quarta-feira, janeiro 06, 2010

Viajar de Avião: o Mal necessário?












Trabalho desde os meus 21 anos, quando fiquei no ISCTE a dar aulas logo depois da licenciatura,  mas nos CTT apenas entrei quando tinha 25. Desde esse tempo - e por inerência de funções - muito tenho viajado. Era na altura em que os Correios de Portugal começavam a desenhar a sua rede de Agentes Internacionais para a Filatelia, por todo o mundo. Tínhamos contratos para assinar, reuniões duas vezes por ano para acertar objectivos e definir estratégias, havia - para além disso -  duas ou três Exposições Mundiais também por ano, muitas vezes fora da Europa, etc, etc...

Mais tarde, quando começei a interessar-me pela organização internacional da actividade, fui nomeado perito da Comunidade Europeia para MKT e Filatelia e, nessas funções, muitas vezes viajei para Bruxelas ( uma vez por mês, durante quase 5 anos) e para os novos Países que se tinham liberto da Cortina de Ferro para dar formação de Correios nas duas áreas. A UE estava na forja, o mundo parecia novo e um local admirável para trabalhar, agora que o Muro tinha caído e que todas as esperanças eram possíveis...

Mas mesmo nessa altura em que por função tinha direito a viajar em classe executiva , sempre continuei a não achar muita graça aos "aeroplanos"...

E reparem que nesses tempos  viajar de avião não tinha mais problemas do que chegar ao aeroporto e enfiar-se na cabine, no lugar designado, e depois esperar que o gentil pessoal de bordo começasse a trazer os whiskies....

Viajar de avião era e ainda é (agora cada vez pior) um mal necessário, está claro, pois  tinha tudo menos condicionantes de prazer: era apertado para "gente" como eu (acho que ainda somos "gente", mas não sei por quanto tempo mais...) , a comida a bordo era de vómito,e  se tínhamos o azar de ter ao lado uma "melga" numa viagem de longo curso nem lhes digo os tormentos que passávamos.

Havia momentos menos maus, como naquela vez em que viajava de Seul para Paris na Air France, em executiva. O único passageiro de 1ª classe - um alto dignitário de um País africano que tínhamos conhecido no Congresso da UPU da Coreia - aborreceu-se de lá estar sózinho naquelas poltronas imensas e veio pedir à hospedeira que me deixasse ir para o lado dele, para conversarmos. A Hospedeira queria era dormir (o que se compreende) e disse logo que sim... E então é que foi ver o vosso Blogger a ter acesso directo a garrafas de Veuve Cliquot das verdadeiras (não miniaturas!!) e foie gras Comtesse Du Barry...

Mas se tivesse de fazer um balanço destes 28 anos de muitas viagens, e à parte o "óbvio ululantemente importante" de nunca ter havido uma chatice séria, isto é, de  o avianito sempre me ter ido  buscar e me pousar depois sem grandes problemas (bem, pelo menos sem sequelas físicas notórias, o que já não é nada mau) não posso dizer que fiquei "fan" do transporte aéreo.

Então e hoje em dia o que é que se poderá dizer? Com as chatices monumentais que devem estar a ocorrer em todos os voos para os USA alguém terá vontade de lá ir? Mesmo que lhe dessem depois uns diazitos à borla no, digamos, Plaza de New York (vejam na  foto morcões)...

Está difícil a vida para os que têm mesmo de trabalhar fora do velho continente: há restrições quanto ao consumo de alcoól a bordo (inaudito!!) , temos de chegar ao aeroporto mais de 3 horas antes da hora da partida, são bué os atrasos devido a controlos de segurança, há cada vez mais malas que se perdem os aeroportos ( então Lisboa...) e, ainda para piorar, qualquer dia só nos deixam levar na cabine uma esferográfica BIC (em plástico, of course! E sem carga!)...

Tudo isto me leva a considerar que sendo um mal necessário viajar de avião em negócios, só quem seja maluco é que escolherá este meio de transporte para actividades de lazer... Vão de carro (Por acaso é melhor não irem de carro se se dirigirem ao Sul da Europa...). Vão de comboio (Bem...Excepto no Alta velocidade por debaixo da Mancha). Vão de barco (Sim, mas aqui não convém muito passar perto da costa da Somália...).

Raio que parta tudo! Então como é que um gajo há-de gozar as férias em segurança??!!

Resposta: em casa, a ver o Travel, muitos BluRays em alternativa, com as garrafitas do melhor que houver ao lado e a (o) mais que tudo a ronronar perto de si...Miau...

2 comentários:

Fringosa disse...

Então deve conhecer como ninguém a história das frama.
A bem da filatelia, que tal um post a tratar deste tema.
Cordiais saudações
Francisco dos Santos

Anônimo disse...

Isto realmente há gostos para tudo :)
Eu adoro viajar de avião, se pudesse andava 24 horas nestes bichos :)