quinta-feira, abril 29, 2010

Para Descansar a Vista

Amanhã de manhã não vou aqui estar. Antecipo assim o habitual poema das Sextas.















É do imortal Bardo, William Shakespeare, aqui traduzido superiormente por Carlos de Oliveira (nota bibliográfica deste já foi dada lá para trás)


Comparar-te a um dia de Verão?
Há mais ternura em ti, ainda assim:
um Maio em flor às mãos do furacão,
o foral do Verão que chega ao fim.

Por vezes brilha ardendo o olhar do céu;
outras, desfaz-se a compleição doirada,
perde beleza a beleza; e o que perdeu
vai no acaso, na natureza, em nada.

Mas juro-te que o teu humano Verão
será eterno; sempre crescerás
indiferente ao tempo na canção;

e, na canção sem morte, viverás:
Porque o mundo, que vê e que respira,
te verá respirar na minha lira.


William Shakespeare, in "Sonetos"
Tradução de Carlos de Oliveira

E para ilustrar tal monstro sagrado das letras de qualquer Povo, nada melhor do que recorrer a outro monstro sagrado, Claude Monet e a sua composição "Verão".
 
Boa Praia! Cuidado com os caranguejos e nunca se esqueçam que a areia não foi feita para correr!

Mourinho na Final da Champions

Real Politik!! A eficácia do anti-jogo. A lição sobre como não perder.

Os fins justificam os meios?  Parece que sim... O jogo de ontem à noite foi das coisas mais esquisitas que já tive ocasião de ver , a este nível do supra-sumo rarefeito da Liga Milionária...

Mourinho foi ali ao Camp Nou com um único objectivo: estar na Final da Champions. Consegui-o  e Pronto!

Como dizia um comentador -"no dia em que dessem pontos no futebol pelas notas artísiticas,  acabava-se com estes espectáculos.... Mas na presente situação quem pode protestar?"

Mas o futebol de que eu gosto, o das grandes jogadas, remates e fintas e...golos, esse passou ao lado desta meia-final.

Os interesses em jogo são demasiado avultados para que os treinadores e as equipas se preocupem com outra coisa a não ser passar cada eliminatória. Compreendo. Mas não tenho de gostar...

O que diriam do Benfica se fosse a Anfield Row jogar com 3 defesas centrais, 2 liberos  e 4 laterais ( dois de cada lado)?  Podia ter vindo de lá com a eliminatória no papo, já que trazia vantagem da Luz?

Isso não sei. Mas dá para nos pôr a pensar... Críticas negativas,  nos jornais de hoje, só se for em catalão.

Como é com o Special One, está tudo bem quando acaba bem.  Tudo se permite a quem cai em graça...

Nota1: E do árbitro alguém fala? Olhem que perdoou um penaltyzito ao Inter...

Nota2: Que falta de desportivismo a ser verdade o que Mourinho relatou no final do jogo (fogo de artifício até às 4 da manhã da véspera do jogo,  à porta do Hotel do Inter, sarilhos com a curta viagem de autocarro até Camp Nou, Rega automática ligada durante os festejos do Inter, com toda a gente ainda em campo...)

quarta-feira, abril 28, 2010

Estamos mesmo Lixados?

A agência de rating Standard&Poor's voltou a baixar a notação da Dívida de Portugal e da Grécia. Portugal agora está no nível A- (o último dos ainda assim "aceitáveis" em termos de risco para o investidor) enquanto que a dívida grega atingiu o estatuto de "LIXO" . Sim, leram bem, o rating da dívida grega é agora de BB-  ,  um claro conselho aos investidores para...fugirem dos Títulos de Tesouro da Grécia a sete pés...

Leiam mais aqui sff:

http://www.nytimes.com/2010/04/28/business/global/28drachma.html?emc=na

A justificação da Agência para esta medida (falo do caso português) seria ( e cito) : " A estrutural fraqueza económica e orçamental de Portugal, que deixa o País em sérios problemas para conseguir estabilizar o relativamente alto nível do seu déficit"

Não é a dimensão da dívida ou do déficit reconhecido (cerca de 9,25% actualmente) que está em causa! Itália, Irlanda , até o Reino Unido e a Espanha , ou têm maior déficit ou para lá caminham alegremente! O busílis da questão é mesmo a desconfiança em que o País consiga sair deste desfiladeiro com as suas insuficiências conhecidas ao nível  de estrutura , do tecido industrial e etc...

Acredito que há "racismo anglo-saxónico" nas medidas da S&P's. Acredito que a baixa de cotação da dívida de qualquer país europeu será um paraíso para os especuladores, desejosos de ferrar o dente numa fatia (embora carunchosa) da velha Europa.  Noto, com desgosto, que a Soberania Nacional "vai aos anzóis" neste mundo da globalização.

Mas... a culpa de não termos construído uma Nação economicamente auto-suficiente e financeiramente mais estável não é dos "Gringos"...

Desculpem lá, mas temos de reconhecer que é nossa... De quem nos governou, mas também de quem os elegeu, e reelegeu,  e tornou a reeleger... desde Abril de 74. E só dois Partidos nos governaram de facto desde essa data (se esquecermos os arrobos das "flores de Abril").

Nos dias de hoje - qual quê! Desde o tempo da 1º República! - Portugal só sobrevive economicamente através da injecção de capital por parte dos investidores estrangeiros,  para financiar a nossa dívida pública estrutural.  Se estes investidores ameaçarem virarem-se para outros lados, Portugal vai ter de os aliciar,  pagando taxas de juro cada vez mais altas. É este o início de um círculo vicioso que só acabaria na Bancarrota do Estado...

Como impedir isto?

Tenho muita pena de o escrever, mas só vejo alternativa num ainda mais exigente Pacto de Estabilidade e de Crescimento. No nosso horizonte próximo  vejo muito aperto de cinto, congelamento de salários  e os inevitáveis aumentos de Impostos...

Isto, se PS e PSD se entenderem com a benção seráfica do Senhor PR.

Em caso contrário... Olhem, Marrocos é já ali ao virar a esquina, à esquerda de quem desce...

terça-feira, abril 27, 2010

Para onde vamos?

Abriu um novo Hotel em Sagres, na Praia do Martinhal, que deve ser muito recomendável. Está neste momento a fazer uma promoção especial de abertura.

Para quem - como eu - gostar deste Algarve (mar batido, brisa forte, peixe fresco do melhor do mundo) pode ser uma óptima ideia para um destes fins-de-semana de Maio, a manter-se o bom tempo que faz hoje...

E, se lá forem, não se esqueçam de fazer uma visita ao Carlos (Rua Comandante Matoso;  telefone-282 624228).  Peixe fresquíssimo garantido!!


Aqui fica a "dica" (sem qualquer intuito comercial):

http://www.martinhal.com/

Maigret dá achegas ao "Caso do Olegário"

Fazendo jus ao seu "nick" o nosso leitor Maigret pôs-se a investigar o "caso" do Árbitro Olegário Bem Querença e chegou às seguintes conclusões:

"Só duas achegas a esta questão da arbitragem de Olegário. O jornal desportivo catalão "Sport" publica no seu site uma curiosa investigação sobre as ligações entre Olegário e Mourinho, que passo a citar:

"INCLUSO PODRÍAN HABER SIDO SOCIOS DE UN RESTAURANTE EN LEIRIA

El árbitro y Mourinho son amigos desde hace diez años

Se conocieron cuando el técnico dirigía al equipo de la ciudad donde reside el colegiado y ya le ayudó en el 2004 en un clásico ante el Benfica

La designación de Olegario Benquerença para dirigir el Inter-Barça no puede oler peor. Tras comprobar su tendenciosa actuación a favor del conjunto italiano todos las piezas están encajando y aún es más incomprensible que se eligiera para arbitrar el choque a un amigo de José Mourinho.

La relación entre Olegario y Mourinho se inició diez años atrás. Ambos se conocieron en Leiria, donde el técnico iniciaba su carrera como primer entrenador y el colegiado reside. Incluso, COM Ràdio desveló en el programa ¿Què has dinat? que habían sido socios del restaurante ‘O Menino’.

En Portugal también aseguraban ayer que Olegario y Mourinho tenían costumbres parecidas. Era habitual que acudieran a los mismos restaurantes. ‘Mou’ mantenía en aquella época una relación con Elsa Sousa, según reveló ‘The Sun’, y la pareja acudía a los locales que también eran frecuentados por el árbitro.

Benquerença no se dedica de forma exclusiva al arbitraje, sino que también es vendedor de seguros. Su carrera se ha disparado gracias en buena parte a sus buenas conexiones con la FIFA. Sólo por sus influencias se puede entender que sea uno de los colegiados designados para el próximo Mundial de Sudáfrica.

Olegario es famoso en su país por ser especialmente polémico y, de forma especial, haber liado uno de los mayores líos que se recuerdan en los últimos tiempos en un clásico entre el Benfica y el Oporto. Fue en el 2004, y el trencilla no concedió un gol a los lisboetas en un error de Vitor Baía cuando la pelota había superado la línea. Curiosamente, Mourinho era el técnico del Oporto, que salió beneficiado de su decisión. A raíz de esta decisión y otras de parecidas, a Benquerença se le conoce en su país como ‘O Larápio’, que significa ladrón en portugués.

Todas estas circunstancias no fueron atendidas por la UEFA cuando decidió que era el árbitro ideal para dirigir el encuentro entre italianos y catalanes. La presencia en el Mourinho iba a levantar suspicacias, pero las sospechas se acrecentaron después de que su actuación fuera tan adversa hacia el Barça."

Não sei se é verdade, mas não deixa de levantar algumas interrogações.

Finalmente, na Catalunha também descobriram o "tesourinho deprimente" dos Gato Fedorento em que Olegário aparece, num priograma antigo da RTP, a tocar acordeão, imitando Quim Barreiros, e a dizer, quase no final, que era italianao... de Milão!!! Sem mais comentários."

segunda-feira, abril 26, 2010

Chapelada Davídica: A Importância do Tacho

Meu Mestre David Lopes Ramos escreveu artigo de antologia na Revista Pública deste Domingo. Em causa a coisinha pequena e modesta do...Tacho!

Não o Tacho-Tacho à la mode dos Boys and Girls dos Partidos de Governo... nem o Tacho-Tacho dos Autarcas e seus sicofantes...

Mas o Verdadeiramente Verdadeiro Tacho! Aquele que se pôe ao Lume. O que refoga, guiza, estufa e "cocotta" (sem maus pensamentos!!); aquele que  era (e ainda deveria ser)  posto em cima da mesa,  para que os arrozes continuassem a abrir em frente aos convivas, para que umas favas ensopadas no bom  molho do apuro lento pudessem continuar a rescender, para que as caldeiradas mantivessem aquela sapidez vital durante mais algum tempo, deixando os fígados de tamboril e as cartilagens dos patas-rôxas e das raias abeberarem em cima da boa batata da terra...

Desaparecem os Tachos de muitas mesas restaurativas do nosso Portugal. Por estarem fora de moda, por preocupações estéticas e quiçá higiénicas, pelo simples facto da dimensão actual das doses tender para o Infimo ( o mínimo dos mínimos) , mas , sobretudo, porque a filosofia de trabalho da maioria das casas de comer que por aí vai abrindo é geneticamente avessa ao "Tacho" e às suas implicações: provincianas, tradicionais, de farta-brutidão, "tabernático-pastorais", e quejandas...

Parece que estamos já a ouvir alguns dos jovens Chefs: 

-"O meu Bistrot nunca poderá ser confundido com uma Casa de Pasto!!! Isso é que era Bom!!! Prefiro fechar ao fim de 6 meses sem pagar aos empregados nem aos fornecedores..."

Já anteriormente tinha sido feito pelo mesmo Iniciado um alerta de semelhante teor, alvitrando algum cuidado na proliferação dos restaurantes de "Autor" onde os pratos chegam à mesa como obras de arte da composição estética, mas que têm uma tendência perigosa para...abrirem e fecharem com alguma rapidez, deixando os Chefs  e seus investidores a pensar para com os seus botões se não  deveriam antes ter aberto uma alfaiataria especializada em consertos e renovações (Cozer por coser, estão a perceber?)

Não me interpretem mal! A  - como lhe hei-de chamar?? Livra que é difícil!!. Vou tentar:    "A Nouvelle Cuisine portuga de base, de ingredientes autênticos,  tipo menu de arte do Chef candidato a Adriá com traços de Joan Roca "     terá o seu lugar, obviamente.

Talvez não com tamanha implantação no País ( e aqui o País pouco mais será do que Lisboa e Porto) como agora por aí se vê, mas há de facto lugar para esse tipo de cozinha.

Agora, não nos estraguem o prazer de comer os nossos pratos tradicionais , ditos   ( e muitíssimo bem!) De Tacho,  dentro do fiel Tacho!!

Não se esqueçam os nossos gurus actuais , aqueles que estabelecem as regras , os "árbitros das elegâncias" Petrónios das Avenidas Novas, que a matriz da Cozinha Tradicional deste país resistiu centenas de anos a investidas de muito lado (Mouros, Celtas, Franceses....) com eles aprendeu, reinventou-se e ainda aqui está, humilde e prazenteira, para fazer brilhar os olhos de ricos e pobres, aldeões ( se é que ainda os há) e citadinos,  por muitos mais anos...

Peço desculpa por perguntar: quantas centenas de anos durará esta moda das "espumas" , das "reduções" e das "aspersões"?

Ao menos Favas com Entrecosto estou convencido que hão-de comê-las os meus descendentes enquanto houver Favas, Coentros  ( e, já agora) Entrecosto de porquinho alentejano...

Homessa!

domingo, abril 25, 2010

25 ABRIL Para Sempre

Nunca como agora precisámos tanto da Esperança, que foi a mais bela filha da Liberdade conquistada em 1974.

-"As Revoluções passaram de moda",  ouve-se dizer...

As das armas e dos tanques de guerra , pode ser que sim. Mas falta fazermos  as outras revoluções - as dos sentidos, as dos sentimentos, as dos actos. Aquelas que juntem ao bouquet da vida boa e preenchida as flores da sustentabilidade, do cuidado com a ecologia, do respeito pelas ideias dos outros e, finalmente, da solidariedade perante a miséria e a fome....

Por isso Amigos: 25 de Abril para sempre!

sexta-feira, abril 23, 2010

Para descansar a Vista

"Caracol, caracol , pôe os pauzinhos ao Sol"

Mas qual Sol cambada??!!  Isto aqui na nossa Praia está cada vez mais parecido com a tal cidade de Rawalpindi, que nos meus tempos de Liceu era conhecida como tendo o maior índice pluviométrico do Mundo... a tal onde "até os cavalos se espantavam quando viam alguém a passar sem guarda-chuva"
Lembram-se?

Para esquecer estas agruras aqui vai Poema da Sexta, desta vez de João Nabais, o Médico -  Pediatra e Pedopsiquiatra - que muito tem dado às nossas letras. Vejam lá se gostam destas duas reflexões em verso :

Sono limiar

O dia ainda não terminou
para mim
apesar da amante noite
cobrir-me
o olhar nublado
no trajecto das palavras
desalinhadas
ao longo da pena

e uma vaga de mar
invade o sono
limiar
logo desperta
uma zoada invisível
no jardim do lago
com as cigarras
timbaladas
a cantar
um ritual secreto
igual
à vibração dos búzios
num espelho de água

o espírito
cada vez mais distante
alienado
a lembrar o primeiro sonho de amor

Plátano

Arco voluptuoso
membro viril
corpo livre
monte negro polido
qual plátano centenário
descoberto o sexo
na maciez da pele
boca a boca

o afago entre dois seios
descobertos
alisando os dedos
num desejo inconsciente
de aconchego

inaudita a voz ecoa ávida de luz
antes da grande maré
invisível

Nota: Biografia por cortesia de "Projectos Verciais"

João-Maria Nabais, Licenciatura em Medicina e Cirurgia, Faculdade de Medicina da Universidade Clássica de Lisboa 1974; Grau de Assistente Hospitalar de Pediatria Médica dos H.C.L.-1985; admitido no Colégio das Especialidades de Pediatria Médica, da Ordem dos Médicos – 1995; Actualmente, exerce as funções de Assistente Hospitalar Graduado de Pediatria Médica na Sub-região de Saúde de Setúbal e no S.A.M.S.; Integra o Núcleo de Pedopsiquiatria; Grupo de Fundadores da revista literária SOL XXI e da Direcção da Associação Cultural SOL XXI. Escreve há vários anos regularmente para várias revistas e jornais. Tem sido distinguido por mais de uma vez – Prémio Moldarte Pintura / 87; Prémios António Patrício de Poesia / 96 e 02, com os livros Poemas e Sons de Urbanidade, ambos pela Sociedade Portuguesa de Escritores e Artistas Médicos; Medalha de Mérito Cultural da Associação de Escritores Médicos e Jornalistas de Bucareste – Roménia / 04.

Tem mais de uma centena de artigos e ensaios publicados nas áreas das Ciências da Saúde; História da Medicina; Escritores Médicos e Literatura.

quinta-feira, abril 22, 2010

Um Olhar Português

O Olegário Bem Querença foi mal-tratado até dizer chega na imprensa espanhola desportiva ( e não só) depois do jogo Inter-Barcelona onde os "mourinhos" deram 3 a 1 ao Barça.

Nada a dizer dado que se conhece a habitual "Fúria" espanhola e ainda por cima "Barcelonática" quanto aos futebóis, Eu, que vi o Jogo, não me lembro do desgraçado do árbitro ter assim tanto influenciado o desenlace, mas ...

Já quando o nosso Figo  (o actual Tagus Park, como é conhecido na gíria) bazou para o Real Madrid, como eu tive o azar de estar em Barcelona na mesma altura, levei tanto nos ouvidos que ainda hoje - quando me lembro - tenho de levar o dedo ao túnel da cera , em reflexo automático...

Pesetero!!  Foi  a coisa mais educada que lhe chamaram...  E mesmo no Bota-Fumeiro, meu paradeiro habitual em Barcelona, restaurante e cervejaria à moda da Catalunha, famoso e de bom trato, dono de uma invejável Barra, "quase " tão boa como a nossa do Gambrinus, fui pela primeira vez "expulso" da Barra e convidado a sentar-me numa mesa. Oficialmente porque os lugares da Barra estavam "reservados", mas de facto por ser português na altura do Figo ter "traído" a Catalanidad (acho eu).

Também me vinguei porque tendo pedido Vega Sicíla datado (já não me lembro do ano) como  não tinham fiz um escarcéu tão grande (mas educadamente, está claro!) que me vieram pedir desculpa à mesa e me devolveram o  lugar na Barra.  Que já não aceitei, of course...

 O futebol pôe as pessoas doidas... Cá e Lá.

Nota: Bota Fumeiro na realidade é o nome que se dá ao gigante turíbulo de Latão utilizado em Santiago de Compostela ( e outros lados), para encharcar os fiéis de incenso, durante as cerimónias religiosas.

quarta-feira, abril 21, 2010

Ainda a famigerada "Nuvem"

O vulcão de nome impronunciável   (Eyjafjallajokull ) causou bué de chatices, todos o sabemos. Agora que os céus da Europa começam a abrir-se recordo uma história que me foi contada em primeira mão por uma colega que estava comigo em Berna na passada Quarta-Feira e que teve o azar de ter de se deslocar nesse mesmo dia (recordo que foi exactamente há uma semana atrás) para Dublin para acompanhar o nosso Presidente numa conferência de CEO dos Correios de toda a Europa... Claro que a conferência já não se realizou... E a minha colega chegou a casa...ontem à noite... Mas leiam sff que vale a pena (com muitos pedidos de licença à "vítima" por esta transcrição):

"Regressei hoje de uma aventura que nunca vou esquecer... na passada 4ª feira voei de Berna para Dublin  para acompanhar o Sr Presidente numa reunião de CEO's. Escusado será dizer que já não consegui sair da Irlanda... Estive até Sábado em Dublin sem conseguir sair e então decidi pôr-me ao caminho. Cheguei hoje depois de três dias de deslocações em que viajei de barco, táxi, autocarro e combóio... estive quase 36 horas sem dormir e não sei como arranjei forças para continuar até Lisboa."


Ora toma que é Democrata! Quer queiram quer não - e só aqui para os meus botões - acho que vou ter de pensar seriamente nestas viagens da Espanha "para cima" enquanto que alguém não me consiga garantir que o tal de  "Aí Já Fala o Jaculo"  ou lá o que é que aquilo se chama,  está outra vez a fazer ó-ó...
 
Aventuras são para os que têm menos de 30 anos e, já agora, menos 30 kg que o "Je-Moi"...A mim, se não me garantirem a  santa trindade do  "bacio, cama e duche" , águas correntes quentes e frias,   já não me convidem para estas exéquias...
 
Sinal de Velhice, Acomodamento, Aburguesamento e o mais que vexas entenderem... Certo, mas o corpinho é Meu, e, tal como está, deu-me demasiado trabalho a construir para estar agora a pôr-lhe em causa as fundações.
 
E, a bem dizer, mal por mal fico em casa onde - se o Mundo acabar num destes dias - ainda receberei o Armaggedon feliz da vida e de olhinhos a brilhar com o "fuel" dos Barca Velha, Pintas, Vale Meão e outros que por lá tenho arrumados para (exactamente) alturas extremas de crise...

terça-feira, abril 20, 2010

O Peixe em Lisboa

Lá estive , com o meu Senhorio... No dia da Homenagem ao nosso David, está claro!

Esta proposta era interessante: 15 euros pagos à entrada, (nós não pagámos. Oferta do David!)  depois a compra  por 3 euros apenas de um copo muito decente com a  possibilidade de provar "à borla" um conjunto muito significativo de vinhos portugueses nos corredores da entrada e em seguida a "piéce de résistance":   por módicas senhas de 4 euros e de 8 euros (para as comidas) e de também 4 euros (se a memória não me falha) para as bebidas,  nos dois halls da restauração, a hipótese de provar criações dos mais conceituados criadores da nossa praça - desde o Eleven ao Tavares, passando pela Dª Justa do Nobre, pelo RibaMar , pelo Ramiro do marisco,  pelo Panorama do Sheraton, e por aí fora... Mercado de Santa Clara, Fortaleza do Guincho, etc, etc...

Algumas notas : pratos e talheres de plástico, como seria natural num figurino de self-service ao balcão. Os balcões de vinhos "a pagar" eram todos da J.Maria da Fonseca, o que limitava um tanto a escolha ... Por 4 euros tínhamos os da gama baixa (brancos e tintos) por 8 euros já se podia navegar até ao Verdelho ou outras Reservas particulares dos proprietários, como o soberbo Tinto  FSF 2005 ou Domini Plus.

Os mesmos copos davam para tudo. Havia a possibilidade de os enxaguarmos, o que já não era nada mau. Os amáveis senhores  (e senhoras) do balcão da JMF por vezes não vazavam ao gosto dos convivas ( que seria até às bordas, já que o pagavam...) e isso trouxe alguns amargos de boca e troca de palavras menos simpáticas... Por mim apostaria na média: nem até às bordas ( como nunca vi servir) , mas também nem sempre a 1\3 da capacidade, e esta "medida" vi-a muitas vezes utilizar... 1\3 pode ser elegante para quem compra a garrafita no restaurante, mas não é adequado para quem compra vinho ao copo...

Para a próxima sugiro que os copos tragam já a capacidade aconselhada marcada no vidro. Evitava problemas e discussões...

Quanto às Comidas destaco: Exuberante a proposta do Eleven,  de Risotto com Vieiras e aspersão de Cacau, Muito Bom o Caldo de Sardinha da mesma proveniência . Excelente como sempre a Sopa de Santola da Dª Justa. Muito adaptado a esta filosofia de "levar para a mesa" a cozinha Japonesa do Mestre  Paulo Morais, que veio apresentar o seu novo restaurante UMAI. ... onde os Sushi e Sahhimi parecem feitos à medida.

Terminámos em beleza com duas capiroskas de sabores (gengibre, kiwi, morangos).

Quando olhei para a carteira apercebi-me que tinha gasto...100 euritos!! Aos 4 e 8 euros de cada vez, está claro!

Os pratinhos são baratos, mas são exactamente isso- pratinhos... Idem, Idem para os copitos de branco, tinto ou Moscatel...E quem se atreve a vir para estes locais elegantes com um  "Senhorio"  de 105 quilinhos atrás já sabe que se sujeita a ter de lhe encher a "mula"...  O que vale é que o "panito" era oferecido (tanto quanto me pareceu).

segunda-feira, abril 19, 2010

PR veio de carro....

Uma anedota que se contava nalguma blogosfera, sobre a imprevista deslocação do nosso PR e comitiva de Praga para Barcelona "à la Patte", ou melhor dito "à La Pneu", tinha a ver com a qualidade das áreas de serviço, nas auto-estradas por onde passavam.

Houve quem dissesse que se notava bem demais a diferença entre as situadas na Alemanha e as Francesas...

E alguns homens da comitiva , ao experimentarem os "mijódromos"  gauleses, até teriam dito para as esposas:

- "Oh Filha! Vê-se logo que já saímos da Europa!"

Ao que algumas interpeladas retorquiram:

- "Deixa lá isso que ao menos aqui não tiveste  de baixar as calças mesmo à frente do Rotweiller da Bundespolizei...Ficaste encolhido que nem uma  minhoca no inverno...Só espero que isso passe."

Cada terra com seu uso, cada roca com seu fuso...

O Fórum da UPU sobre selos sem denominação de Franquia em Numerais

Nesta Primavera o Fórum da UPU a que presidi foi sobre aquilo que se designa na nomenclatura anglo-saxónica "Forever Stamp"; ou seja, os selos que não têm valor afixado de franquia em numerais ( apenas com letras ou mesmo sem nada) e que por isso mesmo podem ser utilizados sempre, independentemente das alterações das Taxas Postais.

São produtos de interesse filatélico relativamente reduzido - pela indefinição das Tiragens - normalmente associados a emissões base , mas que têm as suas excepções .

Por exemplo, em Portugal fizeram-se algumas destas emissões comemorativas em períodos de indefinição de tarifas,  em 2005, 2006 e 2007, com tiragens limitadas. Correio Escolar (por 2 vezes); A Chegada da família Real ao Brasil; Clubes de Futebol Centenários, etc...

Hoje em dia e por norma reservamos os Selos Sem taxa para as emissões base de selos Auto-Adesivos,  sob a forma de carteiras.
Quem gosta deste tipo de selos são obviamente os Balcões dos Correios, pela facilidade da venda sem necessidade de saber a tarifa. Mas também - segundo pesquisas feitas nos USA  - os próprios Clientes dos correios, que os utilizam como forma de "poupança"  na altura do previsional aumento das tarifas...

As quantidade de que estamos a falar são incomparáveis: em Portugal nas Emissões comemorativas podemos fazer 250,000. Nos USA qualquer Emissão deste tipo de selos atinge os Milhares de milhões de exs...

Como dizia o meu Colega David Failor (Director de Filatelia USA) "Goste-se mais ou menos,  estes selos são hoje um dado adquirido para os Operadores Postais que os utilizam, facilitando as transições de tarifa e sobretudo os abastecimentos, simplificando o trabalho dos balcões e, mais do que isso, dando aos Clientes um produto de que gostam e ao qual têm  sempre acesso (estações abastecidas)"

De facto, se aqui em Portugal, com cerca de 1000 Balcões, já aconteceu no passado termos falta de selos nalguns, exactamente nos períodos do início do ano, imaginem nos USA, onde o tráfego diário é de 590 milhões de objectos postais (cerca de 10% são selados)  e existem cerca de 58,000 Estações e Postos de Correio que vendem selos...

A logística destes abastecimentos deve ser de cair para o lado. Compreende-se por isso a grande importância do Forever Stamp nesta conjuntura.

o 1º selo sem taxa português é de 1985. O 1º Forever Stamp do USPS apenas foi emitido em 2007...

sábado, abril 17, 2010

Desde Berna, a pirar-me da NUVEM

Na Quinta feira, depois do almoço, já se ouvia falar na sede da UPU, lá em Berna, que alguns colegas estavam aflitos para encontrarem o caminho de casa... Tinha havido um problema qualquer num vulcão Islandês, e por causa disso lá se tinha encerrado o espaço aéreo de muiitos países do norte da Europa.

Sou do Sul! (dizia eu para os meus botões) . Não há crise (a não ser a verdadeira) ,  o Povo é sereno!

Então não haveriam de haver aviões para o sulzinho, para a Praia? Da Praia para a "civilização" talvez não, mas o caminho inverso deveria estar aberto...

Ia-me lixando ia... Devo ter apanhado um dos últimos aeroplanos a sair de Zurique, já na tarde de Sexta Feira passada... E como o Avião da TAP que fazia a carreira da volta não havia meio de chegar, ainda apanhei dois ou três  arrepios na espinha...

Era o maldito do controlo do aeroporto a mudar a prostit... da Porta de saída (mudou-a 3 vezes) e os expectantes portugas, já mais que conhecedores do forrobodó que por essa Europa toda se passava , a dizerem mal dos seus pecados.

Mas lá viemos. E, como disse, fomos dos últimos a sair de Zurique. Pouco depois encerrava o aeroporto.

São coisas como estas que nos pôem no nosso lugar, de quando em vez... Um vulcanito qualquer constipa-se e espirra, lá para o Norte.... e tem como consequências parar 77% do tráfego aéreo da Europa... Mais de 2 milhões de passageiros afectados, perdas diárias  de aprox.  150 milhões de euros para as companhias de aviação...

E atenção! Porque dizem os entendidos que quando este "miúdo" se "constipa", os "espirros" costumam durar mais de um ano... E então o que poderá acontecer quando se "constipar" o Pai ou a Mãe dele, que também moram lá para os mesmos lados??!!

De facto a Natureza ainda nos vai dando lições. E se calhar bem precisamos delas...

quarta-feira, abril 14, 2010

Para Descansar a vista

E como não estou cá na Sexta Feira, aqui ficam dois poemas curtos do grande Torga:

Viagem

É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...

Miguel Torga, in 'Diário XII'



Esperança

Tantas formas revestes, e nenhuma
Me satisfaz!
Vens às vezes no amor, e quase te acredito.
Mas todo o amor é um grito
Desesperado
Que apenas ouve o eco...
Peco
Por absurdo humano:
Quero não sei que cálice profano
Cheio de um vinho herético e sagrado.

Miguel Torga, in 'Penas do Purgatório'

Nota: Fotografia do diamante "Hope" por cortesia do Smithsonian Institute. O "Hope" é o maior diamante azul do mundo (45,5 carats) e tem a má fama de estar "amaldiçoado"... bem, amaldiçoado por amaldiçoado acho que preferia , mesmo assim, essa Esperança azul no banco do que tantas outras que por aí aparecem  nos discursos dos políticos. É que um "irmão pequeno " do Hope, também azul, foi vendido em 2008 num leilão da Christie's por 25 milhões de USD... Se fosse o Hope ponham lá o dobro mais ou menos. Mas que bela Esperança!

Ausência

Blogger vai para Berna, para a Assembleia geral da WADP. Regresso aqui ao vosso convívio na próxima Segunda feira.

terça-feira, abril 13, 2010

Justíssima Homenagem

David Lopes Ramos, meu Mestre e Amigo,  é hoje justamente homenageado no âmbito do Festival  "PEIXE em LISBOA" a decorrer no Pavilhão de Portugal, no Parque das Nações, entre 10 e 18 deste mês.

Vejam aqui mais sff:

http://www.peixemlisboa.com/

Ninguém apresenta o David . Sobretudo a pessoas ligadas ao meio gastronómico, Seria (salvo seja) como apresentar o imortal Tex Avery num Festival de Banda Desenhada...

Se ainda não o leram tenho pena. Por vocês, está claro, que perderam uma das mais esclarecidas, conhecedoras e saborosas "penas" da nossa literatura  e não me restrinjo apenas à literatura gastronómica!

Em traços largos aqui fica o David: Sabedoria enciclopédica, Homem muito lido e relido (mas nunca treslido) ,  um saber estar de antanho, mais próprio das antigas tertúlias do que destes tempos conturbados onde não há espaço para o lazer  (não confundir com o "laser"). Riso pronto e à flor da pele. Bom companheiro e melhor Amigo.

Parabéns David!

As Restrições do (s) PEC (s)

Apertar o cintinho Amigos!  Os tempos não estão de modas. Ou melhor, a existirem "modas" nestes tempos serão as da anorexia artificialmente induzida, da dieta obrigatória para a maioria dos Portugueses...

Mesmo assim parece que a Senhora Comissão não está satisfeita com a "dieta" aprovada aqui na Praia e duvida (mas quem não duvidaria?) que essa contenção seja suficiente para conter o Déficit (esse gande C....que não nos larga desde o tempo do Eça) .

Num Blog como este, onde se faz a apologia de uma certa "joie de vivre" ligada aos prazeres da mesa e da convivialidade , lidamos menos bem com estas exéquias.

Os 95% dos indígenas que vivem e trabalham por conta de outrém - onde se incluem os funcionários públicos - têm já complicações que sobrem para ter (ainda mais) de continuar a apertar o maldito do cinto, que de tão esburacado mais parece um passador "chinês"...

Nos tempos do "vale tudo bancário" compraram casa e carro  com empréstimos. Depois tornaram a pedir emprestado para as mobílias, os electrodomésticos, os Home cinemas, os DVD's, os Plasmas e LCD's  e as viagens de férias. A seguir para renovar os guarda roupas. No final de tudo mesmo para ...pagarem os outros empréstimos que já tinham. E foi aqui que os bancos começaram a torcer o nariz. Foi aqui quando devia ter sido bem mais lá atrás, logo depois do empréstimo para o carro, ou até antes dele.

Conheço famílias que no dia 11 de cada mês, descontados dos parcos vencimentos todas as "prestações", já não podem teoricamente comer. Comem, obviamente, porque os Pais ou os Avós ajudam. Mas comem cada vez menos.

Por todos os motivos não admira que (como dizia o anúncio de há alguns anos atrás) " as Mulheres portuguesas estejam a ficar cada vez mais bonitas".  Eu acrescento: As Mulheres, os Homens as Crianças e os Velhos! Está tudo "mais bonito" no sentido actual do termo, em que "bonito" e "saudável" é igual a "magreza"...Só que esta "magreza" é a da fome, e não a das "starlettes" de Hollywood desesperadas por, aos 25 anos, já  não terem umas nádegas de aço como quando tinham 13...

Esperamos - e a esperança fica sempre no fundo da Caixa (Geral dos Depósitos)  - que nas Nações Unidas nos permitam aumentar a área da Plataforma Oceânica sob nosso controlo. E, depois disso, esperamos que se descubra Petróleo ao largo dos Açores e outras coisas que encham o miserável saco das receitas do Estado. Parece que metais "raros" já lá teriam sido detectados...

Tal como no passado, com o volfrâmio,  pode ser que a nossa "sina" seja a de abastecer a industria dos Países mais desenvolvidos com as matérias primas "raras" que seriam hoje  necessárias para fazer telemóveis, computadores e etc...

Esta é a nossa esperança. Parece ser "curta" para tamanho buraco onde estamos atolados...

Mas também pode ser que eu me engane... Não percam a Esperança se fizerem favor!

Nota: "Requiem por uma Anorexia" é uma pintura de João Carita.

segunda-feira, abril 12, 2010

Feijoada à Minha Moda

Antes que o Verão por aí aparecesse, mesmo que mais visto nas altas temperaturas e menos no calendário, lembrei-me de aproveitar a noite de Sábado passado e ir adiantando uma Feijoada para o Almoço do Domingo.

Feijoca da Beira Alta de molho desde a véspera. Para 4 pessoas - Entrecosto de Porco Preto (1 embalagem) , entremeada (idem) e chispes  ( 2 pés), temperados de véspera, arrepiados de  Sal, marinados em vinho branco, alho, louro e massa de pimentão.

Contem com uma mão cheia de feijão por cada conviva. E, como diz o folklore do Brasil, mais duas mão cheias  no final das contas em sinal de hospitalidade! Se formos 4 seriam então 6 mãos de feijão. Coze-se de seguida com uma mão pequena de sal. Reservem a água da cozedura.

No tacho ( de preferência de ferro ou de alumínio fundido) façam uma puxadinha em azeite do melhor.  Tudo cortada miudamente: duas cebolas grandes, 1 ou  2 cabeças de alho (8 dentes grandes), malagueta cortada em pedaços pequenos, 3 tomates maduros sem pele nem sementes,  uma colher de sopa de sal grosso. Não ponham muito sal porque a feijoca já vem cozida com ele e depois ainda se junta o sal das carnes e dos enchidos.

Quando a puxada estiver já bem "lançada" juntem um copo pequeno de...Moscatel de Setúbal (truque da minha lavra).

E quando  a cebola estiver bem loura introduzam as carnes frescas que retiraram da marinada e deixem apurar uns minutos. De seguida a feijoca. Cortem entretanto um chouriço de sangue e um chouriço de carne e juntem os pedaços ao conteúdo do tacho..

O segredo está em não deixar faltar o molho, nem este ser demasiado abundante. Por isso tenham sempre à mão a água da cozedura do feijão, que podem misturar ao guizado do tacho se começar a faltar molho, de concha a concha, com cuidado. O lume deve estar bem baixo para guizar lentamente e apurar. Só o aumentem no momento da introdução das Carnes e durante esses primeiros minutos, para as passar bem.

Depois de uma hora e  meia (mais ou menos) deve estar pronto a servir. Uma meia hora antes ponham uma farinheira (eu gosto das biológicas da Montanheira) inteira por cima do conteúdo do tacho, Quando estiver cozida retirem-na, cortem em troços e juntem ao guizado. Este tacho assim como está, depois de tudo feito,  aguenta perfeitamente de um dia para o outro ( e há quem diga que até melhora...)

Agora a vantagem: se dedicarem parte da noite de Sábado a esta tarefa ( e obviamente deixarem de molho o feijão e as carnes frescas na Sexta) chega o Domingo e podem perfeitamente tratar das V. obrigações (civis , militares ou religiosas) durante toda a manhã.

Depois cheguem a casa, borrifem o conteúdo do tacho de azeite e vinho branco,  ponham no forno meia horita.

Enquanto aquece  façam um arroz solto com cenoura aos troços para acompanhamento da feijoada .

Ponham coentros frescos cortados por cima do tacho e... para a mesa!

Servi-a com um Tinto de 2004 da Bairrada  - Quinta da Dona.  A natural adstringência da Baga cortou na maravilha  a gordura natural  da feijoada. E que boa que estava!

domingo, abril 11, 2010

Rescaldo do Congresso do PSD

Na apoteose de Pedro Passos Coelho - o primeiro dos "jotas" a quem eu dava há alguns meses encorajamento, o 2º é António José Seguro, todos os Amigos o sabem - alguns recados interessantes:

Revisão Constitucional - a "Vaca Sagrada" - para resolver os problemas na Justiça ( e não só).
Ir ao encontro das Pessoas, Ouvi-las e sobretudo deixá-las falar.
 Necessidade do Governo apoiar as Empresas com viabilidade, se possível substituindo os subsidios de Desemprego por esses apoios.
 Muita força no apoio às ONG de solidariedade social.
 Trabalho comunitário obrigatório para os "apoiados" do Governo sem trabalho.

Alguma Demagogia. também.  Repare-se na intervenção de Miguel Frasquilho: Diminuição dos Salários na Função Pública como única forma de resolver os problemas da economia sem aumentar Impostos...

E, se me permitem, como responderia a isto Bettencourt Picanço, o todo-poderoso "patrão" dos sindicalistas quadros da Função Pública, agora "recompensado" pela sua constante luta conta o Governo PS com um lugarzito  no Conselho Nacional do PSD, de quem é militante assumidíssimo?

Não sabiam? Ficam a saber.

Ficamos à espera dos actos práticos. Sem dúvida que o PS tem que se preocupar mais com este novo PSD.  Para ir seguindo com atenção.