quarta-feira, agosto 17, 2005

Os Próximos 3 Anos no Sector Postal

De acordo com as conclusões da International Post Corporation, os próximos 3 anos serão fundamentais para garantir o futuro da actividade postal em todo o Mundo.

a) As estratégias nacionais devem obrigatoriamente passar pela implementação de programas de Consolidação, Redução de Custos e de Concentração nos Negócios Core, as quais serão cruciais para permitir a saúde financeira necessária aos Operadores Postais numa conjuntura que se adivinha particularmente difícil para todos, especialmente para os mais pequenos.

b) Internacionalmente os grandes “Players” neste mercado Postal devem ter já definido as suas estratégias de Integração para o futuro próximo. Desta forma todos os outros pequenos e médios Operadores serão obrigados a identificar Parceiros que lhes dêem garantias de alcançar os seus objectivos estratégicos, em termos de dispersão geográfica continental ou mundial e ainda em termos de gama de serviços Outbound a disponibilizar

c) Os próximos anos serão também o período em que – prospectivamente – as Redes Mundiais de Comunicações serão finalmente completamente integradas no Mercado Postal: países da Europa Central e de Leste vão aderir à CE, a China “abrirá” gradualmente o seu mercado gigantesco de Logística e de Correio, as outras economias da Ásia-Pacífico poderão crescer mais uma vez e , dessa forma, aumentar a disponibilização das suas capacidades produtivas para os grandes fabricantes mundiais de produtos manufacturados, etc, etc...

Como grande “sombra” desta conjuntura teremos a crise petrolífera e os respectivos efeitos em todas as Redes de Transportes de que os Operadores Postais são dos maiores utilizadores.

d) Por outro lado, os Clientes serão cada vez mais críticos dos serviços prestados e da respectiva Qualidade, exigindo cada vez mais “value for money”: Serviços de Valor Acrescentado e Produtos integrados para mercados específicos serão obrigatórios no moderno Portfolio dos Operadores Postais, como por exemplo Correio Híbrido, Logística Integrada, gestão de Armazéns, gestão de customer service por conta de Clientes, gestão completa de operações de Mail Order, etc..

Pergunta: Estão os CTT Correios de Portugal preparados para estas situações, garantindo assim o Futuro da actividade?

terça-feira, agosto 16, 2005

Marketing Directo

No texto do Albano aqui publicado a 11 de Agosto relativo a Marketing Directo é referido que os nossos valores deveriam ser melhores.

Será que estes valores se devem à ausência de interesse por parte dos nossos clientes?

Vejamos uma notícia publicada no PUBLICO:

O investimento publicitário cresceu 4,8% em Julho

No passado mês de Julho, o investimento publicitário realizado em televisão cresceu 4,8% face a Junho e 43,9% face a Julho de 2004, pelo menos é o que revela um relatório da Mediamonitor da Marktest, divulgado na quinta-feira.

De acordo com o mesmo, os investidores gastaram mais de 223 milhões de euros em publicidade nos quatro canais de televisão em sinal aberto (RTP1, 2:, SIC e TVI), valor este que representa um crescimento de 4,8% relativamente ao mês de Junho. Ainda segundo a Marktest, nos primeiros sete meses de 2005, o investimento publicitário nos quatro canais ultrapassou os 1.310 milhões de euros, mais 31,9% do que os 993 milhões de euros investidos no mesmo período de 2004. PUBLICIDADE TV capta maiores anunciantes




A Reckitt Benckiser, que comercializa produtos de higiene pessoal e para o lar, foi o maior anunciante do mercado português no primeiro semestre do ano, revelou a Marktest. Seguiram-se a Vodafone e os hipermercados Modelo Continente. A televisão captou 67,6% do total do bolo publicitário.

Não podemos justificar eventuais quebras no correio publicitário a um menor investimento em publicidade por parte dos nossos clientes.

Provavelmente não explicamos bem aos nossos clientes a vantagem do “nosso canal”

O CORREIO-MOR FEITO PELOS SEUS LEITORES

INOVAÇÃO, conhecimento e QUALIFICAÇÃO

Primeira parte: Inovação (continuação)

Já vimos que:

· A inovação pressupõe/exige a utilidade, benefício ou relevância social do resultado do acto criativo, a possibilidade da sua implementação ou aplicação prática, a sua sustentabilidade económica e, o que é mais importante, a criação de valor.

Para além disso:

· A inovação é simultaneamente um resultado e um processo:

- «(enquanto processo) debruçamo-nos sobre a maneira como a inovação é concebida e produzida, sobre as diferentes etapas que conduzem à inovação (criatividade, marketing, I&D, concepção, produção e distribuição) e de que forma estas se articulam entre si.»

· A inovação envolve uma multiplicidade de actores, de interacções, de processos e actividades, e é necessário promover e implementar uma «política» e uma «cultura» de inovação. Em grande medida, a emergência da inovação está associada a “participação”, a “abertura”, a novas interacções, a novas redes e fluxos de informação.

- «A inovação é um processo que envolve múltiplas actividades prosseguidas por diversos actores de uma ou várias organizações, durante o qual novas combinações de meios ou fins são desenvolvidas ou aplicadas num mercado novo ou num mercado já existente.»

- «Não se trata de um processo linear, de sequências bem delimitadas e encadeamento automático, mas antes um sistema de interacções, com avanços e recuos, entre diferentes funções e diferentes actores cuja experiência, conhecimentos, competências se reforçam mutuamente e se acumulam. Daí a importância crescente atribuída, na prática, aos mecanismos de interacção interna na empresa (colaboração entre diferentes unidades, envolvimento e participação dos colaboradores na inovação organizacional), mas também às redes que ligam a empresa ao seu meio envolvente (outras empresas, serviços de apoio, centros de competências, laboratórios de investigação, etc.).»

- «A inovação é promovida por informação gerada ou obtida através de novas conexões; através de “insights” proporcionados por incursões noutros territórios ou disciplinas; através de redes interactivas e fronteiras fluidas, abertas. A inovação surge de círculos permanentes de intercâmbio, onde a informação não é apenas acumulada ou armazenada, mas criada. O conhecimento é gerado por conexões que antes não existiam.»

- «As equipas são o centro das actividades de inovação, e as recompensas têm vindo a deslocar-se gradualmente do plano individual e monetário para as recompensas centradas nas equipas, que visam reconhecer e assinalar os resultados conseguidos.»

(continua)

Carlos Capela

Pensar CTT: Os Carteiros podem ser Agentes de Venda?

A utilização dos Carteiros também como operacionais de Venda, aproveitando o contacto (teórico) face a face com as populações, tem sido relativamente pouco explorada pela Empresa CTT.

Recordo-me de algumas experiências com os Cartões de Boas Festas (há já alguns anos) e agora a tentativa de os envolver no Projecto de venda de máquinas digitais (fotográficas e de Video) que também foi proposto pelos SFP à REDE.

Tenho algumas dúvidas sobre esta estratégia, mas admito que a grande maioria pode estar ligada a um preconceito antigo: "não deve o sapateiro ir além da chinela"

De acordo com esta maneira de ver, a especialização - em termos de qualidade - funcionaria "a contrario" da polivalência, sobretudo em actividades tão técnicas como a Distribuição domiciliária da Correspondência.

Admito a utilização da força de trabalho "Carteiros" - fora da respectiva "especialização" - apenas se a actividade principal estiver qualitativamente acima de qualquer suspeita.

De momento não acho que estejam reunidas essas condições de Qualidade sem mácula para que possamos enveredar para outras actividades.

Todavia, e como o País não é uniforme, pode ser que existam áreas de influência de certos CDP's onde se possa encarar a duplicação de funções.

Qual a vossa opinião?

Arrufos de Férias

Vital Moreira e Mário Pinto têm estado "pegados" tanto na blogosfera como nas páginas do Público.

A diferença entre Interesse Público e Privado parece estar no âmago desta controvérsia...

Para mais informações leiam o "causa nossa" nos links aqui ao lado...

sábado, agosto 13, 2005

POST@L

Área de Qualidade – onde deve ser colocada?

No organigrama de uma empresa onde deverá ser colocada a área de Qualidade?
Em termos teóricos pode ser colocada em três locais:

1 – Dependente do Director de Operações
2 – Dependente do Director Comercial
3 – Dependente da Administração

Na área de operações:
Aspectos positivos – forte controlo de qualidade e processos, análise estatística profunda, auditorias de produção.
Aspectos negativos - uma vertente muito “fabril” muitas vezes esquecendo-se do papel dos clientes (satisfação) bem como de acções transversais na empresa – nomeadamente os relacionados com os trabalhadores;

Na área comercial:
Aspectos positivos – forte ligação ao cliente, muita atenção às reclamações, especial atenção à problemática da qualidade na concepção de novos produtos;
Aspectos negativos – um certo divórcio em relação à “fábrica” e aos processos, pouca ligação aos trabalhadores da produção;

Dependente da administração:
Aspectos positivos – visão transversal e reconhecimento por parte de todos da importância estratégica desta função. Possibilidade de envolvimento de todas nas áreas na problemática da qualidade
Aspectos negativos - algum “deslumbramento” de sensação de “poder” podendo divorciar-se da ligação à realidade da empresa.

Existem, no entanto, outras possibilidades para além das três atrás referidas.

Defendo que a área de Qualidade deve estar “autónoma”, não ser considerada como elemento secundário de uma qualquer área, dependente da Administração e com forte ligação às áreas:
- Comercial – são os clientes que definem os níveis de qualidade que devemos fazer
- Operacional – o controlo, os métodos, os processos devem ser objecto de diagnóstio e acção
- Recursos Humanos – o envolvimento e a motivação são elementos importantíssimos em qualquer plano de qualidade
- Formação – como elemento estratégico de alteração de culturas e procedimentos

sexta-feira, agosto 12, 2005

POST@L

O CORREIO-MOR FEITO PELOS SEUS LEITORES

INOVAÇÃO, conhecimento e QUALIFICAÇÃO

Primeira parte: Inovação

«A chave da competitividade da economia portuguesa chama-se inovação. Inovação de processos, inovação de produtos e serviços, inovação tecnológica e inovação na organização e na gestão.» (Programa do XVII Governo Constitucional, 2005 – 2009)

«Não há nada mais arriscado do que não inovar, excepto confundir inovação com alguma coisa que não proporciona a criação de valor.» (Hattori & Wycoff, 2002)

«A inovação, ao transformar conhecimento em valor acrescentado, permite acelerar a transição para uma economia baseada no conhecimento, processo que tem estado na base dos casos nacionais de rápido crescimento económico. Para isso, é preciso combinar política de inovação, com políticas ambiciosas para a sociedade da informação, a ciência e a tecnologia, e a qualificação das pessoas.»

Esta afirmação, retirada do Programa do XVII Governo Constitucional, tem o mérito de colocar em evidência, de uma forma muito clara, a relação inovação – conhecimento – qualificação e de chamar a atenção para algumas questões importantes que se colocam quando se procura precisar o conteúdo e alcance do conceito de inovação, nomeadamente:

· A inovação pressupõe/exige a utilidade, benefício ou relevância social do resultado do acto criativo, a possibilidade da sua implementação ou aplicação prática, a sua sustentabilidade económica e, o que é mais importante, a criação de valor.

Numa rápida incursão na Web, não é difícil encontrar umas largas dezenas de «definições» que realçam este aspecto da inovação. Alguns exemplos:

- «A inovação é a realização prática de uma ideia original. (...) É a implementação bem sucedida de uma ideia criativa.»

- «Introdução de uma nova ideia no mercado, sob a forma de um novo produto ou serviço, ou de uma melhoria ao nível da organização ou do processo.»

- «Processo que consiste em dar uma aplicação prática a uma invenção, na produção de novos bens ou serviços, na melhoria dos bens e serviços existentes, ou na melhoria da forma como são produzidos ou distribuídos, em ordem a obter uma vantagem competitiva ou um benefício social.»

- «Consideramos que é útil distinguir entre criatividade e inovação. Acreditamos que criatividade é a geração de uma ideia ou pensamento novos, através de combinações únicas ou originais. (...) A inovação, por outro lado, utiliza o acto criativo e deve resultar num ganho quantificável.»

- «Inovação = invenção + implementação».

- «Inovação é invenção aplicada».

(continua)
Carlos Capela

POST@L

Custos de Qualidade

A qualidade tem custos que devem ser examinados.
De facto o “custo de qualidade” geralmente refere-se tanto aos custos como aos benefícios da qualidade.
Estes custos podem ser classificados como:

Custos de Prevenção
Incluem actividade tais como:
- identificação de problemas potenciais e correcção do processo
- design e melhoria da concepção do produto/serviço
- formação e desenvolvimento dos trabalhadores

Custos de Avaliação
Incluem actividades tais como:
- adopção de programas de controlo do processo
- tempo e esforço para inspecção de processos, circuitos, etc.
- tempo e esforço para inspeccionar dados, outputs, etc.
- investigação de problemas e elaboração de relatórios
- condução de inquéritos junto dos clientes (internos e externos) bem como auditorias

Custos de falhas internas
Incluem os erros detectados nas operações de fabrico. Incluem:
- custos de peças e materiais estragados (ou erros de serviço que têm que ser repetidos)
- custo de repetição dum serviço
- tempo perdido
- falta de concentração decorrente do tempo gasto na correcção dos erros

Custos das falhas externas
Incluem os erros detectados pelos clientes tais como:
- perda de confiança do cliente afectando futuros negócios
- clientes insatisfeitos por perdas de tempo
- litígio, indemnizações
- custos da empresa (imagem, reposição, etc.)

quarta-feira, agosto 10, 2005

Link Marketing Directo

A exposição do Engº Albano - do ponto de vista operacional - traz matéria para reflexão.

Tomara que os responsáveis pelo produto (com a nova Estrutura não estará ainda definida essa afectação?) a pudessem ler, conjuntamente com outros artigos e seus Comentários que o Cliente Luis Delgado e que eu próprio aqui fomos escrevendo há já algum tempo.

Porque considero ser esta actividade da VPC e MKT Directo uma das mais importantes para a definição daquilo que nós, CTT, devemos ser no futuro próximo, vou abrir um dossier MKT Directo com todas as intervenções e que estará disponível logo que possível nos Links à direita do texto principal.

O Correio Mor feito pelos seus Leitores

Aqui vai mais um texto do Amigo e Colega Albano Rosa

RELATÓRIO E CONTAS 2004 - FILEIRA DO MARKETING DIRECTO

A indústria postal é formada por três fileiras de objectos:
Mensagens de Conteúdo Individual
Marketing Directo (ou Publicidade)
Editorial

O portfolio da Empresa procura naturalmente oferecer produtos aos clientes em cada uma destas fileiras; os produtos postais mais comuns do Marketing Directo são o Correio Não Endereçado (vulgo Correio Contacto) e o Direct Mail.

Depois de ler o Relatório e Contas 2004 (pág. 22) fiquei baralhado: pensava eu que os valores médios europeus representam cerca de 17% do total do investimento em Publicidade; afinal parece que serão apenas 2,3% (ou será que quando no texto se diz "...acompanhando os valores médios europeus..." isso se refere apenas ao valor de 4% ocorrido no crescimento?).

Gostava que alguém esclarecesse e confirmasse os números, para o caso de poder haver outras pessoas com o mesmo tipo de dúvidas que eu próprio.

Sendo o Correio Contacto uma peça que compõe a fileira do Marketing Directo, a sua gestão - Marketing, Comercial e Operações - não deve ser dissociada da gestão das restantes peças dessa mesma fileira.

Por isso, começou por ser com preocupação que assisti à mudança da gestão deste produto para o Postcontacto (não que eu tenha algo contra o Postcontacto, claro...). Entretanto, como conheço o tipo de lógica em que assenta o funcionamento da Empresa, essa preocupação rapidamente se transformou em espanto.

Parece que ninguém terá reparado - é natural, já que o conceito das fileiras não está endogeneizado, nem sequer faz parte do nosso léxico - que, muitas vezes, o Correio Contacto é utilizado como "primeira vaga" das campanhas publicitárias.

Hoje creio que já todos concordaremos que a tecnologia ameaça os Correios cada vez mais, transversalmente na fileira das Mensagens de Conteúdo Individual e também o Correio Contacto (e indirectamente o Direct Mail) no Marketing Directo.

Ter-se separado a gestão do Correio Contacto da gestão do Direct Mail foi um erro enorme, de que - ainda por cima - parece que algumas pessoas se orgulharão, como pode inferir-se do texto da pág. 15 do Relatório e Contas 2004.

Quando é que alguém conseguirá fazer ver que a lógica da gestão da Empresa deve assentar no conceito das fileiras?

Quando esse alguém fizer isso, certamente não deixará também de colocar a gestão das empresas de finishing do Grupo enquadrada nos seus correctos lugares, isto é, a Mailtec na fileira das Mensagens de Conteúdo Individual e a CESA nas fileiras do Marketing Directo e do Editorial; só dessa forma será possível identificarmos e aproveitarmos as mais-valias específicas que essas empresas poderão ter para os clientes pelo facto de pertencerem ao universo postal.

Avizinha-se a passos largos - espero eu - a chegada à Empresa de novos produtos virtuais, híbridos e mistos que substituirão as tradicionais mensagens físicas postais; se não compreendermos bem agora com o que lidamos no domínio físico, quando chegarem as novas fileiras tecnológicas (sim, aí também há fileiras) a confusão irá aumentar e, com ela, o nosso inêxito.

Albano Rosa

Fórum Permanente de Inovação e Criatividade



Já a partir do mês de Setembro será dinamizado um Fórum Permanente de Inovação e Criatividade espaço esse onde os trabalhadores "podem livremente
(Quadro: Francisco Neto)

expressar as suas ideias, projectos e sugestões que visem o aumento do valor dos CTT"

Não podemos passar o tempo a dizer que uma eventual má liderança não nos dá espaço para colocarmos a criatividade no poder... e depois não aproveitarmos este espaço.

Devemos participar quer apresentando as nossas ideias quer estando atentos e receptivos às diferentes propostas que podem aparecer

Relembro alguma teoria relativa a este tipo de eventos:
1 - Não são permitidas críticas, julgamentos ou avaliação de ideias numa fase inicial;
2 - Espírito livre é desejável, as ideias nunca serão demasiado liberais ou radicais;
3 - Interessa a quantidade de ideias, gerando-se um maior número de alternativas;
4 - O uso de combinação de ideias e o seu melhoramento é desejável, importa retomar e aproveitar ideias dos outros.

Falta pouco mais de um mês para o primeiro encontro.

Devemos apresentar as nossas ideias.

terça-feira, agosto 09, 2005

Um protesto contra a fome no mundo


Paremos um pouco para protestar

- contra a fome,
- contra a miséria,
- contra um mundo cheio de desigualdades.








No mesmo dia em que o "Discovery" regressa com sucesso a este nosso mundo continuamos a conviver com situações como as descritas nas fotos.


Permitir conviver com estas condições de "vida" é também uma certa forma de "terrorismo".

Somos todos co-responsáveis
- pela acção!
- ou pelo silêncio!

Não nos calemos num protesto e numa luta por um mundo melhor.

(Fotos: Tom Stoddart)

O Galinheiro e a raposa

Sobre o texto do Albano gostava de dizer:

– nem todas as ”galinhas” são de boa raça... há de tudo...

– a visão de que todos os animais diferentes de nós são raposas... é uma atitude errada.

– é errado pensar que às “galinhas” só resta um papel: serem “passivas” e esperarem que o caseiro e/ou o dono tomem decisões

o futuro também está nas nossas mãos

temos que acreditar que é possível construir um futuro melhor!

O CORREIO-MOR FEITO PELOS SEUS LEITORES

O GALINHEIRO, O DONO, O CASEIRO, AS GALINHAS E AS RAPOSAS

Era uma vez um galinheiro muito grande. Um dia, o dono do galinheiro contratou um certo caseiro que, não querendo saber, nem das galinhas, nem dos ovos, contratou por sua vez um grupo de raposas para guardarem e tratarem do galinheiro.

Escusado será dizer o que aconteceu a seguir: raposas no galinheiro é como foguear junto de um bidão de gasolina...
As galinhas ficaram doentes, os ovos passaram a sair mais pequenos e menos suculentos.
O caseiro e as raposas venderam bocados do galinheiro.
Algum tempo depois o dono resolveu mudar de caseiro.
Não se sabe se entretanto o dono disse ao novo caseiro para acabar com as raposas.
Por isso, tem cuidado, ó caseiro, que não se tratam as galinhas com a ajuda das raposas!

Albano Rosa

Trivial para Pensar

" Quanto mais deprimidos mais os Portugueses consomem"

" O consumidor Português, aparece sempre - em inquéritos realizados em toda a Europa - como sendo um pouco mais pessimista do que os consumidores dos outros Países"

Estas citações pertencem a um Barómetro encomendado pela comunicação social e dão-nos que pensar:

a) Se somos sempre mais pessimistas do que os outros, o que não pode deixar de nos deprimir, e

b) Se o nosso consumo varia directamente com o nível da nossa depressão,
então

c) Vamos acabar com os stocks de todos os produtos de luxo\sumptuários, os Comerciantes vão enriquecer todos, os seus empregados vão ser aumentados para o dobro, a Economia vai ser relançada à custa deste consumo desenfreado e Portugal vai apresentar indicadores de riqueza, nos estudos da UE, ao nível dos do Luxemburgo...

Para garantir esta cadeia de acontecimentos urge manter os portugueses sempre bem deprimidos!!

segunda-feira, agosto 08, 2005

POST@L

O CORREIO-MOR FEITO PELOS SEUS LEITORES

O CAVALO SÓ

Antigamente, uma enorme manada de cavalos espalhava-se de norte a sul do país; dos maiores aos mais pequenos, todos os bichos eram montados por cavaleiros encapados que, garbosos, tonitroavam aos céus dando asas ao som poderoso que sopravam das suas trombetas.

Esses belos cavalos eram vistos constantemente, um pouco por todo o lado, uma parte deles sempre parados nos estábulos e os restantes em frenético e quase permanente movimento.

Certo dia, de repente, esses cavalos desapareceram todos, tendo sido de imediato substituídos por outros de raça diferente.

Os novos cavalos ainda são montados por cavaleiros, garbosos como sempre, mas agora vestidos com fatos de licra que usarão, porventura, para lhes permitir mais brida (a exemplo de velocistas, nadadores e corredores de bicicletas); o instrumento musical, muito embora continue a ser do género de sopro, é agora também de outro modelo.

Claro que deve haver diferença, mas o mistério desta troca - há quem diga que cavalo é cavalo... - encontra-se contudo por explicar.

Até porque no estábulo de Cabo Ruivo, o mais importante do país, ainda resta um dos antigos cavalos e o mais estranho é que esse era porventura o maior de todos eles.

Esse cavalo deverá estar tão triste (por estar só? por saudades dos outros? por nostalgia de ter sido o maior de todos? por não gostar dos novos?) que dia após dia anseia pela chegada da noite, logo se recolhendo ao aconchego da escuridão.

Há quem diga que este cavalo só, com o seu ar altaneiro ainda desafia aqueles que eliminaram os seus irmãos; outros, mais sonhadores, dizem que a sua existência é uma forma segura de se garantir que tal raça não venha a ser extinta.

Para mim trata-se apenas de um belo cavalo que precisa de luz.

Albano Rosa

POST@L

(Arkuda)

SIGA físico ou SIGA virtual?

Alguns clientes querem que a sua mensagem/objecto seja reencaminhado para outro endereço.

Os CTT têm um serviço que responde a esta necessidade chamado SIGA.
Estamos na presença de um SIGA “físico” e “passivo”... porque:
- só actuamos na presença do objecto quando o mesmo chega ao destino;
- só posteriormente podemos iniciar o processo de reencaminhamento.

Em paralelo com esta situação física e passiva deveria haver um novo modelo “virtual” e “activo”

Virtual – pois o serviço poderia ser efectuado sem a presença do objecto
Activo – pois seria efectuado antes do mesmo chegar ao destino

Coloquemos a criatividade ao poder!

POST@L - Portugal em chamas

O CORREIO-MOR FEITO PELOS SEUS LEITORES

INCÊNDIOS: O FIM DO MUNDO RURAL

Quando era miúdo passava as férias grandes na zona de Viseu, no mundo rural profundo.

Nesse tempo havia mais terrenos cultivados, por isso havia menos floresta do que há agora e estava limpa; roçar o mato - a tarefa mais humilde de entre todas as tarefas rurais - servia para limpar a floresta, para fazer a cama dos animais nos estábulos e para eliminar a lama das ruas; regularmente o mato era retirado e colocado nas terras a servir de adubo, sendo logo substituído por novo.
A minha aldeia tinha cerca de trezentas pessoas, a maioria das quais eram dotadas de grande energia e capacidade de trabalho.
Também havia loucos, incendiários, madeireiros e bombeiros corruptos e oportunistas, descuidos, acidentes e azares.

Quando havia incêndios o sino tocava a rebate; estivessem onde estivessem, todas as pessoas largavam os respectivos afazeres e iam a correr combater o incêndio; os bombeiros raramente intervinham.

Esse mundo rural - bastante pobre na minha região - era mantido artificialmente pelo regime político que na altura vigorava no país através da inexistência de alternativas noutros sectores económicos de actividade; a grande vaga de emigração para a Europa dos anos sessenta e setenta é reveladora da falência desse mundo rural (ou seria do regime?).

Com o 25 de Abril o país modificou-se e abriram-se outros horizontes às pessoas.

Nas modificações que ocorreram, o mundo rural acabou por perder quase todo o seu vigor e em muitos casos quase desapareceu.

Antigamente, "ír à terra" significava retornar ao mundo rural; hoje em dia significa ir ao sítio onde vivem outras pessoas da nossa família.

O mundo rural passou a ser visto muitas vezes a partir de dentro de jipes e outras viaturas equipadas com ar condicionado, que transportam pessoas cujo conhecimento e expectativa do mundo lhes advém do que vêem nos écrans da televisão e nos computadores; algumas crianças poderão começar a pensar que a comida nasce dentro dos frigoríficos...

Irritam-me cada vez mais as muitas horas diárias que as televisões consomem a passar notícias sobre os incêndios.

A razão profunda dos incêndios reside na opção pelo abandono do mundo rural.

Julgo que em Portugal dispomos apenas de duas alternativas: revitalizar o mundo rural, ou deixar arder.

Há nas aldeias pessoas que adoram o mundo rural e outras pessoas que o odeiam; o mesmo se passa nas cidades.

Deve haver modernos modelos de desenvolvimento sustentado que permitam revitalizar o nosso mundo rural; pois não há um ministério da agricultura? pois não há escolas superiores que continuam a estudar este universo?

Por exemplo, se 10% dos chineses - isto é, 130 milhões de pessoas - gostarem de azeite, isso não poderá representar a base de um modelo?

A Ota e o TGV serão mais importantes para o país do que esta questão?

É esta intensa discussão - política - que deve e interessa ser feita; o resto das notícias sobre os incêndios são, cada vez mais, meros fait-divers de Verão.

Albano Rosa

POST@L

(Fátima Pinto)

O "Bloguista" vai de Férias (mas pouco...)

Aviso os Caríssimos Leitores que o gozo de alguns dias de Férias (poucos) poderá influenciar o ritmo da colocação de Posts da minha autoria.

A partir de 1 de Setembro tudo será diferente.

E não me refiro - felizmente - só ao Blog!!

Nova Estrutura para os CTT

O CA-CTT divulgou na Sexta Feira passada uma nova Estrutura para esta antiga Empresa.

Falta conhecer mais detalhes sobre as funções específicas das Direcções agora criadas para podermos fazer uma análise mais profunda sobre o alcance desta modificações. Todavia, só o anúncio da Mudança é já um raio de Sol neste dia tão triste e escuro que nunca mais havia meio de passar.

De momento permitam-me só que diga que a Esperança renasce para muitos Quadros de valor que estavam subalternizados nos Correios.

E o Futuro?

"Hoc opus hic labor est"

Vamos a isto que se faz tarde!!!

A Qualidade Não Existe!

Com este título venho apenas defender que não me parece existir uma Qualidade (em termos absolutos) mas antes diferentes “Qualidades”, entendidas como as diversas formas dos Clientes apreciarem a nossa actuação, consoante as prioridades que estabelecem em cada momento.

Quando se estudam as principais dimensões que o fenómeno da Qualidade assume perante os Clientes, é costume distinguir duas situações:

- Para certos Clientes, Qualidade é, sobretudo, pagar pouco por um serviço normalizado. Chamemos-lhe a tendência da “esferográfica BIC” - barata, acessível e honesta: faz exactamente aquilo que promete.

- Para outros Clientes, “a Qualidade paga-se”. São aqueles para quem apenas o melhor está adequado e que consideram, por exemplo, que pagar 27 000€ por um "Audemars Piguet Off-Shore" é o preço justo para um relógio de homem. Trata-se aqui da aposta na excelência do produto ou do serviço, sem quaisquer concessões.

O problema com estas generalizações\caracterizações que vêm em todos os livros, é que não são reais. Não se adaptam ao quotidiano do meio empresarial. São estereótipos que nos ajudam a sistematizar o raciocínio mas que não deixam de ser mitológicos na sua concepção.

De facto, a esmagadora maioria dos empresários gere situações onde pensa e age de acordo com o 1º grupo de consumidores caracterizado (Clientes BIC) , mas também tem de gerir outras onde o seu comportamento tem de ser mais próximo do do 2º grupo citado (Clientes Audemars Piguet).

Um dos maiores desafios para todos nós é perceber exactamente em que situação se encontra o Cliente comprador face à atitude perante a venda.

E não se trata aqui de conhecer melhor ou pior as necessidades concretas do Cliente, outro dos modernos mitos do Marketing que urge desmitificar: Essas necessidades não são absolutas, variam com o tempo, com as circunstâncias do negócio e até com a estratégia do Cliente face à (sua) concorrência.

Em teoria a necessidade da medida do tempo tanto pode ser satisfeita por um “Swatch” de 45€ como pelo tal “A.P.Off-Shore” de 27 000€…

Na prática é que "a porca torce o rabo".

domingo, agosto 07, 2005

Post@l - Levar a Carta a Garcia - Postais

Levar a Carta a Garcia - Postais - 1

Será que o tradicional postal ilustrado tem os dias contados?

No PUBLICO de 7/8/2005 são registadas as diferenças entre os postais e as mensagens SMS (que descrevemos).

O lento declínio dos postais que é anterior à explosão dos telemóveis deve-se, na minha opinião:
- à concorrencia (SMS);
- à ausência de criatividade nos temas ;
- à pouca acessibilidade... ainda é muito difícil comprar um selo...

Para concorrer com as novas tecnologias devemos colocar a criativiadade no poder

Levar a Carta a Garcia - Postais - 2

POSTAL (+)
-Comprar um postal, escrevê-lo, colar-lhe o selo e metê-lo no marco do correio é uma sucessão de gestos que abona a favor de quem os realiza e que diz alguma coisa da estima que merece quem o recebe
- Podem ser coleccionados
- Os erros de ortografia ficam, registados para sempre
- São pouco adequados para transmitir emoções ou impulsos de momento
- Levam muito tempo a chegar ao destinatário
- São baratos

Levar a Carta a Garcia - Postais - 3

SMS (-)

- É uma forma de comunicar efémera
- Reduz a arte de escrever e comunicar a uma sucessão de hieróglifos pouco compreensíveis para quem não pertence à "tribo"
- Apesar da concorrência e das promoções é um meio de comunicar caro
- O uso e abuso tornam o SMS uma praga
- É muito fácil de digitar e enviar

sexta-feira, agosto 05, 2005

POST@L

(Filipa Acciaioli)

Mudanças nos CTT

A esperança de um futuro melhor.

Devemos empenhar-nos todos para que vençamos as diferentes batalhas

Bom dia, futuro!

POST@L

(Fátima Mazion)

Como pensaram os Gurus de qualidade ao longo dos tempos? - 5

Guru da Qualidade - Taguchi

Preocupado com a qualidade da engenharia através da optimização do "design" do produto, combinado com métodos estatísticos de controlo de qualidade. Estimulou as reuniões interactivas de equipes de trabalhadores e gestores.

Forças de abordagem
- abordagem que e trata a qualidade desde a criação do design
- reconhece a sociedade como assunto da sociedade, além de organizacional
- os métodos são desenvolvidos para engenheiros práticos em vez de estatísticas teóricas
- forte controlo do processo

Fraquezas da abordagem
- de difícil aplicação quando o desempenho é difícil de medir (exemplo: sector dos serviços)
- a qualidade é controlada principalmente por especialistas em vez de gestores e trabalhadores
- considerado fraco para motivar e gerir pessoas

Como pensaram os Gurus de qualidade ao longo dos tempos? - 6

Guru da Qualidade - Grosby

É conhecido pelos seus trabalhos de "custos da qualidade".
Procurou destacar custos e benefícios na implantação dos sistemas de qualidade. Apresentou o programa de "zero defeitos"

Forças de abordagem
- fornece métodos claros e fáceis de seguir
- a participação do trabalhador é reconhecida e importante
- introduz a ideia de círculos de controlo de qualidade
- forte em explicar a realidade da qualidade e em motivar as pessoas a iniciar o processo de qualidade

Fraquezas da abordagem
- visto como alguns como culpando os trabalhadores pelos problemas de qualidade
- visto como alguns como enfatizando slogans e lugares comuns em vez de reconhecer dificuldades genuínas
- o programa "zero defeitos" é visto, à vezes, como algo que evita o risco
- insuficiente ênfase em métodos estatísticos

Cilentes - uma abordagem

1 - Esteve em Portugal, há semanas, Don Peppers, maior guru mundial do marketing relacional one to one, a proferir na Universidade Católica,na qual afirmou «o marketing tradicional está a matar muitos negócios».

Na verdade e, volto a citá-lo «o excessivo foco nas estratégias de curto prazo é péssimo para as Empresas». As Empresas ao apostar no marketing tradicional massificam a sua relação com os clientes, desprezando a relação de proximidade com cada um.

A quantidade enorme de informação e anuncios, nos «Media» dirigido à globalidade dos consumidores cria muito ruído na comunicação, pois a eficiência da mensagem dilui-se e, o consumidor torna-se cada vez mais resistente, insensivel e dificil de atrair. Esta situação constitui-se como o principal elemento que favorece a emergência do marketing relacional.

2 - Ao contrário do que se pensava há algum tempo, os clientes não querem muitas e variadas opções, preferem propostas que se adequem às suas necessidades, daí que a reorganização e reengenharia de processos nas Empresas deve efectuar-se tendo com foco um dos seus activos mais valioso, senão mesmo o mais valioso-o Cliente, ou seja, a orientação está a afastar-se do produto para se centrar no consumidor.

Hoje o grande desafio que se coloca às Empresas é efectuar uma abordagem personalizada, em grande escala, para a qual as tecnologias ajudarão, por certo,a identificar as opções de cada cliente/consumidor.

Com efeito, o conhecimento dos clientes e o desenvolvimento de relações diferenciadas caminham a par das novas tecnologias e, revelam-se eficientes quando pensamos no retorn do(s) investimento(s) orientado(s) nesse sentido.

Ora comunicar de forma certa com a pessoa certa, i é, cliente/consumidor certo, conduz a uma maior proximidade dos clientes com esta ou aquela marca, pois com afirmam vários autores «conquistar um novo cliente é cinco vezes mais dispendioso do que satisfazer um antigo.
Contudo, citando, de novo, Peppers este sublinhou que o que mais importa hoje é «não maximizar o valor do produto mas a satisfação do cliente, antecipando as suas necessidades». Isto é viável com os recursos que a informática nos disponibiliza, daí ser possivel também responder a cada cliente de per si e, cito-o de novo, «maximizando o valor criado a cada consumidor».
As Empresas, presentemente têm de estar particularmente atentas aos investimentos em campanhas, pois se este fôr superior ao esperado em retorno nas vendas destroi-se valor. É por isso necessário balancear as iniciativas de curto e de longo prazo.

Return on Customer (ROC) é o titulo da obra que Don Peppers nos veio apresentar, nesta conferência, nela referindo que não é possivel criar valor em qualquer negócio se os clientes não criarem esse valor para o negócio.
É necessário obter um ponto optimo para cada cliente. Citando, de novo, Peppers «a confiança do cliente na Empresa é que faz a diferença» face às variaveis, preço, qualidade e serviço oferecido que são cada vez mais equiparáveis nas Empresas que operam em mercado aberto.

3 - É neste contexto que a distribuição fisica dos objectos vendidos pelas marcas tem importância vital e, daí a necessidade de se tratar Clientes diferentes de forma diferente.
Clientes institucionais, Empresariais e, Individuais deverão ver adaptada às suas necessidades, o tipo, a forma e, o modo como serão servidos para que mantenham confiança na Empresa que lhes assegura o serviço.

Nessas Empresas torna-se necessário dispor de maior eficácia, eficiência e flexibilidade das equipas que asseguram a gestão e a distribuição fisica dos objectos,factor diferenciador e facilitador da sua opção e escolha sutentada por este ou aquele operador.
A formação, a motivação e a orientação para o cliente e, sobretudo o conceito de que estão a gerir bens dos seus clientes a montante e a juzante, diferencia-as no mercado cada vez mais aberto e global.


Raul Santos Rocha

POST@L

(Lurdes Castro)

Crítica de Restaurantes 3

Um Segredo bem guardado: Restaurante Maré Alta (Cobre – Cascais)

Alguns dos Leitores talvez já se tenham interrogado como é que os grandes restaurantes de Lisboa e da Linha de Cascais se abastecem de peixe e de marisco fresco todos os dias. Como conheço relativamente bem esses circuitos – o meu Pai foi contabilista de vários restaurantes na zona e habituei-me a frequentar as casas dos proprietários na sua companhia - vou abrir um pouco (só um pouco...) a gaveta deste segredo.

Antigamente os donos dos restaurantes recebiam os pescadores locais, que lhes traziam ao fim da tarde o que a Faina tinha dado. Só no caso desse “material” não ser suficiente é que tinham de ir à Doca Pesca na madrugada seguinte.
Hoje em dia a pesca artesanal ao longo da costa já não permite, por si só, garantir o abastecimento dos Restaurantes. Quando aparece alguma coisa, pela raridade e pela qualidade extrema, os preços disparam

Desta forma, a maioria dos Proprietários de Restaurantes tem dois ou três “Peixeiros” de confiança, com quem falam durante a semana, pedindo (encomendando) o peixe e marisco que necessitam. Este “Peixeiros” são industriais do ramo que possuem viaturas com refrigeração e que podem percorrer as Lotas mais próximas à procura do que os Clientes desejam. Muitos destes contactos fazem-se por telemóvel, sendo que o encontro dos profissionais das diversas lotas (já com o “material” ) faz-se quase sempre no MARL.

Ora bem, um desses Profissionais teve a boa ideia de abrir um Restaurante numa Vivenda no local do Cobre, muito perto da “circular exterior de Cascais”.

Esse Restaurante chama-se Maré Alta e é garantido que o Peixe e Marisco lá confeccionados são de uma frescura total. As boas notícias não acabam aqui. Como os custos de uma operação como esta , começando pelo fornecedor\proprietário, são contidos, os Preços a que o Peixe e Marisco são propostos aos Clientes são também eles “contidos” se os compararmos com outras casas onde a matéria prima seja de qualidade idêntica!

Nota 1: Tenham em atenção que na Lota de Cascais ou no Guincho, o tipo de serviço que praticam leva a que os restaurantes tenham 7 ou 8 trabalhadores só na cozinha, mais outros tantos nas salas (dependendo da dimensão da casa). A esses juntam-se o Balcão com 1 ou 2 pessoas e as trabalhadoras da limpeza (2 ou 3). Dependendo da dimensão do Restaurante estamos a falar de 14 a 30 Trabalhadores! Quanto aos Preços, não há milagres!

É claro que os tempos do “bacalhau a pataco” já lá vão também para o "Maré Alta". Peso por Peso o Peixe Fresco da nossa costa é hoje um artigo quase “de luxo”. Por outro lado, se o Proprietário do Maré Alta conseguir vender, por exemplo ao “Porto de Santa Maria”, todos os lagostins que arranjou, não vai decerto tirar alguns quilos a esse seu Grande Cliente para os colocar no seu Restaurante...

Posto isto vamos ao principal:

É uma Vivenda pequena, fresca e bem iluminada, em tons de azul e amarelo. Antes de entrar na sala é forçoso parar à porta para espiar o escaparate de Peixe fresco. Dá gosto ver as Pescadas (algumas de grande porte), os Pregados, os Robalos, os Chocos e as Lulas, os Linguados, etc, etc, à medida do que foram as lotas da véspera.

Amesendação conforme ao gosto tradicional, com pano nas toalhas e nos guardanapos.
Serviço impecável de simpatia, às vezes um pouco “esticado” porque a contenção de custos não dá para mais empregados. Cozinheira sem grandes francesismos, mas a saber grelhar, cozer e fritar como os melhores. Patroa sempre presente , ajudando à mesa e ao balcão (o Patrão descansa de dia , como é próprio da sua actividade principal).

Grelha de carvão para a sardinha, para o linguado, robalo, sargo ou dourada, lulas da “tóneira” (quem não sabe o que é pergunte aos pescadores) etc..
Bom forno para os Pargos e Gorazes.
Frigideira em grande forma para os “Filetes “ de pescada, de cherne, ou ainda de linguado, com arroz de tomate e pimento feito na altura.

Da última vez que lá fui comi um Robalo assado no forno à Portuguesa – houve que esperar 30 minutos, aqui é tudo feito no momento – acompanhado por um Branco Douro “Maria Mansa”. Excelentes o peixe e o vinho.

Nota 2: Muitas vezes as casas, defendendo o Cliente, aconselham um peso médio de 300g a 500g por pessoa para as doses de peixe. Mas se nos decidirmos por um "assado" há que ter em conta que peixes pequenos raramente são suficientemente "cheios" para resultar tão bem no forno. Daqui ser aconselhável defrontarmos o "assado no forno" na companhia de 3 ou 4 amigos, o que permite escolher um Peixe com peso condigno...

Neste caso o Robalo era um pouco grande para duas pessoas, mas foi propositado.

Enquanto esperava deliciei-me com um queijo fresco (de consistência parece mais requeijão, mas o sabor é divino!) feito por um tio do proprietário e com umas mãos-cheias de Perceves da nossa costa.
Para mim, o Perceve do Atlântico de bom tamanho, não sendo novo e “mijão”, é uma dádiva celestial. Assim foi o caso desta vez.

Café e Bagaceira branca Alderiz (Vinho Verde) terminaram esta refeição.

Preço: 67 € a dividir por dois comensais.
Tendo em atenção o peso do Robalo, a inclusão dos Perceves na Ementa, e que a Bagaceira Alderiz é mais cara ( e merece!) do que muitos Whiskies de Malte velhos, há que reconhecer que são estes preços bem comedidos face à concorrência .


Como lá chegar: Auto-Estrada Lisboa-Cascais. Saída nó de Alcabideche como se fosse para o Cascais Shopping. Na grande Rotunda depois de sair da AE tomar a direcção Cobre (terceira estrada que sai dessa rotunda, contando a partir da saída da AE).
Ir até ao fim nessa estrada ( a Circular Exterior de Cascais) passando por uma descida acentuada com “Lombas artificiais” .
Ao iniciar a subida que se segue - perto dos semáforos - encostar-se à Direita e virar no primeiro desvio, passando por cima de um viaduto. Encontra outra pequena rotunda que percorre pela metade, seguindo em frente.
Depressa (a 100 metros) dará com o Largo onde o Restaurante se encontra. Caso não haja estacionamento nesse Largo, uns metros mais à frente existe o estacionamento privativo do Restaurante.

Atenção: Se forem ao Sábado e Domingo Telefonem primeiro! Telef: 21 482 2268
Encerra às Segundas Feiras e Aceita CC.

quinta-feira, agosto 04, 2005

Quadro-Resumo das Classificações de Vinhos

Conseguimos chegar aos 30 Vinhos Classificados!!!


1º Mérito Absoluto *****

Brancos e Rosés

Branco Gouvyas, Douro(10€-20€)

Quinta Carvalhais Espumante Rosé 2003, Dão (20€-40€)

Tintos

Barca Velha 1995, Douro (Mais de 40€)
Batuta 2001, Douro (Mais de 40 €)

PAPE, 2001, Dão (Entre 20€ e 40€)
Diga? 2003, Bairrada (Entre 20€ e 40€)
Vale do Ancho 2001, Alentejo (20€-40€)
Lavradores Feitoria 3 Bagos 2001, Douro (20€-40€)
Incógnito Cortes de Cima, Alentejo (20€- 40€)

2º Grande Mérito ****

Brancos e Rosés
Al-Xam Espumante, Alentejo (Menos de 10€)
Rosé Monte do Oiro, Estremadura (Menos de 10€)
Camarate Branco Seco, Palmela (Menos de 10€)

Tintos
Vallado 2003, Douro (Menos de 10€)
O Bolonhês 2003, Alentejo (Menos de 10€)

Confradeiro 1997, Douro (Entre 10€ e 20€)
Cortes de Cima, Alentejo (Entre 10€ e 20€)
Hero dos Avós, 1999, Palmela (Entre 10€ e 20€)
Conde de Ervideira, 2003, Alentejo (Entre 10€ e 20€)
Herdade dos Pinheiros Reserva 2001, Alentejo (Entre 10€ e 20€)
Quinta da Leda 2001, Douro (Entre 10€ e 20€)

Vinha Grande 1999, Douro, (entre 20€ e 40€)
Quinta de la Rosa Reserva 2001, Douro, (Entre 20€ e 40€)
Quinta dos Roques, Reserva 2000, Dão (Entre 20€ e 40€)


3º Mérito

Brancos e Rosés
Filipa Pato, Espumante 3B, Bairrada (Menos de 10€)
Alvarinho Soalheiro, 2003, Verde (Menos de 10€)

Luis Pato Vinha Formal, 2001, Bairrada (Entre 10€ e 20€)

Tintos

Monte da Ravasqueira, 2003, Alentejo (Menos de 10€)
Chaminé, Alentejo (Menos de 10€)

Vinha Paz, 2003, Dão (Entre 10€ e 20€)
Quinta de Tourais, 2003, Douro (Entre 10€ e 20€)

POST@L

(Paulo Silveira)

Como pensaram os Gurus de qualidade ao longo dos tempos? - 3

Guru da Qualidade - Juran

Foi uma referencia no Japão. Tentou que as organizações se movessem de uma tradição "fabril" tradicional da qualidade para uma abordagem mais virada para o cliente.

Forças de abordagem
- enfatiza a necessidade de deixar de lado a euforia exagerada e os slogans de qualidade
- destaca o papel dos clientes internos e externo
- destaca o envolvimento e o comprometimento por parte da administração

Fraquezas da abordagem
- não se relaciona a outros trabalhos sobre liderança e motivação
- para alguns, desconsidera a contribuição do trabalhador ao rejeitar iniciativas participativas
- visto como sendo mais forte em sistemas de controlo do que nas dimensões humanas das organizações

Como pensaram os Gurus de qualidade ao longo dos tempos? - 4

Guru da Qualidade - Ishikawa

Recebeu crédito como criador do conceito dos círculos de qualidade e dos diagramas de causa-efeito. Via o trabalhador como elemento chave na implantação do sistemas de qualidade

Forças de abordagem
- ênfase forte na importância da participação das pessoas no processo de solução dos problemas
- oferece um composto de técnicas estatísticas e de orientação para as pessoas
- introduz a ideia de círculos de controlo de qualidade

Fraquezas da abordagem
- parte do seu método de solução de problemas é visto como simplista
- não lida adequadamente com a passagem das ideias para a acção nos círculos de qualidade

POST@L

QUALIDADE

Sobre a Qualidade três breves notas:

a) É urgente e imperioso que se proceda,nos CTT,não obstante a dificuldade em encontrar novos painelistas e, os custos, à substituição dos elementos que constituem o painel.

b) Todos os produtos, mas também os clientes deverão ser avaliados através de metodologias assentes quer em paineis quer em amostragens, independentemente da Convenção estabelecida com a ANACOM, em que são apenas eleitos alguns produtos.

c) O painel de avaliação deve ser rotativo de 2 em 2 meses ou,em limite ao trimestre, apesar dos custos,para garantir resultados absolutamente fiáveis e crediveis quer para os Clientes, quer para a Empresa, quer também para as Entidades Reguladora, da Concorrência, DECO e, Associação de Defesa dos Consumidores.


Raul Santos Rocha

POST@L -Vinhos

a minha escolha

Classificação de Vinhos

Acabo esta primeira série com uns verdadeiros "Senhores Vinhos", em tudo, até no Preço:

Barca Velha 1995
Mais de 40€
*****
(Palavras para quê? O Grande Senhor do Douro está em forma!!)

Batuta 2001
Mais de 40€
*****
(Obra Prima de Dirk Nieeport no Douro, a lamentar apenas o preço...).

Diga?
Entre 20€ e 40€
*****
(O maior proprietário de vinhas da Bairrada, Senhor Campo Largo, decidiu-se a fazer um Grande Vinho).

PAPE 2001
Enrte 20€ e 40€
*****
(Grande vinho do Dão elaborado por Álvaro de Castro com uvas da mítica Quinta da Passarella e da Quinta da Pellada)

Classificação de Vinhos

Do nosso Amigo e Colaborador deste Blog António ACC. Campos vem esta proposta:

Chaminé, Cortes de Cima, Tinto Alentejo
Menos de 10€
***

Cortes de Cima, Tinto Alentejo
Entre 10€ e 20€
****

Incógnito, Cortes de Cima, Alentejo, Tinto Syrah
Entre 20€ e 40€
*****

Comentário Político Provocatório

Do erudito comentador JPP, sublinho esta passagem:

"(...) Tudo isto nos devia fazer pensar que coisas muito sérias estão a acontecer em Portugal, em Agosto, no Verão, quando a classe média que pensa que nos governa (quem nos governa é uma classe mais alta, ela própria a sofrer uma usura e uma exposição que nunca previu) vai a banhos para o Algarve."

E se nos CTT também se passasse algo de semelhante?!

"Uai!" Já não é Novo!!

Informam-me os nossos Leitores (AAC) que o Restaurante Mineiro da Rocha de Conde de Óbidos já existe há alguns anos!

As minhas Desculpas pela "novidade" que vos queria dar!!

Tudo o resto claro que se mantém!

E.T : Já agora, quem o frequentou diz que vale mesmo a pena a visita...

Pensar Correios : De Novo (e sempre) a Qualidade

A Administração dos CTT definiu o corrente ano como sendo, entre outras coisas, dedicado à Qualidade de Serviço. Nessas circunstâncias talvez se justifique alguma reflexão sobre os motivos que nos terão levado a “perder” pontos no “Jogo da Qualidade” , entre 2001 e 2004, e, ainda com mais pertinência, a questionar porque razão temos tido tanta dificuldade (pelo menos aparente) em implementar as medidas correctivas mais adequadas para corrigir a presente situação.


O sucesso que se obteve no passado recente ao controlar uma situação de contornos semelhantes (pelo menos nas suas consequências, já que poderia ter sido causada por diferentes causas) deveu-se, sem dúvida nenhuma, a três pontos fundamentais:

a) O envolvimento directo de um Administrador como Controlador do andamento das acções correctivas.
b) A implementação de Reuniões de Controlo de Qualidade quinzenais, com a presidência do referido Administrador e juntando especialistas de todas as Direcções envolvidas
c) A limitação do nº de Acções Correctivas – envolvendo a escolha das mais importantes - de forma a que estas pudessem, efectivamente, ser controláveis.

A grande vantagem deste esquema consiste em que as medidas extraordinárias de correcção (por exemplo reforço de meios humanos) podem ser tomadas na hora, mesmo durante a reunião de controlo, e à frente de todos os envolvidos.
Por outro lado, ninguém se atreve a “deixar para trás o trabalho de casa” sabendo que, dentro de duas semanas irá ser questionado (a) pelo andamento do mesmo e logo por um Administrador.

Quanto ao decréscimo da Qualidade dos índices de T&T também me recordo como os CTT tratavam este assunto em anos anteriores, tendo nomeado um grupo de trabalho específico que conseguiu fazer subir para valores próximos dos 97% os índices de leitura .

Como o fez? Monitorizando diariamente o que se passava na rede, reportando a um Administrador (lá está a questão fundamental) as disfunções e avisando também diariamente todos os envolvidos sobre a necessidade absoluta de cumprirem as normas estabelecidas para o T&T.

O que falta ao actual Grupo de Trabalho para atingir esses níveis de performance? Não é a dedicação ou o conhecimento técnico, que possui de sobra, mas simplesmente Empowerment! (Digo eu)


É claro que o tempo não volta para trás, e que uma cópia das acções anteriormente descritas pode não ser hoje viável por muitos motivos.
Todavia, penso que a análise dos factores que nos levaram ao sucesso, no passado, pode ser muito útil para informar as medidas que – hoje – se decidirem tomar para resolver os mesmos problemas:

a) Definição de ambientes específicos e controlados para análise e acompanhamento das situações (Grupos de Trabalho ou Task Forces)
b) Escolha de especialistas para os GT ou as Task Forces e envolvimento pessoal dos Directores respectivos
c) Selecção de Acções Estratégicas em nº limitado, que possibilite a respectiva gestão eficiente
d) Responsabilização efectiva de todos os intervenientes na implementação das medidas correctivas e no cumprimento dos prazos de execução.
e) Liderança pessoal e directa de um Administrador para dar o necessário “empowerment” às decisões dos Grupos.

Gastronomia - Notícias em "flash"

O "Público" de hoje dá conta do aparecimento de um novo Restaurante brasileiro em Lisboa, na Rocha do Conde de Óbidos. Chama-se "Uai!" e a novidade é que desenvolve - tanto quanto sei pela primeira vez em Portugal - os conceitos tradicionais da cozinha "mineira".

Noutros tempos da minha aventura filatélica tive ocasião de experimentar no Brasil, várias vezes, esta deliciosa (e diferente) cozinha tradicional, pelo que a visita a este"Uai!" se torna obrigatória.

Obviamente que, depois, será candidato a crónica neste local...

O "Uai!" Está aberto aos almoços de Quinta- Feira a Domingos, e aos Jantares de Terças a Sábados.

Com a devida vénia e homenagem cita-se um texto das Autoridades de Minas Gerais sobre a sua coroa de glória gastronómica:


A cozinha mineira encanta não somente por ser uma das mais característica do Brasil, mas sobretudo porque é feita de pratos ricos em sabor e cheios de histórias próprias. São histórias bem brasileiras que remontam à época dos escravos, o ciclo do ouro, das pedras preciosas e cada prato tem sua história ...

A preparação desses pratos em ambientes modestos e com poucos recursos, termina por despertar um espírito criativo, seja nas misturas dos ingredientes, seja nos seus temperos, dando lugar assim a uma cozinha típica, muito rica e bem variada.


O prato "feijão tropeiro", por exemplo, era feito pelos homens encarregados do transporte do ouro desde as minas até a capital do país e era justamente nas paradas feitas durante a viagem que eles preparavam este prato de uma maneira bem simples.

A cozinha mineira é toda baseada nos produtos de fundo de quintal, o porco, a galinha, o quiabo, a couve, o fubá. Por isso mesmo, é simples mas de um sabor inigualável e marcante. Está intimamente ligada à cultura do povo que a iniciou através das cozinheiras das grandes fazendas.

A Cozinha Mineira seduz principalmente pelos aromas. E eles nunca saem da memória de quem já sentiu a cálida presença no olfato de um lombinho crepitando no forno, de um feijãozinho imerso em temperos, do torresmo saltando em pururuca numa velha travessa de ferro, da lingüiça que toma forma com seu principal tempero, a paciência , e onde as panelas agüentam horas sobre o calor para que as carnes se impregnem de sabores e liberem os aromas que calam fundo na memória de alguém que, algum dia, caminhou displicentemente pelas ruas de uma cidade do interior mineiro.

"Instantes depois a mesa foi posta e nos serviram um prato de feijão cozido com algumas verduras, arroz e canjica. Eu me achava de novo na terra hospitaleira de Minas Gerais." Auguste de Saint - Hilaire

quarta-feira, agosto 03, 2005

POST@L

Viva a República - 2

É preciso saber por que se é triste
é preciso dizer esta tristeza
que nós calamos tantas vezes mas existe
tão inútil em nós tão portuguesa.

É preciso dizê-la é preciso despi-la
é preciso matá-la perguntando
porquê esta tristeza como e quando
e porquê tão submissa tão tranquila.

Esta tristeza que nos prende em sua teia
esta tristeza aranha esta negra tristeza
que não nos mata nem nos incendeia

antes em nós semeia esta vileza
e envenena ao nascer qualquer ideia.
É preciso matar esta tristeza.

Manuel Alegre

POST@L

(Pedro de Campos Rosado)

Como pensaram os Gurus de qualidade ao longo dos tempos? - 1

Guru da Qualidade - Armand Feigenbaum

Anos cinquenta nos EUA
define qualidade como " Um sistema eficaz para integrar esforços de desenvolvimento, manutenção e melhoria da qualidade dos vários grupos de uma organização, permitindo levar a produção e o serviço aos níveis mais económicos da operação e que atendam plenamente à satisfação do consumidor"

Forças de abordagem
- fornece abordagem total ao controlo de qualidade
- enfatiza a importância da gestão
- inclui ideias de sistemas sócio-técnicas
- promove a participação de todos os trabalhadores

Fraquezas da abordagem
- não faz discriminação entre diferentes contextos de qualidade
- não reúne diferentes teorias da gestão em um todo coerente

Como pensaram os Gurus de qualidade ao longo dos tempos? - 2

Guru da Qualidade - W. E. Deming

Considerado no Japão como "o pai do controlo de qualidade" afirmou que a qualidade começa na alta administração e é uma actividade estratégica

Forças de abordagem
- fornece lógica sistemática e funcional que identifica estágios da melhoria da qualidade
- enfatiza que a gestão antecede a tecnologia
- liderança e motivação são reconhecidas como importantes
- enfatiza os métodos estatísticos e quantitativos
- reconhece os diferentes contextos do Japão e dos EUA

Fraquezas da abordagem
- os planos de acção e as princípios metodológicos são, às vezes, vagos
- a abordagem da liderança e motivação é vista por alguns como idiossincrática
- não trata situações políticas ou coercivas

POST@L

(Célia Bragança)

Pensar Correios: Notícia e seu Comentário

Lucros da Deutsche Post crescem 21,3% em 2004

Os lucros líquidos da Deutsche Post, grupo semipúblico de correios alemão, ascenderam a 1.309 milhões de euros no ano passado, o que representa uma subida de 21,3% face a 2003, anunciou há pouco tempo a Empresa.

A D.Post facturou 40.017 M€ no ano passado, mais 7,9% do que no ano anterior, tendo os lucros operacionais progredido 12,5%, para os 2.975 M€.

Para 2005 a Deutsche Post prevê aumentar em 8% a sua facturação, graças à expansão das actividades na China e Índia.

O Comentário

A maior Empresa de Correios da Europa parece estar no bom caminho. Digo "parece" porque falta saber - não existem ainda esses elementos disponíveis - se não foi à custa de uma antiga paz social que estes resultados se concretizaram.

Dizem os Sindicatos Alemães do ramo que a Deutsche Post dispensou 100 000 trabalhadores do quadro, nos últimos 5 anos, depois das medidas de racionalização e privatização (abertura ao capital privado) de que foi alvo por influência do Governo.

A substituição desses trabalhadores, ao invés de ter sido feito por recurso ao mercado de jovens na própria Alemanha, foi executada através de recrutamento selectivo nos Países de Leste, na figura dos contratos temporários, e a preços de prestação de trabalho cerca de 40% mais baixos do que os Acordos de Trabalho para a actividade postal postulam...

No País que inventou o Correio Moderno (o Barão Thurn&Taxis, há mais de 500 anos, criou a primeira rede de mensageiros consolidada do mundo aberta ao público em geral) faz impressão ver uma Empresa desta dimensão - à primeira vista - a progredir economicamente à custa dos direitos dos Trabalhadores...

Novos Tempos, novos Costumes?

"O Mundo está a tornar-se um local perigoso", como escrevia Vasco Pulido Valente.

Crítica de Restaurantes 2

Há Capote na Costa!


Muitas povoações da nossa costa sofrem actualmente de uma moléstia que, à falta de melhor adjectivo, designaria por “síndrome quarteiral", querendo com isto transmitir a impressão de justo desagrado que aguarda o comum dos mortais quando, ao chegar, se lhe deparam construções a mais e povoação a menos, prédios a mais e orla marítima a menos ou, enfim, mais pessoas do que passeio e mais viaturas do que rua!
Estes sinais externos são reveladores de uma fatídica tendência para imitar aquilo que - no género- de pior se terá deixado fazer no Algarve nos últimos anos. Daí o cognome da doença...

Também a Costa da Caparica, sofre as consequências de não ter planeado e implementado de forma conveniente a sua expansão urbanística, comprometendo a apreciação estética do passante, seja ele, ou não, devoto da Nossa Senhora do Monte - orago local - cujo manto, ricamente decorado, teria dado origem ao patronímico da Vila.

Subindo a antiga Rua dos Pescadores, em direcção ao mar, encontramos do lado esquerdo, no nº40-B, o Restaurante “O Capote”, local que desta vez escolhemos para avaliar os respectivos dotes culinários.

O Restaurante divide-se em duas salas, sendo a do rés-do-chão pouco mais do que um corredor com algumas mesas que dá acesso ao 1º andar, onde se está bem melhor graças à área disponível e à claridade natural proporcionada por largas vidraças. A decoração, como se esperaria duma casa deste tipo, é rústica, mas acolhedora, com predominância para as madeiras de castanho e para os materiais utilizados na amesendação: toalhas e guardanapos de pano, pratos, copos e talheres a preceito.

Embora a lista inclua sugestões de índole carnívora, é obvio que quer a localização geográfica quer a própria filosofia de gestão da casa nos impelem para explorar as propostas baseadas em produtos marítimos.

Nesta ocasião escolheu-se “sopa de peixe” para iniciar as lides, seguida de uma “fritada mista de peixes à moda da casa”, tendo-se concluído a refeição com um “caldo de massinhas” confeccionado a partir do primeiro prato.

Convém aqui explicar que a “sopa de peixe” assemelha-se mais a uma caldeirada do que propriamente a uma sopa, sendo o preparado, todo ele feito em cru, adicionado dos temperos habituais, de forma a realçar a excelência da matéria prima. Nesta interpretação culinária calhou-nos uma boa posta de robalo fresco cuja delicadeza natural foi realçada pela qualidade da preparação. Ficou-nos, sobretudo, na memória o envolvente aroma que se desprendia do tacho que veio à mesa.

A “fritada mista” continha linguados, pescadinhas de rabo na boca e carapaus pequenos. A travessa vinha decorada com pão frito embebido em salsa e como acompanhamento foi-nos sugerido um arroz de tomate “malandrinho”. Prato aparentemente simples de executar mas que, como era o caso, quando bem interpretado, permite sensações degustativas de muito alto nível. Peixe fresco, óleo novo de boa qualidade e sábia mão ao pé dos fogões são, evidentemente, os condimentos necessários para o sucesso desta receita tradicional.

O “caldo com massinhas”, que esteve apurando enquanto nos debatíamos com os pratos precedentes, não podia estar mais saboroso.

Acompanhámos a refeição com um vinho branco “Quinta do Carmo” 2002, herdeiro de uma antiga colaboração entre o Engº Júlio Bastos e a respeitada “Maison Rothschild”. Na nossa opinião, um dos melhores vinhos brancos portugueses, sem "madeira", actualmente disponíveis. Como seria de esperar, não decepcionou.

Compondo o ramalhete com os inevitáveis cafés e digestivos (Balvenie Malte de 10 anos), custou esta refeição 30 € por pessoa.

Podem os antigos locatários e veraneantes da Costa da Caparica carpir, com razão, as suas mágoas face ao actual enquadramento paisagístico daquela localidade.

Do ponto de vista gastronómico, porém, existe um oásis chamado “O Capote”, bem no centro da selva urbana em que a vila se transformou. Serviço diligente e amigável, comida honestamente confeccionada, matérias primas acima de qualquer suspeita.

E mais não se pode exigir.

terça-feira, agosto 02, 2005

POST@L

Viva a República

Letra para um hino

É possível falar sem um nó na garganta
é possível amar sem que venham proibir
é possível correr sem que seja fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.

É possível andar sem olhar para o chão
é possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros
se te apetece dizer não grita comigo: não.

É possível viver de outro modo. É
possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.

Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre.

Manuel Alegre

VENDA POR CORRESPONDENCIA

Ainda um comentário ao anónimo comentário...

Há, pelo menos, duas razões para que não deixemos os tais (poucos) milhões de encomendas "abandonadas":
1 - sobrevivência
2 - a "nossa entidade patronal"... são os clientes

e vale a pena alterar o modelo operativo
- pelas encomendas,
- pelos objectos volumosos,
- pelos registos,
- pela ausência de destinatários nos domicílios,
- por combate à concorrência...
- e principalmente... pelos clientes (expedidores e receptores)

A Venda Por Correspondência - Resposta de Luis Delgado

Lembram-se de um Comentário sobre se "valeria a pena alterar o modelo actual só com 4 ou 5 milhões de Encomendas\ano?"

Aqui está a resposta de um Grande Cliente:

Optimista por natureza, como sou, vou dar o meu contributo positivo para ajudar a “refrescar” algumas ideias, talvez pré concebidas, em relação a certos produtos dos Correios.

É uma pena que esta opinião se esconda atrás do anonimato!

Não posso deixar de expressar o meu espanto quando leio comentários como este: “Valerá a pena alterar o actual modelo” “ na melhor das hipóteses teremos 4 a 5 MILHÕES de objectos” !

Meu amigo, “Vale sempre a pena quando a alma não é pequena”

Como tenho comentado, as empresas são as pessoas que as fazem e com este estado de espirito o “comboio” da concorrência vai ser visto passar a grande velocidade pois as oportunidades tem um timing e quando não acertamos com ele... elas passam.

Um dia em 1997 ou 1998, já não estou certo, quando a La Redoute quis desenvolver o serviço ao Domicilio, perguntamos a um director responsável, qual o futuro do serviço nos CTT, ao que me foi respondido, e cito, ...”hoje o domicilio não é estratégico, talvez dentro de 2 anos”...

É aqui que a concorrência entra em acção!Já agora, para terminar, informo-o que existem empresas no mercado do domicilio que não chegam a movimentar 1 MILHÃO de encomendas por ano e contudo tem a capacidade de prestar bons níveis de serviço, ser competitivas em termos de preços, ter capacidade de inovação e reactividade.

Espero que este comentário o ajude a perceber melhor a realidade do serviço em causa e também dos clientes.

--Posted by Luis Delgado

Para pensar Gestão


" Do You want to Keep Your Customers forever?"


Estranha questão esta que é título de um dos capítulos do livro "The Quest for Loyalty" de R. Cook. Claro que sim, mas nem os casamentos são assim tão à prova do tempo, quanto mais uma relação comercial...

Para responder afirmativamente à questão introdutória o autor insiste que qualquer Empresa deve tentar criar "Relações de Aprendizagem Mútua" entre os seus Departamentos e os seus Clientes, de forma a que , no fim desse processo, tanto uns como os outros estejam já tão dentro das "políticas de gestão" e do "saber fazer" de cada um deles que se torne demasiado ineficaz abandonar a relação.

Isto é, o que pode ter começado por ser um "casamento por Amor", deve, para bem da estabilidade, tornar-se com o passar do tempo num "casamento de conveniência", onde qualquer das partes ganha muito mais se o mantiver do que se se decidir pelo divórcio.

Como se chega, na prática, a esta situação?

Começando pelos Processos do Fornecedor e do Cliente, adaptando-os um ao outro e convidando (eu até diria, insistindo) para que o Cliente colabore activamente no desenho do serviço ou do produto que mais lhe interesse.

Mais fácil de dizer do que de fazer? Talvez, mas cada vez mais uma questão de sobrevivência.

Classificação de Vinhos dos Leitores

Recupero dois Comentários de Leitores nossos sobre este assunto:

___________________________________________________
Class. Vinhos

Conde Ervideira Tinto Reserva 2003
10€-20€
****
Herdade dos Pinheiros T. Reserva 2002
10€-20€
****
Camarate Branco Seco 2004
Menos de 10€
****

_____________________________________________________

Quinta da Leda 2001
20€-40€
*****

Vinha Paz Dão Colheita 2003
10€-20€
***

Classificação de Vinhos

Deixo mais dois Vinhos , talvez pouco conhecidos, para V. conhecimento:

O Bolonhês, Tinto. Alentejo, 2003
Menos de 10€
****
(Um verdadeiro achado esta novidade de Estremoz à venda no El Corte Inglês de Lisboa)

Lavradores de Feitoria, Tinto Douro 3 Bagos 2001
Entre 20€ e 40€
*****
(Soberbo Douro, embora de muito pequena tiragem)

segunda-feira, agosto 01, 2005

POST@L

Qualidade 3

Do nosso cliente, amigo e leitor do "Correio-Mor" Luis Delgado recebemos este comentário que realçamos:

no 1º ponto deste artigo "Qualidade é um factor importante para o desempenho de qualquer organização", permito-me comentar e acrescentar.

Se partirmos do pressuposto, verídico eu penso, que as organizações são feitas por pessoas, mais qualidade ela tenham melhor será, em teoria, a empresa.

Digo em teoria porque bastas vezes os Recursos Humanos são óptimos, tem qualidades boas, mas falta-lhes aquilo que não se aprende nas cadeiras da escola, mas que se recebe da Família ou de Amigos.
A educação, o Saber-Ser, Saber-Estar, ou como está hoje na moda chamar, as Soft Skils.

Esta vertente da qualidade não pode nunca ser relegada para 2º plano.
A abordagem da Qualidade pessoal e relacional é critica para a mais valia gerada no seio de equipas de trabalho.

Também a forma como encaramos a nossa profissão, seja ela qual for. Se como mera profissão necessária para a manutenção financeira ou se como uma extensão / complemento da actividade pessoal, revela a qualidade da nossa pessoa.

É fundamental ter a preocupação do desenvolvimento pessoal, estudando, adquirindo novos conhecimentos, partilhando o Saber. Assim, sem nos apercebermos, tornamo-nos melhores pessoas logo melhores profissionais.

Se isto acontecer, trabalhar, vai provocar em nós uma realização pessoal e uma satisfação que nos conduzem por um caminho de maior QUALIDADE de vida, para nós e para os que nos rodeiam.
Luis Delgado
01 August, 2005

Obrigado pelo seu comentário, Estou totalmente de acordo.

Qualidade 4

Realço as seguintes pontos de vista na implementação dum sistema de qualidade:

1 - atendimento das necessidades e expectativas dos clientes;

2 - inclusão de todas as partes da organização;

3 - inclusão de todas as pessoas da organização;

4 - quantificação dos custos relacionados com qualidade;

5 - fazer "as coisas certas à primeira vez" - realçando a "construção da qualidade" logo desde o projecto em vez de apenas controlar;

6 - desenvolvimento de sistemas e procedimentos que apoiem a qualidade e a sua melhoria;

7 - desenvolvimento de um processo de melhoria contínua

Qualidade 5

Quando pensamos "Qualidade" devemos pensar "Cliente".

É com ele e para ele a nossa razão de existir

Não significa que internamente não desenvolvemos acções para a melhorar.

P.B.Grosby no seu livro, "Quality is free", apresentou um programa de "zero defeitos".
As suas "máximas" na gestão da qualidade são:
1 - Qualidade é conformidade às exigências
2 - Prevenção, não inspecção
3 - O padrão de desempenho deve ser "zero defeitos"
4 - Calcular o preço da "não qualidade"
5 - Não existe esta figura chamada "problema de qualidade"

e também acrescenta as 14 fases da qualidade
1 - Criar envolvimento da Administração
2 - Formar equipas interdepartamentais de qualidade
3 - Estabelecer medições de qualidade
4 - Avaliar o custo da qualidade
5 - Estabelecer "consciência de qualidade"
6 - Dinamizar acções correctivas
7 - Organizar um comité específico para o programa de zero defeitos
8 - Supervisionar a formação dos trabalhadores
9 - Estabelecer o dia de "zero defeitos"
10 - Estabelecimento de metas para os trabalhadores
11 - Eliminação das causas dos erros
12 - Reconhecimento pelo cumprimento e superação das metas
13 - Estabelecer "Conselhos de Qualidade"
14 - Fazer repetidamente

Estes princípios aplicam-se TODOS a qualquer empresa de correio.

Comentário sobre a Crónica de Restaurante - Beira Mar

O nosso Amigo e Cliente Luis Delgado comenta o Artigo sobre o Beira Mar e avança com outra sugestão:

Caro Amigo Raúl,

A leitura deste texto deixou-me com "água na boca", e ainda mais porque conheço o local.

No principio do mês de Julho estive uns dias na praia da Consolação, e aproveitei para conhecer o "restaurante do Parque", em Peniche, que me foi recomendado por amigos. Fui muito bem recebido pelo proprietário, Sr. Francisco que me recomendou diversos pratos, só de peixe porque estamos na presença de um verdadeiro "Penicheiro".

A escolha recaiu sobre o arroz de Garoupa. Após as diversas entradas fui surpreendido com uma refeição de paladar ímpar, resultado da frescura das matérias primas, mas também da mão da cozinheira. Vale realmente a pena experimentar. Se ainda não conhece, aconselho vivamente.

O restaurante fica situado no jardim de Peniche, do lado esquerdo da avenida principal, quando nos dirigimos para o Forte. O ambiente é modesto, sem requintes mas com um acolhimento simpático e agradável, levado a cabo pelo Sr.Francisco.

A Juventude e o Vinho

A Propósito da Queima das Fitas deste ano veio-me a ideia de escrever o seguinte:

Começamos por descansar os guardiões da moral e dos bons costumes: quando falamos de juventude damos ao termo a conotação de “jovens adultos”, homens e mulheres de mais de 18 anos, no início ou prestes a iniciar uma carreira profissional, e em grande parte dos casos, ainda a concluir o seu processo de formação académico.

Tirem pois da ideia que este artigo se vai debruçar sobre as práticas de alcoolismo em tenras idades, problema cuja acuidade não negamos, mas que deve ser tratado e analisado noutros fóruns e, de preferência, por especialistas na matéria, pois a seriedade do assunto não se compadece com abordagens de leigos.

Desejaria escrever umas linhas sobre as causas do afastamento dos “jovens adultos” em relação ao consumo – com moderação - e à apreciação dos bons vinhos portugueses, substituindo-os por outro tipo de bebidas alcoólicas para acompanhar os seus momentos de lazer.

Este fenómeno foi já discutido por muita gente, em Portugal e no estrangeiro, sendo até interessante verificar que no fim da década de 90 aconteceu, pela primeira vez no nosso país desde o tempo de D.Afonso Henriques, que o consumo anual de cerveja ultrapassou o consumo do vinho!

O que se teria passado para causar este afastamento progressivo ente os jovens e o vinho?

A trindade constituída pelo vinho, a comida e os comensais é cada vez menos venerada nos lares portugueses, onde a falta de tempo é muitas vezes desculpa para que a família adira às novas modas do "fast food" na qual se entroniza el-rei D. Micro-Ondas ao lado de sua real consorte a Rainha Dª Pizza Congelada.

Quando ouvimos falar das conversas que se estabeleciam à mesa entre familiares e amigos, ao ritmo natural a que se serviam os diferentes pratos, enaltecendo a arte das cozinheiras (mães ou avós) e apreciando, ou aprendendo a apreciar com os pais e avôs, os vinhos escolhidos para a refeição, não podemos deixar de estabelecer uma comparação degradante com a actual caricatura daquela forma de bem-estar.

Corre-se hoje o risco de perder o hábito do diálogo entre as diferentes gerações que assegurava a transmissão dos ritos e hábitos culinários ancestrais, e estabelecia, entre pais e filhos, uma relação cúmplice, forjada pela apreciação das coisas simples que tornavam a vida em família bem mais aliciante do que actualmente.

Os antigos sabores e aromas das cozinhas portuguesas e das suas vinhas, sabiamente guardados e preservados por alguns a contragosto das últimas modas, têm, contudo, vindo a perder terreno na luta desigual que travam com o frenesim da vida moderna e da competição desenfreada por “um lugar no pódium”, seja no emprego, no liceu ou na faculdade.

Precisamos, hoje em dia, urgentemente, de “fazer tempo” para apreciar as coisas boas da vida. A defesa do património gastronómico e enológico nacional deveria constituir uma obrigação para os poderes públicos, permitindo a todos (re)aprender a desfrutar o prazer da mesa em boa companhia e integrando esta filosofia no conjunto de orientações que pautam a sua maneira de viver.

Mas não são só causas conjunturais, externas ao sector vitivinícola , que provocam o problema. No fim de contas todos sabemos que o mundo mudou (e como mudou desde o 11 de Setembro...) e não vale a pena estar a pensar que é possível o retrocesso. A capacidade de adaptação aos novos ambientes tem de ser uma característica de qualquer sistema, seja ele uma família, uma empresa ou um sector empresarial.

Neste caso concreto como é que o sector vitivinícola, e o de restauração que lhe está associado, reagiram à alteração de hábitos da população?
Resposta: Aumentando os preços, transformando o consumo do vinho numa actividade de élite, remetendo na prática os jovens potenciais consumidores para a escolha entre rótulos de cerveja.

Já tentei beber vinho em restaurantes a menos de 13€ mas não consegui, tal a fraca qualidade do produto que nos apresentavam. E reparem que estou a falar de restaurantes da gama média\baixa...

Não me parece possível canalizar o consumo de vinho clássico para bares e discotecas, a não ser em casos especializados – locais especificamente vocacionados para esses consumos. Não é socialmente bem aceite pedir um copo de vinho nesses sítios e o enquadramento de um programa nocturno (salvo raras excepções) não é propício à necessidade de tempo que um bom vinho merece para ser apreciado, pelo que a resposta tem de passar pelo incremento do consumo nos restaurantes e “snacks” que a “malta” habitualmente frequenta.

Todavia o consumo de Espumantes de qualidade, vendidos a copo (flute), não só me parece adequado a esses locais de diversão (bares e discotecas) como até desejado pelos proprietários tendo em vista o acréscimo de “charme” que podem proporcionar ao estabelecimento e a tendência de moda que podem vir a provocar noutros locais. E todos sabemos como a vida nocturna é feita de modas, sendo sempre necessário encontrar-se novos motivos de atracção para que a clientela não fuja...

O preço é um problema? À primeira vista sim. Será sempre mais caro fazer e comercializar um vinho médio ou um espumante de qualidade do que uma boa cerveja. Todavia mais produtores podiam ter em atenção este mercado potencial e investirem em formatos especiais de garrafas, ao mesmo tempo que criassem condições propícias para permitir servir os vinhos a copo, por exemplo oferecendo as rolhas de pressão aos clientes da restauração.

Existem problemas práticos? Claro que sim. A venda de vinho de qualidade razoável a copo tem constrangimentos logísticos, o armazenamento da cerveja é muito mais fácil do que o das garrafas de vinho, as verbas de promoção e publicidade das cervejeiras são um “golias” quando comparadas com as homólogas da indústria vitivinícola etc, etc...

Mas se não começamos por algum lado ainda daqui a dez anos estaremos a falar da mesma coisa, com consequências menos boas para os produtores e engarrafadores de bons vinhos e espumantes portugueses.

Assim sendo, vamos a eles Departamentos de Marketing das grandes Produtoras e Comercializadoras de Vinhos e de Espumantes! Não baixem os braços e consigam “enfiar” os vossos excelentes produtos nas “casas da moda”.

Estratégia de Empresa e Estratégia Pessoal: Os anos que se seguem

"Golden girls and boys all must
like the chimney sweeper turn to dust..."


A inevitabilidade do passar dos anos deixa muitas pessoas preocupadas com o futuro pós-empresa.

O que fazer quando já nada, aparentemente, haverá para fazer?

Neste artigo debruço-me especialmente não só sobre aqueles que se vão retirar da vida activa por limite de idade, mas sobretudo sobre os outros, os que - sem terem manifestado para isso vontade - foram enterrados vivos dentro das Empresas, sem ocupações condignas ou mesmo sem qualquer ocupação.

Não é esta ainda a altura para discutir as causas dessas situações, o objectivo por agora é discutir as suas consequências e as melhores formas de as ultrapassar.

Num capítulo da sua obra "Desafios da Gestão para o século XXI" Peter Drucker aborda esta matéria, aconselhando a que o Plano Pessoal de qualquer gestor contemple a possibilidade de, na segunda metade da sua vida, poder:

a) Iniciar uma carreira paralela, não abandonando a actual, ou

b)Tornar-se um "empreendedor social" dedicado às causas das ONG's de carácter não lucrativo, ou

c) Finalmente, iniciar uma segunda carreira diferente noutra Empresa.

Talvez que nos USA esta última hipótese seja viável para Técnicos superiores com 50 anos ou mais, mas aqui em Portugal - e salvo honrosas excepções - não me parece ser actualmente exequível.

Assim ficaremos com as possibilidades de iniciar uma "carreira Paralela" - por exemplo no Ensino Superior ou na Política Autárquica - ou ainda de nos dedicarmos às "Boas Obras" sejam estas num enquadramento religioso ou laico.

O grande problema que defrontam - a médio prazo - as pessoas que são "encostadas às tábuas" nas Organizações é um problema de Auto-Estima: "colocaram-me nesta situação porque não sou suficientemente bom". "Estou aqui agora porque devo ter feito alguma coisa de muito errado, mas não me consigo lembrar do que foi..."

Esta linha de raciocínio é perigosa porque desvia a atenção e o fócus da pessoa em causa. Em lugar de sentir que foi injustiçada porque alguém o decidiu autocraticamente, acaba por tentar encontrar dentro de si as explicações profundas para o acontecido.
A revolta que se sente durante os primeiros meses - normalmente corporizada num Gestor de Topo que tomou a decisão - acaba por se transformar, com o passar dos anos, numa triste apatia não reactiva, caracterizada por chavões como : "Agora só quero é que não me chateiem" . "Ao menos ainda me pagam o ordenado todos os meses..." . "Há quem esteja muito pior do que eu..."

Sou de opinião que devemos evitar seguir por esse caminho. A todo o custo! Aquilo que somos (ou melhor, aquilo em que nos tornámos ao fim de 40 anos de preparação) não pode ser posto em causa por decisões instantâneas de má gestão, que nos transcendem.

A verdade sobre aquilo que somos tem de se sobrepor a estas contrariedades; há que afirmar, todos os dias : "É nisto que eu sou Bom! É assim que eu acho que devia trabalhar! Estes são os meus Valores!"