quinta-feira, agosto 15, 2013

Cá em baixo outra vez

Sarilhos e obrigações levaram-nos a sair mais rapidamente da serra.

Não faz mal. Já me habituei a ter de lidar com estas pequenas contrariedades e a esperar sempre pelo melhor dentro do mauzinho... E todos os portugueses acho que também se habituaram a estas exéquias do "antes assim que pior", do "ótimo é inimigo do bom" e de outras considerações miserabilistas e de grande mediocridade.


Uma das que mais me impressionou tem conotações futebolísticas e ouvi dizê-la lá em cima: "Mais vale ter estado em 3 finais e perdido todas do que não ter estado em nenhuma!"

Mas que raio de forma de justificar e desculpar a estranhíssima carreira do meu Benfica na última época! Mais vale ter perdido as finais??  Olha que pôrra!! O que valeria era ter ganho pelo menos duas (a Taça e o Campeonato)!!

Por enquanto ficarei aqui em casa  e vou alimentando este Blogue com base no que vir e ouvir.

E pôr em dias as séries gravadas na Box, que darão para mais de 48h seguidas!


terça-feira, agosto 13, 2013

Crónicas da Serra 4




Refrescou esta noite o que foi agradável. Aqui para cima custa aguentar os trinta e muitos sem o refrigério da água salgada. Não se pode ter tudo.

Ontem dei por mim a acompanhar os ruídos desta ruralidade, porventura sempre os mesmos há centenas de anos por estas serranias.
Durante as horas mais quentes do dia não se ouve nada. Depois, pela tardinha começam a chegar os pássaros aos ninhos. São dezenas e dezenas em alegre chilreada, brigando uns com os outros. O pastor João tem as ovelhas mesmo à nossa frente, passam a noite aqui mesmo, o que dá para ouvir bem os chocalhos quando começam a pastar, mas já depois de ter caído a noite. Pastam à fresca porque são ovelhas mas não são parvas!
Os badalos terminam pelas 21h. A partir daí começa a reinar a cigarra e sobretudo os grilos que não se calam a noite toda.
Ainda eu às vezes me queixo do carro solitário que por lá passa na minha rua do Estoril velho, ou dos vizinhos a falar mais alto, entusiasmados com o bridge no jardim em frente…

Temos dado valentemente nas garrafitas de verde que trouxe de Guimarães. Bem fresco é o melhor aperitivo para os finais de tarde. Comer é que não tem apetecido muito. É o calor.
Os nossos primos apareceram ontem carregados de amoras do jardim. Foi essa a minha ceia: amoras frescas com chantilly gelado, fazendo boa companhia a uma garrafa de espadeiro. O resto da malta como de costume deu algum estrago nos queijos e enchidos, com o bom pão de centeio do Sabugueiro
Hoje asso para o almoço lombo de porco preto. Parte do avio que ainda me coube das aventuras por Ourique. Com salada da nossa horta e batatas fritas, porque o tamanho do lombo não consente meter batatas no mesmo tabuleiro.
Teremos de beber tinto, mas vou ter de refrescar as garrafitas. Há um Dão da antiga Adega de S. Paio, com cerca de 5 anos, que nos ofereceram em caixa e que carece de ser provado. Será logo ao almoço.

segunda-feira, agosto 12, 2013

Crónicas da Serra 3



Acho que nunca fumei. Pelo menos na acepção  tradicional do termo, em que entrava o chamado vício dos 30 ou 40 cigarros por dia, ou até mais.
Pelos 18 depenicava uma cigarrilha socialmente e para não parecer estranho junto dos colegas. Lá para os 21, já assistente universitário, entreguei-me à arte do cachimbo como forma de me dar um pouco mais ao respeito junto dos alunos (eram dos cursos noturnos e tinham o dobro da minha idade). Mas nem isso nem a barba que na mesma altura e pelos mesmos motivos deixei crescer me valeram muito…
Era bom pedagogo e sabia do assunto e foi isso que me safou. Tal como hoje em dia não existia substituição para o trabalho árduo. Cosmética e banho de boutique são bons para a televisão e para mostrar às massas ignaras.
Depois disso  uma certa afluência provinda dos anos de ouro da entrada na CEE permitiu-me conhecer o admirável universo dos “puros”. Tenho alguns ainda guardados para as grandes ocasiões (Hoyo de Monterrey e Partagas), mas a situação não permite renovação  como antigamente.
Tudo isto para dizer que aqui na serra retomei  a bolsa dos meus cachimbos e estou agora a ensinar o “senhorio”  a embalar os meninos na palma da mão.
Trouxe quatro da minha antiga coleção. Dois Peterson em pescoço de cisne, e dois direitos: um Dunhill que já me custou os olhos da cara e um Butz-Choquin mais curto e mais barato que é o que estou a usar para o desmame da criatura.
Ontem ao final da tarde, quando o sol abrasador deu lugar a uma bisa agradável, lá nos encontrariam aos dois no terraço, copo de Jameson’s com muito gelo e água numa mão e filosoficamente cachimbando.
E que bem que soube! Mas hoje à tarde há mais do mesmo!
Deixo agora estas reminiscências que hoje há que preparar o Tamboril em caldeirada à minha moda:
“Uma puxadinha leve de bom azeite, cebola às rodelas (pelo menos 3) alho, 2 pimentos aos pedacinhos, 2 bons tomates (apenas o suco , espremendo-o grosseiramente com as mãos), duas malaguetas também aos pedaços. Mão cheia de sal. Um copo de branco depois de estar a cebola loura, para refrescar.
A cabeça e os ossos do tamboril entram logo na puxada. Depois vamos colocando às camadas e alternadamente  a batata cortada às rodelas grossas e os lombos.
Ao fim de uma horita ao lume médio está pronto para ir para a mesa”
Vai ser acompanhado com um Branco de 2010 do Centro de Estudos Vitivinícolas de Nelas.

domingo, agosto 11, 2013

Crónicas da Serra 2



Ontem à noite ninguém queria deixar a frescura do alpendre.

Já passava da meia-noite quando nos fomos deitar. Noite quente de Agosto e céu limpo proporcionariam a esperada visão da "chuva de estrelas". Parece que a nossa Terra estará a passar pela cauda de um cometa e daí o fogo de artifício celestial...

Mas nada vimos... E nem se poderia dizer que fora Baco o causador da cegueira temporária, pois estes calores não pedem grande consumo. Nem de álcoois nem de vitualhas.

Pusemos a mesa com a costumeira roda de queijos e de enchidos, tendo juntado aos Serra da Estrela o Rabaçal que meu mestre Quitério me ofereceu, queijo da sua zona de Cantanhede e que na sua acidez específica nos fez também muito boa companhia.

Para beber um vinho verde da casta Espadeiro, ligeiramente rosado (nunca confundir com o Rosé) da cor especial daqauela casta de uvas tão peculiar. E que tem apenas 10,5 graus, cumprindo na íntegra a sua obrigação de satisfazer a sede e o palato sem causar danos.

Após a selecção, as melhores uvas da casta Espadeiro sofrem uma vinificação tradicional em “Bica Aberta”. A fermentação, com rigoroso controlo de temperatura, é realizada após uma suave prensagem e decantação

Já com o pescoço dorido de tanto olhar para o céu, e maldizendo a má-vontade do firmamento, fomo-nos entretendo com "estórias" aqui da terra. Quem morreu, quem casou, quem saíu, e coisas dessas.

Foi só no quarto que me dei conta que quase não se falou de política...

Será mau sinal ou bom sinal?

Para analisar em próximas ocasiões, mas para mim é sintoma de que o povo está a fartar-se de escândalos e de confusões.

Boas notícias dos velhos: pagam menos pelos medicamentos. E más notícias de todos (incluindo os velhos): estão a pagar o dobro de IMI que no ano passado...

Afinal sempre se falou da p**** da política. 


sábado, agosto 10, 2013

Crónicas da Serra 1

Aqui estou de novo na "mais alta". Calor em barda e solzinho bem forte na testa da malta. A tradicional feijoca com pé de porco esperava por nós ao almoço e embora seja um prato de Inverno, que bem que nos soube!

Saudades dos sabores cá de cima, e alguma "larica" para quem se levantou ainda não eram seis da matina fizeram o milagre. Não há dúvida que a fome (passe o exagero)  é o melhor tempero que pode existir!

Trouxe uma garoupa de 3 kg e tal, um tamboril idem, idem, sargos de palmo e meio, vários lombos de porco preto e de bacalhau inglês. Aqui na Beira Alta temos o borrego dos pastores, as batatas novas, as vagens (feijão verde) e as saladas da nossa horta.

Haja criatividade para tanta matéria prima! E como o peixe não viu congelação alguma temos de o despachar primeiro. Amanhã , Domingo, deixamos a tradição do assado de lado e avançamos para a garoupa cozida com todos os acompanhamentos.

E depois se verá, ao sabor da vontade do mestre cuca... 

Faço um parêntesis para saudar Urbano Tavares Rodrigues, grande escritor , homem sábio e de uma doçura que nos conquistava a todos, grande democrata e resistente ao fascismo, mas sobretudo um Homem de Paz e de Concórdia, um Campeão da Tolerância que escolhia os seus amigos sem se preocupar se estes prestavam vassalagem aos deuses da esquerda ou da direita, a Jesus Cristo ou a Maomé, simplesmente porque eram seus amigos...

Boa Viagem Senhor Urbano! E muito obrigado por ter compartilhado connosco este vale de lágrimas.

sexta-feira, agosto 09, 2013

Para Descansar a Vista

Em louvor da beleza da montanha, que já lá está à minha espera,  aqui vai meu mestre Miguel Torga:

À Beleza

Não tens corpo, nem pátria, nem família,
Não te curvas ao jugo dos tiranos.
Não tens preço na terra dos humanos,
Nem o tempo te rói.
És a essência dos anos,
O que vem e o que foi.

És a carne dos deuses,
O sorriso das pedras,
E a candura do instinto.
És aquele alimento
De quem, farto de pão, anda faminto.

És a graça da vida em toda a parte,
Ou em arte,
Ou em simples verdade.
És o cravo vermelho,
Ou a moça no espelho,
Que depois de te ver se persuade.

És um verso perfeito
Que traz consigo a força do que diz.
És o jeito
Que tem, antes de mestre, o aprendiz.

És a beleza, enfim. És o teu nome.
Um milagre, uma luz, uma harmonia,
Uma linha sem traço...
Mas sem corpo, sem pátria e sem família,
Tudo repousa em paz no teu regaço.

Miguel Torga, in 'Odes'


 
 


 

quinta-feira, agosto 08, 2013

Começo das Férias

Hoje é o último dia em que trabalho - antes de férias!! - motivo que me leva a fazer um Post vocacionado para o lazer.

 Lazer, e não laser (Light Amplification by Stimulated Emission of Radiation). Lazer no sentido de "Tempo Livre" ou de "Atividade que se pratica no tempo livre".

Não é que eu particularmente tenha muito tempo livre nas férias. São dias e noites em que me dedico à cozinha e , nos intervalos, como (de "comer" mesmo no prato) , durmo , bebo e leio. Não necessariamente por essa ordem. Vou para a Beira Alta no Sábado , mas na Sexta feira próxima faço o "avio" aqui em baixo do peixe.

Gostava de conseguir ler algumas novidades que por aí apareceram ultimamente e que fui tentado a comprar: o livro do Zé Gomes Ferreira (O Meu Programa de Governo); o do meu mestre Herberto Helder (Servidões); e ainda levo na mala os dois últimos calhamaços da "Song of Ice and Fire - Dance with Dragons", os quais tenho lido "à moderna", como o velho Dr. Mário Soares lia os relatórios (eram tempos de outra loiça mais fina), ou seja, enviesado e em corridinho.

Esta passagem do "corridinho" ao "cante alentejano", da sofreguidão à marcha lenta, deveria ser a grande conquista das férias. Infelizmente, quando estamos quase a alcançar essa transição acabam-se as férias e lá volta outra vez a loucura do croquete e do café tragados à pressa depois do engasganço com a migalha da franciscana sandes mista do almoço.

 Pode ser que a reforma seja o tempo e o espaço ideal para treinar a pausada lentidão que tão necessária é à vida, recordando que até para andar "na galga" do momento presente é preciso alguma calma. Calma que estou com pressa!

Mas hoje - e por diversos motivos conhecidos de todos - não me apetece falar nem de reforma nem de reformas.

Planeio manter este Blog e as habituais "Crónicas da Serra" lá por cima, e antes de me ir publicarei ainda o poema da praxe da sexta feira. Se nalgum dia falhar esta "prosa" os leitores que não liguem muito, devo estar a aperfeiçoar a tal ciência da marcha lenta...

Boas Férias!

quarta-feira, agosto 07, 2013

Como se estragam as combinações

Não falo de combinações no sentido arcaico do tema, uma espécie de camisa de noite fina que as mulheres punham (lá para os anos 50 do século passado) por cima do soutien e das cuecas para acomodar a roupa de fora. Falo sim das conversas que as pessoas têm umas com as outras para "combinar" almoços, reuniões, saídas à noite, tardes de compras , etc, etc...

O grande (para mim o maior) obstáculo à concretização das tais combinações é o facto da maior parte da malta já não escrever nada em papel, preferindo utilizar as aplicações dos smartphones para tal fim.

Para que tudo funcione não só é necessário dominar a tal aplicação, não se esquecendo de carregar em nenhum "done" depois de escrever o recado, como também se torna necessário que o aparelho esteja programado numa forma de alertar o "dono" que seja audível, visível e (sobretudo isso) antecipada...

Caso isso não aconteça lá se vai a "combinação".

Já me aconteceu - exatamente por ter confiado cegamente na tecnologia portátil - esquecer ("passar-se-me" é um termo interessante) de algumas datas importantes, como dias de anos de alguma querida companheira, ou até de comparecer em determinadas reuniões. Nem tanto as do trabalho, que para essas continuo a manter a velha e sensata agenda de papel em cima da secretária, mas as outras da minha vida particular, as quais muitas vezes me esqueço de passar para a agenda de papel porque não a tenho ao pé de mim quando as marco.

Por estranho que pareça é raríssimo esquecer-me de almoços (ou jantares) que estão marcados.
Por um lado cada vez mais escolho as pessoas com que tenho de almoçar (sempre foi um óleo de fígado de bacalhau almoçar por obrigação, com quem não nos interessa nada) e , por outro lado, porque são as horas que passamos à mesa - seja ela rica ou pobre - das melhores que podemos levar desta vida se - e isso é muito importante - "lá no assento etéreo onde subimos memória desta vida se consente", o que não é certo como bem sabia o nosso Poeta.

É claro que muito boa gente anda com uma pequena e discreta agenda de bolso no casaco, exatamente para esse efeito. O nosso sempre lembrado Dr. Pilar até andava com duas... Uma para os CTT e outra para a vida privada.

A mim não me dá jeito a agenda de bolso. Por um lado praticamente não cabe nos bolsos da frente dos meus casacos devido ao volume dos "peitorais" (para não lhe chamar outra coisa) que têm de acomodar. E, por outro lado, porque quando tentei andava sempre a esquecer-me do livrinho em todo o lado onde o pousava.

A resposta lógica parece ser a de só fazer estas "combinações" misturadas com almoços ou jantares, o que me levaria a estar sempre atento às mesmas. Só que - lá está o problema - nem sempre os interlocutores em causa (e que não me estão aqui a ler) sobem acima da qualificação do óleo de fígado de bacalhau...

Não há almoços grátis. Mas é pena (acrescento eu).

terça-feira, agosto 06, 2013

Pais Jorge, "El Amnesico"

A falta de memória é doença, ou então avanço da PDI. Existem medicamentos que ajudam, e são amplamente noticiados nas TV's por alturas dos exames da malta nova. O Memofante, o Cerebrum, etc...

Mas o que parece ter afetado o Sr. Secretário de Estado Dr. Pais Jorge é a conhecida aflição da "memória seletiva".

Eu tenho muito isso. Só me lembro das coisas boas que me aconteceram e enterro debaixo de uma manta da serra da estrela (bem abafadas) as coisas menos boas. Muitos maridos e amantes têm o mesmo problema ( e esposas, para quê descriminar?). Esquecem-se com rapidez incrível do que fizeram e onde estiveram em determinadas noites mais tardias. Não é que mintam descaradamente, mas perante a situação caricata e ridícula de dizerem às legítimas que "não se lembram do que fizeram e de onde estiveram" lá vem a mentirazinha do jantar com os amigos que acabou nos copitos...

O Sr. Dr. Pais Jorge ao princípio não se lembrava se tinha lá estado - nessas reuniões - , depois esqueceu-se de que se tinha esquecido e hoje de manhã (Terça Feira) já as brumas , os nevoeiros do esquecimento lhe terão passado e  - oh Milagre! - lembrou-se do que acontecera!

Mas o que ficará na cabeça dos seus interlocutores - ou seja, nós, o povão - é o seguinte:

 O "gajo" lembra-se de quê? Que esteve na Reunião calado ou de que falou na mesma reunião? Lembra-se do que se passou realmente, ou  apenas do que lhe interessa dizer? E , tendo falado, lembra-se de ter dito o quê? Bom dia e muito obrigado por nos terem recebido, ou um pouco mais para além disso?

Ou seja, ele agora até pode falar tão bem e de forma tão verdadeira como Santo António, Doutor da Igreja e Pregador Emérito...Só que mais ninguém aqui no País vai acreditar numa vírgula do que ele disser.

O que, convenhamos, é um bocado chato para quem lida com os nossos dinheiros.

Secretário de Estado do Tesouro, lembram-se?

Ainda se fosse da Propaganda...

domingo, agosto 04, 2013

Na peixaria é que se ganham as eleições?

Segundo dizem os entendidos estamos atualmente a ser governados pelo Sr. Dr. Paulo Portas.
Tanto o Sr. Dr. Passos Coelho como o Sr. Doutor PR estão a banhos no Algarve, como convém para não pensarem os indígenas que a malta dirigente os abandona, viajando para fora do país enquanto eles têm que amargar.

O que me preocupa mesmo - repito - é ficarmos debaixo de dois protetorados, o da Troika, que é como o destino antigo, o Fado do Camões, e agora ainda por cima (salvo seja!) o do Paulinho (ex das feiras), e este último parece bem mais perigoso.

Recomendo a quem ainda possa esgrimir alguns euritos que desapareça do retângulo neste ínterim.

Os outros, onde me incluo, iremos para a província alambazar o que para lá ainda houver de comes e bebes, com o desejo sincero que haja bastante futebol na TV  para não sermos poluídos com a presença do Paulinho nos MCS. E quando esta for inevitável, convém que haja álcool do bom à mão de semear, para diluir as consequências do dislate. Dei já instruções para se fazer o contrato da Benfica TV na Beira Alta. Por muito que me custe, antes o Jesus do que o Portas!

Vi e ouvi - antes fosse mentira - irem à peixeira os dois PM's. O da Grã- Bretanha e o nosso.
Não sei o que compraram nem o teor das conversas.

Mas não sei porquê veio-me logo à memória aquela história antiga que aqui adapto; imaginem  o nosso PM a cheirar os jaquinzinhos, antecipando frescura menos conveniente , com a peixeira a ripostar:
-"A cheirar-lhes o cú meu filho? O carapau cagou-se foi?"

Cameron ainda é homem para ir direito a algum Robalo, ou Pescada da Fuzeta, sendo de esperar que a patroa saiba o que fazer com eles. Se não souber pode sempre convidar lá para casa o José Avillez,

Falando nisso, espero que esse também saiba o que deve fazer com esses peixes...

Esta malta da cozinha criativa é mais de "espumas" e de "reduções", não sendo ponto determinado e assente que saibam assar um Pargo legítimo no forno com todos os acompanhamentos, incluindo o arrozinho de grelos a escorrer da minha velha amiga Margarida. Que saudades da Casa do Victor, onde apesar de benfiquista e estorilista no antro do dragão sempre fui tratado como um príncipe em viagem!

Resta-nos esperar para ver o local onde o Tó Zé irá de vacances. Dizem as comadres que será sempre  e também em Portugal, para os lados da Costa Vicentina. Aprovo-lhe o gosto.

Gosto bem de Sagres. Mar batido, água para malta que prefere tomar banho em casa, incomparáveis Sargos, Robalos, Pargos, Rodovalhos  e os melhores  Percebes do mundo. Para os entendidos as anchovas grandes, os carapaus manteiga, as sardinhas prata, as fanecas, o polvo e o choco!

Caso não tenham coragem para afrontar a dragoa da DªLilita (Vila do Bispo),  vão ao Carlos. Peçam para ver a famosa mesa de pedra da cozinha e depois escolham como querem o pescado..

Restaurante Carlos

Av. Comandante Matoso, Sagres
282624228

sexta-feira, agosto 02, 2013

Para Descansar a Vista

Nesta primeira Sexta Feira de Agosto deviam celebrar-se as Férias. Digo "deviam" porque do modo como as coisas estão poucos serão os tugas que têm as malas aviadas.

A não ser que sejam como eu, que tenho lá em cima para a Serra um poiso para recarregar as baterias a preços módicos (pelo custo de "bons dias" e "muito obrigado", fora algumas vitualhas que se levam para entreter à mesa). Mas dessas "Crónicas da Serra" falarei mais tarde, lá para o dia 11.

Siga então - e não obstante ser este também o mês do temível IRS - poema de louvor ao descanso, ao santo ripanço.
Click Layout To Preview!
Do grande Fernando Pessoa aqui deixo esta jóia:

Aqui Onde se Espera         

Aqui onde se espera
- Sossego, só sossego -
Isso que outrora era,

Aqui onde, dormindo,
-Sossego, só sossego-
Se sente a noite vindo,

E nada importaria
-Sossego, só sossego-
Que fosse antes o dia,

Aqui, aqui estarei
-Sossego, só sossego -
Como no exílio um rei,

Gozando da ventura
- Sossego, só sossego -
De não ter a amargura

De reinar, mas guardando
- Sossego, só sossego -
O nome venerando...

Que mais quer quem descansa
- Sossego, só sossego -
Da dor e da esperança,

Que ter a negação
- Sossego, só sossego -
De todo o coração ?

Fernando Pessoa, in 'Cancioneiro'


 
 

     

quinta-feira, agosto 01, 2013

O casaco no Verão, com ou sem gravata

Na divisão ideológica entre a "alcatifa" e o "cimento", entre os "suits" e os "overalls", nada distinguia tanto as massas trabalhadoras dos "opressores" dos escritórios como o fatinho, a farpela, a indumentária de trabalho. Isto lá para os anos do capitalismo selvagem , 1950 (ou agora??!!).

Depois as coisas começaram a mudar. Hoje (e ontem com mais propriedade, antes do fisco armar ao pingarelho) ainda há mecânicos biscateiros que ganham mais do que diretores de bancos e conduzem Alfa-Romeus...Uma confusão para os teóricos da luta de classes.

Sempre houve profissões em que casaco e gravata são o fato macaco dos mecânicos, ou a bata dos enfermeiros.
Qualquer vendedor (de automóveis, de propriedades) , qualquer empregado bancário, qualquer professor de liceu ou da faculdade nos tempos antigos, porque agora a liberdade é plena.

Quando algum gerente de companhia de seguros recebe o cliente usa fato e gravata. Qualquer embaixador de Portugal normalmente convida para jantar em sua casa e usa fato e gravata à mesa.

E nunca se esqueçam que (sem segundas intenções ou mal entendidos) não existe bom vigarista que não se vista no Lourenço e Santos!

Se é admissível que as senhoras em escritórios possam usar jeans, coordenando os Trussardi com as blusas da Charlot ou com um casaco  da Chanel (ganda escritório esse...para aí em Nova Iorque), já o uso e os bons costumes impedem que os homens utilizem as velhas Levi's nas mesmas condições.

O Comendador Berardo era adepto do showbusiness look, casaco Boss preto por cima de calça e T-shirt também pretas, ambas de boa proveniência.

No caso dos treinadores de futebol, durante os jogos, temos o Jesus, que não abdica do fato de Treino à bimbo (et pour cause), enquanto que o Mourinho vai de fato sem gravata e o enorme Sir Alex Ferguson por norma usava gravata.

No meu caso reservo as gravatas para ocasiões de reuniões mais formais e gosto de andar no dia-adia com o pescoço destapado. Essa a maior (bem, não sendo mauzinho, uma das maiores) revolução que nesta casa centenária fez o Presidente Nazaré. E como a aproveitei!

Com a privatização como será?  Depende do "dono"... Aplicar-se-á a velha máxima do burro e da albarda.

Para já uma coisa é certa: Casaco fará sempre parte da indumentária de trabalho dos homens dos escritórios.

Não é para tapar nada (embora no meu caso dê um jeito do caraças para disfarçar a pança), nem sequer por causa do frio. Simplesmente porque não usando os homens malinhas de mão, e tendo (felizmente) caído em desuso a infame "pochete-mariconera" , é do casaco que a malta faz alforge.

quarta-feira, julho 31, 2013

As Palavras das Tribos que nos assolam


Pertinácia é Excesso de obstinação ou persistência; teimosia; Contumácia é a recusa de um acusado em comparecer a juízo quando obrigado. Perspicácia é  a capacidade de perceber claramente complexidades e subtilezas, Falácia é um raciocínio errado com aparência de ser verdadeiro e Verbigrácia é “por exemplo” na horrorosa aliteração á la mode de Copacabana do latim verbi gratia (v.g.)
 
Nos tempos que correm é possível (mas não desejável) construir uma frase com estes palavrões:
 
O pertinaz réu , culpado de abjeta contumácia, utilizou a falácia na defesa que fez da sua posição. Mas a perspicácia do Juiz de Direito cedo o encostou às cordas, verbigrácia na altura em que exibiu o falso atestado de óbito com que o suspeito andava há já alguns anos a enganar a Segurança Social.
 
Uma “gíria” ou melhor,  “linguagem especial” por demais conhecida é a do futebol, que alguns alcunham de “futebolês”. São termos como: garrinchear (driblar) , pelada (mau futebol), folha-seca (pontapé com efeito que muda a direção da bola), arquibaldos , geraldinos, zona do agrião (grande área), domingada, ripa na chulipa (remate à baliza), pimba na gorduchinha (remate), telegrafar a jogada.
 
O grande Osmar Santos, "O Pai da Matéria", o maior cronista de futebol relatado do mundo estabeleceu a primazia nesta linguagem típica e reconhecida por todos os torcedores.
 
Vejamos agora a “fala” do atual Governo, traduzida para o calão futebolês, na véspera das eleições autárquicas.
 
Diz o nosso Primeiro Ministro: Os meus jogadores estão muito motivados e a derrota sofrida na última jornada em nada afectou o rendimento. A vitória está ao nosso alcance.
 
E depois das ditas eleições:
 
Logo a seguir ao jogo aí estão de novo os intérpretes com novas e retumbantes declarações, desta vez o Capitão da equipa (digo, o Vice Primeiro Ministro) : Temos que reconhecer que a equipa adversária não se superiorizou mas o árbitro deu-lhe uma ajuda ao não marcar uma grande penalidade a nosso favor. Ganhámos moralmente e em jogo jogado fomos superiores. Só quem não viu o jogo pode pensar de outra maneira!
 
E a palavra da oposição vencedora:
 
Vem depois o treinador vencedor, estimo que seja António José Seguro (mas não juro nem aposto) : Ninguém pode ter dúvidas que mostrámos uma grande coesão; o árbitro teve alguns deslizes mas que não afetaram o resultado, como foi público e notório.A haver um vencedor tinha de ser este PS!
O árbitro, todos sabemos já quem é...
O que nem todos sabem é alguns dos nomes mais criativos que se chamam ao Árbitro na vida real:
 
"A sua mãe tá na zona!" ; "filho, mamãe é p*** e isso não impede de te amar."; Tens mais cornos que um prato de caracóis, meu grande FDP!" ; Marra bezerro, marra no vermelho ganda cab***!"
 
E o mais completo insulto já ouvido mas acho que nunca publicado na imprensa regional desportiva, segundo parece gritado por um benfiquista, não fosse a inexplicável referência final aos "pneus":
 
"filho da p*** de um ganda c*****, boi preto capado! De quanto é o cheque careca? palhaço vai para a c*** da tua mãe corrupto de m****  preto de m****  parte-lhe a perna c***** ladrao pinto da costa vai para o c******* pinto da costa faz-me um b*** porto é m****  lagartos nojentos tripeiros nojentos treinador de m****  este vale tudo é um ladrao kadhafi dos pneus boi nojento cornudo!!"
 
Até mete respeito caraças! 

E depois de tanta linguagem vernácula, português do mais puro antes do Acordo Ortográfico,  acabamos com um comentário erudito, mais de acordo com o espírito deste Blog:
 
Nota sobre a diferença entre  a Gíria e a Linguagem especial, da autoria do Professor Mattoso: Em sentido estrito, uma linguagem fundamentada num "vocabulário parasita que empregam os membros de um grupo ou categoria social com a preocupação de se distinguirem da massa dos sujeitos falantes" (Marrouzeau, 1943: 36), o que corresponde ao que também se chama JARGÃO. Os vocábulos da gíria ou jargão coexistem ao lado dos vocábulos comuns da língua: "a gíria só se torna tal porque se projeta num fundo de tela que não é gíria" (Krapp, 1927: 64); ela abrange o vocabulário propriamente dito e a fraseologia. A origem pode estar em: - a) derivações anômalas (ex.: bestialógico, da gíria dos estudantes), b) deformação de vocábulos usuais (ex.: brilharetur, idem), c) metáforas ou metonímias (ex.: burro, idem, para um texto grego ou latino com tradução literal), d) especialmente digna de nota a gíria dos malfeitores, designada como calão. Há gírias em classes e profissões não só populares, mas também cultas, sem qualquer intenção de chiste e petulância, que comumente caracteriza as primeiras; mas em todas há uma atitude estilística. Quando se trata de mero vocabulário técnico, sem essa atitude, tem-se a LÍNGUA ESPECIAL, como a dos médicos baseada em helenismos técnicos. Em sentido lato, a gíria é o conjunto de termos que, provenientes das diversas gírias em sentido estrito, se generalizam e assinalam o estilo na linguagem coloquial popular, correspondendo aí ao papel da língua literária na linguagem poética. Amplia-se com o uso de termos obscenos ou pelo menos grosseiros para a expressão de uma violenta linguagem afetiva.

 

De novo o "bug" do Blogger...

Mãozinha de reaça anda outra vez por aí a impedir o acesso à Imprensa Livre!! De novo quase dois dias de censura!

E ainda dizem que estas questões do Assange, do Wikileaks e do gajo que está preso no aeroporto russo não interessam nada...

Abaixo o controlo imperial dos meios de comunicação!

segunda-feira, julho 29, 2013

Caretas

Faz o Verão "caretas", faz a política "caretas", faz o nosso amigo Alberto João de "careto" (cabeçudo ou gigantone) naquele Carnaval fora de época do Chão da Lagoa. 

Que deveria antes ser conhecido como "Chão da Barrica",  tais as monumentais "constipações" que por ali se apanham por causa da poncha das graciosas barraquinhas...

Mas aqui no "Côtnente" não se anda melhor...Uns desgraçados lá para Sesimbra desataram a imitar em pleno Verão o desfile dos carros alegóricos do carnaval do mesmo local, porventura para impedir que se acumulasse a traça,  e dar ar e sol aos ditos cujos..

Só mesmo aqui nesta portugalidade...

Entretanto abriu oficialmente a época da caça aos Votos por tudo quanto é terra, terrinha , romaria e canteiro do retângulo pátrio.

Ao ver e ouvir o nosso PM a dirigir-se aos feirantes e populares (a lembrar o "compagnon de route" governamental) com a pele de PSD-Mor vestida,  até dá vontade de pedir ao Alberto João que lhe mande um "palhinhas"  lá da Camacha!

Ainda a Privatização

Um comentário de um nosso leitor:

Recomendo vivamente a leitura do artigo de Daniel Oliveira sobre o assunto, disponível no site do Expresso em:
http://expresso.sapo.pt/privatizacao-dos-ctt-um-crime-sem-perdao=f822805


Comentário ao Comentário: Muito Bom artigo, com palavras que deveriam levar-nos a pensar... Não é apenas por ser filho de meu mestre Herberto Hélder, mas sempre achei graça à forma aparentemente iconoclástica como Daniel Oliveira tratava estes temas muito sérios.

sexta-feira, julho 26, 2013

A Privatização dos CTT

No 1º Conselho de Ministros do Governo remodelado foi aprovado o Decreto-Lei que consagra a Privatização dos CTT. Assim que seja publicado no Diário da República está o assunto encerrado. Pelo menos no que diz respeito a esta legislatura.

Esta Casa teve  atividade organizada em Portugal desde 1520, sendo Luis Homem o 1º Correio-Mor. Era "do Estado" aqui representado pelo Senhor Rei D. Manuel I. E assim se manteve até 1584 (ou por aí, cito de memória). Nessa altura o Rei Filipe encontrou Portugal falido (outra vez...) e vai de vender o cargo de Correio-Mor. Foi a 1ª Privatização. O comprador era Luis Gomes da Mata, descendente de riquíssimos banqueiros espanhóis judeus, depois cristãos novos  muito ligados a Fernando e Isabel, Reis Católicos.

Ficou a atividade postal nas mãos destes privados ( que trabalharam bem) até ao reinado da Senhora Rainha D. Maria I ( cognominada "a louca"). Nessa altura o ofício de Correio-Mor foi outra vez comprado pela coroa, e dentro do "cabaz" de privilégios concedidos à família Gomes da Mata (então já Sousa Coutinho) estava o título de Conde de Penafiel.

Em consequência da  remodelação que foi imediatamente feita dos serviços da Posta foi nomeado o 1º Superintendente Geral de Correios, Telégrafos e Estradas (o "Duarte Pacheco" desses tempos) José Diogo Mascarenhas Neto,  um licenciado em Direito pela Universidade de Coimbra.

Os Gomes da Mata Sousa Coutinho, ainda mais ricos,  construiram o palácio Penafiel, em Lisboa, eles que já eram proprietários do Palácio do Correio-Mor, em Loures, comprado às freiras de Odivelas por volta de 1450.

Daí existirem no País os dois Palácios do Correio-Mor, o velho (de Loures) e o novo (na Rua de S. Mamede).

Este último acabou por ser comprado pelo Estado em 1919 (depois do terramoto tinha ficado em ruínas) e cedido - vejam lá as coincidências - ao Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações ,  entidade tutelar dos Correios em Portugal.

Como se observa o mundo é mesmo redondo...

 Qual a moral desta história?  A  história ensina-nos que existem alcatruzes nas noras e que estes não param de girar. O que é vermelho passa a verde, e o que é verde passará depois a vermelho. A história também nos ensina que não é a "propriedade" do ofício que o faz ser bem ou mal gerido, mas  sim a qualidade das pessoas escolhidas para o gerirem.

Tudo bem e siga a Marinha!

 Mas então porque é que a notícia de ontem à tarde me deixou um mal estar e um amargo de boca que ainda hoje se manifesta?

Mistérios da vida... Ao fim de 33 anos de serviço pensamos que "isto" é já um bocado nosso...E, como diziam os velhos lá na quinta:
"Quem vende o que tem fica com ele vendido, quem guarda acha"

quinta-feira, julho 25, 2013

Restauro da Fachada

O velhinho (nasceu em Outubro de 1974)  Solar dos Presuntos encontra-se em restauro de fachada. Trata-se de  pintura ou limpeza da "cara" com que se apresenta aos transeuntes daquela rua tradicional de Lisboa e que tão cara é aos antigos "postalistas".


De facto, logo em cima, à esquerda de quem mira o Elevador do Lavra, o mais antigo de Lisboa, temos a dupla moradia antiga dos Correios-Mores deste reino: O Palácio Sousa Leal, rico de recheio e de interiores, mas sobretudo rico de "estórias" da atividade postal nos últimos 100 anos...

Mas o que aqui interessa hoje é a referência ao Sr. Evaristo e família, há 40 anos a dar de comer aos passantes de bom gosto e de bolsos razoáveis. Não é uma casa cara, mas também não se trata de nenhuma chafarica onde se vai trocar os maravedis.

O que mais me impressiona - hoje e sempre - neste Solar é o milagre com que conseguem ser uma morada popular e aberta a todos os tipos de gentes de qualquer parte do mundo que nos visita, sem nunca deixarem de cultivar a tradicional e rica cozinha típica portuguesa que os tornou famosos junto dos mais exigentes gastrónomos nacionais.

É um local onde tanto se satisfaz meu mestre Quitério  (o que não é fácil) como ainda consegue fazer experimentar o  prazer da mesa a um qualquer "checospolaco" que nem sabe o que será  o bacalhau nativo, ou o cabrito no forno.

Não admira que no Congresso  Internacional sobre Ciência Política (que reuniu 45 peritos de todo o mundo) há já 3 anos em Lisboa, o jantar no Solar tenha sido votado como "O melhor de todos os Congressos, em qualquer País onde se realizaram".

E a mim , que com o meu "senhorio" escolhi a ementa e organizei a coisa manducante, nem me cabia uma ervilha onde vocês já adivinharam, tão cheio de orgulho que estava!
Parabéns Amigos Evaristo e Pedro! Parabéns à Brigada toda e inteira! E que a limpeza da fachada seja prenúncio para mais 40 anos de vida (pelo menos).

quarta-feira, julho 24, 2013

Vem aí o Machete!



Agora é que estamos lixados...

Depois de dar cobertura simbólica ao roubo no (e do)  BPN, depois de se ter "governado" (atenção que são dois Embaixadores dos USA aqui em Lisboa que o afirmaram, eu apenas repito) na Fundação Luso-Americana, Machete reencarna neste Governo Paulo Portas \Passos Coelho...

Já sabíamos que o mundo estava perigoso, mas assim não será demais?

terça-feira, julho 23, 2013

Que comer neste Verão?

Escrevo "neste Verão" e não apenas "no Verão" devido às considerações financeiras que devem ponderar qualquer escriba nesta época de vacas esqueléticas.

O Verão é naturalmente época de "fastio".  De alguma repugnância pelo alimento, de falta de apetite. E algumas almas esperam ansiosamente por estes sintomas para aliviarem a canga em kg causada pelos meses de feijoadas, cozidos à portuguesa e "outros" bacalhaus assados com batatas a murro. Outras, onde me incluo, passam pressurosamente por estes meses de canícula sem que o tal fastio se manifeste muito particularmente...

É a vida , ou melhor dito, é a sina de cada um. Mesmo assim o vosso Blogger sofre a influência da estação:

Noto que bebo mais brancos e rosados do que tintos, com a exceção do verde tinto, está claro. Noto também que - fora de casa, em restaurantes ou  "al fresco" - aprecio mais as sardinhadas ou as grelhadas mistas.

Noto enfim que evito os "pratos de tacho" , os guisados apurados e até deixo ao largo os assados grandes, o cabrito, borrego, perna de porco ou lombo. Isto é que me custa mais, pois como todos os solitários trabalhadores da cozinha sabem, o assado é o prato que mais poupa o queima cebolas amador. Poupa no sentido em que com o assado há muito menos material para lavar e limpar depois das festividades.  Mas nestes dias quem aguenta em casa o calor do forno a trabalhar 3 ou 4 horas?

Nestas circunstância o que tenho feito lá em casa aos fins de semana?

Salada de atum à minha moda , onde o atum propriamente dito é da barriga - ventrescas - e a batata nova, o feijão verde , o tomate e a alface são envolvidos numa mistura de mayonnaise e de mostarda com grão que bato antecipadamente numa tigela larga e funda (um frasco de cada, já que o frasco da  mostarda tem normalmente metade da capacidade do frasco da mayonnaise). E junto ainda grão de bico. Deixem esfriar primeiro os legumes e ponham no frio. Depois de uma hora no frigorífico está pronta.

Plumas (Ou Secretos) de porco alentejano no tacho. Preparo num tacho as batatas novas descascadas e as plumas, depois de deixar apurar uns minutos (mas sem refogar) um fundo de boa cebola, alho, massa de pimentão, piri-piri e sal. A base é apenas azeite virgem. Fica pronto em 35-45 minutos, sempre em lume brando para não pegar.

Arroz de Peixe. Cozo uma cabeça de garoupa e depois de coar a água, retenho-a. Limpo muito bem a cabeça de espinhas. Faço uma ligeira puxadinha de azeite, cebola e alho. Uma malagueta desfiada entra também. De seguida a polpa e o sumo de 2 tomates bem maduros. Uma mão de sal. Junto um pacote de miolo de camarão, outro de miolo de mexilhão (ou de berbigão)  e todas as lascas da cabeça da garoupa. Apura bem. Depois deita-se o arroz estufado - chávena e meia para 4 pessoas - e deixamos fritar um bocadinho. Metemos a água da cozedura da cabeça ( e a que mais for necessária para perfazer um pouco mais do dobro do arroz). Em estando o arroz  cozido tira-se de imediato para a mesa. Decoramos com coentros frescos grosseiramente picados.

Segredo: se ao provarem o molho este lhes parecer ácido do tomate, metam uma colher de chá de açucar amarelo.

Nota final sobre as bebidas: Agora que o calor nos dá boa desculpa, abusem dos nossos Espumantes Brutos, ousando acompanhar a refeição do princípio ao fim com eles.