terça-feira, janeiro 06, 2009

Sócrates e a Nação


Todos estiveram decerto atentos à SIC de ontem à noite? Falava o Sr 1º Ministro... Não lhes diz nada? Foram, se calhar, alguns dos milhões de Portugueses que preferiram seguir a novela na TVI?

Não faz mal. Estamos já habituados a que sejam outros a tomar as decisões por nós, e assim vamos vivendo, mal informados mas sempre com uma opinião sobre tudo aquilo que acontece, seja na Bola (Ai, Ai que jurei que nunca mais falava disto até ao fim do campeonato...) ou na Política, ou até sobre os últimos amores e desamores do esquálido Jet Set nacional...

Como já dizia Caius Julius Cesar, que por aqui andou há mais de 1000 anos: "Gente estranha aquela que habita para os confins da Iberia... Uma peculiaridade os distingue dos outros: é que não se governam nem se deixam governar!"

E não esqueçamos uma das principais conclusões - que atribuo a Pedro Magalhães se não me engano - do grande estudo do ICS sobre as eleições legislativas de 2002, e que nos deve fazer pensar:

Os portugueses são geralmente democratas, insatisfeitos e desafectos. Isto é, os portugueses suportam numa altíssima percentagem o regime democrático, mas estão descontentes com o modo como funciona, com a economia e com a actuação dos governos e numa enorme percentagem desinteressam-se pela política...

Por isso podem os meus leitores estar tranquilos que aqui vos trago um Digest (sintetizado) do que foi ontem o 1º encontro de José Sócrates com o País neste "ano de todos os perigos".


Em primeiro lugar, novidades só me lembro de ouvir duas: a) "Que Portugal não escapará à Recessão económica" - assunto já aqui debatido e em relação ao qual apenas o Governo ainda não se tinha assumido. E b) "Convidarei Manuel Alegre para as Listas de Deputados do PS".

Fora estas novidades o discurso foi o que se esperaria de um 1º Ministro a ter que lidar com uma Crise de tamanho e contornos ainda mal definidos e em relação à qual - como muito bem dizia António Peres Metelo na TSF - "ainda não se sabe concretamente de que forma e em que grau afectará a vida de todos os Portugueses"

Também disse JS que caso o Tribunal Constitucional decidisse pela inconstitucionalidade do novo Estatuto da Região Autónoma dos Açores - ponto de maior fricção com o PR desde a presente legislatura - o Governo aceitaria de bom grado essa interpretação...

Pediu também Sócrates, claramente e pela primeira vez a Maioria Absoluta para as eleições Legislativas de Setembro\Outubro - como lhe competia, digo eu. E manifestou a sua discordância sobre a hipótese de estas Eleições se virem a realizar no mesmo dia do que as Autárquicas.

E porquê? Oficialmente a razão do 1º Ministro tem a ver com minimizar as hipóteses de confusão do eleitor (o que se compreende) mas daqui também não podemos deixar de retirar outra "razão" - a de que será nas Autárquicas que o PS tem de subir face ao PSD, enquanto que nas Legislativas basta-lhe manter a sua posição.

E ainda, porque nas Autárquicas fala sempre mais alto o poder dos compadrios e o peso das "figuras locais" (para não lhes chamar "caciques" ) enquanto que nas Legislativas o Voto é muito mais influenciado pela conjuntura nacional e pela análise do desempenho do Governo em funções. Ora em relação ao 1º caso estará o PSD ( e o PCP na sua área de influência específica, tal como o BE) mais bem servidos de figuras "carismáticas" do que o PS...

Sobre esta matéria convém elaborar ainda mais um pouco:
1 - Quem marca o dia das Legislativas é o Sr Presidente da República.
2 - Quem marca o dia das Autárquicas é o Governo da República.

Ora já se sabendo que o Governo não deseja sobreposição destas datas, a pergunta que teremos de fazer é :
Quem vai marcar primeiro?


O PR tem de marcar as Legislativas com um prazo mínimo de 60 dias, e sempre entre 14 de Setembro e 14 de Outubro. O Governo tem de marcar as Autárquicas num prazo mínimo de 80 dias, mas agora entre 22 de Setembro e 14 de Outubro...

Estão a ver que com a actual Lei Eleitoral possui vantagem a Presidência... Irá o Professor Cavaco Silva utilizar esta sua prerrogativa de marcar DEPOIS do Governo para escolher o mesmo dia? Ou não??

Interessante, não acham?

Uma última nota sobre a - pelo menos assim me pareceu - demasiada "assertividade" dos entrevistadores, com realce para Ricardo Costa... Houve alturas em que chegou a roçar a "má educação"... Seria para não ser acusado de ligações ao PS na figura do seu irmão António? Talvez subconscientemente isso tenha acontecido, mas o certo é que ambos quase que não deixaram o "Homem" acabar um raciocínio...

2 comentários:

Manuel disse...

Ricardinho é mal educado. Sobretudo desde que percebeu que assim (se) vende melhor. Aliás, a maioria dos jornalistas "de referência" entendem o seu papel como o de porta-vozes, com amplificador ligado, dos descontentamentos. É ainda possível ouvir uma entrevista nestas condições? É cada vez mais difícil.

Anônimo disse...

Em boa verdade as televisões, nestes eventos, já nos habituaram a questionar e não a entrevistar, e pior do que isso, é quando ao interlocutor questionado se retira a palavra, com outra questão, ou se interrompe a emissão para compromissos publicitários.
Não há quem aguente, e há Gente que aguenta tudo isto.

Quanto às duas "novidades" só o serão para quem não repara nos cigarros fumados à porta das lojas de comércio desertificadas,pelos empregados das mesmas, já que não podem ou não devem roer as unhas, e no consumo exagerado dos diazepams, hoje mais que nunca, que moram nas malinhas e nas algibeiras dos contratados a prazo deste país.
Quanto ao convite ao colega partidário para "figurar" nas listas a elaborar é óbvio que se trata de "fazer figura" como manda a boa etiqueta, ou o "protocolo" que ainda está na "gaveta" que um Secretário Geral um dia lá meteu, segundo, dizem as más linguas.
De resto, nada que não saibamos, a não ser a advertência, para nos dirigirmos à loja do china mais próximo e adquirir um impermeável para a recessão, pois como nos furacões, o penultimo grau da crise vai tomar o nome de recessão.
O último, Deus nos livre de o invocar.....