sexta-feira, abril 02, 2010

A Amenta ou Ementa das Almas na Sexta Feira Santa

O antigo – provavelmente originado no Sec IX - ritual de Amentar ou Ementar as Almas será hoje de novo efectuado junto aos cruzeiros da aldeia, antes da meia-noite. Agora faz-se  apenas na Sexta feira Santa. Mas já foi esta “Reza pelos Mortos” um ritual de toda a Quaresma.

A palavra “Amentar” e a sua irmã “Ementar” significam etimologicamente “alma” ou “espírito” a primeira, e “recordar” a segunda. Daí que o Prof Sousa Viterbo tenha dado de “Ementar” o significado : “quando os pastores da Igreja rezam pelos defuntos”.

Mais tarde as várias corruptelas vulgares deram a este antigo ritual nomes como “Aumentar as Almas” , “Encomenda das Almas”, “Pregão das Almas” ou ainda “Alimentar as Almas”. O que está na base do antiquíssimo costume não é mais do que um conjunto de rezas pelos mortos, curiosamente, nalguns locais, feitas pelos populares, sem a contribuição do sacerdote. Há também quem lhe chame a procissão sem padre da noite de Sexta Feira Santa.

Seguindo a Tese do Prof. Pinto Gonçalves, estudando este costume em Loriga, situam os eruditos no início do Cristianismo na Península Ibérica as origens do ritual, porque o seu cerimonial baseia-se em canto Modal, estando a respectiva melodia construída em torno do que chamam os etnomusicólogos “Modo autêntico de Ré, ou Dórico”. Tem algumas semelhanças com o Cantochão alentejano, (Gregoriano plebeu) sobretudo ao nível do responso e da existência de Melismas, sílabas únicas que se arrastam pela melodia fora.

O canto Tonal, a que todos estamos muito mais habituados, baseado em escalas musicais, só surge a partir dos sec XVII e XVIII.

Numa descrição de gente daqui de cima ( de Mangualde) aqui vai em que consiste esta cerimónia:

“O ritual consistia em sete Cânticos; sete apelos; sete orações; sete ais.
Neste costume é constante a lembrança da conversão do pecador, uma vez que a morte é certa para todos.
O Ementar das Almas, cantando e rezando, fazia estremecer e causar forte impressão e respeito aqueles que ouviam.

As pessoas eram escolhidas, o caso era muito sério e da maior responsabilidade. Os homens de capote ou casaco, de golas levantadas, chapéu inclinado para os olhos. As mulheres “agachadas” nos xailes pretos deitado pela cabeça, ao começarem fazia-se o sinal da cruz, uma voz do grupo, dizia :”- rezemos um Padre-Nosso e uma Ave-Maria, em louvor do Anjo da Guarda, para que vá em nossa companhia”.

Quem começasse não podia desistir, não se podia falar, nem olhar para trás durante o percurso, desde a primeira, até á ultima paragem. Não podiam ver ninguém, nem serem vistos por ninguém. À medida que o cântico aterrador soava, nas casas onde o ouviam deviam começar as orações pelos seus defuntos.

Tais cuidados eram tomados porque se dizia que as almas da freguesia seguiam atrás da procissão , desde o 1º cruzeiro, normalmente o do adro da igreja, até ao último de cada aldeia.”

A Sina que as Cabras têm

O verdadeiro "Socialismo" , aquele que tem a ver com a socialização das pessoas, com a sua ligação umas com as outras, em casa ou nas adegas,  terá começado aqui pelas províncias, sobretudo em terras de pequeno minifúndio e de algumas gentes, dado que no nosso Alentejo a lonjura de monte a monte e a pouca abundância de indígenas não devia ser propícia a muita conversa e a muito roçar de cotovelo.

Na Beira Alta,  a Adega - pública (taberna)  ou privada, mas mais esta - constítuia  a tertúlia dos bons amigos, onde estes "repousavam" das tarefas do campo, onde jogavam à bisca, onde ouviam o relato do jogo do Benfica (maioritaríssimo nas preferências serranas) e onde discutiam o  Árbitro com fervor, o Sacristão e o Padre mais ou menos abertamente , e o Regedor e outras autoridades civis mais ou menos encobertamente, nos tempos da ditadura, claro está.

Nos dias de hoje pouco mudou. Graças a Deus discute-se agora  "o Sócrates" e o Governo, mas continua-se alegremente a dizer mal do Árbitro, Padre e do Sacristão e, obviamente,  a ver os jogos do Benfica.

Nestas confraternizações, onde comparticipei sempre em nossa casa ou em casa de amigos, lá mais para a hora da "sossega" onde  a santa trindade do queijo, presunto e vinho já tinha feito das suas, vinha muitas vezes à liça a questão bem árabe da predestinação, do destino a que todos estamos sujeitos.

O Serrano não admitia que as falhas da sua vida, aquilo que de menos bom lhe acontecia, tivessem a ver com ele ou com as suas atitudes... Tudo era levado à conta da "triste sorte" ou da "malfadada sina". Assim se desculpavam das desgraças que lhes acontecia.

Um velho vizinho do meu sogro, já falecido , tinha por alcunha o "Zé Bufa Bagina" - atenção, com dois b's!!  A alcunha parece que lhe vinha do bafo alcoólico que lhe emanava das trombas dia sim, dia sim. Quase como se fosse o cheiro nauseabundo de uma..."coisa" lavada apenas ao Domingo, antes da Missa.

Este Vizinho Zé Bufa que  costumava emborrachar-se todas as sextas e sábados, tinha um rebanho de cabras (melhor dito, 7 ou 8) que necessitavam da ordenha todas as noites.
Nos dias da borracheira nem via se aquilo eram cabras ou bois, quanto mais conseguir distinguir as tetas debaixo de cada uma das infelizes.
Por volta das seis da manhã as pobres berravam (como cabras) cheias de dores nos úberes, abarrotando de leite. O Vizinho, acordado pelos amigos que não conseguiam pregar olho com a berraria, vinha então encostar-se à porta da "loja" onde tinha as cabras, e filosoficamente confessava aos transeuntes:

-" No mundo está tudo escrito por Deus Nosso Senhor. Não podemos alterar nada! Por exemplo, é Sina que estas cabras têm , coitadinhas, de haver dias em que não se lhes tira o Leite".

Os amigos bem lhe gritavam:

"-  Mas oh Zé Bufa, não lhes tiram o leite porque o dono emborrachou-se! O que é que isso tem a ver com  a sina das Cabras?"

Ao que ele retorquia:

"- Não sabem o que estão a dizer! É tal-qual assim vai fazer quase dez anos! Sempre aos fins de semana! E podem ter a certeza que para o próximo também se passará o mesmo! É a Sina das Cabras, já disse!"

Vem isto a propósito de mais uma história de corrupção, agora via um tal negócio de "Submarinos", a qual envolveria o Governo PSD\CDS de Durão Barroso, mais um Contra-Almirante, e ainda mais um Cônsul Honorário de Portugal na Alemanha.

As autoridades alemãs investigam (o que , pelo menos a mim, me dá algum descanso sobre a rapidez das demandas) mas o assunto já vem em todos os Meios de Comunicação Social deste pobre País.

Ora vejamos: Houve os Sobreiros do BES, o Freeport, o Face Oculta; houve o Apito Dourado, e agora o caso dos Submarinos. Tudo isto em menos de 5 anos...

Ponho-me a pensar se não teria razão o Vizinho Zé Bufa Bagina... Portugal teria o (corrupto) destino traçado?

"É sina que as Cabras têm"...

Dia Magro

Estamos a preparar o almoço de Sexta feira Santa. Peixe, está claro! É este o grande dia magro ou de "guarda" na terminologia cristã, o qual antecede os folguedos da Páscoa da Ressurreição. Vim aviado de Cascais com uma Pescada e um Cherne a que vamos agora dar o melhor seguimento possível. Pelo menos o melhor que eu sei fazer, e que será pouco...
Para o Almoço uma cabeça de Cherne e uma cabeça de Pescada assadas no forno, com as competentes Ovas (da pescada) e, ao lado noutro tabuleiro, as batatas da terra, cortadas em quartos.

O tempero é muito simples para não "mascarar" o Peixe fresco: cebola , alhos e chalotas cortadas finamente e postas no fundo dos tabuleiros. Azeite do nosso.  A chalota suaviza mais o sabor do que a cebola, cuja preponderância irrompe sobranceira pelos outros paladares dentro, sobretudo se forem desta aqui da quinta, "más e bravias" até dizer chega,  boas para deixar envelhecer e utilizar nas nossas sopas.

As cabeças foram ambas arrepiadas de sal logo pelas 7.30H e irão para o forno lá mais para as 11.00H, assando lentamente.

O segredo deste assado "misto" é apenas saber regular a temperatura do forno. Os tabuleiros devem entrar para o forno já quente, a 250 graus.

Por cima coloca-se o Peixe, por baixo as batatas. Regamos de 15 em 15 minutos. Ao fim de meia hora trocamos os tabuleiros. Continuamos a regar até as batatas estarem assadas (de uma hora, a hora e meia). Se o peixe estiver muito adiantado em relação às batatas, retiramos o tabuleiro por uns tempos e voltamos a introduzir na etapa final.

Como observam são coisas que só a experiência e o conhecimento do fogão de cada um, lá em vossa casa, aperfeiçoam.

Para acompanhamento vamos então lá provar o famoso Branco da nossa Casa, feito de Encruzado, Malvasia  e Borrada das Moscas. O tal que nunca mais "dava prova"  numa das últimas excursões dos "cascavélicos" aqui à Serra.

Para o jantar talvez um caldo verde segado à mão, das couves  criadas aqui na quinta, e um ou dois naquitos de queijo da serra, amanteigado e do rijo (do ano passado) para fazer boca...

quarta-feira, março 31, 2010

Na Páscoa, para a Serra

Como de costume parto para a Serra da Estrela , ao caminho do Queijo da época (o melhor do ano) e dos Cabritos serranos.

Próximos Posts (talvez com menor regularidade) já serão enviados lá do sopé da "mais alta".

Uma Boa Páscoa para todos!

terça-feira, março 30, 2010

Pedras Preciosas na Arte Sacra, em Portugal

Lançámos ontem mais um Livro Temático: Pedras Preciosas na Arte Sacra em Portugal, da autoria de Rui Galopim de Carvalho (filho do mais famoso Galopim de Carvalho, "pai" dos nossos dinossauros...ainda se lembram dele?)

Galopim de Carvalho junior é Professor especialista de Gemologia (um dos mais conceituados da Europa) e tratou de fazer um recensseamento das melhores peças de ourivesaria e pedraria sacras (incluindo as alfaias de culto) do nosso País. Cobertura muito completa do melhor que por aí temos, desde as magníficas peças da  época dos Descobrimentos e das pedrarias da Índia e do Brasil até às peças mais modernas da Casa Leitão&Irmão.

Cerimónia no Palácio da Ajuda, ao final da tarde de ontem, com a presença da 1ª Dama, do Sr Bispo Auxiliar de Lisboa, da anfitriã Drª Isabel Silveira Godinho e por aí fora.. Mais de 70 convidados presentes - onde não faltaram os mais importantes "guardadores" deste património sacro , desde o Deão da Catedral de Évora até ao da Sé Patriarcal de Lisboa - para ouvir as intervenções de D. Carlos Azevedo sobre a pedra preciosa no domínio do sagrado e ainda a do Prof. Doutor Vasconcelos e Sousa , da Universidade Católica do Porto, sobre o tema do livro ali lançado.

Numa Estação de Correios perto de si, por apenas 39 euros, está à V. disposição esta maravilha gráfica do Atelier Acácio Santos.

segunda-feira, março 29, 2010

A importância do Porco Preto Alentejano

Desde Ourique, sede da Associação de Criadores do Porco Alentejano, trago notícias de conversa e de um almoço.

Começamos por distinguir as raças porcinas ditas Autóctones aqui do rectângulo pelos entendidos:  O Porco Alentejano; O Porco Bísaro (Montesinho e Bairrada); o Porco Malhado de Alcobaça (raça em vias de extinção). Por ordem de importãncia do número de fêmeas existentes actualmente em produção, teremos os primeiros com cerca de 20 000; o Bísaro com não mais do que 3 centenas,  enquanto que  do Malhado de Alcobaça (na foto) não parece haver estatísticas fidedignas.

A grande importância que o Porco Alentejano actualmente tem na economia das terras transtaganas deriva sobretudo da sua aptidão para a produção de presuntos de grande qualidade. Mas, mais do que isso, trata-se de uma forma de pecuária que promove o Ambiente , protege o Montado de Azinho e de Sobreiro e, nos moldes mais modernos possíveis, é Sustentável e actua de forma a conter a Desertificação nas suas duas vertentes: a climática e a resultante do desaparecimento da população jovem.

Por todos estes motivos vamos lá malta a apoiar (comendo!) os enchidos de porco alentejano e sobretudo os seus Presuntos de denominação protegida (DOP ou IGP) : Barrancos (DOP); Santana da Serra (IGP); Campo Maior e Elvas (IGP); Alentejo (DOP).

O belo Presunto IGP de Santana da Serra estava em promoção a 22 euros o Kg, na unidade produtora de Montaraz (passe a bem merecida publicidade), esta é certificada e de tal forma exigente quanto a medidas de higiene que o Blogger teve de se "vestir" de plástico quando desejou lá meter o nariz...

Se estivessem lá, a olhar  como eu para os 7,000 presuntos expostos...
 Até davam vontade de salivar. Está claro que tive de trazer um.

Comprando estes materiais, para além de estarmos a fazer bem, o melhor possível, à terra -mãe alentejana, estamos também a contribuir para ...(Surpresa!!) proteger a nossa saúde. Já que se provou sem margem para dúvidas que as gorduras do porco alimentado a bolota estão cheias de ácidos gordos, fonte do "bom colesterol", tal como no salmão, sardinha, sarda e cavalas... Quem diria??!!

Resposta: Diria ( e sempre disse) o nosso Amigo Almeida do Méson Andalúz, indefectível defensor das qualidades destes enchidos!

 Almoçámos num simples mas muito bom Restaurante:

Restaurante Novo Coimbra
Aldeia de Palheiros-Campo dos Guerreiros
7670  OURIQUE
Telefone - 286 479 080

Para se chegar lá, vindo de Ourique, tomemos a estrada IC1 em direcção a Santana da Serra, ao fim de alguns km (poucos) estamos lá, nesta Aldeia de Palheiros que possui ainda a fama e o (duvidoso) proveito de ter sido o local onde "aterrou" um dos últimos grandes meteoritos a cair cá no burgo lusitano, em 1998...

O Restaurante Novo Coimbra ( existem dois com esse nome, do mesmo dono e muito perto um do outro, mas aquele que aqui está recenseado é o de Aldeia de Palheiros) pertence a um cavalheiro oriundo de Macedo de Cavaleiros. Por esse motivo traz como especialidades para a grelha a famosa Carne Mirandesa certificada, bem assim como a Carne de Porco Alentejano também certificada.

Devo confessar que tive algum receio à entrada. Mesas de fraco ataviamento, guardanapos de Papel, embora de boa qualidade, refeição servida no Prato (sem travessa)...mas as doses são perfeitamente razoáveis para adultos. Até demais.

Contudo, perante a qualidade da matéria prima provada e da razoabilidade do preçário tudo isto se desvaneceu.

Se "Nem sempre Rainha nem sempre Galinha" (como dizia D. José ao seu confessor) , também nem sempre devemos ir por altas cavalarias restaurativas, deixando algum lugar para descobrir casas simples mas onde existem surpresas...

No caso deste Novo Coimbra, para além das trivialidades e dos pratos do dia, avultam duas secções com os "mimos" certificados para a grelha: Carne Mirandesa e de Porco Alentejano.

Mas como, azar do Blogger educado nos Salesianos, era Sexta feira da Quaresma, lá tive que ver os meus convidados a atacar violentamente na Posta Mirandesa (Sim Senhor! E que belo aspecto!) e nas Plumas de Porco preto grelhadas, enquanto que eu me defrontei com o velho Bacalhau Assado...

Este apareceu em posta alta e de belíssimo "acabamento", bem curado e bem assado. Com batatas ali das herdades próximas e azeite idem, idem...

Vinho de Albernoa (tão perto) da Herdade dos Grous , branco e tinto  de 2007. Tinto a 16 euros, Branco a 12 euros. Posta a 12 euros, Bacalhau a 10 euros, Grelhado de Porco Preto a 12 euros.Três cafés. Tudo por menos de...70 euros!

Que viva por muitos anos o proprietário, e se puder mude a mão nalgumas coisinhas: boas toalhas de Mesa, guardanapos de pano, travessas à vista do cliente. Quanto ao resto que se deixe estar se fizer o favor.

Um Recado Importante

Um dos nossos leitores recorda que:

Aqueles que passam por nós, não vão sós, não nos deixam sós.

Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós.
(A.S.E.)

E Amén!!

quinta-feira, março 25, 2010

Para descansar a Vista

E como não estou cá amanhã, e vou para o Alentejo,  aqui vai Poema. Do grande Manuel da Fonseca! Que faria 100 anos em 2011. Tal como Alves Redol.

Está-se mesmo a ver que não deixaremos passar sem uma justíssima Emissão de Selos Comemorativa!!















Antes que seja Tarde

Amigo,

tu que choras uma angústia qualquer
e falas de coisas mansas como o luar
e paradas
como as águas de um lago adormecido,
acorda!

Deixa de vez
as margens do regato solitário
onde te miras
como se fosses a tua namorada.

Abandona o jardim sem flores
desse país inventado
onde tu és o único habitante.

Deixa os desejos sem rumo
de barco ao deus-dará
e esse ar de renúncia
às coisas do mundo.

Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.

Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!

Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.

Manuel da Fonseca, in "Poemas Dispersos"

Ausência do Blogger

Amanhã vou para Ourique do Alentejo (uma das localidades que se perfila para ter sido o local onde Afonso, o primeiro do nome, terá vencido a sua grande batalha). Vou reunir com a Associação dos Criadores do Porco Alentejano, para preparar umas inciativas conjuntas que podem, ou não, passar por mais um Livro temático dos nossos, em torno dos Enchidos Tradicionais de Portugal.

Depois conto como foi.

O País está a ficar Louco (Parte 2)

Publicado o Relatório de Segurança pelo Ministério da Administração Interna pode ver-se um (embora microscópico) recuo nos índices de criminalidade violenta... Todavia o que mais me impressionou foi o relato feito pelo Presidente do Observatório de Segurança Interna ácerca de "alguns crimes muito estranhos que se observaram no ano transacto..."

De entre eles destaco o assalto à mao armada feito por três homens (todos de armas de guerra em punho) sobre uma senhora . A quem roubaram  (suspense): Uma Pastilha elástica que trazia na mala e mais um Yogurte...

Estamos ou não estamos a ficar Loucos varridos??!!

quarta-feira, março 24, 2010

O País está a ficar Louco!!

Não Senhores Leitores, não é este um grito de alma provocado por qualquer contrariedade, das muitas que me apoquentam o dia-a-dia... Nem sequer por ter estado a acompanhar os debates do PSD para as eleições internas da próxima Sexta feira! Nem , por último, por ter estado atento às discussões em torno do famoso PEC...

A afirmação em epígrafe (bem dito!) apenas resume os resultados de um estudo científico ontem apresentado na Faculdade de Ciências Médicas da UNL, patrocinado pela Fundação Gulbenkian, Fundação Champalimaud, Fundação para a Ciência e Tecnologia e pelo Alto Comissariado para a Saúde!

De entre os  Países investigados , Portugal atingiu o valor recorde de 20% de incidência de alguma perturbação mental no universo da sua População!! Um em cada 5 portugueses (ou portuguesas) está choné dos cor...!

No mundo, melhor dito, entre os tais Países, apenas os USA nos suplantam! Os USA são o País com maior prevalência de perturbações psiquiátricas no Mundo...Que paraíso para os Psiquiatras!















Aqui para nos, já disso tínhamos suspeitado...Num país onde a Metrópole Oriental dá pelo  petit nom de "LA LA Land", onde existem alucinações de Estado ( as tais armas de destruição maciça) e, sobretudo, onde foi eleito J.Bush Junior para um segundo mandato!

Portugal tem desde sempre idiosincrisias estranhas e, se pensarmos bem agora, depois de termos conhecido estes resultados, algo suspeitas. Mesmo referindo-me sobretudo aos "Comes e Bebes" é possível citar alguns desses traços de loucura nacional, nalguns casos "mansa", noutros - como verão - mais carente de tratamento urgente em local especializado:

 - Comemos tradicionalmente tudo o que são extremidades dos animais (cabeças, mãos e pés).
 - Medimos o alcoól do bagaço caseiro a metade do verdadeiro valor GL de referência científica ( Beba à vontade Compadre que este  é da ponta fina , só tem 23 grauzitos...) o problema é que tem mesmo 46º GL...
 - Pomos ao fumeiro Bexigas de Porco e Estômagos de Carneiro
- Apresentamos como prato típico de uma região de belíssimo peixe fresco, de águas frias - a Ericeira -  uma tal de "Caneja da Infundíce", raia putrefacta com batatas cozidas e azeite...
 - Fazemos saladas e acompanhamentos de cactos e ortigas
- Bebemos (comemos) sangue de porco (sarrabulho).

E, sobretudo, temos uma tendência natural para aturar Restaurantes mauzinhos e de mauzinho serviço, pouco limpos e nada atraentes, que trazem como mais valia turística para o País "nada, zero, niente, coisa nenhuma"!

 Tudo desculpa o português típico, levando o mau tratamento  "à conta do destino" ou "do azar que houve naquele dia".

Muito deixamos de refilar porque "não vale a pena". Ou então porque " Coitados, deve ser este o ganha-pão de muitas famílias" .

Ou ainda ,  e esta é de Cabo-de-Esquadra:
"É sina que eu tenho de comer mal  sempre que aqui venho! E reparem que  sei do que estou a falar , porque todas as semanas almoço aqui pelo menos uma vez!"

Como observam, se estivéssemos mais atentos há muito que tínhamos feito empiricamente o diagnóstico de insanidade mental recorrente e generalizada que a Comissão Científica aqui veio confirmar.

Uma pergunta apenas: das seguramente dezenas de  doutos especialistas que realizaram o Estudo, quantos estarão debaixo da influência destas maleitas?

A Estatística é "lixada"...

terça-feira, março 23, 2010

O Concerto das Estrelas

Exactamente. STARWARS in Concert ontem à noite no pavilhão Atlântico. A voz e o corpo do actor  Anthony Daniels  (C3PO) a introduzir a partitura majestosa de Sir John Williams para o que foi - durante 30 anos, de 1978 a 2005 - a "telenovela" mais cara e  mais bem sucedida do cinema mundial.

Apenas para fâs da saga , dirão alguns. Têm razão. Para pessoas menos viradas para estas coisas pode ser que os 150 minutos de som e de imagem parecessem um pouco Kitsch. Mas para os outros, para os incondicionais que atravessam faixas etárias muito abrangentes (pessoas que estão agora nos 50's e jovens que tinham 14 ou 15 anos em 2005) foi sem dúvida uma noite memorável.

4 chamadas ao Palco. Um "encore" por cortesia da Royal Philarmonic Orchestra and Choirs. A dicção perfeita de Anthony Daniels, tendo por detrás a voz rouca e inimitável do "vilão"  Darth Vader, o grandioso actor James Earl Jones. Uma "colagem" de película transversal aos 6 episódios da saga, onde se torna evidente a muito maior sofisticação dos episódios mais recentes,  mas onde nos deliciamos com a face "tão novinha" de Harrison Ford, o único actor que escapou à "maldição" dos 3 primeiros episódios.

Lágrima ao canto do olho do Bloger, ao recordar-se do "assombro" que foi ver no defunto Monumental aquele 1º filme. Numa Lisboa onde ainda ecoavam os sons de Abril de 74, numa altura em que para dar aulas no ISCTE ainda ia de transportes públicos...

Nesse dia de 1978 o XWing fighter estava suspenso do tecto do Monumental (coisa nunca vista numa sala de cinema). O silêncio à medida que o filme avançava só foi cortado, no final, com uma violenta salva de palmas ( acreditem! Como se estivéssemos num espéctáculo ao vivo!)  e o encantamento com o que tinha sido visto durou tempo suficiente para nem sequer se dar pela viagem de autocarro e de comboio de regresso ao Estoril.

May the Force be Always with You!

segunda-feira, março 22, 2010

Nem Everest nem Planície, antes uma Colina

Temos ainda por este Portugal um conjunto de restaurantes práticos e relativamente económicos, ditos  "familiares"  por alguns críticos, "sólidos restaurantes burgueses" por outros, mas que - em qualquer dos casos - nos dão comida honesta e bem feita , por preços normais  para a época e, o que não vai sendo pouco importante, em quantidades razoáveis para adulto...

No Porto e arredores costumavam existir mais destas simples e acolhedoras Casas de Pasto (interessante nome a cuja origem voltarei) mas também Lisboa se pode orgulhar de manter alguns. Entre eles, e sem querer ofender ninguém pela omissão involuntária, o Pitéu  (da Graça), o Funil e o Polícia de ancestralidade e DNA compartilhados, a antiga casa Marítima de Xabregas, a Floresta de Moscavide (antro de benfiquismo extremo) , a Pescaria (ao Cais do Sodré), o Miudinho de Carnide, o David da Buraca, a Tia Matilde e o Poleiro.

Todos estes foram visitados muitas vezes pelo vosso Blogger e merecem aqui menção. Outros haverá onde nunca fui, ou há tanto tempo que receio qualquer encómio actual.

Alguns, como a Tia Matilde ou o Poleiro atingiram o grau de  grandes clássicos da cozinha tradicional portuguesa. Estarão, digamos assim, num extremo desta escala,  mas para o que interessa - bom serviço, boa comida e a preços módicos, entram aqui bem.

Neste grupo de bom acolhimento familiar também  entra sem dúvida nenhuma  o Restaurante que é hoje nosso tema:

A Colina
Rua Filipe Folque 46 A - Lisboa

1050-114 LISBOA
Freguesia: São Sebastião da Pedreira
Telefone  - 213560209

A Colina fica à beira do Hospital Particular e da Av Duque de Ávila, , muito perto do Parque  Auto da CML da Valbom.
Costumava lá ir mais quando trabalhava na Casal Ribeiro e, aqui há alguns anos,  me meti numa tarefa (tão agradável...) de fazer uma recensão dos melhores Cozidos à Portuguesa de Lisboa.
Depois disso continuei a frequentar de quando em vez, sempre olhando para os pratos do dia, das melhores propostas desta casa afável, onde os Senhores Donos ainda se dão ao trabalho de vir à mesa cumprimentar pessoalmente todos os manducantes, sejam, ou não , seus conhecidos.
 
Neste fiel restaurante onde (caso raríssimo actualmente) as famílias são bem vindas mesmo que tragam dois ou três cachopos com menos de três anos com elas...Destaco da Ementa (mas atenção aos Pratos do Dia!):
Peixe: Bacalhau com Natas à Colina, Bacalhau à lagareiro, Arroz e Açorda de Marisco. Bacalhau à Minhota, Cherne, Garoupa e Pescada para cozer ou grelhar, Pargo assado no forno.Caril de Gambas.
Carne: Bife do Lombo à Colina, Dobrada à Colina , Cozido à Portuguesa,  Steak au Poivre, Vitela assada, Roast Beef com salada russa. Vitela arouquesa para grelhar.
 Doces: Charlotte à Colina, leite Creme, e Bolo de Noz.
 
Sala no 1ºandar para Fumantes, espaçosa e muito bem iluminada de luz do dia  (só quando a temos é que lhe damos pela falta noutros locais...). Serviço falando português com sotaque nesse 1º andar, jovem e prestimoso. Por contraste com o do antigo r\c, onde os empregados já são da família e deslocam-se galhardamente e sempre sorridentes,  tanto quanto lhes permitem as artrozes desenvolvidas por décadas de trabalho em pé... 
 
Num destes Sábados, ao almoço, 4 amigos lá estiveram e comeram:
Entradas de ameijoas Bulhão Pato (18,5 euros a dose) e  queijo de Azeitão . Competentes as ameijoas,  pena o queijo ter frio a mais ( é hoje recorrente).
Duas doses de Bacalhau à Minhota (13,5 euros) e duas doses de Vitelha grelhada (12,5 euros) . Melhor a segunda do que o primeiro, não pela confecção, que estava perfeita e canónica, com a cebola e as batatas entaladas, mas sim pela qualidade do bacalhau, que me pareceu mal curado... Depois de comer bacalhau em Ílhavo a bitola sobe, e de que maneira...
Uma garrafa Alvarinho Portal do Fidalgo (18,5 euros) e duas garrafas de Tinto Monte das Servas Colheita seleccionada de 2007 (15,00 euros cada).
Três Bushmills Black Label (9 euros cada).
4 cafés.
Total: cerca de 180 euros
 
Boa casa, serviço competente e afável, comida simples e bem apresentada, em quantidade muito razoável. Possibilidade de entreter o whiskyzito com uns competentes fumos, até depois da hora normal de encerramento. Quase como se estivéssemos lá em casa (incluindo algumas falhazitas da função...).
 
Recomendável

sexta-feira, março 19, 2010

Para descansar a vista

E,  como é Sexta Feira , um pequeno\grande  Poema de Natália Correia:















Creio nos anjos que andam pelo mundo,
Creio na Deusa com olhos de diamantes,
Creio em amores lunares com piano ao fundo,
Creio nas lendas, nas fadas, nos atlantes,

Creio num engenho que falta mais fecundo
De harmonizar as partes dissonantes,
Creio que tudo é eterno num segundo,
Creio num céu futuro que houve dantes,

Creio nos deuses de um astral mais puro,
Na flor humilde que se encosta ao muro,
Creio na carne que enfeitiça o além,

Creio no incrivel, nas coisas assombrosas,
Na ocupação do mundo pelas rosas
Creio que o Amor tem asas de ouro. Ámen.


Natália Correia

É Preciso Acreditar.

Quitério apresenta novo Livro

Meu Mestre Quitério "deu à estampa" uma outra obra notável que a Assírio&Alvim editou há dias:

Os textos que compõem este livro têm proveniências diferentes: 6 figuram no Livro de Bem Comer, 14 em Histórias e Curiosidades Gastronómicas, 11 são inéditos. Os não inéditos foram objecto de revisão, emendas e acrescentos (nalguns casos substanciais). Escritores à Mesa (e outros artistas) resulta da necessidade de rearrumação, tendo em vista que os dois livros anteriormente referidos jamais serão reeditados como tais. Surgirão refundidos, aparados, apurados e aumentados num único volume, sob o título Bem Comer & Curiosidades, no fim do presente ano. A presente obra pretende ser uma homenagem sobretudo aos escritores que nem por serem dos maiores deixaram de tratar dum tema que muitos letrados enfadados (e enfadonhos) consideram matéria menor ou mesmo abominável. Que possa servir também de antepasto para uma há muito prometida Antologia da Gastronomia na Literatura Portuguesa (séculos XIII-XX), a vir ao mundo, se o permitirem o tempo e as potestades, em 2011.



Escritores à Mesa e Outros Artistas
de José Quitério

Preço: 15,30 Euros
Dimensões: 155 x 225 mm
Encadernação: Capa mole
Páginas: 240

Enquanto aguardamos "salivando" pela sua Magnum Opus : Antologia da Gastronomia na Literatura Portuguesa dos séculos XIII a XX, vamos lá todos comprar este Livro .

 É do Quitério, tem decerto critério e dará assaz refrigério a quem a ler.

Isto digo eu, está claro!

Empalitamentos

Vlad  Tepes (1431, 1476) , cognome  "O Impalador" , muito utilizou a técnica de empalar os adversários num palito aí de 2 metros, com os olhos virados para o céu e entrando-lhes o dito palito pelo ... (enfim, pela porta de entrada do labirinto tripal).

Este príncipe da Valáquia (ou, melhor dito,  Voivodo) , terá estado na base histórica para a criação do famoso personagem Dracula, agora tão em moda para fazer tremer e fremir os peitos e as pernas (era para escrever "as Coxas" mas deepois lembrei-me do nível deste Blog e já não escrevi "as Coxas") das adolescentes deste actual mundo ocidental decrépito e decadente, por mor da influência desgraçada dessa malta de Holliwood.

Lá na Roménia de onde parti ontem à noite é esta uma personagem estimável a vários níveis:
 - Herói nacional na luta que os libertou do jugo do opressor otomomano
- Fonte apreciável de receitas turísticas nos dias de hoje.

Se pusermos de lado a tal mania de espetar as pessoas nos palitos (teria que se investigar se não haveria aqui algum problema mal resolvido de infância, escatalógico ou mesmo outro mais "penetrante"...) este Vlad até que tem carisma pessoal que baste. Com o nome dele existem Circuitos turísticos completos, Hotéis, Restaurantes, Bebidas (cor a dar para o vermelho), e até alguns Castelos (teria mais do que um, o que nos leva à famosa história da "espada atribuída a D Afonso de Albuquerque" a qual contarei aqui um dia) .

E, bem vistas as coisas, qual de nós já não andou por aí a empalitar umas coisas?
- Camarões
- Cebolas e Pimentos  entre pedaços de carne para grelhar
- Pedaços de comida deixados entre os dentes
- E até (vá lá , deixemos passar a vulgaridade) a nossa ou o nosso "mais que tudo" nalguma circunstância de aperto, momentâneo ou não.

Tenha assim algum cuidado quem quiser lançar a primeira pedra. No fim de tudo a diferença entre o antigo Vlad e todos nós resume-se a uma questão de Tamanho... Tamanho do Palito, claro está!

domingo, março 14, 2010

Afinal o "Senhorio" lê ou não lê o Blog??

O Sr Silvério questiona:

Bom dia.



Como é que o 'senhorio' há-de ouvir (ler, talvez) se, segundo o inquilino, ele não lê o blog? Ou será que diz que não lê?


Comentário ao Comentário: Se lê ou se não lê é para o lado que durmo melhor...Mas no caso vertente , e dada a importância da matéria (Dia do Pai, do Moi, do Eu , do Je) há que utilizar todos os meios disponíveis: post its no espelho da casa de banho, SMS,e até o velho Blog. Um pouco como quando vamos à caça com chumbo miúdo... Pouca precisão, mas muita dispersão. Alguma coisa há-de vir ao anzol... Costuma ser uma Lagavulin (já há poucas estás a ouvir?)

sexta-feira, março 12, 2010

Ausência do Blogger

De caminho para Bucareste, onde vou negociar alguns aspectos da Emissão Filatélica conjunta Portugal-Roménia. Próximo Post a 19 de Março (Dia do Pai, estás a ouvir oh Senhorio??!!).

Espero que haja boas notícias  das qualificações de Benfica e Sporting para a Liga Europa quando eu chegar, lá para as 23,30h...

Para Descansar a Vista

Luiza Neto Jorge, 50 anos apenas desta vida, 1939-1989, que desperdício...

Luiza Neto Jorge nasceu em 1939. Estudou em Lisboa e viveu em Paris entre 1962 e 1970. A Noite Vertebrada, o seu primeiro livro, foi dado à estampa em 1960. Luiza Neto Jorge esteve ligada ao chamado grupo da Poesia 61 que procurou, no início da década de sessenta do século XX, contribuir para renovar a linguagem poética, explorando novas potencialidades gramaticais e semânticas no interior do discurso e na sua inscrição na página.

Consciência feminina da escrita e invenção de uma poesia crua em que o corpo da linguagem se confunde com o corpo do sujeito poético são alguns traços a destacar na sua escrita.
Além de poetisa, Luiza Neto Jorge desenvolveu intensa actividade no domínio da tradução e escreveu para teatro e cinema. Faleceu em 1989, tendo deixado sete títulos de poesia publicados, entre os quais figuram:


O Seu a Seu Tempo (1966)
Os Sítos Sitiados (1973)
A Lume (1989)
















FÁBULA


O animal entende-se:

tem cascos põe-os a render
tem pele aquece

fecha-se nos olhos para adormecer
tudo quanto lembra esquece

Dispende-se.
Permanece.


Luiza Neto Jorge
Poesia. 1960-1989
Lisboa, Assírio & Alvim, 1993

A Divisibilidade: a Invisibilidade a Dois


A mulher divide-se em gestos particulares
o homem divide-se também. Se o átomo é
divisível só poeta o diz.

a mulher divide-se em gestos
extremos coloridos arenosos destilados.

dois homens são duas divisões de uma
casa que já foi um animal de costas
para o seu pólo mágico.

A divisibilidade da luz aclara os mistérios.

A mulher tem filhos. Descobrem-se
partículas soltas um dedo mínimo
o peso menos pesado da balança
um cabelo eloquente em desagregação

Gestos estrídulos dividem a mulher
o homem divide-a ainda.

Luiza Neto Jorge

O seu a seu tempo
Poesia
organização e prefácio de
Fernando Cabral Martins
Assírio & Alvim
2ª edição 2001

quinta-feira, março 11, 2010

E as Discotecas e Bares?

Muitos leitores perguntam porque é que só falo de Restaurantes e de Vinho (português) e nunca me estendo para bares, discotecas, whiskys , aguardentes  e coisas desse género.

A razão é simples: embora beba de quando em vez - em situações mais propícias ao pecado - um whiskizito de malte depois do jantar, não sou consumidor regular de espíritos. O whisky ainda o meu estômago aguenta, mas as aguardentes, bagaços, cognacs e coisas dessa família dão-me infelizmente azia e evito tocar-lhes.

A Bares já não vou há algum tempo durante a noite, quanto muito lá para o final da tarde, para ver o Mar, e  já é um "pau".

Nos hotéis - por exemplo na Lapa - passava-se um fim de tarde engraçado, a ouvir música de piano. E o Bar do Ritz também era conhecido pela boa música, embora mais barulhento. Em Cascais a referência era e continua a ser o Albatroz.  Mas também gosto do Bar do Guincho, lá para a Praia do Abano de gratíssima memória, onde é bom ir ver as vistas e apreciar iodo e espuma de mar bravio.

Na minha anterior vida artística gostava de ir à noite ao Blues Café, nas Docas . Mas mais para fumar um charuto à barra do bar e ouvir as orquestras de Jazz (quando o Blues ainda era desse género).

De discotecas só me lembro do Van Gôgo e da Primorosa de Alvalade. Mas sobretudo dos balcões desses locais...

De facto tenho uma limitação psico-somática  extrema em relação à dança...

A expressão "pés de chumbo"  deve ter sido inventada quando alguém me viu a "torturar" o meu par nalguma noite de insanidade temporária da minha parte, quando, contra todos os ditames da razoabilidade, me decidia a "experimentar outra vez".

Não sei dançar. Nunca soube dançar.

Até nas músicas lentas dos anos 70 e 80  tinha alguma dificuldade em encaixar um  ou dois "slows" .

Ou se nasce para isto do ritmo ou não. E eu tenho tanto ritmo e ouvido para a musica como um rinoceronte de dois cornos...

Será esta uma característica geral do Homem portuga?

Quanto ao ritmo talvez não, temos músicos e entendidos melómanos notáveis, mas quanto a dançar em público já sou dessa opinião.

A nossa idiosincrisia tem sempre um traço de "morcón"  à moda do Porto instalada, sejamos de "Biana" do Castelo ou de Grândola... E conheço muitos mais homens que se "retraem" perante a perspectiva de dançar em público do que aqueles que anseiam por essa oportunidade. Estando sóbrios, está claro!

Tristonhos e patudos até admira como alguns  conseguem,.mesmo assim, arranjar companhia feminina.

Deve ser da falta de concorrência.