A aventura dos motociclos de origem
portuguesa demorou cerca de 40 anos, de 1950 até ao final da década de 90 do
século passado. Durante esses anos um conjunto de empresas nacionais conseguiu
“motorizar” milhares de cidadãos nacionais, quase todos trabalhadores que
conseguiam a preço razoável ultrapassar um dos problemas mais complicados das
periferias e das zonas rurais: a falta de meios de transporte público
adequados.
Uma forma prática de chegar de casa ao
trabalho nas fábricas que no rescaldo da 2ª Grande Guerra se abriam, mas também
de chegar às vinhas e aos campos de cultivo, toda uma independência de movimentação
pessoal que haveria de contradizer a antiga (medieval) associação psicológica e
cultural entre estatuto social e o uso do meio de transporte.
Referindo-se ao período em causa
lembra o Prof. António Barreto (Mudança
Social em Portugal 1960-2000): “…pela
primeira vez parecia haver uma alternativa industrial ao emprego agrícola, o
que implicava uma nova organização do trabalho, salários superiores e emprego
durante mais tempo em cada ano. Entre 1960 e 1973 o rendimento nacional por
habitante cresceu a mais de 6.5% ao ano, tendo sido esse o período de maior
crescimento económico do país”.
Para ajudar a concretizar este pequeno milagre económico contribuiu o humilde ciclomotor, nivelador de
classe social, facilitador do acesso ao trabalho e ao emprego.
A motorizada de facto - e na devida proporção
- democratizou a sociedade portuguesa.
Correios e meios de transporte estiveram
também sempre intrinsecamente ligados. Por esse motivo os CTT Correios de Portugal
aproveitaram o aparecimento dos motociclos e melhoraram em muito todos os seus
circuitos de distribuição porta-a-porta. Em 1971 dá-se a regulamentação dos serviços de
transportes postais e tem início a distribuição motorizada que permitirá que
nenhuma população fique privada dos serviços postais.
É toda esta
história que o jornalista especializado Pedro Pinto nos descreve neste livro, imensa matéria interessante nunca antes
compilada sobre o mundo das motorizadas de 50 cc que, estou seguro, interessará a qualquer leitor.
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