quarta-feira, janeiro 10, 2007

O Estado do Ensino Superior




Num notável estudo da Universidade do Minho - Expansão do sistema de ensino superior nas últimas décadas - tiraram-se conclusões interessantes:

a) Entre 1994 e 2002 o nº de Docentes e de alunos no ensino superior quase que duplicou.


b) Se apenas tivermos em conta os Institutos situados no Interior, fora dos grandes centros, esse número de docentes e de alunos aumentou duas vezes e meia.


c) Mas...o número de estudantes colocados na 1ª fase do concurso de entrada no ensino superior em 2006 é quase igual ao de 1994!!

Ou seja, logo que o nº de vagas (cursos e escolas) começou a ser superavitário em relação ao nº de candidatos, a escolha dos Alunos (dos Bons alunos, dos que entram com médias mais altas) foi pelas Cidades e pelos Cursos mais renomados de Coimbra, Lisboa e Porto, evitando esses novos Institutos e escolas do Interior.

Desta forma consideram os autores do estudo que: "Os investimentos em infra-estruturas e contratações de pessoal que a proliferação de cursos implicou revelou-se uma má estratégia de afectação dos recursos públicos, e não foi ao encontro da vontade dos candidatos... pois não está a conseguir atrair alunos para ocupar a capacidade instalada".

Mais dados:

- O número de cursos que mais aumentou entre 1994 e 2002 foram os de Humanidades (+60%) e de de Ciências Sociais e da Educação (+49%)


- O número de cursos de Tecnologia e Ciência diminuiu 3% no mesmo período.

Ora sabendo com o desemprego dos recém-licenciados se revela sobretudo nos cursos que cresceram, e ao contrário é nas "engenharias", etc... que há mais probabilidades de emprego, não acham que também houve aqui alguma precipitação ou falta de Planeamento?

Consequências no curto prazo? Despedimento de Professores, para já - ainda por cima nos Politécnicos não existe vínculo ao Estado...
Outra preocupação: Menos de 4% dos alunos estão inscritos em Pós-Graduações.

Comentário - Para quem, como eu, esteve 35 anos numa Universidade Pública de Lisboa primeiro como aluno e depois como Professor, esta situação não causa nenhuma estranheza.
Os Cursos que têm tendência a proliferar - mesmo nas grandes Cidades - são os de "papel e caneta" onde o investimento no corpo docente e nas infra-estruturas é incomensuravelmente mais baixo do que nos cursos tecnológicos.

Formar Historiadores, Sociólogos e Antropólogos (sem desprimor) estará hoje ao nível dos anos sessente e setenta, onde as meninas de boas famílias deveriam tirar um curso de Letras na Clássica para "não desmerecer do futuro marido Engº ou Economista".
Dito isto, pobre é uma sociedade que só forma para produzir e competir, não deixando algum lugar ao desenvolvimento pessoal e ao humanismo.
Ainda se admiram por ser nos USA - "aqueles imbecis e ignorantes" no dizer de alguns iluminados da nossa praça - o local onde todas as Ciências Sociasi e as Humanidades têm hoje (também) os seus expoentes académicos...
São ricos, podem dar-se a esse luxo. Mas nós por enquanto não...




Um comentário:

Zé disse...

Este estudo é a imagem do que se tem passado um pouco transversalmente,nos últimos anos,ou já virá do passado? na Sociedade Portuguesa,(será um problema cultural?)nomeadamente no sector Público,Empresas Públicas incluídas, na Gestão das pessoas e das suas Expectativas( criam-se expectativas sem fundamento.. será da a sociedade do conhecimento,da globalização,do marketing,do consumismo,dos problemas energéticos, do efeito estufa,do karaoke ?.....Quando há bem pouco tempo não se sabia quantos funcionários públicos havia? saber-se-á já?)
Propala-se a necessidade de Visão,Planeamento (Estratégico;operacional....seremos genéticamente desprogramados?)Ideias,estudos,planos,análises, diagnósticos, publicidade e promessas são mais que muitas...só que quando se cai na realidade é um ver se te avias...é cada vez mais do mesmo....será que o ditado atrás de mim virá quem de mim bom fará....ou a história repetir-sé-á indefinidamente? será uma fatalidade Portuguesa?
Pouco rigor ou quase nenhum,meritocracia(para os amigos não, é só para dar ares, faz de conta) apregoada,Gestão por objectivos-já é velha e tem barbas-como é possivel realizar-se seja o que for, sem definiçao de objectivos? serão o clientelismo ou cunha que vão funcionando?( é evidente que está lá muita gente por mérito,mas é só para enganar, era só o que faltava?ora essa?...para a mentira ser verdade e atingir profundiadade é preciso que traga à mistura qualquer coisa de verdade...Aleixo)
Como exemplo, ( o blog é correio-mor) se analisarmos com rigor e imparcialidade a Gestão que no caso da Empresa CTT se tem efectuado nos tempos recentes, na Gestão das Pessoas( Quadros e não quadros-criação de de excessos/dependurados e recrutamentos...) articulada com a necessidade de modernização e ajustamento da Capacidade Instalada,Modelo de Gestão( entrada de Capitais Privados)e Abertura de Mercado/ Liberalização e a evolução previsível do Negócio, temos um exemplo Paradigmático da arte de Planear, Gerir Capacidades( Capacidade Instalada,Competências Técnicas,Pessoais e Relacionais...) e Expectativas. Será?.....
Não quero acreditar,mas a realidade é bem diferente do PUBLICITADO.Há que arrepiar caminho e não sei se ainda se irá a tempo.Credibilidade Precisa-se
Há só há uma forma de o fazer... RESPONSABILIZAR e Clareza de Processos....Branquear só roupa...
AH!estou a lembrar-me dos imbróglios que o dossier do combate à corrupção tem dado...é um dossier que queima e como tal há que FAZER DE CONTA...Será?