quinta-feira, junho 30, 2016

Portugal-Vietnam: 500 anos de contactos

Hoje recebo o Encarregado de Negócios da Embaixada do Vietname em França ( aqui ainda não têm representação). Fala bem português porque já foi embaixador em Angola. E estará presente na cerimónia de amanhã, quando colocarmos em circulação a emissão de selos que dedicámos - em ambos os países - a estes 500 anos de relacionamento.

Passaram 500 anos desde que Fernão Peres de Andrade, pressionado pela turbulência da monção, chegou a Da Nang, a região da Cochinchina que muitos anos mais tarde, em 1802, quando ocorreu a reunificação do território pela dinastia Nguyên recebeu o nome Viêt Nam (Povo do Sul) para designar o povo e o país.

Evidentemente que a Cochinchina dos Portugueses em 1516 não corresponde ao espaço do protetorado francês homónimo do século XIX. E, por outro lado, nunca os naturais da terra chamaram Cochinchina ao território onde viviam; apresentavam-se na corte chinesa, nos séculos XVI e XVII, como Dai-Viêt (Povo Ilustre).

O que interessa salientar neste historial longuíssimo de vivências comuns é que ao longo destas centenas de anos de contactos comerciais e culturais, nunca existiu a sombra de nenhuma guerra entre os dois povos, nem sequer nenhuma tentativa de colonização por parte dos portugueses. E é este um caso notável de exemplar relacionamento entre duas formas de ser e de estar tão afastadas no espaço e tão diferentes culturalmente como a vietnamita e a portuguesa.

Para comemorar esta efeméride decidiram os Operadores Postais Designados dos dois países lançar uma emissão filatélica conjunta. Trata-se de uma iniciativa que traduz, naturalmente, o ambiente de boas relações mútuas existente, mas que é em si mesmo um gesto que vem contribuir para reforçar os ancestrais laços de amizade que unem os dois povos.
Uma imagem expressiva desse espírito de abertura, diálogo e amizade que se deseja manter e incentivar no relacionamento entre os nossos países foi escolhida para ilustrar os selos que agora são postos a circular em Portugal e no Vietnam.


Trata-se de dois magníficos exemplos de porcelana da época deste primeiros contactos, uma executada no Vietnam e a outra em Portugal.

terça-feira, junho 28, 2016

Bienal do Azeite



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Sempre estive mais virado para o vinho.

Que querem, o azeite fazia parte dos dados adquiridos quando casei na província.  


A "casa agrícola" dos meus sogros também tinha vinho, e bom! Mas de facto o azeite não se discutia tanto como o vinho. 

Lá estavam as árvores, lá se colhia a azeitona em Dezembro, lá se fazia a lagarada.  Enchiam-se os potes, começava a usar-se do mais antigo, a malta arrecadava uns garrafões para trazer para Cascais e pronto.

O vinho era a estrela da companhia. Alvo de provas e reprovas (nalgumas "reprovavas" mesmo para baixo da mesa). Vinham os taberneiros e donos das lojas testar os depósitos, faziam-se as travessas de febras para ajudar à festa, abria-se um queijo velho para ensopar. E quando se faziam as contas era quase ela por ela... O preço a que o meu sogro vendia o litro quase não dava para cobrir as tais "festas" das provas e reprovas.

Este azeite feito em lagar conhecido e com a nossa azeitona passou de moda.

Costumávamos fazer a noite da lagarada à espera do trabalho da pressão, assando postas de bacalhau com batatas a murro numa fogueira acesa em frente ao lagar. Não só todos comiam e bebiam bem como também era desculpa para estarmos de olho na nossa azeitona, garantindo que o azeite que se levava era o que correspondia à azeitona de nossa casa.

Hoje não funciona assim. Entrega-se a produção  e o mestre do lagar faz a mistura atendendo à qualidade e "raça" do fruto.  Paga-se  em dinheiro  e já não  em quinhão de azeite.

Em Castelo Branco realiza-se de 1 a 3 de Julho a Bienal do Azeite, desta vez centrada no tema: “O Azeite e a Dieta Mediterrânea".  Este evento realiza-se  de dois em dois anos e é organizado pela Câmara de Castelo Branco, Casa do Azeite, APABI (Associação de Produtores de Azeite da Beira Interior) e Confraria do Azeite.

Os CTT e a Filatelia vão lá estar, representados pela TerraProjectos, tal como aconteceu em Santarém, na Feira Nacional da Agricultura. 

É um pretexto para visitar a bela cidade e provar os queijos fenomenais que por lá se fazem. Idanha-a-Nova e Alcains integram os rebanhos da  Cooperativa de Produtores de Queijo da Beira Baixa, que foi muitas vezes ofuscada pela aristocracia da serra. 

Mas que agora ganham estatuto e nobreza.  Entre eles o Castelo Branco Amarelo DOP. Mas sem esquecer os "queimosos" de sabor e cheiro tão característicos que sabemos de fonte segura que a mulher do nosso amigo que nos costuma trazer uns para o “Jockey” já lhe fez um ultimato: ou vem ela ou vêm queijos desses no carro. Ambos nunca!

Vamos até lá provar o azeite, comer o bacalhauzinho e trincar alguns destes queijos.


segunda-feira, junho 27, 2016

Fim de Semana branco

Branco, de Hospital. Foi onde passei grande parte da sexta, do sábado e do domingo.

Almoços fartos e demorados foram adiados para melhor ocasião, e as santas tiveram que se aguentar firmemente. Ia dizer " ao bife", mas a verdade é que nem isso houve para ninguém...

Uma delas ficou às voltas com a "dieta" hospitalar. Pouco faltou para atirar com o prato da vitela estufada ( sem sal) à cabeça da senhora empregada lá na CUF... E a outra irmã, tal como o senhorio,  foi contentada à custa de frangos do "galego" (sem ofensa, que o gajo é rico como o Jorge Mendes).

No Domingo à tardinha, quando veio para casa depois da operação, a mãe  quis logo café. E ao ver-me com a chávena na mão indagou de imediato:  Só café? Não há nada para comer?? Isto ainda é pior que o hospital!

E logo acrescentou: "Quero ir ao cabeleireiro. A operação deixou-me o cabelo todo em pé!"

Como se vê as coisas estão a entrar na normalidade.

O maior problema foram as duas anestesias com um intervalo pequeno, que lhe deixaram a pobre cabeça um bocado azoada... Mas vamos lidando com o assunto de forma filosófica.

Até dá um certo jeito esta sensação de confusão mental...Pode ser que ela não se lembre de me pedir de volta os cartanitos...das contas bancárias...

Mas não conto muito com isso.

quinta-feira, junho 23, 2016

Para Descansar a Vista ...à quinta feira



Amanhã tenho de acompanhar a minha santa a mais uma peregrinação pelos hospitais da CUF, pelo que adianto aqui hoje o poema das sextas feiras que, aliás, está há 15 dias à espera de ver a luz do dia.

Nesta época do ano em que a maioria do povo não despega os olhos do Europeu de Futebol (e que grandes "empatas" nos estamos a sair!) fica bem temperar a emoção com poesia adequada ao tema.

Do grande Carlos Drummond de Andrade aqui vai um poema sobre o futebol:

Futebol

Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas de pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.

São voos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
— afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.

Carlos Drummond de Andrade in "Poesia Errante"

quarta-feira, junho 22, 2016

Limão e Laranja



Aproveitei um convite de dois bons amigos para ir conhecer uma nova locanda para dar trabalho aos dentes.

Em Lisboa. na avenida que liga Telheiras a Carnide ( Av. das Nações Unidas) aparece escondido debaixo de um prédio de escritórios e de habitação um simpático restaurante para gente simples à procura de novidades nesta cidade já um bocadinha cheia ( e perdoe-se-me a leviandade) de "alentejanadas" e de peixe crú com sotaque asiático.

Chama-se "DonLimão DonaLaranja" assim tal e qual escrevi. E fica no número 25B da dita avenida.

A sala  é bem pequena  pelo que a reserva é muito aconselhável  - 964 375 568. Nela pontifica mestre Luis e a esposa, ajudados por uma simpática empregada de sotaque açucarado.

A ideia é porem-se nas mãos do proprietário e comerem o que ele lhes disser. Ontem havia chocos assados no forno, pato idem. E mais  as Línguas de bacalhau cozidas com todos e a bela Sardinha assada no carvão. Aliás, é casa de bons grelhados no dito carvão.

Onde fica a grelha parece ser mistério, mas uma coisa é certa: não se dá pelo cheiro dentro da sala, o que é um alívio.

Os vinhos são poucos mas bem escolhidos e (segundo parece, porque não fui senhor de pegar na carteira) a bons preços.

Comeu-se nesta primeira visita as entradas de queijo fresco com massa de pimentão açoriana ao lado, chamuças com recheio da casa (acabadas de fritar) e salada de bacalhau crú.

Depois vieram os chocos assados e o pato. Melhores talvez os chocos do que o pato, ou seria o apetite já satisfeito que influenciou o paladar?

Para sobremesa um queijo de Serpa superlativo, que veio para a mesa quase inteiro e dela saiu meio "aviado"...

Vinhos bebidos: Odisseia  branco e tinto do Douro 2011; Conde da Ervideira branco reserva (um pouco de mel a mais num vinho excelente) e Lupucino Douro, também ele de 2011. Levaram a taça os dois Odisseia.

Pelo preço dos pratos - entre 9 euros e 12 euros - admito que o máximo que se poderá ali pagar, bebendo vinho, café e sobremesa, será em redor de 20 a 25 euros por cabeça. Mas como não me deixaram pagar ...

Ontem não terá sido assim uma conta tão "contida", porque abusámos dos vinhos (eram conhecedores à mesa)  e terminámos com o tal queijo de Serpa que era um "monumento" .

Este restaurante vale pela originalidade, pela simpatia do proprietário e esposa, mas sobretudo pela nota de cozinha "caseira" que dali se desprende.  Recomendado!!

segunda-feira, junho 20, 2016

Azambuja: 100 anos do 1º voo militar



Vamos montar uma pequena exposição no Museu Municipal da Azambuja - aliás um espaço notável para compreender a vida do Ribatejo - subordinada ao tema da Aviação Militar.

Temos várias emissões de selos adequadas ao assunto, mas também possuímos artefactos que foram utilizados no serviço de "correio aéreo" e que poderiam ser mostrados ao público, De entre eles destaco uma caixa de estilo "Art Nouveau" que segundo uma lenda dos correios teria sido desenhada por mestre Almada Negreiros.

De notar que os primeiros selos portugueses de correio aéreo datam de 1936, com desenho de Almada Negreiros, representando um hélice.

Uma confusão que pode ser feita pelos menos entendidos na matéria tem a ver com a emissão por parte dos CTT de várias  séries de selos comemorando o Centenário da Aviação em datas diferentes. De facto  as datas são diferentes, mas os acontecimentos também o são:

- Execução do 1º voo tripulado em Portugal - 27 Abril de 1910
- Criação da Aviação Militar em 1914 (Lei 162 de 14 de Maio)
- Execução do 1º voo militar - 17 Julho 1916, pelo Tenente Santos Leite, em Vila Nova da Rainha

A 17 de Outubro de 1909, houve também um curto voo junto à  Torre de Belém, em Lisboa, protagonizado pelo francês Armand Zipfel que  pilotou um avião Voisin Antoniette.   Por esse motivo alguns datam de 1909 o início da aviação no nosso país.

Com tantas datas diferentes pode haver alguma confusão. Razão tem a Força Aérea: está a comemorar os 100 anos começando em  2014 e acabando em 2016.

quarta-feira, junho 15, 2016

A realidade espanta mas não deve ser ignorada...



Eram 7,10 desta manhã quando caiu uma valente carga de água sobre Lisboa.

O quiosque dos jornais estava meio alagado e os proprietários (marido e mulher) amaldiçoavam S. Pedro por entre os dentes, ao mesmo tempo que se queixavam da prestação da selecção no jogo de ontem. A culpa (segundo o entendimento do casal) era da fraca forma do CR7  e dos dois centrais.

E porque é que não puseram o miúdo a jogar mais cedo??  Fernando Santos também não ficou muito bem neste retrato tirado a esta hora matinal por dois peritos no assunto.

Peritos? Pelo menos as fontes estavam sempre ali perto...Os jornais desportivos são sempre os primeiros a chegar ao quiosque. Mais do que posso dizer sobre os pretensos "peritos" comentadores que atravancam as TV's.

Mas adiante que não estamos em Amarante.

Já o vosso blogger esperava junto da porta da Versalhes que lhe franqueassem a entrada para o café da manhã quando entrou um dos meus companheiros de aventuras matinais. Vinha de cabeça descoberta e pingava.

Perguntei:
-" Mas não tinha guarda-chuva no carro?"
- Tinha, mas recuso-me a pactuar com estas reviravoltas nas estações do ano! Estamos a 15 de Junho! Devia fazer sol e calor a adivinhar o Verão. Se chove eu não me acobardo! Mostro desta maneira a minha revolta!"

Tá bem. Há casos destes, alguns dos quais estarão internados. Mas outros, como se prova, nem por isso.

Imagino se  tivessem a mesma filosofia  os revoltados alfacinhas com as obras que querem fazer a toda a pressa na nossa cidade? Entrariam alegremente com o carro pelo "canteiro" plantado pela autarquia no centro da Av. da República ( ou da 2ª circular)?

No fim de contas para eles era como se lá existisse pavimento, como sempre existiu...

Cito Lou de Olivier  (psicopedagoga, psicoterapeuta, especialista em Medicina Comportamental):

"A fuga da realidade mostra como nos esquivamos  de enfrentar as frustrações, um comportamento cada vez mais frequente, que faz o sucesso das telenovelas e dos consultórios.
E a vida real? Esta pode esperar ou até acontecer em paralelo, desde que não atrapalhe a novela"

terça-feira, junho 14, 2016

Só dá "bola"...


Resultado de imagem para Selecção, portuguesa

As minhas santas estão desoladas. A TV "só dá bola"!

Mesmo o canal preferido (CMTV), onde todos os dias viam com sofreguidão o rol das mortes e assassinatos (concluídos, pensados ou imaginados), se dedica nesta altura do mês a dar directos de França e do campeonato da Europa de futebol.

A versão pós-moderna da "Escrava Isaura" é interrompida a torto e a direito para dar entrevistas com emigrantes em França. Sacrilégio! Nódoa na honra de qualquer estação televisiva.

Já falam ambas em queixar-se por escrito. Por mim tudo bem. Trabalho nos correios e qualquer carta selada com selo mesmo é bem vinda. Até estou a ver se as convenço a enviarem uma carta cada uma...

Indignações da terceira idade à parte, estou mesmo assim convencido que esta sofreguidão em seguir a tendência e perseguir as audiências com uma indigestão de bola a toda a hora, ignora estratos respeitáveis da sociedade.

Eu gosto de futebol e até já reservei lugar para logo à noite, em frente à TV, para ver o jogo inaugural da nossa selecção. Mas entendo que esta doidice seja mal vista por quem passa o dia em casa sem mais  nada que fazer, aqueles ou aquelas para quem a TV é de facto a única janela para o mundo.

Dou um exemplo: quando se começaram a saber detalhes sobre o pavoroso assassinato colectivo em Orlando, todas as TV's nacionais abriram os noticiários com o futebol e com o que se estava a passar no estágio, as dores de barriga do Quaresma, os jogos de ping-pong do Vieirinha com o Moutinho...

É demais e é exagero. Acho eu, que, como disse, gosto de futebol e apoio os "Patrícios II".

Mas sem dúvida que houve quem "fizesse as contas" lá nos canais de Televisão. É o vil metal. O lucrozinho a chamar.

Recordo-me de uma célebre crónica de meu mestre Vasco Pulido Valente, no "Público" , por alturas do "Euro 2004" em Portugal. E dela respigo algumas frases que cito de memória:

"Cercado por todos os lados (ele morava na altura perto do Estádio da Luz) encontro apenas na abertura do centro comercial algum refrigério. Pelo menos na FNAC ainda não põem todas as Televisões sintonizadas no omnipresente futebol. Só algumas... Vou e venho provido de mantimentos líquidos e sólidos, para aguentar em minha casa que passe este destempero. E trago livros. Mesmo assim não encontrei  tampões para os ouvidos que cumprissem bem a sua função."

Existirão muitos portugueses que o compreenderão bem. E goste-se ou não de ver a "Escrava Isaura" sem interrupções, manda o bom senso que se reconheça que tudo o que é de mais enjoa.

Mas lá está, hoje é dia de ir pastar a vaca. Prá Frente Tugas!

quinta-feira, junho 09, 2016

Beja e Serpa no menu deste fds prolongado



Hoje à tarde há cerimónia no velhinho Largo do Correio em Beja, para a apresentação do Postal Inteiro Comemorativo dos Jogos Nacionais do CDCR dos CTT, que é o nosso Grupo Cultural Desportivo e Recreativo.

Logo a seguir, no feriado do 10 de Junho, teremos em Serpa - na Casa do Cante - e também pela tardinha, a evocação do Cante Alentejano Património Imaterial da Humanidade Unesco. Fizemos uma série de selos que hoje será apresentada em Serpa com um carimbo especial da mesma localidade.

"Molhó Bico" e "Lebrinha" estão na calha para experiências científicas que metem copos e pratos...Vamos a ver se ainda estão ao nível da fama que tinham.

Depois conto como foi.

quarta-feira, junho 08, 2016

O Gil Vicente, os 10 porcos (com V. licença) e o Canário



Não sei se viram ontem na SIC a grande entrevista ao Sr. Fiúza, Presidente do Gil Vicente de Barcelos , depois de sair da sede da Liga e comentando a razão que - 10 anos depois - o Tribunal Administrativo lhe deu naquela questão da inscrição supostamente mal feita do jogador Mateus.

Uma decisão que valeu a despromoção ao Gil e obviamente muitos prejuízos morais e materiais.

Ontem a FPF recomendou à Liga a integração "imediata" do Gil no 1º escalão do futebol nacional, nem que para isso seja necessário aumentar o número de clubes na competição.

Pois o Sr. Presidente Fiúza, compreensivelmente comovido e emocionado, não se conteve. Chamou os "bois" pelos nomes, atacou a Mafia existente há 10 anos na cúpula do futebol nacional e, em laia de catarse, anunciou a grande festa que está a preparar para a sua cidade:

"Serão 10 porcos assados no espeto! Vai lá estar o Quim Barreiros e o Canário (suponho que se referia ao Sr. Augusto Canário, cantor popular)!  Vai haver vinho verde! E Cerveja à descrição! E algum Champanhe ( aqui notámos alguma contenção). E estão todos convidados!"

Dou os parabéns ao Sr. Presidente, ao Clube e à magnífica cidade. Onde, mesmo sem porcos nem canários,  é mister irmos algumas vezes para comer no restaurante do Hotel Bagoeira, ou no magnífico Pedra Furada .

Viva Barcelos! Onde nunca comi galo... Lembrei-me agora.

terça-feira, junho 07, 2016

A simpatia à mesa



Fiquei um bocado aborrecido porque a reunião na Câmara Municipal de Évora  que se realizou ontem tinha sido marcada para as 14.00h (mais ou menos).

Ainda por cima numa segunda feira... depois de saber que o "Fialho" encerra às segundas feiras e a outra "ourivesaria" da cidade, a "Tasca do Oliveira",  embora aberta nesse dia só  dá almoços a partir das  12,30 h. Ou depois...

O que me levou a procurar comida num local perto da edilidade, sem grandes pretensões e sobretudo sem procurar mesa farta e de respeito.

Mesmo assim,  quando me sento para comer há "pormaiores" a que me vejo obrigado. Nem que seja pelo respeito que a mim próprio devo.

Entre eles: o bom acolhimento, os guardanapos de pano, a paparoca bem feita e a simpatia da chamada  "envolvente", onde incluo o preço justo e a vontade de voltar..

Pois onde parei ontem a paparoca não era mal feita. Quanto ao resto? Ai Jesus! E não me refiro ao do Sporting.

Devo dizer para quem me ache snob, que até  posso perdoar os guardanapos de papel,  se for em recinto atascado, mas onde o resto funciona e a tal simpatia existe.

Agora, entrar num restaurante às 12,15h e ser olhado como se fosse um bicho do mato pela tal "envolvente"? Com a desculpa de que "ainda era cedo"? Mas na porta estava escrito que abrem ao meio dia... e não estamos em Espanha!

Fruto desse pecado original tudo o resto (excepto a comida, que não era mal feita, e o grande branco da Vidigueira de Antão Vaz) correu malzinho. Eu era "aquele que tinha vindo cedo demais"...

E ainda por cima sozinho!

Não havia sorrisos para tal meliante. Não havia conversa. Havia um olhar ávido para ver se comia depressa e largava a mesa, porque à espreita já estavam alguns clientes habituais, dos que vinham a horas decentes.

Onde foi que isto se passou? Já não me lembro. Há sítios assim. Parece que passam por nós a 100 à hora e rapidamente caem no esquecimento total e absoluto.

Total e Absoluto também não posso dizer... Algum resquício do local terá que ficar na memória, para que me lembre de nunca mais lá voltar, nem sequer passar à porta. Livra!

Pôrra Compadres!!

segunda-feira, junho 06, 2016

Em Évora



Temos uma celebração marcada para o dia da Cidade de Évora, 29 de Junho .

Trata-se de comemorar os 30 anos da elevação da cidade a Património Mundial pela UNESCO. Hoje estarei com a autarquia a tratar deste assunto.

A ideia será reeditar como um Postal Inteiro  a imagem célebre do bloco filatélico de Maluda "Janela da Casa de Garcia de Resende", que foi considerado como o melhor selo do mundo e que foi emitido exactamente para celebrar a decisão da UNESCO, em 1988.



sexta-feira, junho 03, 2016

Para descansar a Vista...Olhando para o subcontinente indiano

Ainda no rescaldo da famosa assinatura do memorando de entendimento que nos vai permitir finalmente ( depois de quase 20 anos) celebrar em selos postais  as relações centenárias entre os povos de Portugal e da Índia, nada como dar ao manifesto um poema com reminiscências do grande subcontinente indiano.

Com "chapelada" à Universidade de Coimbra (de cujo site o retirei) aqui anexo "6 poemas de Goa", de Liberto Cruz (1935-).


SEIS POEMAS DE GOA

1. Atravesso
    Devagar
    A ponte
    Dos Portugueses.
    Tem cinco séculos.

Uma saudade de pedra.


2. Terra vermelha.
    Verde o arroz.
    De chumbo
    Um céu dourado.
    Sortilégios
    Multicolores.


3. Dia da cobra:
    Ninguém trabalha.
    Respeita,
    Diz-me o jardineiro,
    E serás
    Respeitado.


4. Bairro das Fontaínhas:
    Sinto-me em casa.
    A paisagem
    Respira-se
    Como quem
    Saúda um vizinho.


5. Bovinamente altivos
    Os búfalos
    Pisam os campos
    Do arroz.
    Seu território
    Percorrem.


6. Festa do Ganesh.
    Cumprida a missão
    Deslizam
    Depois
    De tromba diversa
    Pelas águas do Mandovi.

Pangim, Julho/Setembro de 1996
Liberto Cruz
Nota:  Para além da sua obra como ensaísta, crítico literário, tradutor, coordenador de publicações de obras literárias, Liberto Cruz publicou seis livros de poemas – Momento, Névoa ou Sintaxe,Itinerário, Distância, Caderno de Encargos e Sequências; dois poemas longos em forma de pequeno livro – A Tua Palavra e Ciclo–; uma Gramática Histórica, próxima da poesia experimental, um diário de guerra em brevíssimos versos- Jornal de Campanha. A sua poesia figura em inúmeras antologias.

quarta-feira, junho 01, 2016

Em conversas com a Índia



Depois de Vasco da Gama ter chegado a Calecut as relações institucionais entre os tugas e os indianos têm sido assim-assim, para não dizer com altos e baixos...

Por lá andaram uns fulanos pouco recomendáveis (do ponto de vista local) - como o D. João de Castro e o Afonso de Albuquerque - por lá fomos recebidos e roubados , roubámos e recebemos, conquistámos e fomos conquistados, naufragámos e navegámos, e acabámos por fazer de  Goa placa giratória para Malaca e para a China e Japão.

Nos tempos mais modernos houve a "invasão" de Goa pelos indianos em 1961, a quebra de relações diplomáticas subsequente e o reatar das mesmas depois de 1974.

Tentei em 1998 fazer uma emissão de selos conjunta com a Índia sobre a chegada do Gama. Chamei-lhe "encontro de culturas",  para não dar a ideia de nos estarmos a armar em neo-colonialistas ( não confundir com neo-liberais). Mas debalde. Nem de balde, nem de pá e enxada, quiseram fazer a emissão de selos conjunta naquela altura...

Passados quase 20 anos foram os amigos indianos que se aproximaram de nós a pedir para fazermos os selos com o mesmo tema e para saírem no mesmo dia. 500 Anos de Relacionamento e encontro de culturas.

Quem imaginaria uma coisa destas?

Claro que dissemos que sim e estamos a trabalhar para resolver este assunto. O tema dos selos serão duas danças folclóricas de Portugal e da Índia com semelhanças: a dos Pauliteiros de Miranda e a Dandya Dance (Gujarat).

Ontem cá recebemos duas colegas da India Post e assinámos o acordo protocolar.

Saída destes selos está prevista para 26 de Setembro.



terça-feira, maio 24, 2016

O preço das coisas



Já pouco me espanta. Mas algumas situações do dia-a-dia ainda provocam algum sobressalto.

O que me parece ser sinal que as sinapses ainda estão a funcionar. Nas minhas tarefas de "dono de casa", que cumpro com muita honra e gosto pessoal, dou por mim várias vezes a questionar o preço das coisas que vejo e depois adquiro.

Um exemplo para o lado positivo é o assombroso preço a que se podem comprar hoje vinhos de qualidade. A menos de 5 euros por garrafa  podemos beber muito bem (sem vírgula entre os dois adjectivos).
Nos brancos e sem preocupações de ser enciclopedista, temos: Adega de Pegões colheita seleccionada, Quinta de Pancas e Ana Vieira Pinto Regional Alentejano 2014.
E nos tintos: Cerqueiral Vinhão (Arcos de Valdevez), Porca de Murça Colheita, e Vinhas Boas Dão 2009 (Cancela de Abreu).

Outro exemplo mas desta vez para o lado negativo é o preço do kg do peixe de captura: Cherne a 28€, Pargo a 25€, Dourada a 23€, Robalo a 23€, Garoupa a 18€, Sargo a 15€.

Pescada grande, daquelas de 3kg? Está pelo preço do ouro e da  prata...

Quem queira trazer para casa peixe de mar para cozer e para 4 pessoas vai refugiar-se na corvina por uns 14€ o kg.  Terá de comprar um peixe com 2 kg. Fica cada posta (incluindo a cabeça) por 7€... são postas grandes. Mas mesmo assim...

O que nos deixa na obrigação de começarmos a "pesar" a questão da aquicultura.

Para quem, como eu, foi habituado a ver chegar à praia dos pescadores as traineiras com o pescado da noite , esta história de "peixe de estufa" custa-me a encarar.

Mas há quem jure e trejure que a má fama vem das antigas explorações intensivas, feitas sem método e sem supervisão, abusando dos antibióticos ilegais e quase não deixando o peixe mexer-se.

E que hoje, pelo contrário,  as modernas operações de aquicultura permitem que os peixes nadem e que a sua alimentação seja mais condigna com os preceitos de higiene e de sabor.

Faço minhas as palavras deste especialista (Manuel Meireles; Delegado Regional da DRAPLVT): A nossa aquicultura está instalada em locais abrigados, principalmente nos estuários e por essa razão sujeitas a limitações especiais: os produtores estão impedidos de os criar de forma intensiva, o que é bom para o ambiente e bom para a qualidade do pescado. Os peixes da aquicultura que consumimos são importados e produzidos de forma massiva. Serão mais baratos, mas têm o mesmo sabor?

Ou seja, até na aquicultura há que defender o que é nosso!

segunda-feira, maio 23, 2016

Tempo de Bruxas e de resumo da matéria dada



"A chover e a fazer sol, estão as bruxas no paiol, a cozer o pãozinho mole"

Este Maio vai assim estranho. Sexta de inferno, depois da chuva fora de época. Melhoria do tempo e subida das temperaturas  para ir outra vez chover já na 4ª feira, (Instituto do Mar e da Atmosfera  dixit).

Também foi uma época agourada para os meus amigos adeptos do FCP (felizmente tenho muitos). Futebóis à parte vai aqui um abraço para todos e a menção que a vida é como os alcatruzes da nora, uma vezes para para cima e outras para baixo.

Honra ao Braga que jogando sempre na melhor tradição do "catenaccio" milanês acabou por ser feliz.

O SCP esteve bem, lutou até ao final, talvez um pouco "palavroso de mais", mas a culpa não é dos jogadores nem dos adeptos.

E o meu Estoril-Praia por uma unha negra não foi este ano à Europa, por causa de uns desastres nas duas últimas jornadas, com auto-golos e coisas parecidas.

O "Glorioso" SLB sai em ombros pela porta grande. Mas depois da "sangria" dos seus melhores jogadores já ninguém aposta como será a próxima época. O dinheiro pesa...

Começa agora o Campeonato da Europa, para dar distracção ao povo, que bem precisa. A praia não está convidativa e o subsídio de férias já não é o que era...

Nesta zona de veraneio onde moro,  as esplanadas, bares e restaurantes preparam a grande faina da época alta, de Junho a Setembro. Que tenham sorte! Bons clientes que não acompanhem a refeição com água é o que lhes desejo.

Agosto é o mês de pagar o IRS... Até me doem as costas a pensar nisso.

E com esta me vou, que hoje há Médicos e Hospitais para visitar. Outra vez...

Uma dor nunca vem só.

quinta-feira, maio 19, 2016

A caminho de Viseu



Lá vou andando, para as comemorações dos 500 anos da Misericórdia de Viseu.

Ir e vir rapidamente, Por causa da "santa". Agora que está melhor pensa que é a Naide Gomes ou a Rosa Mota e já lhe foge outra vez o pé para a brincadeira...

Se não andamos de olho nela basa imediatamente porta fora para ir ter com as amigas. Um perigo!

Almoço num local novo - O cantinho do Tito - e depois digo como foi.

terça-feira, maio 17, 2016

Sovinas e outros Invejosos



Acordei a pensar num amigo infelizmente já falecido e com o qual "contracenei" vários anos nas minhas funções. Ele, e mais alguns de que não darei nomes (obviamente), eram peritos na nobre arte de passar por entre os pingos da chuva no acto do pagamento.

Provavelmente a "câmara lenta" teria sido inventada quando alguém reparou no tempo que cada um destes senhores ( e senhoras) levava a tirar a carteira do bolso do casaco ou da mala.

Estes profissionais da poupança tinham esquemas admiráveis. Um dos que presenciei consistia em , chegados ao restaurante, pedirem um vinho dos caros que não havia na carta.  Perante o lamento do funcionário que os atendia a resposta era rápida:
"- Era isto que me estava a apetecer...Se não há,  olhe, dê-me uma imperial. Mas sff traga-me só o copo quando chegar o prato de comida à mesa! Não aprecio beber sem acompanhamento!".

Era uma espécie de  gente que telefonava para quem os convidava para um acontecimento público, como um concerto, e dizia com uma "lata" grandiosa:
-"Boa tarde! Venho confirmar a minha presença no concerto. Tenho um pequeno problema que decerto me vai resolver. Em minha casa jantam hoje comigo dois amigos. Sff mande-me bilhetes também para eles."

Quando começámos a fazer apresentações públicas dos nossos livros existia uma lista de individualidades a quem dávamos os livros porque tinham colaborado com a edição, oferecido imagens, etc...

Os tais "muletas negras" das borlas pareciam os abutres do Lucky Luke à espera do cadáver.
Logo que percebiam que havia livros oferecidos e outros vendidos não hesitavam.  Dirigiam-se à "banca" e apresentavam-se, Depois continuavam a conversa dizendo que tinham colaborado activamente na divulgação do livro. Se não fossem eles nem fulano nem sicrano teriam tido conhecimento do assunto. E acabavam exigindo um exemplar.

A frase mais utilizada por tais criaturas é sempre: -"Hoje paga você. Mas para a próxima sou eu! Está combinado!"

A "próxima vez" calhava sempre a 30 de Fevereiro...

Uma vez fizemos a folha a um destes sovinas. Tratava-se de uma daquelas reuniões com centenas de colegas, num hotel da zona centro onde dormíamos de seguida.

Perante a conhecida mania do "encostanço às notas dos outros" de um colega, achámos que estava na altura de lhe dar uma lição de boas maneiras. Conseguimos saber o número do quarto dele e a partir daí todas as bebidas consumidas por nós  no bar iam para aquele quarto!

Na altura da saída - e estamos a falar da época dos "contos", onde um whisky à noite depois da reunião de trabalho não parecia nada mal, e custava uns 200 escudos - o "homem" chegou-se ao balcão e pediram-lhe 17 contos de consumo de bar!

Os uivos ouviram-se no hotel todo...Bem feito!

A inveja , tal como a sovinice, também é uma coisa feia...

Eu tinha por norma basar sempre na altura dos jantares dessas reuniões magnas de trabalho com centenas de participantes.  Ia comer onde bem me apetecia, escolhendo os melhores restaurantes da zona onde era a reunião.

O Presidente dos CTT na altura - que gostava de comer bem e de beber ainda melhor, tal como eu - ficava furioso quando percebia que o "Je" já ia a caminho do leitãozinho do Mugasa, com um ou dois colegas, deixando para trás a reles carne assada da comunidade...

Então (invejoso do caraças!) colocou as minhas colegas das Relações Públicas à espreita do (s) impetrante (s) que se baldavam ao jantar comunitário. Estava eu a sair do estacionamento do hotel e lá vinham a correr as colegas:
-"Oh Doutor! Olhe que o Dr. Pilar já anda a perguntar por si! Tem de se sentar à mesa dele!"

E lá ia eu, porque o respeitinho era de mote com uma "criatura" daquelas...

Logo que me via o Presidente mandava logo a bojarda:
- " Queria comer bem não? E Beber melhor? Pois eu também! Sente-se aqui e aguente porque eu faço o mesmo! Era o que faltava! Você no bem bom e eu aqui a comer m***!

Bons tempos malta!

sexta-feira, maio 13, 2016

Para Descansar a Vista



Lá continuo com as férias "atípicas"... Ontem fui a Lisboa para a reunião da Comissão de Honra da AHRESP e ficou o "senhorio" a tomar conta do forte. Do forte não! Da castelã... Que vai bem melhor das dificuldades físicas. O problema é a cabecita. Não será a única...
Hoje dou um salto aos serviços de manhã e regresso logo a seguir.

No Domingo haverá a mudança de nome do velho aeroporto da Portela para aeroporto "General Humberto Delgado" e lá estarei com a "caixa" dos carimbos de prata.
Será também a 1ª "carimbadela do atual 1º ministro. O Prof. Marcelo já manipulou a "ferramenta" na Gulbenkian, para os "75 anos da Liga Portuguesa Contra o Cancro".

Sai então o habitual poema das sextas feiras, hoje dedicado ao Verão. O qual deve estar como a minha "santa", Esquecidinho de todo!

Aqui vai Fernando Pessoa, no seu disfarce de Alberto Caeiro:

No entardecer dos dias de Verão, às vezes, 
Ainda que não haja brisa nenhuma, parece 
Que passa, um momento, uma leve brisa... 
Mas as árvores permanecem imóveis 
Em todas as folhas das suas folhas 
E os nossos sentidos tiveram uma ilusão, 
Tiveram a ilusão do que lhes agradaria... 
Ah, os sentidos, os doentes que vêem e ouvem! 
Fôssemos nós como devíamos ser 
E não haveria em nós necessidade de ilusão ... 
Bastar-nos-ia sentir com clareza e vida 
E nem repararmos para que há sentidos ... 
Mas graças a Deus que há imperfeição no Mundo 
Porque a imperfeição é uma cousa, 
E haver gente que erra é original, 
E haver gente doente torna o Mundo engraçado. 
Se não houvesse imperfeição, havia uma cousa a menos, 
E deve haver muita cousa 
Para termos muito que ver e ouvir ... 

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XLI" 


quarta-feira, maio 11, 2016

O saber de experiência feito: recuperando o Velho do Restelo?



Embora todos saibam que a frase do titulo é dos Lusíadas, talvez nem todos se lembrem quem é o personagem que a diz. É o "Velho do Restelo", no canto IV, oitava 94:

Mas um velho d'aspeito venerando,
Que ficava nas praias, entre a gente,
Postos em nós os olhos, meneando
Três vezes a cabeça, descontente,
A voz pesada um pouco alevantando,
Que nós no mar ouvimos claramente,
C'um saber só de experiências feito,
Tais palavras tirou do experto peito


Habituámo-nos a dar valor à frase, mas sabendo que quem a disse foi o "Velho do Restelo", a quem toda a vida considerámos retrógrado e defensor do passado,  um inimigo do progresso, como ficamos?

Há quem julgue que este "Velho" tem de ser reabilitado. Eu próprio, não sei se por estar já a entrar nos "60's" , sou daqueles que - em parte - compartilham essa opinião. 

Se nos lembrarmos bem da saga dos Descobrimentos veremos que começou bem (mais ou menos) mas acabou mal:

"O Velho do Restelo representa a voz da razão num momento de euforia e deslumbramento, a voz da experiência perante a irreverência. Em certa parte, os seus conselhos acabaram por se revelar proféticos, pois a prosperidade das Descobertas cedo se revelou fugaz, seguindo-se a decadência económica e territorial, que acabou na perda da independência".

Se ponderássemos tudo o que se deveria fazer com a tal "voz da razão" não tínhamos ido à Lua? Se calhar não... Mas porventura também não teríamos tido as grandes guerras e outras grandes tormentas. Neste balancear entre a "razão" e a "aventura da emoção"  pesamos o progresso da civilização.

Segundo Popper, "no âmbito da investigação científica, o pensamento crítico sempre procede de modo contra-indutivo; isto é, gerando novas teorias aparentemente sem bases ortodoxas que possam testar-se experimentalmente e derrubar as antigas".

Para que essas novas teorias sejam geradas é fundamental existir imaginação criadora.  E por causa disso é que continuo a discordar do "Velho do Restelo". Quem pensa dentro da caixa e avança seguro pelas estrada de alcatrão raramente encontra os novos caminhos.

Alguns desses novos caminhos foram dar a Hiroshima, é verdade. Mas também abriram portas para que a  esperança de vida à nascença em Portugal seja hoje de 80 anos...

Peixe ou carne? Ao invés de gritarmos "muito",  como fazia o esfomeado da anedota, manda a atual conjuntura que se diga "ambos, na proporção adequada".

E aqui é que a porca (com vossa licença) torce o rabo. Somos uma raça de extremos.