terça-feira, maio 22, 2012

Os "doggy bags"

Muita gente que dantes desdenhava e olhava por cima do nariz empertigado o anglo-saxónico costume de levar para casa o que sobrava nas travessas dos restaurantes, está agora a repensar essa atitude. E atualmente proliferam os "doggy bags"  pelas nossas moradas de restauração.

Não nos devemos admirar. a Crise espreita a qualquer hora do dia e da noite... E em casa onde há muitas bocas todos os truques são necessários.

Por outro lado penso que parte do problema está também na vasta quantidade de comida que muitos restauradores ainda "alojam" nas travessas. Aqueles restaurantes conhecidos por "farta-brutos" já terão conhecido melhores dias ( Fuso, Farta-brutos propriamente dito, Lavrador, Pão Saloio, etc...), até porque os tempos e as modas vão para preços mais baixos  e corpos mais esbeltos. Mas por essa periferia fora ainda se encontram alguns resquícios dessa relativamente abrutalhada "abundância capitosa" , daquilo que em tempos idos fazia a fama e o proveito de muitos restaurantes durante os passeios dominicais em família.

No meu caso existe um local onde frequentemente peço para trazer para casa aquilo que sobra. Apenas em relação a um prato, e só de vez em quando, quando a preguiça me impede de trabalhar de raiz no fim de semana, agarrado aos tachos.

Explico melhor : Na estimável Casa dos Pneus ( caminho para Bucelas, à saída do MARL, mesmo por baixo do viaduto onde passa a CREL) o proprietário trabalha muito bem a grelha de carvão. O seu bacalhau é excelente - enorme e bem demolhado. Por outro lado, a dose de bacalhau assado ( a 22 euros) é pantagruélica: uma posta de "costa a costa" que nunca mede menos de 45 cm por 20 cm... E com a altura correspondente à do bacalhau especial (mais ou menos um palmo). Estas doses são feitas para comerem  3 pessoas. A meia -dose (11 euros) será já suficiente para dois indivíduos normais.

Em casa vejo-me aflito para assar bacalhau convenientemente. Só lá na quinta onde a existência de terreno livre e de bidons adaptados a grelhadores facilita essa tarefa. Mas aqui no Estoril, não querendo dar espetáculo na pequena varanda , ficaria  sempre com a casa "empestada" se me atrevesse a semelhantes orgias "assadeiras"...

Por isso a minha técnica é simples. Lá nos "Pneus" peço uma cabeça inteira de bacalhau assado, mais uma posta do meio bem avantajada (portanto 44 euros). Retiro para o prato as badanas laterais da cabeça com a gola  - o  que, acreditem ou não, dá perfeitamente  bem para 2 pessoas - e levo para casa os meios da cabeça e a outra posta .

Chegado a casa desfio, tiro espinhas e peles e reservo no frigorífico.

Chegado ao dia do almoçito ponho a assar batata da boa partida às rodelas , cebola idem e muito alho picado grosso, com azeite, sal (pouco), colorau (pouco) e duas malaguetas. Uma horita depois tiro o tabuleiro do forno e acrescento as lascas do bacalhau assado. Cubro com rodelas de ovo cozido e vai mais uma meia hora para o forno.

Decorem com azeitonas pretas e uns raminhos de salsa ou coentros.

Experimentem e depois digam-me se não gostaram!

E por 44 euros comeram 2 lá no restaurante e mais 4 ou 5 lá em casa!

segunda-feira, maio 21, 2012

Contradições

Começo a semana com algumas preocupações:

a) O número de automóveis que entra por dia em Lisboa baixou 10%  - menos cerca de 300 000 carros na cidade, o que seria bom em termos ecológicos e para aumentar a qualidade de vida aos residentes e trabalhadores. Mas... o número de utentes dos Transportes Públicos não subiu em proporção! Segundo as contas dos responsáveis também baixou e ainda mais: menos 30%!

b) Apesar da retração na nossa Economia ainda não ser tão baixa como já foi na nossa história moderna - post 25 Abril de 74 - o Desemprego é agora o maior alguma vez medido em Portugal. Por outras palavras: se não é a Economia apenas a determinar o Emprego , o que será?

Talvez estas duas estatísticas estejam ligadas. Há menos pessoas a trabalhar e a viver nas cidades, Lisboa em particular, porque o número de desempregados é muito maior e ainda porque se reformaram dezenas de milhares de portugueses, muitos deles antes do final teórico da sua vida ativa.  Por outro lado, quantos alunos das universidades se viram obrigados a abandonar os estudos por problemas económicos das respetivas famílias?

Nestas condições é normal que o número dos indivíduos que entra na capital seja em absoluto mais pequeno do que já foi noutros tempos, onde o  emprego era abrangente e o ensino cativava mais gente, todos os dias.

Agora, para mim, preocupante mesmo é o outro sinal atrás referido: se a Economia já se comportou pior em Portugal  (em PIB, em crescimentos negativos, em nível de recessão) porque razão é agora o Desemprego tão alto?

Não sou economista de raiz. Mas aquilo que penso (muito para os meus botões) é que a economia portuguesa nunca teve condições de sustentar Emprego ao nível a que estávamos habituados. E se o fez em tempos idos foi à custa do setor empresarial do Estado, que alimentou - para o bem e para o mal  - uma situação artificial  que garantia quase que o pleno emprego dos portugueses nas escolas, nas empresas públicas e em tudo o que estava nacionalizado nesses tempos ( e que era muita coisa) e  ainda indiretamente  com o seu investimento  nos grandes projetos de construção civil que modernizaram o País.

Mas, como disse, não sou economista e posso estar enganado. Uma coisa é certa: lembro-me de que em Cuba não havia desemprego. E disso se vangloriava o regime, com razão. Mas era costume estarem num bar, a atender turistas, 4 empregados a fazer o trabalho que um apenas faria bem...

Para complicar ainda mais o assunto, nos USA já se conhecem alguns números da recuperação económica. Segundo parece esta   tem estado a ser feita à custa do fator Trabalho! Não tem havido criação de emprego proporcional ao nível do crescimento económico! Porquê?  Porque os "patrões" devem estar escaldados com as crises e vai de se defenderem...

O Mundo está difícil!

sexta-feira, maio 18, 2012

Para Descansar a Vista, nas plantas!

Hoje, Dia Mundial do Fascínio das Plantas, é tempo para pensarmos um pouco nesta "gente" verde que nos acolhe, nos permite respirar, nos alimenta e nos protege, nos encanta simplesmente por existir.

São todas dignas de proteção e de respeito, desde a mais bela orquídea madeirense até à vetusta contenção e incomparável dignidade de um  carvalho beirão!


O Jardim

Consideremos o jardim, mundo de pequenas coisas,
calhaus, pétalas, folhas, dedos, línguas, sementes.
Sequências de convergências e divergências,
ordem e dispersões, transparência de estruturas,
pausas de areia e de água, fábulas minúsculas.

Geometria que respira errante e ritmada,
varandas verdes, direcções de primavera,
ramos em que se regressa ao espaço azul,
curvas vagarosas, pulsações de uma ordem
composta pelo vento em sinuosas palmas.

Um murmúrio de omissões, um cântico do ócio.
Eu vou contigo, voz silenciosa, voz serena.
Sou uma pequena folha na felicidade do ar.
Durmo desperto, sigo estes meandros volúveis.
É aqui, é aqui que se renova a luz.

António Ramos Rosa, in "Volante Verde"

Nota biográfica por cortesia de "Sapo-Poesia":

António Ramos Rosa nasceu em Faro, a 17 de Outubro de 1924, e aí viveu durante a sua juventude até se mudar definitivamente para Lisboa, em 1962. Dele pode dizer-se que literalmente a sua vida se confunde com a poesia, tendo sido a sua casa sempre um espaço informal de acolhimento e intercâmbio com outros poetas e leitores de poesia, tanto portugueses como estrangeiros. A sua personalidade e obra têm merecido a distinção de prémios literários nacionais e internacionais, confirmando a importância do seu percurso literário com a atribuição do Prémio Pessoa, em 1988.

Com quase meio século de actividade poética, António Ramos Rosa é um autor não só fértil, mas também dedicado à própria fertilidade simbólica das palavras. É um poeta das imagens e dos gestos, abraçados por um sentido muito vivo e preciso de ser um corpo animado pelo contacto profundo com as coisas do mundo e da natureza. Poderia dizer-se que António Ramos Rosa, em cada poema, procura cercas as palavras de um sopro que efectivamente as anime e as torne mais próximas das coisas que evocam. É um escrita de tom quase epidérmico, e pelo facto de constituir uma obra tão vasta, podemos encontrar uma miríade de variações na expressão, que vagueiam desde a presença dramática das paixões que afligem o ser humano, à tentativa de concretizar através das palavras a alegria de viver de um momento feito símbolo pela presença de uma resposta da natureza...

O último livro que editou intitula-se Cada árvore é um ser para ser em nós, e constitui uma parceria com o fotógrafo Paulo Gaspar Ferreira, autor das fotografias que acompanham os poemas de A. R. Rosa – uma árvore na Granja de Belgais (Castelo Branco), junto da qual foram igualmente efectuados registos sonoros que figuram num CD anexo ao livro. É uma obra verdadeiramente belíssima, cheia de frescura e imagens de profundo requinte poético, que vale certamente a pena por se apresentar como uma composição muito completa em torno do tema da árvore, tratado de forma humanizada...

quinta-feira, maio 17, 2012

Manjar do Rei ( e não do Marquês!)

Num destes dias  mais uma vez tivemos ocasião de ir almoçar ao sempre reverenciado Manjar do Marquês, lá em Pombal.

Manjar do Marquês
Estrada Nacional 1 - Km 151
3100 POMBAL
Telefone - 236200960

Já sabem que para lá chegar saem da A1 na saída Pombal e depois, sempre com destino  Pombal , seguem as indicações que aparecem na estrada.
 
Para os mais esquecidos aqui vai de novo um resumo da Lista de comidas:
 
Peixe: Bacalhau assado no forno; Carapauzinhos fritos; Raia frita; Feijoada de chocos; Ensopado de enguias; Carapaus grelhados com molho à espanhola; Peixe espada frito; Douradas, Robalos ou Garoupa  grelhadas no carvão; Arroz de tamboril com gambas.
Carne: Borrego à moda de Pombal; Panados com arroz de tomate ; Cabrito assado no forno; Lombo de porco assado no forno; Arroz de carnes aldeão; Lombos de Vitela certificada na grelha; Lombinhos de porco com molho de laranja; Febras da matança com migas; Arroz de entrecosto com grelos.
Doces: Torta de Laranja, Leite Creme, Pudim de Ovos e Manjar do Marquês.
 
Nas entradas destaca-se a "roda chinesa", com rojões, salada de pepino e tomate migados finos, pastelinhos de bacalhau, rissóis, chamuças (tudo acabado de fritar), salada de feijão frade,  salada de orelha de porco temperada e salada de polvo.

Um espumante Rosé Campo Largo (excelente) iniciou as hostilidades logo à frente da "roda".  E estava a saber tão bem nestes dias de canícula que nunca mais saímos dali. Foram 2 garrafitas até ao final da refeição! Seguiu-se o Panado com arroz de tomate e a Vitela certificada grelhada, abundante dose que dá ( e deu) para 2 pessoas!  Ambos vinham com batata frita canónica e salada mista. Pediram-se à parte grelos salteados (magníficos).

Estava tudo muito bom!  O Sr. Paulo Graça, com a magnífica Senhora Sua Mãe ainda como comandanta dos fogões, serve excelentemente , nunca deixa de pairar na sala à procura de ainda mais satisfazer o Cliente e, por fim - mas de grande importância - tem ali na zona centro uma das melhores e mais razoáveis (em preço) caves de vinho que me foi dado escrutinar!

Com mais 3 cafés, um pudim de ovos  e uma bagaceira Luis Pato (para quem era dali perto) , 3 pessoas almoçaram por cerca de 70 €. Mas comeram mesmo muito bem!

Único defeito: fica longe de Lisboa! E com o preço do "trotil" para as carroças...

Que seca! (Como diria o Eça).

quarta-feira, maio 16, 2012

A Mão de Deus?

O relâmpago que atingiu o avião de Holande na sua primeira viagem à Alemanha foi interpretado por muitos comentadores como  "Um Sinal dos Céus".

Teria sido o dedo de Deus, a apontar ao Hollande:  

- "Oh François não te metas por esse caminho porque essa gaja já deu a volta ao Sarkô  por várias vezes, e com essa tua carinha de naif praticante nem para a cova de um dente lhe chegas!"

E, cá por baixo na nossa Terra,  nos Jornais e TV's  todos questionavam o que estaria por detrás desta viagem inaugural à Alemanha? A aranha na sua teia , à espera da mosca incauta? Os banqueiros da Europa exigindo vassalagem do novo "reizete" herdeiro dos Capetos? Os descendentes (pelo lado errado da cama) de Carlos Magno a pedir meças (um pouco tardias) da falta de solidariedade franca para com o Sacro-Império?

Caros leitores, nada disso!

Na minha opinião o Sr. François Hollande foi a Berlim como Inspetor do Guia Michelin, obviamente disfarçado de Presidente da República.

Principal Missão: Investigar porque motivo Berlim Já tem 10 Restaurantes "estrelados" à conta de Kartoffen e de Bratwurst (Horreur!!)...



terça-feira, maio 15, 2012

Comer e Beber menos no Estio

Calor e aconchego estomacal não ligam muito  bem. Os antigos sabiam disso e remetiam para os Estios aquelas comidas mais leves e mais frescas: as saladas, as pastas frias, os grelhados para quem tem a sorte de poder comer "al fresco", os vinhos leves brancos ou rosés, vá lá sem esquecer um ou outro tinto novo e de pouco grau álcool ( se é que isso ainda existe).

E é exatamente por aí, pelo exagerado grau dos vinhos de hoje, sejam verdes, brancos ou tintos, que começo.

Onde se encontra, sem ser na panóplia necessariamente limitada de Entre Douro e Minho, um vinho com 11,5 graus e daí para baixo?

Esta é para mim a graduação ideal para os meses de Verão, quando cá fora o termómetro bate acima dos 32º e o nosso corpo pede sobretudo refrescos...

Já vi quase de tudo para tentar - através da bebida - baixar a temperatura que nos aflige e limitar o grau álcool daquilo que ingerimos: desde misturar cerveja com ginger ale, passando pelas muitas receitas de Sangria, ou até deitar no jarro de tinto novo uma garrafa de 33 cl de "Sprite limão" e pedras de gelo q.b...

Mas se a comidinha for de feição - a sardinha assada com salada , os carapaus assados, uma salada de bacalhau crú (o célebre bacalhau onanista de meu mestre Quitério) - nada existe que mais satisfaça a veia gastronómica do impetrante, ao mesmo tempo que lhe sossega a sede tremenda que as quenturas lhe trazem,  do que uma ou duas taças de verde tinto vinhão, sobretudo se as provarmos lá nos seus solares nortenhos.

Aqui para baixo o tinto verde , mesmo de qualidade, sabe sempre um pouco a remédio... O ideal será abrir a garrafa já refrigerada e deitar o conteudo todo num jarro de vidro, também previamente refrescado. Vão ver que assim se recupera algum do gosto original.

Em preço, qualidade acertada e servindo de "bombeiro" para os calores que se aproximam, não importa o que pensem os "senhores do vinho"! Viva o verde tinto carago!


Recomendo o Mata Loba (engarrafado em Cavez) e o já clássico Adega do Serrado. Para comprarem aqui em Lisboa, o Adega de Monção não é mau, mas se apanharem o Vinhão Aguião melhor!

E quanto às comidas? Bem a regra de ouro é limitar a quantidade e abusar da variedade: muitas saladas, em pratos diferentes, pouca batata, evitar molhos quentes (aqui o meu coração vacila quanto ao "molho à espanhola") e sempre que possível e desejável, irmos pelo gaspacho completo!

Ou seja, o belo conjunto de tomate, pepino, pimento, orégãos, presunto aos pedacinhos, azeite e vinagre, água e gelo, pãozinho do melhor!  E acompanhado pelo que houver de mais fresco e mais pequenino nesse dia na praça:  jaquinzinhos ou petingas, ambos a estrelicar.

segunda-feira, maio 14, 2012

Dizer que sim ao Possível

Depois de um fim de semana extraordinário em tudo, desde a magnífica reunião "de família" regada a excelente espumante moscatel galego, até ao agravamento da minha lesão no joelho pelas muitas horas que passei na estrada e depois em pé, aqui estamos de regresso à lide.


O tema deste Post é "dizer que sim ao Possível", pois nada fere mais a disposição da malta trabalhadora do que o pensamento negativo e tenebroso,  do que acordarmos macambúzios e olheirentos, sem saber para onde nos virarmos e o que devemos fazer.
Segundo parece,  a boa disposição e o riso prolongam a vida, dão-lhe mais qualidade e originam ondas de bem-estar que se propagam pelos outros que connosco compartilham o espaço...


Por esses motivos é importante dizermos que sim àquilo que nos é possível alcançar. mesmo que seja pouco, mesmo que seja quase nada. Um beijo é possível,um abraço é possível,  um aperto de ombro é possível, um livro é sempre possível, um pôr do sol cheirando a mar é possível.


E talvez que o mais inacessível de tudo, o patamar onde  algum de nós já esteve e do qual foi derrubado pelas vicissitudes desta vida louca, passo a passo, de pequena possibilidade em pequena possibilidade, se possa de novo encontrar na fileira das coisas onde a esperança nos leva , saindo daquele buraco negro do que se perdeu para nunca mais...


Estou poeta hoje? Ou, nas palavras de outros:


- "Parece o pensamento diário da RR antes das notícias! O gajo está a ficar Ché-Ché de todo... Praticamente ginja!"


Pode ser que sim. É que ontem fez anos a minha Madrinha - lá em Fátima - e estou mais lavado por dentro do que o habitual...


Lá os estou a ouvir outra vez:


-"Raios partam o sacristão! Atão onde é que já se viu um gajo de esquerda a acreditar na Senhora da Fátima??!!"


Há coisas mais estranhas. Por exemplo, há ainda quem acredite no "governo grego" para esta semana...

quinta-feira, maio 10, 2012

Para Descansar a Vista

Como amanhã não passo por aqui - e darei conta da travessia para o Norte e Centro quando chegar - aqui vai poema louvando a chegada do tempo de Primavera...

Se é para durar?

Já tive mais certezas. Mas o mundo hoje está assim...  Sol na eira e chuva no pomar...

Vamos lá então beber o Mar:


Viver na Beira-Mar

Nunca o mar foi tão ávido
quanto a minha boca. Era eu
quem o bebia. Quando o mar
no horizonte desaparecia e a areia férvida
não tinha fim sob as passadas,
e o caos se harmonizava enfim
com a ordem, eu
havia convulsamente
e tão serena bebido o mar.

Fiama Hasse Pais Brandão, in "Três Rostos - Ecos"

quarta-feira, maio 09, 2012

Os Jagunços lá do Rosa viviam no Sertão (ou não?)

Guimarães Rosa, grande escritor e ensaísta brasileiro nascido em 1908 e  falecido em 1967, publicou em 1956 "Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile", talvez a mais bem feita apologia do viver no Sertão , da vida do "Jagunço" -  Homem Pobre, mas Livre - que chegou até nós.

Ana Paula Pacheco, Professora do Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada da USP, fala sobre esta obra notável:

"Em Grande sertão: veredas, o humor relativo às relações entre jagunços (homens "provisórios" e desconfiados) e proprietários (cuja calma bovina é sempre ardilosa) dá conta, até certo ponto, de apontar as razões para a suspensão da representação dos conflitos, visto que independência e submissão ao senhorio são inconciliáveis. A invenção rosiana dessa independência é um ponto sobre o qual gostaria de me estender em seguida, mas vale sublinhar desde já que, no mito dos heróis jagunços, torna-se modelar a história de poucos; nos termos do livro: organização grupal, à margem não só da ordem, como do capital, por parte dos homens (livres?) do sertão, não detentores de bens (seja porque os abandonaram, seja porque nunca os possuíram)."

Os mais antigos lembram-se dos Jagunços da "Gabriela", obra-prima de Jorge Amado que nos prendia à TV lá para 74 e 75. E da forma como o termo "Jagunço" entrou no nosso vocabulário de então:

- "Tás feito um Jagunço oh desgraçado!"
- "Isto é que me saíste um Jagunço! Então  são horas de chegares a casa??!!"
- "Oh Jagunço traz mais um fino e mexe-me esse cú carago!"

Sem saber muito bem porquê dei comigo a pensar como este, digamos assim,  lumpenproletariado - passando por cima de teorias sociológicas e económicas que bastem - do século XIX e XX, quase já extinto em Minas Gerais quando Rosa publicou "Grande Sertão" , podia renascer noutras paragens, na nossa Europa,  devido à crise económica e financeira que atanaza tanta família por aqui.

O que são os Jagunços , afinal, se não um protótipo dos "guerreiros do apocalipse" de Moebius (o pseudónimo do enorme Jean Giraud, pai do Métal Hurlant, desenhador de Arzach , Blueberry e de tantas coisas mais)?

Nestas épocas de desagregação social e económica, só nos faltava mesmo o aparecimento destas tribos de gente sem eira nem beira, sem posses nem terras, sem patrões nem lealdades, mas Livres.


terça-feira, maio 08, 2012

E na Grécia? Está tudo a "ver-se grego?"

Os partidos da governação não obtiveram maioria que lhes permita governar. O País provavelmente vai ter que passar por novas eleições, já que o Partido mais votado ( a Nova Democracia) não se sentiu em condições de formar Governo...

E depois, se nessas novas eleições a "malta grega" tornar a mostrar o cartão vermelho aos PASOK e Nova Democracia? Bem,  a partir daí está o caldinho ainda mais entornado...

Pode ser que a Grécia, pátria da civilização ocidental, seja também o arauto do seu declínio...

Isto, está claro, se considerarmos que a saída do Euro e o abandono da União Europeia fariam parte do tal "declínio".

Perguntarão se tenho dúvidas sobre isso? Já não sei nada. Filósofos gregos terão dito o mesmo , mil anos lá para trás, mas nessa altura não se sabia mesmo nada, nadinha! Nem se sabia o que era o milho híbrido, nem o que era  a TV em 3D, nem sequer quem era o Pinto da Costa...

Hoje? Hoje sem euro nem UE  o grego ( ou o tuga) teriam de viver com o que o País lhes proporcionasse. Nem mais um dracma para importações!

Apenas os muito ricos sairíam do solo pátrio e podiam comprar carro. A comida seria decerto racionada, assim como a gasolina ou o gasóleo. A Agricultura e a Pesca (à cana, porque de navios estávamos conversados) voltariam a ser uma ocupação de milhões, e por aí fora. O Turista - única fonte de entrada de moeda forte - seria bajulado e idolatrado tal e qual como na Cuba de Fidel dos anos 70 e 80 do século passado, autênticos nababos em "resorts" feitos exclusivamente para eles e onde o "indígena" só entrava como criado.

Seria pior do que como estamos agora?

Se eu fosse grego já não sei bem se seria... E aqui é que reside o grande problema: Mal por mal porquê continuar ??!!

Ao menos faríamos a Srª Merkl e os Burocratas  (mais um "r" também lhes ficaria bem) de Bruxelas a Estraburgo engulirem em seco sobre os ideais abstratos da "Europa Unida"  tão apregoados pelos Pais da dita cuja...

segunda-feira, maio 07, 2012

L'Espoir!

Do grande Paul Verlaine aqui vai poema ( à Segunda Feira) , de louvor à Gália.

François Hollande é Presidente.  A esperança é possível.

L'hiver a cessé : la lumière est tiède

L'hiver a cessé : la lumière est tiède
Et danse, du sol au firmament clair.
Il faut que le coeur le plus triste cède
A l'immense joie éparse dans l'air.

Même ce Paris maussade et malade
Semble faire accueil aux jeunes soleils,
Et comme pour une immense accolade
Tend les mille bras de ses toits vermeils.

J'ai depuis un an le printemps dans l'âme
Et le vert retour du doux floréal,
Ainsi qu'une flamme entoure une flamme,
Met de l'idéal sur mon idéal.

Le ciel bleu prolonge, exhausse et couronne
L'immuable azur où rit mon amour.
La saison est belle et ma part est bonne
Et tous mes espoirs ont enfin leur tour.

Que vienne l'été ! que vienne encore
L'automne et l'hiver ! Et chaque saison
Me sera charmante, ô Toi que décore
Cette fantaisie et cette raison !

Semana de atropelo aos Posts

Nesta semana  provavelmente não publicarei todos os dias. 

Tenho uma manhã de trabalho no MARL na 5ª feira  e  passo a Sexta feira em cerimónias - logo de manhã em Lisboa lançamento da emissão ERASMUS com o Sr. Ministro da Educação. Da parte de tarde no Porto, apresentação das Etiquetas "Ano Internacional das Cooperativas" no Simpósio Ibérico sobre o mesmo tema, com o Sec Estado Dr. Marco António Costa - e no Sábado, na região centro, antecipando o 13 de Maio, reunião familiar e grande almoço em perspetiva!!

sexta-feira, maio 04, 2012

Para Descansar a Vista

Sexta feira 4 de Maio, chuvosa que baste, pelo menos na madrugada de Cascais. Em louvor de outros muitos Maios, alguns também chuvosos, mas outros mais do que esplendorosos, aqui vai poema de Nuno Júdice, mesmo adaptado a uma invernia fora de época:


Requiem por Muitos Maios

 Conheci tipos que viveram muito. Estão
mortos, quase todos: de suicídio, de cansaço.
de álcool, da obrigação de viver
que os consumia. Que ficou das suas vidas? Que
mulheres os lembram com a nostalgia
de um abraço? Que amigos falam ainda, por vezes,
para o lado, como se eles estivessem à sua
beira?

No entanto, invejo-os. Acompanhei-os
em noites de bares e insónia até ao fundo
da madrugada; despejei o fundo dos seus copos,
onde só os restos de vinho manchavam
o vidro; respirei o fumo dessas salas onde as suas
vozes se amontoavam como cadeiras num fim
de festa. Vi-os partir, um a um, na secura
das despedidas.

E ouvi os queixumes dessas a quem
roubaram a vida. Recolhi as suas palavras em versos
feitos de lágrimas e silêncios. Encostei-me
à palidez dos seus rostos, perguntando por eles - os
amantes luminosos da noite. O sol limpava-lhes
as olheiras; uma saudade marítima caía-lhes
dos ombros nus. Amei-as sem nada lhes dizer - nem do amor,
nem do destino desses que elas amaram.

Conheci tipos que viveram muito - os
que nunca souberam nada da própria vida.

Nuno Júdice, in "Teoria Geral do Sentimento"


quinta-feira, maio 03, 2012

Le Chauffage et le Chômage

No "Combat des Chefs" de ontem à noite o mais importante terão sido as tiradas de ambos em redor daquilo que mais preocupa os granceses neste momento: Os custos da energia (para o "chauffagezinho das maisons") e o Desemprego já a passar os 10% (que sortudos, diremos nós!!)

Parece que o debate - de acordo com vários analistas - terá saído empatado ou até com ligeira vantagem para F. Hollande. Não sei bem se estou de acordo. Sarkozy é um ator consumado e naquela posição , de frente para as câmaras, é melhor, muito melhor do que François Hollande...

Hollande, por sua vez, é mais honesto e mais simplório. Pode ser que com os anos e com o poder se transforme, o que seria ao mesmo tempo bom sinal (teria ganho) e mau sinal (estaria acomodado).

De todas as formas, e não sendo eu gaulês, mesmo assim não vejo como o debate terá resolvido alguma coisa. Os 6 ou 7 pontos de vantagem de Hollande sobre Sarkozy devem manter-se.

Mas esperemos pelas sondagens depois de ontem à noite.

Os entrevistados vinham de fato cinzento escuro e camisa branca ambos. Mas Sarkozy com gravata azul escura ligeiramente pontilhada também em azul e Hollande de gravata cinzenta lisa "ton sur ton" sobre o seu fato. Ambos muito discretos e eficazes. Os nossos poderiam aprender com eles. Nada de gravatas berrantes.

Uma última reflexão sobre o serviço público que a RTP-N e a SIC Notícias fizeram, transmitindo em direto: Muito bem e muito obrigado, mas nota-se que a tradução simultânea não é resposta para debates com vivacidade e interrupções... Logo que dei conta disso passei para a TV5 Europe.

quarta-feira, maio 02, 2012

1º de Maio Doce e Pingado?

Que este 1º de Maio foi bem "pingado" de chuvinha - já agora, para onde terá ido a "seca"?  - ninguém duvida. Mas que se tornasse, para alguns, também um "doce" de oportunidades para trazer para casa um enxoval a metade do preço? Isso só lembraria ao "careca", embora, no caso vertente, o Sr. Soares dos Santos não pareça ainda  ter uma careca por aí além.

Valeu a pena?  Parece a letra de um fado arremedando Pessoa... Cá para mim valeu para quem foi e não terá valido para quem não pôs lá os pés.

Estariam interesses inconfessados do grande capital por detrás desta "marosca"? Seria ela feita de propósito para boicotar as cebrações do Dia do Trabalhador? Haveria aqui - ousarei escrevê-lo? - mão de "reaça"?

Acho que não amigos leitores! O que houve ( e bem) foi a velhinha ganância aliada às modernas técnicas de MKT. E, parodiando o anúncio, resultou mesmo!

Terão havido distúrbios? Ora, ora, nada que não aconteça todos os dias nas horas de ponta, à entrada das grandes cidades (ou acontecia, antes da crise ter rarefeito o tráfego).

Foi uma ação desmobilizadora dos Trabalhadores? Também me parece sinceramente que não. Quantos Trabalhadores dignos desse nome teriam atualmente 300, 400 ou mais euros para lá irem encher as malas dos carros? E, já agora, quantos ainda têm carros com "pitrol" lá dentro para estas exéquias?

As Manifs ficaram com os desempregados, os descontentes, os mobilizados, os sindicalizados, os fortes e os fracos das periferias que ainda se encontram algo politizados. O Pingo Doce recebeu o lumpemproletariado , as minorias étnicas,  as donas de casa desesperadas dos subúrbios.

Desde que, obviamente, todos estes tenham conseguido encontrar alguns euros para esta aventura ferial...

E aqui é que a porca torce o rabo: Como? Onde? De que maneira - no meio da grande avó de todas as crises -  se encontraram tantas dezenas ou centenas de milhares de euros para esta extravagância?

Na minha opinião, mas posso estar enganado, vai haver muita família que este mês deixará atrasar a prestação da casa, do carro e do colégio dos filhos...Economias paralelas e outras mais que paralelas (a "malta" da delinquência) à parte, está claro!

Porque se assim não for andamos todos enganados e quem tem razão é o Dr. Passos e o Dr. Canadense a mais o Dr. Bruxéu das Finanças:

-" O "portuga" andará ainda muito à vontade e vamos ter de carregar mais as bestas, que estão folgadas!"

segunda-feira, abril 30, 2012

Mais um para o Dragão

Num campeonato onde todos jogaram bem e mal, o FCP arrebatou mais uma vez a "taça".

Parabéns são devidos, depois de muita tremideira pouco habitual lá para os lados das Antas.

Mas seja como for, a tremideira dos outros ainda foi maior. E se houve algum "grande perdedor" neste ano , esse tem que ser o Benfica, que depois de mostrar grande promessa acabou na berma da estrada, já sem fôlego para esta corrida de fundo.

Sporting de Braga também se afunda na reta final, dando ao outro Sporting Clube de Portugal, agora vergastado pela miragem da Champions, alma nova  e ânimo novo (quem diria há 2 meses atrás??!!).

Dança de Treinadores é esperada? Bem, a vontade que dá a muito benfiquista seria mandar o Jesus pregar para outra freguesia, embora,  manda a verdade que se diga, o homem parece que ainda não tem influência nas lesões que lixaram a defesa...

E no FCP,  campeão pela 26ª vez? Haverá mexidas? Já se fala de Leonardo Jardim.

Por mim, este ano  só o Sporting Clube de Portugal estará livre desse percalço... Et pour cause.

A mim, benfiquista confesso mas também   Sócio  e Secretário da Assembleia Geral do Estoril-Praia, (onde jogou meu Pai lá no início dos anos 50) é apenas o clube da linha que me tem dado alegrias...

sexta-feira, abril 27, 2012

Para Descansar a Vista

Aproxima-se o mês de Maio.

Mês das Flores. Mês de Maria. Mês do Trabalho e dos Trabalhadores, Mês da Primavera.

Antes de tudo isso, lá bem para trás da história, na Idade do Ferro,  foi Maio o Mês celta e germânico da celebração do final do Inverno,  onde se erigiam os Maypoles druidas em louvor da floresta. 

Os grandes Reis-Pastores (do David bíblico a Viriato dos Hermínios) deviam também dançar neste dia, celebrando a Natureza pujante e renascida.



Quaisquer que sejam as nossas inclinações, saúdo com um abraço muito apertado o nosso  grande e esquecido  José Afonso, e aqui vos deixo:

Maio maduro Maio

Maio maduro Maio
Quem te pintou
Quem te quebrou o encanto
Nunca te amou

Raiava o Sol já no Sul
E uma falua vinha
Lá de Istambul
Sempre depois da sesta

Chamando as flores
Era o dia da festa
Maio de amores
Era o dia de cantar

E uma falua andava
Ao longe a varar
Maio com meu amigo
Quem dera já

Sempre depois do trigo se cantará
Qu'importa a fúria do mar!
Que a voz não te esmoreça
Vamos lutar!

Numa rua comprida
El-rei pastor
Vende o soro da vida
Que mata a dor

Venham ver,
Maio nasceu!
Que a voz não te esmoreça!
E a turba rompeu...

José Afonso

quinta-feira, abril 26, 2012

Algumas sugestões para cozinheiros de Domingo

Vários leitores do Blog, quase todos homens, pediram que eu fizesse um Post dando algumas indicações simples para eles se orientarem nas suas cozinhas.

Trata-se de gente que , tanto quanto sei, o mais perto que estiveram do trabalho na  cozinha foi quando lá iam deitar os jornais de Sábado no caixote, e cuja familiaridade com o fogão advém de nele terem aquecido algumas vezes a lata de salsichas diretamente no bico mais pequeno (para se equilibrar).

Divorciados, solteiros ou viúvos, com a  Mãezinha a viver longe (nem sabem a felicidade que têm), esta gente alimentava-se fora de casa nos tempos do Socratismo. Hoje em dia, e fruto do aperto na carteira, há que retomar hábitos do século passado e desatar a sujar as delicadas mãozinhas na antiga e nobre tarefa de "queima-cebolas".

O primeiro conselho que posso dar a estes Amigos é que não vale muito a pena estarem a lavar alimentos e condimentos que vão depois para o lume. A fervedura pasteuriza tudo, ou quase tudo.  Para além disso, se um gajo se habitua a comer tudo sem bactérias não desenvolve as defesas do seu organismo.   Poupa-se na água e poupa-se no tempo também.

Depois, a questão importante de como acertar à primeira na forma de fazer o  prato mais emblemático de toda a tribo dos "vencidos da vida", dos que vivem sózinhos.
Já adivinharam . Trata-se dos "Ovos com presunto(ou salsichas) e batatas fritas".

Na primeira abordagem a este assunto tenham em atenção que a dificuldade está - por ordem de
 importância - na fritura correta das batatas, na fritura dos ovos (sobretudo se forem estrelados) e no empratamento (colocar tudo no prato sem que caiam para o chão as partes envolvidas).

Batatas fritas: Comprem de pacote nas primeiras vezes. Ao fim de 3 ou 4 vezes, já treinados no resto, comprem batatas congeladas descascadas . Apenas depois de alguns meses de treino aconselho passarem às batatas verdadeiras, com casca. Para este último caso, já à profissional, não se esqueçam de, ao descascar,   retirar bastante batata juntamente com a casca, para safarem os dedos de cortes indesejáveis. Escolham bem a faca (nunca -  mas nunca mesmo! -  caiam na tentação de comprar aquelas facas de porcelana afiadíssimas...Há gente que tocava Flauta de Pã e, à conta disso , passou a tocar Apito, por falta de dedos)...

Por fim, a importante questão da temperatura do óleo de fritar. Para que as batatas fritas fiquem estaladiças o óleo tem de estar à temperatura ideal. Quem tem fritadeira com termóstato está safo! Quem não tem ? Bom, não aconselho a que ponham o dedo lá dentro para testar a temperatura... Sei que há quem o faça (as unidades de queimados têm de justificar o investimento que custaram, não é?) mas para nós, amadores, essa NÃO é a resposta certa. Olhem bem para o óleo. Quando começar a fazer bolhinhas deve estar OK. Mas vão tentando sempre. Para aí à 4ª tentativa devem estar já perto do ideal.

Os Ovos: Estrelados é mais difícil. Podem ficar crús ou cozidos em demasia... A resposta é sempre a mesma: tentem até acertar. 3 dúzias de ovos depois já não devem precisar da ajuda de ninguem. Se forem  mexidos batam primeiro os ovos com sal e pimenta numa tigela (em cima do lava-louças, ou então há que ter a esfregona ali  ao lado). Deitem um tudo nada de leite gordo e continuem a bater com o garfo umas cem vezes. Depois deitem a mistura no azeite já à temperatura ideal (ver mais acima o que se escreveu para o óleo) e deixem passar mais ou menos. Se não ficarem muito bons é porque não bateram cem vezes. Voltem ao início!

O Empratamento: O principiante deve usar pratos grandes, do tipo marcadores ou mesmo travessas. Nestes começa por colocar os ovos estrelados a fazer de olhos e as salsichas como se fossem uma boca a rir. Ao redor espalha as batatas fritas. Em alternativa (dependendo da fome ou da pressa) vá misturando na travessa os ingredientes à medida que os tirar do lume. De facto cá dentro do estômago tudo também acaba misturado...

Plano B: Faz sempre falta um Plano B para o Homem sózinho à volta dos tachos. Pode ser, por exemplo, pedir à vizinha " se o ajuda com a temperatura do óleo, porque há muito tempo que não frita batatas".  É claro que para isso dar resultado é preciso ter Vizinhas Boas. Isto é, caridosas e prestativas.

Plano C: Ir à Sabores Calientes comprar tudo já feito e do bom e do melhor a preços módicos! Aqui deixo o site malta:

http://www.saborescalientes.com.pt/

Espero que tenha ajudado?  Pelo menos com a morada do site...

Cuba Libre??!!

Parece que o DCIAP deu à operação de investigação às supostas fraudes do governo regional da Madeira o nome de código de ..."Cuba Libre"!

Quem não achou graça foi o PCP da Madeira. (Et pour cause...)

E quanto a El-Rei D. Alberto João? Cubanos não eram antigamente os "gajos do Côtenete que estão sempre a afundar o arquipélago, maçons e jornalistas de Meios de Comunicação social enfeudados ao capitalismo selvagem e ao comunismo"?

Também é capaz de não ter achado muita graça à alcunha...

terça-feira, abril 24, 2012

25 Abril é já amanhã

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

O mais triste dos 25 de Abril desde o primeiro? Pode ser que sim. Decerto que sim para milhões de portugueses.

Sem emprego, sem dinheiro, com pouco  apoio social do Estado ( e o que há é vê-lo a esboroar-se por entre os dedos), que foi feito hoje, 38 anos depois, das "promessas de Abril"?

Foram na onda da crise económica e financeira, mas também da crise de valores morais e éticos, que permitiu que  alguns aventureiros  - de todos os Partidos do "arco da navegação" - destroçassem o País por dentro.

Foram tempos onde, sem darmos por isso, se sobrevalorizou o apego ao poder face à necessidade de acautelar o futuro de todos. Foram tempos de enriquecimentos ilícitos, de favores pagos e recebidos, de subornos e de compadrios, de acordos secretos e de hipocrisias.

Que a miséria onde estamos possa ser ponto final e de partida. Haja pelo menos a coragem de fazer um novo começo. Mais pelas pessoas e menos pela ambição política da perpetuação dos mesmos de sempre  na estrutura do poder.

 -"Com estes partidos que temos??!!" (perguntarão alguns dos leitores).

Ainda acredito que sim.  No fim de contas foi essa a grande conquista de Abril: a Democracia. E há boa gente em todos os Partidos. Deixem-nos respirar e vir à tona da água...

Um grande abraço a Mário Soares e Manuel Alegre!  Quem se cala consente.