quinta-feira, março 08, 2007

A Concorrência tomará conta do Correio de Cidade?


Na crónica onde referi a chegada muito próxima da liberalização dos serviços postais dei a entender que os CTT seriam seriamente punidos na Receita quando fosse já legalmente possível aceitar, tratar e distribuir correio fino dentro dos grandes aglomerados populacionais.


Alguns Colegas contrapôem a esta previsão a necessidade real de serem tomadas uma série de medidas que tenham por objectivo segurar esse Tráfego e esses Clientes, com relevo para a distinção de tarifas entre o "correio local" e o "correio regional" .


Mesmo admitindo que essa distinção seria possível no âmbito do actual quadro legislativo - poder-se-ia, por exemplo, questionar onde estava a igualdade dos portugueses perante a Lei, se os habitantes das Regiões Autónomas e "províncias" tivessem correio mais caro do que os das cidades... a não ser que se fizesse esta distinção só no correio empresarial, garantindo o preço único para o correio individual - mas mesmo assim, digo, acho difícil que numa orientação dos preços para custos reais, como é que uma pequena ágil Empresa a chegar ao mercado teria preços maiores ou iguais aos dos CTT.

De facto - e na minha opinião - apenas quando conseguirmos ganhar a batalha da Eficiência e da Qualidade, em todas as frentes, será possível esgrimir preços de igual para igual com a concorrência.

Essa Qualidade tem de ser a que os Clientes relevam e apercebem como verdadeira, embora de facto e de acordo com as estatísticas possa ser "falsa".

É dos livros que quando trabalhamos bem em 400 CDP's ninguém se interessa (é a nossa obrigação) mas basta haver problemas em três ou quatro para se encherem as páginas dos jornais locais.
A Eficiência, por seu lado, tem a ver com o controlo dos custos da operação, mas sobretudo com o controlo dos que são paralelos a estes: os das "alcatifas" , dos sistemas de comunicação, das burocracites e por aí fora, os quais ainda enxameiam a organização.

Quer queiramos quer não existem Clientes que, hoje em dia, anseiam pela alternativa postal na distribuição. Porque não se consideram bem tratados pelos CTT, porque têm uma filosofia (aliás intocável em teoria) de dividir os riscos e as dependências dos Fornecedores, e ainda porque se sentirão "os donos da bola" quando lhes for finalmente possível assumir a verdadeira liderança em termos de negociações de tarifários, tendo a faca e o queijo na mão.


É que a vingança é um prato que sabe melhor frio...


A experiência da POSTLOG\CTT Expresso demonstrou que a Lealdade dos Clientes é um mito. Preço e Qualidade são os únicos drivers da escolha, obviamente que assessorados pela eficácia da pós-venda e do consumer care.


Perante isto a resposta CTT tem de ser rápida, eficiente e abrangente. Devemos conseguir demonstrar não só que somos os melhores a fazer correio, em qualquer ponto do País, mas tambêm que a nossa escolha será a do maior interesse dos Clientes: por ser a mais barata e a de melhor qualidade.



Um comentário:

Zé disse...

E não só, se o baile continuar.
O monopólio já não cobrirá,o faz de conta,a manipulação,a boa comunicação externa e interna é o que se sabe,os desperdícios, os branqueamentos, os clientelismos,a falta de motivação,a angústia, os medos,a Gestão da Pala, só à volta da luz é que se vê, ou melhor yes men, emplastros, nepotismo, RESPONSABILIDADE é precisa...para quando uma verdadeira orientação para o Mercado e para o Cliente, agindo de forma transversal e clara, em todo o processo Operativo e não só, envolvendo e Motivando as Pessoas,credibilizando e fazendo acreditar nas virtualidades da meritocracia, aproveitando e valorizando, os activos que fazem e farão a diferença- PESSOAS.
São elas que fazem a diferença,que constroem e destroem as Organizações.
Se os CTT não forem capazes de Criar e diferença num mercado liberalizado,será a Empresa da Oportunidade perdida,porque o mercado continuará a existir e os Clientes encontrarão alternativas.
Não é a Liberalização do Mercado que é o Papão, é a incapacidade,incompetência de se adaptar e de fazer aquilo que o Mercado quer,satisfazendo as expectativas dos Clientes(internos e externos), de forma sustentada ( satisfazendo todos os stakeholder´s-interessados)
Os CTT são um Empresa de Serviços,logo daí, a importância do agente prestador do serviço-Pessoa, ou será um robot ou andróide?-, não basta dizer-se, o que se quer ser, é necessário COERÊNCIA e TRANSPARÊNCIA e aposta no Verdadeiro activo AS PESSOAS, que terão de ser vistas não como um Custo, mas como Activo e a Liderança? que nesta altura do Campeonato tão necessária é, tem de ser dada pelo Exemplo- Líder é aquele cuja falta se nota quando está ausente, está presente quando necessário- dado que ninguém consegue cantar e assobiar ao mesmo tempo,( há muito quem dê a imagem disso e da ubiquidade).
É criminoso o desperdício de Potencial Humano e não só, a que se vem assistindo ( A Imagem é que conta,então os indicadores? comer do sono? Acorda ?).
Estruturas, tecnologias, técnicas,estratégias são desenvolvidas e assumidas por Pessoas, cerne da produtividade e da Qualidade .
Mais vale bem fiz eu, do que se eu soubesse,lá diz o povo, Quem vai para o mar avia-se em terra, Mais vale prevenir do que remediar.
É verdade que depois do ovo de Colombo pôsto de pé, não falta quem o ponha, mas não se ser capaz de Rendibilizar e adequar recursos e infra-estruturas já existentes e responder ás evoluções do Mercado...não sei como classificar essa Gestão? Será Gestão?
ERROS ESTRATÉGICOS NÃO TEM RETORNO...ou será que estou a ver e avaliar mal?
Tantas incoerências, tantos trade off´s,tanto lay off...tanta cabeça na areia e tanto faz de conta...o Trabalhador fará ao Cliente aquilo que lhe fizerem a ele...as mudanças efectuadas sem o convencimento das pessoas, estão condenadas ao insucesso.É necessário Credibilizar, Convencer, Conquistar e não Vencer.
Estive para nada comentar mas já está...