sexta-feira, novembro 02, 2012

Noite hospitalar

Depois de 9 horas a passear o real assento pelas cadeiras das urgências do Hospital de Cascais (já quase não tinha cú quando finalmente cheguei a casa para tomar um duche) , e depois de muita interacção com a malta profissional de saúde lá do local , não posso dizer mal do acolhimento nem do tratamento (naquilo que pude observar, porque quem lá estava dentro, na maca,  a amargar, não era eu).

Noite de urgências na véspera de feriado ( e ainda por cima noite de Haloween)... É de esperar muita complicação, e mais ou menos foi isso que se passou, desde as crianças que partiram braços, cabeças  ou dedos nas festas, até aos inevitáveis idosos que tanto naquela noite como noutra qualquer têm de ser assistidos, passando pelos vários amantes de Baco, que levaram esse "amor" até ao último grau (e quando escrevo "último" era último mesmo...).

Se excepcionarmos o facto do SO ser comum a homens, mulheres, (mas não a crianças) e nele terem de se acolher tanto o bêbedo sem sentidos, como a velhinha traumatizada (que era o meu caso), nada posso dizer de mais negativo sobre as condições do hospital.

Nem macas nos corredores, nem vomitado pelo chão, nem sangue pelas paredes, nem ratos à vista (dos de 4 patas),  nem exéquias estranhas na sala de espera - apesar, ou por causa, da muito evidente presença da autoridade policial.

Para além do evidente stress da ocasião - e por muito que eu aqui brinque hoje,  para exorcisar o medo que ainda tenho,  é evidente que a situação era complicada - há que reconhecer que foi feito bom trabalho na organização da unidade hospitalar. E eu posso falar porque muito bem conheci o anterior local desse mesmo hospital.

Todavia, houve uma cena mais fora do vulgar que passo a relatar.

Uma senhora na casa dos  60's, sozinha mas muito bem arranjada - à vista parecia classe alta ou média alta - só arranjou cadeira na sala de espera das Urgências ao lado de dois cidadãos de cor que esperavam por outro que perdera os sentidos e caíra de cabeça no chão.

Os cidadãos já de si falavam  muito alto, porque tinham uns phones nas orelhas por onde ouviam música étnica, mas quando recebiam ou faziam chamadas  pelo IPhone (sim, eu escrevi IPhone!)  é que era o bom e o bonito! Toda a gente da sala de espera ficava a saber os pormenores da conversa, e era tchilar para aqui , bué para ali, e depois as inevitáveis palavras do vernáculo da malta nova (de qualquer cor):
-  "Tu não me fales desse Cabr**!";  "Da-se!" ; "Vai mas é para o Ca****!"   E por aí diante.

A senhora do lado estoicamente  nada dizia. Os rapazes de vez em quando davam-se conta e pediam desculpa:

- " A senhora desculpe a conversa..."

E ela respondia:

-" Não se incomodem porque eu sou muito falha de ouvido e nem me dou conta do que estão a dizer..."

E embora ela lhes tivesse logo respondido, como se ouvisse ainda melhor do que eu, que estava a 5 metros e não perdia nada,  eles acreditaram...

Grande Senhora!

Noite das Bruxas faz jus ao nome...

Naquela madrugada do dia 31 a Santa cá de baixo caíu, fraturou 4 vértebras e  toca a ir  de urgência para o Hospital...

Não acredito em Bruxas, mas que "las hay, las hay..."

quarta-feira, outubro 31, 2012

A Vida começa aos 91

Ontem tive uma reunião que deu em almoço (como habitual) com meu Mestre Quitério.

Estávamos sozinhos, falámos sobre tudo o que nos veio à cabeça, até (imaginem!) sobre o assunto da dita reunião.

Estes encontros são sempre assim. A memória elefantina do Zé leva-me a "desfolhá-lo"  como se fosse uma enciclopédia bem fornecida sobre todas as trivialidades que andam ao redor da gastronomia e dos seus actores.

E, como não tínhamos empenhos, nem obrigações, nem combinações (nem sequer soutiens), em relação ao local da janta, decidimos ir visitar o nosso velho amigo Sr. Emílio à sempre respeitada Adega da Tia Matilde.

Aqui o adjetivo carinhoso "velho" aplicado ao Sr. Emílio tem um significado duplamente importante: não só se trata de uma jóia de pessoa, daquelas que se não tivessem nascido teriam deixado o mundo mais pobre, como também e para todos os efeitos "legais", convém reconhecer que  o Sr. Emílio já tem de facto alguma idade...91 aninhos para ser exato.

Do alto da complacência que essa idade lhe proporciona, com a sabedoria em barda e o saber fazer no seu métier que é incomparável, o Sr. Emílio não pára: recebe os Clientes na sala. Levanta as mesas, prepara o couvert, aconselha os pratos, serve os vinhos e, quase no final, chega humilde ao pé dos comensais e pergunta em tom baixo:
-"Então como foi? Acha que estivémos bem?"

Ontem começámos com pataniscas de bacalhau soberbas! Continuámos por eirozes fritas com vinagrinho, muito boas, e seguimos em frente com mioleira de borrego mexida em manteiga e ovos.  Para estas entradas juvenis serviu-se (e bebeu-se) um Camarate Branco Seco, que satisfez, limpando o palato para o que havia de vir.

Pausa nº1. Discussão filosófica sobre um dos meus outros mestres,  Borges (a quem Quitério não perdoa o silêncio sobre a ditadura de Vilela) e Eugénio de Andrade, sobre cuja qualidade geral concordamos ambos sem qualquer esforço.

Depois do "intervalo" viraram-se os olhos e as papilas gustativas para a garrafita de Mouchão 2006 já aberta desde que tínhamos chegado. Grande Vinho, Alicante-Bouschet no seu esplendor em terras transtaganas!

E para ficarmos de igual para igual reparem só no que se seguiu: Canja de Robalo de mar com ameijoas (deslumbrante!) . Coelho bravo à caçadora (magnífico de sapidez, molho guloso e pujante) . Canónico de apresentação e conteúdos.

Pausa nº 2. Aqui aproveitámos e dissémos mal da Fátima Moura, que me tinha dito que "talvez aparecesse para o café" mas que mais nada entoara depois dessa afirmação. Telefonámos-lhe, criticámos a opção de ter ficado em casa a preparar a viagem a Amarante (em trabalho para nós - Livro dos Sabores) e voltámos às coisas sérias.

Queijo da Beira Baixa e da Beira Alta, ambos curados no ponto certo e sem nenhum toque do abominável frio que estraga o gosto a qualquer um.

E para terminar em beleza a questão dos sólidos, um admirável Marmelo assado no forno!

Em redor de dois cálices de Lagavullin (o bem amado!) voltámos à conversa, desta vez sobre o nosso David  (e como ele estimava a Tia Matilde e o Sr. Emílio!) e sobre o panorama restaurativo atual no retângulo, o qual - e não obstante algumas esquisitices, como o desdobrável saído no fds a publicitar um restaurante conhecido na Ereira - parece estar a sofrer como gente grande.

Felizmente a Adega da Tia Matilde ontem não parecia muito afetada! Embora a presença de convivas angolanos fosse muito notada e daí talvez o bom aspecto cheio que a casa tinha.

E com estas reflexões nos despedimos os dois do grande Sr. Emílio! Que a idade nunca lhe pese meu Amigo!

Nota: Daqui vai um grande abraço apertado para o Pedro do Solar! Espero que se recomponha tão breve quanto possível!

terça-feira, outubro 30, 2012

O Convite da Aranha

Convida-se um vizinho para entrar lá em casa. Convida-se um amigo para almoçar. Convidamos os colegas da escola  para a festa de anos dos nossos filhos. Convida-se uma amiga especial para sair à noite. Admito até que em determinadas circunstâncias sejamos obrigados a "convidar" alguém a sair, antes que "saia" mas é  uma cadeira pelas costas da criatura...

Pois o nosso Primeiro Ministro apressa-se a convidar o lider da Oposição para uma conversa onde se discutirá a três (ou a 4) o futuro do Estado Social, as funções do Estado em Portugal.

Trata-se, já se percebeu, de uma conversa algo esquizofrénica, pois nela estarão metidos os 3 Partidos daquilo que se convencionou chamar o "arco da navegação", e mais o Governo que é formado por dois deles...

O porquê desta "chamada afetuosa" , tal e qual um Pai ao seu filho pródigo, percebe-se bem. Mais do que bem:

O Orçamento de Estado para 2013 é já um nado-morto. Tudo indica que lá para o final do 1º TRIM do ano que vem toda a gente entenda que não está a resultar. Pelo contrário, que os danos causados à trama económica do país são cada vez maiores. E que a Receita - responsável por 80% do esforço de ajustamento - não está a entrar como era previsto. Resta aos governantes virarem-se para a Despesa...

Virarem-se para a Despesa é um eufemismo para dizer: Despedimentos na Função Pública e abdicação das funções sociais do Estado: famílias a pagar a educação e a pagar a assistência médica, baixa considerável nas contribuições sociais.  Mas enquanto que o despedimento só acarreta mais problemas para a Segurança Social, pôr as famílias a pagar a educação dos filhos e as despesas com médicos, hospitais e enfermeiros e ainda a carregarem com maior percentagem do preço dos medicamentos,  são medidas que "aliviarão" o Estado.

À custa de quê? À custa de Portugal regredir 35 anos na escala evolutiva dos países desenvolvidos.

Aceitará o PS de TóZé Seguro esse convite? E ao aceitar, fará o frete ao Governo para alterar as normas constitucionais que impedem estas medidas drásticas?

Só se quiser cavar a sua própria sepultura política. Tem de haver alternativas dentro do enquadramento da Constituição atual. Para bem de todos, mas sobretudo para proteger os mais desfavorecidos.

O saudoso Jorge Perestrelo ( o relator desportivo do "ripa na rapaqueca" , lembram-se?)  quando lá no relvado o Árbitro mandava para os balneários algum jogador , pretensamente por lhe ter dito alguma coisa, comentava sempre:

-"Não ouvi o que disse este  jogador, mas  não deve ter convidado o árbitro para tomar chá lá em casa. Digo eu..."

Tó Zé, amigo, cuidado com os convites ! Não há almoços grátis!!

Não queiras ser a mosca convidada para visitar a sala de estar da aranha!

Mary Howitt - Poem: The spyder and the fly

Will you walk into my parlour?" said the Spider to the Fly,
'Tis the prettiest little parlour that ever you did spy;
The way into my parlour is up a winding stair,
And I've a many curious things to shew when you are there."
Oh no, no," said the little Fly, "to ask me is in vain,
For who goes up your winding stair can ne'er come down again." 

segunda-feira, outubro 29, 2012

"Engano de Alma Ledo e Cego..."

Outros datarão os anos como entenderem. Para mim, considero que entre 1974 e 2009 passámos pelos melhores 35 anos da história de Portugal.

Não me queixo da minha infância - tinha 19 anos em 1974 - e  fui um dos priveligiados: andei num colégio de élites, entrei para a faculdade facilmente, tirei a carta de condução logo aos 18 anos...

Mas para mim, a verdadeira felicidade veio depois, quando me licenciei, quando arranjei emprego a dar aulas na faculdade 1 mês depois da licenciatura tirada, quando organizei a minha vida de adulto de forma tão fácil que até parecia "tão natural como ter nascido":  Aos 25 anos tinha casa própria (embora a pagar hipoteca) , tinha um filho, continuava a dar aulas na faculdade, tinha entrado para os CTT  e ainda trabalhava como free-lancer a fazer estudos de viabilidade financeira para os bancos...

Nesses tempos havia democracia, votávamos e vivíamos intensamente a vida pública. Mesmo com dificuldades financeiras havia esperança, pois a Europa de Willy Brandt estava connosco.

Criou-se o SNS, o acesso ao ensino liberalizou-se e democratizou-se. Defenderam-se os mais pobres, reforçou-se a Segurança Social, deu-se dignidade ao trabalho.

Os anos que vinham pareciam ser anos cada vez melhores...
Tão fundo e amplo foi o "balde" de esperança que ganhámos com o 25 de Abril que esta parecia durar para sempre... Mas não durou.

Tal como a felicidade da "linda Inês".

Alguns analistas (Vasco Pulido Valente quase sempre, e mais próximo de nós, Medina Carreira, entre outros) sempre disseram que "isto não era para durar! O país não tem estaleca para tanto!".

E que "vivíamos acima da riqueza que criávamos, e que alguém, nalguma altura, havia de nos apresentar a conta desta destemperança". 

Estamos agora no período do "Ajuste das Contas". Podem chamar-lhe "ajuste orçamental", "reforma do Estado", o que quiserem.

Para muitos portugueses - para aqueles que ainda se lembram da ideologia da juventude -  os males que sofrem mais não são do  que uma vingançazinha dos ricos e poderosos pela "boa vida" que levaram nestes 35 anos. A retribuição do grande capital pelas leviandades praticadas. "Havia liberdade a mais! Agora aguentem!"

Para outros, tudo terá a ver com a "Sorte". Este país foi feito à sombra das crendices árabes no destino e na predistinação... "É o nosso fado".


Mas todos têm medo. Como muito bem dizia hoje de manhã na TSF Victor Cotovio:

-"As crianças têm medo do medo dos Pais, os pais têm medo do futuro dos filhos, os mais velhos têm medo de morrer sem deixar para trás uma situação pelo menos igual à que tiveram. Uns estão ansiosos, os outros estão desesperados."

E eu concluo: a pior coisa que pode acontecer a um povo é instalar-se este desespero, a pouco e pouco ir-se acumulando no pensamento coletivo a ideia de que "não há solução".
Sem esperança não há força de vontade para lutar contra as adversidades. Sem justiça ninguém pode exigir esses sacrifícios de todos.

Nota: Os Lusíadas, Canto III

 Estavas linda Inês, posta em sosssego,
 De teus anos colhendo doce fruito Naquele engano da alma, ledo e cego,
 Que a Fortuna não deixa durar muito,
 Nos saudosos campos do Mondego,
 De teus fermosos olhos nunca enxuito,
 Aos montes insinando e às ervinhas
 O nome que no peito escrito tinhas.

sexta-feira, outubro 26, 2012

Para Descansar a Vista

Numa homenagem a Bertold Brecht e ao seu grande tradutor, mestre Paulo Quintela, ensigne Professor da UL de Lisboa, proponho hoje um poema para pensarmos.

Nesta altura de crise onde tudo nos é pedido, onde ainda há que chegar mais longe no capítulo da solidariedade, pode ser importante repensarmos as causas das coisas...

Mas que isso não nos leve a construir o escudo da indiferença à nossa volta!

Na grande maioria das vezes o pobre não escolhe de onde lhe vem a esmola, nem tem culpa da sociedade o ter assim tratado.

De que Serve a Bondade?
De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?

De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?

De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?

Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor;
A faça supérflua!

Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!

Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!

Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'
Tradução de Paulo Quintela


Nota: "Triunfo da Pobreza" Quadro de Lucas Vorstermann the Elder, after Hans Holbein the Younger.  Trata-se de uma cópia feita no século XVII de um original hoje perdido de Holbein e datado em estimativa de 1532. Está no Museu Britânico.

quinta-feira, outubro 25, 2012

Trovoada para o Halloween

Caíu uma "bernarda" daquelas antigas aqui pela Grande Lisboa por volta das 4 da manhã.

Eu, que estava ainda a falar com o senhorio depois dele ter chegado de mais uma reunião partidária com o Tó Zé (lamento mas só ouvi falar de ainda mais  notícias más Amigos, mas adiante...) vi bem estremecerem os vidros todos lá de casa, incluindo os do aparador dos copos  - imaginem a desgraça  se têm partido os meus copinhos de vinho da  Riedel, tão amorosamente comprados em dias bem melhores...

Aproxima-se a noite das bruxas. Pode ser que alguns portugueses (onde me incluo) até achem que essas senhoras já se instalaram aqui no velho retângulo há mais de um ano e, talvez por gostarem do clima, nunca mais de cá saíram. Agora imaginem o que pode acontecer na noite de Samhain, a antiga noite celta das forças malignas, quando "elas" tiverem todos os poderes disponíveis...

"Samhain (like Beltane) was seen as a time when the 'door' to the Otherworld opened enough for the souls of the dead, and other beings, to come into our world. Feasts were had, at which the souls of dead kin were beckoned to attend and a place set at the table for them. It has thus been likened to a festival of the dead.  People also took steps to protect themselves from harmful spirits, which is thought to have led to the custom of guising. Divination was also done at Samhain."

Mas deixando lá mais para o pé do 31 de Outubro a nossa habitual evocação do Halloween aqui no Blog, hoje fico apenas pela visão (aterradora) da Srª Merkl .

E segundo parece ela vem por aí!

Fechem as crianças em casa!

quarta-feira, outubro 24, 2012

Responsabilidades: As consequências

O julgamento em Itália dos cientistas que tinham estado envolvidos nas previsões sismológicas, e depois nos comunicados públicos, sobre a possibilidade de terramoto em Áquila, deu e continua a dar muito que falar em todo o mundo.

Foram condenados a 6 anos de prisão, porque se teria provado durante o julgamento que foram as suas comunicações "pacificadoras e calmantes" da população que tinham levado a que muitos dos habitantes do que viria a ser o local da tragédia ficassem em sua casa,  e não tivessem fugido como seria a sua intenção primeira.

Até que ponto esta moda vai pegar? Até que ponto todas estas decisões passarão a ser responsabilizadas na justiça? Até que ponto, por fim, é que se espera uma generalização deste assunto a políticos cujas ações dão cabo da vida das pessoas, tal como já pode acontecer (embora raramente) a advogados e juízes, a médicos e enfermeiros?

O risco já todos o sabemos: consiste em a "malta" envolvida passar a estar calada. Em os políticos decidirem sempre pelo seguro, ou então, em caso de dúvida, não decidirem nada. Todavia estude-se o exemplo da Islândia já citado por aqui...

Terá de se encontrar a figura do crime social "por omissão".

Dito isto, nem todas as ciências são "exatas".

Na dúvida, deve o cientista acalmar a população ou instigar o desassossego generalizado? E não seria depois "condenado" por ter obrigado milhares de cidadãos a debandar sem que nada tivesse acontecido? E responsabilizado (por exemplo) por causa dos roubos que teriam lugar nas casas abandonadas?

Não tenho respostas sobre estas questões. Mas uma coisa parece-me certa: têm que se discutir amplamente na sociedade civil.

terça-feira, outubro 23, 2012

As Últimas de Alvalade

Resisti até onde pude...Mas depois de tanto Treinador apontado para o comando dos velhos leões, desde o Ministro Rangel até ao Sargentão Scollari (que não veio quando lhe disseram que tinha de ser ele a pagar o ordenado ao Clube) não posso deixar de contar a história que hoje de manhã bem cedo ouvi no quiosque dos jornais, à porta da Versailles:

- "Devido à falta de verbas para rega, o Hipódromo do Campo Grande, lá mesmo em frente ao estádio,  estaria a ser utilizado para campo nº 2 do SCP. Daí a falta de resultados da equipa principal... Os jogadores estavam em protesto , autêntica greve de zelo, porque os substitutos, os gajos da  equipa B, andavam metidos com Mulas a toda a hora  e eles não... Só à noite!"

Em Torres Vedras: no meio da criançada!

Hoje foi dia de ir a Torres Vedras (um salto pela A8) fazer uma festa com o Jardim-Escola João de Deus dessa localidade e o seu aluno Martim, autor de um dos selos deste ano da Emissão "Correio Escolar".

O Martim portou-se como um herói! Apesar dos seus 4 anitos e picos assinou os 5 sobrescritos da praxe e carimbou valentemente os selos ali colados! Para o último cansou-se um bocadinho e já só escreveu "MATIM", tal e qual e em maiúsculas. Faltou-lhe o "R"...

segunda-feira, outubro 22, 2012

A Qualidade

Noutros tempos mais felizes, estava eu a desempenhar o cargo de key accounts general manager aqui nos CTT (Diretor de Grandes Clientes) quando o velho e perspicaz Dr. Pilar me mandou fazer um "Memorando sobre a Qualidade".

O que é que o nosso Cliente achava da qualidade que lhe dávamos. Se queria mais e se queria pagar por mais...

Foi interessante ler o que havia de mais recente (estávamos em 1999) sobre o tema publicado por faculdades de referência - Harvard, Cambridge... - e depois fazer as perguntas da praxe aos cerca de 40 Grandes Clientes que nesses tempos representavam quase 70% da receita total dos CTT.

Os Clientes queixam-se sempre da "má qualidade do serviço". Aliás, em qualquer ramo da gestão e de negócio o fariam. Faz parte da descrição de funções da palavra "cliente" ... Mas, neste caso concreto,  quando questionados se estavam disponíveis a pagar mais por mais qualidade garantida dos serviços postais, a grande maioria das respostas foi negativa!

A Qualidade que tinham era já a suficiente. Não estavam dispostos a pagar por mais. Num mundo ideal, o que desejavam era ainda mais Qualidade e se possível a preços mais baratos...

Aprendi bem nesse momento que Qualidade era um conceito relativo e não absoluto, e ainda que não era possível discutir qualidade sem discutir o seu custo e o preço que alguém estaria disposto a dar por ela. E, finalmente,  que a Qualidade a mais tinha ela própria também um custo, tal como a falta de Qualidade.

Como exemplo mais recente lembro a emissão conjunta com o Japão feita em 2010 onde combinámos com o Impressor Cartor (que também imprimia os selos japoneses) passar a qualidade da trama para 600 dpi's. Quase o dobro do que fazemos normalmente, para acompanhar a qualidade dos selos japoneses que eram sempre feitos com essa definição de pontos por polegada.

Pois ninguém deu por isso... E custou uns euritos...

Tenho andado pela Fundação das Comunicações a dar formação num curso que reúne quadros superiores vários  países de expressão portuguesa. O curso é obviamente sobre MKT de Correios e de Telecomunicações.

Por isso regressei ao velhinho "Adega dos Macacos" , onde os notáveis Sr Luis (gerente) e Sr. Leonel (na barra) continuam a desafiar Gaspares e Merkles e conseguem manter a casinha aberta apesar do público-cliente ser agora talvez um terço daquilo que já foi.

Num almoço de 18 pessoas, onde a maioria pediu peixe fresco grelhado - douradas e salmão - onde se bebeu vinho verde e cervejas e onde vieram cafés no final, a conta foi dividida por todos e andou pelos 11 € por cabeça. E ainda deu direito a pão e queijinhos secos de entrada, mais algumas coca-colas e águas.

Eu tinha pedido as "Iscas da casa" prato que me faz lembrar a Manuela, o Duran e as nossas patuscadas ali naquele mesmo lugar.

No final o Sr. Luis veio pedir desculpa pelo óleo de fritar, talvez já com alguma idade, "não do uso, infelizmente, mas por estar na fritadeira há já algum tempo..."

E perguntou ainda " se tinham achado caro?".

Os colegas de Angola, Brasil e etc... não tinham achado caro. Pelo contrário. Dada a qualidade tinha sido bué barato.

Seria caro mas era para portugueses, pensei eu... São as voltas da nora.

sexta-feira, outubro 19, 2012

Para descansar a Vista

Em redor do tema , aqui recorrente e ainda bem, da Amizade,  aqui vai o grande Eugénio de Andrade:

Os Amigos

Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.

Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"


E termino com dois pensamentos do brasileiro Millôr Fernandes, ensaísta, escritor e jornalista:
"Os nossos amigos poderão não saber muitas coisas, mas sabem sempre o que fariam no nosso lugar."

"A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades."

Entre Amigos

Sábado passado rumámos ao centro geodésico do País, para um almoço entre bons amigos.

Cabrito lá da quinta assado no forno e excelente de gosto, Coelhos bravos estufados à moda do Álvaro e  Cachaço de porco preto, fizeram as honras da festa. Tudo acompanhado pelas batatas ali criadas e saladas de alface e tomate idem, idem.

De vinhos levaram-se uns espumantes rosés  (região de Baião) para limpar os dentes e desanuviar o palato, antes de passarmos às coisas mais sérias: Quinta do Mouro de 2007 , Vallado Touriga Nacional de 2007, Barca Velha de 1999, tudo em garrafas magnum.

A prova do Mouro foi assim-assim, a do Sr. Barca Velha ainda se revelou excepcional tendo em atenção a idade. Mas o que verdadeiramente deslumbrou foi o Vallado Touriga Nacional, classificado com 95\100 pontos na Wine Spectator e que deu claramente razão à classificação!

Por enquanto ainda se podem fazer destas avarias... Embora o vinhito tenha sido comprado há já alguns anos, no chamado "tempo de gastar". Agora vamos avançando pelo "tempo de amargar".

E não é a mesma coisa! Podem ter a certeza disso...

quarta-feira, outubro 17, 2012

O Cabra da Festa

No Nordeste do Brasil, por alteração do vocábulo popular português "cabrão" e espanhol "cabrón" , utiliza-se ainda hoje muito o termo " o Cabra" ou ainda "o cabra da peste" , "o cabra da mulesta", para designar (imaginem) um homem forte e sem medo. Um personagem valente e perigoso, um verdadeiro "cabrón de mierda" como dizem ali ao lado!

Nesse sentido, o "cabra da festa" é o personagem que, sempre no país-irmão,  normalmente está de guarda à porta da festança , seja ela onde for, para evitar que lá entrem manguelas duvidosos ou que saiam outros ainda mais duvidosos (mas com melhor aspecto) sem pagar.

Mesmo que  o nosso país seja tudo atualmente menos  uma "festa" - embora para alguns foi, é , e continuará a ser uma - era importante existir uma brigada desses "cabras" que controlasse as fugas de capitais, a evasão fiscal, a corrupção e outros fenómenos parecidos que parecem pulular nestes tempos de crise.

Estima-se que as dívidas por cobrar do Estado ascendam a 11 mil milhões de euros, quase 8% do PIB. Este valor, se recuperado, evitaria grande parte do esforço brutal de ajustamento que agora nos é exigido pelo proposto Orçamento de Estado para 2013.

Dizem-nos que se tem progredido muito nessa recuperação, mas a procissão ainda vai no adro. E quando se pedem histericamente alternativas para o obsceno aumento de Impostos, faz pena ver  que nada se  propôe para reforçar a "brigada dos cabras" nestas vertentes de fiscalização que passam cada vez mais pelo controlo do grande capital,  e pela auditoria e inspeção cada vez mais cerrada das contabilidades dos bancos e das grandes empresas multinacionais que alegremente se estabelecem em paraísos fiscais para evitar pagar aqui em Portugal os seus impostos. 

Pelo contrário, é advogada atualmente pela ideologia do regime a diminuição do peso do Estado , por outras palavras, a não substituição ou o despedimento de funcionários públicos.

É que, por muito que custe aos liberais de serviço, a economia paralela que urge combater em Portugal não é apenas a cabeleireira que não passa recibo, ou o mecânico de automóveis que se esquece da fatura...

Quem já se queixou da ASAE fui eu, mas até tenho receio que com estas medidas de aperto de cinto e dispensas de trabalhadores ainda volte ao burgo a moda da sardinha com vareja...


Nota: Em Portugal não há o Cabra da Festa, mas há a Festa da Cabra!! 

 "Festa da Cabra e do Canhoto": Festa tradicional de características únicas, realiza-se a 31 de Outubro, no Concelho de Vinhais.
Segundo a tradição, nesta festa deve-se fazer uma grande fogueira com o "canhoto", nome que se dá ao tronco. O canhoto e toda a lenha que se queima nesta fogueira deverâo ser roubados, pois se não forem roubados diz a tradição que  não ardem.
Nesta fogueira vai ser cozinhada uma cabra em grandes potes, enquanto isso vão-se comendo castanhas assadas, figos secos e nozes.
Nessa noite a aldeia é virada ao contrário, pois a rapaziada vai roubar os vasos das flores e espalha-los pelas ruas, viram ao contrário os carros de bois e carroças de animais. Nessa noite também um carro de bois percorre a aldeia puxado pelos rapazes, com as atarraxas bem apertadas para cantar bem alto e não deixar dormir ninguém.
É um lugar de festa e convívio, trocam-se notícias de amigos e familiares ausentes, encontram-se os amigos numa noite animada.

Fonte: Origens.pt

terça-feira, outubro 16, 2012

Ai que Dói!

Dói-lhes alguma coisa amigos? Pois a mim também...
Nem sei do que seja.

Acordei desta maneira, uma espécie de colite misturada com a inflamação da vesícula... E que dá uma azia que até parece que passei a noite a comer caramujos...

Pode ser da apresentação do Orçamento de Estado para 2013?

Talvez. Depois , durante a discussão na AR,  logo se vê se os sintomas se agravam ou não. Mas é provável que sim. Ou me engano muito ou muitos dos portugueses "ricos" vão passar a grande parte do ano que vem com grandes diarreias e sem dormir, a dar voltas na cama, enquanto têm cama.

Grande fotografia a que junto , não acham?

- "As nossas Armas são estas!"

Dizia a jovem exibindo os seus dotes sem pudores.

Ah Grande Marianne!


Nota: Fotografia por cortesia do Correio da Manhã.

segunda-feira, outubro 15, 2012

Cozinha à Gaspar: Aproveitamentos

Muitas vezes vemo-nos com sobras de cozido à portuguesa em casa. A forma mais conhecida de fazer esse aproveitamento é na Tortilha à Espanhola, mas para quem se está a defender um pouco das fritadas deixo aqui hoje uma alternativa - que fiz no Domingo lá em casa - e que consiste num "Arroz de Forno de Substância".

Tirei a ideia desta receita de um prato emblemático da "Tia Alice" em Fátima, mas já na casa de meus sogros se faziam estes tabuleiros de forno com carnes e fumados previamente cozidos, não para aproveitamentos - os porcos e as galinhas davam cabo de todas as sobras -  mas quando se queria desenjoar das batatas cozidas com os enchidos e as couves.

Para começar escolham muito bem as carnes do cozido, retirando a pele aos bocados das farinheiras e aos troços de chouriço, e desfiando a carne de vaca e de porco que tenha ficado. Depois cozam um chouriço gordo (aqui tem de ser um chouriço novo, crú) e aproveitem a água para o arroz.

Façam uma puxadinha leve de cebola fininha , alho e sal com bom azeite, num tacho de fundo espesso. Quando a cebola ficar transparente deitem um copito de vinho branco para refrescar e deixem alourar mais uns minutos. Depois fritem o arroz (do vaporizado) e deixem cozer sem ficar muito espapaçado, praticamente "al dente".

Já sabem que a medida - como vai para o forno - deve ser de uma chávena de arroz para duas e meia da água onde cozeram o chouriço.

Estando o arroz cozido começem por cobrir com ele o fundo de um tabuleiro. Depois deitem as carnes todas desfiadas à mão. Acabem com o resto do arroz e alisem por cima.

Decorem com os troços do chouriço que cozeram nesse dia e vai ao forno a uns 170º por uma hora mais ou menos, vão controlando sff.

Com uma salada e um tinto Vallado de 2009 (colheita) espero que lhes faça bom proveito e sirva para esquecer um pouco a cabra da crise.

Nota: Em querendo fazer este prato "à moda dos ricos remediados" isto é, com as carnes e enchidos de raiz, basta cozerem os mesmos como se fosse para o cozido, aproveitar essa água e depois fazer tudo igual ao que descrevi acima.

Chicotada Açoreana

O Governo começou a colher aquilo que semeou. Nos Açores o PS reforça a Maioria Absoluta depois e apesar  de 16 anos  de governação socialista, não dando razão a quem vaticinava (com alguma perspicácia, mas antes das medidas "colossais") que estava na altura da alternância democrática no Arquipélago.

Se a "moda" pega no Continente, é de esperar choro e ranger de dentes nos aparelhos do  PSD e CDS lá mais para o ano que vem.

A não ser que Passos Coelho volte atrás na estratégia demolidora da classe média que tem vindo a implementar...

E, aqui para nós e sabendo como está tanta gente a ter insónias só a pensar como vai poupar para pagar o IRS, já nem sei se preferiria isso mesmo, o atalhar deste caminho de miséria já, ou dar mais umas "nalgadas sérias" ao Governo nas autárquicas, para que o susto fosse ainda maior...

De todas as formas o aviso está dado. E para bom entendedor meia palavra costuma bastar. Mesmo que seja  em sotaque ilhéu, de S. Miguel.

quinta-feira, outubro 11, 2012

Antecipação poética

Amanhã não passo por aqui, tenho que fazer com a minha Santa cá de baixo.

Médicos e doutores outra vez... Mas no caso dela ( e Graças a Deus) é a revisão do milhão de km!!

Já lá não chego eu...

Vamos então aos poemas.

Em louvor da vida saudável e longa, aqui vai esta peça  de Fernanda de Castro, autêntico hino de paz neste Outono da vida:

Alma Serena

Alma serena, a consciência pura,
assim eu quero a vida que me resta.
Saudade não é dor nem amargura,
dilui-se ao longe a derradeira festa.

Não me tentam as rotas da aventura,
agora sei que a minha estrada é esta:
difícil de subir, áspera e dura,
mas branca a urze, de oiro puro a giesta.

Assim meu canto fácil de entender,
como chuva a cair, planta a nascer,
como raiz na terra, água corrente.

Tão fácil o difícil verso obscuro!
Eu não canto, porém, atrás dum muro,
eu canto ao sol e para toda a gente.
Fernanda de Castro, in "Ronda das Horas Lentas"


Agora de meu mestre Borges, aqui fica um lamento em laia de remorso: não fui feliz!

Por muito que os alcatruzes da nora girem ao contrário é cada vez mais importante não nos esquecermos de ser felizes... Mesmo que substituindo o bife do lombo pelo carapau negrão!

 E nunca se esqueçam do que escreveu Ferran Adrià (El Bule) : "Mais vale uma bela sardinha que uma lagosta medíocre!"

O Remorso

Cometi o pior desses pecados
Que podem cometer-se. Não fui sendo
Feliz. Que os glaciares do esquecimento
Me arrastem e me percam, despiedados.
Plos meus pais fui gerado para o jogo
Arriscado e tão belo que é a vida,
Para a terra e a água, o ar, o fogo.
Defraudei-os. Não fui feliz. Cumprida
Não foi sua vontade. A minha mente
Aplicou-se às simétricas porfias
Da arte, que entretece ninharias.
Valentia eu herdei. Não fui valente.
Não me abandona. Está sempre ao meu lado
A sombra de ter sido um desgraçado.

Jorge Luis Borges, in "A Moeda de Ferro"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral


Médicos e Doutores

Ontem eu e o senhorio tínhamos a revisão habitual. Dos 100 000 km para mim e dos 50 000 km para ele.

Tínhamos de ir ver o estado em que se encontravam os velhos amigos (meus, porque dele são ainda novos) Zé Castrol, Tia Betes, Joca da Pensão (arterial) e por aí fora.

Enquanto esperávamos pelo "mecânico encartado" houve que comer qualquer coisinha. Tenho uma mania que consiste em nunca comer antes destas revisões, não vá o médico (apesar de nosso amigo)  ainda mais me chatear por causa do peso se se deparar com o barril atestado na altura da apalpação. Para além disso levo-lhe sempre 2 garrafitas de bom tinto, para mais amenizar a conversa à roda desse assunto meio tabu.

Mas ontem o "senhorio" parecia que estava esganado e não abdicou de se sentar à mesa.

Ali bem perto do consultório do Amigo e Doutor Cantiga encontrámos um paradouro numa meia cave:

Restaurante Ninho do Ouriço
Av. Defensores de Chaves 69, D

Pratos a cinco euros e meio. Vinho havia o da casa, em jarros. Pãozinho bom  na mesa. Azeitonas temperadas, um prato de cozido e outro de carapaus com molho à espanhola, uma meia de branco (era de Sobral do Monte Agraço e muito razoável). Um queijito para sobremesa. 2 cafés. Tudo isto por ...15 euros.

Serviu para desenjoar das outras vezes em que só o couvert custa isso. Por pessoa...

E notas do que se comeu? Bem, as doses eram pequenas (não há milagres) mas a qualidade era muito boa. Cozido bem feito e nada a extravasar de carnes gordas, um belo carapau "negrão" fresco a ocupar um prato inteiro, vinho, como já disse, muito aceitável pelo preço.

Depois no médico é que foram elas... ainda por cima o estupor do homem tem corpo e alma de maratonista... E - nouance fatal -  como me tinha esquecido do vinho levei-lhe o nosso último livro sobre o Rio Douro. Bela prenda, mas...não era a mesma coisa...

Em conclusão: ouvi das boas.  Se fosse na Inspeção Periódica Obrigatória dos automóveis tinha chumbado e mandado lá ir outra vez depois de arranjar algumas das maleitas.

E já tenho outra "revisão" marcada para Dezembro. O gajo ainda me disse:

-" É para preparar bem o Natal! He, He, He..."

Tenho de escrever no Black Berry uma nota para mim próprio para não me esquecer do vinho, senão estou bem tramado... Nem as filhoses me servem de proveito...

Mas porque razão não arranjei eu um médico gordo e anafado, que fumava e bebia whisky mais que um jornalista da Bola em noite de Quarta Feira europeia, como era o do meu Pai, e que nunca o chateou enquanto viveu?

Resposta: Esse médico já faleceu... E relativamente novo Caraças!

quarta-feira, outubro 10, 2012

Teias da Ignorância no Universo Fiscal

O meu "bi-colega" Miguel Esteves Cardoso (primeiro andámos juntos nos 2 últimos anos do Liceu, em  S. João do Estoril e depois no ISCTE fomos assistentes na mesma altura) fala hoje na sua crónica diária sobre aquela frase célebre de um físico americano:
"Existe no mundo físico um oceano de desconhecimento que rodeia a ilha daquilo que sabemos por todos os lados. Quanto mais cresce a ilha , quanto mais julgamos saber, mais cresce também a costa da nossa ignorância".

E é bem verdade. Mas essa "ignorância" nunca foi tão perigosa  - sobretudo no relacionamento com o Estado e a Autoridade Fiscal - como neste momento.

Reparem que na sua vertente mais otimista de encarar a vida, muitos restauradores diziam sobre o aumento do IVA  de 13% para 23%:
- "Temos que aguentar e não fazer refletir nos preços estes 10% do aumento..."

Quando na verdade, de 13% para 23%  é mesmo  um acréscimo de quase 80%!! E a  AHRESP tanto tem insistido no esclarecimento cabal deste ponto que atualmente já serão muito poucos os seus associados que ainda pensam daquela maneira.

As SCUDS  têm agora 15% de desconto para "toda a gente" ! Quer isto dizer que a partir da 6ª ou da 7ª vez que uma viatura por lá passar estará a passar "à borla"?  6 x 15% sempre são 90%!

Claro que não! Cada vez que passarmos pelos "portais" lá vai o Gaspar outra vez à continha bancária do automobilista impetrante!! E se passarmos 6 vezes , irá lá ao mesmo local 6 vezes tirar o dinheirinho!

O IMI, para o ano que vem,  vai dar conta da vidinha de muita gente. Anulada a precaução legal que impedia aumentos superiores a 75€ em 2013 e 2014, é provável que a maioria dos proprietários veja a sua "contribuição" bastante inflacionada face ao que pagou em 2012.
 Vejam aqui um artigo explicativo sff:


Mas não paguem sem ler atentamente os detalhes das reavaliações! Existe já jurisprudência do Supremo Tribunal Administrativo que aconselha todo o cuidado ao contribuinte em relação a esse ponto fulcral,  que é o seu direito em saber quais os argumentos que levaram o Estado a reavaliar por determinado valor.

Aqui também podem ler sobre este assunto:


Finalmente, como podem os trabalhadores por conta de outrém "safar-se" desta maresia?  Eles  que já não sabemos bem se  têm direito a qualquer tipo de dedução em sede de IRS , os tais "ricos" de que aqui falava um destes dias, e que tudo indica que sejam (para confirmar no Orçamento de Estado) famílias com mais de 45000€ brutos de rendimento por ano em 2013?

Vejam também aqui sff este excelente artigo de Paula Cravina de Sousa:

http://economico.sapo.pt/noticias/nprint/152252.html

E ainda cito, de diversas publicações especializadas:

"De uma forma geral,  e e para a maioria dos portugueses, o aumento dos impostos em 2013 será sentido particularmente  ao nível das referidas deduções. Pela primeira vez, as deduções permitidas em sede de IRS serão sujeitas a um valor que englobarão todas as deduções – saúde, educação, casa, etc."

 "Quando no próximo ano começarem a ser entregues as declarações de IRS referentes aos rendimentos obtidos em 2012, a generalidade dos portugueses vai confrontar-se pela primeira vez com um valor global para o conjunto das deduções (saúde, educação, casa, seguros) fiscais que oscila entre os 1250 e os 1100 euros. E os rendimentos acima de 66045 euros perdem totalmente o direito a beneficiar destas deduções."


Na ressaca de tanta violência de Estado como devemos encarar  aquele  "grave problema" da bandeira nacional invertida na Praça do Município, a 5 de Outubro?

Como diria o Zé Povinho:

-" A bandeira  que se f...coiso ...carago! Eu quero saber é onde pára o meu pilim!!"

Ele e nós...