segunda-feira, fevereiro 02, 2015

O "Morangueiro"

Vamos lá falar um pouco daquelas "coisas" que se bebem como se fossem vinho ( e são feitas da mesma forma) mas não devem ser como tal apreciadas, nem bebidas por quem se dá ao respeito.

Nos tempos da filoxera (1868\1870) as castas naturais da velha Europa iam indo todas por água abaixo. A salvação veio sob a forma da vinha americana, que por ser imune à praga, possibilitou que nela se passassem a enxertar as grandes castas de cada país.  Nos raríssimos casos em que a vinha doméstica e natural não está "a cavalo" da "americana" esse vinho diz-se que é de "pé franco".  O grande exemplo  em Portugal é o ramisco de Colares, resistente à doença pela profundidade em que a vinha pega. Mas outras (e muitos caras) excepções existem.

Nos outros caso opostos, em que se faz vinho a partir da vinha americana plantada directa sem mais nada, diz-se que estamos perante produtos vinícolas ditos "do produtor", do "produtor directo", vinho "morangueiro" ou ainda vinho "americano". Nos Açores chamam-lhe "vinho de cheiro".

Porque é que estes vinhos se faziam? Porque a produção\rentabilidade destas vinhas é muito grande. E porque os cuidados a ter na vinha com esta espécie robusta são muito menores. Em conclusão, para poupar tempo, trabalho e ganhar nos litros por m2 plantado.

Porque é que o resultado , o "vinho" obtido, está tão mal visto e até era proíbido em certos países, entre os quais Portugal? Porque se concluíu em tempos históricos pela presença em grau mais que razoável de "metanol" nos produtos finais destas vinhas. O "metanol" é tóxico e ataca sobretudo os olhos de quem bebe.

Hoje em dia a União Europeia parece que descarta esta presunção do "metanol" no produto final estar ligado ao tipo de planta (vinha) , concluindo que estará sobretudo ligado ao processo de vinificação propriamente dito. 

A ser verdade,  e por aquilo que referi (menos trabalho e mais rentabilidade) não tenho dúvidas que vão surgir vinhos "morangueiros" por todo o lado, sobretudo nas franjas mais económicas deste mercado.

Uma coisa é certa: Se for mesmo assim, se o "metanol" estiver no processo de vinificação e não no tipo de planta, então a produtividade deste "americano" é um factor a ter em conta no caso de andarmos à compita, a fazer concorrência aos outros vinhos resultantes de enxertos ...

E, por fim, qual a qualidade deste "vinho"?

Dos que bebi, quer tintos quer brancos foram feitos "em casa do lavrador" e bebidos quase que imediatamente após a fermentação. São por isso vinhos "gulosos" com enorme preponderância de fruta (maçãs nos brancos, morangos nos tintos). Não duram, nem deles fica memória depois de se beberem. Agora, como refresco? Se não fizessem mal eram melhores que a Coca Cola e ligeiramente abaixo de uma boa sangria...

Nota final: Não apenas o Metanol deve fazer temer quem se aproxima destes vinhos. As uvas têm uma película com um pigmento (malvina) que é suposto tratar mal o sistema nervoso central. Mas quem sou eu para falar destas coisas? Se a União Europeia diz que é seguro plantar aquilo...

2 comentários:

Anônimo disse...

Vivo na Serra do Caramulo. Aqui desde sempre se cultivou o "vinho americano". Ainda hoje, muitas pessoas fazem a sua pipinha de vinho. É claro que é vinho...entõa o vinho não é feito de uvas.
Se o processo for bem feito, as vasilhas forem boas, obtem-se um bom produto final.
Puro...biológico...refrescante...com baixo teor alcoólico.
Quanto aos seus maleficios direi, que: conheço pessoas que toda a vida beberam deste vinho e nada de mal lhes aconteceu por isso.
E outro pormenor: não é obrigatório beber....SÓ BEBE QUEM QUER...

Anônimo disse...

Bom dia.
Por favor podem me informar qual a data da proibição feita a veste vinho?.
Muito obrigado.

Domingos Vieira