quinta-feira, agosto 14, 2014

Em Coimbra para tomar um café

Fui mais uma vez a Coimbra, tentando ultimar os preparativos que nos permitam começar a pensar numa emissão filatélica comemorativa dos "Cafés Históricos de Portugal".

Porquê em Coimbra? Porque foi ali que nasceu a ideia de um "Roteiro" dos tais cafés, saída da cabeça do Dr. Vitor Marques, proprietário (e descendente dos fundadores) do Café Santa Cruz, no Largo 8 de Maio, implantado desde 1923 à beirinha do local onde repousam os ossos do 1º Afonso Rei e do seu filho Sancho.

Leiam aqui sff:

http://opcaoturismo.pt/wp/?p=4113

Na esteira da série sobre a "Rota das Catedrais" , que pretende fazer o percurso de Norte a Sul - incluindo Açores e Madeira - sobre as catedrais portuguesas, esta nova aventura da nossa filatelia teria por objectivo dar a conhecer no país e no estrangeiro os nossos cafés mais antigos, de mais nomeada, com mais histórias para contar.

Falo do Majestic, do Santa Cruz, do Piolho, da Brasileira, do Nicola, da Versailles, do Paraíso de Tomar, do Arcada de Évora, do Calçinha de Loulé e por aí fora...

O problema será seleccionar, porque se incluirmos todos os cafés  mais antigos, com ou sem referências literárias e de arquitectura exterior ou interior relevante, conseguimos reunir mais de 30...

Abençoado país que tanto café bebe (ou bebia).

Imaginem se fossem tascas... Aqui seriam mais de 300...

terça-feira, agosto 12, 2014

As "narcejas" das férias de Verão

Narceja ( gallinago gallinago) , a que voa e que se come ( e é de cair para o lado) é um bicho pássaro invernante, próprio das zonas húmidas. Lindo de ver a voar em grupo, mais lindo ainda de ver no pratinho (com desculpas aos naturalistas e eco-cientistas).
Prima da galinhola, divide com ela o trono da mais apetecível espécie  venatória que se pode caçar legalmente no nosso país. Digo eu...

Mas as "narcejas" a que me refiro no título são outras... Refiro-me às bebedeiras, berlaites, mocas, barrascos, pifos, borracheiras, camoesas e por aí fora. Um festival de álcool que antigamente - nos dias da juventude insensata, universitária - assinalava o início das férias de Verão.
A "Queima das Fitas" (no final de Maio) servia de treino, mas a verdadeira "encabadela da machada" (não confundir com "encavadela" que tem todo um outro sentido mais carnal) só se dava na altura em que a malta se via livre dos exames, tendo os mesmos corrido mais ou menos bem.

No meu caso o local do crime era normalmente o Algarve, a Praia de Monte Gordo ainda civilizadamente limpa de multidões, areia a perder de vista, mar azul esverdeado, algum dinheiro na algibeira (melhor dito, nos calções), amigos para conviver e amigas para namorar.

Comíamos uvas durante o dia, compradas no mercado, aos quilos, para poupar as "massas" para a noite. E esta era passada normalmente na discoteca do Vasco da Gama, recentemente inaugurado e que era o habitat favorito da "jeunesse dorée" alentejana e portuense ali a banhos.

 Mas isso era para depois. A primeira noite de liberdade, fora dos pais e até fora das namoradas oficiais (que ficavam em Lisboa, pois os bons costumes da época não as permitiam acompanhar os machos) era vivida todos os anos como se fosse a última noite que passávamos na terra...

Dormíamos na areia, tomávamos o primeiro banho de mar sem ir à cama (o que era bom para a ressaca) e antes dos bens pensantes, bem falantes se aproximarem dos toldos e chapéus de sol já nós tínhamos debandado para o parque de campismo, para curar o que restava da bezana monumental que assinalava o início das férias.

Mais tarde, já a trabalhar, mudei as agulhas do campismo para o hotel e de Monte Gordo para Vilamoura, onde um amigo mantinha um barco de recreio - o Sea Wolf.  Também aqui a primeira noite das férias costumava ser fortemente assinalada, agora de forma bem mais burguesa, sentado à mesa do Akvavit a beber vodkas na companhia do patrão sueco ( e esplendorosa mulher...) e só terminando a noite já com o sol alto, a sair do velho Patacas Bar, local de culto onde todos os "pielas", novos ou velhos, se encontravam no final da noite como se viessem ao engodo. Pareciam lulas com os olhos a brilhar...

Nota: Este "Patacas Bar" foi o local onde - diz a a lenda  - pai e filho ficaram ao balcão, a beber  ao lado um do outro sem se reconhecerem, tal o tamanho das cadelas que ambos traziam pela trela. Duas verdadeiras Serra da Estrela! E de pêlo comprido!!

Hoje estou domesticado. Mais que domesticado, tenho até algum receio destas cenas que metem copos a mais e consequentes ataques aos fígados e outras vísceras.  É a idade...

Mas a memória fica.

- "La culture, c'est ce qui reste dans l'homme lorsqu'il a tout oublié".
(Émile Henriot ).

De certeza que assim é. Mas acrescentarei:

- " E as recordações dos dias de ouro do fim da adolescência".

segunda-feira, agosto 11, 2014

Não era preciso partir a Taça!

A malta de vermelho anda ansiosa . Depois de terem ganho (suando) uma taça e talvez um guarda-redes ontem à noite, a alegria foi tanta que na sofreguidão de abraçar o troféu...deram cabo dele.

Há aqui duas interpretações.

Em primeiro lugar pode ser que, nos tempos de crise que correm, o material de que são feitas as Taças se tenha vindo a deteriorar: Ouro,  Prata Dourada, Prata, Bronze, Estanho, Aluminio, Folha de Flandres.

Por outro lado, é também possível que as idas diárias ao ginásio tenham inchado a musculação dos jogadores, que assim dobrariam metal como se fosse papel (bem preparados se o futebol fosse luta livre...).

O que me parece das imagens é que foi mesmo azelhice... O Paulo Lopes subiu à trave da baliza como se fosse a "chita" do Tarzan, sem se lembrar que a verdadeira chimpazé tinha outros argumentos naturais técnico-tácticos. E pumba.

 De todas as formas o que conta é o resultado. Parabéns Benfica! Só não era preciso partir a p**** da Taça...

Nota Final: Se puderem e souberem esclareçam-me... Quem , naquela equipa que ontem ganhou nos penalties, estará "escalado" para marcar golos nos 90 minutos da praxe? Algum guarda-redes suplente?? Talvez por isso tenha sido cooptado para adjunto do Jesus a antiga glória Minervino Pietra...

sexta-feira, agosto 08, 2014

Para Descansar a Vista... Neste Verão

O tempo que faz e há-de fazer é negócio dos deuses.

Longe de mim misturar a foice em seara alheia. A César o que é de César.

A única coisa que cabe ao mortal marafado com a tragédia das férias à chuva, será dar graças aos céus por não ser cliente do mau banco...

E se for? Se tivesse sido? Bem, carpir as moléstias também não consta que tenha dado pontos aos tristes...

De uma maneira ou doutra tenho para mim que se sempre fomos farroupilhas não será a queda de alguns bancos que nos fará estremecer.

Essas dores de alma estarão para aqueles que sendo pobres, ainda não são os "pobres dos pobres". São os médios. Quem se lixa é o mexilhão. Não é o berbigão nem a ameijoa grada...

Porque os outros que sempre foram ricos... Nas Maldivas, Caimãs, Jerseys ou Luxemburgos hão-de encontrar almofadas e colchões.

No fim de todas as contas, l'important c'est la rose...

Venha então poema a condizer do meu mestre José Afonso:

Que amor não me engana

Que amor não me engana
Com a sua brandura
Se de antiga chama
Mal vive a amargura

Duma mancha negra
Duma pedra fria
Que amor não se entrega
Na noite vazia

E as vozes embarcam
Num silêncio aflito
Quanto mais se apartam
Mais se ouve o seu grito

Muito à flor das águas
Noite marinheira
Vem devagarinho
Para a minha beira

Em novas coutadas
Junto de uma hera
Nascem flores vermelhas
Pela Primavera

Assim tu souberas
Irmã cotovia
Dizer-me se esperas
O nascer do dia

José Afonso


quinta-feira, agosto 07, 2014

Em louvor do Robalo

Tive ( e acho que ainda tenho, chiça!!) dois amigos com o apelido Robalo. Um distinto colega do ISCTE e um outro distinto colega dos CTT, que depois fez carreira na PT.

Mas não é deles que hoje aqui trato. É do Robalo peixe mesmo. Do famoso "Loup de Mer" (para alguns Lubine) que enche as medidas de qualquer apreciador de peixe fresco.

Falar deste peixe é o mesmo que dar a conhecer ao país a figura típica do Tó Simão, um dos últimos pescadores artesanais de Cascais, o homem que conhece tão bem este peixe e as suas manhas que ao longo da sua carreira de pesca - mais de 35 anos - terá sido o maior fornecedor desta  "raça" para as mesas dos bons restaurantes da linha.

Mas atenção! Falo de pesca artesanal, com linhas! Nada que meta (nem a sonhar) aparelhos de arrasto!! Acho que menos mal fez à população "roubalar" o amigo Tó Simão em toda a sua vida de mar do que um arrastão numa semana e meia de trabalho!

Um dia , no Beira Mar, conseguimos espantar (o que não era fácil) o saudoso David Lopes Ramos, ao apresentarmos estes peixes da faina do Tó daquela madrugada, quase vivos, rijos de tal forma que pegando-se-lhes pela cauda nem dobravam! 

Nota: O Robalo está em alturas de reprodução de Janeiro a Março. Respeitem isso sff.

As duas  maneiras clássicas de preparar o Robalo para quem gosta de comer  - esta é uma farpazinha à malta dos "grelhadinhos" :):):) - são, ou no forno ou em arroz dito à "mestre de traineira" ou , mais simplesmente, "à pescador".  E aqui, nesta menção aos cozinhados, há ainda que salientar o caso de alguns restaurantes de Matosinhos, onde tradicionalmente o robalo de forno é acompanhado por arroz "fêmea", de grelos. Abençoados!

O Porto de Santa Maria fazia o Robalo no forno com puré de batata e era delicioso. O Beira Mar faz o mesmo Robalo com as chalotas e as batatas novas assadas e é de cair para o lado!

As receitas de Robalo no Forno são conhecidas. Aqui o único conselho é JAMAIS usarem tiras de presunto ou outro enchido por cima de tão divinal carne branca!! Sendo este um crime que devia ser punível por lei.

Quanto ao arroz de Robalo "à pescador" deixo aqui a receita que normalmente utilizo em minha casa.  Não ponho tomate para não carregar no gosto final. Pimento verde, sim. E sendo dos doces ainda melhor.

A vantagem deste arroz é que podemos aproveitar robalos com menor dimensão, embora eu recomende (se possível) que se afastem dos de viveiro, por causa da consistência da carne que durante a puxadinha é mister manter-se bem firme.

Arroz de Robalo para 4 pessoas

Numa panela dêem um apertão a 2 robalos partidos ao meio, com cerca de 750 g cada um. Temperem apenas com sal e um fiozinho de azeite.

Reservem a àgua. Limpem o peixe de espinhas e da pele e partam em bocados grossos. Escolham bem a carne das cabeças.

Num tacho de fundo espesso façam uma leve puxadinha com pimento doce verde, chalotas, allhos e um raminho de salsa. Juntem pimenta preta a gosto e uma mão de sal pequena.
Em apurando juntem os pedaços de robalo e um copo a Porto de vinho moscatel. Deixem alourar um pouco mais. Deitem depois o arroz ( eu uso arroz estufado, mas o carolino é sempre alternativa) e fritem o mesmo dentro da puxada por uns momentos.
Acabem deitando a água de cozer o Robalo na proporção de 3 partes de água para uma de arroz. Para 4 pessoas aconselho uma chávena e meia almoçadeira de arroz e , portanto,  4 chávenas e meia de água.
Rectifiquem de sal e deixem cozer até o arroz estar al dente.
Depois apaguem o lume, envolvam o tacho num pano de cozinha grosso e deixem abrir mais uns 5 ou 10 minutos em cima do bico já apagado.

Vai para a mesa no mesmo tacho, que podemos decorar com salsa picada.

Bom Apetite!

Para acompanhar um vinho Branco de classe e trapio: um Encruzado 2010, um Quinta dos Carvalhais Reserva 2010, ou um Condessa de Santar 2005.  Os três do Dão. Qualquer um de se lhes tirar o chapéu!

quarta-feira, agosto 06, 2014

SLB e BES, o fim de uma bela amizade...

As relações entre os três grandes e o banco que já era são conhecidas. Qualquer dos clubes seria financiado pelo BES ( e também pelo BCP) a vários níveis, embora a dimensão do financiamento e da subsequente "exposição" de cada clube ao colapso a que assistimos não fosse a mesma.

Se olharmos para os dados oficiais (ou, melhor dito, oficiosos, tal como aparecem em certos blogues ditos "especializados") o FCP estaria exposto a 10 milhões, o SLB a perto de 70 milhões e o SCP a mais de 85 milhões de euros.

Desta forma não se entende porque motivo só se observa o Benfica a caminhar para o mercado todos os dias com a alcofa dos jogadores, tal e qual como se fosse uma saloia (salvo o devido respeito) com as galinhas e os ovos castanhos lá da horta para vender...

Há quem explique que para além dessa "exposição" ao colapso do BES - que é comum aos três - o SLB teria mais um problema relacionado com a existência de um fundo de gestão (a quem pertencem direitos de alguns jogadores) e que era totalmente , ou em grande parte, propriedade do  ESAF Espírito Santo Fundos de Investimentos Mobiliários.

Para manter os jogadores no clube  é necessário que o próprio clube resgate os diversos "passes" quanto antes, encerrando o fundo. Ou então que venda os jogadores que por lá ainda se encontram... E partilhando o produto da venda com o investidor ESAF (80%?)

Estou a falar de uma coisa chamada "Benfica Stars Fund". E que deve ter dado um jeito do caraças quando se tratava de "antecipar" receitas... Mas agora...Pumba!

No meio disto tudo, bem diz o "outro":

- "Bem sei que estas coisas do pilim são assuntos do forno interno do Clube, mas não resisto a meter a colherada. Eu cá sou Jesus, mas há milagres que não consigo fazer! Queriam o Paris Chã Germã não? Eu é que não serei o bode respiratório disto tudo! Os jogadores não jogam a pinners carago!Para os jogadores se empulgarem tem de haver pilim! É antigo comómundo pôrra! Ou querem só contratar jogadores manetas por causa dos pénaltes na ganda área?!! Da-se! Tou-me a ir para Antenas não tarda nada! "

Bem dito!! Tás quase a chegar ao estilo do Eça de Queiroz!

terça-feira, agosto 05, 2014

A Ressaca do dia seguinte

Os filmes "The Hangover" ( A Ressaca) que começaram em 2009 e vão já na 3ª edição são uma paródia!

O primeiro relata a história de um grupo de amigos que reunem em Las Vegas para a festa de despedida de solteiro de um deles, mas quando acordam no dia seguinte a bebedeira foi de tal ordem que não só ninguém se lembra do que passou na noite anterior  como parece que perderam o noivo em parte incerta... Para compor a desgraça, no quarto , com eles, está um bébé que ninguém sabe quem é, e um tigre vivo dentro do roupeiro.

Mas não é desse tipo de "ressaca" que quero hoje falar, embora recomende vivamente que vejam estes filmes.

Falo da "ressaca" que se segue a um episódio marcante  - na sociedade ou na vida privada - como foi o de Domingo e Segunda feira, o filme de terror ao vivo que passámos em Portugal à volta do Banco Espírito Santo.

A "ressaca" no sentido de reacção ao acontecimento.  Há quem reaja rapidamente, e há o Banco de Portugal e a CMVM...

Leiam aqui sff um interessante artigo  sobre a auditoria externa ao BES e a forma como o Banco de Portugal reagiu (com a rapidez de um cágado): http://www.asjp.pt/2014/08/04/kpmg-avisou-banco-de-portugal-sobre-novo-buraco-no-bes/

O que se ficou a saber hoje sobre a solução encontrada para este caso de polícia, foi que os Bancos que irão arcar com a responsabilidade de recapitalizar o "Novo Banco" de nada sabiam sobre a decisão do BdP...

Os bancos não querem falar publicamente sobre a solução encontrada para o Banco Espírito Santo. Sabe-se que a opção de colocar o encargo da injecção no fundo de resolução, financiado pela banca, não agradou os banqueiros. Que o fizeram saber a Carlos Costa.

Questionados pelo Negócios, os bancos mantiveram-se em silêncio. Caixa Geral de Depósitos, Banco BPI e Banif fizeram saber que não irão fazer, por agora, comentários sobre o que aconteceu com o banco e a sua divisão em Novo Banco, com os depósitos e créditos bons, e em banco mau, com os activos tóxicos. O Banco Comercial Português remeteu para o Banco de Portugal quaisquer questões sobre o tema.

A procissão ainda não passou a porta da Igreja... Enquanto os detalhes sórdidos vão-se fazendo esperar, para gáudio de uma populaça ávida de distracção e de sangue nesta silly season, aqui deixo - com chapelada - o cartoon de Henrique Monteiro sobre o inevitável tema deste Agosto: o Novo banco!


segunda-feira, agosto 04, 2014

Uma Chatice

Estou em Seia, para o funeral da minha afilhada. Apesar de ser um daqueles casos em que pedimos que o desfecho seja tão rápido quanto for possível, a morte é sempre traumática, sobretudo em pessoa ainda tão nova.

O mistério da morte nunca deixa de impressionar, Porquê os filhos antes dos pais? Porquê os bons antes dos maus? Porquê tanto sofrimento para um desfecho adivinhado há meses atrás?

Devíamos nascer com um botão "liga\desliga".  Mas não nascemos. E é pena...

Desculpem lá, mas hoje não tenho muita vontade de brincar, como imaginam.

Amanhã será um novo dia.

sexta-feira, agosto 01, 2014

Para Descansar a Vista, evitando a mania das pressas

Não duvido que a corrida como desporto pode fazer bem à saúde dos especialistas , quer  física como mental.

Tenho até alguns amigos runners e maratonistas, com quem continuo a dar-me bem depois de me terem garantido que aquilo não era contagioso...

Tenho já muito mais dúvidas se essas ganas de andar sempre a 100 à hora  devem ser aplicadas à nossa filosofia de vida diária. O ansioso "galinha tonta", sempre a correr de um lado para o outro sem se saber bem o que está a fazer, consta do anedotário da maioria dos locais de trabalho e muitas vezes tem contrapartida real, em pessoas que todos conhecemos (salvaguardando algum exagero).

 Viver a vida assim depressa de mais até pode ser perigoso . O grande humorista Millör Fernandes contava que evitou a prisão no tempo da ditadura porque, dada a sua natural preguiça a deslocar-se, quando chegou ao carro policial que o transportaria para detrás das grades este estava já cheio com outros camaradas "mais rápidos" que tinham chegado antes...

E concluía dizendo que a calma nunca mandou ninguém para a choça. Enquanto que a falta dela...

Homenageando Milton Viola (Millör) Fernandes, que também foi poeta, aqui ficam umas pérolas da sua (calma) sabedoria:

Poeminha Compensatório

Amigas, venham todas
Tragam o sal, o sol, o som, a vida,
O riso, a onda.
Eu sou o Cavalheiro da Triste Figura
Mas tenho uma bela Távola Redonda

Saio sempre do cinema
Com o sentimento desagradável
De que, se não houvesse lido a
Crítica, teria sido formidável!


Poeminha sobre as Reacções Paradoxais numa Sociedade

Na conversa sofisticada
a debutante, nervosa,
tem um problema bem seu:
fingir que entende tudo
ou fingir que não entendeu...


Poeminha Tentando Justificar Minha Incultura

Ler na cama
É uma difícil operação
Me viro e reviro
E não encontro posição
Mas se, afinal,
Consigo um cómodo abandono,
Pego no sono.

Millôr Fernandes, in "Pif-Paf"

quinta-feira, julho 31, 2014

Uma tarde alentejana

Num destes dias demos por nós a caminho de Avis, no Alto Alentejo profundo, perto da Barragem do Maranhão e seu parque aquático.

Uma amiga tinha convidado para uma festa campestre. 

Dentro dos limites do pequeno Monte assava-se já desde as 8h um porco inteiro, com mais de 100kg,  nas brasas. Na enorme mesa de apoio viravam-se jaquinzinhos de escabeche, saladas de tomate da horta ali ao lado, de pepino, de alface  e de cebola, aromatizadas com o azeite local e com os imprescindíveis orégãos.

Um "Pata Negra" inteiro estava a corte. Chouriços de Portalegre assavam-se também eles na brasa. E queijos contei pelo menos 4: de Serpa, da Serra, de Azeitão e de Niza.

Pão era obviamente alentejano, ali perto de Avis.

Os líquidos eram de várias proveniências (até havia barril de cerveja com máquina de extracção) , mas dominava o campo de batalha uma garrafa de dezoito (18!) litros de tinto marca Dory , da nova aventura que a empresa de bacalhaus Riberalves dedicou ao vinho na zona de Torres Vedras.

E, já agora em confidência,  por lá se come do melhor bacalhau que vos pode passar pelo estreito!! Juntamente com uns vinhos muito aceitáveis, ou não fosse Anselmo Mendes o enólogo consultor!

Vejam aqui sff:

http://www.revistadevinhos.pt/artigos/show.aspx?seccao=enoturismo&artigo=11206&title=adega-mae-sala-de-provas-do-oeste&idioma=pt

O blogger levou 12 garrafitas de espumante Moscatel Galego da Casa de Sarmento, dentro de arcas cheias de gelo. E foram estas as primeiras a marchar, dado que a canícula no meio do campo alentejano estava de se pôr o chapéu mesmo à sombra (e não de o tirar de cima dos c***).

Sem desprimor para o grandessíssimo porco ali assado ao gosto dos convivas, para mim quem levou a taça para casa foram os carapauzinhos de escabeche (obviamente que com a marca do Sr. Costa do Beira Mar). E admiráveis para ajudar a enfrentar aqueles "calores".

Tigeladas de Alferrarede e Pães de Ló do Almodôvar (com amêndoa) fizeram a sobremesa.

E, lá mais para a tarde, dizem-me que  houve fados e guitarradas! Mas a esta função já o Blogger não compareceu, sempre preocupado com as suas obrigações...

Um grande abraço, de muita amizade, à Dª Lurdes e ao pessoal do Beira, que fizeram o favor de nos convidar para o seu convívio anual!

terça-feira, julho 29, 2014

As Alheiras nos Prazeres da Terra

Sendo boas, mesmo muito boas, as Alheiras de história secular fazem as delícias do solteiro (a) aflito com a falta de tempo para se dedicar às coisas da cozinha. Criadas para enganar inquisidores, tendo como matriz de origem as aves de capoeira, o coelho ou a caça, são hoje também elas vassalas de sua majestade D. Reco I , o  porco na denominação bísara para terem a qualidade certificada.

Muito melhor do que eu já Fátima Moura no seu livro "Sabores do Ar  e do Fogo" passou a certidão de nascimento narrativa completa desta iguaria bem portuguesa.

Mas adiante que não estamos em Amarante (embora seja lá por perto).

Com a batata cozida na casca, os grelos de nabo salteados e uns ovos estrelados, as alheiras  são até um daqueles pratos rústicos que nos põem a bem com o mundo e com a sociedade em geral.

O problema é encontrar alheiras de boa qualidade fora do feudo bragançano onde foram criadas e prosperam.

A procura é cada vez maior, e para satisfazer centenas de milhares de consumidores não há porco bísaro que seja suficiente, nem temperos caseiros que cheguem para todos.

Na falta de excursões mensais a Trás-os-Montes existe já uma alternativa em Lisboa, junto ao Largo da Rainha Dª Estefânia, princesa alemã casada com D. Pedro V, que morreu muito jovem, mas que nos deixou, entre outras obras de caridade, um grande avanço da sua fortuna pessoal para a construção do Hospital  infantil que leva o seu nome.

Nesse largo, junto a uma ourivesaria e à velhinha confeitaria Vitória, abriu há uns anos (poucos) a loja Prazeres da Terra. Leiam aqui sff:

http://www.prazeresdaterra.pt/

Sou cliente desde que abriu, e avio-me das alheiras (tradicionais ou de caça, fechadas a vácuo) das batatas , das hortaliças, das castanhas, dos vinhos e dos pasteis de Chaves e doces tradicionais.

Experimentem e depois digam qualquer coisinha. Até pão certificado por lá aparece, juntamente com os azeites extraordinários da região transmontana e com chocolates pretos de autora.

Um conselho para melhorarem o prato tradicional das alheiras: Partam as batatas grosseiramente depois de peladas (já se sabe que têm de ser cozidas com a pele) e deitem-lhes por cima 3 ou 4 ovos estrelados mal passados. Sirvam imediatamente com as alheiras a estalar e os grelos salteados em alho e azeite.

Bom apetite e afinfem-lhe com um tinto Vale de Pradinhos de 2011 !

segunda-feira, julho 28, 2014

Ir vivendo...

Amigos e conhecidos muitas vezes respondem à nossa delicada pergunta " Como vai isso?" com a resposta típica do lusitano meio quilhado com a vida: "Cá vamos vivendo, obrigado..."

O "ir vivendo" , numa tradução livre do pensar e do sentir de quem fala assim, deve significar mais ou menos isto:

- "Olhe, muito obrigado por ter perguntado. Falta dinheiro para gastar e trazer qualidade à minha vida. O miúdo precisa de óculos e de livros para a escola, a minha sogra queixa-se dos preços dos medicamentos e dos médicos, a patroa e eu já não vemos a cor de uma cadeira de cinema há mais de um ano. E tive de reduzir a TV Cabo ao mínimo possível."

"Ir vivendo" é mais "Ir sobrevivendo".  Significa ter de abdicar dos pequenos prazeres da vida para nos concentrarmos naquelas despesas que são obrigatórias e imprescindíveis. Significa que já não há espaço para o  supérfluo na nossa vida.

Talvez seja mal comparado, mas não posso deixar de pensar que  esta situação tem semelhanças com o que se passa com  a Arte, a Ciência  e a Cultura, que são quem mais sofre em alturas de aperto financeiro dos países. Tem de haver dinheiro para a assistência social, para as escolas, para o fundo de desemprego. As Artes podem esperar. A Ciência não é prioridade. A Cultura é um luxo dos países ricos.

Não sei se todos compreendem o enorme perigo de nos deixarmos embalar por esta filosofia mercantilista?

A primeira coisa que devemos fazer é combater o preconceito de que, pelo facto das necessidades serem tantas, não há espaço para a ciência, cultura e a arte. Isso é um equívoco monumental. A ciência, a cultura e a arte são elementos de convivência e estimulam as inovações. Não se trata de estabelecer prioridades. Há uma série de esferas da acção pública e da acção privada que precisam de ser enfrentadas ao mesmo tempo. E a ciência, a cultura e a arte estão entre elas.

Foi feita uma petição pública sobre esta matéria no início de 2014, cujo texto não pode estar mais actual. Leiam aqui sff:

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=manifestocontracrise

"A política cultural deve ser um vector decisivo na construção do modelo de desenvolvimento contemporâneo de uma nação. Arte, ciência  e cultura são essenciais aos sistemas de inovação de uma sociedade.  A sua força simbólica e dinâmica económica produzem  aprofundamento da cidadania, qualificação de ambientes sociais, sustentabilidade, respeito pela diversidade e redução de níveis de violência direta. É através dos valores culturais que cada pessoa  desenvolve o seu reconhecimento próprio e o seu lugar na sociedade."

Não fui eu que o disse. Está nos programas de desenvolvimento da ONU...

sexta-feira, julho 25, 2014

Para Descansar a Vista...sem olhos salgados...

Os antigos e modernos dietistas e cardeologistas sempre nos avisaram contra o abuso do sal... 
Sal a mais faz mal! Sal a mais mata.

Durante anos a população lusa viveu um bocado à revelia destas indicações.  E eu que o diga, porque sempre fui adepto da comida "picadinha ao sal".

Salgado é que era! Avia-lhe salgado porque de outra maneira nem o bacalhau sabe a nada!

Depois de tanto abuso parece finalmente que houve quem pusesse mão nisto, limitando definitivamente o nível de salgados na nossa economia ( digo, alimentação).

Também foram anos a mais a temperar de mão pesada!

Cá vai então poema para amenizar o Verão de caretas e apoiar a saúde nacional (com menos sal).

De José Jorge Letria um magnífico poema .  Mas com várias interpretações. Imaginem por exemplo o título mais adequado às circunstâncias: A Minha Saudade tem o Salgado Aprisionado...

A Minha Saudade Tem o Mar  Aprisionado

A minha saudade tem o mar aprisionado
na sua teia de datas e lugares.
É uma matéria vibrátil e nostálgica
que não consigo tocar sem receio,
porque queima os dedos,
porque fere os lábios,
porque dilacera os olhos.
E não me venham dizer que é inocente,
passiva e benigna porque não posso acreditar.
A minha saudade tem mulheres
agarradas ao pescoço dos que partem,
crianças a brincarem nos passeios,
amantes ocultando-se nas sebes,
soldados execrando guerras.
Pode ser uma casa ou uma rede
das que não prendem pássaros nem peixes,
das que têm malhas largas
para deixar passar o vento e a pressa
das ondas no corpo da areia.
Seria hipócrita se dissesse
que esta saudade não me vem à boca
com o sabor a fogo das coisas incumpridas.
Imagino-a distante e extinta, e contudo
cresce em mim como um distúrbio da paixão.

José Jorge Letria, in "A Metade Iluminada e Outros Poemas


quinta-feira, julho 24, 2014

Na CPLP: O coiso, o Obiang, ou lá o que é...

Teodoro  - que significa etimologicamente Dádiva Divina :):):):) - Obiang esfregava as mãos de contente quando saíu de Dili, embora um bocado maçado com as incomodidades e com a dieta local.

Dili não é Malabo, obviamente! Faltam as amenidades que mais preza o Sr. Presidente. Boas e grandes prisões (sobretudo Grandes), matadouros de "porcos compridos", alvos vivos para dar mais ânimo à correcção das miras das K47, o cheirinho permanente e apetitoso a petróleo, apenas disfarçado por alguns barbecues privados onde assam peças de carne suspeitas...

"Aquilo" foi descoberto por portugueses  e começou a ser colonizado também por tugas. Depois, lá para 1778, em virtude de uma disputa com nuestros hermanos sobre territórios de aquém e de além Atlântico (África e América do Sul) lá se fez a troca : Para Portugal a colónia de Sacramento no Uruguay e a Ilha de Santa Catarina no Brasil, Para Espanha um vasto território em África,  limitado pela foz do  Niger  e até ( incluindo) o actual Gabão.

No dito território  existem 3 línguas oficiais: ( espanhol,  a lingua francesa e, a partir de ontem, também a portuguesa).  Mas se alguém for para lá falar espanhol ninguém o percebe. Imaginem se for a falar francês ou português... O povão fala em dialectos mais ou menos tribais.

O desgraçado do povo vive há mais de 35 anos debaixo da opressão da família Obiang, onde Teodoro "Dádiva de Deus" se mantém Presidente e Chefe de Governo desde 1979. Têm um 1º Ministro, mas é para trabalhar e fazer o que lhe dizem.

A constituição de 1982 até reforçou os amplos poderes ao Presidente, incluindo a nomeação e destituição dos membros do gabinete, elaboração das leis por decreto, dissolver a Câmara dos Representantes, negociar e ratificar tratados e convocar eleições legislativas.

 O Sr. Presidente, coitado, um mouro de trabalho,  ainda é comandante-em-chefe das forças armadas e ministro da Defesa. Admite-se, por isso, que precise de se alimentar bem.

Leiam aqui algumas notícias sobre o Senhot Obiang (Dádiva Divina):
http://www.dinheirovivo.pt/economia/interior.aspx?content_id=3750110

Pois é isto que agora está na CPLP. O que diria Camões? 

Já o disse - e bem - na estância 99 do Canto IV:

"Já que nesta gostosa vaidade
Tanto enlevas a leve fantasia,
Já que à bruta crueza e feridade
Puseste nome esforço e valentia,
Já que prezas em tanta quantidades
O desprezo da vida, que devia
De ser sempre estimada, pois que já
Temeu tanto perdê-la quem a dá:

segunda-feira, julho 21, 2014

No Congresso de Geologia do Porto estará o Blogger

Vou a caminho não tarda. O vosso blogger ainda não "assentou" da viagem a Braga e já está de novo de mala aviada para a Invicta. Desta vez sozinho, porque o senhorio ou se fartou (o mais natural) ou então tem mesmo algum compromisso para amanhã em Lisboa. 

Vou lançar a Emissão comemorativa do Ano Internacional da Cristalografia (ONU). Um assunto que interessa a todos nós - apesar do título algo obscuro. Basta recordar que a engenharia de semi-condutores encontrados nos omnipresentes chips e a própria engenharia genética se apoiam nesta ciência.

Leiam aqui sff:

O IX Congresso Nacional de Geologia (IX CNG) é a mais importante reunião científica na área das Geociências em Portugal. Este é também o primeiro Congresso Nacional que irá acolher o 2º Congresso de Geologia dos Países de Língua Portuguesa (2º CoGePLiP). O IX CNG/2º CoGePLiP será organizado pelo Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento do Território da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto de18 a 24 de julho de 2014.

Os desafios, com que se depara atualmente a Geologia, fazem com que este evento seja subordinado ao tema "Desenvolvimento Sustentável da Terra: Novas Fronteiras".

Gosto sempre de reencontrar o Porto. Tenho memórias antigas da cidade e dos muitos amigos que por lá encontrei, normalmente à mesa dos restaurantes emblemáticas do velho burgo: o Escondidinho, o Portucale (do saudoso Sr. Azevedo), o Chanquinhas (em Matosinhos) e o D. Manuel (este já não existe). Para não falar dos mais populares Abadia, Nanda ou Casa do Victor (de Leça e igualmente defunto, pelo menos com a gerência que lhe fez a fama).

Fico a dormir no Porto hoje porque as costas assim o obrigam, motivo pelo qual só voltarei aqui ao Blog na Quarta Feira. 

Boas Férias ou bom trabalho! 

sábado, julho 19, 2014

De Júlia em Júlia, com estrelas no olhar

Tudo deve ter começado lá para 600A.C., quando os primeiros membros da ilustre família patrícia (Gens Julia) vieram para Roma depois da destruição de Albalonga.

Mais tarde nasceu o velho Júlio César (muito dado ao convívio, dentro e fora de casa) e ainda mais tarde - lá para 16 A.C. - o seu filho adoptivo deu nome a Braga. Este era um bocado mais morcão do que o primeiro César, mas - como todos os cínicos de todos os tempos - viveu e reinou que se fartou.

Na Falperra de Braga há o grande restaurante "Dona Julia". E na Trofa ( a meia hora de bom caminho) há o restaurante "Julinha". Também ele grandioso.

As senhoras mentoras destas casas de bem comer eram ( são) Júlias. Uma ainda trabalha na cozinha do Dona Julia. A outra ensinou o que hoje se faz na outra casa, Julinha da Trofa. O filho (Sr. Fernando, no Julinha ) e irmão (Sr. Manuel no Dona Júlia) têm um legado nas mãos tão importante (mutatis mutandis) como os da já referida Gens Julia, à qual se calhar ainda estão ligados :):):)

Ambos estes restaurantes  têm uma apresentação e recepção de clientes exemplares. Ambos possuem - no mais alto grau - o culto pela qualidade da matéria prima que pôem nas mesas. Ambos acarinham, mimam e desfazem-se em cuidados face ao transeunte ali entrado.

A cozinha minhota (melhor dito, bracarense) é interpretada da melhor forma nas duas casas. Os vinhos do Douro e Verdes têm papel preponderante nas cartas, a preços muito razoáveis.

As contas - para lisboeta - são extremamente doces. Duas alimárias comendo e bebendo do bom e do melhor (Douros grandes reservas de 2011, espumantes de verde, maltes, etc...) não chegaram a pagar mais do que 50 euros cada um. Em Lisboa? Para serviço,  qualidade e variedade semelhantes? Ponham lá sff 80 euros por cabeça.

O que separa estas duas instituições? Engraçado que encontro mais pontos comuns do que distinções, para além das óbvias como a localização e a facilidade em  dar com estes tesouros nacionais... E as esplanadas! Onde a da Dona Julia se destaca por permitir uma vista soberba sobre Braga.

Talvez no capítulo dos peixes frescos do nosso mar haja alguma vantagem na esplendorosa montra frigorificada do Dona Júlia. Mas essa vantagem é contrariada pelo transcendente bacalhau das Ilhas Faröe que se pode comer no Julinha.



A Costela de vitela mendinha (arouquesa ou maronesa) desfaz-se na boca e é um petisco de mandar rezar uma missa (ou duas) na vetusta Sé de mais de 900 anos! E existe na Dona Júlia e na Julinha!

Tanto num como no outro, a filosofia de trabalho é sempre virada para a satisfação do cliente.

De notar ainda que, para além do cultivo das tradições das suas terras,  estas mansões do prazer mastigatório  têm também toques de modernismo: No Dona Julia uma sala dedicada ao Sushi, com sushiman formado na arte. Na Julinha, vale a imaginação criativa do Chef, sempre à volta com as melhores maneiras de apresentar pratos simples (por exemplo, um pimento vermelho recheado de farinheira e gratinado, soberbo).

E ainda por cima, nestes tempos militaristas em que nos encontramos, pode-se fumar nos dois restaurantes, em salas próprias para tal.

O Paraíso em duas versões? Ainda por cima "quase ao lado" uma da outra?

Não serei eu que contrarie esta afirmação. Uma coisa é certa: na altura de planear uma visita ao antigo domínio dos Senhores Acebispos Primazes das Espanhas, torna-se obrigatório prever dois almoços. Um em cada uma destas casas. E não digo almoço e jantar porque tal só seria humanamente possível se os convivas fossem ainda relacionados com o gigante Gargântua e seu filho Pantagruel.


  1. Julinha Restaurante
  2. Endereço: Rua Doutor Avelino Moreira Padrão 1771,  TROFA
    Telemóvel:252 419 763

Restaurante Dona Julia 
Morada: Via da Falperra (EN 309)
Código Postal: 4710 670 NAVARRA
Tel: 253270826

quarta-feira, julho 16, 2014

Em Braga com dois Arcebispos!

Parte o blogger para Braga, apresentando amanhã, pelas 21.30h, no Museu Pio XII, a série de selos comemorativa de D. Frei Bartolomeu dos Mártires, Beato e grande arcebispo primaz.

Faremos um Carimbo especial "Braga" para este efeito.

Dom Jorge Ortiga, o actual Arcebispo Primaz, gostou da ideia e estará presente nesta ocasião. Que maravilha para nós podermos contar com ele!

Estão todos convidados, está claro!

Para lá iremos de manhã cedo eu e o meu senhorio, actualmente transvertido de "motorista" do inválido!

Cedo porquê? Bem, primeiro que tudo há que chegar a tempo e horas ao local do repasto almoçal. E depois, porque o blogger ainda tem de parar pelo caminho, com as dores nas costas.

Para já está previsto que o Almoço será no Dona Júlia do Sameiro. E o resto logo se verá. Mas há a suspeição que não será necessário jantar...

Uma coisa é certa: pastéis de bacalhau do "Cantinho" serão encomendados para "aviar" no Sábado!

As duas santas senhoras (irmãs catatuas) estorilistas esperam ansiosamente pela entrega, não perdoando atrasos nem esquecimentos aos "carteiros" de serviço.

No regresso ao Estoril, na sexta feira, podemos passar antes pelos "Castelhanos" ou pela "Julinha" da Trofa.

Logo se vê, porque a maravilha destas ocupações no meio das férias é que não há pressa. Nem para ir, nem para vir.

Novas desta excursão serão dadas no Sábado.

Entretanto não se esqueçam de tomar banho sff! (de mar, está claro!)

terça-feira, julho 15, 2014

As Sardinhas

Têm vindo a fazer-me fosquinhas literárias com as sardinhas. Literárias porque publicadas  nas redes sociais, está claro!

Que já estão boas. Agora é que é bom comê-las! Olhem que não deixem para mais tarde, etc, etc...

Enquanto esperamos a habitual convocatória para Abrantes  ( tenho pingas de qualidade para levar e acompanhar!) vamos hoje aproveitar  a Terça Feira para sardinhar.

Provavelmente em Setúbal ou Sesimbra, fazendo o percurso  pelas 12,30h para evitar as filas da Costa.

Segundo o Correio da Manhã (não confundir com "manha") a sardinha está cara este ano:

A preço de ouro. Foi assim que a sardinha foi vendida em algumas lotas do País. Em Matosinhos, o local onde atingiu valores mais altos, a sardinha chegou aos 17 €/kg, preço 20 vezes mais alto do que o normal.

O Sr. Joaquim Piló (do sindicato dos pescadores) explica:

 Nestes dias  há muita procura, mas não tem havido grande quantidade de sardinha. A falta de peixe resulta da seca, que reduz o fornecimento de alimento, e também das restrições impostas pela União Europeia.  E depois  há um limite de pesca .
 O ano passado foi possível pescar 55 mil toneladas de sardinha. Este ano o máximo são 36 mil toneladas. - Estes preços acima dos dez euros  ocorrem três ou quatro vezes por ano, na altura dos Santos Populares. Depois baixa o preço - 60 cêntimos por quilo é o preço médio anual.

Parece que escolhi mal o dia para ir sardinhar... Não tenho é dado pela tal "seca" invocada pelo Sr. Piló... Seca? Só se for de futebol. Choveu até 24 de Junho!!

Para terminar uma receita minhota. As "Costeletas de Sardinha" , aqui de acordo com a receita de D. Antonieta:

  • 12 sardinhas médias
  • 100 g de pão ralado
  • 2 ovos inteiros
  • sumo de 1 limão
  • pimenta q.b.
  • sal q.b.

Começa-se por tirar a cabeça às sardinhas, que se abrem a meio pela parte da barriga.
Depois, com muito jeitinho para não moer o peixe, extrai-se a espinha.
Coloca-se a dúzia numa travessa e tempera-se com sal, pimenta e limão, deixando repousar durante uma hora para apuro do tempero.
Passa-se o peixe, em seguida, por ovo batido e pão ralado e leva-se a fritar.
Sirva com feijão frade e molho verde.

 

Bom Proveito!

segunda-feira, julho 14, 2014

Acabou a Feira, começam as Férias

Fim de festa. Ganhou quem se esperava.  Glória aos Vencedores e Honra aos vencidos.

Torci pela Argentina na final de ontem. Gosto sempre de apoiar os underdogs... É um traço de personalidade que mantenho.

A equipa alemã foi melhor? Sim.  E mereceu levar o caneco para Berlim.

Mas para mim o futebol é também feitiço e improviso, drible de pernas tortas (Mané Garrincha) e golos metidos  a meias entre homens e Deus (Maradona).. Trocar esta imprevisibilidade magnífica pela máquina bem oleada  e preparada que é a equipa alemã,  não sei porquê parece-me que deixa o futebol um pouco mais pobre e menos mágico.

Todavia, quando chegamos aos "finalmentes" e questionamos se, para o dia-a-dia e protecção de filhos e netos, confiamos mais numa obra de arte  da estética transalpina ou num veículo  meio morcão de aspecto, mas montado  na Alemanha e com engenharia alemã, para onde nos voltamos? Havendo dinheiro, está claro..

As coisas práticas da vida são importantes , mas deve haver lugar para o sonho. E sonhar é imaginar  alto e largo, a cores e com estereofonia.

Como comecei hoje uma semanita de férias posso dar-me ao luxo de divagar e escrever umas possidonices.

Entre as idas ao mercado de Cascais ( que está soberbo! Cheio de Lojas e recantos gastronómicos) e a preparação calma dos nossos almoços em casa ocuparei o tempo.

De tarde? Ler.  Ler muito como se a vista fosse ( e , como tudo o resto, é) um bem perecível que convém aproveitar ao máximo..

E vamos aqui falando. Até amanhã!



sexta-feira, julho 11, 2014

Para Descansar a Vista ...

De Jorge de Sena um soneto que nos leva a pensar no que ainda estará escondido por detrás das três letras mágicas que estão agora na moda pelas piores razões - BES.

Até há já quem as traduza como:  Bactéria Em Saldo! Bazem!!

Mentir? Todos mentimos, até o Governo (ou sobretudo o Governo?) . Vejam o que o velho cowboy pensava do assunto ali em cima.

Mas brincar às casinhas com o dinheiro dos pobres parece demasiado abuso para ficar impune.

Esperem lá! Estamos em Portugal!  Tinha-me esquecido por momentos.

Volta Salgado que estás PERDOADO.

E Jorge de Sena viveu nos USA... Pátria do Madoff, Lembram-se dele?

Então aqui vai:

Génesis
De mim não falo mais: não quero nada.
De Deus não falo: não tem outro abrigo.
Não falarei também do mundo antigo,
pois nasce e morre em cada madrugada.

Nem de existir, que é a vida atraiçoada,
para sentir o tempo andar comigo;
nem de viver, que é liberdade errada,
e foge todo o Amor quando o persigo.

Por mais justiça ... Ai quantos que eram novos
em vão a esperaram porque nunca a viram!
E a eternidade... Ó transfusão dos povos!

Não há verdade: O mundo não a esconde.
Tudo se vê: só se não sabe aonde.
Mortais ou imortais, todos mentiram.

Jorge de Sena