segunda-feira, junho 25, 2007

S.Petersburg 1




Cidade lindíssima, monumental, situada à beira do Rio Neva mas a ele bem ligada desde tempos imemoriais por pontes mais que muitas e (pelo menos as que vi) de arquitectura de qualidade.

Para o turista que chega as primeiras impressões não são muito favoráveis: quase 1,5 Horas para fazer uns 10Km, do Aeroporto Internacional ao centro da cidade...

De facto não é S. Petersburg uma cidade muito afável para o peão turista, já que o tráfego é sempre muito intenso e a cidade não tem bem "ruas" mas sim verdadeiras avenidas com 3 ou 4 faixas de cada lado, o que não convida o pacóvio a fazer gincanas com os automóveis para atravessar. Zebras são escassas e muito apagadas no pavimento (parece Lisboa!).

Depois os Museus e os Monumentos.

Obviamente impossível de dar testemunho de tudo em 4 dias de estadia, 3 dos quais enfiado em salas a trabalhar. Fui ao Hermitage numa manhã (vi para aí 1\3 do grande museu) e ao Museu Russo (indispensável para ter uma ideia da criatividade mesmo russa, já que o Hermitage tem obras de arte de todo o mundo).

Tentei ser específico nas visitas, por exemplo no Hermitage limitei-me às salas da Escola Flamenga de Pintura, à Armaria e à exposição temporária sobre os antecedentes da Europa " Os Merovíngios". Já no Museu Russo - que está espalhado por 3 ou 4 palácios - não saí do Mikhailovsky Palace.

Fiquei impressionado com a "acessibilidade" das Obras de Arte... No Hermitage estamos a escassíssimos 40 ou 50 cm dos Brueghls, Rembrandts, Van Gogs ou Franz Halls e qualquer vândalo poderia tocar nas peças já que não têm vidro nenhum a protegê-las!! Estão umas senhoras vigilantes sentadas em cada sala, mas, quer pela idade quer pela sonolência, não me parecem que sejam grandes dissuasoras dos eventuais "engraçadinhos"...

As Salas dos Palácios onde reunimos - quer por causa da Assembleia da WADP quer por causa das Comissões da Exposição Mundial de S. Petersburg - são autênticas obras de arte que deviam estar protegidas e não a ser utilizadas no dia-a-dia. Os Tectos são todos pintados a fresco ou trabalhados em marqueterie. Os Soalhos são artísticos, embutidos de madeiras nobres e infelizmente já muito trespassados pelos saltos altos das senhoras que os usam todos os dias...

Trabalhámos no primeiro dia em cima de uma mesa com mais de 200 anos, de uns 6 metros de comprimento e feita com base numa só Tábua(!!) de madeiras claras do Baluchistão (Antiga região onde confluiam o Irão, o Paquistão e o Afeganistão) e toda trabalhada em embutidos, em cima da qual os anfitriões pousavam alegremente copos e garrafas de água...

Por ter sido Capital Imperial, S. Petersburg foi também um pouco o Espelho das Vaidades das Grandes Casas senhoriais Russas, motivo pelo qual as ruas principais estão cheias de Palácios e estes também cheios de obras de arte de que os antigos senhores se rodeavam.
Uma pergunta: se mesmo depois das complicações inevitáveis da Revolução de Outubro e da Perestroika ainda é tão visível o esplendor decorativo desses palácios (para já não falar da arquitectura monumental da própria cidade) o que teria sido no auge dos tempos dos Czares?!
É verdade que soalhos e tectos não são assim tão fáceis de roubar...

Por acaso da sorte cheguei a S. Petersburg em cima do solstício de Verão. Isto significa - dada a localização Boreal da cidade - que nas noites de 20, 21 e 22 de Junho o dia tinha cerca de 19 horas! Era dia até às 2h ou 3 h da manhã!!

Este fenómeno, a que os locais chamam de "Noites Brancas" dá origem a uma série de festivais , com danças típicas, passeios de barco pelo Neva e...muita Vodka à maneira russa. Todos parecem divertir-se muito mas para quem tem de trabalhar logo às 8.30 das manhãs seguintes a coisa já não tem assim tanta graça...

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