quarta-feira, outubro 10, 2012

Teias da Ignorância no Universo Fiscal

O meu "bi-colega" Miguel Esteves Cardoso (primeiro andámos juntos nos 2 últimos anos do Liceu, em  S. João do Estoril e depois no ISCTE fomos assistentes na mesma altura) fala hoje na sua crónica diária sobre aquela frase célebre de um físico americano:
"Existe no mundo físico um oceano de desconhecimento que rodeia a ilha daquilo que sabemos por todos os lados. Quanto mais cresce a ilha , quanto mais julgamos saber, mais cresce também a costa da nossa ignorância".

E é bem verdade. Mas essa "ignorância" nunca foi tão perigosa  - sobretudo no relacionamento com o Estado e a Autoridade Fiscal - como neste momento.

Reparem que na sua vertente mais otimista de encarar a vida, muitos restauradores diziam sobre o aumento do IVA  de 13% para 23%:
- "Temos que aguentar e não fazer refletir nos preços estes 10% do aumento..."

Quando na verdade, de 13% para 23%  é mesmo  um acréscimo de quase 80%!! E a  AHRESP tanto tem insistido no esclarecimento cabal deste ponto que atualmente já serão muito poucos os seus associados que ainda pensam daquela maneira.

As SCUDS  têm agora 15% de desconto para "toda a gente" ! Quer isto dizer que a partir da 6ª ou da 7ª vez que uma viatura por lá passar estará a passar "à borla"?  6 x 15% sempre são 90%!

Claro que não! Cada vez que passarmos pelos "portais" lá vai o Gaspar outra vez à continha bancária do automobilista impetrante!! E se passarmos 6 vezes , irá lá ao mesmo local 6 vezes tirar o dinheirinho!

O IMI, para o ano que vem,  vai dar conta da vidinha de muita gente. Anulada a precaução legal que impedia aumentos superiores a 75€ em 2013 e 2014, é provável que a maioria dos proprietários veja a sua "contribuição" bastante inflacionada face ao que pagou em 2012.
 Vejam aqui um artigo explicativo sff:


Mas não paguem sem ler atentamente os detalhes das reavaliações! Existe já jurisprudência do Supremo Tribunal Administrativo que aconselha todo o cuidado ao contribuinte em relação a esse ponto fulcral,  que é o seu direito em saber quais os argumentos que levaram o Estado a reavaliar por determinado valor.

Aqui também podem ler sobre este assunto:


Finalmente, como podem os trabalhadores por conta de outrém "safar-se" desta maresia?  Eles  que já não sabemos bem se  têm direito a qualquer tipo de dedução em sede de IRS , os tais "ricos" de que aqui falava um destes dias, e que tudo indica que sejam (para confirmar no Orçamento de Estado) famílias com mais de 45000€ brutos de rendimento por ano em 2013?

Vejam também aqui sff este excelente artigo de Paula Cravina de Sousa:

http://economico.sapo.pt/noticias/nprint/152252.html

E ainda cito, de diversas publicações especializadas:

"De uma forma geral,  e e para a maioria dos portugueses, o aumento dos impostos em 2013 será sentido particularmente  ao nível das referidas deduções. Pela primeira vez, as deduções permitidas em sede de IRS serão sujeitas a um valor que englobarão todas as deduções – saúde, educação, casa, etc."

 "Quando no próximo ano começarem a ser entregues as declarações de IRS referentes aos rendimentos obtidos em 2012, a generalidade dos portugueses vai confrontar-se pela primeira vez com um valor global para o conjunto das deduções (saúde, educação, casa, seguros) fiscais que oscila entre os 1250 e os 1100 euros. E os rendimentos acima de 66045 euros perdem totalmente o direito a beneficiar destas deduções."


Na ressaca de tanta violência de Estado como devemos encarar  aquele  "grave problema" da bandeira nacional invertida na Praça do Município, a 5 de Outubro?

Como diria o Zé Povinho:

-" A bandeira  que se f...coiso ...carago! Eu quero saber é onde pára o meu pilim!!"

Ele e nós...

terça-feira, outubro 09, 2012

Dia Mundial dos Correios

Celebramos hoje o Dia Mundial de Correios em todo o mundo.

Aqui vos deixo a mensagem sobre o mesmo assunto publicada pela União Postal Universal - UPU:

 

9 October

World Post Day is celebrated each year on 9 October, the anniversary of the establishment of the Universal Postal Union (UPU) in 1874 in the Swiss capital, Bern. It was declared World Post Day by the UPU Congress held in Tokyo, Japan, in 1969.

Awareness

The purpose of World Post Day is to create awareness of the role of the postal sector in people’s and businesses’ everyday lives and its contribution to the social and economic development of countries. The celebration encourages member countries to undertake programme activities aimed at generating a broader awareness of their Post’s role and activities among the public and media on a national scale.

New products and services

Every year, more than 150 countries celebrate World Post Day in a variety of ways. In certain countries, World Post Day is observed as a working holiday. Many Posts use the event to introduce or promote new postal products and services. Some Posts also use World Post Day to reward their employees for good service.
In many countries, philatelic exhibitions are organized and new stamps and date cancellation marks are issued. Other activities include the display of World Post Day posters in post offices and other public places, open days at post offices, mail centers and postal museums, the holding of conferences, seminars and workshops, as well as cultural, sport and other recreational activities. Many postal administrations issue special souvenirs such as T-shirts and badges.

Aqui em Lisboa lançamos hoje na Fundação Portuguesa das Comunicações duas emissões filatélicas : Os selos "Correio Escolar" realizados por crianças das nossas escolas e a 2ª série de 2012 das Etiquetas de Franquia, evocadoras do Ano Internacional das Energias Sustentáveis .

À noite teremos a imposição das insígnias de antiguidade e de bons serviços aos trabalhadores dos CTT com 36 e 40 anos de serviço ativo. Lá estarei para dar um abraço aos  colegas da Filatelia que vão ser homenageados. 

segunda-feira, outubro 08, 2012

A "Mamuda" era no Restaurante Montenegro!

Agradeço a um dos nossos leitores, que a propósito do Post sobre o Restaurante "Adega Vila Meã", esclareceu o nome do mítico paradeiro da grande cozinheira que foi conhecida no Porto por "Mamuda":

Era o Restaurante Montenegro, na Rua de Entreparedes (à Batalha).

Traços dos manjares do Montenegro ainda podem ser hoje provados na Invicta, no Restaurante "Casa Nanda" , aberto por uma sobrinha da famosa Mamuda e que fica ali para a Rua da Alegria, perto da Cooperativa dos Pedreiros , local onde oficiava o grande senhor da restauração portista que foi o Sr. Azevedo, infelizmente já falecido, do Restaurante Portucale.

Et tu Brute?

"Até tu Brutus?" Assim Julio César se dirige ao seu "amigo" Brutus, que o acabara de assassinar,  na imortal peça de William Shakespeare.

Pois dei comigo a sorrir (porque rir saíu de moda nesta conjuntura) quando li o habitual comentário de João Carlos Espada no Público desta Segunda Feira, queixando-se da última decisão governamental e arrepelando os cabelos pelo que de mal esta 
 subida de impostos fará à tal Classe Média (que parece andar escondida,  com medo que ainda mais lhe metam o dedo no**).

O Espada? Esse neo-liberal convicto? O inimigo de Sócrates  e de todos os socialismos?  Onde chegámos...

Por outro lado, já o inefável Prof. Marcelo parece ter feito marcha à ré na sua diatribe contra as medidas governamentais. Quem o viu ontem  entendeu  que o homem terá finalmente caído em si e chegado à conclusão que para ter contratos chorudos com o establishment faz mister manter a bocarra mais fechada e contida em relação à crítica (exceto contra o Paulinho... Aí parece que lhe deram rédea solta. Et pour cause...).

Só por acaso apareceu hoje a notícia que foi ele mesmo, o  Sr. Prof. Marcelo, o causídico escolhido por Portugal para esclarecer com o Governo de Angola algumas desavenças que metem diamantes à mistura. Por acaso, repito.

A posição do Dr. Espada (antigo vizinho da minha santa cá de baixo, da mesma rua) compreende-se: um homem começa a ter mesmo que ver bem para que lado lhe caem as moedas... E estando o "Moedas" neste propósito estranho de esmifrar tudo o que mexe, rico, pobre ou remediado, mal feito fora que os remediados não se revoltassem.

E não será o último.

Teremos em potência aqui no retângulo uma revolta tão abrangente que nem Estaline, Marx ou Mao sonharam com ela: uma revolução que mete todas as classes lá dentro, exceto a meia dúzia de senhores feudais que terão "feito este cozinhado desde o princípio". O problema é que ainda são esses que distribuem o pão e a cerveja por quem querem, misturando isso tudo com umas atividades circenses para o Povo se distrair do principal.

Começei com a velha Roma e termino com a mesma. Apenas tenho dúvidas  se o estado atual do país tem mais a ver com o louco do Calígula ou com o velho Teodósius, o último Imperador digno desse nome , o que dividiu o Império entre o Ocidente e o Oriente...

Nota: O Quadro "Imperador Teodósius é impedido por Santo Ambrósio de entrar na Catedral de Milão" é de Van Dyck e está em Londres (National Gallery).


quinta-feira, outubro 04, 2012

Dia da República

Antecipo hoje  o último Feriado evocativo do Dia da implantação da República.

Acaba este ano. Em 2013 já não há. Tal como o 1º de Dezembro deixará de ser comemorado.

Por aqui, havendo cada vez menos Portugal,  porque raio se comemoraria a Implantação da República??!! Ou, já agora , o Dia da Independência Nacional?

Deixando de lado a amargura, esquecendo quantas vezes a prática da governação republicana foi funesta e mal conduzida - há quem derive dessas primícias de 1910 grande parte dos males que hoje nos assolam -  ergo a voz e   louvo os ideais , a candura e a pureza do espírito republicano.

Viva a República!



Viram por aí a minha cabeça?!

Perdi ontem a cabeça.

 Não dei logo por isso. Estava a acabar o almoço com o Prof. Carlos Fabião, antecipando a apresentação do nosso Livro da Arqueologia no Estoril, quando o "senhorio" vai de enviar SMS's com tal vigor e sequência que pareciam nascidos de alguma raiva interior. Ou isso ou então ter-lhe-ia dado uma "travadinha" daquelas que deixam o visado com as mãos a tremelicar...

O homem Gaspar tinha anunciado ao pobre Portugal mais um cabaz de Natal... A distribuir pelo ano que vem ( e seguintes) tendo por objetivo final proceder à exterminação do que resta da classe média. O Governo de Passos Coelho e (cada vez menos ) de Paulo Portas está transformado numa Comissão Liquidatária Ativa dos Remediados Ainda Vivos.

Está claro que esta coisa de perder a cabeça foi por graus. Só mais tarde, quando começei a ouvir os comentadores nas TV's,  é que me apercebi da dimensão da "porrada" que me fez perder "la tête" de vez.

A definição de rico e poderoso neste nosso Portugal é estranha. Parece que qualquer casal com  filhos a estudar e que tem uma hipoteca da casa, e pediu algum emprestado para um carrito familiar, recebendo brutos cerca de 70000€ por ano, é rico e poderoso.

Esse casal , depois de impostos e de pagar a hipoteca, mais o empréstimo do carro, ficará hoje com um rendimento mensal liquido de pouco mais de 1200€ por mês para pagar as suas obrigações: IMI, condomínio, água, electricidade, TV cabo, transportes, gasóleo, escola ou faculdade dos  filhos, respetivos livros, comer e vestir... Já me esquecia: também para medicamentos.

Depois do que se viu e ouviu ontem, o mesmo casal deve passar (em estimativa, ainda não há certezas, só depois de ver os escalões do IRS novos) a dispor mensalmente para as mesmas despesas de pouco mais de 1000€. 

Mas que porcos fascistas milionários !! Ainda se atrevem a abrir a boca com 1000€ para gastar por mês!!

Aristocratas de um raio! À guilhotina já!

Já nem digo mais nada enquanto não encontrar a minha cabeça. Se a virem (é grande, vê-se bem) podem enviar para aqui para o Báltico, ou então deixá-la no Beira Mar,  que quando receber um dos subsídios que me prometeram para o ano passo por lá.

quarta-feira, outubro 03, 2012

Apresentação do Livro "Arqueologia" no Estoril

Os CTT em devido tempo ofereceram à autarquia de Cascais o andar cimeiro da histórica Estação de Correios do Estoril (com traço do arquiteto modernista Adelino Nunes) para ali a mesma entidade criar o Museu- Memória dos Exílios, dedicado a evocar tantas personalidades que se alojaram em Cascais durante a Segunda Grande Guerra.

Vejam aqui sff: http://www.cm-cascais.pt/equipamento/espaco-memoria-dos-exilios


Nesse local apresentamos hoje o Livro de nossa Edição "Uma História da Arquelogia Portuguesa" do grande especialista Prof. Doutor Carlos Fabião, Professor associado da FL-UL, mestre de arqueólogos, autor de cerca de centena e meia de títulos dedicados à sua ciência, entre monografias, estudos científicos e livros propriamente ditos.

Para os CTT já nos tinha também escrito " A Herança Romana em Portugal".

Apareçam pelas 17,30h!! A entrada é livre e  as charlas do Prof. Fabião são sempre impressionantes de sentido de humor e de rigor científico!

A Exposição Nacional e Multilateral de Ílhavo - Organização dos Galitos

Ontem não passei por aqui, foi diretamente para a inauguração da exposição referida no título, a maior deste ano em Portugal.

Debaixo da égide da autarquia - Engº Ribau Esteves, a quem tiro o chapéu pelo belo trabalho que vem realizando - e enquadrados pela arquitetura excelente do Museu Marítimo de Ílhavo , lá fizémos a abertura do certame.

Pouca gente? Sinal dos tempos, talvez estivessem umas 50 pessoas... mas o Clube organizador, os "clássicos" Galitos de Aveiro , não tem culpa da forma como a conjuntura estendeu assim tapetes tão escorregadios a quem , neste país e hoje em dia, ainda se mete a estes trabalhos.

Essa talvez a maior causa de admiração: haver ainda quem dispôe de tempo e de cabedais próprios para andar metido em tarefas de pura cidadania e associativismo, tanto aqui - na filatelia organizada - como em tantas outras vertentes da nossa vida pública.

À conversa com os representantes das Filatelias Croata e Grega quase que tive ocasião para sorrir para dentro, já que, como dizia o brasileiro, "pimenta no cú dos outros é refresco"... A situação de vendas filatélicas em ambos os países está desastrosa. Enquanto que em Portugal vamos com desvios negativos de 20% em relação aos anos passados, lá naqueles países podem multiplicar esse "prejuízo" por duas vezes... Ou mais.

Passem pelo Museu e aproveitem para ver boas coleções, peças raras e dar ainda uma espreitadela pelos quadros oriundos da Grécia e Croácia.

segunda-feira, outubro 01, 2012

Alguns Resultados do Congresso da UPU

Como sabem fui para Doha tentando fazer aprovar a reconstituição da Associação Mundial para o Desenvolvimento da Filatelia para o próximo período 2012-2016. Da mesma forma essa aprovação teria inerente a minha nomeação para mais um período de trabalho à frente da dita Associação.

Houve necessidade de algumas jogadas de bastidores  para resolver pequenos  litígios com os países do Norte da Europa, no seu afâ horizontal de reduzir custos de operação - coisa que, aqui para nós,  os "qatarenses"  e quejandos vizinhos muito devem ter estranhado.

Mas conseguimos ultrapassar tudo e  fazer aprovar por Unanimidade a proposta de Portugal e Finlândia  - a "cara" da Europa do Norte que conseguimos finalmente  co-optar para a nossa proposta.

Aqui fica a proposta. Desculpem por ser um pouco longa.

FINLANDE, PORTUGAL
Résolution
Développement de la philatélie
1
Le Congrès,
notant
que la vente de timbres-poste et des produits philatéliques constitue une source de revenus importante pour
de nombreuses autorités émettrices de timbres-poste (ci-après comprenant les opérateurs désignés,
le cas échéant) notamment celles des pays en développement,
notant également
que l'appui, l'engagement et l'excellente coopération entre les partenaires du secteur philatélique sont
essentiels au succès du marché de la philatélie,
rappelant
que le 24
e Congrès, par sa résolution C 36/2008, a établi un plan d'action pour le développement de la philatélie

parce que:
– la philatélie constitue une partie importante des activités du secteur postal et apporte un soutien
appréciable  aux autorités émettrices de timbres-poste et au développement
postal en général;
– les timbres-poste et les produits philatéliques dérivés continuent de représenter une source de revenus
importante, tant lorsqu'ils sont utilisés à des fins normales d'affranchissement postal que dans un
but commercial et philatélique;
– les timbres-poste donnent au service postal une image de marque spécifique qui le distingue des
services de distribution du secteur privé;
– les timbres-poste continuent de jouer un rôle d'ambassadeur pour les pays et leurs autorités émettrices de timbres-poste, non seulement sur le plan national mais aussi sur le plan
international;
– l'utilisation accrue des timbres-poste par le secteur privé, notamment par des entreprises de marketing
direct ou par le biais de timbres personnalisés, apporte à la promotion du service postal des avantages
supplémentaires,
conscient
que de nombreux Pays-membres transforment leurs anciens opérateurs désignés en entreprises commerciales
et introduisent la concurrence sur le marché de la poste aux lettres, mais que peu ont réellement examiné
la question de la philatélie au cours de ce processus,
considérant
que les expériences des  autorités émettrices de timbres-poste dont les pays se sont
déjà engagés dans cette voie peuvent être riches d'enseignements pour les autres,
reconnaissant
que l'émission de timbres-poste en tant que symboles et images de marque d'un pays et de ses autorités émettrices de timbres-poste nécessite une attention particulière et la désignation
d'une autorité officielle unique à cet effet,
2
notant avec satisfaction
la mise en place du système mondial de numérotation des timbres-poste en tant que moyen d'enregistrement
et de vérification des émissions légales et le développement de ce système,
prie instamment

– les  Pays-membres:
·
de demander aux  autorités émettrices de timbres-poste, lorsqu'ils émettent
des timbres, de prendre en considération les besoins des consommateurs des services postaux
de base et des collectionneurs ainsi que la valeur sociale et culturelle des timbres;

·
d'examiner comme il se doit les questions réglementaires relatives à l'émission des timbres et à
la philatélie, y compris les lois sur les droits d'auteur et la propriété intellectuelle;

·
de mettre en place des dispositifs juridiques pour garantir le droit des  autorités
émettrices de timbres-poste d’émettre des timbres-poste conformément à la Convention de
l’UPU, et tout particulièrement pour les timbres personnalisés;

·
de participer à l’alimentation des contributions affectées pour le développement de la philatélie
pour faire face aux besoins urgents, en premier lieu dans le domaine de la formation;

·
de s’assurer que les autorités émettrices de timbres-poste participent pleinement au système
mondial de numérotation des timbres-poste;

·
de surveiller le marché philatélique pour garantir le respect des lois nationales en matière
d’émission de timbres et de faire tout leur possible pour supprimer ou prévenir les abus;

·
de fournir à l’UPU des informations sur l’évolution du marché;
·
d'adopter et de mettre en oeuvre des pratiques exemplaires permettant de garantir la participation
des parties intéressées au niveau national ainsi que leur coopération et leur soutien au
niveau international,

charge
le Conseil d'exploitation postale:
– de continuer à dialoguer avec les partenaires du secteur philatélique et de coordonner les activités en
matière de développement de la philatélie;
– de poursuivre ses travaux pour déterminer les moyens les plus efficaces d'informer les membres et le
secteur philatélique des timbres-poste officiellement émis par les  autorités
émettrices de timbres-poste;
– de continuer à promouvoir l'application de pratiques exemplaires et de principes commerciaux solides
dans le secteur philatélique, grâce à une formation et à des activités ciblées;
– de poursuivre la mise en oeuvre des programmes de formation pour les autorités
émettrices de timbres-poste intégrant l’innovation, des techniques de développement du marché de la
philatélie, l’utilisation des nouvelles technologies, des techniques permettant une meilleure sécurité
des émissions de timbres-poste ainsi que le respect de l’environnement et du développement durable;
– de mettre en oeuvre une stratégie encourageant les Pays-membres à inclure dans les programmes
philatéliques annuels des thèmes planétaires sollicités par des institutions des Nations
Unies;
– d’étudier la fusion entre le système mondial de numérotation et le système d’échange des timbresposte
(art. RL 113 du Règlement de la poste aux lettres) afin de réduire les coûts.

De volta do Reino do AC

Ar Condicionado . Assim é a impressão que se leva do Qatar. Qualquer edifício público ou privado o tem. Deserto há , sem dúvida, mas quem pernoita num daqueles hotéis ou prédio de apartamentos  com paredes de vidro e 46 andares (ou mais) vive sempre "à sombra" do dito Ar Condicionado.

Já agora, sinal do riquismo exuberante existente naquele outro planeta é o facto de se construirem prédios em vidro num local  onde o sol bate de chapa e onde dão 51 grauzinhos no Verão... Que milhões serão precisos só para os arrefecer? ... Talvez alguns poços de pitrol trabalhem só para isso.

Sem falar da moda atual em vigor no país, segundo a qual qualquer senhor de bem na vida (e com a mesma) tem que ter os necessários apetrechos para...arrefecer as piscinas exteriores e interiores.

A dimensão do Centro de Congressos Nacional do Qatar , onde se realizou o nosso congresso e cuja foto anexo, é gigantesca. Talvez maior do que o aeroporto da Portela. Mármore e ferro em barda. Muito do complexo escavado no solo. Anfiteatros para 1000 pessoas, corredores onde se podia fazer uma corridita de 200 m, WC's de primeira, com o requinte (estamos num país muçulmano) das casas de banho masculinas e femininas estarem mais afastadas do que o habitual e, para além disso, das mesmas instalações para cidadãos deficientes estarem elas também divididas por sexos... E vigiadas!

O que se come? Dizem que o banquete oficial e institucional deste país tem que ter camelo bébé, assado inteiro sobre uma cama de arroz. Felizmente não me deram a provar essa barbaridade... Têm muito bom pão, frutas secas excepcionais,  carneiro (assim, assim), galinha (enfim...) e algum lombo de vaca importado. Peixe há também, vindo do Oceano Índico, mole como as lesmas tal a temperatura da água. Estes pratos principais em restaurantes custam sempre mais de 40€. a alternativa são as omnipresentes pastas à l'italiana.

Claro que a carne de porco está proíbida, em qualquer das suas variantes. Daqui aproveito e mando um grande beijo à colega Filipa da Bulgária, que apesar de  aflita pela falta da vodka ainda teve a amabilidade de me oferecer um salpicãozinho do seu país para meter dentro do pão... Tínhamos uma padaria gourmet dentro do hotel, o que safou bem esta ausência de vitualhas habituais.

 Depois é  mais o que não se bebe... Álcool ao longe, muito ao longe,  pode ser entrevisto em lojas especiais e onde os impostos são de 300%. Desta forma um vinho ordinário, daqueles que nem para temperar carne assada, chega ao cliente por uns 30 euritos.

"Of course" que isso não impede os sheiks de oferecerem D. Pérignon e Chateau Petrus aos convidados ocidentais, na frescura dos seus complexos. Alguns, protegidos por muros com 7 metros, diz quem sabe que lá por dentro se parecem com a nossa Sintra... Só de pensar nos milhões de euros de água necessária para fazer esse  efeito estremeço.

Agora por água, ali no Qatar não a há. Só a do marzinho, que é dessalinizada para todas as aplicações domésticas... Bichos que façam  mal ao intestino não tem, tal a catrefada de químicos que leva. Mas não sei se com o tempo de consumo não dará azias e umas úlcerazitas.

Por isso a malta Qatarense importa água engarrafada das montanhas da Arménia. Chega em camiões TIR, todos os dias.

Acabo como como começei esta conversa: um outro planeta. Muita massa, calor em barda, uma vida perfeitamente artificial, fora do meio ambiente natural. Resta apenas acrescentar que a febre de construção de arranha-céus, complexos de escritórios e recintos desportivos e mais não sei quê, é tão grande que envergonharia José Sócrates no auge da sua demência construtora de Auto-estradas... e isto é dizer muito.

quinta-feira, setembro 20, 2012

Para Descansar a Vista

Não há fome que não dê em fartura. Dois poemas na mesma semana. As circunstâncias são de molde a espevitar a veia poética ...

(Atenção!! Não se leia "espetar a veia anémica". Não foi isso que eu disse nem sequer o que pensei!!)

Abandono o País cheio de dúvidas sobre o que se vai passar na política, angustiado pelo empate do meu Benfica na Escócia, preocupado com a resposta do CDS ao PSD, mortinho por não ser "mosca" e presenciar o Conselho de Estado, à rasquinha para pagar a 2ª prestação do IMI que já espreita, e a contar os "trocos" para as despesazitas da viagem ao Qatar, que isto de viajar hoje em serviço para o estrangeiro já foi chão que deu "uvas" (quero dizer, ajudas de custo).

Pensando bem, depois de escrever a última frase ( e deixando passar a questão dos cobres para comer lá pelo Golfo)  até que me apetece dar um suspiro de alívio por abandonar o retângulo pátrio.

Mas adiante que não estamos em Amarante!

De Herberto Hélder, o grande e misógino poeta, Pai de Daniel Oliveira um dos enfants terribles do nosso jornalismo de esquerda, aqui vos deixo esta obra-prima:

A Fonte

Ela é a fonte. Eu posso saber que é
a grande fonte
em que todos pensaram. Quando no campo
se procurava o trevo, ou em silêncio
se esperava a noite,
ou se ouvia algures na paz da terra
o urdir do tempo ---
cada um pensava na fonte. Era um manar
secreto e pacífico.
Uma coisa milagrosa que acontecia
ocultamente.

Ninguém falava dela, porque
era imensa. Mas todos a sabiam
como a teta. Como o odre.
Algo sorria dentro de nós.

Minhas irmãs faziam-se mulheres
suavemente. Meu pai lia.
Sorria dentro de mim uma aceitação
do trevo, uma descoberta muito casta.
Era a fonte.

Eu amava-a dolorosa e tranquilamente.
A lua formava-se
com uma ponta subtil de ferocidade,
e a maçã tomava um princípio
de esplendor.

Hoje o sexo desenhou-se. O pensamento
perdeu-se e renasceu.
Hoje sei permanentemente que ela
é a fonte.

                Herberto Helder


Nota: Retrato de Herberto Hélder é de Frederico Penteado

Os dias que por aí vêm

Eu tinha avisado que esta semana e a próxima iam ser complicadas aqui para o vosso Blogger...

Começou ontem, com compromissos familiares e de amizade que me levaram para o centro do país. Continua amanhã,  na Sexta Feira, com uma ida à pressa ao Funchal lançar a emissão das Levadas-Madeira. Parto às 8.00 e regresso nesse mesmo dia, pelas 16.00h.

Mal empregada viagem? Nem um fds se aproveita? Pois é, mas o estupor do senhorio faz anos no Sábado e lá tenho que estar em casa a fazer o almoço.. Para ele e para a "sargenta"... Apetece-lhes "Cozido"...  Enfim...

Na Segunda-Feira 24 vou fazer uma apresentação e colocar um Carimbo Comemorativo  na inauguração da  XIV Conferência Mundial de Impressores Oficiais e de Segurança, que se realiza neste ano em Portugal, sendo anfitriã a nossa INCM.

E depois o Congresso da UPU em Doha (Qatar). Começa a minha viagem a 25 e só regresso a 29. Apanha a semana que vem todinha.

Tentem sobreviver sem  estes Posts que eu também tentarei o mesmo... vai-me custar, mas penso que vamos conseguir.

Não me despeço sem poema. A ver no próximo Post.

terça-feira, setembro 18, 2012

Tempos de "Guerra"

O empréstimo que precisamos para pagar as despesas do Estado parece estar refém da entrada em vigor do plano de ajustamento tal como Pedro Passos Coelho o anunciou, com TSU e tudo o mais a que "temos direito".

É uma pressãozinha da Tróika, uma chantagenzinha que bem demonstra um facto simples e que até agora muitos portugueses não compreenderam:
Deixámos de ser um País independente e que se governa a si próprio.

A alternativa de se encontrar medida semelhante em esforço de poupança\encaixe financeiro é utilizada por vários membros das instituições que constituem os "parceiros de coligação social" , mas parece de difícil aplicação já que, pura e simplesmente,  a subida de 7% na TSU dos trabalhadores e a descida de 5,75% na TSU das empresas não foi avaliada em estimativa de efeitos (para além dos 500 milhões que contribui para o Orçamento e que é bem pouco).

E isto porquê? Porque nunca foi aplicada no mundo civilizado.

Bem pode TóZé Seguro vir falar alto e dizer que tem as tais alternativas para "outro caminho"... Caso os credores não estejam de acordo, não há pão para malucos e é aguentar com o Plano Passos\Gaspar em toda a sua amplitude ( e iniquidade).

Conselho de Estado para quê? Se a decisão já está tomada em Berlim?  Andamos a brincar às casinhas como se fôssemos ainda donos do nosso destino? 

Como dizia o Doutor Miguel Beleza: " Mas pode alguém esquecer-se que o País está insolvente??!!"

A gente às vezes esquece-se, para poder sonhar com coisas boas... Mas depois acorda para a dura e crua realidade.

 Uns mandam e outros obedecem. Se querem comer todos...

Só que alguns comem pão e bebem água, e os outros "comem" os milhões em cima da cabeça dos primeiros.

Isto pode ser verdade mas lá que faz um gajo sentir o estômago às voltas , lá isso faz...

segunda-feira, setembro 17, 2012

Zangam-se as Comadres?

O nosso "Conrado Portas"  lá se pronunciou. Muito sensato, dizendo o que a sua "gente" queria ouvir... Mas deixando vários preguinhos no caixão da coligação.

TSU? Não estávamos de acordo. Assim o dissémos, por várias vezes.  Foi por solidariedade e patriotismo que não nos opusémos deliberadamente.

Pedro Passos Coelho bem pode deitar as mãos à cabeça...

E agora? Bem, agora confiem em mim: "no pasa nada"!

Esta malta gosta mais de poder do que macaco de banana... Fazem-se umas cosméticas às propostas e todos amigos como dantes...
Mas sempre à espera da facadinha nas costas. Já é costume nestes Governos, mesmo quando havia pão em barda para distribuir por todos. Imaginem agora...



Nota: "Manter de Conrado o prudente silêncio" . Perguntam-me a origem da citação. Vejam aqui sff:
A expressão é variante da célebre frase «J´imite de Conrart le silence prudent», escrita por Boileau referindo-se a Valentin Conrart.
Valentin Conrart foi um escritor francês de pouca nomeada, que nasceu e morreu em Paris (1603-1675). Seu pai quis destiná-lo ao comércio, mas, tendo aquele falecido cedo, o jovem Conrart, rico e ambicioso, dedicou-se exclusivamente às letras, reunindo em sua casa excelentes escritores, que vieram a constituir a Academia Francesa (1634), da qual Conrart foi secretário.
Foi também conselheiro e secretário particular do rei. Era um homem muito culto que escreveu muito, mas poucas obras publicou (Ballade, Lettres familières à M. Félibien), dedicando-se, sim, à publicação de obras de outros escritores.
Foi vítima do sarcasmo de alguns escritores, entre os quais Boileau. Tornou-se célebre a sátira de Boileau dirigida a Conrart, que começa assim: «J´imite de Conrart le silence prudent.»
Referia-se Boileau à decisão de Conrart de não falar de determinado assunto, ou por o desconhecer ou por não lhe convir referir-se a ele.

Para Descansar a Vista

Atrasado cá vai o poema da semana passada.

Tema: Se ainda te  mexes é porque não morreste. Todos à Manif!

Começo com esta "jóia" de Mestre Agostinho da Silva:

Revolução

Pena que as revoluções
não as façam os tiranos
se fariam bem em ordem
durariam menos anos

liberdade sairia
como verba de orçamento
e se houvesse qualquer saldo
se inventava suplemento

pagamento em dia certo
daria para isto aquilo
o que sobrasse guardado
de todo o assalto a silo

mas o que falta aos tiranos
é só imaginação
e o jeito na circunstância
é mesmo a revolução.

Agostinho da Silva, in 'Poemas'



E termino com a Sophia de nós todos:

Revolução - Descobrimento

Revolução isto é: descobrimento
Mundo recomeçado a partir da praia pura
Como poema a partir da página em branco
— Catarsis emergir verdade exposta
Tempo terrestre a perguntar seu rosto

Sophia de Mello Breyner Andresen, in "O Nome das Coisas"




sexta-feira, setembro 14, 2012

O Poço

Um dos meus primeiros trabalhos quando fui conhecer os meus sogros à quinta da Beira Alta foi - imaginem para um cascaense - ajudar o pessoal a "desentupir um poço de rega".

Naquela altura , lá para 1979,  a rega dos lameiros no Verão era feita com a água que , vinda de serra, se armazenava em duas ou três "minas" que se furaram na quinta. E uma dessas estava a necessitar de manutenção. Andei por lá um dia e meio, e juro que cada vez que tirava um balde de lama e pedras do fundo tinha quase a certeza que era o último. Mas não era...

O "fundo do poço" ficava sempre um pouco mais para baixo. Na prática, como depois compreendi, o fundo era aquilo que o meu sogro entendia que devia ser. Quanto mais fundo e desanuviado de constrangimentos melhor, mais água apresava...

Este Portugal parece ser  o tal poço...

Ontem nas TV's fomos bombardeados por uma catadupa de impressões sensoriais que começaram com a intervenção do Lider da oposição e  pela entrevista do 1º Ministro e depois , até altas horas, continuaram com os muitos comentários de tudo quanto era gente, de todos os quadrantes.

É certo e sabido que Pedro Passos Coelho está cada vez mais parecido com José Sócrates na teimosia e obstinação. Por outro lado, Seguro afirmou-se claramente e ergueu a bandeira da oposição firme a estas políticas. Do CDS nada se sabe : Paulo Portas imita a ficção e " mostra de Conrado o prudente silêncio"...

A tróika, o memorando, os sacrifícios , a TSU. O povo, a classe média, os banqueiros, o IRS as empresas , as falências e o desemprego... Mas que grande caldeirada!

Algumas coisas, contudo, parecem certas:
a) Portugal não sai deste "poço" sozinho.
b) Os credores só emprestam com condições.
c) Quem precisa tem de pagar e sofrer.
d) Mas...há graduações nos sacrifícios e nesse sofrer.

Pondo tudo isto em equação acho que qualquer cidadão de boa fé entenderia que o caminho tem de ser  a continuação dos sacrifícios e do sofrimento, MAS de forma a que os que têm de pagar ( e são os trabalhadores por conta de outrém, pensionistas e pequenos empresários que assumem essa condição quase exclusivamente) o possam fazer sem maior desagregação do seu nível de vida e mantendo a  esperança em dias melhores.

Por outras palavras: pagar e sofrer sim. Mas com conta , peso e medida que evite a revolta social e a ruptura do povo com o  Governo.

Aqui é que Passos Coelho e Gaspar falham: não entendem (ou, ainda pior, sabem-no perfeitamente mas não conseguem resolver)   que pela Receita estamos quase a romper a corda... E que todas as baterias têm de ser apontadas ao controlo da Despesa do Estado.

Mas esta não é facilmente controlável...

Medina Carreira incita o Governo a rasgar as PPP. Mas ontem percebeu-se porque é que o Governo não o faz: Os detentores desses contratos "complexos" são os mesmos bancos internacionais a que Portugal depois vai pedir dinheiro para se financiar... Que pescadinha de rabo na boca...

O mundo é uma roda. Tudo vai dar ao mesmo: o grande capital está em tudo, parece uma cola pegajosa que se prende às mãos. As marionettes (que são os Passos Coelhos deste mundo) dançam ao som dos tambores enquanto que os bonecreiros\banqueiros mexem nos fios que lhes prendem pés e mãos.

O que é Vitor Gaspar senão um "feitor dos patrões"?

Nesta situação já nem sei bem se não preferiria um corte profundo com tudo: sair do euro e pôr o contador a zeros outra vez...

Ou isso, ou finalmente haver sensatez no Governo e na Oposição para negociarem conjuntamente um Programa mais suave de ajustamento.

Os credores não o permitem? Olhem que sim...Mais vale receber a "maquia" mais tarde do que nunca mais a receber...

E a Islândia parece que conseguiu fazer entender isso perfeitamente aos seus credores. Porque não Portugal?

Vejam aqui sff:
http://www.standard-freeholder.com/2012/07/01/icelands-defiant-president-wins-record-fifth-term

quinta-feira, setembro 13, 2012

Velhinho Vila Meã: As Teias da austeridade

Ontem não passei por aqui. Estive em reunião na Torre dos Clérigos com o Presidente da Irmandade e com os colegas do Porto, para estudarmos a melhor forma de comemorar os 250 anos da obra prima de Nicolau Nasoni, hoje Ex-Libris da Invicta!

Ao almoço fomos ali bem perto da sombra protetora da velha torre, à Rua dos Caldeireiros, visitar uma locanda velhinha - sob a égide do mesmo proprietário deste 1976, mas antes disso e desde tempos imemoriais já taberna e casa de pasto   - e que tem sido sempre sinónimo de bom "porto" e de afável acolhimento na vetusta cidade granítica.

Trata-se da:

Adega Vila Meã
Rua dos Caldeireiros 62
Porto
4050-137 PORTO

Telefone - 222082967

O bacalhau escachado é um prato típico da casa, mas também o polvo assado no forno, os filetes de polvo com arroz do mesmo,  ou os filetes de pescada com arroz de legumes. E sempre o cozido à portuguesa , os rojões (com ou sem arroz de sarrabulho) e o cabrito ou a vitela assada no forno. Uma casa muito simples, com um ar de adega de amigos, ambiente limpíssimo e serviço familiar.

Era um dos locais onde eu ia com o meu Pai comer ao Porto, juntamente com a antiga casa da Mamuda ( já nem me lembro do nome do restaurante)  e a famosa Abadia (das Tripas) na Rua do Ateneu!

Como entradas queijo da serra bom, sem frio, depois uma alheira de caça, excelente.  A sério comemos Rojões,  prato que ali se revelou completíssimo, com tudo a que temos direito e que pôs em sentido Rojões servidos  mesmo no Minho. Desde o sangue cozido à tripa enfarinhada , passando pelas belouras, pelo rojão propriamente dito, pelo fígado e pelo amabilíssimo arroz de sarrabulho para os apreciadores.

Bebemos uns verdes e rosés de Baião para limpar os dentes. E depois um Douro Tinto Crasto de 2009. Magnífico vinho em termos de qualidade face ao preço.

E por tudo isto , juntando 3 cafés,  pagou-se  - 3 pessoas - cerca de 60€

O problema é que fomos os únicos clientes quase até nos virmos embora... E à saída apareceu mais uma mesita com 4 senhoras turistas...

Num restaurante destes onde a marcação era indispensável!  Onde se fazia fila à porta...

Onde vamos parar Amigos? Mais uma casa à espera de fechar?

Não pode ser ! Este caminho não leva a nada.

terça-feira, setembro 11, 2012

A Bi-Rotunda: Isto é alguma Estação Fluvial?

Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras e Marquês de Pombal não era bom de assoar.

Durante mais de 30 anos mandou neste país como quis. Na complacência de D. José I encontrou o Marquês refrigério e conforto para "tratar da quinta" à sua vontade.

Fez coisas boas, fez coisas assim-assim e fez grandes m****.  Há quem o defenda por causa da Baixa Pombalina e da reação ao terremoto. Mas eu nunca gostei dele. E não, amigos, não é pela familiaridade que parece demonstrar para com o leão a seu lado...

Basta pensar que ao expulsar os jesuitas a pretexto da conspiração para assassinar o rei ( se é que tal existiu) deu cabo da única rede eficaz de ensino da juventude existente naquela altura. E Portugal nunca mais, até mesmo ao início da República e com o 28 de Maio, recuperou dessa desgraça. Criou o Colégio dos Nobres, foi mentor da "aula do risco"? Foi, mas onde estavam os grandes professores para esses estabelecimentos? Fugiram e estavam a dar aulas em Antuérpia ou em Londres...

Ainda hoje sofremos por causa disso.  Reparem que depois de Pedro Nunes nunca mais Portugal teve um cientista digno desse nome até Egas Moniz. E mesmo esse, vou ali e já venho...

O que dirá agora tal personagem quase imperial ao ver a desbunda que a autarquia entendeu fazer na "sua" Praça?

A Praça do Marquês de Pombal está transformada numa "Bi-Rotunda": Andam lá por dentro dois anéis concêntricos de viaturas. Cada um tem as suas "alimentações" e "escoamentos". E parece que não fizeram escoadouros para as águas das chuvas...

Porquê? Bem, a resposta dada ao único português inteligente que por lá apareceu na inauguração foi engraçada. O portuguesinho humilde perguntou:

-"Oh Senhores! Faz favor! Peço desculpa por perguntar: isto aqui vai ser alguma estação fluvial? É que sem escoadouros nem sargetas feitas no alcatrão as águas das chuvas vão inundar a Avenida!"

E a resposta da engenheira da Câmara, a pensar para com os seus botões que já não havia respeito e até a formiga tinha catarro:

-" Esta obra é muito complexa! Tais acabamentos ficam para depois, para obras complementares!"

E o português antigo, com a 4ª classe tirada na educação de adultos, como disse,  ainda rematou:

"-Pois é, agora constroem e depois destroem e tornam a construir à custa do povo, não é? Por isso é que o País está como está! Adeusinho que já falei demais para quem tem a 4ª classe!"

Oh António Costa, amigo, não deixes ir o homem embora e contrata-o já para a vereação das Obras Públicas e do Urbanismo!

Olha que o Marquês ainda lhe salta a tampa, solta o leão e vem cá para baixo bater com a bengala nos engenheiros (as) da CML! E o gajo não era meigo enquanto viveu... reparem bem no real focinho da criatura... Cruzes Credo!

segunda-feira, setembro 10, 2012

Bonjour Tristesse!

O comunicado do nosso 1º Ministro de Sexta Feira passada foi amplamente comentado por tudo quanto é gente no Sábado e no Domingo.  Até pensei escrever este Post logo que o estômago se acalmou , nessa mesma 6ª F depois do joguinho (para não lhe chamar outra coisa) que opôs Portugal e o Luxemburgo, mas não há dúvida que o distanciamente permite reserva e permite reflexão...

Emoções e ânsias  à parte ( e são muitas, tantas que me parece terem iniciado um sindroma de "malaise" que ainda não me passou) o que penso é o seguinte:
a) Passos Coelho anunciou medidas de ainda mais austeridade com reduções inequívocas do rendimento disponível dos trabalhadores portugueses. Chamem-lhe o que lhe chamarem, se a malta vai para casa ao fim do mês com menos dinheiro para gastar, então mesmo sem ser imposto será um abaixamento do nível de vida.
b) E não digam que "ficou tudo na mesma para os funcionários do SEE"  O desconto de 7% a mais nas contribuições para a Segurança Social vai levar mais do que um mês de ordenado a muitos funcionários e trabalhadores da economia  privada. E onde está a "equidade" em relação a reformados e pensionistas?
c) Esta procissão vai ainda no adro. Com as reorganizações "simplificadas" dos escalões do IRS que por aí vêm, é esperado que todos, sejam quem forem os trabalhadores ou pensionistas, ainda mais paguem...
d) As Empresas lucram alguma coisa que se veja com a correspondente (mas não proporcional) baixa na contribuição homóloga? Há algumas que sim: Bancos, Grande Distribuição, Energia e Comunicações, os tubarões do nosso mercado. As pequenas e médias? Duvido... O pouco que poupem será quanto muito um balãozito de oxigénio que nunca compensará a perda de vendas resultante de ainda menor consumo.
e) E quanto à parte do sacrifício que devia tocar aos "outros" rendimentos, ao capital? Passos disse...nada.

Em conclusão: Será inconstitucional este pacote de medidas como parece agora (ou não, esperemos pelo Orçamento de Estado) mas uma coisa é certa: Quem se está "lixando para as Eleições" mostrou na Sexta Feira passada que também se está "lixando para os trabalhadores"... A sua "praia" é outra.  A ideologia tem destas coisas.

E o grande problema parece-me ser este: A baixar ainda mais o consumo dos portugueses, como se vão aguentar as PME's que vivem desse mercado interno? Ou só de exportações vive a economia nacional?

O que se pretende com esta estratégia - mesmo que o não digam - será reduzir a economia portuguesa à sua "dimensão natural", deixando falir as empresas que não têm lugar "por incompetência ou por dimensão do mercado"... 

É o catecismo neo-liberal que, como vimos, tão bons resultados deu nos USA com a Fanny Mae e o Freddy Mac (ainda se lembram? Dos lideres do mercado secundário de hipotecas que fizeram ruir o edifício do capitalismo selvagem à moda do Sr. Bernard Maddof?)

Ou seja, dito por outras palavras, esta política tem em vista assassinar o retalho, acabar com a restauração e o pequeno comércio de rua, e transformar Portugal num aglomerado de "boas" empresas "viradas à exportação",  incluindo as suas fornecedoras que, se pensarmos bem, na maioria dos casos são estrangeiras: De onde vem  a energia elétrica e  petróleo? De onde vêm as peças de alta tecnologia para a Ford-Volkswagen? De onde vêm os Geradores? De onde vêm os componentes dos lagares de azeite e das modernas adegas com tecnologia a frio e movimentação vertical de massas vínicas?...

O risco que se corre - e eu já aqui o disse - é transformar o país numa Cuba dos anos 70 do século passado, sem industria, sem comércio e sem serviços a não ser os que estão virados para o Turismo. E com uma agricultura de subsistência...
E o problema é que não existe cá folha de tabaco em condições para fazer Cohibas.

Notas finais
1: François Hollande vai taxar as grandes fortunas e os vencimentos acima de  1 milhão euros por ano com um imposto especial de 75%. É claro que esta questão é ideológica e não poderemos esperar que um Governo de direita neo-liberal avance por esse caminho...
http://www.deltaworld.org/international/Hollande-announced-today-the-most-important-economic-adjustment-of-France-in-30-years/

2:Chapelada a Jerónimo de Sousa pelo discurso (bem, por parte dele, a outra já vem na cassete desde o tempo do Dr. Cunhal) do encerramento da Festa do Avante. Foi o leader mais lúcido a reagir e que sabe exatamente o que tem a fazer. Assim outros estivessem tão "Seguros" como ele...

sexta-feira, setembro 07, 2012

Para Descansar a Vista

Ainda estou a recuperar, mal refeito do comunicado de ontem de Mário Draghi (adoro a Itália camaradas!) que fez tremer a empedernida e majestática posição hanseática sobre as formas de tratar da Crise na Europa.

Está claro que nos noticiários caseiros o discípulo luso da valquíria mandou logo começarem a circular noticiazinhas sobre o "provável aumento de impostos" e outras coisinhas dessas. Já cá se esperava. Era para "equilibrar", não fossem os pobres entrar logo em devaneios sobre o princípio do fim da crise!

Era o que faltava! Esta Crise só acabará quando Eu (Ele) disser!

Não se preocupem os poderes constituídos e eleitos que o Povo ainda não festeja nas ruas. O que é a "simplificação no IRS, a diminuição dos escalões" já anteontem anunciada senão uma encapotada e até grosseira forma de aumentar impostos e liquidar o que resta da classe média?

Mas adiante que não estamos em Amarante e hoje é dia de celebrar a Mãe Roma : Ad fontes redeunt longo post tempore lymphae – (Ao cabo de longo tempo, as águas voltam à fonte).

Mas enquanto não voltam temos que gramar estas exéquias Passistícas...

Aqui vai de Petrarca, "o" clássico, um dos "pais " de Camões, um soneto admirável:

Soneto XXII
S' amor non è, che dunque è quel ch' io sento?
Ma s'egli è amor, per Dio, che cosa e quale?
Se buona, ond è effetto aspro mortale?
Se ria, ond' è si dolce ogni tormento?
 
S'a mia voglia arado, ond' è 'I pianto e 'I lamento?
S'a mal mio grado, il lamentar che vale?
O viva morte, o dilettoso male,
Come puoi tanto in me s'io nol consento?
 
E s'io 'I consento, a gran torto mi doglio.
Fra sì contrari venti, in frale barca
Mi trivo in alto mar, senza governo,
 
Sí lieve di saber, d'error sí carca,
Ch' i i' medesmo non so quel ch' io mi voglio,
E tremo a mèzza state, ardemdo il verno
                                                                        Petrarca

Nota de um dos grandes tradutores de Petraca, Érico Nogueira: Diferentemente do seu patrício Torquato Tasso, Petrarca chegou vivo ao dia da sua 'coroação': e aos 8 de abril de 1341 foi oficialmente declarado "magnus poeta et historicus" na cidade eterna.
Essa coisa de chancela oficial é evidentemente alheia ao labor da poesia; mas que o reconhecimento favoreça bons versos, ah, disso eu não tenho dúvida...

E eu não podia estar mais de acordo...Por isso ainda mais admiro Camões. Petrarca foi enterrado na Piazza de Arqua, cidadezinha lindíssima onde viveu os últimos anos da sua vida e onde faleceu. Mais tarde esta cidade mudou o seu nome para Arqua-Petrarca...

E Camões? Sabem onde está enterrado? Pois, eu também não sei.
Há Principes dos Poetas com "p" e outros com "P"... Mas isso tem a ver com a terra, Madrasta ou Mãe, onde tiveram a sorte ou a infelicidade de terem nascido...

quinta-feira, setembro 06, 2012

Sol na testa e vento no cabelo

Os carecas são boa gente (por norma).

Claro que há o Pierluigi Colina que não tinha ar de boa rês, e agora aparece-nos cá por casa de quando em vez mais um dessa raça - o Sr. Jürgen Kröger, representante da CE na Troika - por quem também não ponho as mãos no lume.

Mas fora isso é tudo boa gente: o Paolo, o Acácio, o Leiria Viegas, o Gervas, o Soares Rodrigues, o Armelim, etc, etc...

Sendo desprotegidos nas partes altaneiras do esqueleto, a esses amigos convém usar chapéu (vem à memória o magnífico panamá do Dr. Mário Soares) . Por outro lado, não têm que se afligir com o vento no cabelo.

Esta charla começa  assim porque acordei hoje a pensar que um dos remédios para os males dos países do Sul será usar aquilo que eles têm e que aos outros faz falta. Uma espécie de curar a mordidela do rafeiro com o pêlo do mesmo rafeiro...

Sol e Vento são fonte de energias alternativas, as quais, por efeito de colagem inevitável ao consulado de José Sócrates, parece que caíram hoje em desgraça.

Ora o que temos em barda é Sol. E se formos ali para os lados de Sagres, também não faltará o Vento. Em Sagres faz-de o dois em um naturalmente. Mas não só: Guincho, Lourinhã, Nazaré, Aguda, Moledo, e por aí fora. E, não pretendendo estragar as praias com a poluição estética decorrente, basta afastarem-se uns km para dentro que as circunstâncias não se alteram muito.

Bem sei que ainda não são rentáveis estas alternativas, que o zé povo (que já tanto paga) provavelmente não as deveria co-financiar através da fatura da EDP, e etc, etc... Até o Sr. Governo veio agora retirar os benefícios fiscais à sua implementação por empresas e particulares.

Mas não deixo de pensar de mim para comigo que abandonando essa vertente alternativa  energética estamos a ficar para trás num dos poucos pontos do desenvolvimento das sociedades onde éramos do pelotão da frente... e mesmo que se descubra pitrol no Alentejo e gás natural ao largo de Olhão, essas reservas não vão durar para sempre.

Leiam aqui sff:

http://www.energybulletin.net/stories/2011-05-30/cia-accurately-predicted-how-long-world-oil-supplies-would-last%E2%80%94-1978

A CIA tinha já previsto em 78 que as reservas existentes durariam, no máximo, entre 60 a 90 anos.

- "60 a 90 anos, mesmo a contar de 1978,  não é problema meu!!"

Dirão alguns leitores.

Pois...  E eu respondo:  -"Cum caraças!"

Comentários

Dois Amigos comentam o "vernáculo" do Restaurante aqui citado ontem... E vão mais longe: haverá no Montijo a famosa "Taberna dos Cabrões", onde parece que se come bastante bem apesar do nome poder ser algo incomodativo para alguns.  

Para outros, tudo o que contribua para aligeirar a "tença" da Senhora é bem vindo...É que "ele" há boutiques, e cabeleireiros e liftings e repuxes e acrescentos e peelings e  mais não sei o quê ... Ora tudo isto por cima da economia "Gaspar"...

Já o magnífico Jacinto, lá nas Parises do tempo do Eça, se queixava que para manter uma cortesã ao nível a que estava habituada era preciso um sindicato bancário...

E pouco mudou. Pensando bem o que terá mudado é que hoje "ele" há também uns cavalheiros que ficam tão caros ou ainda mais às mulheres do que as madamas do Jacinto de  Paris...Mas essa conversa leváva-nos longe e tenho de manter o nível do Blog (acima da linha de água!)

quarta-feira, setembro 05, 2012

Casa da Pêga (importa-se de repetir??!!)

Reunião na Casa de Camilo em S. Miguel de Seide. Admirável edifício de mestre Siza, perfeitamente integrado na bucólica aldeia minhota que viu a morte e a vida do grande escritor. Tratámos da edição de um Postal Inteiro que comemore os 150 anos da publicação do Amor de Perdição.

Terminada a reunião pelas 12,30h houve que arranjar poiso manducal. Havia sempre a hipótese de Famalicão, ali perto, onde parece que o velhinho Tanoeiro perdeu fulgor , mas brilha agora o restaurante Ferrugem, de cozinha mais modernaça embora ancorada em matéria prima local.

Mas por aí não fui.

Falaram-me de um restaurante simples e à moda da terra minhota, que se chamaria "Casa Pêga" ou Casa da Pêga" . Pelo nome foi fácil de encontrar a meio caminho entre Famalicão e Seide, na freguesia denominada Antas . Quem, nesse caminho de Famalicão para Seide,  vislumbrar por cima do tejadilho do carro o viaduto da Via Rápida Braga-Porto (convém mesmo ser apenas vislumbrar de relance, não vá a viatura chocar de frente com alguma parede enquanto a vista se perde para cima...) já sabe que ali vira à direita e depois num instantinho está no tal "Casa  Pêga".

Casa Pêga
Rua 8 de Dezembro 2316
Vila Nova de Famalicão (Antas)
4760-016 VILA NOVA DE FAMALICÃO
Distrito: BragaTelefone - 252374175

Sala ampla, barulhenta que baste, cheia até dizer chega. Irmão e irmã a tomar conta das ocorrências com alguns sobrinhos, tudo à civil, sem fardamento. Entra-se por um terraço fechado por marquise em alumínio  (de fugir). Passa-se entretanto por uma espécie de corredor amplo que aparentemente "tem cozinha à vista" de ambos os lados. Até que atravessando mais uma porta se entra na tal sala de jantar ampla.

Mesa posta com roupa séria, e idem para os guardanapos. Um "Plasma"  a dar a SportTV mesmo em frente e por cima da porta de entrada. Felizmente sem som.

Ambiente familiar (até demais) e  decoração completamente kitsch. Para lá do kitsch até, do género: "Olha que tenho para lá isto em casa, onde é que o posso pôr até me lembrar de mandar fora?"

Então, dirão os leitores, se o ambiente é ruidoso que se farta, se a decoração é de fugir ou de entrar com óculos escuros e nunca mais os tirar, porque é que estou a gastar tanto latim com esta locanda?

Bem, porque se come estupidamente bem... E quem lá vai são as pessoas de Famalicão e até do Porto... Tudo gente conhecida que acha graça às manias dos proprietários , que tratam (e são tratados) pelos nomes próprios...


O que se come na Pêga: Rojões à moda do Minho; Cabrito assado no forno; Vitela com favas; Mão de vitela com grão; Vitela assada no forno; Cozido à Portuguesa;  Bacalhau à casa, à Brás, Bacalhau Assado, Bacalhau em bolinhos com arroz do mesmo, e Peixes frescos variados, assados, fritos ou cozidos. 
Para sobremesa o verdadeiro e quase mitológico "melão pimenta" do Minho, aquele casca de carvalho que os apreciadores gostam muito maduro, para saborearem o apimentado.

Naquele dia havia Marmotas fritas com arroz de pimentos, Fanecas fritas com arroz de tomate ( os arrozes trocavam);  Robalo da Apúlia assado no forno com arroz de grelos e batatinhas.

Bolinhos de bacalhau e arroz de bacalhau saíam sempre. Era um ver se te avias!

Comi deles, provei uns enchidinhos do cozido, ainda arranjei lugar para umas tascadinhas de vitela assada e tive (cheio de pena!) que recusar uma tijelinha de mão de vaca...

O vinho branco da casa é de Felgueiras e não apreciei muito. Mas o verde tinto da casta Vinhão, servido em jarro, é muito bom. Fora isso, à parte a proletária escolha,  a carta de vinhos tem qualidade, com os  Douros em proeminência.

Existe uma bagaceira branquinha de vinho verde, feita ali mesmo em Abade de Vermoim, que é de cair para o lado, praticamente só a cheirei, porque tinha mais de 350km pela frente ainda...

Em conclusão: Paguei 24 euros. Teria pago uns 14 ou 15 se fosse mais contido nas provas... Gostei e fiquei cliente. Mas não é local para levar metrosexuais ou outras criaturas "ligadas" às marcas, à moda ou à estética... Teriam um xelique (ou dois).

Pensando melhor, essa circunstância até me tornou esta casa ainda mais simpática...