sorte a deles! E ainda por cima desgastam-se pouco...

O Estado da Nação Postal


Ontem houve reunião magna das principais chefias e quadros do Grupo CTT com o objectivo de se fazer um primeiro (obviamente ainda limitado) balanço do ano e para dar um "empurrão" aos poucos dias de vendas e de muito tráfego postal que se avizinham ainda antes do fim deste ano.

Parece que 2007 terá sido um bom ano para os CTT na sua generalidade. O tráfego Postal não terá caído tanto como seria expectável - pelo contrário! - face às previsões que tomavam em conta o efeito "galopante" de substituição das novas tecnologias (fileira digital).

Aproximamo-nos dos quase 7 milhões de objectos finos manipulados por dia. E, no que diz respeito à muito necessária divisão automática ao giro (rota dos carteiros), estamos já a atingir recorrentemente os 1,6 a 1,7 milhões de objectos separados automaticamente por dia também. Parabéns Nuno!!

O Projecto Ix - A grande novidade foi o anúncio da entrada dos CTT no Mercado da Telefonia Móvel, estando reservada para 29 de Novembro o anúncio público da Marca deste novo operador que concorrerá com a Novis, Vodafone e com a TMN (sendo esta a nossa "parceira" de Rede para esta aventura, parceira e concorrente ao mesmo tempo..)

O indicador escolhido será o 922.

O Regulador tinha reservado para os Mobile Virtual Network Operator (MVNO) o indicativo 92 (seguido de outro algarismo) e os CTT escolheram 922.

Fomos o 1º a escolher e o 1º MVNO licenciado em Portugal e ainda o 1º Operador Postal do Mundo a enveredar por este caminho, embora os Correios de Itália estejam também próximos de o conseguir, a que se seguirão muitos mais operadores europeus.

Estando a situação do Banco Postal em "stand by" (recordo apenas que a congelação depois de 6 meses acho que dá direito a processo da ASAE, mas enfim...) esta incursão pelas novas tecnologias pode vir a transformar-se num trunfo futuro do grupo CTT.

Previsão de 40 milhões € de Receita a 5 anos está dentro das expectativas, tornando esta divisão - logo depois da CTT Expresso - a mais importante participada dos CTT em termos de Receita.

Como funciona? Bem, negociou-se com a TMN (que foi quem ganhou o concurso público de fornecimento de Rede que lançámos) uma margem - desconheço qual, mas estará entre os 8 e os 15% decerto - que será atribuída ao Operador 922 pela totalidade do tráfego de Telefonia Móvel que manipular.

O "922", por sua vez, terá ampla liberdade para definir os seus Tarifários (parece que as chamadas "922 a 922" terão um preço de arrasar) e para desenhar a respectiva estratégia de MKT e Vendas, com relevo para o papel das Estações de Correio como angariadoras de Clientes.

O parceiro para o Hardware está também já definido e será a NOKIA que terá o exclusico do fornecimento dos terminais.

Boas perspectivas teóricas mas vamos esperar pela concretização. Boa sorte!


terça-feira, novembro 13, 2007

Então não falas do Benficão?!!?


Amigos ( e obviamente apaixonados do Glorioso) já me criticaram por ter ignorado a Jornada do fim de semana passado, onde os Vermelhos "fizeram miséria" e ganharam tantos como 8 pontos (3 para eles, mais 3 ao Sporting e mais 2 ao FCP).

A verdade é que tenho deixado os comentários futebolísticos para as jornadas europeias ou para a Selecção.

E se não falo do meu Benfica quando joga mal e empata também acho que não devo falar quando ganha...

Embora vontade não me falte...

Para Descansar a Vista

Tenho saudades de uma boa chuvada!

Chuva

Outrora

Quando a chuva vinha
Era a alegria que chegava
Para as árvores
O capim
E para a gente.

Era a hora do banho sob a chuva
Meninos sem chuveiro

A água regateada na cacimba
Muitas horas de pé esperando a vez.

Era a alegria de todos, essa chuva:
Porque então fiz o primeiro poema triste?

Hoje ela veio
Veio sem o encanto de outras eras
E ergueu na minha frente o tempo ido.
Porque estou triste?
Porque estou só?

A canção é sempre a mesma
Mesmos os fantasmas, meu amor:
Inútil o teu sol ante os meus olhos
Inútil teu calor nas minhas mãos.
Essa chuva é minha amante
Velho fantasma meu:
Inútil, meu amor, tua presença.

Mário António Fernandes de Oliveira (Poeta de Angola)