sábado, agosto 18, 2012

De Partida

Depois de ver o meu Estoril perder o primeiro jogo da época com o Olhanense ( e bem, nada a dizer) começamos a arrumar as coisas para rumar a casa logo pela manhã de Domingo. Tenho uma promessa ainda a cumprir aqui em cima, que é fazer o tradicional Arroz de Tamboril com Lulas e Gambas. Será esse o nosso almoço de hoje.

Não percebo porque não o fazem mais vezes aqui. Já expliquei às minhas primas que não há segredo nenhum: O tamboril tem de ser inteiro e fresco, para aproveitarmos primeiro a cabeça e a espinha para cozer, aproveitar essa água e retirar todos os pedaços de peixe agarrados.

Depois faz-se um refogado bem leve, com pouco sal,  azeite, alho, cebola aos pedaços , pimento verde e vermeho também aos pedaços, pimenta preta e um toque de malagueta. Quanto estiver a apurar junta-se um copo de Moscatel, ou vinho branco (copo a Porto do Siza Vieira meio). Entram primeiro as lulas, depois os lombos de tamboril cortados aos pedaços, por fim o miolo das gambas (que podem ser congeladas). Deixamos apurar tudo junto, envolvendo.

O Arroz (para 4 pessoas chávena e meia almoçadeira) frita-se primeiro com todos os ingredientes por um minuto. Depois deitamos a água de cozer  a cabeça do Tamboril na proporção de 2,5 para um de arroz. Deixamos cozer e retificamos de sal.

Quando o arroz estiver "al dente" apagamos o lume e deixamos abrir mais 5 minutos com um pano grosso por cima do tacho.

É servido decorado com coentros picados à mão  e de modo a que o arroz esteja ainda a correr (mas não exageradamente!).


E Pronto! Segunda Feira começa a lida em Lisboa. Mas hoje ainda dá para ver o Benfica-Braga na Sport TV, às 20,15h.

Agora por causa disso, sabem a última do Luisão?

Desconfia-se que a malta do bairro da Bela Vista em Setúbal pretende o peito do conhecido "girafa" para meter no catálogo das armas a alugar para assaltos e outros desmandos, ao lado das carabinas  do Clube de Tiro de Monsanto. 

Já terão estabelecido contatos. Parece que lhe oferecem 10% do resultado do roubo. Exceto se for em casa do Dr. Carlos Barbosa. Aí só podem dar 5%... O assunto está em estudo no empresário de Luisão, Guiulliano Bertolluci, que se deslocou de propósito da Sicília para tratar desta matéria.

sexta-feira, agosto 17, 2012

Santa Luzia veste de novo!

À saída de Viseu-Norte, na estrada para Lamego e Castro d'Aire, na A2, encontramos dois locais com o nome afamado de Santa Luzia. O primeiro dedica-se a eventos (casamentos e outras festanças de Verão) o último para quem sai de Viseu, é o Restaurante Santa Luzia propriamente dito. Os proprietários são os mesmos.

Totalmente renovado, em investimento que terá mesmo ultrapassado o milhão de euros, este Restaurante Santa Luzia não tem nada a ver com a antiga moradia onde exerceram  cozinheiras e proprietários o mesmo ofício durante dezenas de anos. A não ser estar no mesmo local...

Imponente, com salas separadas para grupos, garrafeira climatizada e com controlo de humidade, casas de banho high tech em branco e preto, aliás tal como a grande maioria da decoração da casa. Pedra branca no chão e parte da parede, jogando com o mosaico preto.

Tetos falsos e sanefas com luzes embutidas, esplanada modernaça  e até um "riacho" que passa de fora para dentro da estrutura, à vista dentro de um leito de vidro e mosaico.

Por fora,  apresenta-se ao transeunte um paralelípipedo de pedra virado à A2, com jardim e estacionamento bem cuidados à sua volta.

Esteve ali mão de Arquiteto. E bom.

Ontem estava cheio e no feriado do 15 de Agosto parece que serviu mais de 170 almoços também. E bem precisa para amortizar aquele investimento!

As boas notícias, para além do conforto e modernidade das instalações e de todo o aparelho de servir à mesa, desde as toalhas aos talheres e copos, são que as cozinheiras continuam a exercer a sua função cabalmente, apresentando os pratos tradicionais da Beira Alta em grande estilo!

Ontem, e para comemorar a estreia na nova casa, bebemos um Sauselhe branco de 2006 (provavelmente a última garrafa existente em Portugal) seguido de um Quinta da Pellada de 2007. O Eng. Álvaro de Castro tinha lá estado na véspera a pagar um serviço de catering que fora feito em sua casa pelo Santa Luzia, e muito recomendara aquele seu vinho tinto. E de facto quer um quer o outro estavam de lamber os beiços!

Mayonnaise de gambas excelente, Barriga de porco na brasa com arroz malandrinho de feijão, soberba, queijo da serra assim-assim (de boa qualidade e origem insuspeita, mas estava demasiado frigorificado,como estamos em Agosto perdoo...).

Com as habituais entradas de morcela assada de Viseu e farinheira torrada na sertã, presunto serrano, paio do lombo e torresmos, pagou-se cerca de 100 euros. Mas atenção aos vinhos!! Mais de metade do preço foi para eles...

Boa sorte é o que se deseja! E que abram rapidamente a sua loja-garrafeira, para podermos sair dali aviados com garrafas que não levem com os 23% do IVA!

quinta-feira, agosto 16, 2012

Depósito, Adepôsito e Adipósito

Um Depósito, aqui na Beira Alta, é um contentor para o vinho, normalmente de aço inoxidável. Se for de madeira (carvalho ou castanho)  é mesmo tonel ou barrica, como no resto do país.

Um “Adepôsito” será um Depósito lá para baixo, para o nosso Alentejo. Um Depósito em Beja!

Um Adipósito ou Adipócito  é o nome científico  das células que armazenam a gordura do nosso organismo. Estas gajas podem trabalhar mais ou menos. Quando trabalham bem armazenam que se fartam, aquelas P****! Quanto trabalham mal armazenam pouco ou assim-assim.

Nota: A mim logo me havia de calhar uma brigada de adipócitos trabalhadora que se farta! Nem uma greve em 57 anos de vida ativa! Olha que Pôrra!!

Vem esta conversa a propósito do efeito do álcool na obesidade. Na prática o que se pretende saber é  se o trânsito do Adepôsito para o Adipócito (caso seja vinho de Borba , por exemplo) traz influências nefastas em termos do aumento do peso e do volume da verdadeiramente besta que presidiu à trasfega.

As opiniões vareiam, não no sentido médico e científico do assunto (o qual pouco interessa) mas sobretudo baseados em provas práticas derivadas da observação direta dos casos em si.

E em relação a essa visão mais prática, observa-se que  alguns dos impetrantes são secos como um moreia fumada apesar da litragem que levam no conta-litros , enquanto que outros – sobretudo os mais dados a confraternizar com a lourinha – não deixam de exibir a conhecida “barriga de cerveja” .
Este assunto – que como podem imaginar me fascina quando não tenho mais nada para fazer – por vezes substitui para meu agrado as conversas da noite sobre a política aqui na serra, com a enorme vantagem de evitar que as pessoas se insultem mutuamente mais do que o costume.

-“O Raulzinho é todo ele “mociço” ! Nem tem corpo de bacalhau seco  nem de barriga de mijo! Deve ser porque bebe de tudo! He! He! He!  Já ali o Zé tá mesmo cozido por dentro do bagaço! Nem furos no cinto já tem!”

-“E tu podes falar Oh Manel da Bezerra? Para veres os C**** tens de pôr um espelho no chão! De tanta cerveja que emborcas!”

-“Mau, Mau, Maria! Alguém lhe faltou ao respeito? Vomecê dorme com uma garrafa de Sagres cheia de bagaço por debaixo da cama e é isso a primeira coisa que bebe quando acorda! É que nem vê nada antes de beber!”

E assim continuam as nossas alegres discussões noctívagas. Como se vê sem insultar ninguém.

Uma coisa parece mais ou menos certa, da observação que venho fazendo da malta aqui de cima: Um verdadeiro profissional da bebida, come pouco e terá tendência a ter um aspeto físico mais “alongado e ressequido”. Um outro que à refeição “não perdoa” nem a secos nem a molhados, mas que depois é capaz de nunca mais ingerir álcool entre as ditas refeições, pode ser e normalmente é mais nutrido, mesmo “gordo”.

 E ainda há aqueles que são o “dois em um”: Só param de comer e de beber quando dormem. E não dormem assim muitas horas por noite. O aspeto físico destes é o que menos interessa, dado que infelizmente não costumam andar por cá muitos anos…












A pessoa que mais me impressionou a beber foi uma mulher. A 1ª esposa do Sr. F*****,riquíssimo, grande conhecedor de vinhos e produtor de grandes marcas na Alemanha, em Portugal (Douro) e em Espanha. Essa senhora – que quando a conheci teria 40 e picos  anos, e boa figura embora “germânica” , alta e  bem constituída mas nunca gorda – começava o jantar com uma garrafa de Dom Pérignon, continuava com uma de Barca Velha, ia por ali acima com meia de Porto Vintage com o queijo e nunca se retirava sem ”aviar”  um balão de Aguardente Velha Ramos Pinto!! Ela e o marido tinham contas “interessantes” no Beira Mar, algo como 40 contos de vinho e 8 contos de comida… E isto no tempo dos “contos de réis”, lá para 78! Quando um Assistente Universitário (moi!) ganhava 12 continhos por mês…

Num registo mais popular e proletário, também tive ocasião de confraternizar com um colega do Judo do Estoril que tinha por alcunha “O Marabunta”. Magro e baixote , era temível à mesa. Comia a dose dele e andava por baixo da mesa a ver se lhe calhava mais alguma coisa da dose dos outros. Quando estávamos na Feira Popular  a festejar um dos nossos campeonatos nacionais por equipas, cheguei a vê-lo comer 3 frangos assados inteiros com largas doses de batata frita (porque só Frango o enjoava)   à compita com outro colega. Devo dizer que, para o volume do corpo foi este o maior comedor que conheci. Raça e génio em 1,65cm e uns magros 63 kg! E só bebia cerveja! Mas um grande Atleta.

Agora, se quisermos eleger o “Campeão Olímpico de Todas as Categorias de Peso” essa distinção – na minha experiência – deve ir para o Sr. Casinhas dos Mármores de Negrais ex-aequo com o Sr. Visser, nosso Agente de Filatelia em Dordrecht (Países Baixos).

O famoso “3cús” já aqui referido e o Sr Visser tinham corpos semelhantes , mais largos que altos ambos, cerca de 140 Kg em menos de 1,80m. E comiam e bebiam desalmadamente!  A um vi comer uma leitoa  e meia inteira sozinho, ao outro um salmão fumado completo! E não foi apenas isso que comeram nessa refeição!

Hesitei se havia ou não de referir  também o Sr. Rainha nesta competição. Mas o meu Amigo Rainha estava numa categoria à parte que tinha de ser criada apenas para ele: Não só exibia um apetite de autêntico “alarve” como depois, na sua prática, era um tremendo conhecedor e epicurista na mesa, delicado, de conversa agradabilíssima e com uma particularidade estranha: por muito que bebesse o grau álcool pouco lhe subia! Fizémos testes com o auxílio de uma capitão da BT , nosso amigo, e a verdade foi esta: Enquanto que eu e o Paulinho Mendonça quase fazíamos apitar o "soprante" , o Sr. Rainha mal fazia mexer a escala...
Um autêntico Gourmet dentro do corpo de um bom gigante, cuja memória aqui saúdo com muita Saudade! 

Assim me despeço que o raio da conversa hoje está a fazer-me  fome. Ala para o Santa Luzia!!

quarta-feira, agosto 15, 2012

Crónicas da Serra 3

Pelas 2 da manhã de hoje  caiu uma trovoada que acordou toda a gente. Bem falta fazia a água, nem que fosse para lavar os cachos cheios de pó,  já perto da vindima, para já não falar do alivio que dá às terras ressequidas pelos calores.

É Feriado mas não se dá por isso aqui de férias. Ainda os sinos não começaram a tocar para a missa. Nem sei se hoje será missa de manhã ou de tarde, porque o padre – este sim, autêntico trabalhador do espírito – tem de dar assistência a 3 ou 4 paróquias e é obrigado a equilibrar os horários para poder estar em todo o lado, A falta de vocações faz-se sentir…
Por acaso sempre pensei que a crise traria mais charme a estes apelos de sacerdócio, já que se trata de emprego com salário garantido, reforma assegurada e segurança social específica. Mas parece que não. O celibato obrigatório não ajuda. Talvez esteja na altura do Bispo de Roma dar uns passos valentes em relação a isso e à ordenação das mulheres. Se não o fizer corre o risco de não ter padres para tanta igreja. E sem Padres vão-se os fiéis.

Dia de mais sossego aqui em casa, e os familiares aproveitam para continuarem a apanha das batatas, já com medo que a chuva (ansiada por tantos e agora temida) dê cabo do que semearam. Aqui funciona a economia da entreajuda: “tu vens às minhas batatas e eu vou às tuas”.
Vou fazer para o almoço um safio guisado com ervilhas. Faço uma puxadinha leve num tacho de fundo grosso, meto por baixo bastas rodelas de cebola , depois batatas, tiras de pimento vermelho e verde, ambos maduros, um bom tomate sem pele nem pevides, aos bocados. De seguida  as postas de safio que são das “esbandalhadas” todas abertas . Acrescento miolo de ameijoa e as ervilhas por cima.  Retifico de sal, com cuidado, porque o safio ficou algumas horas em sal e algum vai para o tacho. Um copito de Moscatel ou Madeira sercial vai sempre bem.
Há quem puxe pelas ervilhas com bacon cortado aos pedacinhos , mas isso para mim é misturar sabores a mais…  Bacon e ovos ficam bem para as ervilhas guisadas “solas”.

E pronto. Amanhã passamos pelo Centro  de Estudos Vitivinícolas de Nelas para ver o que para ali há agora à venda, E depois almoçamos em Viseu, no tradicional Santa Luzia.

terça-feira, agosto 14, 2012

Crónicas da Serra 2

Não deve existir coisa mais chata do que uma discussão a 3 ou a 4 , sobre assuntos de que ninguém de facto entende, depois ou durante uns copos, e acerca de matérias que afetam todos.
Por exemplo, ontem à noite o forrobodó que se seguiu aos copitos de boas vindas teve por base a “análise da atual situação política” feita por malta que ouve e vê maioritariamente a TVI (por causa das novelas),  mais a Sport TV (não é preciso dizer porquê), e que por causa disso mesmo acha que o Prof. Marcelo é assim uma espécie de Papa dos pobres , um “sargentão Scollari”que aparece aos Domingos para dar a “táctica”…

Nota: Aqui por cima a malta gostou do estilo do Sargentão, militarista e firme no controlo dos jogadores – “aqueles gajos que ganham muito mais do que aquilo que fazem” – e disposto  a dar uma murraça em quem o contrarie. Enfim, uma espécie de pai à moda antiga.

E as frases – depois de muito vinho – que ilustram a forma de pensar e reforçam os argumentos aqui da troupe serrana sobre a nossa vida política são sempre finais e definitivas:
 -“ Está provado que foi o dinheiro da Caixa dos lanifícios que o MS roubou aos trabalhadores que permitiu construir o Serviço Nacional de Saúde!”
MS é o Dr. Mário Soares. O resto é pura ilusão.
-“Toda a gente o sabe. Fulano é ladrão , vigarista e paneleiro!
Este já todos adivinham quem seja…
-“ É do conhecimento geral, ainda ontem diziam à boca cheia no mercado de Seia, que o PM e o AV planearam  com o JC o resgate da Troika para esconderem do povo a roubalheira que fizeram no País!”
Sendo que PM é o Dr. Pina Moura, AV o Armando Vara, e JC o Dr. Jorge Coelho da Mota-Engil hoje.
-“Vinha no jornal , foi o que me disseram de fonte segura, que o AG fugiu do País  porque  deu muitos subsídios às mães solteiras (aquelas p***!) e por causa disso a Segurança Social ficou em falência!”
AG – Eng. António Guterres. Qual o “jornal” onde aquilo vinha ninguém sabe. Provavelmente ninguém leu porque nunca foi publicado…
Eu podia continuar com estes exemplos até me cansar. Mas o que me parece importante é que sempre que alguém alvitra que essas informações não são exactas, que têm que ser provadas, ou que pura e simplesmente são invenções, cai-lhe em cima o Carmo e a Trindade mais o penedo da Cabeça da Velha (já que estamos na Estrela).
E a resposta (embora bastante  informada pelo tinto, branco, palheto ou até pela proletária “mini” e por isso a desculpo) é quase sempre a mesma:

“-Vocemecê não está a ver bem o quadro primo! Ou isso ou não lhe convém falar por estar também enfiado nalguma trafulhice…  De Lisboa já nada de bom se espera…”

Um raio que os partisse! A culpa é minha que lhes abri a Adega… Bebam água que isso passa logo.
Mas da do poço que tem muito tipo de bicheza misturada e  deve facilitar as  cólicas intestinais. Dessa é que era.

Agora a propósito disso, vou fazer Arroz de Pato para o almoço, com um "marreco" aqui da quinta. Depois informo como se passou.
De liquidos beberemos verde rosado de Monção, tem só 11º e sempre descansa o  Sr. Fígado da tareia que ontem levou.

segunda-feira, agosto 13, 2012

Crónicas da Serra 1

Bom tempo, embora fresquito. Chuva não se vê por aqui desde o Inverno passado. E essa foi pouca. O que vale é que a quinta está no sopé da serra e aproveita muitas das águas correntes que por ali nascem, mas se a seca continua não haverá remédio.

Ontem à noite fizemos uma sopa de espinafres e abriu-se um presunto já com mais de um ano de cura, feito cá em casa. Rijo mas saboroso, à moda dos presuntos daqui de cima que começam por ser  muito bem lavados com vinho branco, vão primeiro ao sal por uns 2 meses e  depois ao fumo por mais uns 4 ou 5. A partir daí são cobertos por uma pasta de pimentão e deixam-se secar ao ar.

Hoje asso bacalhau no forno com as batatas da nova semente “eagle”, brancas por fora e amarelas por dentro, que o meu cunhado estreou este ano. Dizem que são excelentes. Muita cebola nova e alhos compõem o ramalhete que só fica acabado com a pimenta preta e o azeite extra virgem das nossas oliveiras. O bacalhau de cura amarela veio do “Corte Inglês”. Até tenho vergonha de lhes dizer , à malta aqui da terra, quanto custou o kg…


Cada vez se fala mais de política, e obviamente mal.
-“Está tudo cada vez pior . E os rapazes não arranjam emprego!”
O problema do desemprego é o que se sente mais. E ninguém parece seguro do seu futuro. Têm medo das falências e dos cortes nas reformas e na segurança social. Vai valendo a terrinha. Muita gente que já tinha abandonado a lavoura está agora a plantar de novo umas batatas ou uma horta, pois dá cada vez mais jeito aliviar  a conta dos supermercados.

Outra coisa que notei foi a descrença na educação:
-“Estudar para quê? Para ficar Desempregado? Mais vale ir para o Luxemburgo ou aprender um ofício.”
E como a dita educação vai ficando cada vez mais cara, junta-se o útil ao agradável. Imaginem o “caldo de cultura” que  a crise vai construindo…
Os casos como “o do Relvas” são evocados por todos. E a pergunta que muitos fazem é quase sempre a mesma:
-“ Mas quem foram todos os comilões que se encheram à nossa custa? E não são julgados? Não se apuram responsabilidades?”
E logo respondem eles mesmos:
-“Neste desgraçado deste país nunca um Ministro foi condenado! Nem no tempo do Salazar! Não é agora que vai mudar…”

Estas perguntas, com maior ou menor enfâse, serão feitas na serra e na planície, nas cidades e nos campos, ao pé do mar ou lá para cima , para o cume da mais alta…
E alguém que conheça esta boa gente irá descortinando, por dentro da complacência habitual, laivos de raiva controlada que vão sendo cada vez mais evidentes e frequentes. Até quando se contêm?

Bem, para tirar a cabeça destas preocupações por uns tempos, vamos receber os amigos e parentes  esta tardinha. Parto para me abastecer do “material” para a romaria: febras e sardinhas. Vinho branco e tinto já cá está na adega. Vai abrir-se o de 2011.
Nós em casa temos bebido o famoso tinto da colheita de 2008 (um monstro de 15.5º feito cá) , mas desse não damos a beber nestas farras, que é mal empregado e já só temos 1 ou 2 garrafanitos… E , aqui para nós, depois do 12º copo marcha quase tudo, até capilé….

sexta-feira, agosto 10, 2012

Para Descansar a Vista

Em honra do Pai Baiano, mestre de Candomblé e Pai de Santo que foi Jorge Amado , aqui fica o outro grande iconoclasta do seu tempo: Vinicius de Morais, com o seu "Soneto do Amor Total".

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.


Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.


Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.


E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.



Avante para S. Martinho!

Vou ao peixe (sózinho, livra, lagarto, lagarto, lagarto!!!) e parto depois para a serra.

Antes de me ir embora fica uma lembrança em homenagem ao grande Jorge Amado, que se fosse vivo ( e é, mas noutro plano da existência, lá para um dos universos alternativos que constam da Teoria das Cordas) faria hoje 100 anos neste vale de lágrimas.

Obrigado Pai Baiano! Boa viagem e estadia. Que a Gabriela te faça companhia! Saravá!

quinta-feira, agosto 09, 2012

Lisboa deserta

Há  dias que o cavalheiro idoso que mendiga uma moeda no cruzamento da Praça de Espanha não está no seu lugar quando passo, pelas 7.20h.

São as férias também que chegaram para o homem, vendo que a clientela habitual deixou estes caminhos da cidade.

Mas à frente da Versalhes está agora um "venha!"  - arrumador  - que por lá nunca vi nas alturas de trabalho. Porquê se os carros a estacionar serão também eles cada vez menos? Mistério...

Questionado disse-me que no seu local habitual de trabalho em frente ao Saldanha, no parque da rotunda, "já não passa ninguém". E como "tem de comer todos os dias" achou melhor tentar encontrar alternativas mais para cima.

No Galito há agora mesas que sobram , apesar da pequenez da locanda. E o Sr. Henrique sempre vai dizendo que "em Agosto trabalhámos sempre menos, mas assim como neste ano nunca me lembro! Nem nos tempos do fascismo lá na Serra de Ossa!"
É a velha lei da oferta e da procura.  Complicada pelos 23% na faturazinha, pelo IRS a sair do bolso dos trabalhadores independentes agora no final de Agosto ( e não em Setembro, como sempre tinha sido...). É a falta de subsídio de férias, é a poupança que tem de se fazer para a escola dos filhos, despesa que está ali já,  quase a espreitar à porta. E outras coisas do género.

Quando os restauradores que pagam o IVA trimestralmente verificarem que já não têm dinheiro para as suas obrigações, lá para Outubro,  muita casa deve ficar com a corda na garganta...

Lisboa está deserta, mas não parece que a "125 azul" tenha ganho muito com isso neste ano.... E é pena para todos. Hoteleiros e Clientes.

O Sr. Governo deve estar ansioso para que comece outra vez o futebol,  confiante que o Campeonato  tira as ideias "mais esquisitas" da cabeça do povo.

Pode ser que sim. Ou que não...

quarta-feira, agosto 08, 2012

As Férias

Estou  de férias a partir de hoje, mas por enquanto venho ainda ao trabalho. Os Posts podem deixar de ser diários, mas sempre irei dando notícias.

Logo se vê quando partirei para  a Serra da Estrela, que já me está a fazer falta. Et pour cause...

Um Abraço a todos e Boas Férias para quem já lá está nesse lugar do nosso imaginário que pode ser tão longe como as Ilhas Fiji ou tão perto como a nossa casa....

Ganhámos há minutos uma medalha de Prata na canoagem olímpica K2!

Haja Deus!

terça-feira, agosto 07, 2012

Cozido à portuguesa em Agosto??!!

Já cá tivemos uma conversa deste tipo: porque motivo existem restaurantes que teimam em oferecer pratos fora de época aos seus clientes, não deixando que o espaçamento das estações do ano lhes espevite o apetite para as coisas boas que se podem usufruir nas suas épocas próprias?

A propósito da Lampreia o Paulinho Mendonça até esgrimiu bravamente contra essas "modernices" de ter tudo durante todo o ano, graças aos progressos na tecnologia de congelação.

Em Baião, onde procurei algumas garrafas de vinho típico da região de transição entre o Douro e a zona dos vinhos verdes - único local do país onde este vinho se pode encontrar - fui almoçar à Pensão Borges, vetusta e amabilíssima casa de restauração que, por ser Sábado, apresentava o seu monumental "Cozido à Portuguesa"... E no Domingo teria o "Anho assado no forno" mais a "Vitela assada".

Restaurante da Residencial Borges
Rua de Camões
4640-147 BAIÃO

Telef - 255 541 322

Entradas: Miúdos de Anho, Carne em Vinha de Alhos.
Peixe: Bacalhau assado à moda da casa com batatas a murro.
Carne: Anho assado no forno de lenha sobre arroz de alguidar (Domingos e Feriados); Cozido à Portuguesa (Sábado), Alheiras; Vitela Arouquesa (Domingos e Feriados); Bazulaque; Entrecosto e Costeletas de vitela.
Doces: Doce da casa, Pêra em vinho da terra.

Nota: Bazulaque é um antigo prato de casamento feito com as vísceras do borrego ou carneiro, guisadas até assumirem uma consistência semelhante a uma sopa grossa ou açorda ribatejana.

Um gajo não é feito de pedra e cal.  Em princípio e por princípio almejei mandar vir outro prato da carta (contida embora). Mas ao ver passar as travessas fumegantes do cozidinho, tão bem aparelhadas que fariam inveja às mulas de Sua Majestade D. João V (o Magnânimo) caíram por terra as boas intenções. Até caíram as boas, as assim-assim e mais ainda as más intenções. Caíram todas pelo apetite do insidioso Cozido.

Os emigrantes não pediam outra coisa... O proprietário conhece a sua clientela, muitos deles fazem de propósito o curto trajeto do Porto até ali (cerca de 40 minutos) para "ir ao cozido"... E este, verdadeiramente, deslumbra, embora feito com repolho e não com as couves da horta de Inverno, como soía. Ah, e aviso já que farinheira e nabo não fazem parte desta tradição em Baião.

Pé e joelho de porco ali criado na terra; chouriça, salpicão, paio do lombo, entremeada, tudo local. Galinha caseira, morcela de Baião, pá de vitela de Baião, as melhores batatas que já comi fora da nossa quintazita, arroz de forno. Uma sinfonia... Imaginem em Dezembro...

Toma lá que já almoçaste!  A 12 euros a dose (grande!) é um achado... E mais umas entraditas de carne de vinha de alhos, e vinho excelente da casa (1\2 de Avesso e 1\2 de Palheto), bateu a continha nos 25 euritos.

Olhem, para disfarçar os purismos (que ainda os tenho, desde que a qualidade não seja esta) convenci-me a mim próprio que o "cozido no Verão até passa bem desde que se acompanhe com um canjirão de Avesso ou de Palheto de Baião..." Tem é de ser mesmo lá em Baião, na Pensão Borges...

Tenham paciência...

segunda-feira, agosto 06, 2012

No Mar

Em primeiro lugar desculpas são devidas aos Srs Filatelistas que esperavam entrar depois das 15,30h nos navios Sagres e Creoula (como avisei aqui) mas que depois viram a entrada a partir dessa hora vedada ...

Foram imperativos dos anfitriões, decididos já depois de eu ter saído de Lisboa. Para receber mais  de 250 individualidades em cada navio  não havia simplesmente lugar a bordo para manter a mesa do posto com tanta gente ali à volta...

No Creoula mantivémos o Posto no dia seguinte (Sábado) e quanto ao Sagres não foi possível manter o Posto no Domingo, mas está garantido que na Estação de Matosinhos se colocará o Carimbo "Sagres" a quem lá for nestes dias.

Quanto ao resto, e como diria o saudoso Sr. Estebes , "passou-se tudo marabilha".

O Sol compareceu à chamada, os navios ficaram bem atracados aos molhes (para mim, marinheiro de água doce,  factor imperativo para tudo correr bem), os discursos foram os esperados e os selos fizeram sucesso!

Antes assim! O vosso Bloger chegou a casa já passava da meia noite, de Sábado para Domingo, com os pés um bocado inchados de tanta hora a pé, mas feliz.

quinta-feira, agosto 02, 2012

Para Descansar a Vista

Tenho que fazer em Ílhavo (melhor dizendo, no Porto de Aveiro) e em Leixões,  a bordo dos navios Creoula e Sagres, motivo pelo qual não apareço por aqui amanhã.

Vamos lá então ao poema da semana. Poema que será "informado" pelas últimas notícias da "saison" lusa.

Foi descoberta a identidade do nosso "Gestor das 73". Aliás, segundo relatos do próprio e contando com as companhais que gere também no estrangeiro,  será mesmo o "Gestor das Cento e tal..." . 

É  Pais do Amaral, o aristocrático accionista de tanta companhia e administrador de outras tantas, dos universos da TVI, Reditus, Leia e etc, e etc, e etc...

Não se admirem. Sempre se trata de um Conde. Já na Idade Média o Dom Abade de Alcobaça teria o senhorio sobre mais de 500 km2, possuía  19 localidades das quais 13 eram vilas, para além de 2 portos  de mar. O  Dom Abade do Real Mosteiro de Alcobaça era membro por nascimento  do Conselho de Sua Majestade, seu Esmoler-Mor, Donatário da Coroa, Senhor dos Coutos e Fronteiro-Mor.

Em louvor destas grandezas todas venha de lá então um poema monárquico, do grande Caldéron de la Barca, retirado da sua obra prima "La vida es sueño":

Sueña el rey que es rey, y vive
con este engaño mandando,
disponiendo y gobernando;
y este aplauso, que recibe
prestado, en el viento escribe,
y en cenizas le convierte
la muerte, ¡desdicha fuerte!
¿Que hay quien intente reinar,
viendo que ha de despertar
en el sueño de la muerte?

Sueña el rico en su riqueza,
que más cuidados le ofrece;
sueña el pobre que padece
su miseria y su pobreza;
sueña el que a medrar empieza,
sueña el que afana y pretende,
sueña el que agravia y ofende,
y en el mundo, en conclusión,
todos sueñan lo que son,
aunque ninguno lo entiende.

Yo sueño que estoy aquí
destas prisiones cargado,
y soñé que en otro estado
más lisonjero me vi.
¿Qué es la vida? Un frenesí.
¿Qué es la vida? Una ilusión,
una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño:
que toda la vida es sueño,
y los sueños, sueños son.

(De "La Vida es Sueño")


quarta-feira, agosto 01, 2012

Excentricidades lusas

a) Parece que um senhor gestor de empresas - segundo o relatório da Comissão do Mercado  de Valores Mobiliários - acumularia o cargo de Administrador em setenta e três (73) empresas , em Portugal e no ano de 2010... É obra! Mais que obra, é outra pirâmide do Egipto!!

b) Uma atleta olímpica luso-brasileira na modalidade de wind surf, informou por mail a chefia de missão de Portugal aos J.O.  - na véspera da sua entrada em competição - que motivos pessoais e de saúde não lhe permitiam comparecer na prova.  Estive a pensar o que poderiam ser estes "motivos pessoais e de saúde" que atacavam assim de véspera... Talvez uma gravidez indesejada? Para que é que as farmácias da aldeia olímpica têm à venda os testes rápidos de gravidez? Dessas coisas trata-se em casa. Acho eu...

c) Já agora, e na onda dos J.O., sabem a última anedota que corre na net? É assim: "Não perca a nova comédia que a TMN lhe apresenta no seu TeleMóvel, em tempo real: Acompanhar os resultados dos portugueses nos Jogos Olímpicos!"

d) Com vénia ao Público de hoje: "A Fundação EDP contratou uma funcionária para a secção de arte que é sobrinha-neta de Eduardo Catroga, presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP. A nomeação está a causar desconforto entre sectores do grupo EDP que não poupam Catroga nem o administrador executivo da fundação que tem sido também o seu rosto público, Sérgio Figueiredo". Desconforto porquê? Então o Avô-Tio também não foi ali colocado para pagamento de bons e leais serviços ao Partido? Está-se apenas a seguir a tradição partidária, familiar e até muito lusitana,  de arranjar tacho para os seus e os outros que se "lixem".

e) E com esta termino: Ao procurar a edição on-line do Diário de Notícias (DN online) de hoje para alimentar este sarcástico post, deparei com uma página que me pareceu de início algo estranha, embora lá estivesse em parangonas o "DN online". Entre outros assuntos que eram notícia estavam - "América derrota o Baruéri e retorna ao G4 da série B"; "Mãe nega relacionamento com assassino confesso"; "Rompimento de tubulação na Engenheiro Roberto Freire causa transtornos" e sobretudo uma foto (aqui anexa com chapelada) com o título "Confira o ensaio de Grazy Alcântara".

Só depois percebi que aquele DN online era o Diário de Natal do país-irmão. Vão lá ver que já ganharam o dia . Ah ganda Graziela!!http://www.dnonline.com.br/

terça-feira, julho 31, 2012

Ontem em Gaia

Ontem não passei por aqui,  às 10,30h já estava na cidade de Vila Nova de Gaia para o lançamento da emissão comemorativa que dedicámos ao Rio Douro, a bordo de um navio que partiu do cais de Gaia e fez um pequeno trajeto pelo mesmo Douro.

Esta emissão foi acompanhada pelo Delegação Regional do Turismo do Porto e Norte e sempre pelo Instituto Portuário e de Transportes Marítimos, Delegação do Norte e Douro.

Patrocinavam o lançamento - nesta época de vacas magras para os serviços públicos - a marca Porto Rosés (com um Porto de Honra) e a empresa de barcos Barcadouro que nos proporcionou o velhinho "Independência" para a sessão.

Duas notas engraçadas:
a) Tomaram muitos cocktails em Lisboa terem a abundância e a categoria daquele que nos foi apresentado pela Rosés! Fiquei cliente. É assim que se apanham "moscas"... Bravo Rosés!!

b) O Navio Independência tinha já sido palco de um lançamento de selos! Imaginem que em 1992 fazia a rota Funchal-Porto Santo e apareceu num dos  selos que dedicámos aos "Barcos da Madeira" nesse mesmo ano...

Sobre o Douro está tudo dito e por melhor gente do que eu. Reparem em meu Mestre Torga e nesta maravilha da prosa lusa que se segue:

«O prodígio de uma paisagem que deixa de o ser à força de se desmedir. Não é um panorama que os olhos contemplam: é um excesso da natureza. Socalcos que são passadas de homens titânicos a subir as encostas, volumes, cores e modulações que nenhum escultor, pintor ou músico podem traduzir, horizontes dilatados para além dos limiares plausíveis da visão. Um universo virginal, como se tivesse acabado de nascer, e já eterno pela harmonia, pela serenidade, pelo silêncio que nem o rio se atreve a quebrar, ora a sumir-se furtivo por detrás dos montes, ora pasmado lá no fundo a reflectir o seu próprio assombro. Um poema geológico. A beleza absoluta.»

sexta-feira, julho 27, 2012

Citius, Altius,Fortius

Começam hoje oficialmente os Jogos Olímpicos em Londres.

Boa Sorte Cambada Lusa!

Para Descansar a Vista

De meu mestre Eugénio de Andrade deixo aqui um poema condizente com o descanso que o mês de Agosto evoca (ou evocava...).

Até Amanhã

Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.

Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã"


quinta-feira, julho 26, 2012

Lampreia e sável

Um dos nossos leitores comenta (e bem!):

Legalmente nada impede um restaurante de congelar e servir lampreia ou sável todo o ano desde que o faça cumprindo a legislação e utilizando equipamento de ultracongelação (que aliás é obrigatório por lei não sendo permitido congelar nenhum tipo de alimento sem este equipamento).

No entanto servir estas iguarias fora de época além de imediatamente passar a informação de que não se trata de produto fresco seria quase como que um sacrilégio a nível gastronómico.

A nível pessoal devo no entanto dizer que se congelados com rigor e cozinhados com primor muito dificilmente a grande maioria dos consumidores seria capaz de diferenciar o fresco do ultra congelado.

Já no que concerne ás lampreias de barragens a sua qualidade é duvidosa pois têm uma textura mole fácilmente identificável e no caso da lampreia o seu sangue é muito mais espesso.

Pessoalmente só me vejo a consumir estas maravilhas na sua época,  tal como não sou capaz de consumir um vinho cuja garrafa não tenha uma rolha (chamem-lhe paixão pelo saca-rolhas).

No futuro incerto em que vivemos e sabendo que na actualidade verificamos o consumo generalizado de produtos fora de época  (por exemplo de morangos e melões no Inverno) não podemos dizer que tal não se venha a verificar também com o Sável e com a Lampreia...

Mas para isso não contem comigo!  Lampreia fora de época só seca e fumada.

Comentário ao comentário: Ganhei a disputa!!  Era como eu pensava. Não é o restaurante que está proíbido de servir, mas apenas  a pesca que está limitada em determinadas alturas.

Lampreia e Sável todo o ano?

Não é que já me dêem as saudades da lampreiazinha ou da açorda do sável, mas numa daquelas conversas de dois chatos teimosos (sendo eu um deles) veio à liça a questão do serviço da lampreia e do sável em restaurante. Nomeadamente se seria permitido (ou não) servir Lampreia e Sável em qualquer altura do ano - mesmo que contra todas as regras civilizadas do gastrónomo.

Como sabemos, por lei a  Lampreia e o Sável têm a captura limitada em Portugal ao período de  1 de Janeiro e 10 de Maio, para a primeira , e de  1 de Março e 10 de Maio para a segunda espécie. Parece que estes limites não serão iguais para todos os rios (no Lima e no Cávado por exemplo)  e que também podem variar de ano para ano em pequenos detalhes, mas de uma forma geral será assim.

Mas não era isso que estava em causa!!  O que se questionava era se num restaurante que, por exemplo, congelasse Sável ou Lampreias, ou as importasse do Canadá ou de França (onde nalguns casos constituem uma praga nas barragens e por isso não têm limitações à pesca) poderia servi-las em qualquer dia do ano.

Não conseguimos arranjar argumentos válidos para avançar com esta questão.

Algum dos leitores pode ajudar?

quarta-feira, julho 25, 2012

Alteração do horário do Posto de Ílhavo 3 de Agosto

Informo os Leitores mais ligados a estas coisas da filatelia que por solicitação da Câmara Municipal de Ílhavo  - por ter de ir montar uma estrutura dentro do Creoula na parte da manhã  - o horário do Posto de Correios que vai marcar a correspondência com o carimbo "Ílhavo-Creoula", a bordo do Creoula,  será a partir das 1530h.