quinta-feira, julho 23, 2015

Para descansar a vista ...olhando já as eleições.

Estarei amanhã no Norte, pelo que antecipo o habitual poema das sextas feiras. É de Ruy Belo, o  poeta doutorado em Direito Canónico e licenciado duas vezes, em Direito e Filologia Românica.

Deixou-nos aos 44 anos, quando ainda tinha uma vida à sua frente para nos dar.

A escolha deste grande poema não é por acaso.

O período pré-eleitoral que começamos a atravessar e que teve como pontapé de saída o discurso do Sr. PR de ontem à noite deu o mote.

Ruy Belo visionou, em 1977, o que poderá vir a ser o Portugal de 2016. O Portugal futuro.

O Portugal futuro

O Portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável

Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e lhe chamem elas o que lhe chamarem
Portugal será e lá serei feliz

Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a Espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz

À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão

Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o Portugal futuro.


Ruy Belo

Nenhum comentário: