quarta-feira, setembro 10, 2014

A atracção do consumo

Depois do espectáculo que foi ontem à tarde (10h da manhã na Califórnia) a apresentação dos novos IPhones 6 e 6Plus e ainda a introdução do novíssimo AppleWatch, que até teve direito a intervenção exclusiva dos U2, dei por mim a pensar como pode o mero mortal evitar enredar-se nestas malhas que o consumo do século XXI vai tecendo...

Os produtos são muito atraentes, os materiais, as especificações  e o design (não foi por acaso que o Vice Presidente para o design da Apple esteve bem em evidência) são, como disse ontem no Face, "de cair para o lado"... Mas precisamos mesmo, mesmo daquilo?

Eu uso um IPhone 4 que herdei do meu senhorio quando este "evoluiu" para o "5". Tem uns 3 anitos  e meio e serve perfeitamente. O velhinho Blackberry "oficial" já só utilizo ao fim de semana, para não me esquecer do interface, e mais como sinal de alguma nostalgia, daqueles tempos em que a BB competia ombro a ombro com a Nokia e com a Apple. Quem se lembra? :):):)

Ontem à noite, ébrios com a magnitude e a eficácia da apresentação,  já se falava cá em casa do Apple Watch e do IPhone 6... Para comprar lá no início de 2015.

Para quê? Não seria muito melhor pôr as massas de lado para investir no novo iMAC, que deve estar por aí a chegar em Novembro com especificações de arromba? E esse sim! É um instrumento de trabalho...

Dirão alguns que para vestir o homem (ou a mulher) não é preciso smokings Versace nem tailleurs Chanel... Existe ainda a La Redoute (que saudades...).

E que para ver as horas qualquer Swatch (de design também ele aprimorado) faz o serviço por 70 euros, ou menos...

E ainda, que para movimentar o corpo tanto serve o SMART como o Porsche Carrera 4S...

Mas "eles" andam por aí. E enquanto andarem alimentam o ego dos felizes possuidores e o sonho daqueles que o mais perto que poderão chegar desses objectos será se trabalharem como "voituriers" num restaurante de luxo.

Posição Social (ou procura dela), Moda, Status e Poder para comprar definem as variáveis que influenciam a evolução do mercado do luxo.

Mas será o universo Apple um condomínio de luxo, reservado aos banqueiros de investimentos e aos seus clientes?

Não senhores!! E aqui talvez a razão do formidável sucesso da empresa: convencer quase todo o mundo (1º mundo sobretudo e social climbers do resto)  que é possível possuir os seus produtos com um pequeno esforço financeiro.

Os produtos Apple de grande consumo estão "quase" ao alcance de muitos trabalhadores, embora o "esticar" do braço para vencer a distância possa custar menos refeições, menos idas ao cinema, mais meias solas e menos sapatos novos...

Numa palavra, sacrifícios.

Valerão a pena? E na resposta a esta pergunta está a linha que separa os  indefectíveis "fans" da Apple e os outros...






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