quinta-feira, agosto 04, 2011
Comentários à "Favada"
Dois leitores comentaram a receita da "favada". Como são comentários laudatórios não vou aqui reproduzi-los para não corar mais do que aconteceu quando os li... Obrigado!
quarta-feira, agosto 03, 2011
Vai uma favada de Verão?
Na Revista do Expresso da semana passada li um artigo muito engraçado sobre o facto de alguns restaurantes de praia fecharem no Algarve uma vez por semana, neste mês de Agosto, tal e qual como os restaurantes normais de outros pontos do país, em qualquer mês do ano... . O autor comentava com graça que se "no Algarve, na Praia!" não aproveitam em pleno todos os dias e todas as horas desse mês em que se faz dinheiro para aguentar os outros meses do ano, então seria porque "esta coisa da Crise é alguma invenção dos lisboetas"...
Vem isto à colação para vos informar (aos que estão de férias) que aqui em Lisboa fecha tudo neste mesmíssimo mês. Ou quase tudo. Há restauradores (poucos, muito poucos) que viram o furo de se manterem abertos em Agosto na cidade, e por esse motivo estão sempre cheios e com a casa à cunha. Reserva é imperativa!
No fim de semana passado resolvi fazer uma favada para o almoço de Sábado. Claro que para a "santa" cá de baixo - que abomina favas, tal como o Jacinto do Eça, antes de as ter provado - tive de fazer um tachito com ervilhas... Nada que custe já que a base da preparação é quase a mesma.
Esta coisa da Senhora não gostar de comer coisas que nunca provou - caça, favas, arroz de carnes, alheiras, etc... - pode parecer à primeira vista estranha para quem não a conhece. Nada tem de estranho. Apenas reflecte uma das suas idiosincrisias extremas. Para aí a número 32...Estamos até a pensar que lhe passará com a idade (tem apenas 82 aninhos) tal como algumas das piores manias dos adolescentes na fase "do armário".
Mas adiante que não estamos em Amarante!
Fazer favas nesta altura do ano carece de ir ao "El Cortes" comprar aquelas embalagens pequenas de favas "baby" frescas. Nunca utilizem favas congeladas, porque têm a tendência de se desfazerem no refogado e a água que deitam dá cabo da sapidez da "puxadinha". Prever 1 embalagem por cabeça (mínimo).
Começem por picar miudamente 3 dentes de alho grossos, uma cebola média e um bom punhado de coentros. Eu costumo pôr tudo junto no "1,2,3" que garante uma muito maior homogeneização desta base de tempero.
Levem ao lume brando num tacho de base grossa, de preferência de ferro, barro ou alumínio fundido, esse tempero com um bom golpe de azeite, uma mão média de sal grosso, pimenta preta moída na altura e uma ou duas malaguetas também elas picadinhas (facultativo). Acrescentem logo um chouriço e meio de carne, de qualidade, partido aos pedaços e sem pele. E ainda um chouriço e meio "mouro", também conhecido aqui na Estremadura como "chouriço das favas", sempre aos pedaços grossos mas aqui deixando a pele. Manda a tradição que o chouriço de carne esteja rijo (seja por isso mais antigo, com mais tempo de cura) para aguentar bem o refogado. Se tiverem em casa um pedaço de toucinho de porco preto, entremeado, fica sempre bem para ajudar a compor a sapidez deste prato tradicional.
Deixem apurar uns 10 a 15 minutos em lume fraco. Passado metade desse tempo deitem um meio copo de vinho moscatel de Setubal ou vinho branco se preferirem).
Quando o refogado estiverr louro deitem as favas e juntem uma colher de sopa de açucar mascavado. Tapem e deixem apurar até as favas estarem cozidas (mais ou menos uma hora se forem dessas favas "baby") sacudindo o tacho de vez em quando.
Nota 1: Um dos "truques " que me ensinaram consiste em derreter um pedaço de banha de porco preto ao lume e deitar por cima das favas de vez em quando. Quem estiver de dieta pode passar sem isso... Mas então pode ter de deitar uns goles de água para que o guisado não "pegue".
Passada meia hora provem e acertem os temperos. Sal e Pimenta. Quinze minutos antes de ir para a mesa introduzam duas farinheiras de porco preto inteiras por cima das favas e deixem cozer. Cortem-nas, empratem tudo com coentros frescos picados por cima e Bom Apetite!
Vem isto à colação para vos informar (aos que estão de férias) que aqui em Lisboa fecha tudo neste mesmíssimo mês. Ou quase tudo. Há restauradores (poucos, muito poucos) que viram o furo de se manterem abertos em Agosto na cidade, e por esse motivo estão sempre cheios e com a casa à cunha. Reserva é imperativa!
Ontem, no sempre amado Galito, refrigério para alfacinhas neste Agosto em que quase todos os habituais "paradeiros manducais" fecham para férias, comi um "Cozido de Verão Alentejano ". Sopinha de carnes de porco e de borrego embebidas num caldo de beldroegas e grão... estava à moda da Dª Gertrudes (abençoada) e está tudo dito!
No fim de semana passado resolvi fazer uma favada para o almoço de Sábado. Claro que para a "santa" cá de baixo - que abomina favas, tal como o Jacinto do Eça, antes de as ter provado - tive de fazer um tachito com ervilhas... Nada que custe já que a base da preparação é quase a mesma.
Esta coisa da Senhora não gostar de comer coisas que nunca provou - caça, favas, arroz de carnes, alheiras, etc... - pode parecer à primeira vista estranha para quem não a conhece. Nada tem de estranho. Apenas reflecte uma das suas idiosincrisias extremas. Para aí a número 32...Estamos até a pensar que lhe passará com a idade (tem apenas 82 aninhos) tal como algumas das piores manias dos adolescentes na fase "do armário".
Mas adiante que não estamos em Amarante!
Fazer favas nesta altura do ano carece de ir ao "El Cortes" comprar aquelas embalagens pequenas de favas "baby" frescas. Nunca utilizem favas congeladas, porque têm a tendência de se desfazerem no refogado e a água que deitam dá cabo da sapidez da "puxadinha". Prever 1 embalagem por cabeça (mínimo).
Começem por picar miudamente 3 dentes de alho grossos, uma cebola média e um bom punhado de coentros. Eu costumo pôr tudo junto no "1,2,3" que garante uma muito maior homogeneização desta base de tempero.

Deixem apurar uns 10 a 15 minutos em lume fraco. Passado metade desse tempo deitem um meio copo de vinho moscatel de Setubal ou vinho branco se preferirem).
Quando o refogado estiverr louro deitem as favas e juntem uma colher de sopa de açucar mascavado. Tapem e deixem apurar até as favas estarem cozidas (mais ou menos uma hora se forem dessas favas "baby") sacudindo o tacho de vez em quando.
Nota 1: Um dos "truques " que me ensinaram consiste em derreter um pedaço de banha de porco preto ao lume e deitar por cima das favas de vez em quando. Quem estiver de dieta pode passar sem isso... Mas então pode ter de deitar uns goles de água para que o guisado não "pegue".

Acompanhem com uma salada de alface e cebola em corte miudo (ripada). bem temperada de azeite e vinagre balsâmico.
Nota 2: Para as Ervilhas é semelhante. Não ponham açucar, evitem os coentros e antes de tirar do lume escalfem um ovo por pessoa dentro do tacho. Há quem aprecie este refogado com pedaços de cenoura. Decorem com salsa picada.
Comentários ao Caso BPN
Os nossos Leitores Calado e Maria Paz comentam:
"Curiosamente, o BPN era dominado por pessoas ligadas ao PSD e a Cavaco. Agora, a dar a cara pelo banco luso-angolano que vai fazer o favor de ficar com o BPN, apareceu Mira Amaral, ex-ministro de Cavaco. Deve ser coincidência..."
Maria Paz disse:
"Já há muitos anos, e sucessivos governos PS / PSD, dum ao outro venha o diabo e escolha, que me questiono onde foram eles aprender a fazer negócios. Vendem porque dá prejuízo, fecham porque dá prejuízo, privatizam porque dá prejuízo, mas ao fazerem tais negócios o prejuízo aumenta.
Vá-se lá entender... e o povo consente."
Comentário aos Comentários: Parece que hoje a Senhora Secretária de Estado do orçamento irá "explicar-se" na AR... Vamos ver e ouvir. Mas que este assunto cheira a esturro, lá isso cheira mesmo.
"Curiosamente, o BPN era dominado por pessoas ligadas ao PSD e a Cavaco. Agora, a dar a cara pelo banco luso-angolano que vai fazer o favor de ficar com o BPN, apareceu Mira Amaral, ex-ministro de Cavaco. Deve ser coincidência..."
Maria Paz disse:
"Já há muitos anos, e sucessivos governos PS / PSD, dum ao outro venha o diabo e escolha, que me questiono onde foram eles aprender a fazer negócios. Vendem porque dá prejuízo, fecham porque dá prejuízo, privatizam porque dá prejuízo, mas ao fazerem tais negócios o prejuízo aumenta.
Vá-se lá entender... e o povo consente."
Comentário aos Comentários: Parece que hoje a Senhora Secretária de Estado do orçamento irá "explicar-se" na AR... Vamos ver e ouvir. Mas que este assunto cheira a esturro, lá isso cheira mesmo.
terça-feira, agosto 02, 2011
BPN? Não conheço, não sei quem é...Ele há tantos bancos no País, não posso saber o nome de todos...
Ah Ganda Alberto João! Estivesses cá tu no Côtenete e talvez o Caso do BPN fosse diferente (ou não...).
Era ignorar que havia banco, deixá-lo morrer naturalmente e lidar com as consequências da falência, decerto menos gravosas financeiramente do que este "dote" dado e arregaçado a Angola.
Então o nosso (mais deles!) Governo "oferece" o BPN ao BIC e ainda lhe paga por cima para tomarem conta da "prenda"?
Está como uns amigos meus que ofereceram um jipe a um familiar. Este, depois de o usar e na altura da revisão, ia sempre pô-lo à porta dos ofertantes para que lhe mandassem fazer a revisão à conta...E queixava-se amargamente:
-" Olhem que este Jipe é caro de manter! E paga que se farta nas Auto-estradas!"
Vamos a contas:
No DEVE do Governo de Portugal - 2,4 mil milhões de euros gastos em 2 anos. Mais 550 milhões a gastar agora para capitalizar o dito Banco. Mais as indemnizações dos despedimentos (que ainda ninguém disse quantos vão ser). Mais a assumpção dos Activos Tóxicos... Estimativa do Blogger - depois de tudo encerrado talvez 4 mil milhões de euros. Depende dos tais Activos Tóxicos...
No HAVER do mesmo Governo - 40 milhões de eurinhos. E vá lá, vá lá que não são a pagar em 10 anos, em cómodas prestações anuais. Ou são? Já nada me surpreende nesta infame tragédia.
Então, e não recorrendo ao Sr. Ministro das Finanças, que para esta conta deveria também vir munido do "documento de suporte", parece-me que o Estado\Governo gastará 4 mil milhões para receber 40 milhões.
Uma proporção interessante (não direi "colossal") de 1 para 100!!!
Oh Troika! Oh FMI! Oh Banco Central Europeu! Acudam que estamos a ser roubados!!
Valerá a pena esgaravatar nos bolsos dos pobres para ir arrecadar um terço ou um quarto do que aqui se desperdiçou?
Onde está a Justiça Social? E a "outra" Justiça que tão pesada deveria ser para Gestores e mandantes do BPN?
Volta Madoff que te enganaste no País! Aqui serias Rei...
Era ignorar que havia banco, deixá-lo morrer naturalmente e lidar com as consequências da falência, decerto menos gravosas financeiramente do que este "dote" dado e arregaçado a Angola.
Então o nosso (mais deles!) Governo "oferece" o BPN ao BIC e ainda lhe paga por cima para tomarem conta da "prenda"?
Está como uns amigos meus que ofereceram um jipe a um familiar. Este, depois de o usar e na altura da revisão, ia sempre pô-lo à porta dos ofertantes para que lhe mandassem fazer a revisão à conta...E queixava-se amargamente:
-" Olhem que este Jipe é caro de manter! E paga que se farta nas Auto-estradas!"
Vamos a contas:
No DEVE do Governo de Portugal - 2,4 mil milhões de euros gastos em 2 anos. Mais 550 milhões a gastar agora para capitalizar o dito Banco. Mais as indemnizações dos despedimentos (que ainda ninguém disse quantos vão ser). Mais a assumpção dos Activos Tóxicos... Estimativa do Blogger - depois de tudo encerrado talvez 4 mil milhões de euros. Depende dos tais Activos Tóxicos...
No HAVER do mesmo Governo - 40 milhões de eurinhos. E vá lá, vá lá que não são a pagar em 10 anos, em cómodas prestações anuais. Ou são? Já nada me surpreende nesta infame tragédia.
Então, e não recorrendo ao Sr. Ministro das Finanças, que para esta conta deveria também vir munido do "documento de suporte", parece-me que o Estado\Governo gastará 4 mil milhões para receber 40 milhões.
Uma proporção interessante (não direi "colossal") de 1 para 100!!!
Oh Troika! Oh FMI! Oh Banco Central Europeu! Acudam que estamos a ser roubados!!
Valerá a pena esgaravatar nos bolsos dos pobres para ir arrecadar um terço ou um quarto do que aqui se desperdiçou?
Onde está a Justiça Social? E a "outra" Justiça que tão pesada deveria ser para Gestores e mandantes do BPN?
Volta Madoff que te enganaste no País! Aqui serias Rei...
segunda-feira, agosto 01, 2011
O "agoura-farnel"
Como estou ainda de castigo em Lisboa vou-me entretendo a contar algumas histórias serranas, daquelas que costumo desfolhar para os Leitores durante os dias de descanso e de ripanço à sombra do alpendre e a saborear o branco fesquinho (desde que esteja este "já feito")...
Lá na Beira Alta tínhamos um vizinho que era conhecido pelo "estraga-festas", "agoura-farnel" (deliciosa expressão esta!) ou ainda "adivinha desgraças". Se estivéssemos no país irmão do lado de lá do mar teríamos como sinónimos os nomes abrasileirados "Pé-Frio" e "Caipora".
Este vizinho não podia ser convidado para casamento, pois era certo e sabido que chovia em cima dos noivos. Se fosse a uma romaria, daquelas de Verão, com muita pinga à mistura, era também mais que esperado que haveria zaragata da grossa entre os feirantes e a autoridade. Nos jogos de futebol do clube local quase que o fechavam à chave nalgum barracão afastado do campo de jogos, para evitar o contágio da "mala pata" no desempenho da equipa. E por aí fora.
Pior do que ele só mesmo aquela outra vizinha velha de que já aqui falei e que tinha fama de ser bruxa com mau olhado involuntário: quer quisesse quer não, animal ou pessoa onde pusesse a vista estava fadado a ter algum percalço.
A diferença estava em que a desgraçada , a dita "bruxa", fugia do convívio de todos, excepto de quem a procurava para algum tratamento, enquanto que o "outro", o "agoura-farnel", era simples e sociável, sempre à procura de companhia ( a qual bazava dele assim que era possível).
O Joca Malato (nome inventado) era de facto o campeão das pequenas infelicidades que aconteciam. Pequenas porque nunca causou a morte a ninguém, nem doença, nem calamidade. A sua fama de causar má sorte tinha mais a ver com percalços de pouca monta, mas sempre a complicar a vida serrana daqueles tempos tristes, feita de muita labuta e de pouco pão.
Nunca percebi bem porque motivo, sendo a "criatura" desta forma e tendo tal fama, não o ostracizavam de vez, como faziam à "bruxa", que não tinha ordens de sair de casa a não ser à noitinha...
É verdade que à fama de azarento do Joca se encostava muita mediocridade, ignorância e "deixar-andar". E de facto era bom ter na aldeia um bode-expiatório das desgraças menores, que permitisse justificarem-se, lá em casa, quando as coisas falhavam...
"-Oh Maria que desgraça, Isto é que foi um prejuízo!"
-" O que é que se passou homem?!"
-" Lá se partiu a vasilha do azeite... Vinte litros para o chão!"
-" Mas como fizeste isso!!??"
-"Foi o Joca Malato que estava na adega a beber um copo. Logo que ele saíu fui transfegar o azeite e aconteceu-me isto!"
É claro que o "impetrante" deixava de fora do conto recitado à "patroa" que quando o Joca chegou para beber um copo já ele ia com 6 ou 7 no bucho... E que quando deitou às mãos à vasilha do azeite em vez de uma viu duas ou três ... Uma delas caíu. E com tanto azar que foi logo a verdadeira.
Esta história - tão verdadeira quanto me consente a protecção das testemunhas ainda vivas dos acontecimentos passados - faz lembrar algumas coisas da nossa presente adversidade.
Ao Sr Governo, qualquer que ele seja, deve dar um jeito tremendo poder legislar e decidir sobre as medidas impopulares à conta da Crise e da Troika.
Como seria possível - num país normal onde os Governos são eleitos - aumentarem mais de 15% os transportes públicos sem "raiva e ranger de dentes"? Como seria possível ir por duas vezes (por enquanto) ao bolso dos trabalhadores por conta de outrém e dos pensionistas, sem revolta nas ruas e largos das cidades e vilas?
Apenas porque tudo o que se faz é feito à conta do Memorando de Entendimento. Da Crise. Da necessidade de pagarmos, aqui neste mundo, os pecados do passado. Da penitência que nos foi dada pelo "Padre-Mestre" face ao nosso"mau-comportamento".
"NÓS" vivíamos acima das nossas possibilidades! Agora temos de pagar por esse erros tremendos!
O problema é saber ao certo quem são de facto estes "NÓS"... Porque depois de muito procurar já não sei ao certo se era o povo malandro que gastava à fartazana em lautos jantares de lagosta e caviar, e comprava indiscriminadamente Solares no Minho e Vivendas com piscina na Quinta do Patiño, ou se a tal "abastança obscena" se via mas era nos km de auto-estradas e de obras públicas que enchiam os bolsos apenas a alguns...
Essas obras, tanto quanto sei, não foram mandadas fazer pelo Zé. Nem pelo Manel... Nem por mim. Nem por Vocês... Mas pelos Governos PSD e PS com o beneplácito dos Bancos, que com esses financiamentos muito empocharam. E entre eles, em grande, o Banco Central Europeu.
Que raio de hipocrisia!
Lá na Beira Alta tínhamos um vizinho que era conhecido pelo "estraga-festas", "agoura-farnel" (deliciosa expressão esta!) ou ainda "adivinha desgraças". Se estivéssemos no país irmão do lado de lá do mar teríamos como sinónimos os nomes abrasileirados "Pé-Frio" e "Caipora".
Este vizinho não podia ser convidado para casamento, pois era certo e sabido que chovia em cima dos noivos. Se fosse a uma romaria, daquelas de Verão, com muita pinga à mistura, era também mais que esperado que haveria zaragata da grossa entre os feirantes e a autoridade. Nos jogos de futebol do clube local quase que o fechavam à chave nalgum barracão afastado do campo de jogos, para evitar o contágio da "mala pata" no desempenho da equipa. E por aí fora.
Pior do que ele só mesmo aquela outra vizinha velha de que já aqui falei e que tinha fama de ser bruxa com mau olhado involuntário: quer quisesse quer não, animal ou pessoa onde pusesse a vista estava fadado a ter algum percalço.
A diferença estava em que a desgraçada , a dita "bruxa", fugia do convívio de todos, excepto de quem a procurava para algum tratamento, enquanto que o "outro", o "agoura-farnel", era simples e sociável, sempre à procura de companhia ( a qual bazava dele assim que era possível).
O Joca Malato (nome inventado) era de facto o campeão das pequenas infelicidades que aconteciam. Pequenas porque nunca causou a morte a ninguém, nem doença, nem calamidade. A sua fama de causar má sorte tinha mais a ver com percalços de pouca monta, mas sempre a complicar a vida serrana daqueles tempos tristes, feita de muita labuta e de pouco pão.
Nunca percebi bem porque motivo, sendo a "criatura" desta forma e tendo tal fama, não o ostracizavam de vez, como faziam à "bruxa", que não tinha ordens de sair de casa a não ser à noitinha...
É verdade que à fama de azarento do Joca se encostava muita mediocridade, ignorância e "deixar-andar". E de facto era bom ter na aldeia um bode-expiatório das desgraças menores, que permitisse justificarem-se, lá em casa, quando as coisas falhavam...
"-Oh Maria que desgraça, Isto é que foi um prejuízo!"
-" O que é que se passou homem?!"
-" Lá se partiu a vasilha do azeite... Vinte litros para o chão!"
-" Mas como fizeste isso!!??"
-"Foi o Joca Malato que estava na adega a beber um copo. Logo que ele saíu fui transfegar o azeite e aconteceu-me isto!"
É claro que o "impetrante" deixava de fora do conto recitado à "patroa" que quando o Joca chegou para beber um copo já ele ia com 6 ou 7 no bucho... E que quando deitou às mãos à vasilha do azeite em vez de uma viu duas ou três ... Uma delas caíu. E com tanto azar que foi logo a verdadeira.
Esta história - tão verdadeira quanto me consente a protecção das testemunhas ainda vivas dos acontecimentos passados - faz lembrar algumas coisas da nossa presente adversidade.
Ao Sr Governo, qualquer que ele seja, deve dar um jeito tremendo poder legislar e decidir sobre as medidas impopulares à conta da Crise e da Troika.
Como seria possível - num país normal onde os Governos são eleitos - aumentarem mais de 15% os transportes públicos sem "raiva e ranger de dentes"? Como seria possível ir por duas vezes (por enquanto) ao bolso dos trabalhadores por conta de outrém e dos pensionistas, sem revolta nas ruas e largos das cidades e vilas?
Apenas porque tudo o que se faz é feito à conta do Memorando de Entendimento. Da Crise. Da necessidade de pagarmos, aqui neste mundo, os pecados do passado. Da penitência que nos foi dada pelo "Padre-Mestre" face ao nosso"mau-comportamento".
"NÓS" vivíamos acima das nossas possibilidades! Agora temos de pagar por esse erros tremendos!
O problema é saber ao certo quem são de facto estes "NÓS"... Porque depois de muito procurar já não sei ao certo se era o povo malandro que gastava à fartazana em lautos jantares de lagosta e caviar, e comprava indiscriminadamente Solares no Minho e Vivendas com piscina na Quinta do Patiño, ou se a tal "abastança obscena" se via mas era nos km de auto-estradas e de obras públicas que enchiam os bolsos apenas a alguns...
Essas obras, tanto quanto sei, não foram mandadas fazer pelo Zé. Nem pelo Manel... Nem por mim. Nem por Vocês... Mas pelos Governos PSD e PS com o beneplácito dos Bancos, que com esses financiamentos muito empocharam. E entre eles, em grande, o Banco Central Europeu.
Que raio de hipocrisia!
sexta-feira, julho 29, 2011
Para descansar a Vista
Entra Agosto com "morrinha" , aquela tristeza melancólica , aparentemente causada pela chuva miúda que não pára de cair em Lisboa e Cascais desde a madrugada.
Talvez também pelos anúncios que todas as noites fazem as aberturas dos telejornais sobre "o que mais por aí virá", desde a liberalização, e os aumentos previstos no Gaz e na Electricidade, até às explicações atabalhoadas de um Secretário de Estado sobre as novas regras dos despedimentos, que, pensando-se que seriam apenas para as novas contratações, afinal já parece que serão para todos... A culpa será da necessidade de se atingir a tão importante "convergência" entre as situações novas e as antigas....
É esta uma "convergência" de sinal único, para as coisas negativas, uma convergência da desgraça e do desânimo. Pois não se fala da convergência dos níveis salariais entre Portugal e os outros países europeus, ou da convergência na protecção social na velhice e na doença prolongada entre Portugal e o que existe no Norte do velho continente.
Por estes motivos aqui vai poema também ele afectado pela "morrinha" traiçoeira deste Verão enganador.
Mas com uma pontinha de esperança ao fim, saída da voz e da alma do imortal Vergílio Ferreira: Ao longe e ao alto é que estou ; e só daí é que sou.
Cai a Chuva Abandonada
Cai a chuva abandonada
à minha melancolia,
a melancolia do nada
que é tudo o que em nós se cria.
Memória estranha de outrora
não a sei e está presente.
Em mim por si se demora
e nada em mim a consente
do que me fala à razão.
Mas a razão é limite
do que tem ocasião
de negar o que me fite
de onde é a minha mansão
que é mansão no sem-limite.
Ao longe e ao alto é que estou
e só daí é que sou.
Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'
Talvez também pelos anúncios que todas as noites fazem as aberturas dos telejornais sobre "o que mais por aí virá", desde a liberalização, e os aumentos previstos no Gaz e na Electricidade, até às explicações atabalhoadas de um Secretário de Estado sobre as novas regras dos despedimentos, que, pensando-se que seriam apenas para as novas contratações, afinal já parece que serão para todos... A culpa será da necessidade de se atingir a tão importante "convergência" entre as situações novas e as antigas....
É esta uma "convergência" de sinal único, para as coisas negativas, uma convergência da desgraça e do desânimo. Pois não se fala da convergência dos níveis salariais entre Portugal e os outros países europeus, ou da convergência na protecção social na velhice e na doença prolongada entre Portugal e o que existe no Norte do velho continente.
Por estes motivos aqui vai poema também ele afectado pela "morrinha" traiçoeira deste Verão enganador.
Mas com uma pontinha de esperança ao fim, saída da voz e da alma do imortal Vergílio Ferreira: Ao longe e ao alto é que estou ; e só daí é que sou.
Cai a Chuva Abandonada
Cai a chuva abandonada
à minha melancolia,
a melancolia do nada
que é tudo o que em nós se cria.
Memória estranha de outrora
não a sei e está presente.
Em mim por si se demora
e nada em mim a consente
do que me fala à razão.
Mas a razão é limite
do que tem ocasião
de negar o que me fite
de onde é a minha mansão
que é mansão no sem-limite.
Ao longe e ao alto é que estou
e só daí é que sou.
Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1'
quinta-feira, julho 28, 2011
Reflexões sobre as Férias em ambiente de Privatizações
Estando como estão as coisas aqui na pátria tasca não sei bem se será boa ideia "meter férias" neste ano de todos os perigos...Com tudo aquilo que se lê e ouve nos MCS dá a ideia que quem meter férias, estando (como eu e muitos mais) em comissão de serviço em Empresas do Sector Empresarial do Estado, corre mas é o risco de lhe meterem a ele (ou a ela) um par de patins em linha, daqueles super-rápidos no sempre a descer...
Os CTT serão privatizados. Não sabemos bem ainda como, nem quando. Mas serão.
Pode-se discutir se a venda será ao"kg" , perdão, às "fatias", perdão, "a metro" , ou se seria o capital do grupo CTT convertido em acções transacionáveis em bolsa , e estas depois vendidas a quem o desejar.
Do mal o menos... Já que a decisão de privatizar está tomada (diga-se já que não concordo) penso que seria muitíssimo preferível a venda em bolsa do capital, mantendo a integridade de um grupo que foi constituído (tant bien que mal, eu sei, mas mesmo assim) com uma visão de defesa, a montante e a jusante, dos avanços dos concorrentes em muitas áreas.
E dando a possibilidade de haver um accionista de referência (o Estado) que mantivesse o controlo gestionário da actividade. Com maioria de capital ou com estatutos blindados à moda de muito Banco privado que por aí pulula sem que caia o Carmo e a Trindade das ansiedades liberais de todas as Bruxelas.
Agora, vender ao desbarato as "jóias da coroa" para deixar o contribuinte arcar com os prejuízos da execução obrigatória do SUC (Serviço Universal de Correios) será estratégia perigosa, boa talvez no curto prazo para atrair dinheiro, mas lesiva dos interesses nacionais a médio e a longo prazo.
Por esses motivos, e já que "alguém lá de cima" deve estar a pensar nisto tudo 24h por dia, Sábados, Domingos e Feriados, matutando de que forma há-de conciliar o inconciliável, aconselha o Karma do pensamento contrário que existam também "outros" a fazer figas para o lado oposto e a ocupar o seu tempo exactamente de forma inversa, reflectindo como havemos de equlibrar o barco nestas ondas de crise.
O "barco postal" como actividade organizada será a mais antiga de Portugal, data de 1520.
Será que faremos, todos nós ou a maioria dos que cá estamos, a festa dos 500 anos?
Acho que sim. Acredito que sim. De certeza que sim.
Pode é ter que ser na clandestinidade...
Os CTT serão privatizados. Não sabemos bem ainda como, nem quando. Mas serão.
Pode-se discutir se a venda será ao"kg" , perdão, às "fatias", perdão, "a metro" , ou se seria o capital do grupo CTT convertido em acções transacionáveis em bolsa , e estas depois vendidas a quem o desejar.
Do mal o menos... Já que a decisão de privatizar está tomada (diga-se já que não concordo) penso que seria muitíssimo preferível a venda em bolsa do capital, mantendo a integridade de um grupo que foi constituído (tant bien que mal, eu sei, mas mesmo assim) com uma visão de defesa, a montante e a jusante, dos avanços dos concorrentes em muitas áreas.
E dando a possibilidade de haver um accionista de referência (o Estado) que mantivesse o controlo gestionário da actividade. Com maioria de capital ou com estatutos blindados à moda de muito Banco privado que por aí pulula sem que caia o Carmo e a Trindade das ansiedades liberais de todas as Bruxelas.
Agora, vender ao desbarato as "jóias da coroa" para deixar o contribuinte arcar com os prejuízos da execução obrigatória do SUC (Serviço Universal de Correios) será estratégia perigosa, boa talvez no curto prazo para atrair dinheiro, mas lesiva dos interesses nacionais a médio e a longo prazo.
Por esses motivos, e já que "alguém lá de cima" deve estar a pensar nisto tudo 24h por dia, Sábados, Domingos e Feriados, matutando de que forma há-de conciliar o inconciliável, aconselha o Karma do pensamento contrário que existam também "outros" a fazer figas para o lado oposto e a ocupar o seu tempo exactamente de forma inversa, reflectindo como havemos de equlibrar o barco nestas ondas de crise.
O "barco postal" como actividade organizada será a mais antiga de Portugal, data de 1520.
Será que faremos, todos nós ou a maioria dos que cá estamos, a festa dos 500 anos?
Acho que sim. Acredito que sim. De certeza que sim.
Pode é ter que ser na clandestinidade...
terça-feira, julho 26, 2011
Emissão Comemorativa do Centenário da Torre do Tombo
Amanhã não passo por aqui. Vou directo à Torre do Tombo, lançar os selos comemorativos do respectivo Centenário.
Preparações Presidenciais
Nesta azáfama com que vimos preparando a homenagem ao Luiz Duran, prevista para o Dia Mundial de Correios deste ano, houve necessidade de contactar uma série de antigos presidentes dos CTT, daqueles que cá estavam entre 1978 e 2011, e pedir-lhes uma breve menção ao Luiz, fruto da respectiva experiência conjunta .
Por respeito mas também por fundada justiça, o Dr. Norberto teria de ser o primeiro convidado. E assim foi feito. Depois de vários telefonemas , "combinações e soutiens", foi aprazado um primeiro almoço de trabalho sobre a matéria em causa... O nosso antigo Presidente, lenda viva dos CTT modernos, recusava-se a discutir o assunto sem ser à mesa. Manias de velhos? Não, hábitos de uma vida de trabalho...
Almoçámos dessa 1ª vez no Manuel Caçador. Uma cabeça de garoupa à maneira. Bem regada e melhor acabada com digestivo, porque o Presidente Emérito , do alto dos seus 80's anos, não deixa que ninguém lhe passe a perna por cima nestas coisas de bem comer e de bem beber.
Uma semana depois estava pronto um primeiro draft do texto de louvor (assim se esperava) a Luiz Duran "by" N.P.
Mas o texto "tinha de ser revisto" . Lá se marcou outro almoço para mostrar a "revisão" nº 1 ao Autor... Desta vez no clássico Sancho, à Av. da Liberdade. Bela refeição, belo Alvarinho Soalheiro, excelente Vallado do Douro, Vinho do Porto vintage para acamar um toucinho do céu e por aí fora.
O Texto, nesta versão 2, ainda não estava de acordo com a "ideia final " do Autor para publicação...
"-Oh Dr. Moreira, no fim de contas temos que ver que "isto" será publicado! Há que ter respeito e muito cuidado! Vamos mas é almoçar outra vez para discutirmos umas alteraçõezinhas".
Já vamos na versão nº 5... Penso que acabou, depois da colaboração inestimável do Dr Almeida Gonçalves, que se prontificou a rever literária e ortograficamente o esboço original (um dos originais pelo menos, já não me lembro qual...).
Mas como caí na asneira de lhe mostrar também o "meu" texto para o Livro de Homenagem, imaginem que o Sr Doutor me voltou a telefonar :
-" Oh Dr. Moreira! Olhe que o seu texto também precisa de umas modificações! Tomei a liberdade de o emendar. Podemos discutir isso durante um almoço, não é verdade? Para si está bem Terça feira que vem?"
E lá vamos todos ao Pedro da Horta dos Brunos tratar desta ocorrência , com o Luiz está claro...Aquela grande mula, mesmo reformada, está sempre pronta para estes "incómodos"!
O grande prazer de estar com N.P. e de o ouvir - mais são de cabeça do que eu e Vocês - vale bem estes "sacrifícios"... E depois um homem tem que almoçar todos os dias carago!
Por respeito mas também por fundada justiça, o Dr. Norberto teria de ser o primeiro convidado. E assim foi feito. Depois de vários telefonemas , "combinações e soutiens", foi aprazado um primeiro almoço de trabalho sobre a matéria em causa... O nosso antigo Presidente, lenda viva dos CTT modernos, recusava-se a discutir o assunto sem ser à mesa. Manias de velhos? Não, hábitos de uma vida de trabalho...
Almoçámos dessa 1ª vez no Manuel Caçador. Uma cabeça de garoupa à maneira. Bem regada e melhor acabada com digestivo, porque o Presidente Emérito , do alto dos seus 80's anos, não deixa que ninguém lhe passe a perna por cima nestas coisas de bem comer e de bem beber.
Uma semana depois estava pronto um primeiro draft do texto de louvor (assim se esperava) a Luiz Duran "by" N.P.
Mas o texto "tinha de ser revisto" . Lá se marcou outro almoço para mostrar a "revisão" nº 1 ao Autor... Desta vez no clássico Sancho, à Av. da Liberdade. Bela refeição, belo Alvarinho Soalheiro, excelente Vallado do Douro, Vinho do Porto vintage para acamar um toucinho do céu e por aí fora.
O Texto, nesta versão 2, ainda não estava de acordo com a "ideia final " do Autor para publicação...
"-Oh Dr. Moreira, no fim de contas temos que ver que "isto" será publicado! Há que ter respeito e muito cuidado! Vamos mas é almoçar outra vez para discutirmos umas alteraçõezinhas".
Já vamos na versão nº 5... Penso que acabou, depois da colaboração inestimável do Dr Almeida Gonçalves, que se prontificou a rever literária e ortograficamente o esboço original (um dos originais pelo menos, já não me lembro qual...).
Mas como caí na asneira de lhe mostrar também o "meu" texto para o Livro de Homenagem, imaginem que o Sr Doutor me voltou a telefonar :
-" Oh Dr. Moreira! Olhe que o seu texto também precisa de umas modificações! Tomei a liberdade de o emendar. Podemos discutir isso durante um almoço, não é verdade? Para si está bem Terça feira que vem?"
E lá vamos todos ao Pedro da Horta dos Brunos tratar desta ocorrência , com o Luiz está claro...Aquela grande mula, mesmo reformada, está sempre pronta para estes "incómodos"!
O grande prazer de estar com N.P. e de o ouvir - mais são de cabeça do que eu e Vocês - vale bem estes "sacrifícios"... E depois um homem tem que almoçar todos os dias carago!
segunda-feira, julho 25, 2011
A Dívida Pública explicada
Em torno do Post sobre a Dívida Pública, o nosso leitor Victor afirma:
O Japão tem um déficit de 220% do seu PIB, mas essa "dívida" é toda japonesa. Aliás, a poupança japonesa permite comprar a totalidade da dívida do país, e parte da dos EUA. Assim, quando o estado japonês paga os juros, os ienes ficam no Japão e não saiem do país. No caso italiano, idem. Cerca de 80% da dívida do estado italiano é doméstica.
E esse é o grande problema. Se a dívida do estado português fosse essencialmente doméstica, não teríamos que chamar a troika. Isso e claro, a criação de riqueza para pagar os juros.
Afinal, já nos idos anos de 1890, o país foi à banca rota exactamente pela mesma razão. Não aprendemos nada.
Comentário ao Comentário: É bem verdade. Embora , como o capital hoje não tem pátria, torna-se difícil saber bem a quem é que qualquer País deve o seu dinheiro... Por exemplo, os Bancos que compram a dívida do Estado Nipónico são mesmo apenas japoneses? Há já quem diga que são um pouco chineses também...
O Japão tem um déficit de 220% do seu PIB, mas essa "dívida" é toda japonesa. Aliás, a poupança japonesa permite comprar a totalidade da dívida do país, e parte da dos EUA. Assim, quando o estado japonês paga os juros, os ienes ficam no Japão e não saiem do país. No caso italiano, idem. Cerca de 80% da dívida do estado italiano é doméstica.
E esse é o grande problema. Se a dívida do estado português fosse essencialmente doméstica, não teríamos que chamar a troika. Isso e claro, a criação de riqueza para pagar os juros.
Afinal, já nos idos anos de 1890, o país foi à banca rota exactamente pela mesma razão. Não aprendemos nada.
Comentário ao Comentário: É bem verdade. Embora , como o capital hoje não tem pátria, torna-se difícil saber bem a quem é que qualquer País deve o seu dinheiro... Por exemplo, os Bancos que compram a dívida do Estado Nipónico são mesmo apenas japoneses? Há já quem diga que são um pouco chineses também...
Noruegueses, nossos irmãos
Ninguém, em lado nenhum do mundo, estará livre destas obscenidades.
Não acreditam? Então imaginem o Sr Francisco Leitão (aka "Rei Ghob" ) menos parolo e mais erudito, com dinheiro para gastar de uma actividade de empresário free-lancer, treinado nos neo-nazis e com as ligações perigosas que tinha o "outro", o louro Sr Breivik..
Não será a mesma coisa? Porque o Sr. Breivik matou 93 ou 98 (ou os que ainda se vierem a descobrir) e o Sr Leitão é apenas acusado de ter morto 6? E, não tendo sido ainda julgado, tem a presunção da inocência? E porque o "drive" da matança à portuguesa foi o sexo enquanto que a ânsia que levou o Sr, Breivik a assassinar tudo o que lhe apareceu à frente terá sido ideologicamente mais "pura", uma "fé satânica" ?
Pois é. Tudo isso será verdade. Mas ao fim e ao cabo, quando os pais de umas e de outras vítimas tiverem que chorar os filhos e filhas ( aqui em Portugal, como sabem, ainda não apareceram os cadáveres) ver-se-á como tanto as lágrimas amargas de portugueses e de norugueses terão a mesma composição de água e sal.
O chamado "lobo solitário" é na gíria das forças anti-terroristas o maior pesadelo que lhes pode aparecer pela frente. Obviamente porque - actuando sempre sozinho - não deixa pontas do novelo de fora e ainda porque actuar " a solo" impede que se utilizem as mais eficazes formas actuais de controlo do terrorismo, como são as escutas telefónicas. Se não tem cúmplices porque raio utilizaria o telefone ?
O perigo pode estar na relativa facilidade como esta criatura teve acesso aos meios materiais para concretizar os seus objectivos: adubos às toneladas para fabricar explosivos ainda se entendem, já que a sua actividade profissional tinha mesmo a ver com a agricultura. Mas as armas e as munições? É que matar 90 e tal pessoas , todas a tiro, face a face, para além de revelar uma gélida frieza , que não consigo classificar em termos normais (mesmo os animais mais ferozes matam para comer), implica ter acesso a armas e a muitas munições.
Bem sei que o "homem\besta" era treinado, pertencia a um clube de tiro, era amante da caça e tinha um passado de militante fascista... Mas isso, por si só e por muito que custe a todos os nossos liberais, nunca seria factor determinante para o que se passou.
E porque raio não se matou ele depois de concluída a "tarefa" lá na ilha?
O que me parece que este Sr Breivik deseja é exposição mediática. Tal como um fanático religioso dos séculos passados, pretende "dar testemunho" da sua fé obscena a todos os "gentios", utilizando para tal a televisão e a InterNet.
Não tendo (infelizmente) a sua vida sido interrompida lá na mesma ilha onde tanto "trabalhou", o mínimo que as autoridades norueguesas podiam fazer agora era julgá-lo à porta fechada e sem qualquer pinta de voyeurismo mediático. Não lhe darem essa satisfação de se sentir "mártir" de uma causa revoltante e inumana já seria alguma retribuição para a enormidade daquilo que cometeu.
A loucura pode explicar um atentado com bomba e , logo de seguida, uma perseguição individual a 97 garotos e garotas, matando-os a tiro, um a um, olhos nos olhos? Como quem está a matar uma praga de baratas nalguma cozinha? Acções perfeitamente racionais no seu diabólico planeamento e execução... Como se se tratasse de uma operação num teatro de guerra?
Não sei. Mas se não foi insanidade mental o que será que foi? As implicações das alternativas metem medo. É que mesmo nas câmaras de gáz de Auschwitz os verdugos nazis não personalizavam desta forma a morte que davam aos tristes.
Não acreditam? Então imaginem o Sr Francisco Leitão (aka "Rei Ghob" ) menos parolo e mais erudito, com dinheiro para gastar de uma actividade de empresário free-lancer, treinado nos neo-nazis e com as ligações perigosas que tinha o "outro", o louro Sr Breivik..
Não será a mesma coisa? Porque o Sr. Breivik matou 93 ou 98 (ou os que ainda se vierem a descobrir) e o Sr Leitão é apenas acusado de ter morto 6? E, não tendo sido ainda julgado, tem a presunção da inocência? E porque o "drive" da matança à portuguesa foi o sexo enquanto que a ânsia que levou o Sr, Breivik a assassinar tudo o que lhe apareceu à frente terá sido ideologicamente mais "pura", uma "fé satânica" ?
Pois é. Tudo isso será verdade. Mas ao fim e ao cabo, quando os pais de umas e de outras vítimas tiverem que chorar os filhos e filhas ( aqui em Portugal, como sabem, ainda não apareceram os cadáveres) ver-se-á como tanto as lágrimas amargas de portugueses e de norugueses terão a mesma composição de água e sal.
O chamado "lobo solitário" é na gíria das forças anti-terroristas o maior pesadelo que lhes pode aparecer pela frente. Obviamente porque - actuando sempre sozinho - não deixa pontas do novelo de fora e ainda porque actuar " a solo" impede que se utilizem as mais eficazes formas actuais de controlo do terrorismo, como são as escutas telefónicas. Se não tem cúmplices porque raio utilizaria o telefone ?

Bem sei que o "homem\besta" era treinado, pertencia a um clube de tiro, era amante da caça e tinha um passado de militante fascista... Mas isso, por si só e por muito que custe a todos os nossos liberais, nunca seria factor determinante para o que se passou.
E porque raio não se matou ele depois de concluída a "tarefa" lá na ilha?
O que me parece que este Sr Breivik deseja é exposição mediática. Tal como um fanático religioso dos séculos passados, pretende "dar testemunho" da sua fé obscena a todos os "gentios", utilizando para tal a televisão e a InterNet.
Não tendo (infelizmente) a sua vida sido interrompida lá na mesma ilha onde tanto "trabalhou", o mínimo que as autoridades norueguesas podiam fazer agora era julgá-lo à porta fechada e sem qualquer pinta de voyeurismo mediático. Não lhe darem essa satisfação de se sentir "mártir" de uma causa revoltante e inumana já seria alguma retribuição para a enormidade daquilo que cometeu.
A loucura pode explicar um atentado com bomba e , logo de seguida, uma perseguição individual a 97 garotos e garotas, matando-os a tiro, um a um, olhos nos olhos? Como quem está a matar uma praga de baratas nalguma cozinha? Acções perfeitamente racionais no seu diabólico planeamento e execução... Como se se tratasse de uma operação num teatro de guerra?
Não sei. Mas se não foi insanidade mental o que será que foi? As implicações das alternativas metem medo. É que mesmo nas câmaras de gáz de Auschwitz os verdugos nazis não personalizavam desta forma a morte que davam aos tristes.
sexta-feira, julho 22, 2011
Vai Seguro?
Sim. Vai Seguro. Saber-se-á com certeza absoluta já na noite de hoje, mas tudo indica que António José Seguro será o próximo Secretário Geral do PS.
Até quando? Isso ninguém sabe... Mas posso garantir que nesta travessia do deserto socialista não havia melhor opção.
Para lá de Sócrates e do seu grupo de "amigos" (a quem desejo todo o bem do mundo mas, se fizerem o obséquio, bem longe da política nacional), cabe a TóZé Seguro reunir as hostes, moralizar, dar um rumo e apresentar a sua visão para que esta se torne na visão de todos.
O poder está longe, é certo, mas Partido que tanto se embebedou com esse mesmo poder nos últimos tempos já sabe que tem de aguentar a ressaca...
E quatro anos passam depressa. Se não forem menos... O que ninguém deseja . Nem ao país nem muito menos ao PS antes de estar preparado.
"Fraco rei faz fraca a forte gente" dizia o nosso Poeta maior. Mas o contrário também é verdade. Haja tempo para se revelarem todos estes segredos.
A rosa voltará a abrir. Quando for oportuno.
Até quando? Isso ninguém sabe... Mas posso garantir que nesta travessia do deserto socialista não havia melhor opção.
Para lá de Sócrates e do seu grupo de "amigos" (a quem desejo todo o bem do mundo mas, se fizerem o obséquio, bem longe da política nacional), cabe a TóZé Seguro reunir as hostes, moralizar, dar um rumo e apresentar a sua visão para que esta se torne na visão de todos.
O poder está longe, é certo, mas Partido que tanto se embebedou com esse mesmo poder nos últimos tempos já sabe que tem de aguentar a ressaca...
E quatro anos passam depressa. Se não forem menos... O que ninguém deseja . Nem ao país nem muito menos ao PS antes de estar preparado.
"Fraco rei faz fraca a forte gente" dizia o nosso Poeta maior. Mas o contrário também é verdade. Haja tempo para se revelarem todos estes segredos.
A rosa voltará a abrir. Quando for oportuno.
Para descansar a Vista
O vento não larga o rectângulo. Começa sempre à noitinha, incomodando os indígenas que pretendiam ter uma sossega à maneira nas esplanadas, antes da "deita". Incomoda também o trabalhador que , na cama, vira e revira sem pregar olho, com o estrondo lá de fora a entrar por tudo quanto são frestas e buracos, incluindo ventiladores das casas de banho.
No Estoril e Cascais estes meses de Julho e Agosto sempre foram um bocado ventosos. Apenas em Junho - e até em Maio - quando aconteciam aquelas noites esplendorosas que deixavam adivinhar um Santo António magnífico, era possível fazer esta vidinha tão agradável de passear pelo paredão à cata de esplanada e nela entreter os minutos até à hora da referida "deita"
A novidade parece estar em que a intensidade do raio do vento agora é maior . E, está claro, não me lembro de termos tido este ano as tais noites de Maio e Junho a pedirem gelados do Santini e passeios de mãos dadas...
Sempre que ouço a ventania a assobiar lá fora recordo um dos mitos magníficos de H.P. Lovecraft: Ithaqua -the Wind-Walker .
"Ithaqua is one of the Great Old Ones and appears as a horrifying giant with a roughly human shape and glowing red eyes. He has been reported from as far north as the Arctic to the Sub-Arctic, where Native Americans first encountered him. He is believed to prowl the Arctic waste, hunting down unwary travelers and slaying them gruesomely. He is believed to have inspired the Native American legend of the Wendigo and possibly the Yeti."
Em memória desse grande criador , mestre do terror e supremo artífice da novela e dos contos fantásticos, aqui ficam dois dos seus poemas:
Star-Winds
It is a certain hour of twilight glooms,
Mostly in autumn, when the star-wind pours
Down hilltop streets, deserted out-of-doors,
But shewing early lamplight from snug rooms.
The dead leaves rush in strange, fantastic twists,
And chimney-smoke whirls round with alien grace,
Heeding geometries of outer space,
While Fomalhaut peers in through southward mists.
This is the hour when moonstruck poets know
What fungi sprout in Yuggoth, and what scents
And tints of flowers fill Nithon's continents,
Such as in no poor earthly garden blow.
Yet for each dream these winds to us convey,
A dozen more of ours they sweep away!
Antarktos
Deep in my dream the great bird whispered queerly
Of the black cone amid the polar waste;
Pushing above the ice-sheet lone and drearly,
By storm-crazed aeons battered and defaced.
Hither no living earth-shapes take their courses,
And only pale auroras and faint suns
Glow on that pitted rock, whose primal sources
Are guessed at dimly by the Elder Ones.
If men should glimpse it, they would merely wonder
What tricky mound of Nature's build they spied;
But the bird told of vaster parts, that under
The mile-deep ice-shroud crouch and brood and bide.
God help the dreamer whose mad visions shew
Those dead eyes set in crystal gulfs below!
Biografia por cortesia da Wiki:
Howard Phillips Lovecraft (Providence, Rhode Island, (20 de Agosto de 1890 – 15 de Março de 1937) foi um escritor norte-americano famoso pelas suas obras de fantasia e terror marcadamente gótico, enquadrados por uma estrutura semelhante à da ficção científica.
O princípio orientador literário de Lovecraft era o "cosmicismo" ou "terror cósmico", a ideia de que a vida é incompreensível à mente humana e que o universo é fundamentalmente alienígena.
No início da década de 40, Lovecraft tinha desenvolvido uma mitologia literária baseada na criação dos Cthulhu Myths (na Imagem grande que ilustra este Post), uma série de ficção vagamente interligada com um panteão de entidades anti-humanas, assim como o Necronomicon, um "grimoire", uma "anti-bíblia" fictícia de ritos mágicos e sabedoria proibida.
Os seus trabalhos foram profundamente pessimistas e cínicos, desafiando os valores iluministas do romantismo e do humanismo cristão. Os protagonistas de Lovecraft eram o oposto do tradicional, e na maior parte das vezes sucumbiam por anteverem o horror da ultima realidade e do abismo. Poucos finais felizes ali se encontram.
Durante a sua vida teve um número relativamente pequeno de leitores. No entanto sua reputação cresceu com o passar das décadas, e é agora considerado um dos escritores de terror mais influentes do século XX.
De acordo com Joyce Carol Oates, Lovecraft, como aconteceu com Edgar Allan Poe no século XIX, tem exercido "uma influência incalculável sobre sucessivas gerações de escritores de ficção de horror", Stephen King chamou a Lovecraft "o maior praticante do século XX do conto de terror clássico"
No Estoril e Cascais estes meses de Julho e Agosto sempre foram um bocado ventosos. Apenas em Junho - e até em Maio - quando aconteciam aquelas noites esplendorosas que deixavam adivinhar um Santo António magnífico, era possível fazer esta vidinha tão agradável de passear pelo paredão à cata de esplanada e nela entreter os minutos até à hora da referida "deita"
A novidade parece estar em que a intensidade do raio do vento agora é maior . E, está claro, não me lembro de termos tido este ano as tais noites de Maio e Junho a pedirem gelados do Santini e passeios de mãos dadas...
Sempre que ouço a ventania a assobiar lá fora recordo um dos mitos magníficos de H.P. Lovecraft: Ithaqua -the Wind-Walker .
"Ithaqua is one of the Great Old Ones and appears as a horrifying giant with a roughly human shape and glowing red eyes. He has been reported from as far north as the Arctic to the Sub-Arctic, where Native Americans first encountered him. He is believed to prowl the Arctic waste, hunting down unwary travelers and slaying them gruesomely. He is believed to have inspired the Native American legend of the Wendigo and possibly the Yeti."
Star-Winds
It is a certain hour of twilight glooms,
Mostly in autumn, when the star-wind pours
Down hilltop streets, deserted out-of-doors,
But shewing early lamplight from snug rooms.
The dead leaves rush in strange, fantastic twists,
And chimney-smoke whirls round with alien grace,
Heeding geometries of outer space,
While Fomalhaut peers in through southward mists.
This is the hour when moonstruck poets know
What fungi sprout in Yuggoth, and what scents
And tints of flowers fill Nithon's continents,
Such as in no poor earthly garden blow.
Yet for each dream these winds to us convey,
A dozen more of ours they sweep away!
Antarktos
Deep in my dream the great bird whispered queerly
Of the black cone amid the polar waste;
Pushing above the ice-sheet lone and drearly,
By storm-crazed aeons battered and defaced.
Hither no living earth-shapes take their courses,
And only pale auroras and faint suns
Glow on that pitted rock, whose primal sources
Are guessed at dimly by the Elder Ones.
If men should glimpse it, they would merely wonder
What tricky mound of Nature's build they spied;
But the bird told of vaster parts, that under
The mile-deep ice-shroud crouch and brood and bide.
God help the dreamer whose mad visions shew
Those dead eyes set in crystal gulfs below!
Biografia por cortesia da Wiki:

O princípio orientador literário de Lovecraft era o "cosmicismo" ou "terror cósmico", a ideia de que a vida é incompreensível à mente humana e que o universo é fundamentalmente alienígena.
No início da década de 40, Lovecraft tinha desenvolvido uma mitologia literária baseada na criação dos Cthulhu Myths (na Imagem grande que ilustra este Post), uma série de ficção vagamente interligada com um panteão de entidades anti-humanas, assim como o Necronomicon, um "grimoire", uma "anti-bíblia" fictícia de ritos mágicos e sabedoria proibida.
Os seus trabalhos foram profundamente pessimistas e cínicos, desafiando os valores iluministas do romantismo e do humanismo cristão. Os protagonistas de Lovecraft eram o oposto do tradicional, e na maior parte das vezes sucumbiam por anteverem o horror da ultima realidade e do abismo. Poucos finais felizes ali se encontram.
Durante a sua vida teve um número relativamente pequeno de leitores. No entanto sua reputação cresceu com o passar das décadas, e é agora considerado um dos escritores de terror mais influentes do século XX.
De acordo com Joyce Carol Oates, Lovecraft, como aconteceu com Edgar Allan Poe no século XIX, tem exercido "uma influência incalculável sobre sucessivas gerações de escritores de ficção de horror", Stephen King chamou a Lovecraft "o maior praticante do século XX do conto de terror clássico"
quinta-feira, julho 21, 2011
O chico-esperto Tuga do passado estará outra vez " de moda"?
O Tuga antigo e folclórico, dos tempos memoráveis daquele rapaz dos filmes, o Manoel de Oliveira, era chico-esperto de nascimento. Pelo menos o Tuga urbano e bairrista, fosse ele da Cedofeita ou da Mouraria.
Cresceu a tentar evitar pagar bilhete no eléctrico, a gamar umas uvas ou maçãs no Bolhão, a fazer favores nas lojas e mercearias a troco de rebuçados. Enfim, a dar mergulhos no Douro para os Turistas pagarem.
Roubava alguma coisa (pouca), trabalhava que se desunhava quando chegava a idade, nas obras, na estiva, a carregar os cabazes das compras... Era perito em "esquemas" e fazia das "borlas" e dos "favores" um manual de escola ( a que não tinha ido).
Se tinha costas para o largo e mãos e pés velozes, podia "afadistar-se" ou juntar-se a um grupo de forcados. Entrava asssim directamente na vida boémia da Capital, com direito a amante, vinho tinto, nariz quebrado e costelas sempre (ou quase sempre) ligadas. Caso contrário seguia o caminho dos "Moleros" de Dinis Machado (aka Dennis McShade) acima e abaixo por essas vielas de Lisboa ou do Porto. Cravava o bilhete para no Domingo ir à bola, fazia amizade com o ardina para ler a mesma Bola de borla, discutia com os amigos a "táctica" nas segundas feiras seguintes.
Só é pena já não se poderem candidatar a uns subsídiozinhos do Fundo Social Europeu para abrirem a escolinha... mesmo assim não tenho a certeza. É questão de perguntarem ao Durão, pode ser que ele "faça o jeito..."
Cresceu a tentar evitar pagar bilhete no eléctrico, a gamar umas uvas ou maçãs no Bolhão, a fazer favores nas lojas e mercearias a troco de rebuçados. Enfim, a dar mergulhos no Douro para os Turistas pagarem.
Roubava alguma coisa (pouca), trabalhava que se desunhava quando chegava a idade, nas obras, na estiva, a carregar os cabazes das compras... Era perito em "esquemas" e fazia das "borlas" e dos "favores" um manual de escola ( a que não tinha ido).
Se tinha costas para o largo e mãos e pés velozes, podia "afadistar-se" ou juntar-se a um grupo de forcados. Entrava asssim directamente na vida boémia da Capital, com direito a amante, vinho tinto, nariz quebrado e costelas sempre (ou quase sempre) ligadas. Caso contrário seguia o caminho dos "Moleros" de Dinis Machado (aka Dennis McShade) acima e abaixo por essas vielas de Lisboa ou do Porto. Cravava o bilhete para no Domingo ir à bola, fazia amizade com o ardina para ler a mesma Bola de borla, discutia com os amigos a "táctica" nas segundas feiras seguintes.
Apenas sobreviver sem emprego certo, ao Deus-dará das vicissitudes da construção civil, naqueles tempos em que se pagava "licença de isqueiro" , era já obra... Apenas os mais aptos (leia-se os "mais espertos") o conseguiam. Depois ia à tropa, fazia caminho de África. Não melhorava nem piorava muito ( a não ser que por lá ficasse, de pé ou deitado) e assim que chegasse outra vez a pisar as pedras das nossas calçadas europeias repetia tudo de novo.
Poucas vezes (muito poucas) se tornava um fora-da-lei, daqueles de crimes pesados, à mão armada. Claro que roubava sempre que podia, por oportunismo, no fim de contas naqueles tempos era a ocasião que fazia o ladrão... Mas era sobretudo grande praticante da arte de enganar o próximo nas coisas pequenas: nos trocos, no peso das vitualhas, nos cm das fazendas, nas entradas sem pagar para o cinema ao ar livre, no "salto" para dentro e fora dos comboios da Linha, quando queria ir à Praia e evitar o revisor, nessas coisinhas.
Ora depois desses anos tristes e conzentos, dos filmes a preto e branco do António Silva, da Radio Renascença e da Amália, veio a Revolução de Abril e veio a Liberdade, veio no fim de contas o grande matador , o assassino desses comportamentos: O Estado Social.
O nosso Chico-Esperto começou a perder qualidades por falta de treino. Havia medicamentos à borla, havia médico de borla também. Pagavam-lhe uns rendimentos especiais de inserção, davam-lhe o subsídio de desemprego estimável... Os melhores jogos da Bola passavam na TV... Até o Benfica (Santo! Santo! Santo!) tinha já um canal televisivo também!
Agora que estamos na reviravolta dos alcatruzes da Nora, os Chicos-Espertos Tugas ainda vivos dão largas à sua desilusão: é que nem há agora mordomias, nem sequer estão devidamente "treinados" para recomeçar a sua antiga vida de enganos e pequena ladroagem... Foi toda uma memória histórica de marginalidade medíocre que se perdeu...
E invejam os Lelos da feira do relógio. Esses gajos, suportados por uma ancestral cultura das margens do Indo, nunca se fiaram muito nas prebendas e benesses do Pós-25 de Abril. Lá que iam receber o Rendimento Social de Inserção, isso iam, afinal seriam Lelos mas não eram parvos! Mas nunca deixaram de dar o devido "treino" aos filhos e netos...
Pode ser que um desses, dos que nunca largaram o "treino", possa abrir uma Academia para "falcatruas, desvios de carteiras, falsificações e outras disciplinas". Os candidatos com melhores referências podem candidatar-se à Bolsa Vale e Azevedo. E, tal como na Católica, exigia-se logo "código de vestuário"! Nada de chanatas e calções de banho! Vigarista de sucesso traz sempre fato e gravata!
Só é pena já não se poderem candidatar a uns subsídiozinhos do Fundo Social Europeu para abrirem a escolinha... mesmo assim não tenho a certeza. É questão de perguntarem ao Durão, pode ser que ele "faça o jeito..."
Mais uma acha para a fogueira da Amizade
Ao ler o post de hoje não posso deixar passar o momento para lhe dizer que a amizade é um previlégio raro, e como tal deve ser preservado e cultivado, como se do mais belo ser em extinção se tratasse. Ser seu amigo tem sido um raro previlégio de vivências, aprendizagem e partilha.
Amigo Paulo: Que dure 123 anos! (Para cada lado!)
Amigo Paulo: Que dure 123 anos! (Para cada lado!)
quarta-feira, julho 20, 2011
Dia Internacional da Amizade
Comemora-se hoje o "Dia da Amizade".
Pretexto para aqui discorrermos sobre essa prática, das mais importantes do mundo de hoje (e de ontem) no meio de ventos e marés, favoráveis ou contrários.
Não vou fazer aqui o "choradinho" da amizade. Já foi feito por muita gente, bem melhor do que eu. E muitas vezes. e em muitas línguas.
Quem quiser ler sobre isso tem por exemplo o excepcional poema de O'Neill (já aqui referido por inteiro no Blog):
“Amigo” é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!"
--------------------
Vou antes tentar explicar porque motivo os Amigos são importantes. Pelo menos para mim.
Ter um Amigo é ter um ouvido atento às nossas desgraças e grandezas. É ter quem nos apoia nos momentos bons e maus. É saber que por muitas malandrices que se possam fazer há sempre alguém que nos faz sentir outra vez lavados dessas manchas. É ter um confessor que não é padre nem dá penitência. É estar sempre bem acompanhado. É poder partilhar as experiências mais estranhas. É, afinal e no fim dos tempos, poder recordar tudo isso rindo. Rindo sempre.
Sem amizade o que seria dos prazeres da vida? Haverá prazer que se esgote apenas no acto? Seja uma noite de amor ou a emoção que nos deixou um belo livro? Claro que não! Graças à amizade esse prazer repete-se em surdina reminiscente sempre que ao Amigo contamos a história. Seja ela a do amor vivido, do livro lido ou da paisagem que deslumbrou.
E Amizade é também a preocupação com que procuramos novas coisas, novos vinhos, novos sabores para levar para a mesa comum a que todos os Amigos verdadeiros acabam por se sentar, louvando e criticando a contribuição de cada um.
David Lopes Ramos, sempre vivo em todas as nossas memórias, cultivava soberanamente a Amizade.
À mesa e fora dela.
Sempre disse o nosso David , do alto da sua enorme sabedoria amável, que "comer e beber com qualidade empalidecem quando a companhia esmorece... Mais valia uma sardinha em boa companhia do que três lagostins entre estranhos".
E é esta uma verdade tão absoluta como a Terra ser redonda... Quem não o compreende é porque, infelizmente, em vez de cultivar os amigos e a amizade prefere relacionar-se com simples conhecidos...
É que ser Amigo dá muito trabalho ! E implica responsabilidades. Porque, tal como acontece com o Amor verdadeiro, ninguém pode ser Amigo sózinho... dar amizade é receber também amizade. A reciprocidade é obrigatória e inevitável.
O grande ensaísta e pensador Michel de Montaigne, melhor do que ninguém, explicou o que é ser Amigo de alguém :
"Au demeurant, ce que nous appelons ordinairement amis et amitiés, ce ne sont qu'accointances et familiarités nouées par quelque occasion ou commodité, par le moyen de laquelle nos âmes s'entretiennent. En l'amitié de quoi je parle, elles se mêlent et confondent l'une en l'autre, d'un mélange si universel qu'elles effacent et ne retrouvent plus la couture qui les a jointes. Si on me presse de dire pourquoi je l'aimais, je sens que cela ne se peut exprimer, qu'en répondant : « Parce que c'était lui, parce que c'était moi. "
Les Essais, livre Ier, chapitre XXVIII - Montaigne
Aos meus Amigos, a todos eles sem excepção, dedico este trecho de Montaigne sobre a Amizade perfeita, recíproca e eterna.
Pretexto para aqui discorrermos sobre essa prática, das mais importantes do mundo de hoje (e de ontem) no meio de ventos e marés, favoráveis ou contrários.
Não vou fazer aqui o "choradinho" da amizade. Já foi feito por muita gente, bem melhor do que eu. E muitas vezes. e em muitas línguas.
Quem quiser ler sobre isso tem por exemplo o excepcional poema de O'Neill (já aqui referido por inteiro no Blog):
“Amigo” é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!"
--------------------
Vou antes tentar explicar porque motivo os Amigos são importantes. Pelo menos para mim.
Ter um Amigo é ter um ouvido atento às nossas desgraças e grandezas. É ter quem nos apoia nos momentos bons e maus. É saber que por muitas malandrices que se possam fazer há sempre alguém que nos faz sentir outra vez lavados dessas manchas. É ter um confessor que não é padre nem dá penitência. É estar sempre bem acompanhado. É poder partilhar as experiências mais estranhas. É, afinal e no fim dos tempos, poder recordar tudo isso rindo. Rindo sempre.
Sem amizade o que seria dos prazeres da vida? Haverá prazer que se esgote apenas no acto? Seja uma noite de amor ou a emoção que nos deixou um belo livro? Claro que não! Graças à amizade esse prazer repete-se em surdina reminiscente sempre que ao Amigo contamos a história. Seja ela a do amor vivido, do livro lido ou da paisagem que deslumbrou.
E Amizade é também a preocupação com que procuramos novas coisas, novos vinhos, novos sabores para levar para a mesa comum a que todos os Amigos verdadeiros acabam por se sentar, louvando e criticando a contribuição de cada um.
David Lopes Ramos, sempre vivo em todas as nossas memórias, cultivava soberanamente a Amizade.
À mesa e fora dela.
Sempre disse o nosso David , do alto da sua enorme sabedoria amável, que "comer e beber com qualidade empalidecem quando a companhia esmorece... Mais valia uma sardinha em boa companhia do que três lagostins entre estranhos".
E é esta uma verdade tão absoluta como a Terra ser redonda... Quem não o compreende é porque, infelizmente, em vez de cultivar os amigos e a amizade prefere relacionar-se com simples conhecidos...
É que ser Amigo dá muito trabalho ! E implica responsabilidades. Porque, tal como acontece com o Amor verdadeiro, ninguém pode ser Amigo sózinho... dar amizade é receber também amizade. A reciprocidade é obrigatória e inevitável.
O grande ensaísta e pensador Michel de Montaigne, melhor do que ninguém, explicou o que é ser Amigo de alguém :
"Au demeurant, ce que nous appelons ordinairement amis et amitiés, ce ne sont qu'accointances et familiarités nouées par quelque occasion ou commodité, par le moyen de laquelle nos âmes s'entretiennent. En l'amitié de quoi je parle, elles se mêlent et confondent l'une en l'autre, d'un mélange si universel qu'elles effacent et ne retrouvent plus la couture qui les a jointes. Si on me presse de dire pourquoi je l'aimais, je sens que cela ne se peut exprimer, qu'en répondant : « Parce que c'était lui, parce que c'était moi. "
Les Essais, livre Ier, chapitre XXVIII - Montaigne
Aos meus Amigos, a todos eles sem excepção, dedico este trecho de Montaigne sobre a Amizade perfeita, recíproca e eterna.
terça-feira, julho 19, 2011
De novo em Lisboa
Estou de partida para Lisboa.
Reparo agora que - à parte o crocodilo - pouco brinquei desta vez. Os tempos não estão para isso.
Há notícias boas também. Os CTT Correios de Portugal ganharam mais um Grande Prémio ASIAGO em 2010, agora com a emissão dedicada aos Elevadores de Portugal, feita pelo Prof. Eduardo Aires. Parabéns Professor!
Neste Verão, que mais parece Outono, soube-se hoje - no Público - aquilo que muitos já diziam à boca pequena: o novo Imposto Extraordinário vai castigar quem ganha mais de 2500 euros (brutos). Esses irão pagar bem mais do que 50% do Subsídio de Natal.
É justo, dirão os que ganham menos. E injusto dizem os que têm de pagar já em Novembro, sem discutir, e vendo que o mesmo Imposto sobre os rendimentos dos juros dos depósitos e das mais valias financeiras, a serem taxados, só será pago lá para o meio de 2012...
Quem se vai lixar é o comércio. Restaurantes e retalhistas vários. Depois falaremos.
Neste ano acho que nem o futebol vem aliviar a atmosfera pesada do país.
Há remédio?
Cara alegre e bem disposta. Solidariedade. Vigilância sobre este Governo, mais troikista que a Troika. Esperança num futuro mais risonho.
Trabalhar sempre, mas brincando também sempre. Nunca me esqueço que o meu brinquedo preferido quando era miúdo era uma tábua moldada à faca, lá nos escuteiros...
Aqui iremos dando umas dicas para aguentar a depressão com menos dinheiro. No fim de contas quem beber Barca Velha todos os dias também o deve enjoar e há-de chegar a altura em que pede antes um Verde Tinto Vinhão...
Reparo agora que - à parte o crocodilo - pouco brinquei desta vez. Os tempos não estão para isso.
Há notícias boas também. Os CTT Correios de Portugal ganharam mais um Grande Prémio ASIAGO em 2010, agora com a emissão dedicada aos Elevadores de Portugal, feita pelo Prof. Eduardo Aires. Parabéns Professor!
Neste Verão, que mais parece Outono, soube-se hoje - no Público - aquilo que muitos já diziam à boca pequena: o novo Imposto Extraordinário vai castigar quem ganha mais de 2500 euros (brutos). Esses irão pagar bem mais do que 50% do Subsídio de Natal.
É justo, dirão os que ganham menos. E injusto dizem os que têm de pagar já em Novembro, sem discutir, e vendo que o mesmo Imposto sobre os rendimentos dos juros dos depósitos e das mais valias financeiras, a serem taxados, só será pago lá para o meio de 2012...
Quem se vai lixar é o comércio. Restaurantes e retalhistas vários. Depois falaremos.
Neste ano acho que nem o futebol vem aliviar a atmosfera pesada do país.
Há remédio?
Cara alegre e bem disposta. Solidariedade. Vigilância sobre este Governo, mais troikista que a Troika. Esperança num futuro mais risonho.
Trabalhar sempre, mas brincando também sempre. Nunca me esqueço que o meu brinquedo preferido quando era miúdo era uma tábua moldada à faca, lá nos escuteiros...
Aqui iremos dando umas dicas para aguentar a depressão com menos dinheiro. No fim de contas quem beber Barca Velha todos os dias também o deve enjoar e há-de chegar a altura em que pede antes um Verde Tinto Vinhão...
segunda-feira, julho 18, 2011
Um Post mais sombrio: Gerir a velhice
Todos temos os nossos velhos. Alguns , suponho que a maioria , melhor dito, desejo que a maioria, estarão bem cuidados em nossa casa ou em lugares adequados. Outros não. É esta uma das maiores vergonhas da nossa sociedade actual. Causada em muitos casos pela necessidade, admito, mas sobretudo pelo egoísmo.
Nesta deslocação obrigatória para avaliar uma situação dessas, familiarmente muito próxima de nós, coisas ruins, que não desejamos, vêm-nos à cabeça. O que fazer para prevenir estas atrocidades, como minorar os efeitos da crise na restrição da rede da Segurança Social que se avizinha, como - enfim - garantir uma velhice digna e uma morte em paz.
Bem sei que as situações mais negras são sobretudo fenómenos urbanos, causados pela precariedade do emprego, pela exiguidade dos apartamentos, pela má vontade de noras e genros, pelo fraco número de filhos que possam contribuir para pagar um lar decente, essas coisas.
Em famílias grandes, com hábitos antigos e casas espaçosas da "província", estas situações de repúdio são raras. Os velhos morrem nas suas camas, em casa dos filhos, rodeados pelos netos e bisnetos. Ou pelo menos assim era há poucos anos atrás...
O problema está no cada vez maior número de casais com filhos únicos, a viver em apartamentos de 3 assoalhadas de onde os filhos têm cada vez mais dificuldade em sair para casar e constituir a sua própria família.
Esta sociedade actual garante - do ponto de vista médico - que os velhos duram cada vez mais tempo. Os novos medicamentos assim o permitem. Mas o que não garantem é a qualidade dessa vida cinzenta, feita ao crepúsculo, apoiada em boas vontades e em caridades alheias, transformada em fardo para o ou (para a)descendente.
Não quero isso para mim. Acho que preferia morrer cedo e bem do que tarde e mal. Nunca tive medo da morte. Sou optimista por natureza por isso a morte não é para mim mais do que um novo começo, uma nova aventura a desbravar. Agora passar 10 anos da minha vida a ser um fardo para os outros? Isso nunca!
Todos compreendem que o problema reside nisso mesmo: quem somos nós para garantir que a morte vem cedo e depressa , ou mais tarde e lentamente?
Daqui a necessidade de prevenir. O dinheiro ajuda? Infelizmente sim. Cada vez mais, agora que o Estado fecha progressivamente a mão que geria os apoios à Segurança Social.
Nesta República Democrática da Liberdade de Abril estamos a caminho de uma situação onde seremos cada vez mais desiguais perante a velhice, a doença prolongada e a morte .
Os meus avós diziam sempre que "era preciso ter um dinheirinho de lado para alguma doença", naqueles tempos do Salazar em que não havia Plano Nacional de Saúde.
Voltaremos a esses tempos. Se não para alguma doença, então para acautelar a qualidade de vida na velhice. Não se fiem na Reforma. Comecem já a poupar.
Nesta deslocação obrigatória para avaliar uma situação dessas, familiarmente muito próxima de nós, coisas ruins, que não desejamos, vêm-nos à cabeça. O que fazer para prevenir estas atrocidades, como minorar os efeitos da crise na restrição da rede da Segurança Social que se avizinha, como - enfim - garantir uma velhice digna e uma morte em paz.
Bem sei que as situações mais negras são sobretudo fenómenos urbanos, causados pela precariedade do emprego, pela exiguidade dos apartamentos, pela má vontade de noras e genros, pelo fraco número de filhos que possam contribuir para pagar um lar decente, essas coisas.
Em famílias grandes, com hábitos antigos e casas espaçosas da "província", estas situações de repúdio são raras. Os velhos morrem nas suas camas, em casa dos filhos, rodeados pelos netos e bisnetos. Ou pelo menos assim era há poucos anos atrás...
O problema está no cada vez maior número de casais com filhos únicos, a viver em apartamentos de 3 assoalhadas de onde os filhos têm cada vez mais dificuldade em sair para casar e constituir a sua própria família.
Esta sociedade actual garante - do ponto de vista médico - que os velhos duram cada vez mais tempo. Os novos medicamentos assim o permitem. Mas o que não garantem é a qualidade dessa vida cinzenta, feita ao crepúsculo, apoiada em boas vontades e em caridades alheias, transformada em fardo para o ou (para a)descendente.
Não quero isso para mim. Acho que preferia morrer cedo e bem do que tarde e mal. Nunca tive medo da morte. Sou optimista por natureza por isso a morte não é para mim mais do que um novo começo, uma nova aventura a desbravar. Agora passar 10 anos da minha vida a ser um fardo para os outros? Isso nunca!
Todos compreendem que o problema reside nisso mesmo: quem somos nós para garantir que a morte vem cedo e depressa , ou mais tarde e lentamente?
Daqui a necessidade de prevenir. O dinheiro ajuda? Infelizmente sim. Cada vez mais, agora que o Estado fecha progressivamente a mão que geria os apoios à Segurança Social.
Nesta República Democrática da Liberdade de Abril estamos a caminho de uma situação onde seremos cada vez mais desiguais perante a velhice, a doença prolongada e a morte .
Os meus avós diziam sempre que "era preciso ter um dinheirinho de lado para alguma doença", naqueles tempos do Salazar em que não havia Plano Nacional de Saúde.
Voltaremos a esses tempos. Se não para alguma doença, então para acautelar a qualidade de vida na velhice. Não se fiem na Reforma. Comecem já a poupar.
domingo, julho 17, 2011
Crocodilo no Zêzere?
Bem, aqui de cima (ou de baixo, conforme o mapa esteja posto face ao narrador) não acho que fosse possível encontrar um crocodilo na Lagoa Escura ou na Comprida, embora - depois do almoço - há por aqui malta que já terá visto coisas mais esquisitas... E à noite nem lhes digo nem lhes conto. De elefante para cima, Upa, Upa...
Mas voltando ao assunto refiro - com vénia - a notícia do sempre admirável periódico "Cidade de Tomar"
Crocodilo em Castelo de Bode:
Este novo avistamento terá ocorrido há 15 dias e foi de imediato comunicado à GNR. Um praticante de canoagem disse às autoridades ter visto o animal, com cerca de um metro, a 19 quilómetros a norte do local do anterior avistamento, na zona de limite da freguesia de Cernache do Bonjardim e do concelho da Sertã.
A julgar pela distância terá sido entre a barragem da Bouçã e a zona da Foz de Alge (Figueiró dos Vinhos). Há já alguns dias que na vila de Cernache do Bonjardim se tem visto uma viatura da GNR com um barco atrelado.
Sabe-se agora que tem sido um dos meios utilizados na “vigilância da albufeira e margens na busca de pegadas ou rastos”, conforme confirmou hoje à Condestável o coronel Hélder Almeida, comandante distrital da GNR. O mesmo responsável disse que “estão a ser feitas outras diligências” que não especificou, acrescentando que “até agora não há qualquer indício que aponte no sentido da existência do crocodilo mas a vigilância continua”. Se o animal for encontrado “ não iremos andar aos tiros a ele e aí tem que haver o envolvimento de outras entidades para que possa ser apanhado e recolhido, eventualmente para o Jardim Zoológico”, rematou Hélder Almeida.
Recorde-se que foi no dia 16 de Abril de 2011 que a Rádio Condestável noticiou, em primeira mão, o avistamento de um crocodilo nas águas do Zêzere. Desta feita é notório um maior envolvimento das autoridades no sentido de esclarecer a situação.
Invento aqui o diálogo dos dois compadres que teriam avistado o bicho lá para Figueiró dos Vinhos, à saída de uma patuscada na Quinta do Amigo Neves (abençoado):
"- Oh Compadre Zeca despois do almoço vamos dar uma volta a pé ali até ao Lago."
"- Compadre Mira, tá-me mas é a apetecer pôr os cornos na palha e passar a cadela..Mas tá bem, dêto-me lá ao pé do rio"
...........................................
"- Oh Compadre Zeca! Oh Compadre Zeca! Acorde vocemecê que ta pr'rá li um corco , um crocor, um cricor, um Croqui...quero dizer um Jacaré!"
"- Han? Um quê Compadre Mira? Um Croqui? Um Jacaré? !
"- Tá sim compadre, tem mais de 1 metro! Tem uns dois metros, Quase quatro!"
"- O Compadre não pode beber o que bebeu! Tou farto de lhe dizer que ainda apanha uma cicarose à conta dos ovos batidos com açucar e bagaço ao pequeno almoço!
"- Oh Compadre Zeca que eu nã estou grosso! Estar estou mas agora fiquei bem que ver o bicho até me espantou a cadela!"
"- Olha, Olha, tem o Compadre Mira razão que eu também tou a ver! Mas não é um Croco, um corco, ... da-se que não me sai! Prontos um ...jacaré. A mim parece-me mais o presidente do Sporting a banhos, se calhar a pensar onde vai buscar o dinheiro para pagar a equipa do Domingos!"
" - Lagarto, Lagarto!"
Mas voltando ao assunto refiro - com vénia - a notícia do sempre admirável periódico "Cidade de Tomar"
Crocodilo em Castelo de Bode:
Este novo avistamento terá ocorrido há 15 dias e foi de imediato comunicado à GNR. Um praticante de canoagem disse às autoridades ter visto o animal, com cerca de um metro, a 19 quilómetros a norte do local do anterior avistamento, na zona de limite da freguesia de Cernache do Bonjardim e do concelho da Sertã.
A julgar pela distância terá sido entre a barragem da Bouçã e a zona da Foz de Alge (Figueiró dos Vinhos). Há já alguns dias que na vila de Cernache do Bonjardim se tem visto uma viatura da GNR com um barco atrelado.
Sabe-se agora que tem sido um dos meios utilizados na “vigilância da albufeira e margens na busca de pegadas ou rastos”, conforme confirmou hoje à Condestável o coronel Hélder Almeida, comandante distrital da GNR. O mesmo responsável disse que “estão a ser feitas outras diligências” que não especificou, acrescentando que “até agora não há qualquer indício que aponte no sentido da existência do crocodilo mas a vigilância continua”. Se o animal for encontrado “ não iremos andar aos tiros a ele e aí tem que haver o envolvimento de outras entidades para que possa ser apanhado e recolhido, eventualmente para o Jardim Zoológico”, rematou Hélder Almeida.
Recorde-se que foi no dia 16 de Abril de 2011 que a Rádio Condestável noticiou, em primeira mão, o avistamento de um crocodilo nas águas do Zêzere. Desta feita é notório um maior envolvimento das autoridades no sentido de esclarecer a situação.
Invento aqui o diálogo dos dois compadres que teriam avistado o bicho lá para Figueiró dos Vinhos, à saída de uma patuscada na Quinta do Amigo Neves (abençoado):
"- Oh Compadre Zeca despois do almoço vamos dar uma volta a pé ali até ao Lago."
"- Compadre Mira, tá-me mas é a apetecer pôr os cornos na palha e passar a cadela..Mas tá bem, dêto-me lá ao pé do rio"
...........................................
"- Oh Compadre Zeca! Oh Compadre Zeca! Acorde vocemecê que ta pr'rá li um corco , um crocor, um cricor, um Croqui...quero dizer um Jacaré!"
"- Han? Um quê Compadre Mira? Um Croqui? Um Jacaré? !
"- Tá sim compadre, tem mais de 1 metro! Tem uns dois metros, Quase quatro!"
"- O Compadre não pode beber o que bebeu! Tou farto de lhe dizer que ainda apanha uma cicarose à conta dos ovos batidos com açucar e bagaço ao pequeno almoço!
"- Oh Compadre Zeca que eu nã estou grosso! Estar estou mas agora fiquei bem que ver o bicho até me espantou a cadela!"
"- Olha, Olha, tem o Compadre Mira razão que eu também tou a ver! Mas não é um Croco, um corco, ... da-se que não me sai! Prontos um ...jacaré. A mim parece-me mais o presidente do Sporting a banhos, se calhar a pensar onde vai buscar o dinheiro para pagar a equipa do Domingos!"
" - Lagarto, Lagarto!"
sexta-feira, julho 15, 2011
Para Descansar a Vista
Duas jóias curtas da Poesia maior de Portugal e Espanha, apropriadas - digo eu - aos tempos que atravessamos:
A Parte Invisível do Visível
A parte invisível do visível.
De resto conhecer mais o quê?
O Manifesto do Invisível.
Os lobos são a cabeça do anjo que não se vê.
Sangue no Focinho e Cobardia.
Gonçalo M. Tavares, in "Investigações. Novalis"
DESENGANADO DA APARÊNCIA EXTERIOR
Vês tu este gigante corpulento
que solene e soberbo se reclina?
Pois por dentro é farrapos e faxina,
e é um carregador seu fundamento.
Com sua alma vive e é movimento,
e onde ele quer sua grandeza inclina;
mas quem seu modo rígido examina
despreza tal figura e ornamento.
São assim as grandezas aparentes
da presunção vazia dos tiranos:
fantásticas escórias eminentes.
Vês que, em púrpura ardendo, são humanos?
As mãos com pedrarias são diferentes?
Pois dentro nojo são, terra e gusanos.
Francisco Quevedo, in 'Antologia Poética'
Tradução de José Bento
A Parte Invisível do Visível
A parte invisível do visível.
De resto conhecer mais o quê?
O Manifesto do Invisível.
Os lobos são a cabeça do anjo que não se vê.
Sangue no Focinho e Cobardia.
Gonçalo M. Tavares, in "Investigações. Novalis"
DESENGANADO DA APARÊNCIA EXTERIOR
Vês tu este gigante corpulento
que solene e soberbo se reclina?
Pois por dentro é farrapos e faxina,
e é um carregador seu fundamento.
Com sua alma vive e é movimento,
e onde ele quer sua grandeza inclina;
mas quem seu modo rígido examina
despreza tal figura e ornamento.
São assim as grandezas aparentes
da presunção vazia dos tiranos:
fantásticas escórias eminentes.
Vês que, em púrpura ardendo, são humanos?
As mãos com pedrarias são diferentes?
Pois dentro nojo são, terra e gusanos.
Francisco Quevedo, in 'Antologia Poética'
Tradução de José Bento
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