Numa homenagem a Bertold Brecht e ao seu grande tradutor, mestre Paulo Quintela, ensigne Professor da UL de Lisboa, proponho hoje um poema para pensarmos.
Nesta altura de crise onde tudo nos é pedido, onde ainda há que chegar mais longe no capítulo da solidariedade, pode ser importante repensarmos as causas das coisas...
Mas que isso não nos leve a construir o escudo da indiferença à nossa volta!
Na grande maioria das vezes o pobre não escolhe de onde lhe vem a esmola, nem tem culpa da sociedade o ter assim tratado.
De que Serve a Bondade?
De que serve a bondade
Quando os bondosos são logo abatidos, ou são abatidos
Aqueles para quem foram bondosos?
De que serve a liberdade
Quando os livres têm que viver entre os não-livres?
De que serve a razão
Quando só a sem-razão arranja a comida de que cada um precisa?
Em vez de serdes só bondosos, esforçai-vos
Por criar uma situação que torne possível a bondade, e melhor;
A faça supérflua!
Em vez de serdes só livres, esforçai-vos
Por criar uma situação que a todos liberte
E também o amor da liberdade
Faça supérfluo!
Em vez de serdes só razoáveis, esforçai-vos
Por criar uma situação que faça da sem-razão dos indivíduos
Um mau negócio!
Bertold Brecht, in 'Lendas, Parábolas, Crónicas, Sátiras e outros Poemas'
Tradução de Paulo Quintela
Nota: "Triunfo da Pobreza" Quadro de Lucas Vorstermann the Elder, after Hans Holbein the Younger. Trata-se de uma cópia feita no século XVII de um original hoje perdido de Holbein e datado em estimativa de 1532. Está no Museu Britânico.
sexta-feira, outubro 26, 2012
quinta-feira, outubro 25, 2012
Trovoada para o Halloween
Caíu uma "bernarda" daquelas antigas aqui pela Grande Lisboa por volta das 4 da manhã.
Eu, que estava ainda a falar com o senhorio depois dele ter chegado de mais uma reunião partidária com o Tó Zé (lamento mas só ouvi falar de ainda mais notícias más Amigos, mas adiante...) vi bem estremecerem os vidros todos lá de casa, incluindo os do aparador dos copos - imaginem a desgraça se têm partido os meus copinhos de vinho da Riedel, tão amorosamente comprados em dias bem melhores...
Aproxima-se a noite das bruxas. Pode ser que alguns portugueses (onde me incluo) até achem que essas senhoras já se instalaram aqui no velho retângulo há mais de um ano e, talvez por gostarem do clima, nunca mais de cá saíram. Agora imaginem o que pode acontecer na noite de Samhain, a antiga noite celta das forças malignas, quando "elas" tiverem todos os poderes disponíveis...
"Samhain (like Beltane) was seen as a time when the 'door' to the Otherworld opened enough for the souls of the dead, and other beings, to come into our world. Feasts were had, at which the souls of dead kin were beckoned to attend and a place set at the table for them. It has thus been likened to a festival of the dead. People also took steps to protect themselves from harmful spirits, which is thought to have led to the custom of guising. Divination was also done at Samhain."
Mas deixando lá mais para o pé do 31 de Outubro a nossa habitual evocação do Halloween aqui no Blog, hoje fico apenas pela visão (aterradora) da Srª Merkl .
E segundo parece ela vem por aí!
Fechem as crianças em casa!
Eu, que estava ainda a falar com o senhorio depois dele ter chegado de mais uma reunião partidária com o Tó Zé (lamento mas só ouvi falar de ainda mais notícias más Amigos, mas adiante...) vi bem estremecerem os vidros todos lá de casa, incluindo os do aparador dos copos - imaginem a desgraça se têm partido os meus copinhos de vinho da Riedel, tão amorosamente comprados em dias bem melhores...
Aproxima-se a noite das bruxas. Pode ser que alguns portugueses (onde me incluo) até achem que essas senhoras já se instalaram aqui no velho retângulo há mais de um ano e, talvez por gostarem do clima, nunca mais de cá saíram. Agora imaginem o que pode acontecer na noite de Samhain, a antiga noite celta das forças malignas, quando "elas" tiverem todos os poderes disponíveis...
"Samhain (like Beltane) was seen as a time when the 'door' to the Otherworld opened enough for the souls of the dead, and other beings, to come into our world. Feasts were had, at which the souls of dead kin were beckoned to attend and a place set at the table for them. It has thus been likened to a festival of the dead. People also took steps to protect themselves from harmful spirits, which is thought to have led to the custom of guising. Divination was also done at Samhain."
Mas deixando lá mais para o pé do 31 de Outubro a nossa habitual evocação do Halloween aqui no Blog, hoje fico apenas pela visão (aterradora) da Srª Merkl .
E segundo parece ela vem por aí!
Fechem as crianças em casa!
quarta-feira, outubro 24, 2012
Responsabilidades: As consequências
O julgamento em Itália dos cientistas que tinham estado envolvidos nas previsões sismológicas, e depois nos comunicados públicos, sobre a possibilidade de terramoto em Áquila, deu e continua a dar muito que falar em todo o mundo.
Foram condenados a 6 anos de prisão, porque se teria provado durante o julgamento que foram as suas comunicações "pacificadoras e calmantes" da população que tinham levado a que muitos dos habitantes do que viria a ser o local da tragédia ficassem em sua casa, e não tivessem fugido como seria a sua intenção primeira.
Até que ponto esta moda vai pegar? Até que ponto todas estas decisões passarão a ser responsabilizadas na justiça? Até que ponto, por fim, é que se espera uma generalização deste assunto a políticos cujas ações dão cabo da vida das pessoas, tal como já pode acontecer (embora raramente) a advogados e juízes, a médicos e enfermeiros?
O risco já todos o sabemos: consiste em a "malta" envolvida passar a estar calada. Em os políticos decidirem sempre pelo seguro, ou então, em caso de dúvida, não decidirem nada. Todavia estude-se o exemplo da Islândia já citado por aqui...
Terá de se encontrar a figura do crime social "por omissão".
Dito isto, nem todas as ciências são "exatas".
Na dúvida, deve o cientista acalmar a população ou instigar o desassossego generalizado? E não seria depois "condenado" por ter obrigado milhares de cidadãos a debandar sem que nada tivesse acontecido? E responsabilizado (por exemplo) por causa dos roubos que teriam lugar nas casas abandonadas?
Não tenho respostas sobre estas questões. Mas uma coisa parece-me certa: têm que se discutir amplamente na sociedade civil.
Foram condenados a 6 anos de prisão, porque se teria provado durante o julgamento que foram as suas comunicações "pacificadoras e calmantes" da população que tinham levado a que muitos dos habitantes do que viria a ser o local da tragédia ficassem em sua casa, e não tivessem fugido como seria a sua intenção primeira.
Até que ponto esta moda vai pegar? Até que ponto todas estas decisões passarão a ser responsabilizadas na justiça? Até que ponto, por fim, é que se espera uma generalização deste assunto a políticos cujas ações dão cabo da vida das pessoas, tal como já pode acontecer (embora raramente) a advogados e juízes, a médicos e enfermeiros?
O risco já todos o sabemos: consiste em a "malta" envolvida passar a estar calada. Em os políticos decidirem sempre pelo seguro, ou então, em caso de dúvida, não decidirem nada. Todavia estude-se o exemplo da Islândia já citado por aqui...
Terá de se encontrar a figura do crime social "por omissão".
Dito isto, nem todas as ciências são "exatas".
Na dúvida, deve o cientista acalmar a população ou instigar o desassossego generalizado? E não seria depois "condenado" por ter obrigado milhares de cidadãos a debandar sem que nada tivesse acontecido? E responsabilizado (por exemplo) por causa dos roubos que teriam lugar nas casas abandonadas?
Não tenho respostas sobre estas questões. Mas uma coisa parece-me certa: têm que se discutir amplamente na sociedade civil.
terça-feira, outubro 23, 2012
As Últimas de Alvalade
Resisti até onde pude...Mas depois de tanto Treinador apontado para o comando dos velhos leões, desde o Ministro Rangel até ao Sargentão Scollari (que não veio quando lhe disseram que tinha de ser ele a pagar o ordenado ao Clube) não posso deixar de contar a história que hoje de manhã bem cedo ouvi no quiosque dos jornais, à porta da Versailles:
- "Devido à falta de verbas para rega, o Hipódromo do Campo Grande, lá mesmo em frente ao estádio, estaria a ser utilizado para campo nº 2 do SCP. Daí a falta de resultados da equipa principal... Os jogadores estavam em protesto , autêntica greve de zelo, porque os substitutos, os gajos da equipa B, andavam metidos com Mulas a toda a hora e eles não... Só à noite!"
- "Devido à falta de verbas para rega, o Hipódromo do Campo Grande, lá mesmo em frente ao estádio, estaria a ser utilizado para campo nº 2 do SCP. Daí a falta de resultados da equipa principal... Os jogadores estavam em protesto , autêntica greve de zelo, porque os substitutos, os gajos da equipa B, andavam metidos com Mulas a toda a hora e eles não... Só à noite!"
Em Torres Vedras: no meio da criançada!
Hoje foi dia de ir a Torres Vedras (um salto pela A8) fazer uma festa com o Jardim-Escola João de Deus dessa localidade e o seu aluno Martim, autor de um dos selos deste ano da Emissão "Correio Escolar".
O Martim portou-se como um herói! Apesar dos seus 4 anitos e picos assinou os 5 sobrescritos da praxe e carimbou valentemente os selos ali colados! Para o último cansou-se um bocadinho e já só escreveu "MATIM", tal e qual e em maiúsculas. Faltou-lhe o "R"...
O Martim portou-se como um herói! Apesar dos seus 4 anitos e picos assinou os 5 sobrescritos da praxe e carimbou valentemente os selos ali colados! Para o último cansou-se um bocadinho e já só escreveu "MATIM", tal e qual e em maiúsculas. Faltou-lhe o "R"...
segunda-feira, outubro 22, 2012
A Qualidade
Noutros tempos mais felizes, estava eu a desempenhar o cargo de key accounts general manager aqui nos CTT (Diretor de Grandes Clientes) quando o velho e perspicaz Dr. Pilar me mandou fazer um "Memorando sobre a Qualidade".
O que é que o nosso Cliente achava da qualidade que lhe dávamos. Se queria mais e se queria pagar por mais...
Foi interessante ler o que havia de mais recente (estávamos em 1999) sobre o tema publicado por faculdades de referência - Harvard, Cambridge... - e depois fazer as perguntas da praxe aos cerca de 40 Grandes Clientes que nesses tempos representavam quase 70% da receita total dos CTT.
A Qualidade que tinham era já a suficiente. Não estavam dispostos a pagar por mais. Num mundo ideal, o que desejavam era ainda mais Qualidade e se possível a preços mais baratos...
Tenho andado pela Fundação das Comunicações a dar formação num curso que reúne quadros superiores vários países de expressão portuguesa. O curso é obviamente sobre MKT de Correios e de Telecomunicações.
Por isso regressei ao velhinho "Adega dos Macacos" , onde os notáveis Sr Luis (gerente) e Sr. Leonel (na barra) continuam a desafiar Gaspares e Merkles e conseguem manter a casinha aberta apesar do público-cliente ser agora talvez um terço daquilo que já foi.
Num almoço de 18 pessoas, onde a maioria pediu peixe fresco grelhado - douradas e salmão - onde se bebeu vinho verde e cervejas e onde vieram cafés no final, a conta foi dividida por todos e andou pelos 11 € por cabeça. E ainda deu direito a pão e queijinhos secos de entrada, mais algumas coca-colas e águas.
Eu tinha pedido as "Iscas da casa" prato que me faz lembrar a Manuela, o Duran e as nossas patuscadas ali naquele mesmo lugar.
No final o Sr. Luis veio pedir desculpa pelo óleo de fritar, talvez já com alguma idade, "não do uso, infelizmente, mas por estar na fritadeira há já algum tempo..."
E perguntou ainda " se tinham achado caro?".
Os colegas de Angola, Brasil e etc... não tinham achado caro. Pelo contrário. Dada a qualidade tinha sido bué barato.
Seria caro mas era para portugueses, pensei eu... São as voltas da nora.
O que é que o nosso Cliente achava da qualidade que lhe dávamos. Se queria mais e se queria pagar por mais...
Foi interessante ler o que havia de mais recente (estávamos em 1999) sobre o tema publicado por faculdades de referência - Harvard, Cambridge... - e depois fazer as perguntas da praxe aos cerca de 40 Grandes Clientes que nesses tempos representavam quase 70% da receita total dos CTT.
Os Clientes queixam-se sempre da "má qualidade do serviço". Aliás, em qualquer ramo da gestão e de negócio o fariam. Faz parte da descrição de funções da palavra "cliente" ... Mas, neste caso concreto, quando questionados se estavam disponíveis a pagar mais por mais qualidade garantida dos serviços postais, a grande maioria das respostas foi negativa!
A Qualidade que tinham era já a suficiente. Não estavam dispostos a pagar por mais. Num mundo ideal, o que desejavam era ainda mais Qualidade e se possível a preços mais baratos...
Aprendi bem nesse momento que Qualidade era um conceito relativo e não absoluto, e ainda que não era possível discutir qualidade sem discutir o seu custo e o preço que alguém estaria disposto a dar por ela. E, finalmente, que a Qualidade a mais tinha ela própria também um custo, tal como a falta de Qualidade.
Como exemplo mais recente lembro a emissão conjunta com o Japão feita em 2010 onde combinámos com o Impressor Cartor (que também imprimia os selos japoneses) passar a qualidade da trama para 600 dpi's. Quase o dobro do que fazemos normalmente, para acompanhar a qualidade dos selos japoneses que eram sempre feitos com essa definição de pontos por polegada.
Tenho andado pela Fundação das Comunicações a dar formação num curso que reúne quadros superiores vários países de expressão portuguesa. O curso é obviamente sobre MKT de Correios e de Telecomunicações.
Por isso regressei ao velhinho "Adega dos Macacos" , onde os notáveis Sr Luis (gerente) e Sr. Leonel (na barra) continuam a desafiar Gaspares e Merkles e conseguem manter a casinha aberta apesar do público-cliente ser agora talvez um terço daquilo que já foi.
Num almoço de 18 pessoas, onde a maioria pediu peixe fresco grelhado - douradas e salmão - onde se bebeu vinho verde e cervejas e onde vieram cafés no final, a conta foi dividida por todos e andou pelos 11 € por cabeça. E ainda deu direito a pão e queijinhos secos de entrada, mais algumas coca-colas e águas.
Eu tinha pedido as "Iscas da casa" prato que me faz lembrar a Manuela, o Duran e as nossas patuscadas ali naquele mesmo lugar.
No final o Sr. Luis veio pedir desculpa pelo óleo de fritar, talvez já com alguma idade, "não do uso, infelizmente, mas por estar na fritadeira há já algum tempo..."
E perguntou ainda " se tinham achado caro?".
Os colegas de Angola, Brasil e etc... não tinham achado caro. Pelo contrário. Dada a qualidade tinha sido bué barato.
Seria caro mas era para portugueses, pensei eu... São as voltas da nora.
sexta-feira, outubro 19, 2012
Para descansar a Vista
Em redor do tema , aqui recorrente e ainda bem, da Amizade, aqui vai o grande Eugénio de Andrade:
Os Amigos
Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.
Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"
E termino com dois pensamentos do brasileiro Millôr Fernandes, ensaísta, escritor e jornalista:
Os Amigos
Os amigos amei
despido de ternura
fatigada;
uns iam, outros vinham,
a nenhum perguntava
porque partia,
porque ficava;
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede de alegria —
por mais amarga.
Eugénio de Andrade, in "Coração do Dia"
E termino com dois pensamentos do brasileiro Millôr Fernandes, ensaísta, escritor e jornalista:
"Os nossos amigos poderão não saber muitas coisas, mas sabem sempre o que fariam no nosso lugar."
"A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades."
Entre Amigos
Sábado passado rumámos ao centro geodésico do País, para um almoço entre bons amigos.
Cabrito lá da quinta assado no forno e excelente de gosto, Coelhos bravos estufados à moda do Álvaro e Cachaço de porco preto, fizeram as honras da festa. Tudo acompanhado pelas batatas ali criadas e saladas de alface e tomate idem, idem.
De vinhos levaram-se uns espumantes rosés (região de Baião) para limpar os dentes e desanuviar o palato, antes de passarmos às coisas mais sérias: Quinta do Mouro de 2007 , Vallado Touriga Nacional de 2007, Barca Velha de 1999, tudo em garrafas magnum.
A prova do Mouro foi assim-assim, a do Sr. Barca Velha ainda se revelou excepcional tendo em atenção a idade. Mas o que verdadeiramente deslumbrou foi o Vallado Touriga Nacional, classificado com 95\100 pontos na Wine Spectator e que deu claramente razão à classificação!
Por enquanto ainda se podem fazer destas avarias... Embora o vinhito tenha sido comprado há já alguns anos, no chamado "tempo de gastar". Agora vamos avançando pelo "tempo de amargar".
E não é a mesma coisa! Podem ter a certeza disso...
Cabrito lá da quinta assado no forno e excelente de gosto, Coelhos bravos estufados à moda do Álvaro e Cachaço de porco preto, fizeram as honras da festa. Tudo acompanhado pelas batatas ali criadas e saladas de alface e tomate idem, idem.
De vinhos levaram-se uns espumantes rosés (região de Baião) para limpar os dentes e desanuviar o palato, antes de passarmos às coisas mais sérias: Quinta do Mouro de 2007 , Vallado Touriga Nacional de 2007, Barca Velha de 1999, tudo em garrafas magnum.
A prova do Mouro foi assim-assim, a do Sr. Barca Velha ainda se revelou excepcional tendo em atenção a idade. Mas o que verdadeiramente deslumbrou foi o Vallado Touriga Nacional, classificado com 95\100 pontos na Wine Spectator e que deu claramente razão à classificação!
Por enquanto ainda se podem fazer destas avarias... Embora o vinhito tenha sido comprado há já alguns anos, no chamado "tempo de gastar". Agora vamos avançando pelo "tempo de amargar".
E não é a mesma coisa! Podem ter a certeza disso...
quarta-feira, outubro 17, 2012
O Cabra da Festa
No Nordeste do Brasil, por alteração do vocábulo popular português "cabrão" e espanhol "cabrón" , utiliza-se ainda hoje muito o termo " o Cabra" ou ainda "o cabra da peste" , "o cabra da mulesta", para designar (imaginem) um homem forte e sem medo. Um personagem valente e perigoso, um verdadeiro "cabrón de mierda" como dizem ali ao lado!
Nesse sentido, o "cabra da festa" é o personagem que, sempre no país-irmão, normalmente está de guarda à porta da festança , seja ela onde for, para evitar que lá entrem manguelas duvidosos ou que saiam outros ainda mais duvidosos (mas com melhor aspecto) sem pagar.
Mesmo que o nosso país seja tudo atualmente menos uma "festa" - embora para alguns foi, é , e continuará a ser uma - era importante existir uma brigada desses "cabras" que controlasse as fugas de capitais, a evasão fiscal, a corrupção e outros fenómenos parecidos que parecem pulular nestes tempos de crise.
Estima-se que as dívidas por cobrar do Estado ascendam a 11 mil milhões de euros, quase 8% do PIB. Este valor, se recuperado, evitaria grande parte do esforço brutal de ajustamento que agora nos é exigido pelo proposto Orçamento de Estado para 2013.
Dizem-nos que se tem progredido muito nessa recuperação, mas a procissão ainda vai no adro. E quando se pedem histericamente alternativas para o obsceno aumento de Impostos, faz pena ver que nada se propôe para reforçar a "brigada dos cabras" nestas vertentes de fiscalização que passam cada vez mais pelo controlo do grande capital, e pela auditoria e inspeção cada vez mais cerrada das contabilidades dos bancos e das grandes empresas multinacionais que alegremente se estabelecem em paraísos fiscais para evitar pagar aqui em Portugal os seus impostos.
Pelo contrário, é advogada atualmente pela ideologia do regime a diminuição do peso do Estado , por outras palavras, a não substituição ou o despedimento de funcionários públicos.
É que, por muito que custe aos liberais de serviço, a economia paralela que urge combater em Portugal não é apenas a cabeleireira que não passa recibo, ou o mecânico de automóveis que se esquece da fatura...
Quem já se queixou da ASAE fui eu, mas até tenho receio que com estas medidas de aperto de cinto e dispensas de trabalhadores ainda volte ao burgo a moda da sardinha com vareja...
Nota: Em Portugal não há o Cabra da Festa, mas há a Festa da Cabra!!
"Festa da Cabra e do Canhoto": Festa tradicional de características únicas, realiza-se a 31 de Outubro, no Concelho de Vinhais.
Segundo a tradição, nesta festa deve-se fazer uma grande fogueira com o "canhoto", nome que se dá ao tronco. O canhoto e toda a lenha que se queima nesta fogueira deverâo ser roubados, pois se não forem roubados diz a tradição que não ardem.
Nesta fogueira vai ser cozinhada uma cabra em grandes potes, enquanto isso vão-se comendo castanhas assadas, figos secos e nozes.
Nessa noite a aldeia é virada ao contrário, pois a rapaziada vai roubar os vasos das flores e espalha-los pelas ruas, viram ao contrário os carros de bois e carroças de animais. Nessa noite também um carro de bois percorre a aldeia puxado pelos rapazes, com as atarraxas bem apertadas para cantar bem alto e não deixar dormir ninguém.
É um lugar de festa e convívio, trocam-se notícias de amigos e familiares ausentes, encontram-se os amigos numa noite animada.
Fonte: Origens.pt
Nesse sentido, o "cabra da festa" é o personagem que, sempre no país-irmão, normalmente está de guarda à porta da festança , seja ela onde for, para evitar que lá entrem manguelas duvidosos ou que saiam outros ainda mais duvidosos (mas com melhor aspecto) sem pagar.
Mesmo que o nosso país seja tudo atualmente menos uma "festa" - embora para alguns foi, é , e continuará a ser uma - era importante existir uma brigada desses "cabras" que controlasse as fugas de capitais, a evasão fiscal, a corrupção e outros fenómenos parecidos que parecem pulular nestes tempos de crise.
Estima-se que as dívidas por cobrar do Estado ascendam a 11 mil milhões de euros, quase 8% do PIB. Este valor, se recuperado, evitaria grande parte do esforço brutal de ajustamento que agora nos é exigido pelo proposto Orçamento de Estado para 2013.
Dizem-nos que se tem progredido muito nessa recuperação, mas a procissão ainda vai no adro. E quando se pedem histericamente alternativas para o obsceno aumento de Impostos, faz pena ver que nada se propôe para reforçar a "brigada dos cabras" nestas vertentes de fiscalização que passam cada vez mais pelo controlo do grande capital, e pela auditoria e inspeção cada vez mais cerrada das contabilidades dos bancos e das grandes empresas multinacionais que alegremente se estabelecem em paraísos fiscais para evitar pagar aqui em Portugal os seus impostos.
Pelo contrário, é advogada atualmente pela ideologia do regime a diminuição do peso do Estado , por outras palavras, a não substituição ou o despedimento de funcionários públicos.
É que, por muito que custe aos liberais de serviço, a economia paralela que urge combater em Portugal não é apenas a cabeleireira que não passa recibo, ou o mecânico de automóveis que se esquece da fatura...
Quem já se queixou da ASAE fui eu, mas até tenho receio que com estas medidas de aperto de cinto e dispensas de trabalhadores ainda volte ao burgo a moda da sardinha com vareja...
Nota: Em Portugal não há o Cabra da Festa, mas há a Festa da Cabra!!
"Festa da Cabra e do Canhoto": Festa tradicional de características únicas, realiza-se a 31 de Outubro, no Concelho de Vinhais.
Segundo a tradição, nesta festa deve-se fazer uma grande fogueira com o "canhoto", nome que se dá ao tronco. O canhoto e toda a lenha que se queima nesta fogueira deverâo ser roubados, pois se não forem roubados diz a tradição que não ardem.
Nesta fogueira vai ser cozinhada uma cabra em grandes potes, enquanto isso vão-se comendo castanhas assadas, figos secos e nozes.
Nessa noite a aldeia é virada ao contrário, pois a rapaziada vai roubar os vasos das flores e espalha-los pelas ruas, viram ao contrário os carros de bois e carroças de animais. Nessa noite também um carro de bois percorre a aldeia puxado pelos rapazes, com as atarraxas bem apertadas para cantar bem alto e não deixar dormir ninguém.
É um lugar de festa e convívio, trocam-se notícias de amigos e familiares ausentes, encontram-se os amigos numa noite animada.
Fonte: Origens.pt
terça-feira, outubro 16, 2012
Ai que Dói!
Dói-lhes alguma coisa amigos? Pois a mim também...
Nem sei do que seja.
Acordei desta maneira, uma espécie de colite misturada com a inflamação da vesícula... E que dá uma azia que até parece que passei a noite a comer caramujos...
Pode ser da apresentação do Orçamento de Estado para 2013?
Talvez. Depois , durante a discussão na AR, logo se vê se os sintomas se agravam ou não. Mas é provável que sim. Ou me engano muito ou muitos dos portugueses "ricos" vão passar a grande parte do ano que vem com grandes diarreias e sem dormir, a dar voltas na cama, enquanto têm cama.
Grande fotografia a que junto , não acham?
- "As nossas Armas são estas!"
Dizia a jovem exibindo os seus dotes sem pudores.
Ah Grande Marianne!
Nota: Fotografia por cortesia do Correio da Manhã.
Nem sei do que seja.
Acordei desta maneira, uma espécie de colite misturada com a inflamação da vesícula... E que dá uma azia que até parece que passei a noite a comer caramujos...
Pode ser da apresentação do Orçamento de Estado para 2013?
Talvez. Depois , durante a discussão na AR, logo se vê se os sintomas se agravam ou não. Mas é provável que sim. Ou me engano muito ou muitos dos portugueses "ricos" vão passar a grande parte do ano que vem com grandes diarreias e sem dormir, a dar voltas na cama, enquanto têm cama.
Grande fotografia a que junto , não acham?
- "As nossas Armas são estas!"
Dizia a jovem exibindo os seus dotes sem pudores.
Ah Grande Marianne!
Nota: Fotografia por cortesia do Correio da Manhã.
segunda-feira, outubro 15, 2012
Cozinha à Gaspar: Aproveitamentos
Muitas vezes vemo-nos com sobras de cozido à portuguesa em casa. A forma mais conhecida de fazer esse aproveitamento é na Tortilha à Espanhola, mas para quem se está a defender um pouco das fritadas deixo aqui hoje uma alternativa - que fiz no Domingo lá em casa - e que consiste num "Arroz de Forno de Substância".
Tirei a ideia desta receita de um prato emblemático da "Tia Alice" em Fátima, mas já na casa de meus sogros se faziam estes tabuleiros de forno com carnes e fumados previamente cozidos, não para aproveitamentos - os porcos e as galinhas davam cabo de todas as sobras - mas quando se queria desenjoar das batatas cozidas com os enchidos e as couves.
Para começar escolham muito bem as carnes do cozido, retirando a pele aos bocados das farinheiras e aos troços de chouriço, e desfiando a carne de vaca e de porco que tenha ficado. Depois cozam um chouriço gordo (aqui tem de ser um chouriço novo, crú) e aproveitem a água para o arroz.
Façam uma puxadinha leve de cebola fininha , alho e sal com bom azeite, num tacho de fundo espesso. Quando a cebola ficar transparente deitem um copito de vinho branco para refrescar e deixem alourar mais uns minutos. Depois fritem o arroz (do vaporizado) e deixem cozer sem ficar muito espapaçado, praticamente "al dente".
Já sabem que a medida - como vai para o forno - deve ser de uma chávena de arroz para duas e meia da água onde cozeram o chouriço.
Estando o arroz cozido começem por cobrir com ele o fundo de um tabuleiro. Depois deitem as carnes todas desfiadas à mão. Acabem com o resto do arroz e alisem por cima.
Decorem com os troços do chouriço que cozeram nesse dia e vai ao forno a uns 170º por uma hora mais ou menos, vão controlando sff.
Com uma salada e um tinto Vallado de 2009 (colheita) espero que lhes faça bom proveito e sirva para esquecer um pouco a cabra da crise.
Nota: Em querendo fazer este prato "à moda dos ricos remediados" isto é, com as carnes e enchidos de raiz, basta cozerem os mesmos como se fosse para o cozido, aproveitar essa água e depois fazer tudo igual ao que descrevi acima.
Tirei a ideia desta receita de um prato emblemático da "Tia Alice" em Fátima, mas já na casa de meus sogros se faziam estes tabuleiros de forno com carnes e fumados previamente cozidos, não para aproveitamentos - os porcos e as galinhas davam cabo de todas as sobras - mas quando se queria desenjoar das batatas cozidas com os enchidos e as couves.
Para começar escolham muito bem as carnes do cozido, retirando a pele aos bocados das farinheiras e aos troços de chouriço, e desfiando a carne de vaca e de porco que tenha ficado. Depois cozam um chouriço gordo (aqui tem de ser um chouriço novo, crú) e aproveitem a água para o arroz.
Façam uma puxadinha leve de cebola fininha , alho e sal com bom azeite, num tacho de fundo espesso. Quando a cebola ficar transparente deitem um copito de vinho branco para refrescar e deixem alourar mais uns minutos. Depois fritem o arroz (do vaporizado) e deixem cozer sem ficar muito espapaçado, praticamente "al dente".
Já sabem que a medida - como vai para o forno - deve ser de uma chávena de arroz para duas e meia da água onde cozeram o chouriço.
Estando o arroz cozido começem por cobrir com ele o fundo de um tabuleiro. Depois deitem as carnes todas desfiadas à mão. Acabem com o resto do arroz e alisem por cima.
Decorem com os troços do chouriço que cozeram nesse dia e vai ao forno a uns 170º por uma hora mais ou menos, vão controlando sff.
Com uma salada e um tinto Vallado de 2009 (colheita) espero que lhes faça bom proveito e sirva para esquecer um pouco a cabra da crise.
Nota: Em querendo fazer este prato "à moda dos ricos remediados" isto é, com as carnes e enchidos de raiz, basta cozerem os mesmos como se fosse para o cozido, aproveitar essa água e depois fazer tudo igual ao que descrevi acima.
Chicotada Açoreana
O Governo começou a colher aquilo que semeou. Nos Açores o PS reforça a Maioria Absoluta depois e apesar de 16 anos de governação socialista, não dando razão a quem vaticinava (com alguma perspicácia, mas antes das medidas "colossais") que estava na altura da alternância democrática no Arquipélago.
Se a "moda" pega no Continente, é de esperar choro e ranger de dentes nos aparelhos do PSD e CDS lá mais para o ano que vem.
A não ser que Passos Coelho volte atrás na estratégia demolidora da classe média que tem vindo a implementar...
E, aqui para nós e sabendo como está tanta gente a ter insónias só a pensar como vai poupar para pagar o IRS, já nem sei se preferiria isso mesmo, o atalhar deste caminho de miséria já, ou dar mais umas "nalgadas sérias" ao Governo nas autárquicas, para que o susto fosse ainda maior...
De todas as formas o aviso está dado. E para bom entendedor meia palavra costuma bastar. Mesmo que seja em sotaque ilhéu, de S. Miguel.
Se a "moda" pega no Continente, é de esperar choro e ranger de dentes nos aparelhos do PSD e CDS lá mais para o ano que vem.
A não ser que Passos Coelho volte atrás na estratégia demolidora da classe média que tem vindo a implementar...
E, aqui para nós e sabendo como está tanta gente a ter insónias só a pensar como vai poupar para pagar o IRS, já nem sei se preferiria isso mesmo, o atalhar deste caminho de miséria já, ou dar mais umas "nalgadas sérias" ao Governo nas autárquicas, para que o susto fosse ainda maior...
De todas as formas o aviso está dado. E para bom entendedor meia palavra costuma bastar. Mesmo que seja em sotaque ilhéu, de S. Miguel.
quinta-feira, outubro 11, 2012
Antecipação poética
Amanhã não passo por aqui, tenho que fazer com a minha Santa cá de baixo.
Médicos e doutores outra vez... Mas no caso dela ( e Graças a Deus) é a revisão do milhão de km!!
Já lá não chego eu...
Vamos então aos poemas.
Em louvor da vida saudável e longa, aqui vai esta peça de Fernanda de Castro, autêntico hino de paz neste Outono da vida:
Alma Serena
Alma serena, a consciência pura,
assim eu quero a vida que me resta.
Saudade não é dor nem amargura,
dilui-se ao longe a derradeira festa.
Não me tentam as rotas da aventura,
agora sei que a minha estrada é esta:
difícil de subir, áspera e dura,
mas branca a urze, de oiro puro a giesta.
Assim meu canto fácil de entender,
como chuva a cair, planta a nascer,
como raiz na terra, água corrente.
Tão fácil o difícil verso obscuro!
Eu não canto, porém, atrás dum muro,
eu canto ao sol e para toda a gente.
Fernanda de Castro, in "Ronda das Horas Lentas"
Agora de meu mestre Borges, aqui fica um lamento em laia de remorso: não fui feliz!
Por muito que os alcatruzes da nora girem ao contrário é cada vez mais importante não nos esquecermos de ser felizes... Mesmo que substituindo o bife do lombo pelo carapau negrão!
E nunca se esqueçam do que escreveu Ferran Adrià (El Bule) : "Mais vale uma bela sardinha que uma lagosta medíocre!"
O Remorso
Cometi o pior desses pecados
Que podem cometer-se. Não fui sendo
Feliz. Que os glaciares do esquecimento
Me arrastem e me percam, despiedados.
Plos meus pais fui gerado para o jogo
Arriscado e tão belo que é a vida,
Para a terra e a água, o ar, o fogo.
Defraudei-os. Não fui feliz. Cumprida
Não foi sua vontade. A minha mente
Aplicou-se às simétricas porfias
Da arte, que entretece ninharias.
Valentia eu herdei. Não fui valente.
Não me abandona. Está sempre ao meu lado
A sombra de ter sido um desgraçado.
Jorge Luis Borges, in "A Moeda de Ferro"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral
Médicos e doutores outra vez... Mas no caso dela ( e Graças a Deus) é a revisão do milhão de km!!
Já lá não chego eu...
Vamos então aos poemas.
Em louvor da vida saudável e longa, aqui vai esta peça de Fernanda de Castro, autêntico hino de paz neste Outono da vida:
Alma Serena
Alma serena, a consciência pura,
assim eu quero a vida que me resta.
Saudade não é dor nem amargura,
dilui-se ao longe a derradeira festa.
Não me tentam as rotas da aventura,
agora sei que a minha estrada é esta:
difícil de subir, áspera e dura,
mas branca a urze, de oiro puro a giesta.
Assim meu canto fácil de entender,
como chuva a cair, planta a nascer,
como raiz na terra, água corrente.
Tão fácil o difícil verso obscuro!
Eu não canto, porém, atrás dum muro,
eu canto ao sol e para toda a gente.
Fernanda de Castro, in "Ronda das Horas Lentas"
Agora de meu mestre Borges, aqui fica um lamento em laia de remorso: não fui feliz!
Por muito que os alcatruzes da nora girem ao contrário é cada vez mais importante não nos esquecermos de ser felizes... Mesmo que substituindo o bife do lombo pelo carapau negrão!
E nunca se esqueçam do que escreveu Ferran Adrià (El Bule) : "Mais vale uma bela sardinha que uma lagosta medíocre!"
O Remorso
Cometi o pior desses pecados
Que podem cometer-se. Não fui sendo
Feliz. Que os glaciares do esquecimento
Me arrastem e me percam, despiedados.
Plos meus pais fui gerado para o jogo
Arriscado e tão belo que é a vida,
Para a terra e a água, o ar, o fogo.
Defraudei-os. Não fui feliz. Cumprida
Não foi sua vontade. A minha mente
Aplicou-se às simétricas porfias
Da arte, que entretece ninharias.
Valentia eu herdei. Não fui valente.
Não me abandona. Está sempre ao meu lado
A sombra de ter sido um desgraçado.
Jorge Luis Borges, in "A Moeda de Ferro"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral
Médicos e Doutores
Ontem eu e o senhorio tínhamos a revisão habitual. Dos 100 000 km para mim e dos 50 000 km para ele.
Tínhamos de ir ver o estado em que se encontravam os velhos amigos (meus, porque dele são ainda novos) Zé Castrol, Tia Betes, Joca da Pensão (arterial) e por aí fora.
Enquanto esperávamos pelo "mecânico encartado" houve que comer qualquer coisinha. Tenho uma mania que consiste em nunca comer antes destas revisões, não vá o médico (apesar de nosso amigo) ainda mais me chatear por causa do peso se se deparar com o barril atestado na altura da apalpação. Para além disso levo-lhe sempre 2 garrafitas de bom tinto, para mais amenizar a conversa à roda desse assunto meio tabu.
Mas ontem o "senhorio" parecia que estava esganado e não abdicou de se sentar à mesa.
Ali bem perto do consultório do Amigo e Doutor Cantiga encontrámos um paradouro numa meia cave:
Restaurante Ninho do Ouriço
Av. Defensores de Chaves 69, D
Pratos a cinco euros e meio. Vinho havia o da casa, em jarros. Pãozinho bom na mesa. Azeitonas temperadas, um prato de cozido e outro de carapaus com molho à espanhola, uma meia de branco (era de Sobral do Monte Agraço e muito razoável). Um queijito para sobremesa. 2 cafés. Tudo isto por ...15 euros.
Serviu para desenjoar das outras vezes em que só o couvert custa isso. Por pessoa...
E notas do que se comeu? Bem, as doses eram pequenas (não há milagres) mas a qualidade era muito boa. Cozido bem feito e nada a extravasar de carnes gordas, um belo carapau "negrão" fresco a ocupar um prato inteiro, vinho, como já disse, muito aceitável pelo preço.
Depois no médico é que foram elas... ainda por cima o estupor do homem tem corpo e alma de maratonista... E - nouance fatal - como me tinha esquecido do vinho levei-lhe o nosso último livro sobre o Rio Douro. Bela prenda, mas...não era a mesma coisa...
Em conclusão: ouvi das boas. Se fosse na Inspeção Periódica Obrigatória dos automóveis tinha chumbado e mandado lá ir outra vez depois de arranjar algumas das maleitas.
E já tenho outra "revisão" marcada para Dezembro. O gajo ainda me disse:
-" É para preparar bem o Natal! He, He, He..."
Tenho de escrever no Black Berry uma nota para mim próprio para não me esquecer do vinho, senão estou bem tramado... Nem as filhoses me servem de proveito...
Mas porque razão não arranjei eu um médico gordo e anafado, que fumava e bebia whisky mais que um jornalista da Bola em noite de Quarta Feira europeia, como era o do meu Pai, e que nunca o chateou enquanto viveu?
Resposta: Esse médico já faleceu... E relativamente novo Caraças!
Tínhamos de ir ver o estado em que se encontravam os velhos amigos (meus, porque dele são ainda novos) Zé Castrol, Tia Betes, Joca da Pensão (arterial) e por aí fora.
Enquanto esperávamos pelo "mecânico encartado" houve que comer qualquer coisinha. Tenho uma mania que consiste em nunca comer antes destas revisões, não vá o médico (apesar de nosso amigo) ainda mais me chatear por causa do peso se se deparar com o barril atestado na altura da apalpação. Para além disso levo-lhe sempre 2 garrafitas de bom tinto, para mais amenizar a conversa à roda desse assunto meio tabu.
Mas ontem o "senhorio" parecia que estava esganado e não abdicou de se sentar à mesa.
Ali bem perto do consultório do Amigo e Doutor Cantiga encontrámos um paradouro numa meia cave:
Restaurante Ninho do Ouriço
Av. Defensores de Chaves 69, D
Pratos a cinco euros e meio. Vinho havia o da casa, em jarros. Pãozinho bom na mesa. Azeitonas temperadas, um prato de cozido e outro de carapaus com molho à espanhola, uma meia de branco (era de Sobral do Monte Agraço e muito razoável). Um queijito para sobremesa. 2 cafés. Tudo isto por ...15 euros.
Serviu para desenjoar das outras vezes em que só o couvert custa isso. Por pessoa...
E notas do que se comeu? Bem, as doses eram pequenas (não há milagres) mas a qualidade era muito boa. Cozido bem feito e nada a extravasar de carnes gordas, um belo carapau "negrão" fresco a ocupar um prato inteiro, vinho, como já disse, muito aceitável pelo preço.
Depois no médico é que foram elas... ainda por cima o estupor do homem tem corpo e alma de maratonista... E - nouance fatal - como me tinha esquecido do vinho levei-lhe o nosso último livro sobre o Rio Douro. Bela prenda, mas...não era a mesma coisa...
Em conclusão: ouvi das boas. Se fosse na Inspeção Periódica Obrigatória dos automóveis tinha chumbado e mandado lá ir outra vez depois de arranjar algumas das maleitas.
E já tenho outra "revisão" marcada para Dezembro. O gajo ainda me disse:
-" É para preparar bem o Natal! He, He, He..."
Tenho de escrever no Black Berry uma nota para mim próprio para não me esquecer do vinho, senão estou bem tramado... Nem as filhoses me servem de proveito...
Mas porque razão não arranjei eu um médico gordo e anafado, que fumava e bebia whisky mais que um jornalista da Bola em noite de Quarta Feira europeia, como era o do meu Pai, e que nunca o chateou enquanto viveu?
Resposta: Esse médico já faleceu... E relativamente novo Caraças!
quarta-feira, outubro 10, 2012
Teias da Ignorância no Universo Fiscal
O meu "bi-colega" Miguel Esteves Cardoso (primeiro andámos juntos nos 2 últimos anos do Liceu, em S. João do Estoril e depois no ISCTE fomos assistentes na mesma altura) fala hoje na sua crónica diária sobre aquela frase célebre de um físico americano:
"Existe no mundo físico um oceano de desconhecimento que rodeia a ilha daquilo que sabemos por todos os lados. Quanto mais cresce a ilha , quanto mais julgamos saber, mais cresce também a costa da nossa ignorância".
E é bem verdade. Mas essa "ignorância" nunca foi tão perigosa - sobretudo no relacionamento com o Estado e a Autoridade Fiscal - como neste momento.
Reparem que na sua vertente mais otimista de encarar a vida, muitos restauradores diziam sobre o aumento do IVA de 13% para 23%:
- "Temos que aguentar e não fazer refletir nos preços estes 10% do aumento..."
Quando na verdade, de 13% para 23% é mesmo um acréscimo de quase 80%!! E a AHRESP tanto tem insistido no esclarecimento cabal deste ponto que atualmente já serão muito poucos os seus associados que ainda pensam daquela maneira.
As SCUDS têm agora 15% de desconto para "toda a gente" ! Quer isto dizer que a partir da 6ª ou da 7ª vez que uma viatura por lá passar estará a passar "à borla"? 6 x 15% sempre são 90%!
Claro que não! Cada vez que passarmos pelos "portais" lá vai o Gaspar outra vez à continha bancária do automobilista impetrante!! E se passarmos 6 vezes , irá lá ao mesmo local 6 vezes tirar o dinheirinho!
Finalmente, como podem os trabalhadores por conta de outrém "safar-se" desta maresia? Eles que já não sabemos bem se têm direito a qualquer tipo de dedução em sede de IRS , os tais "ricos" de que aqui falava um destes dias, e que tudo indica que sejam (para confirmar no Orçamento de Estado) famílias com mais de 45000€ brutos de rendimento por ano em 2013?
Vejam também aqui sff este excelente artigo de Paula Cravina de Sousa:
http://economico.sapo.pt/noticias/nprint/152252.html
Na ressaca de tanta violência de Estado como devemos encarar aquele "grave problema" da bandeira nacional invertida na Praça do Município, a 5 de Outubro?
"Existe no mundo físico um oceano de desconhecimento que rodeia a ilha daquilo que sabemos por todos os lados. Quanto mais cresce a ilha , quanto mais julgamos saber, mais cresce também a costa da nossa ignorância".
E é bem verdade. Mas essa "ignorância" nunca foi tão perigosa - sobretudo no relacionamento com o Estado e a Autoridade Fiscal - como neste momento.
Reparem que na sua vertente mais otimista de encarar a vida, muitos restauradores diziam sobre o aumento do IVA de 13% para 23%:
- "Temos que aguentar e não fazer refletir nos preços estes 10% do aumento..."
Quando na verdade, de 13% para 23% é mesmo um acréscimo de quase 80%!! E a AHRESP tanto tem insistido no esclarecimento cabal deste ponto que atualmente já serão muito poucos os seus associados que ainda pensam daquela maneira.
As SCUDS têm agora 15% de desconto para "toda a gente" ! Quer isto dizer que a partir da 6ª ou da 7ª vez que uma viatura por lá passar estará a passar "à borla"? 6 x 15% sempre são 90%!
Claro que não! Cada vez que passarmos pelos "portais" lá vai o Gaspar outra vez à continha bancária do automobilista impetrante!! E se passarmos 6 vezes , irá lá ao mesmo local 6 vezes tirar o dinheirinho!
O IMI, para o ano que vem, vai dar conta da vidinha de muita gente. Anulada a precaução legal que impedia aumentos superiores a 75€ em 2013 e 2014, é provável que a maioria dos proprietários veja a sua "contribuição" bastante inflacionada face ao que pagou em 2012.
Vejam aqui um artigo explicativo sff:
Mas não paguem sem ler atentamente os detalhes das reavaliações! Existe já jurisprudência do Supremo Tribunal Administrativo que aconselha todo o cuidado ao contribuinte em relação a esse ponto fulcral, que é o seu direito em saber quais os argumentos que levaram o Estado a reavaliar por determinado valor.
Aqui também podem ler sobre este assunto:
Finalmente, como podem os trabalhadores por conta de outrém "safar-se" desta maresia? Eles que já não sabemos bem se têm direito a qualquer tipo de dedução em sede de IRS , os tais "ricos" de que aqui falava um destes dias, e que tudo indica que sejam (para confirmar no Orçamento de Estado) famílias com mais de 45000€ brutos de rendimento por ano em 2013?
Vejam também aqui sff este excelente artigo de Paula Cravina de Sousa:
http://economico.sapo.pt/noticias/nprint/152252.html
E ainda cito, de diversas publicações especializadas:
"De uma forma geral, e e para a maioria dos portugueses, o aumento dos impostos em 2013 será sentido particularmente ao nível das referidas deduções. Pela primeira vez, as deduções permitidas em sede de IRS serão sujeitas a um valor que englobarão todas as deduções – saúde, educação, casa, etc."
"Quando no próximo ano começarem a ser entregues as declarações de IRS referentes aos rendimentos obtidos em 2012, a generalidade dos portugueses vai confrontar-se pela primeira vez com um valor global para o conjunto das deduções (saúde, educação, casa, seguros) fiscais que oscila entre os 1250 e os 1100 euros. E os rendimentos acima de 66045 euros perdem totalmente o direito a beneficiar destas deduções."
Na ressaca de tanta violência de Estado como devemos encarar aquele "grave problema" da bandeira nacional invertida na Praça do Município, a 5 de Outubro?
Como diria o Zé Povinho:
-" A bandeira que se f...coiso ...carago! Eu quero saber é onde pára o meu pilim!!"
Ele e nós...
terça-feira, outubro 09, 2012
Dia Mundial dos Correios
Celebramos hoje o Dia Mundial de Correios em todo o mundo.
Aqui vos deixo a mensagem sobre o mesmo assunto publicada pela União Postal Universal - UPU:
9 October
World Post Day is celebrated each year on 9 October, the anniversary of the establishment of the Universal Postal Union (UPU) in 1874 in the Swiss capital, Bern. It was declared World Post Day by the UPU Congress held in Tokyo, Japan, in 1969.
Awareness
The purpose of World Post Day is to create awareness of the role of the postal sector in people’s and businesses’ everyday lives and its contribution to the social and economic development of countries. The celebration encourages member countries to undertake programme activities aimed at generating a broader awareness of their Post’s role and activities among the public and media on a national scale.
New products and services
Every year, more than 150 countries celebrate World Post Day in a variety of ways. In certain countries, World Post Day is observed as a working holiday. Many Posts use the event to introduce or promote new postal products and services. Some Posts also use World Post Day to reward their employees for good service.
In many countries, philatelic exhibitions are organized and new stamps and date cancellation marks are issued. Other activities include the display of World Post Day posters in post offices and other public places, open days at post offices, mail centers and postal museums, the holding of conferences, seminars and workshops, as well as cultural, sport and other recreational activities. Many postal administrations issue special souvenirs such as T-shirts and badges.
Aqui em Lisboa lançamos hoje na Fundação Portuguesa das Comunicações duas emissões filatélicas : Os selos "Correio Escolar" realizados por crianças das nossas escolas e a 2ª série de 2012 das Etiquetas de Franquia, evocadoras do Ano Internacional das Energias Sustentáveis .
À noite teremos a imposição das insígnias de antiguidade e de bons serviços aos trabalhadores dos CTT com 36 e 40 anos de serviço ativo. Lá estarei para dar um abraço aos colegas da Filatelia que vão ser homenageados.
segunda-feira, outubro 08, 2012
A "Mamuda" era no Restaurante Montenegro!
Agradeço a um dos nossos leitores, que a propósito do Post sobre o Restaurante "Adega Vila Meã", esclareceu o nome do mítico paradeiro da grande cozinheira que foi conhecida no Porto por "Mamuda":
Era o Restaurante Montenegro, na Rua de Entreparedes (à Batalha).
Traços dos manjares do Montenegro ainda podem ser hoje provados na Invicta, no Restaurante "Casa Nanda" , aberto por uma sobrinha da famosa Mamuda e que fica ali para a Rua da Alegria, perto da Cooperativa dos Pedreiros , local onde oficiava o grande senhor da restauração portista que foi o Sr. Azevedo, infelizmente já falecido, do Restaurante Portucale.
Era o Restaurante Montenegro, na Rua de Entreparedes (à Batalha).
Traços dos manjares do Montenegro ainda podem ser hoje provados na Invicta, no Restaurante "Casa Nanda" , aberto por uma sobrinha da famosa Mamuda e que fica ali para a Rua da Alegria, perto da Cooperativa dos Pedreiros , local onde oficiava o grande senhor da restauração portista que foi o Sr. Azevedo, infelizmente já falecido, do Restaurante Portucale.
Et tu Brute?
"Até tu Brutus?" Assim Julio César se dirige ao seu "amigo" Brutus, que o acabara de assassinar, na imortal peça de William Shakespeare.
Pois dei comigo a sorrir (porque rir saíu de moda nesta conjuntura) quando li o habitual comentário de João Carlos Espada no Público desta Segunda Feira, queixando-se da última decisão governamental e arrepelando os cabelos pelo que de mal esta
subida de impostos fará à tal Classe Média (que parece andar escondida, com medo que ainda mais lhe metam o dedo no**).
O Espada? Esse neo-liberal convicto? O inimigo de Sócrates e de todos os socialismos? Onde chegámos...
Por outro lado, já o inefável Prof. Marcelo parece ter feito marcha à ré na sua diatribe contra as medidas governamentais. Quem o viu ontem entendeu que o homem terá finalmente caído em si e chegado à conclusão que para ter contratos chorudos com o establishment faz mister manter a bocarra mais fechada e contida em relação à crítica (exceto contra o Paulinho... Aí parece que lhe deram rédea solta. Et pour cause...).
Só por acaso apareceu hoje a notícia que foi ele mesmo, o Sr. Prof. Marcelo, o causídico escolhido por Portugal para esclarecer com o Governo de Angola algumas desavenças que metem diamantes à mistura. Por acaso, repito.
A posição do Dr. Espada (antigo vizinho da minha santa cá de baixo, da mesma rua) compreende-se: um homem começa a ter mesmo que ver bem para que lado lhe caem as moedas... E estando o "Moedas" neste propósito estranho de esmifrar tudo o que mexe, rico, pobre ou remediado, mal feito fora que os remediados não se revoltassem.
E não será o último.
Teremos em potência aqui no retângulo uma revolta tão abrangente que nem Estaline, Marx ou Mao sonharam com ela: uma revolução que mete todas as classes lá dentro, exceto a meia dúzia de senhores feudais que terão "feito este cozinhado desde o princípio". O problema é que ainda são esses que distribuem o pão e a cerveja por quem querem, misturando isso tudo com umas atividades circenses para o Povo se distrair do principal.
Começei com a velha Roma e termino com a mesma. Apenas tenho dúvidas se o estado atual do país tem mais a ver com o louco do Calígula ou com o velho Teodósius, o último Imperador digno desse nome , o que dividiu o Império entre o Ocidente e o Oriente...
Nota: O Quadro "Imperador Teodósius é impedido por Santo Ambrósio de entrar na Catedral de Milão" é de Van Dyck e está em Londres (National Gallery).
Pois dei comigo a sorrir (porque rir saíu de moda nesta conjuntura) quando li o habitual comentário de João Carlos Espada no Público desta Segunda Feira, queixando-se da última decisão governamental e arrepelando os cabelos pelo que de mal esta
subida de impostos fará à tal Classe Média (que parece andar escondida, com medo que ainda mais lhe metam o dedo no**).
O Espada? Esse neo-liberal convicto? O inimigo de Sócrates e de todos os socialismos? Onde chegámos...
Por outro lado, já o inefável Prof. Marcelo parece ter feito marcha à ré na sua diatribe contra as medidas governamentais. Quem o viu ontem entendeu que o homem terá finalmente caído em si e chegado à conclusão que para ter contratos chorudos com o establishment faz mister manter a bocarra mais fechada e contida em relação à crítica (exceto contra o Paulinho... Aí parece que lhe deram rédea solta. Et pour cause...).
Só por acaso apareceu hoje a notícia que foi ele mesmo, o Sr. Prof. Marcelo, o causídico escolhido por Portugal para esclarecer com o Governo de Angola algumas desavenças que metem diamantes à mistura. Por acaso, repito.
A posição do Dr. Espada (antigo vizinho da minha santa cá de baixo, da mesma rua) compreende-se: um homem começa a ter mesmo que ver bem para que lado lhe caem as moedas... E estando o "Moedas" neste propósito estranho de esmifrar tudo o que mexe, rico, pobre ou remediado, mal feito fora que os remediados não se revoltassem.
E não será o último.
Teremos em potência aqui no retângulo uma revolta tão abrangente que nem Estaline, Marx ou Mao sonharam com ela: uma revolução que mete todas as classes lá dentro, exceto a meia dúzia de senhores feudais que terão "feito este cozinhado desde o princípio". O problema é que ainda são esses que distribuem o pão e a cerveja por quem querem, misturando isso tudo com umas atividades circenses para o Povo se distrair do principal.
Começei com a velha Roma e termino com a mesma. Apenas tenho dúvidas se o estado atual do país tem mais a ver com o louco do Calígula ou com o velho Teodósius, o último Imperador digno desse nome , o que dividiu o Império entre o Ocidente e o Oriente...
Nota: O Quadro "Imperador Teodósius é impedido por Santo Ambrósio de entrar na Catedral de Milão" é de Van Dyck e está em Londres (National Gallery).
quinta-feira, outubro 04, 2012
Dia da República
Antecipo hoje o último Feriado evocativo do Dia da implantação da República.
Acaba este ano. Em 2013 já não há. Tal como o 1º de Dezembro deixará de ser comemorado.
Por aqui, havendo cada vez menos Portugal, porque raio se comemoraria a Implantação da República??!! Ou, já agora , o Dia da Independência Nacional?
Deixando de lado a amargura, esquecendo quantas vezes a prática da governação republicana foi funesta e mal conduzida - há quem derive dessas primícias de 1910 grande parte dos males que hoje nos assolam - ergo a voz e louvo os ideais , a candura e a pureza do espírito republicano.
Viva a República!
Acaba este ano. Em 2013 já não há. Tal como o 1º de Dezembro deixará de ser comemorado.
Por aqui, havendo cada vez menos Portugal, porque raio se comemoraria a Implantação da República??!! Ou, já agora , o Dia da Independência Nacional?
Deixando de lado a amargura, esquecendo quantas vezes a prática da governação republicana foi funesta e mal conduzida - há quem derive dessas primícias de 1910 grande parte dos males que hoje nos assolam - ergo a voz e louvo os ideais , a candura e a pureza do espírito republicano.
Viva a República!
Viram por aí a minha cabeça?!
Perdi ontem a cabeça.
Não dei logo por isso. Estava a acabar o almoço com o Prof. Carlos Fabião, antecipando a apresentação do nosso Livro da Arqueologia no Estoril, quando o "senhorio" vai de enviar SMS's com tal vigor e sequência que pareciam nascidos de alguma raiva interior. Ou isso ou então ter-lhe-ia dado uma "travadinha" daquelas que deixam o visado com as mãos a tremelicar...
O homem Gaspar tinha anunciado ao pobre Portugal mais um cabaz de Natal... A distribuir pelo ano que vem ( e seguintes) tendo por objetivo final proceder à exterminação do que resta da classe média. O Governo de Passos Coelho e (cada vez menos ) de Paulo Portas está transformado numa Comissão Liquidatária Ativa dos Remediados Ainda Vivos.
Está claro que esta coisa de perder a cabeça foi por graus. Só mais tarde, quando começei a ouvir os comentadores nas TV's, é que me apercebi da dimensão da "porrada" que me fez perder "la tête" de vez.
A definição de rico e poderoso neste nosso Portugal é estranha. Parece que qualquer casal com filhos a estudar e que tem uma hipoteca da casa, e pediu algum emprestado para um carrito familiar, recebendo brutos cerca de 70000€ por ano, é rico e poderoso.
Esse casal , depois de impostos e de pagar a hipoteca, mais o empréstimo do carro, ficará hoje com um rendimento mensal liquido de pouco mais de 1200€ por mês para pagar as suas obrigações: IMI, condomínio, água, electricidade, TV cabo, transportes, gasóleo, escola ou faculdade dos filhos, respetivos livros, comer e vestir... Já me esquecia: também para medicamentos.
Depois do que se viu e ouviu ontem, o mesmo casal deve passar (em estimativa, ainda não há certezas, só depois de ver os escalões do IRS novos) a dispor mensalmente para as mesmas despesas de pouco mais de 1000€.
Mas que porcos fascistas milionários !! Ainda se atrevem a abrir a boca com 1000€ para gastar por mês!!
Aristocratas de um raio! À guilhotina já!
Já nem digo mais nada enquanto não encontrar a minha cabeça. Se a virem (é grande, vê-se bem) podem enviar para aqui para o Báltico, ou então deixá-la no Beira Mar, que quando receber um dos subsídios que me prometeram para o ano passo por lá.
Não dei logo por isso. Estava a acabar o almoço com o Prof. Carlos Fabião, antecipando a apresentação do nosso Livro da Arqueologia no Estoril, quando o "senhorio" vai de enviar SMS's com tal vigor e sequência que pareciam nascidos de alguma raiva interior. Ou isso ou então ter-lhe-ia dado uma "travadinha" daquelas que deixam o visado com as mãos a tremelicar...
O homem Gaspar tinha anunciado ao pobre Portugal mais um cabaz de Natal... A distribuir pelo ano que vem ( e seguintes) tendo por objetivo final proceder à exterminação do que resta da classe média. O Governo de Passos Coelho e (cada vez menos ) de Paulo Portas está transformado numa Comissão Liquidatária Ativa dos Remediados Ainda Vivos.
Está claro que esta coisa de perder a cabeça foi por graus. Só mais tarde, quando começei a ouvir os comentadores nas TV's, é que me apercebi da dimensão da "porrada" que me fez perder "la tête" de vez.
A definição de rico e poderoso neste nosso Portugal é estranha. Parece que qualquer casal com filhos a estudar e que tem uma hipoteca da casa, e pediu algum emprestado para um carrito familiar, recebendo brutos cerca de 70000€ por ano, é rico e poderoso.
Esse casal , depois de impostos e de pagar a hipoteca, mais o empréstimo do carro, ficará hoje com um rendimento mensal liquido de pouco mais de 1200€ por mês para pagar as suas obrigações: IMI, condomínio, água, electricidade, TV cabo, transportes, gasóleo, escola ou faculdade dos filhos, respetivos livros, comer e vestir... Já me esquecia: também para medicamentos.
Depois do que se viu e ouviu ontem, o mesmo casal deve passar (em estimativa, ainda não há certezas, só depois de ver os escalões do IRS novos) a dispor mensalmente para as mesmas despesas de pouco mais de 1000€.
Mas que porcos fascistas milionários !! Ainda se atrevem a abrir a boca com 1000€ para gastar por mês!!
Aristocratas de um raio! À guilhotina já!
Já nem digo mais nada enquanto não encontrar a minha cabeça. Se a virem (é grande, vê-se bem) podem enviar para aqui para o Báltico, ou então deixá-la no Beira Mar, que quando receber um dos subsídios que me prometeram para o ano passo por lá.
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